A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) aprovou, durante votação na sessão ordinária desta manhã de terça-feira (29), o reajuste linear de 13% sobre o vencimento dos engenheiros, arquitetos e urbanistas lotados na Prefeitura da Capital, por meio do Projeto de Lei (PL) do Executivo 689/2018. Na ocasião, os parlamentares também foram favoráveis ao aumento linear de 10% no vencimento dos profissionais da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), referente à Medida Provisória (MP) 66/2018.

Ambas as matérias foram apreciadas em regime de urgência e aguardavam parecer da Comissão de Finanças e Orçamento (CFO) da Casa. Assim, elas poderiam ser postas em análise e votação, em plenário. De acordo com o engenheiro agrônomo e presidente do Senge-PB, Rubens Tadeu, esta vitória foi resultado de um longo processo de lutas e diálogo. “Os profissionais da Prefeitura são responsáveis pela elaboração e execução de projetos diretamente relacionados à qualidade de vida da população, portanto, nada mais justo”, afirmou.

Com a aprovação dos reajustes salariais das categorias no Legislativo, as matérias seguem para sanção do Executivo. Após isso, as iniciativas tornam-se leis oficiais.

Com informações ParlamentoPB

Foto: Parlamento PB

Câmara de João Pessoa aprova aumento para engenheiros

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A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, desde outubro de 2016, a partir de então foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

Ganharam os produtores norte-americanos, os “traders” multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação. Batizamos essa política de “America first! ”, “Os Estados Unidos primeiro!”.

Diante da greve dos caminhoneiros assistimos, lemos e ouvimos, repetidamente na “grande mídia”, a falácia de que a mudança da política de preços da Petrobrás ameaçaria sua capacidade empresarial. Esclarecemos à sociedade que a mudança na política de preços, com a redução dos preços no mercado interno, tem o potencial de melhorar o desempenho corporativo, ou de ser neutra, caso a redução dos preços nas refinarias seja significativa, na medida em que a Petrobrás pode recuperar o mercado entregue aos concorrentes por meio da atual política de preços. Além da recuperação do mercado perdido, o tamanho do mercado tende a se expandir porque a demanda se aquece com preços mais baixos.

A atual direção da Petrobrás divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos. A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada.

Outra falácia repetida 24 horas por dia diz respeito a suposta “quebra da Petrobrás” em consequência dos subsídios concedidos entre 2011 e 2014. A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível ao desempenho empresarial histórico.

Geração operacional de caixa, US$ bilhões
2011      2012      2013      2014      2015      2016      2017
33,03     27,04     26,03     26,60     25,90     26,10     27,11

A Petrobrás é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do país e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis. A maioria da população quer que a Petrobrás atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo.
Nossa Associação se solidariza aos consumidores brasileiros e afirma que é perfeitamente compatível ter a Petrobrás forte, a serviço do Brasil e preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos brasileiros.

Por Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

Engenheiros da Petrobras pedem mudanças na política de preços dos combustíveis

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A Procuradoria Jurídica do Confea protocolou na última sexta-feira (18/5), junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de ingresso como Amicus Curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra dispositivos da Lei 12.378/2010 – que regulamenta o exercício da profissão de arquitetos e urbanistas – e da Resolução 51/2013, ambos do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

“No pedido, ressaltamos que um Conselho Profissional não pode definir áreas de atuação privativa de determinado grupo profissional. Para o Confea, os artigos da Lei e da Resolução ofendem os princípios constitucionais da reserva legal e da liberdade do exercício profissionais em detrimento da atividade desenvolvida por profissionais vinculados ao Sistema Confea/Crea e mesmo de outros conselhos profissionais. Esperamos que o STF aceite o nosso pedido para que a Procuradoria Jurídica possa se manifestar democraticamente no processo”, defende o presidente do Confea, eng. civ. Joel Krüger.

Para o procurador do Confea, Igor Tadeu Garcia, a intervenção na ADI tem como finalidade reafirmar as atribuições constitucionais e legais dos profissionais do Sistema. Segundo ele, a Lei 12.378/2010 e a Resolução 51/2013, do CAU/BR, “não resistem em muitos pontos ao filtro da Constituição de 1988, merecendo naquilo que contrariam o texto constitucional e as disposições da Lei 5.194/1966 ser expressamente invalidadas pela Corte Constitucional”. O procurador afirma ainda que será feito amplo trabalho técnico-jurídico para subsidiar o STF na tomada de decisão. “Vamos acompanhar o processo e tomar todas as medidas necessárias para que as prerrogativas profissionais dos jurisdicionados ao Sistema Confea/Crea sejam preservadas”, garante o procurador jurídico.

Equipe de Comunicação do Confea

Confea defende atribuições profissionais no STF

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Na segunda-feira (7/5), os engenheiros da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD) entraram em greve. Os servidores estão com os salários atrasados desde janeiro deste ano. “O movimento de greve já está no segundo dia, com adesão de 90% dos servidores que reivindicam o pagamento dos salários atrasados e a exoneração da atual diretoria da empresa”, afirmou o engenheiro e diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Rondônia (Senge-RO), Cezar de Oliveira. O 13º salário, que deveria ter sido pago em dezembro, foi depositado em abril apenas.

