Boletim Coletivo de Mulheres – 19 de março

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Boletim Coletivo de Mulheres – 19 de março

Engenheiras lembram ato discriminatório durante estágio

 

A discriminação não tem tempo, nem hora. E foi ainda na faculdade, que as engenheiras Eugênia e Ruth de depararam com o machismo. Elas conseguiram uma vaga no mesmo estágio de topografia e a diferença apareceu no salário das duas comparado a de um colega homem. Foi nesse momento que as duas iniciaram a militância por igualdade de direitos e oportunidades.

Os quadrinhos têm periodicidade mensal. Contribua você também e ajude a divulgar! As contribuições poderão ser enviadas diretamente para o e-mail da engenheira Eugênia: [email protected] ou para [email protected]

Será mantido total sigilo de fonte de todos os depoimentos e de todas as histórias enviadas. A publicação é livre, desde que citada a fonte.

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8 de março: Coletivo de Mulheres da Fisenge lança campanha no dia de luta da mulher trabalhadora  

 

8 de março é dia de luta. Dia de ir para as ruas e permanecer em luta todos os minutos por igualdade. Com esta compreensão, o Coletivo de Mulheres da Fisenge lançou a campanha “Contra o assédio moral e pela ocupação dos espaços de poder pelas mulheres”, em diversos estados do país. Cada sindicato filiado divulgou em sua base faixas, outdoor, camisetas, outbus, além de peças em redes sociais. “Pensamos em uma campanha que dialogasse com a sociedade, para além da engenharia. Cada peça abordou um tema fundamental em nossa luta contra o machismo, como a divisão das responsabilidades familiares e a mulher no campo”, explicou a diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía. A campanha ganhou forte repercussão nas redes com milhares de visualizações. Simone ainda alertou que 2014 é ano eleitoral e de Copa do Mundo. “Sabemos como a disputa eleitoral é desigual por gênero e é fundamental que mulheres ocupem mais espaços de poder. Desta forma, conseguiremos avançar na luta por igualdade, respeito e liberdade.

Confira a campanha completa AQUI

 

Mulheres nos espaços de poder: uma conquista para hoje  

Artigo de Alméria Carniato (Senge-PB) e Marina Bezerra (Senge-SE)

“A mente não tem gênero”, já diria uma das precursoras do feminismo, a filósofa política do século XVIII Mary Wollstonecraft, ao contrapor o argumento das determinações biológicas que resultariam na passividade “inferiorizante” da mulher em relação ao homem na sociedade. Ela afirmava que quando a homens e mulheres é dada a mesma educação, ambos vão adquirir o mesmo caráter virtuoso e a mesma abordagem racional à vida. Porém, em pleno século XXI , a igualdade de condições, dada por meio da educação, como cita Wollstonecraft está longe de ser uma conquista terminad. Isso porque a convicção social espera das mulheres a maternidade, a fragilidade e os estereótipos que marcam a vida da mulher de rosa do nascimento à morte. Simone de Beauvoir constata que os conceitos do mundo são desenvolvidos a partir de um Eu-sujeito–masculino, relegando a condição de outro, de modo que o eu  é ativo e consciente, enquanto o outro é tudo que o eu rejeita: passivo, sem voz e sem poder. E, na atual conjuntura, muitas mulheres permanecem com  outro social.

Nas últimas décadas, constata-se que a exclusão social e a pobreza absoluta têm aumentado no Brasil e na América Latina. O predomínio de mulheres entre os pobres é consequência do desigual acesso feminino às oportunidades econômicas e sociais. O ano de 2005  marca o 10º aniversário da Conferência de Pequim sobre as mulheres e traz foco e energia renovados aos esforços para o empoderamento das mulheres. Entre os “Objetivos do Milênio da ONU” (UNESCO- Brasil, 2005), consta o objetivo de nº 3 que é: “promover a igualdade entre os gêneros e dar mais poder às mulheres”.

 

CCJC aprova série de projetos de interesse da Bancada Feminina, em comemoração ao Mês da Mulher  

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou nesta quarta-feira (12) uma série de projetos de interesse da Bancada Feminina, em referência às atividades do Congresso Nacional para o Mês da Mulher. Confira todos os projetos no link abaixo.

