Experiência do Coletivo de Mulheres da Fisenge é destaque em painel do Confea

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“Fiz questão de coordenar o Comitê Gestor do Programa Mulher para dar a sua dimensão política de que ele é prioritário. Vamos fazer um belíssimo Programa Mulher, um novo patamar para que ele fique enraizado no Sistema, deixando essa marca de maneira irreversível no Sistema”, declarou o presidente do Confea, eng. civ. Joel Krüger, durante o painel do Programa Mulher, na manhã desta sexta (14), no encerramento do 9º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua, realizado desde quarta-feira, em Brasília.

A expectativa geral do Comitê Gestor do Programa Mulher, que deu início aos debates do painel, é de contribuir para a discussão de temas relacionados à inserção no mercado de trabalho, à representação no Sistema e também a temas mais próximos da realidade das profissionais. Propostas que já vêm sendo conduzidas por meio dos Regionais, de entidades como a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e, desde o final do ano passado, pelo Confea, conforme exposto no Painel. Em 2018, havia 179 conselheiras titulares (de um total de 1520) e ainda 35 diretoras (de um total de 189). Atualmente, o Sistema registra quatro mulheres ocupando a função de presidente dos Regionais, além de duas conselheiras federais suplentes.

Com bom público até o final, entre homens e mulheres, o Painel Mulher registrou inclusive as participações dos presidentes Ricardo Rocha (Crea-PR), Luís Edmundo Campos (Crea-BA), Fátima Có (Crea-DF) e Ana Adalgisa (Crea-RN) e ainda do presidente da Fenemi, Marco Aurélio Garcia, e do ex-presidente do Confea, eng. civ. Marcos Túlio de Melo.

Integração
Coordenador do Comitê, Joel comentou que o Programa Mulher é de todo o Sistema e “das mulheres”, pois valoriza todas as práticas que ocorrem no Sistema, inclusive nas entidades de classe e instituições de ensino, e também fora do Sistema. “Nosso programa é para envolver a mulher na Engenharia, na Agronomia, na Geologia, na Meteorologia, mas também para falar das questões das mulheres, das agressões e casos de feminicídios etc. É importante também falarmos para os homens, que precisam trabalhar juntos, embora o programa tenha que ter a cara das mulheres. Nessa linha, procuramos formatar esse programa diferentemente do que já ocorreu no passado, quando era muito interno do Confea, sem a integração no Sistema como um todo. Tudo o que faremos terá que passar pelo Conselho Federal, inclusive as tratativas com o Congresso Nacional. Precisamos ter essa integração com o plenário e fora do Sistema”. 

“Fiz questão de coordenar o Comitê Gestor do Programa Mulher para dar a sua dimensão política de que ele é prioritário. Vamos fazer um belíssimo Programa Mulher, um novo patamar para que ele fique enraizado no Sistema, deixando essa marca de maneira irreversível no Sistema”, declarou o presidente do Confea, eng. civ. Joel Krüger, durante o painel do Programa Mulher, na manhã desta sexta (14), no encerramento do 9º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua, realizado desde quarta-feira, em Brasília.

A expectativa geral do Comitê Gestor do Programa Mulher, que deu início aos debates do painel, é de contribuir para a discussão de temas relacionados à inserção no mercado de trabalho, à representação no Sistema e também a temas mais próximos da realidade das profissionais. Propostas que já vêm sendo conduzidas por meio dos Regionais, de entidades como a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e, desde o final do ano passado, pelo Confea, conforme exposto no Painel. Em 2018, havia 179 conselheiras titulares (de um total de 1520) e ainda 35 diretoras (de um total de 189). Atualmente, o Sistema registra quatro mulheres ocupando a função de presidente dos Regionais, além de duas conselheiras federais suplentes.

Com bom público até o final, entre homens e mulheres, o Painel Mulher registrou inclusive as participações dos presidentes Ricardo Rocha (Crea-PR), Luís Edmundo Campos (Crea-BA), Fátima Có (Crea-DF) e Ana Adalgisa (Crea-RN) e ainda do presidente da Fenemi, Marco Aurélio Garcia, e do ex-presidente do Confea, eng. civ. Marcos Túlio de Melo.

Integração
Coordenador do Comitê, Joel comentou que o Programa Mulher é de todo o Sistema e “das mulheres”, pois valoriza todas as práticas que ocorrem no Sistema, inclusive nas entidades de classe e instituições de ensino, e também fora do Sistema. “Nosso programa é para envolver a mulher na Engenharia, na Agronomia, na Geologia, na Meteorologia, mas também para falar das questões das mulheres, das agressões e casos de feminicídios etc. É importante também falarmos para os homens, que precisam trabalhar juntos, embora o programa tenha que ter a cara das mulheres. Nessa linha, procuramos formatar esse programa diferentemente do que já ocorreu no passado, quando era muito interno do Confea, sem a integração no Sistema como um todo. Tudo o que faremos terá que passar pelo Conselho Federal, inclusive as tratativas com o Congresso Nacional. Precisamos ter essa integração com o plenário e fora do Sistema”. 

