A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) repudia a aprovação da terceirização, na noite desta quarta-feira (22/3). Atualmente, são milhões de trabalhadores terceirizados em condições precárias, com salários rebaixados, jornadas extenuantes, alta rotatividade e contratos inseguros. As empresas acumulam passivo trabalhista, violando uma série de direitos. Por meio de nossa assessoria parlamentar, mobilizamos os deputados pelo voto contrário à matéria, mas, em um atentado aos direitos dos trabalhadores, a maioria dos deputados aprovou o projeto, que segue para sanção presidencial. Os trabalhadores terceirizados no Brasil trabalham cerca de 3 horas a mais, recebem uma média de 30% a menos nos salários e ainda sofrem com altos índices de acidentes de trabalho. Com a aprovação da terceirização, também foi incluída a possibilidade de “quarteirização”, a ampliação dos contratos temporários para nove meses e a responsabilidade subsidiária não solidária da empresa. Destacamos que a terceirização afronta a organização sindical dos trabalhadores, uma vez que as atividades podem ser realizadas por diversas empresas, instaurando no local de trabalho diferentes empregadores. Esta lógica fere a unidade dos trabalhadores na organização sindical. A terceirização é uma prática antissindical grave que atinge a liberdade e a autonomia de organização da classe trabalhadora. A Fisenge participa da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Classe Trabalhadora no Congresso Nacional e seguirá mobilizada contra a agenda de retirada de direitos. Também exigimos o veto à terceirização pelo presidente ilegítimo Michel Temer. Nenhum direito a menos.


Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Rio de Janeiro, 23 de março de 2017.

Fisenge repudia aprovação da terceirização

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Na manhã do dia 17/03, aconteceu o encontro dos estudantes de engenharia, organizados nos sindicatos filiados à Fisenge. Com a presença de representantes dos estados, a reunião teve como objetivo dar início à construção da agenda do “Fórum de Estudantes” para o 11º Consenge, que acontecerá entre os dias 6 e 9 de setembro.

De acordo com o presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, a Fisenge sempre estimulou a organização de estudantes nos sindicatos. “Formalizamos um espaço institucional no congresso para que eles possam discutir efetivamente as formas de participação e os avanços com as propostas e os projetos da juventude da engenharia brasileira”, afirmou. Atualmente, as entidades organizam os estudantes em Senge ou Sindicato Jovem/ Estudante/Junior nos estados.

Para o engenheiro civil Cícero Martins Jr. e também coordenador do Senge Jovem no Paraná, é fundamental o apoio à organização de jovens engenheiros e estudantes. “A multiplicidade que existe no movimento estudantil é muito importante para socializar as experiências e fazer com que a gente consiga trabalhar numa linha comum”, disse. Ele acrescentou, ainda, que o desafio agora é fazer com que todas as engenharias conversem entre si e que seja possível agregá-las em busca de uma união. Já o estudante de engenharia de produção e representante do Senge Jovem de Pernambuco, Magno Moura acredita que organizar os estudantes dentro dos sindicatos é fundamental para aproximar os futuros engenheiros do mundo do trabalho. “Diante das mudanças recentes apresentadas pelo governo Temer, a importância do papel dos sindicatos na formação dos jovens engenheiros fica ainda mais intensa. É o estudante que protagonizará a luta contra essas mudanças e, para que isso aconteça, ele precisa estar bem informado e formado politicamente", declarou.

O coordenador do Senge Jovem de Minas Gerais, Rodrigo Carvalho afirmou que “foi um momento marcante pela aproximação dos Senge Jovem espalhados pelo país e o início da organização do Fórum dos Estudantes a ser realizado em setembro, abordando temáticas importantes para a formação política profissional e sindical, esclarecendo dúvidas e compartilhando informações para despertar a consciência dos futuros engenheiros e engenheiras”.

Um dos maiores desafios para a estudante de engenharia química na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Letícia Partala, de 20 anos, durante a faculdade é não ter contato direto com as dificuldades do mercado de trabalho. Para ela, o Senge Jovem é um meio de mostrar ao estudante que ele tem a quem recorrer. “Entrar para o Senge Jovem foi muito importante, porque eu consegui ver quantas discussões existem na engenharia e eu não imaginava. Agora, eu entendo como nós, profissionais, podemos contribuir para a cidade, como na questão no plano diretor, vazios urbanos, e assim dar atenção às questões que a prefeitura acaba ignorando. Um dos objetivos do sindicato é fazer com que a nova geração volte a acreditar que é capaz e que também abrace as lutas em busca de avanços para a sociedade”, pontuou Letícia.