 

 

Seagro-SC divulga artigo sobre 8 de março

Dia 8 de março: um convite à reflexão

Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher e o Sindicato dos Engenheiros Agrônomos de Santa Catarina (Seagro-SC) homenageia todas as colegas de categoria, relembrando que na última posse da diretoria executiva, em dezembro de 2012, o sindicato registrou um fato histórico: a nova gestão, empossada na data, conseguiu reunir 16 engenheiras agrônomas, seis a mais do que na eleição anterior. A composição de mulheres corresponde a 25% da diretoria executiva, um dado muito relevante, já que no Seagro apenas 8,8% dos associados são mulheres. Uma conquista que deve ser celebrada todos os dias. Para sair do tradicional, o Seagro-SC apresenta, como “presente” a todos, um artigo especialmente para comemorar a data, de autoria da professora Dra. Miriam Pillar Grossi, um ícone internacional nos estudos da mulher, em conjunto com sua orientanda Izabela Liz Schlindwein, redigido especialmente para o SEAGRO, focado no tópico: mulheres no poder e em espaços de trabalho antigamente mais masculinos e os desafios das mulheres profissionais hoje.

 

 

Senge-PR nas ruas pela igualdade de gênero

 

Com faixas e camisetas com os dizeres: “Contra o Assédio Moral e pela Ocupação dos Espaços de Poder pelas Mulheres”, feitas em parceria com o Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), as diretoras Sandra Cristina Lins dos Santos e Angela Doubek, o presidente do Sindicato, Ulisses Kaniak; o vice-presidente da entidade e presidente da Fisenge, Carlos Bittencourt, e o diretor e coordenador do projeto Senge Jovem, Cícero Martins Júnior; participaram da marcha realizada no sábado, 8 de março, em Curitiba. Também estiveram presentes colaboradores e associados ao sindicato. O evento com o tema “Não é por rosas, é pelo direito das mulheres!” foi organizado por entidades da sociedade civil e organizações ligadas à causa feminista e mobilizou centenas de pessoas desde a Praça Santos Andrade, até a Boca Maldita.

Senge-MG comemora Dia Internacional da Mulher com campanha contra o assédio moral

No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Para celebrar esta data tão especial e significativa, o Senge-MG tomou parte na campanha elaborada pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). O tema da campanha deste ano é “Contra o assédio moral e pela ocupação dos espaços de poder pelas mulheres”. O objetivo da campanha é dar visibilidade e combater este tipo de situação vivida pelas engenheiras. Além disso, a campanha quer incentivar a participação qualificada das mulheres no poder. Elas são minoria quando se fala em ocupação de cargos de liderança política. Em Belo Horizonte, por exemplo, entre os 41 vereadores existe apenas uma mulher. Confira, abaixo, a matéria especial sobre o Dia Internacional da Mulher.

Assista ao vídeo AQUI

Senge-SE promove debate sobre empoderamento da mulher

 

No próximo dia 26/3, a diretoria da mulher do Sindicato dos Engenheiros de Sergipe (Senge-SE) irá promover o debate “Mulher na engenharia, nos espaços de poder e na luta”. O evento tem o objetivo de abordar a inserção da mulher nos espaços decisórios, na política, nas lideranças profissionais e trabalhistas. Foram convidados o Coletivo de Mulheres de Aracaju, a Marcha Mundial das Mulheres (UFS), Vera Lucia (PSTU) e a deputada estadual Ana Lucia (PT-SE). Haverá a exibição de curtas e sorteio de brindes. “O 8 de março é um dia de luta. Uma data que os movimentos e as entidades da classe trabalhadora não devem abrir mão, pois o patriarcado que opera na sociedade capitalista dá invisibilidade ao seu real significado. 8 de março representa a luta por direitos iguais entre homens e mulheres,  e não uma data comercial, que reforça estereótipos de fragilidade e passividade, atribuídos de forma simplista às mulheres”, explicou a diretora da mulher, Marina Bezerra, que participou do ato do 8 de março de Aracaju.

Senge-BA lança campanha pelo dia internacional da mulher

 

Acompanhando a campanha da Fisenge “Contra o assédio moral e pela ocupação dos espaços de poder pelas mulheres”, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA) lançou ampla campanha na cidade. “No passado, a presença das mulheres na Engenharia era pequena e restrita as áreas de planejamento, projeto e orçamento. Hoje a situação é totalmente diferente, as mulheres estão presentes em toda cadeia da construção civil, gerenciando, comandando equipes e dirigindo importantes empresas de Engenharia. Hoje, 40% das matrículas da graduação de engenharia é por mulheres, o que torna mais fácil a convivência de homens, pois se inicia na graduação”, diz o presidente do Senge BA, eng° civil Ubiratan Felix.

