Consenge reúne representantes do movimento sindical, entidades da engenharia e organizações internacionais

A defesa da soberania nacional, o papel estratégico da engenharia no desenvolvimento do país e a importância da organização coletiva foram os principais temas dos discursos durante a abertura do 14º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (CONSENGE), realizada nesta quarta-feira (26), em Belo Horizonte. Com o tema “A Engenharia e a Defesa da Soberania Nacional”, o congresso reúne profissionais, dirigentes sindicais e representantes de entidades da engenharia para discutir os desafios da categoria e sua contribuição para o desenvolvimento nacional.

A cerimônia teve início com a leitura da carta “Por um CONSENGE sem Racismo, Machismo e LGBTfobia”, realizada pela jornalista Camila Marins. No documento, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) reafirmou seu compromisso com a construção de uma sociedade baseada na justiça social, na igualdade e no respeito à diversidade.

Entre os participantes estavam o presidente da Fisenge, Roberto Freire; a diretora da Mulher da Fisenge, Simone Baía; a diretora regional de P&M da UNI Global Union, Briceida González; o assessor especial da presidência da FINEP, engenheiro Jorge Bittar; o presidente da EngD – Engenharia pela Democracia, Paulo Massoka; o diretor financeiro da Mútua, Wellington Adriano de Castro Silva; o presidente da CUT Minas Gerais, Jairo Nogueira, representando a CUT Nacional; o diretor de Comunicação e Relações Institucionais do Crea-MG, engenheiro eletricista Luiz Carlos Sperandio Nogueira, representando a presidência da entidade; e o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG), Murilo Valadares, entidade anfitriã do congresso.

Engenharia como instrumento de desenvolvimento

Ao abrir os discursos da mesa, o presidente da Fisenge, engenheiro eletricista e historiador Roberto Freire, destacou as principais campanhas atualmente conduzidas pela Federação, entre elas a mobilização pelo fim da escala 6×1, a campanha “Engenheiro SIM, Analista NÃO” e a defesa da democracia.

Ao abordar a importância da organização e da luta coletiva, Freire também relembrou sua participação na fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT), realizado em São Bernardo do Campo (SP). “Eu sou um contador de histórias, então vou contar uma história para vocês: a luta coletiva vale a pena, pois ainda hoje eu me lembrei que eu estava na mesa de abertura da fundação da CUT”, relembrou Freire.

O presidente do Senge-MG, Murilo Valadares, fez a saudação inicial aos participantes e ressaltou a importância da cooperação entre as entidades que representam a engenharia. “É uma coisa muito boa a cooperação entre as entidades, entre o Crea, os sindicatos e a Fisenge. Essa nossa cooperação só fortalece a luta pelos nossos profissionais”, ressaltou Valadares.

Na sequência, o diretor de Comunicação e Relações Institucionais do Crea-MG, engenheiro eletricista Luiz Carlos Sperandio Nogueira, destacou o papel estratégico da engenharia para o desenvolvimento nacional e defendeu o fortalecimento da formação em ciência, tecnologia e engenharia. “Para o desenvolvimento de qualquer país no mundo inteiro, as estruturas e a base de desenvolvimento de um país são conduzidas pela engenharia. São os engenheiros que promovem o desenvolvimento de um país. E para que isso ocorra é preciso gerar uma base de conhecimento; toda a base educacional deveria estar voltada para isso, para a tecnologia e a engenharia”, afirmou.

O presidente da EngD – Engenharia pela Democracia, Paulo Massoka, também ressaltou a relação entre engenharia, desenvolvimento econômico e sustentabilidade. “Nenhum país alcançou desenvolvimento econômico e sustentável, com industrialização robusta, sem uma base sólida da engenharia”, afirmou.

Soberania e políticas de desenvolvimento

A relação entre engenharia e soberania nacional também esteve presente nas manifestações dos representantes das instituições de pesquisa, financiamento e organização sindical. O assessor especial da presidência da FINEP, engenheiro Jorge Bittar, parabenizou a organização do congresso e destacou a importância de apoiar iniciativas voltadas à discussão do desenvolvimento nacional. Segundo ele, a diretoria da instituição se sente “feliz e honrada em financiar um evento com a importância do CONSENGE”.

O diretor financeiro da Mútua, Wellington Adriano de Castro Silva, também destacou o apoio da instituição ao congresso e ressaltou a relevância da temática escolhida para esta edição. “A Mútua tem prazer em apoiar eventos como o CONSENGE, ainda mais com uma temática tão importante como soberania nacional”, destacou Silva.

Participação feminina e diversidade

A participação das mulheres nos espaços de decisão também ganhou destaque durante a abertura. O presidente da CUT Minas Gerais, Jairo Nogueira, ressaltou a presença feminina no congresso e nas entidades representativas da categoria. “Nós estamos mudando o nome da CUT para Central Única dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, porque sabemos que as mulheres estão vindo com tudo e eu acho que tem que vir mesmo, pois a participação feminina é essencial para a discussão do tema soberania nacional”, enfatizou Nogueira.

A diretora regional de P&M da UNI Global Union, Briceida González, agradeceu o convite para participar do CONSENGE e apresentou a atuação da organização internacional, à qual a Fisenge é filiada. “A Uni é o Sindicato Global da Economia de Serviços, onde a Fisenge é filiada. A Fisenge faz parte da Union desde 1993, fortalecendo a luta sindical, tanto no âmbito nacional como no âmbito internacional”, afirmou González.

Mulheres nos espaços de decisão

A necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de poder e decisão foi aprofundada pela diretora da Mulher da Fisenge, engenheira química e vice-presidenta global do Setor de Profissionais e Gerentes (P&M) da UNI Global Union, Simone Baía.

Ao relacionar a soberania nacional à participação das mulheres, Simone destacou que o debate envolve questões concretas como território, trabalho, presente e futuro. Para ela, a soberania de um país é construída principalmente pelas pessoas que o compõem e, por isso, é necessário ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. “Estamos aqui para discutir engenharia e soberania nacional e, em um país como o nosso, este debate nunca é abstrato. Esse é um debate sobre território, trabalho, presente e futuro. Eu falo a partir dos lugares que ocupo como uma mulher indígena, mãe e engenheira. E quem eu sou e estes lugares que eu ocupo me ensinaram uma coisa: a soberania de um país é feita principalmente por pessoas e, neste espaço, precisamos de mais mulheres, já que somos mais da metade da população”, ressaltou Simone.

Engenharia e soberania nacional

Após a mesa de abertura, a programação do 14º CONSENGE seguiu com a palestra magna “Engenharia e Soberania Nacional”, ministrada pelo engenheiro e assessor especial da presidência da FINEP, Jorge Bittar.

O 14º CONSENGE acontece de 26 a 29 de agosto, na sede do Crea-MG, em Belo Horizonte. Parte da programação também será transmitida pelo canal da Fisenge no YouTube, @CanalFisenge.

Acompanhe a cobertura do congresso também pelo Instagram da Fisenge, @fisengefederacao.

 

Texto: Mariana Figueiredo/Senge-PR

Fotos: Fábio Ortolan