"Curitiba arma circo onde população pode discutir Constituinte". Este foi o título da notícia veiculada em março de 1987, no Jornal do Brasil. Com o objetivo de fazer um paralelo histórico e unir passado, presente e futuro, mais de 90 entidades lançaram, no dia 11/7, o “Circo da Democracia”, em Curitiba (PR). A ocupação da praça Santos Andrade, em frente à Universidade Federal do Paraná, acontecerá entre os dias 5 e 15 de agosto.

De acordo com o diretor da Fisenge e do Senge-PR, o engenheiro Valter Fanini, o evento tem o objetivo de animar o debate sobre a democracia diante do golpe midiático, jurídico e parlamentar instalado no Brasil com o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Há um conjunto de propostas no Congresso Nacional que ameaçam conquistas históricas dos trabalhadores. O ‘Circo da Democracia’ tem a finalidade de fortalecer as forças do campo da esquerda para além do golpe, em defesa da democracia e dos direitos”, afirmou Fanini.

O “Circo da Democracia”, instalado em Curitiba, representa uma importante carga simbólica histórica e tem a intenção de construir um dos maiores fóruns públicos do país sobre democracia, educação, política, justiça, arte e cultura, economia e comunicação. “Qual a nossa força? A causa justa e a reação permanente para todos os trabalhadores e a sociedade. Nessa apropriação do discurso da crise, os engenheiros, por exemplo, têm sofrido com o alto desemprego e com o descumprimento do Salário Mínimo Profissional”, pontuou Fanini.

O advogado e integrante do movimento “Advogados pela Democracia”, Eduardo Faria Silva destaca que o período da ocupação da praça acontecerá durante os Jogos Olímpicos. “A palavra circo remete a conotações diferentes e também expressa as fortalezas e as fragilidades do nosso país. O debate sobre democracia é importante nesse momento, pois não basta dizer que os males acabaram com a chegada dos Jogos. Precisamos problematizar e aprofundar as questões sociais pelas quais atravessamos”, explicou Eduardo frisando a importância da articulação dos movimentos e entidades para fortalecer o campo social progressista e de esquerda. Já estão confirmados na programação, o político brasileiro e ex-ministro, Ciro Gomes e o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

Saiba mais sobre o Circo da Democracia:
http://www.circodademocracia.com.br/
https://www.facebook.com/Circo-da-Democracia

Em Curitiba, entidades organizam “Circo da Democracia”

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O Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas lançou hoje (6) a campanha Se é público é para todos, na Fundição Progresso, no centro do Rio. O lançamento reuniu intelectuais, sindicalistas, representantes de movimentos sociais, de partidos políticos e da sociedade civil.

Junto com o lançamento da campanha, o comitê organizou duas mesas de debates sobre o tema, que tiveram a participação do ex-diretor da Petrobras Guilherme Estrella, da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), da filósofa Márcia Tiburi, do professor de direito tributário da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Ricardo Lodi e do cientista político Emir Sader.

A coordenadora do comitê, Maria Rita Serrano, disse que a intenção da campanha é integrar diversos setores e representantes de entidades de classe na manutenção das empresas públicas. Para isso, o grupo quer levar a campanha a outros estados, com debates e divulgação.

Estatuto das estatais

Para Maria Rita, uma das principais preocupações do comitê é a tramitação na Câmara do Projeto de Lei 4918/2016, conhecido como Estatuto das Estatais, que dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no governo federal, nos estados, no Distrito Federal e nos municípios.


“O PL sugere a abertura de capital das empresas, muda a composição acionária, cria uma série de discriminações a pessoas oriundas do movimento sindical, do movimento político, para assumir cargos de direção, amarra as empresas em uma série de questões, dificultando inclusive a concorrência das empresas públicas com as empresas privadas”, criticou. O comitê está organizando
uma série de mobilizações para tentar impedir a aprovação do projeto na Câmara.

Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e integrante da coordenação executiva do comitê, Jair Pedro Ferreira, se o Estatuto das Estatais for aprovado vai atingir principalmente as empresas públicas menores, instaladas nos municípios.