Integrante do Coletivo de Mulheres e Vice- Presidente do Senge-BA, a engª de alimentos Márcia Ângela Nori destaca a importância da campanha para a formação das (os) estudantes de Engenharia, inclusive, para aumentar a participação das mulheres em espaços de liderança dentro das entidades sindicais. “A ideia é incentivarmos essa cultura desde a formação acadêmica. Nesse aspecto é muito importante a ação do Senge Estudante BA, formado por estudantes da área – que chamamos de sócios-aspirantes – , atuantes nas atividades e campanhas sindicais.”, diz Nori. Estudante de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, Malaine Ferreira já garantiu sua atuação no Senge BA Estudante e tem grandes expectativas em ocupar espaços de liderança na profissão. “Com toda minha participação em movimentos de liderança, pretendo trabalhar em cargos de chefia, na área de qualidade de uma indústria, e com isso me especializar para que a diferença seja sempre o meu currículo e não meu gênero”, afirma.

Em parceria com a Fisenge e o Coletivo de Mulheres, o Senge-BA ajudou a fazer uma campanha de massa e com ampla repercussão na categoria profissional e na sociedade baiana. A campanha é conduzida conjuntamente com a APUB – Sindicato dos Professores das Universidades Federais, com o CREA-BA e entidades e organizações ligadas à luta feminista, como o NEIM- Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher.

 

Engenheira Clarice Romariz conta sua história

 

Nordestina (nascida em Alagoas – Maceió), mãe, esposa, engenheira civil e Gerente de Contratos da Odebrecht Oil & Gas.  Clarice Romariz é uma das várias brasileiras que desempenham importantes identificações que nos interpelam e posicionam na vida. Identificações repletas de referências culturais que requisitam responsabilidades, desafios e superação. O que torna sua história, no mínimo curiosa,  é como conseguiu equilibrá-las e alcançar a realização profissional sem lançar mão da vida pessoal e familiar. “Homens e mulheres deveriam ter essa opção na vida. (…) O mundo da engenharia no Brasil, porém, tem um problema crônico que é a expectativa de que o profissional viva o trabalho e quase não tenha vida pessoal (…) Isso não é bom para ambos gêneros”, ressalta Clarice.Outro aspecto de relevante contribuição, sem dúvida, é como conseguiu alcançar cargo de liderança na profissão, trabalhando em campo de obra, não se limitando aos escritórios. “Das minhas colegas de faculdade, a  maioria terminou atuando em áreas tidas como mais femininas da engenharia, normalmente em escritório, como projetos, planejamento, comercial ou acadêmica”, lembra Clarice.

Então, como superou os preconceitos, o machismo, o assédio moral? Como conquistou o respeito e a confiança em uma grande empresa?

 

SPM lança publicação “Mais mulheres no poder”

 

Foi lançada nesta terça-feira (18/3) a publicação “Mais Mulheres no Poder”, na Câmara dos Deputados. O objetivo da plataforma é aumentar a presença de mulheres nos espaços de poder e decisão, além de apresentar sugestões que podem ser incorporadas pelos programas de candidatas e candidatos nas próximas eleições. O lançamento faz parte da programação que celebra o Mês da Mulher no Congresso Nacional. Elaborado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), o documento é uma iniciativa em parceria com o Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e a Bancada Feminina da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A mobilização dos parceiros com a plataforma Mais Mulheres no Poder: Eu Assumo este Compromisso é para fazer cumprir a Lei 12.034 de 2010, que estabelece percentual mínimo de 30% de candidaturas de gênero, investimento de 5% do fundo partidário na capacitação de mulheres e destinação a elas de 10% do tempo de propaganda na TV.