Segundo o estudante de engenharia civil na Faculdade de Rondônia (FARO), Thiago Demarchi Ramos, de 28 anos, só no estado existem 300 estudantes inscritos no Senge Jovem e, para ele, a filiação é importante, pois ajuda a “entender o quê significa o sindicato e também sua atuação como instrumento de defesa dos nossos direitos trabalhistas, além de oferecer cursos e convênios”. Para a estudante do 5º período de engenharia civil da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Larissa Pereira, o sindicato representa a categoria e assegura os direitos do trabalhador, além de orientar em relação à conjuntura política, como na luta contra as reformas trabalhista e da previdência e as terceirizações”. Entretanto, a aluna cotista conta que dentro da universidade percebe a opressão relacionada à questão de classe: “Vejo os grupos mais ricos serem privilegiados com tratamentos diferenciados”, alertou.

Ao final da reunião, o vice-presidente da Fisenge, Roberto Freire falou que foi instituída uma comissão provisória para organizar e construir o Coletivo Nacional dos Estudantes (CNE). “Os estudantes debateram a organização e as pautas do Fórum de Estudantes do Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros”, contou. Esta é a segunda edição do Fórum dos Estudantes no Consenge, um passo estratégico para a categoria, que representa a renovação e o debate sobre o papel da engenharia na sociedade.

Fisenge promove encontro de estudantes de engenharia

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Na próxima sexta-feira (24), a regional do Senge em Campo Mourão e o Coletivo de Mulheres do Sindicato realizarão a conferência Mercado de Trabalho e as Peculiaridades de Gênero, evento que busca debater as relações de trabalho sob a perspectiva do gênero dentro do universo da engenharia.

E por que debater? Pois há um abismo entre acesso e direitos, sobretudo no mercado da engenharia. Vamos aos números. A participação das mulheres no mercado da engenharia aumentou significativamente nos últimos anos. De fato, o número de engenheiras ocupando postos de trabalho mais que triplicou desde 2003. Mesmo assim, o número ainda é baixo em comparação com o total de vagas.

Segundo dados do mercado de trabalho da engenharia, dos 261 mil postos de trabalho registrados em 2014 em regime celetista, apenas 19% eram ocupados por mulheres.

A diferença é mais gritante quando passamos do número de vagas para os valores médios de salários. Enquanto no mesmo ano os engenheiros receberam, em média, remuneração de R$ 10 mil, as engenheiras ficaram com a média salarial de apenas R$ 8,3 mil, abaixo inclusive da média geral, de R$ 9,9 mil.

É por essa e por outras questões que se faz necessária a problematização e o debate sobre as diferenças e sobretudo como combater isso no mercado e no dia a dia.

Os temas principais da conferência serão: As Mulheres na Engenharia; Principais Direitos da Mulher Profissional e A Mulher e o Sindicato: Desafios e Conquistas.

Com entrada gratuita, a conferência contará com três palestras que abordarão questões como combate ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, discriminação de gênero e direitos trabalhistas. O evento será das 19 horas as 22 horas, no Auditório do Sindiscam, na Rua Mato Grosso, 2712, Centro.

Engenheiras e engenheiros debatem gênero e mercado de trabalho em Campo Mourão

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No dia 31 de março, o SENGE-RJ e a Fisenge iniciam o projeto "SOS Brasil Soberano". O objetivo é debater um modelo de construção do Brasil até 2035, focado na engenharia, na soberania e no desenvolvimento econômico e social. Será realizada uma série de encontros, com especialistas em vários setores estratégicos da tecnologia, ciência, economia, política e defesa para discutir propostas alternativas para a atual crise vivida no Brasil.

O presidente do SENGE-RJ, Olímpio Alves dos Santos, acredita que o projeto é fundamental para colocar ações em prática.

“Nosso objetivo é criar propostas concretas para resolver os problemas e a crise, de imediato. Nós temos o hábito de ficar apenas reagindo às situações. Queremos mudar esse paradigma”, explica Olímpio.

O primeiro encontro, que será realizado no dia 31 de março, no Rio de Janeiro, tem como tema "Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão". Especialistas irão debater medidas de caráter imediato, anticíclicas, visando a retomada imediata do emprego e a reversão das perspectivas cruéis de uma longa depressão da economia brasileira.