“Petrobras e Banco do Brasil já têm [conselhos de administração] até porque têm ações em bolsas. Quando digo as [empresas] municipais, se pega uma empresa da prefeitura de uma cidade do interior e botar lá conselho de administração e toda aquela parafernália que se exige de uma grande empresa, acaba inviabilizando essa empresa, porque o custo dela aumenta demais”, analisou.

Na avaliação do sindicalista, a adoção de um programa de governança nem sempre garante correção do problema de má gestão. “Essas regras não necessariamente resolvem problemas quando alguém quer roubar ou quando alguém quer desviar. As empresas públicas devem ter o seu papel respeitado.”

Para o professor Ricardo Lodi, a sociedade brasileira tem dois caminhos: lamentar e “ficar chorando o leite derramado” ou se levantar para defender os interesses dos trabalhadores, o que pode ser feito com a mobilização do movimento social.

“A gente está perdendo a luta da discussão. Eventos como estes são fundamentais para recolocar a discussão onde ela deve estar, ou seja, qual é o papel do Estado? Para quem o Estado funciona? Há uma dicotomia entre o Estado e o mercado que é falsa. Na verdade, hoje o mercado se utiliza do Estado para seus fins e a sociedade assiste calada a essa movimentação.”

Redes Sociais

No mesmo sentido, a filósofa Márcia Tiburi apontou a necessidade de ampliar a discussão sobre o papel do Estado até nas redes sociais. “A gente tem que ir para o Facebook, para o Twitter, conversar entre nós, mas expandir essa conversa na direção de compreender e interromper os processos publicitários sempre tão bem-feitos e ocupados pela direita. Gostaria que repensassem a ordem pública, não como uma coisa que está pronta, dada e que ficou declarada em um tipo de Estado convencional, mas como um processo de construção que a gente tem que reabilitar todos os dias.”

A deputada Jandira Feghali chamou atenção para o desequilíbrio de forças dentro do Congresso Nacional para a agenda defendida pelos partidos de esquerda e em discussões como os estatutos do Desarmamento e da Família, privatizações e terceirização da mão de obra. “Não está fácil porque não temos maioria no plenário. Estamos discutindo esta semana a liderança da minoria, que é o que nós somos hoje lá, minoria. Temos 99, 100 votos de 513. É muita luta para fazer”, disse.

“Precisamos fazer com que o governo avance numa agenda de tributação progressiva, que os ricos paguem impostos, precisamos avançar em uma política de comunicação democrática, numa política de desenvolvimento fortalecendo instrumentos públicos, estatais que nós temos, de políticas de direitos humanos e civis”, completou. Durante os debates, diversas vezes a plateia se manifestou contra o presidente em exercício, Michel Temer, com coros de “Fora Temer”.

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil 

Edição: Luana Lourenço
Foto: Thomaz Silva

Em ato em defesa de estatais, ativistas pedem manutenção de empresas públicas

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Terça, 26 Abril 2016 10:27

Veta, Dilma! O Pré-Sal É Nosso!

A campanha pelo ‪#‎vetadilma‬ já começou. Participaram da plenária, convocada pela Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, o senador Lindbergh (PT-RJ) e o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), além de representações dos gabinetes do senador Requião (PMDB-PR) e deputado estadual Flávio Serafim (Psol-RJ).

Também presente um representante do Diretório Nacional do PDT, da corrente brizolista. Inúmeros movimentos sociais prestigiaram o evento, dentre os quais representantes da Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, MST, MTST, Consulta Popular, Famerj, inúmeros movimentos pela moradia, como Fist, Fust e outros, movimentos da Auditoria Cidadã da Dívida, Auditoria Social, várias associações comunitárias e ocupações urbanas, sindicalistas, acadêmicos, estudantes (UEE), Fórum 21, movimentos de caráter nacionalista, de mulheres, LGBT, etc.

Foi aprovada uma pauta de lutas ampla, que será divulgada em breve. Na quinta, 3 de março, haverá uma reunião do operativo para definir datas. Esse coletivo vai se inserir na agenda comum da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo. Foi indicado que o #vetadilma, o Pré-Sal é do Brasil e dos brasileiros, deverá se inserir entre as bandeiras das principais lutas em andamento. Espera-se contar com a presença das duas federações de petroleiros, FNP e FUP, na reunião do operativo.