De acordo com Cezar, a população não será prejudicada. “Os serviços essenciais como captação, tratamento e distribuição da água continuam funcionando normalmente em todo o estado. O Senge-RO tem participado ativamente do movimento grevista, ao lado do Sindur, em defesa da dignidade e da valorização dos profissionais da engenharia. Esta também é uma luta pelo respeito à população de Rondônia, que tem direito à água de qualidade e a esgotamento sanitário", destacou.

A greve segue por tempo indeterminado e os servidores estão mobilizados na sede da Caerd.

Texto: Camila Marins

Foto: Reprodução

Com salários atrasados, engenheiros da Caerd entram em greve

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Termina nesta terça-feira (24) a consulta pública sobre o Projeto de Lei 9818/2018, do deputado Ricardo Izar (PP/SP), que impede que apenas os arquitetos ligados ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) possam desempenhar atividades que sempre foram desempenhadas também por várias outras profissões, entre elas Geógrafos, Topógrafos, Engenheiros Agrimensores, Antropólogos, Museólogos, Arqueólogos, Restauradores, Engenheiros de Tráfego, Biólogos, Agrônomos e Engenheiros Florestais.

O PL 9818 questiona a Resolução 51 do CAU, que especifica as atividades, atribuições e campos de atuação privativos dos arquitetos e urbanistas. O deputado Ricardo Izar, autor do Projeto, cita alguns pontos importantes da Resolução 51. Seguindo a Resolução:

- Geógrafos, Topógrafos e Engenheiros Agrimensores ficam proibidos de realizar parcelamento do solo mediante loteamento, projetos urbanísticos e projetos urbanísticos para fins de regularização fundiária. Pela resolução, apenas arquitetos poderiam realizar tais atividades.

- Antropólogos, Museólogos, Arqueólogos e Conservadores-Restauradores ficam impedidos de realizar as atividades de restauração, inventário e vistoria. Segundo a Resolução 51, até sítios de valor arqueológico e paleontológico ficam sob responsabilidade exclusiva dos arquitetos.

- Engenheiros de Tráfego não poderão atuar na área de sua especialização. Projeto de sistema viário torna-se uma atividade exclusiva de arquitetos.

- Biólogos, Agrônomos, Engenheiros Florestais e outras profissões ficam proibidas de atuar em atividades de Paisagismo, que seriam atividades privativas dos profissionais da arquitetura.

- Coordenadores de curso de Arquitetura e Urbanismo e professores de História da Arquitetura, do Urbanismo e de Paisagismo devem necessariamente possuir graduação em Arquitetura.

Segundo a justificativa do PL 9818, os parágrafos 1º e 2º do art. 3º da Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010, que instituiu o CAU, estão em desacordo com a Constituição Federal, Princípio da Reserva Legal e Princípio da Liberdade do Exercício Profissional, uma vez que limitam a atuação de outros profissionais e extrapolam a legislação ao criar somente para os arquitetos atribuições profissionais não garantidas por lei.

PL 9.818/2018
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PDC 901/2018
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Com informações do Crea-ES

Termina, hoje, consulta pública sobre atribuições de engenheiros

 

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O sonho do então estudante Alisson Oliveira, 31 anos, era seguir a carreira científica. Chegou a cursar Física na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, mas as dificuldades enfrentadas por um pesquisador o desiludiram. Decidiu, então, fazer Engenharia Civil. Em 2009, entrou na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em 2013, se formou e já saiu empregado.

Escolheu Engenharia porque, naquele momento, ninguém ficava desempregado. Com vagas à disposição, os salários eram altíssimos.
Só que vieram as crises. A política, a econômica e a da própria Engenharia Civil. No fim de 2014, Alisson foi demitido. De lá para cá, nunca mais conseguiu trabalhar na área. Hoje, é motorista de Uber e trabalha de madrugada para conseguir receber aproximadamente um terço do salário de quatro anos atrás.

“Já larguei a área. Estou estudando para concurso e, se der certo vou sair do Brasil”, diz, categórico. Alisson, que trabalhou numa empresa terceirizada que participou da construção da Arena Fonte Nova, vai fazer provas para Petrobras e para o cargo de investigador da Polícia Civil neste domingo (22).
Alisson não está sozinho. Como ele, milhares de engenheiros civis – de recém-formados aos antigos na profissão – passam por uma situação dramática. Depois que o setor vivenciou um crescimento fora do comum entre 2008 e 2014, vieram os altos índices de desemprego e de empresas sendo fechadas.

Só em 2015, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge) homologou 600 demissões no estado. Em 2016, foram 500. Em 2017, o número caiu para 300 – não porque a situação melhorou; mas porque a construção civil já extinguiu tantos cargos e demitiu tanta gente que já não há mais por onde cortar. Uma coisa é certa: os demitidos nos anos anteriores não foram contratados novamente.

E isso é só relacionado aos que passam pelo sindicato, porque, como explica o presidente do Senge, Ubiratan Félix, muitas empresas não fazem isso. “Esse ano está mais tranquilo porque não tem mais quem seja demitido. Houve uma situação muito forte nos últimos tempos de quem ia homologar e não recebia nada porque a empresa entrou em recuperação judicial. O sindicato está acompanhando profissionais desempregados, que estão tendo uma situação difícil de ter até que retirar filho da escola”, diz ele, que também é professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

Crise nacional
Não há como dissociar a crise na engenharia civil com a crise no país. Como explica o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-BA), Luiz Edmundo Campos, a situação econômica nacional em 2008 – de crescimento e mais empregos sendo oferecidos – fez com que salários aumentassem. Assim, as pessoas começaram a melhorar de vida. Muita gente comprou carro, apartamento e a engenharia civil ia de vento em popa.
Basicamente, dava para usar uma regra e, a partir dela, compreender como estava o Brasil. O coordenador de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, diz que o campo é um ‘termômetro da economia’. “E oscila em detrimento das ações públicas de nossos governantes, fomentado pelas grandes empresas do mercado imobiliário e de serviços”.