“Precisamos mostrar que é necessário discutir o papel das empresas em setores estratégicos. As empresas estatais viraram cabides de interesses políticos e privados; e as empresas privadas viraram pontos de corrupção, o que as está destruindo, sem ninguém pensar no conteúdo tecnológico importante que elas possuem”, defende o presidente do SENGE-RJ.

O evento será entre as 9h e as 17h, no auditório da Faculdade MacKenzie, Av. Rio Branco 277 – 3º andar. Confira a programação completa aqui.

Engenheiros e especialistas discutem um projeto para o Brasil

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O Governo Federal anunciou a redução de 50% na exigência de conteúdo local para a contratação de equipamentos e serviços pela indústria do petróleo. Isso significa que nas próximas rodadas de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as empresas que adquirirem concessões de áreas para exploração de petróleo no Brasil terão mais espaço para adquirir bens e serviços no exterior. Como efeito, o Brasil perde em geração de renda, emprego e no desenvolvimento de tecnologia.

Mudança na política de conteúdo local é como "tentar apagar fogo com gasolina", alertam petroleiros

Economistas e organizações de representação dos trabalhadores petroleiros avaliam a medida como um erro estratégico. "No rastro do desmonte da Petrobrás e da entrega do pré-sal, a indústria nacional é a mais impactada, gerando um efeito cascata sobre os trabalhadores e o povo brasileiro, que sofrem com o desemprego e a recessão imposta pelos golpistas", afirmou a Federação Única dos Petroleiros (FUP), em nota.

O presidente do Sindicato dos Petroleiros, Mário Dal Zot, é categórico: "Em meio a uma longa e grave crise econômica, com índices de desemprego chegando a 12% ao ano, anunciar uma medida que reduzirá a geração de empregos no país é como tentar apagar incêndio com gasolina".

Na contramão

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil sofreu queda de 3,6% em 2016, acima das expectativas do mercado. O índice, divulgado pelo IBGE no dia 7, veio na sequência do recuo de 3,77% registrado em 2015. É a pior recessão já registrada no país. Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), Cloviomar Cararine, a redução da política de conteúdo local vai na contramão do desenvolvimento da nação: "Estamos perdendo a oportunidade gerada com a descoberta do pré-sal, não gerando empregos e renda no país, não diversificando nossa economia e diminuindo a capacidade produtiva e inovativa de toda uma geração de brasileiros".

Fonte: Davi Macedo / Brasil de Fato
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Engenheiros podem “virar suco”, uma cena que imaginávamos não repetir desde o final da década de 90. Ainda, hoje, lembramos dos noticiários mostrando engenheiros desempregados, vendendo cachorro quente nas ruas e exercendo outro ofício para sobreviver. No ano de 2016 até outubro, no Brasil, foram desligados 39.069 engenheiros e admitidos 24.253. Em 2015, foram admitidos 35.890 e 54.731 engenheiros demitidos. Isso demonstra que estamos perdendo postos de trabalho em todo o país. A atual agenda do governo de Michel Temer pretende aniquilar de vez a nossa engenharia e, consequentemente, a nossa soberania.

Por Clovis Nascimento*


Uma das medidas mais graves é a renúncia da política de conteúdo local, que garante a participação de empresas nacionais nos empreendimentos. A Petrobras anunciou licitação para a retomada das obras do COMPERJ e beneficiou apenas as empresas estrangeiras, num total de 30. Nos últimos dias, a estatal contratou uma empresa chinesa para assumir contratos de sistemas de ancoragem para seis navios-plataforma, num total de 50 milhões de dólares. O governo federal ignorou a política de conteúdo local, que pode gerar milhares de empregos em nosso país. Além disso, a Petrobras - uma empresa estatal - está sendo fatiada e vendida aos poucos para outros países. O nosso petróleo gera renda para milhares de brasileiros, estimula a economia e eleva o Brasil a patamares internacionais. A defesa da Petrobras precisa ser garantida pela visão de soberania nacional por todo o povo brasileiro.