 Fonte: Agência Petroleira de Notícias

Veta, Dilma! O Pré-Sal É Nosso!

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Demissões, paralisações de obras, diminuição dos salários e precarização das condições de trabalho. Essas são algumas das situações pelas quais a engenharia nacional está passando. Em recente matéria publicada no dia 22/3, no site da revista Exame, intitulada “E agora, engenheiros, seguir na área ou migrar?”, o texto aponta sérias problemáticas. Há trechos preocupantes que afirmam a prática da exploração e precarização do trabalho como forma de superação da crise: “Aceitar remunerações mais baixas ou buscar aprimoramento técnico são algumas das saídas apontadas pela gerente da Robert Half para engenheiros que querem seguir na área”.

A engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, acredita que as empresas usam esse discurso para não cumprir o Salário Mínimo Profissional (SMP) e retirar mais direitos dos trabalhadores. “Induzir à aceitação de baixas remunerações me parece um artifício para além do não cumprimento do SMP. O setor empresarial quer promover uma ampla retirada de direitos da classe trabalhadora”, disse Simone.

Dados do Caged (Ministério do Trabalho e Emprego) apontam o total de 53.770 engenheiros desligados em todo o ano de 2015. Além da perda de postos de trabalho, este cenário influencia diretamente na qualidade das condições de trabalho. “Historicamente, nosso país foi construído a partir da lógica de acúmulo de riqueza, e não pela igualdade de direitos. Se queremos falar sobre democracia, precisamos democratizar as relações de trabalho, que são relações sociais”, pontuou Jardel Leal, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O Brasil advém de uma formação colonial agrária com resquícios da escravidão e de ditaduras nas suas relações sociais. “A formação para cidadania é confundida com a formação para o mercado de trabalho. A lógica ainda é de mando, e não estamos formando cidadãos como sujeitos políticos portadores de direitos, oferecendo remuneração digna e respeito às condições de trabalho”, destacou Jardel.

A crise política está promovendo um verdadeiro desmonte da engenharia nacional com a paralisação de obras, rompimento de contratos e demissões em massa. Esta conjuntura abre uma avenida de oportunidades para a entrada de empresas estrangeiras e a precarização das relações de trabalho. No Brasil, os espanhóis e os chineses estão ocupando boa parte do espaço, além de uma defesa das terceirizações capitaneada pela Fiesp e determinados parlamentares. “Em primeiro lugar, é importante frisar que defendemos a apuração e a responsabilização dos casos de corrupção. O que estamos vendo hoje é a apropriação dessa situação para promover uma agenda de retirada de direitos da classe trabalhadora e de perda da soberania nacional”, afirmou o engenheiro civil e sanitarista, Clovis Nascimento, presidente da Fisenge.

Jovens engenheiros e mulheres
Um outro elemento preocupante é a entrada de recém-formados no mercado de trabalho. Isso porque as empresas oferecem remunerações abaixo do Salário Mínimo Profissional e condições de trabalho precarizadas. “Praticamente em todas as modalidades há uma oferta grande de pessoas recém-formadas e uma demanda muito pequena de vagas. E o resultado são pessoas jovens, recém-qualificadas e desempregadas. O próprio mercado pressiona para que os profissionais aceitem remunerações mais baixas em função deste desequilíbrio entre a oferta e demanda. Precisamos defender o cumprimento do SMP, pois nossos salários serão, a cada dia, mais atacados”, disse a engenheira de alimentos e diretora da Fisenge, Silvana Palmeira.

As mulheres, embora maioria da população brasileira, ainda ganham menos que os homens. Segundo os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), homens ainda ganham mais do que as mulheres: em 2014, homens tinham o salário médio de R$ 1.831, enquanto as mulheres ganhavam R$1.288. As mulheres negras têm a menor remuneração, com valor médio salarial de R$ 946, e os homens brancos com maior rendimento, de R$ 2.393 no mesmo ano. De acordo com Simone Baía, o Salário Mínimo Profissional da engenharia é um importante instrumento para equiparação salarial. “Temos um valor que é o piso mínimo estabelecido e, embora muitas empresas insistam em descumprir, nós, mulheres engenheiras, conseguimos entrar no mercado de trabalho com um valor salarial igual. É claro que não encerra com as vulnerabilidades, uma vez que homens ocupam mais espaços de poder e seus salários aumentam mais rápido”, ela explicou.