 

Contra violência doméstica, campanha italiana quer salário para donas de casa

Uma advogada e uma estrela de TV estão à frente de uma campanha na Itália para que seja criado um salário para as donas de casa do país. O objetivo é impedir que mulheres deixem de registrar casos de violência doméstica por medo de perder sua renda. A iniciativa é liderada pela advogada e ex-deputada federal Giulia Bongiorno e pela conhecida apresentadora de televisão Michelle Hunziker. Elas argumentam que muitas mulheres italianas não registram casos de violência por parte dos maridos porque são economicamente dependentes de seus cônjuges. A campanha quer criar um salário mínimo para donas de casa que não trabalham fora. A remuneração seria paga pelo governo ou pelos próprios maridos, no caso deles terem uma alta renda mensal. Na Itália há um número estimado de 5 milhões de “casalinghe”, ou donas de casa. “Quanto mais se valoriza as mulheres, mais se reduz a discriminação”, defende Giulia Bongiorno, que como deputada foi uma das responsáveis pela introdução de uma lei que pune a perseguição a mulheres. Segundo ela, o medo de cair na miséria impede muitos registros de violência doméstica.A iniciativa não cita um montante fixo para a remuneração, mas diz que quanto maior a autonomia econômica, melhor. “É claro que vão ridicularizar a proposta e vão lembrar que o país está em crise”, diz Bongiorno. “Mas nós devemos nos perguntar: afinal, quais são as reais prioridades do governo?”

 

Isabel Allende é a primeira mulher a presidir o Senado chileno

 

Foi uma semana emocionante para a senadora socialista Isabel Allende Bussi (Santiago, 1945), a mais nova das três filhas do presidente deposto em 1973. Na manhã de terça-feira, ela se tornou a primeira mulher a assumir a presidência do Senado chileno em 200 anos de história, e suas primeiras palavras foram para seu pai: “Eu sei que ele ficaria orgulhoso de ver sua filha nesta mesa presidencial”. Poucas horas mais tarde, em sua primeira atividade oficial como líder do Senado, teve a missão de empossar a presidente Michelle Bachelet (Santiago, 1951), que começava, assim, o seu segundo mandato. A posse no Congresso, que fica em Valparaíso, a cerca de 120 quilômetros da capital, Santiago, esteve carregada de simbolismo: duas mulheres da mesma faixa etária, socialistas, que perderam seus pais por causa do golpe de Estado de Augusto Pinochet, protagonizavam 40 anos após a interrupção da democracia esta mudança de poder que simboliza a história republicana chilena. Estavam emocionadas e, quando a faixa presidencial já estava no peito de Bachelet, se abraçaram e trocaram algumas palavras que as centenas de convidados e os milhões de telespectadores não puderam ouvir. “Finalmente, nossos pais estão conosco”, disse Allende. Bachelet, cujo pai, militar, morreu em março de 1974 depois de ser torturado por seus companheiros, concordou. Dias depois, Isabel Allende conversa na sala de jantar de sua casa na rua Guardia Vieja, no bairro de Providencia, em Santiago, onde sua família viveu entre 1953 e 1970. A senadora se esforçou para manter quase intacta a residência onde passou boa parte de sua infância e adolescência, e tentou parar o tempo.

 

Cresce o número de processos por racismo no Brasil

Cauã era apenas um bebê quando seu tio Robson deu uma passada no supermercado, na frente do seu trabalho, para aproveitar a oferta de um litro de leite longa vida a um real. Comprou duas caixas, ajeitou o avental da lanchonete onde trabalhava e atravessou a rua para voltar à cozinha. Mas os gritos que se ouviram às suas costas o detiveram. Entre a gritaria, três palavras se repetiram: “negrinho”, “ladrão” e “safado”. Duas funcionárias seguraram Robson pelo braço e o acusaram de roubar o leite. Ele mostrou o comprovante de compra e elas se desculparam. Mas a supervisora do estabelecimento, uma loja da rede Walmart, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, colocou a cereja do bolo nesse tumulto: “Desculpa, te confundimos com um outro negrinho ladrão”. Robson tremia no meio do estacionamento, quase às lágrimas. Acostumado a ser seguido pelos corredores das lojas que frequenta, o jovem negro decidiu não apresentar boletim de ocorrência sobre o assunto. Mas, um veterano advogado da região que o conhecia de vista o convenceu a entrar na Justiça. Passados cinco anos, quando Cauã já é capaz de segurar nos braços sua irmã mais nova – e com Robson, aos 26 anos, se acostumando ao apelido de “negrinho do leite”, dado pelos vizinhos -, um juiz condenou a multinacional americana a pagar 20.000 reais ao seu cliente. A sentença considera os danos morais sofridos pela atitude ilícita e discriminatória das funcionárias. Robson, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, “sofreu humilhação pública” e foi “motivo de escárnio” pela cor da sua pele.

