Carta da Engenharia e da Agronomia em defesa da democracia nessas eleições

Como escolher com responsabilidade o futuro do nosso país? Trajetória, Direitos e Engenharia Pública a serviço da vida

A todas as trabalhadoras, trabalhadores e a cada pessoa que vive e constrói o nosso país,

A escolha do Presidente da República neste 2º turno determina o rumo da economia, a garantia de direitos e a qualidade de vida de todas as famílias. Para escolher com consciência, é fundamental olhar para a trajetória concreta do candidato: quais interesses ele defendeu e de que lado esteve nas principais disputas do país quando teve mandato ou poder de decisão.É com essa preocupação que nós, do Coletivo de Mulheres da Fisenge (Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros), apresentamos esta carta aberta.

Inspiramo-nos no alerta do Dirigente da CUT (Central Única dos Trabalhadores e das Trabalhadoras), Sérgio Nobre: “Escolher bem um deputado federal e um bom senador ou senadora não é difícil se você não olhar só para o discurso. O discurso pode ser mentiroso, mas a prática e a história de vida do candidato não”.

 Aplicando esse mesmo critério à eleição presidencial, convidamos cada cidadã e cidadão a avaliar os candidatos a partir dos seguintes compromissos fundamentais:

  1. Trabalho Digno, Renda e Proteção Social

    Verifique se a trajetória e o histórico de votos do candidato demonstram compromisso com:

  • A valorização real do salário mínimo, restabelecendo o poder de compra das famílias diante do custo de vida;
    • A redução da jornada de trabalho para combater o desgaste físico e mental, incluindo de forma inegociável o fim da escala 6×1, sem redução salarial;
    • A defesa intransigente dos direitos trabalhistas e previdenciários, barrando a precarização, garantindo ambientes de trabalho seguros e protegendo a saúde mental e financeira das famílias contra o avanço dos cassinos e apostas virtuais (“bets”), que adoecem a população e a levam ao desespero e ao endividamento;
    • O cumprimento obrigatório do Piso Salarial Profissional e o combate rigoroso às disparidades salariais de gênero nas empresas.
  1. Engenharia Pública, Saneamento, Adaptação Climática e Saúde Universal
    Observe se o projeto político do candidato defende e prioriza:
  • A universalização do saneamento básico, da água potável e do ar limpo como direitos humanos e pilares de saúde pública, blindando os recursos hídricos da lógica do lucro privado;
    • O investimento contínuo e estratégico no SUS, assegurando e ampliando o acesso universal a consultas e atendimentos com médicos especialistas, garantindo que a infraestrutura social de saúde seja tratada como direito inviolável;
    • O aporte contínuo na educação, na habitação popular e na mobilidade urbana, tratando a infraestrutura como vetor de desenvolvimento;
    • O planejamento urbano focado na justiça climática, integrando as obras tradicionais de engenharia a abordagens ecossistêmicas para evitar tragédias e proteger as populações vulneráveis.
  1. Segurança Alimentar, Redução do Custo de Vida e Meio Ambiente

    Avalie se as propostas e o histórico do candidato preveem:

  • O apoio técnico, científico e financeiro à agricultura familiar e à reforma agrária, viabilizando a produção de alimentos saudáveis;
    • A redução efetiva do custo de alimentação, mediante a isenção total de impostos (alíquota zero) sobre os produtos da cesta básica (como arroz, feijão, óleo, leite e pão), garantindo comida barata e acessível na mesa dos trabalhadores;
    • A preservação ambiental ativa e a demarcação dos territórios tradicionais, com fiscalização rigorosa contra o desmatamento ilegal e a mineração predatória;
    • A soberania energética e tecnológica nacional, direcionando as matrizes renováveis (solar, eólica e hídrica) ao desenvolvimento sustentável do país.
  1. Cidades Seguras, Integração Policial e Proteção de Gênero

    Verifique o compromisso real do candidato com:

    • Adoção de um novo modelo de segurança pública urbana, focado na evolução para a integração das forças policiais e na valorização do uso de inteligência;
    • Avanço contínuo nas políticas de segurança da mulher e o combate rigoroso ao feminicídio, combinando iluminação pública eficiente em trajetos periféricos e transporte coletivo seguro e acessível;
    • O uso de engenharia e tecnologia aplicadas à proteção social, aprimorando redes de denúncia e o monitoramento de medidas protetivas de gênero;
    • O enfrentamento institucional ao racismo estrutural, à misoginia e à discriminação LGBTQIA+, garantindo igualdade de oportunidades.

  2. Transparência, Soberania Orçamentária e Participação Popular

    Para saber a quem um candidato realmente servirá, analise como ele financia sua caminhada e como pretende governar:

  • A garantia da soberania orçamentária pública, redirecionando os recursos financeiros do Estado para atender às políticas públicas do governo e às necessidades coletivas, em vez de permitir a drenagem de verbas públicas por esquemas de emendas parlamentares que privilegiam poucos;
    • A investigação sobre o financiamento da campanha: recuse candidaturas custeadas por grandes corporações, bancos, latifundiários ou mineradoras, pois quem financia cobra a conta durante a gestão;
    • Avaliação sobre o compromisso democrático: certifique-se de que o candidato apoia o orçamento participativo, o fortalecimento dos conselhos públicos e o combate a posturas autoritárias.

Conclusão: O lado certo da história é o lado do povo!


O governo tem um papel insubstituível na estruturação do país e no bem-estar social. Diante do agravamento da crise climática e das desigualdades, um bom presidente é aquele que converte evidências técnicas e demandas sociais em diretrizes operacionais para proteger a vida. Escolher bem é escolher quem esteve e continuará do lado da classe trabalhadora, do desenvolvimento com justiça social, da ciência nacional e da igualdade de direitos.

Por um Brasil mais justo, democrático, soberano e popular!