Nota da Fisenge sobre o encerramento das atividades da Ford: por um Plano Nacional de Industrialização em diálogo com os sindicatos

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A Ford anunciou, no dia 11 de janeiro de 2021, o encerramento de suas atividades no Brasil, mantendo apenas a sede administrativa da América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas. Com a chegada ao país em 1919, a Ford foi a primeira indústria automobilística a operar no Brasil e em 1980 era a maior empregadora entre as montadoras e com o encerramento houve  5.000 demissões. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), haverá uma perda potencial de 118.864 postos de trabalho diretos e indiretos, com uma perda de massa salarial de R$ 2,5 bilhões aos trabalhadores. Já a queda de arrecadação de tributos e contribuições ficará na ordem de R$3 bilhões ao ano.

O encerramento das atividades da Ford no Brasil acontece durante a pandemia global de Covid-19 que assola países com mortes, perdas de emprego e renda. Concomitante a este cenário, a indústria automobilística vive um reposicionamento estrutural mundial tanto em relação às estratégias de reorganização produtiva como na transição tecnológica. O Brasil vive um profundo processo de desindustrialização, desde 2015. Uma das consequências foi o fim da política de conteúdo local, que prevê a priorização de empresas nacionais em acordos e contratações. É urgente um programa de recuperação da indústria brasileira.

Segundo dados da Unido, em 2018, o Brasil ocupava a 9ª posição no valor adicionado da indústria de transformação (VAT) mundial e, em 2020, caiu para a 16ª posição. Ainda de acordo com o Dieese, o fechamento de empresas no Brasil já vem ocorrendo, a exemplo da Sony; da planta da Mercedes Benz em Iracemápolís/SP. Trata-se de uma profunda crise industrial associada às mudanças tecnológicas e à falta de confiança na economia brasileira.

A Ford se beneficiava de incentivos fiscais e empréstimos do BNDES. No entanto, essas políticas não possuem regras claras de geração e, principalmente, de proteção do emprego. Geralmente, a redução de impostos é acompanhada por um discurso de geração de empregos, mas não há comprometimento com os postos de trabalho e o cumprimento das leis trabalhistas. Pelo contrário, as empresas se comprometem com os seus lucros e remessas de dividendos.

Diante dos desafios de transição tecnológica, é dever do Estado brasileiro apresentar propostas para uma economia de baixo carbono, como inúmeros países já o fizeram. No entanto, o governo federal de Jair Bolsonaro aprofunda a desindustrialização brasileira e a retirada de direitos sociais e trabalhistas. É necessário um Plano Nacional de Industrialização com participação dos sindicatos e movimentos sociais com o objetivo de incluir políticas públicas comprometidas com a proteção do emprego e com as questões socioambientais envolvidas. Essas empresas impactam o entorno na geração de empregos indiretos e fortalecimento do comércio, mas também impactam no meio ambiente.

É preciso, ainda, um programa de apoio e qualificação aos trabalhadores da Ford em convênio com organizações da sociedade civil, universidades e governos. O atual momento que o Brasil vive exige responsabilidade do Estado brasileiro e seguiremos denunciando os desmontes e retirada de direitos. Aos engenheiros e engenheiras demitidos, orientamos que procurem os sindicatos de seus estados ou enviem mensagens para [email protected]

Em defesa do emprego, da vida, da renda, do desenvolvimento social e da soberania nacional.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros