Por Verônica Couto (SOS Brasil Soberano)

Foto: Vanessa Abreu (Senge-RJ)

Qual o papel das Forças Armadas na crise brasileira? Elas devem reagir aos ataques à soberania nacional promovidos pelo governo federal (ao cortar investimentos em programas estratégicos e preparar a venda de empresas públicas importantes para a autonomia do Estado)? Por que há jovens na rua pedindo a volta da ditadura? Estas foram algumas das perguntas respondidas aos internautas que acompanharam ao vivo a transmissão pelo Facebook do Soberania em Debate – Política e militares no Brasil, evento que o Movimento SOS Brasil Soberano realizou no último dia 20, na sede da Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ).

“[As Forças Armadas] não podem se rebelar, não devem e não vão”, afirmou o coronel da reserva do Exército Paulo Roberto Costa e Silva, chefe da Divisão de Assuntos de Inteligência Estratégica da Escola Superior de Guerra (ESG). “Não podem, porque não é seu papel constitucional; não devem, porque não é sua missão; e não vão, porque é crime. A intervenção precisa ter outro nome: intervenção cívica – na saúde, na educação.” Ou seja, a responsabilidade pela mudança do cenário político, na avaliação do oficial, é da sociedade civil. “Temos uma eleição no que vem. Vamos fazer mudar. Pode ser que não seja dessa vez; vamos tentar na outra.”

Quem está na rua pedindo a volta da ditadura não sabe o que faz, acreditam Costa e Silva e o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), também presente ao debate, do qual participaram ainda o oficial reformado da Marinha e doutor em História na Universidade Federal Fluminense (UFF) Sergio Murillo Pinto, e o advogado e cientista político Jorge Folena.

“Quando vemos tanta gente levantando cartazes e essas bandeiras… eles não sabem direito o que é intervenção militar”, disse o coronel Costa e Silva. Segundo ele, as FFAA tem um entendimento sólido de que devem “manter a estabilidade, entendida como o pleno funcionamento das instituições”. Isso significa, explicou, respeitá-las, mesmo reconhecendo que “estão decadentes” e governo e Congresso, “contaminados”. “Posso não ter o Congresso que eu quero, mas está funcionando; não ter o Supremo [Tribunal Federal] que eu quero, mas está funcionando. A sociedade é que vai se transformando e promovendo as mudanças a seu tempo.”

Para o deputado Wadih Damous, o sistema político vem sendo deliberadamente desmoralizado e criminalizado, o que estimula as manifestações a favor da ditadura que se amparam também na ignorância de quem não a viveu. “Para o jovem de hoje, política é sinônimo de mal feito, de crime. E isso é em parte compreensível, porque o fenômeno do mal feito é real, acontece. Mas ele é maximizado, tratado de maneira estratégica para desqualificar a política.”

A ilusão de que na ditadura militar – de 1964 a 1985 – não havia corrupção, diz o parlamentar, é uma “falácia” que se incute na cabeça sobretudo da juventude, aproveitando o fato de que a censura impedia que se tomasse conhecimento dos desvios ocorridos na época. “Essas pessoas são presas fáceis desse sistema de desinformação que conforma a vida política brasileira”, acredita o deputado. Ele também apontou a indignação seletiva que não questiona, por exemplo, os abusos cometidos pelo Poder Judiciário. “Se temos corrupção – e temos – em todos os Poderes, o que significa juízes e procuradores ganharem muito acima do teto constitucional? E as distorções da administração pública brasileira? O que significa um general, almirante, brigadeiro, um professor universitário, que passou a vida se sacrificando, se aposentar com R$ 10 mil, enquanto um ‘fedelho’ desse que diz que vai corrigir a República já entra ganhando acima do teto de R$ 30 mil?”

Damous observa que as tentativas de atenuar as distorções do sistema político têm sido sistematicamente frustradas pelas forças que são suas beneficiárias, como se viu na recente votação de reforma política na Câmara Federal – cujos pontos relevantes, embora aprovados, foram vetados pelo presidente Michel Temer. “Semana retrasada aprovamos um arremedo de reforma política, mas que estabeleceu teto para o gasto com campanhas eleitorais; teto para autofinanciamento de campanhas eleitorais; teto de R$ 10 mil para doações de pessoa física. Quando tentamos corrigir, aqueles que querem o dinheiro no processo político e eleitoral vetam as modificações importantes.”

Atentados contra a soberania
Embora todos os participantes do debate condenem a hipótese de uma volta ao regime militar, tanto o deputado Damous quanto o cientista político Jorge Folena apontaram a necessidade de as Forças Armadas se pronunciarem em relação a questões relativas à soberania nacional, como a abertura do controle de exploração do pré-sal a empresas estrangeiras, a venda de ativos da Petrobras, a proposta de privatização de empresas do sistema Eletrobras, entre outras medidas do atual governo.

“Vemos atentados à soberania nacional na energia elétrica, no pré-sal, e não vemos um pronunciamento, uma tomada de posição mais incisiva por parte das autoridades militares em relação a isso”, salientou Damous, lembrando que circularam recentemente nas redes sociais manifestações de setores das Forças Armadas pregando abertamente uma a possibilidade de intervenção militar e atribuindo aos militares legitimidade moral para “limpar o país”. Ao mesmo tempo, comparou, “em temas diretamente ligados à organização das FFAA e à defesa da pátria, ouvimos um silêncio ensurdecedor.” O deputado ressalvou que não espera dos militares que eles convoquem ”amanhã uma cadeia de rádio e TV para dizerem que não podemos privatizar a Eletrobras; mas se eles se sentem à vontade para aquelas manifestações, por que não sobre essas outras questões?”

Para Jorge Folena, é importante saber a posição das Forças Armadas sobre as ações do governo – por exemplo, os cortes de recursos para educação das crianças e dos jovens, para saúde, ciência e tecnologia e em programas como o ProSub, de desenvolvimento de um submarino nacional com propulsão nuclear para proteger a costa brasileira, especialmente as áreas da reserva do pré-sal. Ou ainda sobre a iminência de venda de empresas públicas criadas pelos próprios militares, como a BR Distribuidora, da Petrobras. “A manifestação militar é política sim, não significa uma intervenção. Temos que saber a posição dessa instituição forte.”

O coronel Costa e Silva considera “essa preocupação justa”, mas entende que “não é papel das Forças Armadas tutelar a sociedade”. E destaca que, com as redes sociais tão ativas e a mídia com seus “interesses inconfessáveis”, qualquer manifestação “interpretada de maneira dúbia produz consequências muito fortes”. Este é um terreno que o oficial considera “pantanoso” e reconhece, assim, que “fica difícil para o comandante militar se posicionar. (…) A postura de que o deputado sente falta, um pronunciamento mais forte dos líderes, dos generais, extramuros, é meio complicado de fazer.”

Captura internacional
“A campanha ‘O petróleo é nosso’ uniu civis e militares, sem quebrar a Constituição; não é um exemplo?”, perguntou pelo Facebook um internauta que acompanhava o debate. Para Sergio Murillo Pinto, representa de fato um bom exemplo, mas a diferença entre o momento atual e aquele é que uma parcela significativa das Forças Armadas teria sido capturada na Guerra Fria pelos interesses norte-americanos.

Segundo ele, na primeira metade dos anos 50, o Exército estava dividido: uma ala de centro e centro–esquerda apoiava o nacionalismo, inclusive as reformas que o então presidente Getúlio Vargas no seu governo constitucional tentava fazer; de outro lado, um grupo que voltou da II Guerra Mundial profundamente influenciado pela política e cultura norte-americanas.

“Cabe lembrar que, quando a FEB [Força Expedicionária Brasileira] foi para a Itália e se incorporou ao 5º Exército norte-americano, as condições dos militares brasileiros eram extremamente precárias”, explicou. “Os EUA forneceram armamento, roupas para o inverno, sapatos, até cigarro. Como os aliados venceram e foram recebidos festivamente, uma parte do Exército brasileiro voltou entusiasmada, até deslumbrada, com tal magnificência, e tendeu a fazer com que o Brasil se inclinasse no sentido de ‘o que é bom para os EUA é bom para o Brasil’. E a Guerra Fria fez com que se encaminhasse mais na mesma direção. (…) Foi pena que a parcela nacionalista e desenvolvimentista do Exército dos anos 50 não tenha conseguido se manter hegemônica.”

Golpismo, capital financeiro e tráfico
Atualmente, na avaliação de Folena, se o país tem um “inimigo”, é o capital financeiro internacional. Na sua opinião, as análises correntes não dão a atenção adequada ao papel dos personagens civis que atuaram e se beneficiaram no golpe de 64 e dos interesses que continuam representando. “Eles são os mesmos do golpe de 2016”, disse o cientista político, indicando, por exemplo, os setores privados defendidos pelo atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco.

“O que está acontecendo é que muitos dos civis que atuaram e se beneficiaram no passado, no regime de 1964-1985, continuam agindo livremente e influenciando a política no Brasil de hoje, jogando civis contra militares e militares contra civis, em favor do capital financeiro e dos interesses de estrangeiros”, afirmou. “Exemplo disso é a Garantia da Lei e da Ordem [dispositivo utilizado, entre outros casos, para as FFAA ocuparem a Rocinha, no Rio de Janeiro, e Brasília, durante as manifestações contra a reforma trabalhista e da previdência]. Segurança pública é problema dos estados, não dos militares. Constitucionalmente, quem é responsável pelo combate ao tráfico de drogas é a Polícia Federal. Mas a PF se tornou uma polícia política, para cassar políticos; qualquer hora, vai entrar nos quartéis.”

Um bom motivo para acionar a GLO, diz Folena, seria para as FFAA agirem onde a PF não tem obtido sucesso: na fiscalização de fronteiras, portos e aeroportos, contra a entrada de armas e drogas. “É preciso apurar por onde circula o dinheiro do tráfico de drogas e armas. Esse dinheiro tem que estar em algum lugar. É preciso apurar com cuidado também a movimentação no sistema financeiro. Uma GLO de inteligência para atuar nessa área seria bem-vinda.”

Folena ressaltou, por fim, que “os movimentos sociais não podem ser vistos como inimigos, como tentam construir certos setores reacionários brasileiros, pois são formados por homens e mulheres nacionalistas, que lutam por um Brasil mais justo e solidário para todos, sob a mesma bandeira nacional a que os militares também são fiéis. Não pode ser permitida a manipulação midiática, que joga brasileiros contra brasileiros, civis contra militares ou vice-versa, como ocorreu no passado e ainda se faz no presente.”

Cadê o povo?
Mas se a solução da crise não depende das FFAA, qual será ela? “Até quando estaremos letárgicos? Onde estão as lideranças?”, perguntou outro participante virtual do debate. Segundo o o deputado Wadih Damous, é uma pergunta recorrente.

“Falta a presença e a ação do personagem principal: o povo brasileiro”, respondeu o parlamentar. “O povo está assistindo a uma desconstrução de direitos e conquistas sem paralelo na História do Brasil e numa rapidez muito grande. Não é crível que se acabe com a previdência social, os direitos trabalhistas, que se mergulhe o povo no mapa da fome, e isso fique sem resposta. Tenho certeza de que o povo vai assumir as rédeas do seu destino. Isso vai acontecer.”

Para Damous, as lideranças políticas também estão “reféns” da situação. “Não há liderança que possa por si só resolver esse caos em que o Brasil está. Isso precisa estar enraizado na sociedade brasileira. Não é o partido A ou B que vai resolver as coisas de forma messiânica.”

Soberania em Debate
Roda de debate promovida periodicamente pelo movimento SOS Brasil Soberano, apoiado pelo Senge-RJ e pela Fisenge, como parte do seu trabalho de mobilização, resistência e reflexão de temas nacionais. O evento acontece na sede da Fisenge/Senge-RJ, no centro do Rio, com mediação da jornalista Camila Marins. A transmissão pode ser acompanhado online pela página do SOS Brasil Soberano no Facebook. A íntegra do debate e a edição de seus principais momentos são depois publicadas no canal do movimento no Youtube.

O Soberania em debate realizado no dia 20 de outubro, com o tema Política e militares no Brasil, registrou no perfil do movimento 45.726 pessoas alcançadas pelas redes, 13 mil visualizações, 95 curtidas/reações e 131 compartilhamentos. Transmitido também pelo perfil da Carta Capital no Facebook, gerou 12 mil visualizações, 90 curtidas/reações e 71 compartilhamentos.

Mais sobre o tema
Clique para ler também o artigo do cientista político e advogado Jorge Folena “Militares e política”

Debate discute o papel das Forças Armadas na crise e reforça importância da mobilização popular

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Na noite de domingo (15/10), a 19ª edição do Festival do Rio anunciou o prêmio de melhor longa documentário, pelo júri popular, para o filme “Dedo na Ferida”, dirigido pelo cineasta Silvio Tendler. O longa, que é uma parceria entre a Fisenge e o Senge-RJ, traça um paralelo entre análises econômicas de diversos países do mundo e o cotidiano de pessoas afetadas pela desigualdade. “Esta parceria entre arte e movimento sindical sempre aconteceu na produção dos grandes filmes, desde a década de 1930 e a Fisenge e o Senge-RJ recuperam esse encontro entre dois vetores de transformação social”, afirmou Silvio Tendler. As exibições do longa-metragem, durante o Festival do Rio, lotaram os cinemas e foram aplaudidas pelos espectadores.

De acordo com o engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, o prêmio representa um ato de resistência. “Em tempos de censura da arte e da cultura, esse prêmio reafirma a importância da liberdade de expressão, da democracia e do cinema alternativo como instrumento de luta e de disputa das narrativas por uma sociedade justa e igualitária”, disse Clovis. Além do “Troféu Redentor”, a produção do filme foi premiada com R$100.000 para divulgação e exibição do longa. O engenheiro e presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos comemorou a notícia. “É urgente popularizar, levar as informações da situação que o Estado brasileiro vive para a maioria das pessoas. O cinema, sua narrativa didática, permite isso. A proposta é que a exibição do Dedo na Ferida abra portas para debates em amplos segmentos sociais, para que seja apropriado por todos. As pessoas têm que ter consciência do que está ocorrendo. Para que, a partir da consciência tenham capacidade de se indignar, de se mobilizar, de se rebelar e, talvez, fazer ecoar o grito de ‘BASTA’ nisso tudo que vivem hoje”, enfatizou Olímpio, destacando o trabalho do engenheiro e ex-presidente do Senge-RJ, Sergio Almeida, que faleceu no dia 2 de setembro deste ano: “Sergio foi um dos idealizadores desse filme e, certamente, ficaria muito feliz em ver uma premiação reconhecida pelo público”. Silvio Tendler concorda e acrescenta: “Sérgio Almeida foi um dos grandes artistas desse filme, com uma formação econômica muito refinada, discutindo cada fotograma até o fim. Sou muito grato e me orgulho dessa parceria com Sergio”, pontou Silvio.

A primeira parceria com a Fisenge e o Senge-RJ aconteceu, em 2014, com o filme “Privatizações - A Distopia do Capital”.

“Dedo na Ferida” discute o retrocesso ideológico a posições neoconservadoras pautado pelo empobrecimento da classe média, pela falência dos Estados e pelo desemprego. Examina, ainda, de que forma o capitalismo deixou de ser produtivo para se tornar meramente especulativo, motivado pela aposta na geração de dinheiro fácil. O sistema financeiro, que deveria servir ao propósito de levar recursos dos setores superavitários para os deficitários interessados em investir em produção, abandonou o papel de “atravessador” e se assumiu como fim principal das transações econômicas. Os governos nacionais perdem autonomia e passam a lutar contra massas de capital que circulam livremente pelo globo. Grécia, Espanha, Portugal, Brasil e tantas outras nações veem seus destinos definidos pelos interesses da esfera financeira. São grandes corporações, que, por vezes, detém orçamentos mais robustos do que o de alguns Estados, atuam como um “governo sombra”, guiando políticas públicas que favorecem à maximização de seus lucros.

Entre os depoimentos da obra estão os de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP), entre outros pensadores que interferem no mundo contemporâneo.

Sinopse 
"Dedo na Ferida" trata do fim do Estado de bem‐estar social e da interrupção dos sonhos de uma vida melhor para todos em um cenário onde a lógica homicida do capital financeiro inviabiliza qualquer alternativa de justiça social. Milhões de pessoas peregrinam em busca de melhores condições de vida enquanto o capital só aspira a concentração da riqueza em poucas mãos. Neste cenário de tensões sociais, intelectuais lutam para transformar o mundo levantando temas como o fim dos direitos sociais, o desemprego, o mercado e o ressurgimento de movimentos extremistas.

Biografia 
Em 48 anos de carreira, Silvio Tendler produziu e dirigiu cerca de 80 obras de cunho histórico e social entre curtas, médias e longas-metragens e séries. Licenciado em História pela Université de Paris VII, é mestre em Cinema e História pela École des Hautes-Études/Sorbonne. Desde 1979 é professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Tem mais de sessenta prêmios, entre eles seis Margaridas de Prata, da CNBB.

Filmografia 
Silvio Tendler fez as três maiores bilheterias do documentário brasileiro. “Jango” recebeu o Margarida de Prata e o melhor filme do Júri Popular do Festival de Gramado. “Glauber–O filme, labirinto do Brasil” foi eleito melhor filme pelo júri popular e a crítica do Festival de Brasília e participou da Seleção Oficial Hors concours do Festival de Cannes. “Encontro com Milton Santos” venceu o Festival de Brasília e levou o prêmio de melhor filme no Festival de Documentários Santiago Álvarez.

Texto por Camila Marins com informações da Caliban Filmes

Filme “Dedo na Ferida” ganha prêmio de melhor documentário do Festival do Rio

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O documentário, que tem como fio condutor a viagem de trabalho de um podólogo e depoimentos de economistas e pensadores renomados será exibido dias 12 e 13 de outubro


No momento em que o mundo se depara com a perda progressiva de direitos sociais, rendidos aos interesses do sistema financeiro, Silvio Tendler vai direto ao ponto que atinge toda a sociedade, independente de posicionamento político, com o lançamento de "Dedo na Ferida". O documentário, em parceria pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros, selecionado para a mostra competitiva do Festival do Rio, traça um panorama do cenário contemporâneo com depoimentos de economistas que estão ou que já estiveram em cargos importantes no mundo e pensadores respeitados.
O filme será exibido no dia 12, às 13h, no Cine Odeon Net Claro, onde haverá também um debate com Silvio Tendler e a economista Laura Carvalho, e no dia 13, às 19h, no Kinoplex São Luiz 1.


O novo documentário de Silvio Tendler, reconhecido por mais de 80 obras de cunho histórico e social, aborda a influência do capital na política: “É uma crítica à política dominada pelo sistema financeiro. Você não discute mais o dinheiro a serviço da produção”, diz Tendler, lembrando que se trata de um fenômeno mundial. “Acho que é a primeira vez que vamos discutir com profundidade a força do sistema financeiro na economia”.


Para traçar um paralelo entre essas análises e o cotidiano dos afetados pelos poderio econômico, Silvio usa como fio de ligação a viagem de trabalho de um podólogo que mora em Japeri - cidade que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado do Rio de Janeiro - até Copacabana, onde exerce sua profissão.
O tempo de deslocamento dele todo dia é o tempo de uma sessão de cinema. É o tempo que ele não vai ao cinema. Enquanto vai de Japeri à Copacabana poderia estar assistindo ao filme. "Dedo na Ferida" discute uma sociedade na qual ele é um cidadão à margem, ele não tem uma conta no banco, ele não vai ao cinema, nem ao teatro. Não tem uma vida ativa, é um cara que trabalha para sustentar a família. Acredito que uma das reflexões para quem assiste ao documentário é perceber que está na hora das pessoas terem uma vida interessante, acredita Silvio Tendler.
Entre os depoimentos da obra estão os de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP), entre outros pensadores que interferem no mundo contemporâneo.

Renda de metade da população mundial está nas mãos de 65 famílias
O filme também é uma aula de economia que deixa claro que para 1% da população mundial, que detém o poderio econômico, uma crise não deve ser desperdiçada. É este pequeno grupo que, em nome dos interesses do grande capital internacional, comanda o destino dos recursos do planeta. Quebras de bolsas de valores; estouro de bolhas especulativas; e a bancarrota de países que levam famílias para linha da miséria são oportunidades para aumentar o capital, o poder e a influência deste grupo. Eles são os donos do poder. 65 famílias têm, aproximadamente, a mesma riqueza que metade da população mundial. Bancos, seguradoras, fundos de investimento e elites econômicas navegam em uma esfera onde taxas de juros e dívidas de governos são as moedas mais fortes.


“Dedo na Ferida” discute o retrocesso ideológico a posições neoconservadoras pautado pelo empobrecimento da classe média, pela falência dos Estados e pelo desemprego. Examina de que forma o capitalismo deixou de ser produtivo para se tornar meramente especulativo, motivado pela aposta na geração de dinheiro fácil.
O sistema financeiro, que deveria servir ao propósito de levar recursos dos setores superavitários para os deficitários interessados em investir em produção, abandonou o papel de “atravessador” e se assumiu como fim principal das transações econômicas. Os governos nacionais perdem autonomia e passam a lutar contra massas de capital que circulam livremente pelo globo. Grécia, Espanha, Portugal, Brasil e tantas outras nações vêem seus destinos definidos pelos interesses da esfera financeira. São grandes corporações, que, por vezes, detém orçamentos mais robustos do que o de alguns Estados, atuam como um “governo sombra”, guiando políticas públicas que favorecem à maximização de seus lucros.Consideradas importantes demais para falir, grandes corporações envolvidas diretamente na crise que atingiu o sistema econômico internacional em 2008 não foram responsabilizadas pelo estrago causado na economia produtiva. Operando dentro da lei e socorridas com dinheiro público, seguem acumulando um capital volátil, transnacional, pouco produtivo e guardado em paraísos fiscais. E estão prontas para lucrar na próxima crise.


Novos frutos na parceria com o movimento sindical
Ampliar o debate com a sociedade brasileira sobre os crimes cometidos pelo sistema financeiro internacional em sua trajetória de semear a miséria em todos os continentes foi um dos principais motivos para que nascesse mais uma parceria do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) com Silvio Tendler. Juntos, em 2014, produziram o documentário Privatizações - A Distopia do Capital. Em 2017, assinam o Dedo na Ferida.


“Fundamentalmente quando pensamos no filme “Dedo na ferida”, o que nos moveu foi a necessidade de promover o debate no Brasil sobre um tema tão árido e tão distante da população. A captura dos governos nacionais pelo capital financeiro internacional é algo concreto, é algo evidente, mas que poucas pessoas enxergam. Queremos discutir isso com a população”, afirma Clovis Nascimento, presidente da Fisenge.


“É urgente popularizar, levar as informações da situação que o Estado brasileiro vive para a maioria das pessoas. O cinema, sua narrativa didática, permite isso. A proposta é que a exibição do Dedo na Ferida abra portas para debates em amplos segmentos sociais, para que seja apropriado por todos. As pessoas têm que ter consciência do que está ocorrendo. Para que, a partir da consciência tenham capacidade de se indignar, de se mobilizar, de se rebelar e, talvez, fazer ecoar o grito de ‘BASTA’ nisso tudo que vivem hoje”, defende Olímpio Alves dos Santos, presidente do Senge-RJ.


Sinopse:
"Dedo na Ferida" trata do fim do estado de bem‐estar social e da interrupção dos sonhos de uma vida melhor para todos em um cenário onde a lógica homicida do capital financeiro inviabiliza qualquer alternativa de justiça social. Milhões de pessoas peregrinam em busca de melhores condições de vida enquanto o capital só aspira a concentração da riqueza em poucas mãos. Neste cenário de tensões sociais, intelectuais lutam para transformar o mundo levantando temas como o fim dos direitos sociais, o desemprego, o mercado e o ressurgimento de movimentos extremistas.


Biografia:
Em 48 anos de carreira, Silvio Tendler produziu e dirigiu cerca de 80 obras de cunho histórico e social entre curtas, médias e longas-metragens e séries. Licenciado em História pela Université de Paris VII, é mestre em Cinema e História pela École des Hautes-Études/Sorbonne. Desde 1979 é professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Tem mais de sessenta prêmios, entre eles seis Margaridas de Prata, da CNBB.


Filmografia:
Silvio Tendler fez as três maiores bilheterias do documentário brasileiro. “Jango” recebeu o Margarida de Prata e o melhor filme do Júri Popular do Festival de Gramado. “Glauber–O filme, labirinto do Brasil” foi eleito melhor filme pelo júri popular e a crítica do Festival de Brasília e participou da Seleção Oficial Hors concours do Festival de Cannes. “Encontro com Milton Santos” venceu o Festival de Brasília e levou o prêmio de melhor filme no Festival de Documentários Santiago Álvarez.

Fonte: Caliban Filmes

Filme "Dedo na Ferida", de Silvio Tendler, estreia no Festival do Rio

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O Senge/Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro reunirá, no dia 4 de agosto de 2017, na Av. Rio Branco, 277/17° andar, às 18h, um grupo de historiadores e cientistas sociais para debater e apresentar sua mais recente produção. Na ocasião, os professores João Pitillo, Ricardo Quiroga Vinhas, Roberto Santana e Francisco Carlos Teixeira da Silva – historiadores da UERJ, UFRRJ e UFRJ – farão um breve balanço das "batalhas decisivas" da Segunda Guerra Mundial e da memória do conflito mais trágico do século XX que, ainda hoje, infelizmente, marca a política e a sociedade europeia e mundial.

O cientista político e advogado, militante dos direitos civis, Jorge Folena, da UCAM, fará – através dos seus livros "A Constituição Rasgada" e "Intervenção Judicial" – uma análise da atual situação política e institucional do Brasil e das perspectivas do sistema político nacional. Por fim, os professores Mauricio Parada, da PUC, e Francisco Teixeira, CPDA/UFRRJ/UFRJ, apresentarão a coleção "Políticas Educacionais e Traumas Coletivos", (volumes 1 e 2), voltada para a análise (volume 1) das políticas educacionais nos regimes autoritários e, (volume 2), o ensino da história e dos  traumas coletivos.

Após as breves exposições dos conteúdos das obras, que estarão ao dispor do público, será oferecido um pequeno ´vin d´honneur´. Será um prazer recebê-los nesta noite para relevante debate sobre pontos tão sensíveis de nossa atualidade.

O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro fica na Av. Rio Branco, 277, 17º andar. 

Lançamento coletivo, noite de autógrafos e debates no Senge-RJ

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Curitiba recebeu, nesta sexta-feira (14/7), o IV Simpósio SOS Brasil Soberano, com mais de 150 participantes. Com o tema “Brasil 2035: um país justo e soberano”, o evento reuniu engenheiros, estudantes, ativistas, intelectuais e políticos. Participaram da mesa de abertura o engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento; o engenheiro e presidente do Senge-PR, Carlos Roberto Bittencourt; o engenheiro presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos; o presidente do CREA-PR, Joel Krüger; e o presidente Sindicato dos trabalhadores em educação pública do Paraná (APP Sindicato), Hermes Leão.

"O Brasil vive uma crise política sem precedentes na História. A mídia e os setores conservadores tentam tirar o foco da Reforma Trabalhista, que foi aprovada e representa uma das propostas mais destruidoras para os trabalhadores. Nem Margaret Thatcher [ex-primeira ministra britânica] nem Pinochet [ditador chileno que derrubou o governo de Allende] fizeram propostas tão cruéis e perversas. Nós vamos para as ruas construir e fortalecer a resistência. A nossa resposta é nas ruas e na luta", presidente da Fisenge, Clovis Nascimento.

Na mesa de abertura do encontro, o presidente do Senge-PR, Carlos Bittencourt, deu as boas-vindas e falou sobre a cidade aos participantes vindos de outros estados e frisou as recentes mobilizações ocorrida na capital paranaense. “Curitiba tem muita resistência. O Brasil todo acompanhou a luta dos professores e funcionários do estado, professores e servidores do município. Foi uma forte resistência, até contra a repressão policial com violência. Curitiba também teve o maior número de ocupações das escolas contra a reforma do ensino médio”, relatou o presidente.

Bittencourt destacou o retrocesso nos direitos dos trabalhadores aprovado pelo Senado: “É uma semana muito difícil para todos nós por conta da aprovação da Reforma Trabalhista. É um golpe nos direitos de todos os trabalhadores”.

A história ensina

Mais 21 mil pessoas foram assassinadas durante a Guerra do Contestado, que aconteceu entre 1912 e 1916 nos estados de Santa Catarina e do Paraná. O fato histórico foi lembrado pelo professor Hermes Leão, presidente da APP Sindicato, para fazer uma relação com o momento em que o Brasil vive atualmente. Segundo ele, a pauta não mudou: a tentativa de entrega das riquezas nacionais para o capital estrangeiro.

“Esse governo de Michel Temer poderia ser o retrato do grupo que protagonizou a tragédia da Guerra do Contestado. É o retrato da entrega, da criminalização do povo. A história nos ensina a luta necessária. O golpismo ainda é uma marca muito forte nessa nação”, explicou Hermes.

Oligarquias

O presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos, destacou o período político e econômico que o país vive e defendeu a importância entender este momento para ter a capacidade de se organizar e lutar. “No Brasil, ainda não conseguimos derrotar uma oligarquia que impede que possamos nos tornar uma nação soberana. Temos este desafio pela frente”, defendeu o presidente.

Origem do projeto

“É preciso uma compreensão mais macro do que estava acontecendo no país durante. Não se tratava apenas de tirar uma presidenta sem crime. Se tratava de mudar a condição de país. Transformaram o estatuto desse país, que vinha se colocando como uma das grandes potências do mundo, em uma nação subalterna. Demoliram os setores estratégicos. O Brasil é um país onde os CNPJs são destruídos e os CPFs são preservados”, afirmou o coordenador do SOS Brasil Soberano e o professor de História, Francisco Teixeira.

Com informações do Senge-RJ (Marcelle Pacheco) | Fotos de Giorgia Prates

 

 

“A nossa resposta é nas ruas e na luta”, afirmou o presidente da Fisenge, na abertura do Simpósio SOS Brasil Soberano

 

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A Frente Parlamentar Mista de Defesa da Soberania Nacional, lançada na quarta-feira (21), no Congresso, foi saudada pelo presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olímpio dos Santos, como “da maior importância, neste momento que há claramente um ataque à soberania do país”. Segundo ele, “a Frente é muito oportuna, mas é fundamental que se estenda para além do parlamento e busque articulação com os movimentos sociais engajados nessa causa.”

Senge-RJ defende integração dos movimentos sociais à frente parlamentar pela soberania

O presidente do Senge-RJ, que também é vice-presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), vai oferecer à Frente o apoio das duas entidades sindicais e convidar seus integrantes a participarem das ações de mobilização do projeto SOS Brasil Soberano, que busca afirmar a soberania do país e construir um programa nacional de longo prazo voltado ao desenvolvimento e à expansão dos direitos sociais. “Desde as primeiras conversas para estruturação do projeto SOS Brasil Soberano, em meados de 2016, o Senge-RJ e a Fisenge já defendiam a criação de uma frente em defesa da soberania, porque as ameaças ao país estão muito evidentes”, observa Olímpio.

Ele cita, por exemplo, a venda dos ativos da Petrobras, a criminalização das empresas — em vez da dos seus executivos –, os projetos de lei para permitir a venda de terras a estrangeiros, a retomada das negociações para cessão aos EUA da base de lançamento de foguetes de Alcântara, e também as reformas que vão suprimir direitos dos cidadãos. “As pessoas sem direitos perdem o sentido de identidade e de pertencimento ao país”, diz. “As reformas regressivas reforçam o contexto de exclusão. Como ocorre nas periferias, onde as pessoas já vivem em estado de exceção.”

Na mesma direção, durante o lançamento da Frente, seu presidente, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), afirmou que a corrupção está sendo transformada em “fachada” para a desnacionalização do país, “com a entrega da Petrobras, da Cedae, dos aeroportos, dos satélites.” Para ele, “o projeto de nação, de soberania, e a defesa do trabalhador e do empresário estão desaparecendo”.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Naional reúne 201 deputados federais e 18 senadores – além de Requião na presidência, estão lá o deputado Patrus Ananias (PT-MG), secretário geral, e, na executiva do colegiado, a senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), os deputados Glauber Braga (Psol-RJ), Celso Pansera (PMDB-RJ), Odorico Monteiro (PSB-CE) e Afonso Motta (PDT-RS). Tem oito eixos de ação: defender a exploração eficiente dos recursos naturais, entre eles o petróleo; garantir uma infraestrutura capaz de promover o desenvolvimento; fortalecer a agricultura nas exportações, mas também na alimentação dos brasileiros; estimular o crédito e o capital produtivo nacional; defender o emprego e o salário; garantir um sistema tributário mais justo; consolidar as Forças Armadas na defesa da soberania; e assegurar uma política externa independente. Entre as propostas defendidas pelos parlamentares está a antecipação de eleições diretas no caso de queda do presidente Michel Temer, e o uso do Exército para manutenção da integridade do território.

“É muito importante a aliança de parlamentares e movimentos sociais preocupados com a soberania com os setores militares nacionalistas, que também a defendem”, avalia Olímpio, do Senge-RJ. “Devemos superar o trauma de 64 e construir de novo um projeto de nação.” Para isso, destaca, a sociedade organizada pecisa resistir às tentativas de desnacionalização que vêm, pricipalmente, das corporações transnacionais e do capital financeiro.

Os luzias, de novo
O presidente do Senge-RJ lembra que o “entreguismo” de segmentos da elite brasileira é histórico: “Vem do Império; os luzias aqui sempre foram entreguistas, enquanto os saquaremas eram mais nacionalistas.” Luzias eram os liberais, a burguesia urbana formada principalmente por bacharéis e comerciantes, a favor do esvaziamento do poder do Estado; e os saquaremas, os conservadores, em geral de base agrária. Os luzias ganharam esse nome em referência à Vila de Santa Luzia (em Minas Gerais), porque foi lá que eles sofreram uma grande derrota, em 1842, dos saquaremas, apelido inspirado na cidade de Saquarema, no Rio, onde um dos seus líderes, o visconde de Itaboraí, tinha fazenda e o grupo costumava se reunir.

Para o senador Roberto Requião, “a maior ameaça à soberania brasileira vem da financeirização da economia”. Segundo ele, “o sistema financeiro tornou-se um meio de escravização do nosso povo através de juros escorchantes e de escassez de crédito de longo prazo”. No discurso de lançamento da frente, afirmou que “a abertura indiscriminada ao capital estrangeiro e o estrangulamento da própria economia nos tornou uma área de caça de grande interesse para o capital vadio, cujo fluxo de entrada no país é festejado como se a desnacionalização acelerada fosse uma grande vantagem para o Brasil. Estamos destruindo empresas e empregos em detrimento da sociedade.” Aparente âncora da economia, o agronegócio e a exportação de commodities, na avaliação do senador, oferecem “risco tremendo para a economia, que fica à mercê de grandes cartéis de comercialização e de financeirização global”.

O risco torna-se maior, na opinião de Olímpio, porque, além de termos forças internas interessadas nessas operações com o capital estrangeiro, a economia brasileira é extremamente internacionalizada, praticamente sem grandes empresas nacionais no setor industrial. Nesse contexto, a aliança dos setores populares com segmentos das Forças Armadas ganha maior relevância na construção de um projeto de nação.

Por: Verônica Couto

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O presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos, apresentou o projeto SOS Brasil Soberano durante a realização do III simpósio, na manhã desta quinta-feira (08/6), em Belo Horizonte (MG).

Olímpio destacou que o projeto tem como objetivo formular alternativas para o momento em que o Brasil vive. A primeira contribuição foi o Programa de Emergência, elaborado com os resultados da discussão do I Simpósio, no Rio de Janeiro, e ao lado da Frente Brasil Popular. O vídeo está disponível na página do SOS Brasil Soberano no Facebook.

Presidente do Senge-RJ apresenta SOS Brasil Soberano

“Nós temos que discutir reformas e não contrarreformas, como está sendo feito nesse momento. Essas propostas do governo golpista dissolvem a ideia de nação. Não podemos ter um povo sem direitos. Como um povo sem direitos pode ter ideia de nação?”, criticou Olímpio.

Para ele, o povo é fundamental nesse processo.

“Nossa tarefa é participar e ajudar na discussão da organização política e social do nosso povo para ter o programa e levar o programa adiante, sem ilusões de conciliação. A nossa oligarquia não tem o menor interesse no povo”, afirmou. “Essa travessia não é tranquila e fácil. Teremos que construí-la com muita vontade, muito empenho e muita dor também.”

O SOS Brasil Soberano é uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE-RJ), ao lado da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Esse é o terceiro simpósio do projeto. O primeiro foi realizado no Rio de Janeiro, no dia 31 de março. O segundo, em Salvador, no dia 27 de abril. A quarta edição está marcada para Curitiba, ainda sem data definida. O SENGE-RJ é uma das entidades integrantes da Frente Brasil Popular, organização social que tem como objetivo defender os direitos dos trabalhadores, ampliar a democracia e a participação popular, promover reformas estruturais para um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular, e defender a soberania nacional.

Redação: Marcelle Pacheco (Senge-RJ)

Foto: Alessandro Carvalho

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O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE Rio) realizou, nos dias 16 e 23 de maio, a etapa estadual do 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge). Na ocasião, foram eleitos os 42 delegados que representarão o sindicato e elaboradas seis propostas, que serão encaminhadas para o debate no congresso.

O Consenge traz este ano o tema: “Resistir! Em defesa da engenharia e da Soberania Nacional”. Coube ao SENGE Rio o tema (analisar o... – para não repetir “tema”) “Desenvolvimento e a Soberania Nacional”. Olímpio Alves dos Santos, presidente do Sindicato, destacou a relevância do assunto frente a atual situação política do Brasil.

“Estamos assistindo, neste momento, a dilapidação do patrimônio do nosso país. Nós temos que acumular forças e ter clareza do embate que temos que fazer. É fundamental que tenhamos compreensão e capacidade de sermos donos do nosso destino. É fundamental fazermos do Brasil uma nação soberana”, avalia Olímpio.

Senge-RJ conclui etapa estadual do 11º CONSENGE

Para Clovis Nascimento, presidente da Fisenge e vice-presidente do SENGE Rio, “o momento é de Resistir! Vamos levar para Curitiba a bandeira da defesa da soberania”.

Paulo Jager, técnico do Dieese, foi o palestrante do primeiro dia (16/05) da etapa estadual. Jager destacou a relevância do tema para o atual momento político em que vive o Brasil.

O técnico do Dieese analisou também a relação intrínseca entre a promoção tanto do desenvolvimento quanto da soberania por via de um Estado atuante. Jager apresentou um “retrato” da privatização em curso, que traz como consequência a redução do Estado. Segundo ele, “o que está acontecendo agora vai além da alienação do patrimônio público. São inúmeras iniciativas que tem como objetivo geral a diminuição do Estado.

O segundo dia de debate (23/05) teve como tema “O ensino da engenharia, mercantilização, EAD e excesso de oferta”. O professor Nival Nunes de Almeida, que presidiu a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), foi o palestrante da noite. Nunes apresentou o olhar da academia a respeito da formação dos profissionais de engenharia.

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O SENGE-RJ realiza o lançamento da 4º COPA SENGE DE FUTEBOL SOCIETY no dia 25 de maio, a partir das 18h. Durante o evento, também será realizado o sorteio dos times.

Na edição deste ano, estão inscritos 13 times masculinos e 3 times femininos. Será a primeira edição com a disputa feminina. No ano passado, participaram dois times formados por engenheiras: “Integradas” e “Derivadas”.

O lançamento da 4ª COPA SENGE será realizado no auditório do SENGE-RJ, na Avenida Rio Branco, 277 – 17º andar – Centro.

SENGE-RJ prepara lançamento da 4ª COPA SENGE

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