Conselheiro federal, o engenheiro agrônomo João Bosco de Andrade é considerado o padrinho do Programa, por ter sido o relator da matéria no plenário do Confea. Lembrando o Gênesis, o conselheiro afirmou que as mulheres devem ter igualdade com os homens. “Não deve ter diferença. As diferenças são individuais. O que precisa mudar é a cultura dentro de nós mesmos, inclusive dentro das próprias mulheres, que, às vezes, se acham inferiores. Espero que essa igualdade seja alcançada e que a gente mude esse conceito que valorizou muito a força física. Há muitas mulheres competentíssimas, não existe superioridade de gênero. Temos que acabar com o sentimento de propriedade que leva ao feminicídio. Assim, vamos fazer o possível para que essa igualdade seja alcançada”, disse, sendo bastante aplaudido e elogiado posteriormente pelos debatedores.

Comitê defende a igualdade de gêneros
Diretora da Mulher da Fisenge e engenheira química Simone Baía  parabenizou as palavras do conselheiro João Bosco. “Vim para esse comitê com a esperança de ver esse programa em todos os Creas e em todas as entidades, que são a base do Sistema. Vocês estarem aqui tão cedo reforça essa esperança. Queremos ter uma sociedade melhor para homens e mulheres”, comentou em seu primeiro depoimento na manhã.

Engenheira civil, a representante das coordenadorias de câmaras especializadas no Comitê, Flávia Roxim, destacou que o tema vem sendo muito debatido, com foco na igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres, das classes e das oportunidades de trabalho. “Estamos trabalhando o ODS 5 que trata da igualdade de gênero. É importante que se saiba os verdadeiros significados das palavras para não divulgarmos informações erradas”.

Diretora da Federação Nacional de Engenharia Mecânica e Industrial – Fenemi, Michele Ramos reconheceu que a entidade é “uma federação praticamente masculina, porque somos poucas engenheiras mecânicas”. Michele Ramos destacou seu ânimo em disseminar as propostas do Comitê. “Hoje, a gente vê uma participação feminina muito maior. É gratificante fazer parte deste painel, é uma honra muito grande”, apontou.

Presidente do Crea-ES, a engenheira civil Lúcia Vilarinho comentou que foi dentro do “coletivo” que se conscientizou da importância da temática. Dizendo-se honrada de representar o Colégio de Presidentes, afirmou que “é muito importante ter essa inspiração em torno da participação feminina, pois a gente precisa de um mundo mais igualitário, mais humano”,  afirmando ainda que o conselheiro João Bosco “arrasou” em seu depoimento e que buscará incentivar essa luta.

Feminismo em ação
A secretária executiva do Programa Mulher, Fabyola Resende, destacou a atuação do coordenador do Comitê, comentando que o presidente do Confea “dá muito orgulho às engenheiras”. Afirmou a importância da construção do conceito de “sororidade”, termo que consta do glossário da cartilha apresentada durante o painel, em torno da valorização da sinergia feminina. “Temos que nos manifestar sobre temas relacionadas ao feminino, mas sobretudo construir essa irmandade que será algo que vai ficar para o Sistema”, descreveu, aprofundando em seguida a discussão dos conceitos fundamentais e ressaltando a data de 23 de junho como data da Equidade de Gênero no Sistema.

“Teremos uma ação do Sistema pela primeira vez, com a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, um estande do Confea, no mês de março, em referência ao Dia Internacional da Mulher. Assim, vamos criando mais relacionamentos, trabalhando cada vez mais em conjunto”, disse, destacando que o Programa Mulher poderá abrir a consciência dos parlamentares para outras temáticas de interesse do Sistema.

Para Fabyola, é preciso ir além do Painel. “Tendo oportunidades de confraternização, buscando a diferença. Essa cartilha é a primeira versão, vamos torná-la dinâmica, envolvendo novas metas, conforme a participação de vocês”, disse, ressaltando o papel da comunicação do Confea para mudar o cenário atual.

Engenheira Eugênia

Os regionais e as entidades também apresentaram as suas boas práticas no evento. Diretora de Planejamento da Fenemi, Michele Ramos voltou ao painel para descrever as práticas do programa instituído na entidade. “Não adianta ter uma entidade que discuta somente interesses masculinos, e a Fenemi tem discutido bastante a valorização feminina no mercado de trabalho”. Em parceria com o Sindratar  do Rio e de São Paulo e com a Ashare – entidade internacional voltada para a área de ar-condicionado e refrigeração, a Fenemi “tem procurado dar suporte às mulheres da área, buscando também desenvolver pesquisas”.

A engenharia Simone Baía considerou que a Fisenge tem uma história de valorização e empoderamento da mulher. Coletivo e Diretoria de Mulheres são as principais conquistas femininas na entidade, respectivamente, em 2008 e 2011. “Precisávamos estar na instância de decisão, diante de tantas pautas de trabalhadoras, de engenheiras”, diz, informando que combater a desigualdade de gênero e as práticas discriminatórias na engenharia são alguns dos objetivos do Coletivo, que tem promovido a campanha “Soea sem machismo”, nos últimos anos, durante a Semana Oficial de Engenharia e Agronomia.

