Distribuidoras da Eletrobras são vendidas em leilão sem concorrência

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Três distribuidoras da Eletrobras foram vendidas, sem disputa, por R$ 50 mil cada, praticamente um valor simbólico. “Privatização reabre as portas para o desmonte do setor elétrico”, denuncia eletricitária.

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Foto: EBC

O governo, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), entregou de bandeja, nesta quinta-feira (30), três empresas do Sistema Eletrobras à iniciativa privada.

Em nenhum dos leilões houve concorrência e as distribuidoras foram vendidas apenas com a apresentação de uma proposta em cada um deles. O preço de venda foi de R$ 50 mil por empresa, praticamente um valor simbólico que será pago à Eletrobras. A Energisa arrematou duas distribuidoras, a Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre) e Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron). Já o Consórcio Oliveira Energia comprou a Boa Vista Energia, distribuidora de energia em Roraima. 

Para a diretora do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (STIU-DF), Fabiola Latino, a privatização das distribuidoras reabre as portas para o desmonte do setor elétrico estatal. “A entrega das distribuidoras à iniciativa privada coloca a população dos estados em uma situação de vulnerabilidade”.

“É certo o aumento na tarifa de energia e a precarização na prestação do serviço. Basta ver os efeitos da privatização da Celg para a população de Goiás que, além da perda da capacidade técnica, com demissões e a ampliação das terceirizações, teve a conta encarecida”, diz.

A dirigente destaca, ainda, que a decisão de vender as empresas contraria a liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que proibiu o governo de privatizar empresas estatais sem a autorização prévia do Congresso Nacional. “A luta e a pressão contra a entrega do patrimônio público vão continuar”, garante Fabiola.

Após o resultado, a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) conclamou a base a fazer pressão junto ao Senado para não aprovarem o projeto de lei que tramita na Casa e que também prevê a venda de distribuidoras da Eletrobras (saiba mais abaixo).

“Nossa luta não tem trégua! Agora toda a pressão junto aos senadores para não aprovarem o projeto sobre as distribuidoras, uma vez que, em liminar, o ministro Lewandowski proibiu o governo de privatizar empresas estatais sem autorização”, diz o texto.

Os trabalhadores e trabalhadoras das empresas de distribuição de energia da Eletrobras se mobilizaram durante todo o processo de venda. Além de ações na Justiça, os eletrictários paralisaram as atividades por 72 horas entre os dias 28 e 30 de agosto contra a suspensão da liminar que impedia a privatização das companhias de eletricidade do Norte e Nordeste.

Demais distribuidoras

O leilão da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) continua suspenso devido a decisão judicial do ministro Lewandowski, que impediu a venda da companhia, após ação movida pelo governo do estado.

Já o leilão da Amazonas Distribuidora de Energia (Amazonas Energia), que também ocorreria hoje (30), foi remarcado para o dia 26 de setembro.

A primeira distribuidora a ser vendida foi a Companhia Energética do Piauí (Cepisa), em leilão realizado no dia 26 de julho. A Cepisa foi adquirida pela única proponente, a Equatorial Energia S.A., que pagou apenas R$ 50 mil para arrematar.

Na Pressão: mobilização continua

Contra a entrega do patrimônio público que pertence ao povo brasileiro, como as distribuidoras da Eletrobras e o Pré-Sal, eletricitários e petroleiros, com o apoio da CUT, lançaram uma campanha para pressionar os senadores a votarem contra os projetos de lei que permitem a entrega das estatais.

Para isso, basta acessar o site Na Pressão e mandar e-mail, telefonar ou postar recados nas redes sociais dizendo que é contra a entrega a preço de banana do patrimônio público brasileiro.

Ao acessar o site Na Pressão, o usuário encontrará duas colunas: a azul corresponde aos senadores favoráveis aos projetos e a coluna verde são os parlamentares que querem manter a energia e o petróleo com o controle do povo brasileiro.

É possível enviar mensagem a cada senador de forma individual ou é possível optar por encaminhar, de uma só vez, e-mail para todos os parlamentares indecisos ou a favor do governo pelo link “Ativar Ultra Pressão”. Ao clicar na foto individual do parlamentar, é possível acessar informações completas do deputado, como partido, estado e até mesmo contato para envio de mensagens por meio do whatsapp.

> Acesse o site e comece a pressão aos senadores.

Fonte: CUT

Com informações da Agência Brasil e STIU-DF