Seagro-SC divulga artigo para o 8 de março

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Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher e o SEAGRO-SC homenageia todas as colegas de categoria, relembrando que na última posse da diretoria executiva, em dezembro de 2012, o sindicato registrou um fato histórico: a nova gestão, empossada na data, conseguiu reunir 16 engenheiras agrônomas, seis a mais do que na eleição anterior.A composição de mulheres corresponde a 25% da diretoria executiva, um dado muito relevante, já que no SEAGRO apenas 8,8% dos associados são mulheres. Uma conquista que deve ser celebrada todos os dias.
Para sair do tradicional, o SEAGRO-SC apresenta, como “presente” a todos, um artigo especialmente para comemorar a data, de autoria da professora Dra. Miriam Pillar Grossi, um ícone internacional nos estudos da mulher, em conjunto com sua orientanda Izabela Liz Schlindwein, redigido especialmente para o SEAGRO, focado no tópico: mulheres no poder e em espaços de trabalho antigamente mais masculinos e os desafios das mulheres profissionais hoje. Uma boa leitura a todos.

O 8 de março e as desigualdades de gênero no espaço de trabalho
Miriam Pillar Grossi* e Izabela Liz Schlindwein**
O fato de termos uma mulher, Dilma Rousseff, na presidência do país e tantas mulheres em cargos de poder e decisão no campo político e no mundo empresarial nos dá a ilusão que vivemos num país onde as desigualdades de gênero já foram superadas.
Mas o retrato da realidade da grande maioria das mulheres brasileiras passa longe dos modelos de êxito que seguidamente vemos em revistas brasileiras. Diferentemente de personalidades como Dilma ou da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, na grande maioria dos Estados, as brasileiras ainda enfrentam sérias dificuldades econômicas e sociais. Majoritariamente chefes de família, são as mulheres de classes populares, com pouca escolaridade e um número maior de filhos, as principais beneficiárias de programas sociais como o Bolsa Família, um dos principais fatores de diminuição da pobreza no Brasil.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 64% do público feminino têm emprego remunerado, em oposição a 85% do masculino. Em 2002, o rendimento das mulheres foi de R$ 997 por mês, relativo a 70% do obtido pelos homens. Dez anos depois, esta relação pouco mudou, passando apenas para 73%.
Durante a Revolução Industrial, entre os séculos 18 e 19, esta diferença salarial era bem maior e uma mulher poderia receber até menos que a metade do salário pago a um homem, mesmo que exercesse a mesma função. Por este motivo, no Brasil, muitas constituições, desde 1932, tiveram de ser promulgadas pela isonomia salarial entre homens e mulheres.
Sem dúvida, ainda hoje, para refletirmos sobre a inserção de mulheres no mercado de trabalho temos de pensar no difícil desafio de articular família e maternidade com vida laboral. As trabalhadoras mães, são via de regra, as mais responsáveis pelo cuidado dos filhos do que seus parceiros. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que as responsabilidades familiares afetam também as oportunidades e o tratamento de homens e mulheres no mercado de trabalho. As mulheres gastam, em média, 22 horas semanais nas tarefas domésticas, enquanto os homens despendem somente 9,5 horas por semana, ou seja, menos da metade do tempo. Muitas mulheres profissionais preferem oportunidades que se adequem às responsabilidades familiares, como um emprego em tempo parcial. Desta forma, a renda delas tende a ser cada vez menor.
Estes são alguns dados que mostram que o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, deve ser lembrado como um dia de luta e reflexam e não apenas de homenagens com flores, como vemos em muitas empresas e na mídia no Brasil neste dia.
*Professora de Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coordenadora do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) e co-coordenadora do Instituto de Estudos de Gênero (IEG), [email protected]
**Doutoranda do Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, concentração em gênero, [email protected]