Direitos trabalhistas
Em uma entrevista viralizada na internet, o atual presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, afirmou: ''Normalmente, não precisa de uma hora de almoço, porque o cara não almoça em uma hora. Nos EUA, nós vemos o cara almoçando com a mão esquerda e trabalhando com a mão direita''. Os empresários defendem amplamente a flexibilização das leis trabalhistas, bem como parlamentares e seus grupos políticos. O documento do PMDB “Ponte para o Futuro” defende, na prática, o Estado mínimo e a ampla retirada de direitos com as reformas trabalhista e da previdência.

A defendida “modernização do Estado” se materializa com a pressão pela aprovação do Projeto de Lei 4330 na Câmara (agora PLS 30 no Senado), que possibilita a terceirização das atividades-fim das empresas. Na prática, uma empresa poderá contratar profissionais terceirizados e promover a chamada “pejotização”, ou seja, a contratação por Pessoa Jurídica, uma relação de trabalho precarizada que não garante direito a férias, FGTS, entre outros benefícios sociais. O senador Paulo Paim, relator do projeto, destaca que está em curso uma agenda de retirada de direitos sociais. “Dados mostram que em cada 100 ações na Justiça do Trabalho, 80 correspondem a terceirizados, que também são maioria nos acidentes e mortes no trabalho. Ainda há o projeto que prevê a prevalência do negociado sob o legislado, que praticamente rasgará a CLT”, explicou Paim.

Segundo estudo elaborado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os trabalhadores terceirizados, que somam cerca de 12,7 milhões de indivíduos (6,8%) do mercado de trabalho, recebiam, em dezembro de 2013, 24,7% a menos do que os que tinham contratos diretos com as empresas. Além disso, tinham uma jornada semanal de três horas a mais e estavam mais suscetíveis a acidentes de trabalho.

Na França, estudantes, ao lado de movimentos sindical e social, vão às ruas contra uma reforma trabalhista promovida pelo governo. As mudanças preveem flexibilização da jornada de trabalho, hoje de 35 horas, e novo contrato para menores de 26 anos que oferece um período de experiência de dois anos. Neste período, patrões podem cancelar o contrato sem oferecer explicações ou aviso, o que irá precarizar a força de trabalho da juventude francesa.

Por outro lado, no Brasil, os bancos prevalecem entre os maiores lucros do país: 6 dos 20 maiores lucros pertencem a eles, de acordo com levantamento da Economática. “Gastamos quase metade de tudo que arrecadamos pagando instituições financeiras privadas”, afirmou a auditora aposentada da Receita Federal e coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli. O senador Paulo Paim alerta que é necessária uma mudança na política econômica. “Hoje, temos uma política que beneficia o sistema financeiro. Precisamos baixar a taxa de juros, fortalecer o mercado interno e promover uma reforma tributária”, completou.

Fonte: Fisenge

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Enquanto a grande mídia brasileira defende o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, mostrando toda sua parcialidade nas coberturas, a imprensa internacional como CNN, The New York Times, The Guardian, El País, The Economist, The Intercept e a revista americana Fortune, condenam a admissão do pedido de abertura de impeachment da presidenta feito na Câmara dos Deputados no último domingo (17).

O golpe, liderado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, junto com o vice-presidente Michel Temer, segue agora para o Senado, que é quem vai dizer se o processo deve ou não ser instaurado. Antes disso, é montada uma comissão com 42 senadores, sendo 21 titulares e 21 suplentes, que terá dez dias para elaborar um parecer. A presidenta só será intimada e afastada caso o Plenário decida que o processo deve ser instaurado.