Em 2013, foi lançada uma história em quadrinhos em torno da Engenheira Eugênia, personagem “que representou as mulheres reais”, vencedora do Prêmio de Direitos Humanos da Anamatra em Comunicação, no ano de 2016. Já no ano seguinte, havia aumentado a participação feminina na Executiva e no Conselho Fiscal. Em 2017, quando o Consenge (Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros) reuniu pela primeira vez 80 mulheres, ficou definida a paridade de representação. Em 2019, outro marco foi a participação de Simone na Conferência Mundial de Profissionais, na Malásia, representando as Américas. “Nossa esperança é de que o Programa Mulher se reproduza nos Creas e nas entidades”, acrescentou. Também presentes no evento, as integrantes do Coletivo de Mulheres da Fisenge, Lindalva Dantas e Celma Viana, destacaram a consolidação do trabalho da Federação ao longo de tantos anos. “Ver esse auditório lotado com a discussão sobre as questões das mulheres é um avanço, e também motivo de orgulho do trabalho coletivo realizado pelo Coletivo. É muito simbólico ver jovens engenheiras se engajando na discussão”, pontuou Lindalva. Celma destacou os relatos de vagas de empregos destinados preferencialmente a homens: “Ouvimos muitos relatos de mulheres recém-formadas que não conseguem emprego porque há um privilégio para os homens ocuparem essas vagas. Precisamos amplificar um trabalho de conscientização com as empresas. Muitas vezes, ouvimos: ‘essa menina inventou de fazer engenharia’. Nós não inventamos, nós fazemos engenharia e queremos trabalhar”.

Creas Paraná e Goiás
Coordenadora do Comitê Mulheres do Crea-PR, a conselheira e engenheira agrônoma Daniela Alves dos Santos descreveu que o órgão teve início em 2017, sob a presidência de Joel Krüger. Fomentar o empoderamento de mulheres e o aumento da participação feminina nas decisões  do Sistema Confea/Crea”, sendo atualmente 13 das 130 conselheiras. Com reuniões mensais e promoção de palestras, o Comitê de Mulheres atuará a partir de 2020 por meio de comitês regionais. “Vamos conversar com as cooperativas para, por exemplo, mudar o cenário de pouca contratação de engenheiras agrônomas”.

Assessora institucional do Crea-GO, a especialista em políticas públicas Denise Castro apresentou o Programa Mais Mulher do Regional, criado em outubro do ano passado, no esteio do Programa Mulher do Confea. “Fico feliz que em um tempo tão curto já alcançamos muito, e acredito que contribuiremos para diminuir a desigualdade dentro do Sistema”, disse a assessora do programa em Goiás. Destacando a atuação feminina junto ao Crea Jovem e à diretoria, formada por 50% de mulheres, ela destacou que “ao pensar políticas públicas estão embutidos valores e crenças pessoais”, destacando a importância de mudar comportamentos por meio da mudança de atitudes no Conselho, tendo desenvolvido junto à Universidade Federal de Goiás – UFGO um projeto para evitar a evasão acadêmica, além de parceria com o Sebrae, em torno do empreendedorismo para mulheres fora do mercado de trabalho e ainda um Observatório de Gênero, entre outras iniciativas. Denise apontou ainda a apresentação de sugestões por meio do email [email protected] para a Soea em Goiânia.

Experiências 
Iniciativas de valorização à participação  das mulheres no Sistema vêm sendo também tomadas pelo Crea-PE, por meio do Programa Crea-JR. Durante a troca de experiências ao final do debate, a coordenadora do programa em Pernambuco, engenheira civil Roberta Meneses, representante do plenário no órgão, frisou que a ex-coordenadora, Laisa Barreto, está na nacional como coordenadora adjunta. E apresentou o “case de sucesso” do projeto Mulheres no Mercado de Trabalho, que foi destaque nacional no Crea-JR por 30 vezes em 2019, quando o  Núcleo Agreste do Crea-JR tomou a ação de promover cortes de cabelo para a produção de perucas  para mulheres em tratamento de câncer no Estado.

Engenheira ambiental e engenheira civil Liane de Moura Fernandes Costa, vice-presidente da Federação Nacional das Associações de Engenheiros Ambientais e Sanitaristas (Fneas), apresentou ao final do evento um levantamento sobre a equidade de gêneros junto a 22 associações da entidade. “Dez delas têm maioria feminina e 9 têm mulheres na presidência. Mas a maioria não tem a equidade prevista em estatuto, porém a maioria das associações tem esse equilíbrio. Vamos buscar sugerir que as associações prevejam no estatuto e na diretoria uma participação mais efetiva”, considerou. 

A APRESENTAÇÃO COMPLETA DA FISENGE PODE SER LIDA AQUI

 

 

Edição: Fisenge

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea

Fotos: Marck Castro, Edinaldo Rufino e André Almeida/Confea