Naquele momento, era como se o termômetro indicasse que o Brasil tinha a saúde de um jovem atleta da Seleção Brasileira de Vôlei, de Futebol ou de Natação. Nenhum sinal de febre – o que provocou o aumento do interesse pela Engenharia Civil. O que acontece é que um estudante da área passa pelo menos cinco anos na faculdade.

Ou seja – quem entrou em 2008 esperando encontrar um campo pulsante saiu somente em 2013. Aqueles que começaram em 2009 saíram em 2014 já no estopim da crise econômica do país – e isso seguiu com os que fizeram vestibular em 2010, 2011 e 2012.

Em 2008, 625 novos engenheiros civis pediram registro no Crea. Entre 2009 e 2012, o número continuou oscilando entre 500 e 600. É a partir de 2013 que as coisas começam a se inverter: só naquele ano, o mercado ganhou 739 novos engenheiros civis. Em 2017, em plena crise, 1.581 engenheiros saíam da faculdade – praticamente o triplo da quantidade que chegava ao mercado nos anos de maior crescimento da construção.

Esses profissionais foram atraídos pelo salário – o piso nacional é de oito salários mínimos e meio – e pela possibilidade de crescimento. Naquele momento, segundo o presidente do Senge, Ubiratan Félix, o mais comum era que as empresas pagassem bem mais que o piso. Dava até para escolher quem dava mais pelo serviço. Agora, até o piso é raro.

Insustentável
O crescimento foi tão grande que dava para imaginar que aquilo não seria sustentável a longo prazo, para alguns especialistas. Em poucos meses, bairros inteiros nasciam praticamente do nada – como o que aconteceu em pontos da Avenida Paralela. E isso só no que tange ao desenvolvimento imobiliário, que é o mais perceptível para a população. No entanto, a infraestrutura pesada também nunca crescera tanto.

Pelas faculdades, passaram milhares de estudantes que, na avaliação do coordenador, muitas vezes nem tinham afinidade com a área. Os números gigantescos, no fim, eram um indicativo de que algo daria errado. O pior, na verdade, ainda estaria por vir. Para o professor, a própria profissão de engenheiro civil passa por um momento muito delicado – a ética do campo foi colocada em debate.

Pouco tempo atrás, ele chegou a participar de um evento em uma escola, onde apresentou a Engenharia Civil para estudantes do 3º ano. A surpresa veio logo na primeira pergunta de um aluno. “Existe uma cultura de corrupção na profissão de engenharia civil?”, lembra Ferreira. Otimista, tentou explicar para os jovens que a corrupção não está associada a uma profissão específica, mas às pessoas.

Fechamento de empresas
Durante os anos de ouro, a maior parte do mercado local – inclusive construtoras – era subcontratada e empregada por duas ou três grandes empresas baianas. Isso podia acontecer de forma direta ou indireta. “Não tinha como não ter uma repercussão direta nessas empresas”, diz, referindo-se ao cenário atual.

Só para dar uma ideia, de acordo com a Junta Comercial da Bahia (Juceb), em 2008, existiam 1.473 empresas de engenharia civil ativas no estado. O número inclui construtoras, empresas de obras de impermeabilização; serviço de pintura; empresas que trabalham com edificações; empresas que vendem e arrendam máquinas e equipamentos; e empresas que fazem consultorias e projetos da área.

Naquele ano, 266 corporações foram abertas e 47 foram fechadas. Em 2017, a proporção entre novas empresas e aquelas que fecharam as portas passou de 17% para 42% - 354 abertas e 149 fechadas, além de 3.477 ativas. Só este ano, até o dia 11 deste mês, 91 empresas abriram e 55 fecharam – uma proporção de 60,43%.

Hoje, é como se os postos de trabalho tivessem regredido a uma situação um pouco pior do que antes de 2008. Naquele ano, toda a construção civil empregava 133 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados do Sinduscon. Em janeiro de 2018, 118 mil pessoas estavam na mesma condição.

Isso não seria tão grave, como explica o presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, se o setor não tivesse conhecido um cenário quase duplicado – em 2013, o número de empregados com carteira assinada batia em 230 mil. Era uma novidade para um campo que, por muito tempo, levava engenheiros a trabalhar no mercado financeiro e até a fazer concursos para auditores fiscais.

E, embora aqui, a crise esteja personificada pelos engenheiros, ela afeta toda a cadeia produtiva de forma geral. Começa com os corretores de imóveis, passa pelos cartórios de imóveis e depois chega aos responsáveis pelos projetos – arquitetos e projetistas. Durante a construção em si, é a vez dos engenheiros e dos operários. Por fim, há a indústria de mobiliário, a publicidade e até os veículos de comunicação – que dependem do mercado imobiliário para a propaganda.

“Nosso ciclo é muito grande. É de cinco anos pelo menos – entre a compra do terreno e o fim de uma obra. As obras só vieram sentir em 2014”, explica Passos. Coincidentemente ou não, o tempo é o mesmo da formação de novos engenheiros.