 

 

 

21 de março: Câmara faz homenagem a heróis da luta contra o racismo

 

A Câmara dos Deputados realiza, nesta terça-feira (18), sessão solene em homenagem aos heróis da Luta contra a Discriminação Racial, Abdias do Nascimento e Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, e aos 130 anos da Abolição da Escravatura no Ceará. A sessão também será alusiva ao Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial e prestará homenagem também a Nelson Mandela. Abdias do Nascimento foi um dos maiores defensores da cultura e da igualdade para as populações afrodescendentes no Brasil. Nas primeiras eleições após a ditadura militar, exerceu mandato de deputado federal, sendo o primeiro afro-brasileiro a defender no Congresso Nacional os direitos humanos e civis de sua gente. Ele apresentou o primeiro projeto de lei propondo políticas públicas de igualdade racial.

A sessão solene também vai homenagear Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. Foi o líder dos jangadeiros nas lutas abolicionistas e considerado o maior herói a favor da libertação dos escravos no Ceará. O evento, que reunirá, no plenário da Câmara, embaixadores africanos, autoridades governamentais, militantes sociais e povos afrodescendentes, via também comemorar o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial e homenagear o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.

A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e celebrada em 21 de março, faz referência ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960. Naquela data, em Johanesburgo, na África do Sul, 20 mil pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, a polícia do regime de “apartheid” abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos.  

Centenário de Abdias Nascimento é comemorado este ano

 

Escritor, artista plástico, teatrólogo, político e poeta, Abdias Nascimento foi um dos maiores ativistas pelos direitos humanos e deixou um legado de lutas pelo povo afrodescendente no Brasil. Em 2014, comemoramos o centenário de Abdias Nascimento, que foi protagonista de movimentos sociais que moldaram a pós-modernidade e o mundo contemporânea. Sua importância foi reconhecida pela ONU que lhe outorgou o Prêmio Toussaint Louverture (2004) e o Prêmio Direitos Humanos e Cultura da Paz (1997), ambos da UNESCO; e o Prêmio de Direitos Humanos da ONU (2003). Abdias Nascimento participou da Frente Negra Brasileira nos anos 1930 e ajudou a organizar o Congresso Afro-Campineiro em 1938.

Durante viagem a vários países da América do Sul como integrante do grupo de poetas Santa Hermandad Orquídea, resolveu criar um teatro negro como arma de luta contra a discriminação racial. Na volta ao Brasil, foi preso por resistir a agressões racistas e criou na Penitenciária de Carandiru, em 1941, o Teatro do Sentenciado. Ao sair da penitenciária, fundou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro, que rompeu a barreira de cor nos palcos brasileiros e formou a primeira geração de atores e atrizes dramáticos negros do teatro brasileiro, além de propiciar a criação de uma literatura dramática afro-brasileira. Organizou eventos históricos como o 1o Congresso do Negro Brasileiro (1950) e a Convenção Nacional do Negro (1945-46), que propôs à Assembleia Nacional Constituinte de 1945 políticas afirmativas e a definição da discriminação racial como crime de lesa-Pátria.

Proporção de mulheres nos Parlamentos é recorde, diz estudo

 


A proporção de assentos ocupados por mulheres nos Parlamentos em todo o mundo aumentou 1,5 ponto percentual no ano passado, alcançando o recorde de 21,8 por cento, quase o dobro desde 1995, segundo um estudo da União Inter-Parlamentar e da ONU Mulheres apresentado nesta terça-feira. No entanto, o diretor-executivo adjunto da ONU Mulheres para a política e programa, John Hendra, alertou que “nesse ritmo, vai demorar décadas para se chegar à paridade de gênero nos Parlamentos”. Ele declarou que medidas especiais temporárias, como cotas, o apoio de partidos políticos e um movimento forte das mulheres foram fatores fundamentais para elevar o número de mulheres nos Parlamentos em todo o mundo.