Até mesmo a indústria e os empresários brasileiros avaliam como fracassada essa política de favorecimento ao mercado internacional. Essas medidas oneram a economia brasileira. Isso porque as empresas internacionais utilizam mão de obra barata, exploram nossos recursos naturais, não contratam engenheiros brasileiros e ainda remetem seus lucros para fora do Brasil. O nosso país tem empresas de engenharia com excelência em capacidade técnica e tecnológica e muitas, inclusive, estão com seus trabalhos paralisados por conta de processos jurídicos. A corrupção é um mal que devemos combater na raiz, responsabilizando culpados e gestores. Fechar empresas nacionais e paralisar o ciclo produtivo são ações desastrosas e irresponsáveis para qualquer economia no mundo.

O Brasil passa por uma grave crise política e econômica. Isso é um fato, mas a solução não está no berço do mercado internacional. Uma das saídas é a retomada dos investimentos no desenvolvimento do país. Quando temos desenvolvimento, criamos um ciclo virtuoso, no qual as empresas giram capital, geram empregos, produzem insumos, elevam o PIB e fortalecem os indicadores sociais e econômicos. A quem interessa a paralisação dos investimentos no país? Não ao povo brasileiro. Abrir mão da política de conteúdo local só interessa às empresas estrangeiras. O Brasil não pode voltar a ser o quintal do mercado internacional.

A Fisenge conclama toda a sociedade brasileira a construir uma ampla aliança capaz de retomar a economia e defender a engenharia brasileira e a soberania nacional. Podemos, juntos, evitar uma das maiores tragédias de nossa história. Precisamos de engenharia para superar a crise e alavancar o desenvolvimento.


Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

ARTIGO: Engenharia brasileira vive uma tragédia

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Confira o boletim da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Distrito Federal. Acesse AQUI a publicação

 

Confira o boletim da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Distrito Federal

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O Senge-BA irá promover, no dia 2/2, a sua tradicional feijoada de Yemanjá, a partir das 13h. A ocasião também contará com a inauguração da nova sede do sindicato.

Senge-BA promove tradicional feijoada de Yemanjá

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Segunda, 30 Janeiro 2017 10:06

ARTIGO: "A PLR no Sistema Eletrobras"

Com a implantação da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR - nas empresas, abriram-se novas possibilidades de discussão de temas além da questão remuneratória pelo movimento sindical.

*Por Adelson Neves

A PLR possibilita às empresas discutirem questões colocadas pela atual dinâmica da economia, demandando maior qualificação profissional, gestão participativa e maior comprometimento do trabalhador com os objetivos empresariais. Já com relação à classe trabalhadora, é mais uma forma de usufruir de uma maior parte dos ganhos produzidos pela empresa e que não são transferidos aos salários.

Não se pode afirmar que a participação nos lucros é uma forma de resolver a questão social do trabalhador, mas não deixa de ser um procedimento moderno de integração do empregado à empresa, onde a colaboração desta classe participa dos resultados obtidos pelo empregador.

A Participação nos Lucros ou Resultados é um tipo de Remuneração Variável que institui parceria entre capital e trabalho estabelecendo condições para o desenvolvimento harmonioso nas relações trabalhistas e permitindo negociações objetivas, onde ambas as partes se comprometem em alcançar objetivos coletivos e empresariais.

No setor elétrico, a PLR tem grande importância na pauta das negociações coletivas de trabalho, onde os sindicatos têm mobilizado as categorias profissionais visando ampliar a participação dos trabalhadores nos resultados financeiros das empresas.
As empresas estatais do Sistema Eletrobrás já adotam a Remuneração Variável na modalidade PLR – Participação nos Lucros ou Resultados. Essa sistemática adotada visa basicamente o critério de Lucro com Metas e Indicadores que variam de empresa para empresa que compõem a holding.

O novo modelo proposto da PLR introduz o Contrato de Metas de Desempenho Empresarial – CMDE, que padroniza as metas e indicadores entre as empresas, buscando assim, o equilíbrio na apuração final dos resultados.

Em consonância com a determinação de sentença conciliatória do Tribunal Superior do Trabalho, TST, e com a proposta apresentada pela Eletrobrás para as PLRs de 2015 e 2016, serão distribuídas duas folhas salariais com base em RESULTADOS – Metas Operacionais (1 folha) e no LUCRO – Lucratividade (1 folha), esta última dividida em Meta EBITDA¹ ou LAJIDA² de cada empresa (1/2 folha) e no lucro da holding (1/2 folha). Este modelo, ainda que necessite de aperfeiçoamento, está em conformidade com as expectativas da classe trabalhadora, porque não se condiciona apenas ao lucro das empresas.