Jovens engenheiros se deparam com mercado sem contratações
Foram cinco anos até que, finalmente, viesse a formatura, em julho de 2017. No currículo, qualificações importantes: graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, uma das mais renomadas do país, e estágio na construtora Even. Mesmo assim, desde que recebeu o diploma, a engenheira civil baiana Giulia Ghirardi, 23 anos, não conseguiu um emprego.

Ainda em julho, voltou para Salvador. Queria ficar perto da família. Desde então, já fez concursos e distribuiu dezenas de currículos pela cidade. Tentou de pequenas a grandes empresas – mesmo assim, não adiantou. “Quando você não tem quem lhe indique, é muito mais difícil. E eu não tenho ninguém influente na minha família, nem que trabalhe na área atualmente”.

Giulia escolheu a carreira às cegas, porque sabia que gostava de Exatas. Chegou a flertar com a Arquitetura, mas, no fim, decidiu pela Engenharia Civil. Fez vestibular em 2011, mas não foi aprovada na Universidade Federal da Bahia (Ufba). No semestre seguinte, contudo, tentou a vaga na Mackenzie e conseguiu. Como a família do pai é de São Paulo e seu avô tinha sido formado por aquela instituição, pareceu quase um caminho natural.

As mensalidades custavam, em média, R$ 2 mil e, para economizar, morou com uma tia durante boa parte do curso. Quando começou o estágio, conseguiu alugar um apartamento por R$ 1,4 mil. Para ela, não há dúvidas de que o cenário é diferente de quando entrou na faculdade.

Mesmo os colegas que ficaram em São Paulo não têm conseguido trabalhar. Os que estão, de alguma forma, inseridos no mercado de trabalho, não estão fazendo aquilo que querem.

Hoje, Giulia é aluna do mestrado em Gestão e Tecnologia Industrial do Senai-Cimatec. Ela espera que, com isso, possa se destacar mais entre os milhares de engenheiros na mesma situação. “Foi um investimento (financeiro) grandíssimo, que não gosto nem de lembrar. Atualmente, meus pais me ajudam e tenho uma reserva de quando ainda estava trabalhando”. No fundo, ela tem uma certeza que a tranquiliza: a Engenharia Civil é fundamental para o desenvolvimento. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, as obras voltam.

Tecnologia
Isso também é o que a professora Tatiana Dumet, diretora da Escola Politécnica da Ufba, defende. Segundo ela, o Brasil ainda tem ‘falta’ de engenheiros. “A gente forma 40 mil engenheiros por ano e deveria estar formando 60 mil para atender as demandas de tecnologia. Mas não quer dizer que vai ter emprego para todo mundo”, reforça.

Uma nova cultura que a Politécnica tem tentado implementar é justamente de criar uma cultura de inovação entre os estudantes – ou seja, que se tornem seus próprios empregadores. A ideia é que, com isso, os jovens saiam desses dois horizontes – de ser funcionário público ou de trabalhar para grandes empresas.

“Existem ciclos na Engenharia, sem sombra de dúvidas. Eu formei em 1988 e já passei por dois ou três”, conta. A realidade atual parece ser a de um ciclo de baixa. Na própria Politénica, os estudantes têm postergado a formatura um ou dois semestres para tentar conseguir o estágio. “Eles estão realmente preocupados e houve uma diminuição de oferta de estágio. Antes, a gente recebia quase que diariamente pedido de indicação”.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Ubiratan Félix, durante o boom da construção civil, não era incomum que estagiários recebessem uma bolsa de R$ 1,8 mil. “Os alunos escolhiam. Não é a realidade de hoje, que tem uma super oferta de estudantes e até estágio de graça está difícil”.

Nos últimos vestibulares, a concorrência para Engenharia Civil caiu – o que reflete o interesse dos atuais estudantes de Ensino Médio na área. No auge, na Escola Politécnica, Engenharia Civil chegou a ter 15 candidatos por vaga. Hoje, fica em torno de 6 ou 7.

Mesmo assim, tem gente que não desanima. Apesar de saber de toda a situação do país e de recessão no campo, o estudante Thiago Bozzo, 19, não desistiu da Engenharia Civil. Hoje ele está no 2º semestre do curso e ocupa o cargo de gerente de venda na empresa júnior do curso, a Engetop.
Para Thiago, porém, o futuro ainda é uma incógnita. Na empresa júnior, descobriu que gosta também de gerenciar. Assim, consegue se ver também nessa função. “Tenho, sim, vontade de passar por obra e por construtoras, mas também de ter um futuro no meio empresarial, de negócios. São coisas que me identifico”.

O coordenador do curso de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, explica que as habilidades de um profissional da área costumam mesmo ser bem vistas no setor empresarial. Ele cita a facilidade de raciocínio rápido, visão espacial e grande potencial de poder de decisão.

“As Engenharias têm uma vasta atuação no mercado de trabalho no Brasil e não se limitam apenas a trabalhos específicos de projetos e construções. Então, mostramos aos futuros profissionais as possibilidades de atuação para que possam utilizar as habilidades adquiridas”.

A ansiedade e o medo nos jovens são compreensíveis. Apesar disso, o engenheiro elétrico e professor da Faculdade Área 1 Wyden Raimundo Menezes diz que ainda vale a pena investir no setor. Para o professor, esses profissionais serão requisitados pelo mercado no futuro.