 

IBGE: política para as mulheres avança, mas ainda apresenta falhas

O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, do governo federal, tem impactado diretamente nas políticas das unidades federativas, como mostra a pesquisa Perfil dos Estados Brasileiros, do IBGE. Quando não tem uma secretaria executiva, o governo estadual tem algum órgão subordinado a alguma secretaria, ou junto a outra secretaria ou diretamente ligada ao governador. No caso de São Paulo, que não tinha estrutura, passou a estar subordinada à Secretaria de Justiça. As vinculadas a alguma secretaria se dividem principalmente entre Direitos Humanos e Assistência Social.

Apesar desse avanço, a pesquisa identificou que, em 2013, oito unidades da federação não têm um orçamento específico para políticas destinadas a mulheres, contra quatro da pesquisa de 2012. Por outro lado, Pernambuco foi o Estado que mais investiu em 2012, destinando R$ 21,7 milhões para a pasta. Se olharmos o PIB de cada unidade, Pernambuco e o Distrito Federal investiram R$ 4,61 por mulher, enquanto o Amapá ficou na lanterna com apenas R$ 0,02 investido por mulher no ano de 2012.

 

Desafios para efetivar a Lei Maria da Penha nas diferentes realidades em que vivem as brasileiras

Entre as necessidades mais prementes estão a expansão da rede de atendimento para mulheres em situação de violência em todo o território nacional, a formação de equipes multidisciplinares capacitadas para atuar nos serviços e a divulgação de informações para que as brasileiras conheçam seus direitos e os caminhos para acessá-los. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) conquistou reconhecimento internacional e foi eleita pela ONU como uma das três mais avançadas no mundo. Obteve, ainda, reconhecimento perante a própria população: uma pesquisa realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão em 2013 apontou que, após sete anos de vigência, 98% dos brasileiros conheciam a Lei e 86% achavam que, com ela, as mulheres passaram a denunciar mais os casos de violência doméstica.

O avanço legislativo, entretanto, ainda não representa a garantia de uma vida livre de agressões para uma parcela significativa das 100 milhões de brasileiras. Estima-se que uma mulher seja agredida a cada 5 minutos no País e a cada três pessoas atendidas no SUS (Sistema Único de Saúde) por violência doméstica, duas são mulheres. Os números revelam também que até a mais extrema violência – o homicídio – está presente no cotidiano de muitas mulheres: entre 1980 e 2010, mais de 92 mil foram assassinadas, sendo 43,7 mil só na última década – ou seja, em média, a cada 2 horas uma brasileira foi morta em condições violentas, segundo o Mapa da Violência 2012.

 

 

 

Calendário de Lutas das Mulheres

 

06.02 – Dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina

24.02 – Conquista do voto feminino

08.03 – Dia internacional da mulher

21.03 – Dia internacional pela eliminação da discriminação racial

27.04 – Dia nacional da trabalhadora doméstica

30.04 – Dia nacional da mulher

18.05 – Dia nacional de combate ao abuso  e a exploração sexual infanto-juvenil

28.05 – Dia internacional de luta pela saúde da mulher

28.05 – Dia nacional pela redução da morte materna

30.05 – Dia de luta maior participação política das trabalhadoras rurais

04.06 – Dia nacional de criança vítima de agressão

21.06 – Dia de luta por uma educação sem discriminação e não sexista

28.06 – Dia do orgulho gay

25.07 – Dia da trabalhadora rural

25.07 – Dia da mulher afro-latina-americana e caribenha

07.08 – Sanção da lei Maria da Penha (11.340 de 2006), que coíbe a violência contra mulher

12.08 – Dia de luta contra violência no campo – Marcha das Margaridas

19.08 – Dia nacional do orgulho lésbico

26.08 – Dia internacional da igualdade feminina

29.08 – Dia da visibilidade lésbica

06.09 – Dia internacional de ação pela igualdade da mulher

14.09 – Dia latino-americano da imagem da mulher nos meios de comunicação

23.09 – dia internacional contra exploração sexual e tráfico de mulheres e crianças

28.09 – Dia de luta pela descriminalização do aborto na América Latina e Caribe

20.09 – Aprovação da lei nº 9.100/95 que garante cotas para mulheres na política

10.10 – Dia nacional de luta contra a violência à mulher

12.10 – Dia internacional da mulher indígena

12.10 – Dia nacional de lutas por creches

15.10 – Dia mundial da mulher rural

25.10 – Dia internacional contra a exploração da mulher

25.11 – Dia internacional pelo fim da violência contra mulher

01.12 – Dia mundial de luta contra AIDS

10.12 – Dia internacional dos direitos humanos