De acordo com editorial do jornal espanhol El País, a confluência dos interesses de Temer com os de Eduardo Cunha, acusado de possuir contas milionárias na Suíça, deu motivos para o processo ser chamado de golpe. Reitera ainda que a presidenta é a única pessoa que não é acusada de enriquecimento pessoal. Leia aqui o artigo: http://goo.gl/Tn1FC5

Já o The Intercept alerta que os governos de esquerda da América Latina têm sido repetidamente removidos do poder por meios não legais ou democráticos. Além disso, cita que o deputado Eduardo Cunha e o senador Aécio Neves têm denúncias diferentes de envolvimento com escândalo de corrupção. Leia aqui o artigo: https://goo.gl/D2QWhK

O editorial do New York Times diz que o processo é conduzido por políticos acusados de crimes mais graves do que os atribuídos à presidenta Dilma. Leia aqui o editorial: http://goo.gl/0Zb97v

Segundo a CNN, canal a cabo de notícias norte-americano, o impeachment da presidenta Dilma é antidemocrático. Veja aqui a reportagem: http://goo.gl/rMVQEf

O jornal inglês The Guardian fez um editorial duro e assegura que o impedimento de Dilma é uma tragédia e um escândalo. Leia aqui o artigo: http://goo.gl/cUyHTZ

A revista britânica The Economist ironizou numa lista de frases os motivos pelos quais os deputados votaram a favor do impeachment. Leia aqui a matéria: http://goo.gl/dqoHeb

Para a revista americana Fortune, o impeachment deverá significar mais corrupção no Brasil. Leia aqui: http://goo.gl/fzsi5J

Fonte: CUT 

Imprensa internacional repercute momento político no Brasil

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Este é o terceiro texto da série especial produzida pelo Politike e pelo OxPol sobre a crise no Brasil.

Por Daniel Buarque

Nos últimos meses, o Brasil se tornou sinônimo de má notícia na imprensa internacional, embora essa mudança negativa tenha começado pouco antes da eleição presidencial de 2014. Após anos estrelando reportagens elogiosas sobre sua economia finalmente estar “decolando”, conforme a revista britânica The Economist proclamou de maneira exageradamente otimista em 2009, o furor em torno do promissor futuro brasileiro parece ter sido substituído por um profundo ceticismo e pessimismo. Ao que parece, o Brasil passa por um período de caos.

De certa forma, essa é uma conclusão plausível. Em 2016, o Brasil entrou oficialmente em sua mais profunda recessão em mais de duas décadas, um cenário intensificado por uma prolongada crise política que pode resultar no impeachment de Dilma Rousseff. Em um curto período de tempo, alguns fatores ajudaram a desestabilizar o País: 1) o governo foi fortemente atingido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato; 2) o País registrou mais uma vez o maior número de homicídios do mundo; 3) um surto do vírus zika aterrorizou a população, em especial as gestantes; 4) um desastre ambiental de largas proporções ocorreu em Mariana (MG) em decorrência da negligência de autoridades de fiscalização e da Samarco.

Esse quadro indica que nada parece estar dando certo para o Brasil neste momento. A imagem positiva construída pelos sucessos do País em anos recentes (uma imagem que mostrava o Brasil como uma potência emergente com uma economia vibrante que eventualmente se tornaria uma liderança hemisférica) parece ter se desintegrado com a crise.

Em certa medida, essa impressão negativa sobre a atual imagem do Brasil é apoiada em dados. Entretanto, como explicarei mais adiante, uma interpretação diferente pode ser apresentada quando considerado o cenário em logo prazo.

Segundo uma pesquisa recente, a imagem brasileira despencou com base em como a imprensa internacional retrata o País. Em 2015, diz o estudo I See Brazil, da agência Imagem Corporativa, 72% de todas as menções ao Brasil em veículos estrangeiros de comunicação tiveram conotação negativa. Foi o pior resultado do País desde o início da pesquisa, em 2009. Naquele ano, oito em cada dez artigos mencionando o Brasil tinham uma visão positiva sobre o País. Neste contexto, pode-se usar como exemplo as capas da The Economist, que mostraram o Brasil decolando em 2009, seguido pela perda de equilíbrio do País, e, depois de apenas seis anos, o seu aparente atoleiro.

