Nova coordenação do Coletivo de Estudantes da Fisenge é eleita

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Neste sábado (26/9), foi eleita a nova coordenação do Coletivo de Estudantes da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros). Constituída por cinco integrantes, a coordenação tem mandato de um ano e será composto por Carla Ferreira Viana do Senge-MG (coordenadora); Tayná Rafaela do Senge-PR (coordenadora-adjunta); Leonardo Angelo do SEA-RN (documentação); Adelson Costa do Senge-SE (secretaria); e Cássio Vitor do Senge-PE (comunicação). De acordo com a nova coordenadora, nesta gestão haverá um trabalho intenso para reativar os núcleos dos sindicatos jovens/estudantes em todo o país. “Queremos mostrar ao graduando o papel do sindicato e também disseminar o trabalho do Coletivo nas universidades com ações sociais, palestras e seminários”, afirmou Carla, que é graduada em engenharia civil e pós-graduanda em engenharia de qualidade.

A eleição foi realizada no final do Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia que teve mais de 30 participantes de diferentes regiões do Brasil, em um total de 130 inscrições. A parte da manhã contou com duas palestras. A primeira delas foi sobre “A Consenge e o ‘novo sindicalismo’ dos engenheiros: rupturas e permanências”, com o engenheiro e presidente da Fisenge, Roberto Freire; e a segunda palestra sobre “Importância da militância jovem”, com o engenheiro e diretor da Fisenge, Cícero Martins.

Freire retratou sua trajetória desde o movimento estudantil, ditadura civil-militar até o movimento sindical. Em uma contextualização histórica, o engenheiro falou sobre a organização da sociedade brasileira, citando, inclusive, o economista Marcio Pochmann: “o mundo é outro. Não existe mais um Brasil industrial, mas sim de serviços”. De acordo com Freire, o Brasil foi governado por militares, fazendeiros, médicos, empresários, marechais, generais, almirantes, advogados, promotores, médicos e apenas um engenheiro e um sociólogo. Um presidente engenheiro não quer dizer que seria melhor, mas é um indicativo de que a nossa participação é muito importante, para que a nossa voz seja ouvida. Só conseguiremos conquistar os nossos direitos se participarmos efetivamente”, relatou.

Parte integrante da fundação da Fisenge, Freire contou sobre os tempos do chamado “novo sindicalismo” e como esse fato histórico incentivou a fundação da Coordenação Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), em um processo de ruptura com a Federação Nacional de Engenheiros (FNE). “Naquele momento, nos aproximamos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e alinhamos a nossa organização em práticas combativas, compreendendo que os engenheiros e as engenheiras são trabalhadores. A gente só consegue as conquistas com luta, participação efetiva, desprendimento e liderança. Vocês, estudantes e jovens, podem ser essas novas lideranças. Não se trata de reinvenção, mas sim de ter tranquilidade e serenidade para fazer o que é possível, assim como foi com a nossa Federação. Criamos uma articulação, uma coordenação e depois a Fisenge, em um processo de readaptação às transformações do mundo do trabalho, mantendo o nosso objetivo de transformação social com inclusão, igualdade, solidariedade e fraternidade”, concluiu Freire.

Em seguida, Cícero iniciou sua fala propondo uma reflexão sobre quem somos, onde estamos e o que precisamos fazer, com o objetivo de definir – no jargão das equações diferenciais, as “condições iniciais e de contorno” para a análise dos problemas que enfrentamos. “Temos como desafios a necessidade de reorganizar os sindicatos jovem/estudante nos estados, ampliando as atividades de formação política, incluindo na pauta a luta por mais e melhores empregos para jovens engenheiros. Além disso, precisamos aprofundar a nossa formulação a respeito das tendências do mercado de engenharia com a Indústria 4.0 e aprimorar os debates e as ações voltadas para formandos e recém-formados, de modo que possamos consolidar um percentual maior de sócios-aspirantes filiados aos sindicatos após a conclusão de curso”, disse.

Em relação à conjuntura, Cícero acredita que estamos na maior crise do capitalismo desde sua existência. “Desde 2008 com a crise do capital financeiro nos EUA, vemos um processo de destruição de empresas e empregos ao redor do mundo que, a partir de 2014, chega com força no Brasil, que está na periferia do capitalismo global. Hoje, estamos em um processo de ascensão de governos autoritários de extrema-direita com políticas de destruição dos direitos da classe trabalhadora”, pontuou. O engenheiro ainda destacou que há no mundo a tendência de uma nova divisão internacional do trabalho que pode achatar ainda mais as condições de vida das pessoas, principalmente nos países que estão na periferia do capitalismo. O papel terciário que o Estado Brasileiro tem assumido nos deixa fora do processo de produção de tecnologia de ponta, nos alienando da busca de desenvolvimento e soberania nacional. Este cenário de subserviência tecnológica coloca empregos e empresas nacionais em risco”, ressaltou Cícero.

À tarde, o encontro contou com uma palestra sobre “Juventude, trabalho e Movimento sindical”, com o professor Euzébio Jorge, presidente do Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ). Euzébio trouxe dados sobre juventude, sindicalização no Brasil e as mudanças no mundo do trabalho, como a GIG Economy, que é a uberização do trabalho. “Hoje, no mundo, existem alternativas como o cooperativismo, que não podem ser associadas à GIG Economy, que traz uma série de questões como a sonegação de impostos e um processo intenso de precarização do trabalho. Cada vez mais, o local de trabalho se torna a cidade com a descentralização do processo de produção na casa das pessoas”, explicou.

A engenheira e vice-presidente da Fisenge, Elaine Santana, ressaltou que já existem aplicativos de engenharia oferecendo serviços a preços irrisórios. “Nesses aplicativos percebemos que há uma maioria de engenheiros recém-formados cujos direitos são desrespeitados. Não há qualquer tipo de regulação trabalhista nessas plataformas que ganham muito dinheiro e não repassam devidamente aos profissionais”, disse. Elaine ainda questionou o papel da mídia em relação à deslegitimação da imagem do sindicalismo. “Os meios de comunicação investiram em uma intensa campanha que distanciou a sociedade dos sindicatos. Precisamos reverter esse processo e mostrar que só a organização coletiva garante os direitos”, concluiu Elaine, que também é coordenadora do Coletivo de Estudantes da Fisenge.

Para participar do Coletivo de Estudantes da Fisenge: [email protected]