Mesmo na Engenharia Civil, uma saída é investir nos nichos de constrição. “Um deles é o de apartamentos quarto e sala e outro é o mercado de alto luxo, com apartamentos de R$ 3, 4 milhões que as empresas conseguem vender. Mesmo na crise, existem esses nichos”.

Nem tudo é crise: em algumas engenharias, há vagas e oportunidades
De fato, a crise não é só na Engenharia Civil. A situação não tem sido fácil na Engenharia Elétrica, na Mecânica... Para o professor Frederico Andrade, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Unijorge, uma das áreas que mais sofreu foi a Engenharia de Petróleo e Gás. “O efeito (da crise) sobre a Petrobras e toda a cadeia do petróleo acabou afetando muito”, cita.

No entanto, ele diz que a indústria tem conseguido criar outras alternativas – como a exportação, que é uma das saídas da indústria automotiva brasileira hoje. “Por isso, na Engenharia Mecânica, você tem uma certa retomada um pouco mais rápida do que em outras áreas. A construção civil, por exemplo, depende dessa capacidade de renda do mercado interno e as obras de infraestrutura dependem da capacidade do governo de investir”.

Mas existe algum campo onde há vagas? Para a engenheira elétrica Tainá Andrade, professora e coordenadora dos cursos de Engenharia da Faculdade Ruy Barbosa, o ‘engenheiro consultor’ será uma função cada vez mais comum, já que os empregos com carteira assinada estão mais limitados.

Ela cita os profissionais que fazem estudos.

O que tem despontado na Engenharia, nos últimos anos, são as fábricas inteligentes, a internet das coisas e a indústria 4.0. Todas são opções de carreira. Segundo Tainá, em alguns estados, cursos de engenharia voltados à indústria 4.0 já estão sendo pensados. “Não vai ser só construir prédios residenciais, mas pensar em toda uma estrutura diferente”.

Além disso, entre as carreiras promissoras, ela destaca a de Engenharia de Produção – mais ‘versátil’, o profissional da área pode trabalhar em diferentes ramos. “É possível trabalhar com Engenharia Elétrica, Química, de Produção Civil, Engenharia Ambiental. Na grade, também tem aulas de automação, robótica, qualidade, eletricidade”, exemplifica.

Por Thais Borges - Rede Bahia/Correio 24 horas

FOTO: AKIRA ONUMA / ASCOM SUSIPE

Em crise, engenheiros desempregados viram até motoristas de Uber

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“Precisamos de engenheiros trabalhando em questões referentes ao desenvolvimento sustentável, pois são problemas sistêmicos que precisam de um novo desenho para serem superados”, disse o economista norte-americano Jeffrey Sachs, em palestra realizada no ano passado, no auditório da FAPESP.

Para o renomado professor da Columbia University, no caminho do desenvolvimento sustentável, o mundo também precisa de cinco grandes transformações e é só com o auxílio de universidades e de centros de pesquisa que elas poderão se tornar realidade.

As cinco grandes transformações são: descarbonização da energia; uso sustentável do solo; desenvolvimento de cidades sustentáveis; instituição de serviços públicos de qualidade (saúde e educação); e a criação de institutos de pesquisa que auxiliem nessa transformação geral da sociedade.

“Sem a ciência, não saberíamos o que está acontecendo conosco. Mas é preciso fazer uma distinção entre ciência básica e ciência aplicada. Por isso, precisamos de engenheiros. São eles que desenvolvem coisas, sejam tecnologias, ferramentas, softwares, hardwares, ideias ou máquinas. Parte do que precisamos agora são engenheiros que possam desenhar um novo sistema de baixo carbono, de energia, de água”, disse.

“Precisamos ter uma visão dos desafios do desenvolvimento sustentável não só como atividade que mereça o tratamento de mercado, mas também como atividade de bem público, que precisa de governos, da filantropia e que imponha taxas maiores a empresas e pessoas ricas, para que seja possível pagar pela agricultura sustentável ou pelos sistemas de energia sustentável, por exemplo”, disse.

As universidades seriam os locais ideais para que essas transformações se tornem realidade. “Elas são ótimos lugares para fazer esse progresso. O problema é que geralmente as universidades não são organizadas por problemas sociais, mas por disciplinas. Isso é bom, pois parte do sucesso das universidades se baseia nessa divisão, mas também é preciso que pessoas de diferentes áreas trabalhem juntas em equipes multidisciplinares”, disse.

Sachs destaca que as universidades precisam pensar em novas formas de envolver os estudantes não apenas em aulas ou disciplinas, mas na solução de problemas de alto nível. “Recomendo, ainda, que uma cidade como São Paulo se aproxime de suas universidades e diga: ‘Olha, precisamos alcançar as metas de desenvolvimento sustentável, que tipo de sistema de transporte, de energia, de uso do solo podemos desenhar? Como resolver a desigualdade entre os bairros?’. E, a partir desse diálogo, fazerem planos”, disse.

Sachs está à frente de discussões sobre liderança em desenvolvimento sustentável há décadas, sendo considerado, inclusive, uma das forças motrizes por trás da criação dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, plano que antecedeu os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (SDGs). “Tínhamos cerca de 300 objetivos que concentramos em 17”, disse.