¹ EBTIDA: Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization
² LAJIDA: Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização

 

*Adelson Neves é engenheiro eletricista e membro do Conselho Fiscal do Senge-PE

ARTIGO: "A PLR no Sistema Eletrobras"

 

 

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A engenharia brasileira vive a maior crise de sua história.

Empresas de reconhecida capacidade técnica, com expressiva contribuição em obras e serviços para nossa engenharia, encontram-se paralisadas diante dos processos jurídicos a que estão respondendo.

Os profissionais, em especial seus engenheiros, são demitidos aos milhares, as obras são suspensas, enquanto se espera para ver até que ponto essas empresas serão atingidas pelas acusações da Lava Jato.

Estão interrompidos empreendimentos de porte, alguns já em estágio avançado de execução, como as obras do COMPERJ, Angra III, nosso submarino a propulsão nuclear, a refinaria Abreu e Lima no Nordeste, a transposição do São Francisco e muitos outros.

Os prejuízos já chegam a dezenas de bilhões de reais e o desemprego por milhões de trabalhadores.

Os recursos recuperados com grande alarde, como resultado das corrupções descobertas, são uma fração dos prejuízos causados pela interrupção das obras.

Para onde está o Brasil sendo conduzido? Que país vai sobrar ao final desses processos?

Assiste-se à destruição de nossas maiores empresas de engenharia. Diante dos desmandos que houve nessas empresas, exigimos que os responsáveis por eles sejam processados, e os culpados condenados, mas não aceitamos a destruição das empresas de engenharia e o fim de empregos de nossos engenheiros e demais trabalhadores.

É necessário resistir ao desmonte em curso. Todos os setores da economia para os quais o mercado interno é decisivo devem ser chamados a participar dessa resistência.

No quadro geral do desmonte, nos últimos dias foi noticiado que a Petrobras está convidando apenas empresas estrangeiras para licitação da retomada das obras no COMPERJ, num total de 30 empresas.

O lançamento do COMPERJ há alguns anos abrira muitas oportunidades de trabalho e o otimismo inundou o interior do Estado do Rio.

Houve um deslocamento maciço de empresas e trabalhadores para o entorno de Itaboraí, verdadeiro renascimento da região.

Com os processos da Lava Jato, obras já adiantadas foram paralisadas, empresas ficaram sem serviço, trabalhadores foram demitidos. A região está abandonada e virou um deserto e as obras já realizadas se deterioram.

O que está sendo feito no Brasil com nossas empresas de engenharia não está ocorrendo em outros países.

Quando foi reconhecido que a Volkswagen fraudara dados de poluição de seus carros, foi aplicada altíssima multa, dirigentes da empresa foram demitidos e presos.

Entretanto, nenhum carro deixou de ser produzido e nenhum trabalhador perdeu seu emprego. A Alemanha sabe preservar suas riquezas. A Volkswagen é uma riqueza da Alemanha.

No Brasil o comportamento tem sido o oposto. Prendem-se dirigentes, suspendem-se as obras, impede-se que essas empresas participem de outras licitações e trabalhadores são demitidos aos milhares.

Destrói-se um patrimônio nacional constituído por empresas formadas ao longo de décadas e detentoras de importante acervo tecnológico e equipes de profissionais experientes.

O momento é grave. Para superá-lo é urgente construir uma grande aliança da qual participem os engenheiros, os trabalhadores em geral, as empresas compromissadas com a geração de emprego, o movimento sindical que está sentindo a perda de direitos conquistados desde a década de 1930, além de universidades e centros tecnológicos.

O Clube de Engenharia convoca todas as entidades ligadas à engenharia a participarem da resistência ao processo de sucateamento de nossas empresas, que estão sendo vendidas na bacia das almas, no pico da maior crise em décadas.

A retomada do desenvolvimento precisa se dar fortalecendo as empresas e os profissionais de engenharia, sem que haja perda de direitos há muito conquistados.

Os bancos e demais setores rentistas, que vivem dos elevados juros sobre nossa dívida pública, não podem continuar hegemonizando nossa economia e enfraquecendo o setor produtivo, grande gerador de emprego.

Fonte: Clube de Engenharia (RJ), editorial janeiro/ 2017, sugestão de Carlos Ferreira

Empresas brasileiras de engenharia estão sendo sucateadas e vendidas na bacia das almas

 

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