Além de autor de grandes sucessos editoriais – como O fim da pobreza, publicado em 2005, e A era do desenvolvimento sustentável (2015) –, Sachs tem atuado como assessor especial dos três últimos secretários-gerais da Organização das Nações Unidas (ONU): Kofi Annan, Ban Ki-Moon e o atual António Guterres.

Sachs alerta que o mundo corre o risco da irreversibilidade. “Um exemplo é que estamos perdendo muitas espécies, que não vão voltar como fizeram em Jurassic Park”, disse.

Para ele, dos três pilares que sustentam o desenvolvimento sustentável –econômico, social e ambiental – o ambiental é o mais difícil de ser resolvido. “Porque ele é irreversível e não temos como atingir os outros dois pilares sem ele”, disse.

Gilberto Câmara, membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), comentou que a palestra de Sachs na FAPESP é mais um sinal de um momento importante na história da Fundação.

“O fato de Sachs aceitar o convite para vir aqui e falar ao público de São Paulo, depois de termos conversado na COP em Paris, é marcante e demonstra a importância das atividades da FAPESP e da preocupação em financiar iniciativas para o desenvolvimento sustentável”, disse.

Matéria publicada em 21 de novembro de 2017

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP

(foto: Felipe Maeda / Agência FAPESP)

MEMÓRIA: “Precisamos de engenheiros trabalhando em questões referentes ao desenvolvimento sustentável", afirmou economista norte-americano

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Mais de 85% dos brasileiros constroem e reformam imóveis sem orientação de engenheiros, arquitetos e urbanistas, de acordo com pesquisa promovida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e Instituto DataFolha, em 2015. Com o objetivo de debater essa realidade, engenheiros e arquitetos promoveram a oficina “Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, no dia 17/3, em um auditório lotado, durante o Fórum Social Mundial, realizado em Salvador (BA). Em dezembro de 2008, foi sancionada a lei 11.888, que “assegura o direito das famílias de baixa renda à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social, como parte integrante do direito social à moradia”. Isto não significa trabalho voluntário ou não remunerado dos profissionais. Pelo contrário, de acordo com especialistas, a assistência técnica poderia abrir um mercado de trabalho para engenheiros, arquitetos e urbanistas.

A operacionalidade da legislação é um dos principais gargalos, pois não existem competências federativas definidas. Caberiam aos municípios as seguintes competências: atendimento ao cidadão de forma coletiva e/ou individual; implantação de Escritórios Públicos de Engenharia e Arquitetura; estabelecimento de convênios com instituições públicas, privadas e entidades filantrópicas para atendimento individual e/ou coletivo para a habitação de interesse social e estabelecimento das diretrizes da Política Estadual de Assistência Técnica em consonância com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e com o Plano Municipal. E uma das dificuldades é o financiamento da União para a implementação da lei, que poderia gerar milhares de empregos para engenheiros, arquitetos urbanistas e outras áreas. “Quando começamos o debate pela lei, a proposta era de criação de uma política nacional, nos moldes do SUS [Sistema Único de Saúde]. A instância que irá executar será a prefeitura, com o estado criando mecanismos de apoio e capacitação dos municípios e a disponibilização de recursos federais para a implementação”, destacou o engenheiro, presidente do Senge-BA e vice-presidente da Fisenge, Ubiratan Félix, que lembrou do prédio de quatro andares, que desmoronou em Salvador há alguns dias. “Foi uma tragédia e muitas habitações são autoconstruídas sem a orientação e o acompanhamento por profissionais, colocando a vida e o entorno das pessoas em risco. A engenharia pode contribuir com a construção de moradias seguras, inclusive por meio de um modelo de negócios, que possibilite o acesso a serviços de engenharia para pessoas de baixa renda”, indicou.

É comum ver em comunidades e áreas em vulnerabilidade econômica e social um amplo leque de negócios com escritórios de advocacia, consultórios, academias. E por que não escritórios de engenharia? Esta foi uma das questões levantadas durante a oficina. “Temos uma demanda por projetos de engenharia. As residências populares não são mais térreas, são verticalizadas. Precisamos pensar um modelo de negócio para engenharia popular, que pudesse gerar oportunidades de trabalho para profissionais desempregados e acesso à engenharia para as famílias de baixa renda. Nas décadas de 40 e 50, os engenheiros eram profissionais liberais, ditavam o preço do mercado e atuavam para as classes abastadas. Não dá para o Estado atender a todas as necessidades, é preciso ter um mecanismo para que cidadãos possam contratar serviços de engenharia”, explicou Ubiratan.

A arquiteta e presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA), Gilcinéa Barbosa, comentou que é preciso despertar para vasto campo de trabalho pouco explorado pelos colegas de nossas categorias. “O consumo da arquitetura precisa estar em outras camadas da sociedade, de elites e baixa renda. De quem é a conta? A lei garante, mas não é trabalho voluntário. Quem irá bancar os trabalhadores? Apenas do governo federal? Como implementar e gerar postos de trabalho? Temos um Fundo Nacional, mas precisamos conscientizar de que municípios precisam implementar”, propôs, informando que o CAU nacional tem uma política de destinação de 2% do orçamento para editais exclusivos para oferta de assistência técnica para famílias de baixa renda. Diante de tantos questionamentos sobre os recursos, o engenheiro Ubiratan Félix acredita que algumas saídas podem ser por meio da aprovação de leis municipais de assistência técnica para habitação de interesse social; o reforço da lei por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com destinação de recursos da União em todos os processos (elaboração de projeto, execução e acompanhamento); a implementação de um Sistema Único de Habitação de Interesse Social e a formulação de um modelo de negócios que permita a entrada de escritórios de engenharia nas comunidades. “Onde há crise, há um vasto campo de oportunidades. Em 2018, a lei irá completar 10 anos e, se implementada em todas as esferas, poderá gerar empregos no setor. É importante destacar que apenas o projeto não resolve. Por dificuldades técnicas e financeiras, muitas famílias contratam o projeto, mas não executam de forma segura e fazem o projeto diferente do que foi aprovado, podendo incentivar o acobertamento profissional”, explicou Bira.

Pelo Brasil afora
Um exemplo de projeto de construção de moradia popular é a União Nacional de Moradia Popular (UNMP). De acordo com Marli Carrara, integrante do movimento, estão contratados, hoje, três engenheiros e dois arquitetos, que ganham acima do Salário Mínimo Profissional. “Os recursos vêm do programa ‘Minha Casa Minha Vida Entidades’, destinados às organizações sem fins lucrativos. Nesse momento, no Brasil, temos cerca de 35 mil unidades contratadas ou em execução. Não é um mercado desprezível de construção”, afirmou. Já a estudante de engenharia Jadi Ventim - que também é coordenadora do Bákó, escritório público de engenharia e arquitetura da UFBA – relatou sua experiência na universidade. “Há algum tempo, participei de um debate para estudantes de engenharia e perguntei, em uma sala lotada, quantos já tinham estágio. E apenas dois estavam estagiando e eu disse que era preciso olhar pela janela e ver como as pessoas precisam de engenharia”, pontuou a estudante, que ainda enfatizou: “O foco da engenharia está no lugar errado. Existe oportunidade para trabalho. Às vezes, as pessoas que têm pouco dinheiro olham achando que engenharia e arquitetura não são para elas. Que promovamos assistência de negócios sociais. A juventude está inquieta querendo trabalhar”. Bákó é um escritório de engenharia e arquitetura públicas em parceria com a Universidade Federal da Bahia, que atua, principalmente, em comunidades em situação de vulnerabilidade.

O arquiteto e presidente da Federação Nacional dos Arquitetos (FNA), Cícero Alvarez resgatou o histórico desde a mobilização até a aprovação da lei 11.888, de autoria do arquiteto e deputado federal Zezéu Ribeiro, já falecido. “Esta é uma discussão que fazemos em congressos desde a década de 40. Um dos desafios é fazer com que o imóvel dialogue com a cidade. Não basta apenas a moradia, é preciso formular projetos que tragam melhores condições para as pessoas, com oferta de escolas, postos de saúde, lazer etc”, destacou.
A partir desse contexto histórico, a vice-presidente da FNA, Eleonora Mascia acredita que o trabalho não foi finalizado com a sanção da lei. “A 11.888 nos dá arcabouço legal para implantação, mas não garante os mecanismos. Como vamos trabalhar para a popularização da engenharia e arquitetura? 80% das habitações são de pessoas em faixa de menor renda. Não basta o teto. Queremos viver em boas cidades”, disse Eleonora.

Confira aqui a cartilha "Engenharia e arquitetura públicas" do Senge-BA e do Senge-MG apoiada pela Fisenge

Texto e fotos: Camila Marins (jornalista Fisenge)

Assistência técnica para habitação de interesse social pode abrir mercado de trabalho para engenheiros

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A partir de amanhã (14/3), entidades ligadas à engenharia irão promover atividades no Fórum Social Mundial (FSM), em Salvador (BA). O tema desta edição é "Resistir é criar, resistir é transformar". Ao longo de quatro dias, acontecerão discussões, exibição de filmes, debates e oficinas sobre as conjuntura nacional e internacional, a engenharia, a democracia e a soberania nacional.  De acordo com o vice-presidente da Fisenge e presidente do Senge-BA, o engenheiro Ubiratan Félix, o Fórum é um momento privilegiado para que homens e a mulheres pensem e discutam um outro mundo possível com mais direitos sociais e trabalhistas, mais empregos, mais solidariedade, mais democracia e participação social. “Este outro mundo possível perpassa pelos caminhos da resistência em defesa da engenharia e da soberania nacional. Em sua atividade cotidiana, os engenheiros e as engenheiras constroem um mundo mais humano que permite a todos terem acesso a alimento, à moradia, a lazer e à tecnologia. A engenharia tem um papel social de compromisso com o desenvolvimento”, afirmou.

Diante desta perspectiva social, será realizada uma oficina sobre “Assistência técnica para habitação de interesse social”, uma parceria da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) com a FNA (Federação Nacional de Arquitetos). Uma pesquisa de 2015, realizada pelo DataFolha a pedido do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) -  revelou que 54% dos brasileiros já construíram ou reformaram suas casas e, desse grupo, 85% realizaram obras sem orientação técnica. Os números são alarmantes, mesmo com a lei 11.888/2008, que assegura o direito das famílias de baixa renda à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social, como parte integrante do direito social à moradia. “A maioria absoluta das moradias no Brasil é fruto de autoconstrução, ou seja, as pessoas ocupam ou compram lotes sem infraestrutura e sem projeto aprovado pela municipalidade. A ausência de profissionais de engenharia na elaboração e na execução dos projetos de edificações é resultado da inexistência de uma política de assistência técnica para moradias com foco na população de baixa renda”, explicou Ubiratan. Ele ainda destacou que não existe um mercado voltado para essas famílias. “A falta de uma política de Estado e de mercado tem como consequência a formação de cidades desiguais e a desestruturação física e social”, pontuou.

Cine debate

No dia 16/3, haverá uma sessão do filme "Dedo na Ferida", dirigido pelo cineasta Silvio Tendler. O longa, que é uma parceria entre a Fisenge e o Senge-RJ, traça um paralelo entre análises econômicas de diversos países do mundo e o cotidiano de pessoas afetadas pela desigualdade. “Esta parceria entre arte e movimento sindical sempre aconteceu na produção dos grandes filmes, desde a década de 1930 e a Fisenge e o Senge-RJ recuperam esse encontro entre dois vetores de transformação social”, afirmou Silvio Tendler. A exibição, promovida pelo Senge-BA, Senge-RJ e Fisenge, acontecerá seguida de um debate com Silvio Tendler, das 20h às 22h, na Tenda dos(as) Trabalhadores(as) da CUT (Central Única dos Trabalhadores). O filme também foi vencedor do prêmio de melhor documentário do Festival do Rio.

“Dedo na Ferida” discute o retrocesso ideológico a posições neoconservadoras pautado pelo empobrecimento da classe média, pela falência dos Estados e pelo desemprego. Examina, ainda, de que forma o capitalismo deixou de ser produtivo para se tornar meramente especulativo, motivado pela aposta na geração de dinheiro fácil. O sistema financeiro, que deveria servir ao propósito de levar recursos dos setores superavitários para os deficitários interessados em investir em produção, abandonou o papel de “atravessador” e se assumiu como fim principal das transações econômicas. Os governos nacionais perdem autonomia e passam a lutar contra massas de capital que circulam livremente pelo globo. Grécia, Espanha, Portugal, Brasil e tantas outras nações veem seus destinos definidos pelos interesses da esfera financeira. São grandes corporações, que, por vezes, detém orçamentos mais robustos do que o de alguns Estados, atuam como um “governo sombra”, guiando políticas públicas que favorecem à maximização de seus lucros.

Entre os depoimentos da obra estão os de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP), entre outros pensadores que interferem no mundo contemporâneo.

SOS Brasil Soberano

Entre os dias 14 e 16/3, a sede do Senge-BA irá receber atividades da Escola Latinoamericana de História e Política. Os intelectuais Breno Altman e Valter Pomar debaterão os temas "O imperialismo estadunidente"; "O marxismo na América Latina" e "Balanço da experiência política da esquerda latino-americana". Também acontecerá o pré-lançamento do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), no dia 16/3, na tenda da CUT. No mesmo dia, haverá o Seminário Internacional da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia.

As atividades são promovidas pela Fisenge, pelo Senge-BA, pelo Senge-RJ e movimentos sociais. Todos os debates serão transmistidos ao vivo pela página da Fisenge: www.facebook.com/federacaofisenge

Confira a programação completa

14 de março

14h às 16h – “O imperialismo estadunidense”, com Breno Altman, na sede do Senge-BA

15h às 17h – Lançamento do livro “A enciclopédia do Golpe”, na tenda da CUT

 

15 de março

9h às 13h – Oficina do Núcleo Piratininga de Comunicação, sala 213 do PAF 1

14h às 16h – “O marxismo na América Latina”, com Valter Pomar, sede do Senge-BA

16 de março

14h às 16h – “Balanço da experiência política da esquerda latino-americana”, com Valter Pomar, na sede do Senge-BA

15h30 às 18h30 – Seminário internacional da Plataforma Operária e Camponesa pela Água e Energia, na tenda da CUT

18h30 às 20h – Pré-lançamento do FAMA, na tenda da CUT

20h às 22h – Cine Debate com o filme “Dedo na Ferida”, com Silvio Tendler, na tenda da CUT

 

17 de março

9 às 11h – Oficina de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, na tenda da CUT

 

Por Camila Marins

Engenheiros participam do Fórum Social Mundial

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O pré-lançamento do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA 2018) está na programação do Fórum Social Mundial, que acontece em Salvador entre os dias 13 e 17 de março. A atividade acontece no dia 16, das 18h30 às 20h na Tenda da Central Única dos Trabalhadores – CUT, no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia.

Participarão representações da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA), Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto no Estado da Bahia (Sindae), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), além de movimentos sociais como Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) entre outras entidades.

O FAMA é um evento internacional que será sediado em Brasília entre 17 e 22 de março, como contraponto Fórum Mundial da Água – o “fórum das corporações”, calcado na lógica da privatização dos recursos hídricos, que acontece na cidade no mesmo período. O FAMA irá reunir organizações e movimentos sociais que lutam em defesa da água como direito fundamental e trará temas centrais como defesa pública e controle social das fontes de água, o acesso democrático à água, a luta contra as privatizações dos mananciais, as barragens e em defesa dos povos atingidos.

SERVIÇO

O QUÊ: Pré-lançamento do FAMA 2018

DIA: 16 de março (sexta-feira)

HORÁRIO: 18h30 às 20h

ONDE: Tenda dos Trabalhadores da CUT (Campus de Ondina/UFBA)

Fonte: Carolina Guimarães

FAMA 2018 terá pré-lançamento durante o Fórum Social Mundial em Salvador

 

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