A pesquisa analisou quase 2 mil artigos publicados por nove diferentes veículos internacionais (La Nación, Clarín, Der Spiegel, El País, Financial Times, The Economist, Le Monde, The New York Times e The Wall Street Journal) que citaram o Brasil em 2015. Então, calculou o ‘I See Brazil Index‘, uma pontuação que indica a qualidade da imagem de um país na mídia internacional. O Brasil ganhou uma pontuação de 1,6/10, sendo o máximo possível 10/10. O desempenho foi o pior já registrado pelo País no índice, inferior aos 3,77/10 registrados no ano anterior.

Em março, após mais uma semana de notícias tóxicas no cenário político nacional, o historiador britânico Kenneth Maxwell argumentou ser difícil enxergar algum sinal de melhora para o Brasil em meio a um tsunami de notícias ruins. O Brasil, ele disse, sediará as Olimpíadas do Rio no pior momento de sua imagem internacional.

A afirmação de Maxwell pode ser verdadeira, mas a crise danificou de forma severa a imagem internacional do Brasil? Embora seja possível argumentar que a ‘tempestade perfeita’ enfrentada pelo País destruirá a “marca Brasil”, nem tudo está perdido para a reputação global brasileira. Eis o motivo: a maioria dos debates acadêmicos sobre nation branding (o estudo que avalia as “marcas” dos países no resto do mundo) e identidade nacional competitive (outro nome dado a este tipo de avaliação das imagens dos países) apontam que a reputação global de uma nação é construída por uma gama de conceitos robustos não facilmente afetados por uma onda de notícias — sejam elas positivas ou negativas.

Ainda que a exposição internacional das falhas e dificuldades enfrentadas pelo Brasil seja obviamente negativa em curto prazo, é importante entender que a amplificação deste ambiente tóxico pela mídia não pode, por si só, alterar a complexa imagem internacional de um país, muito menos sua “marca”. Isto é verdadeiro para todos os países do mundo, o que serve de alívio ao Brasil.

De acordo com o consultor britânico Simon Anholt, a referência mais citada em estudos sobre a reputação internacional de países (e criador da expressão “nation branding”), somente um desastre completo com consequências de longo prazo poderiam realmente mudar a percepção global sobre o Brasil.

Neste sentido, é possível argumentar que o Brasil tem uma marca internacional consolidada, mas o que ela representa? Apesar de o Brasil ter se tornado recentemente uma potência emergente “na moda”, sua imagem central continua distante daquela de estabilidade, força econômica e relevância em assuntos globais.

Os estereótipos pelos quais o Brasil é percebido internacionalmente foram estabelecidos na segunda metade do século XX. Eles permanecem os mesmos desde então, independentemente da atenção positiva recebida pelo País da imprensa estrangeira nos últimos anos.

Segundo esta visão há tempos estabelecida, o Brasil é percebido como um país “decorativo”, um lugar festivo habitado por pessoas amigáveis, mas não uma nação admirada ou seguida em áreas como governança ou economia. “Decorativo, mas não útil”, conforme Anholt descreve. Um País de cultura excelente e de diversão, mas não um local para fazer negócios. Essa imagem “consolidada” tende a ser imune a eventos temporais, como as crises econômica e política.

Dados de ao menos três relevantes pesquisas internacionais sugerem que a crise não está alterando profundamente a percepção global sobre o Brasil.

O Nation Brands Index, índice que compila os 50 países mais admirados do mundo, coloca o Brasil como o 20ª nação mais conhecida do planeta. A cultura brasileira, o seu povo e a beleza natural, afirma o estudo, são altamente bem percebidos no exterior. Entretanto, o resultado é bem diferente quando se trata de enxergar o Brasil como um local para negócios ou relevante em política internacional.

O Best Countries Index traça um quadro similar ao argumentar que o Brasil não é ideal para se viver, mas ainda assim é uma boa opção de lazer. Uma terceira pesquisa sobre a imagem e reputação dos países, realizada pela FutureBrand, mostra que mesmo que enfrentando uma intensa crise, o Brazil mantém a melhor “marca” da América Latina – apesar de sua imagem ser fortemente associada a clichês como futebol, samba, praias e café.

Atualizados anualmente, esses índices não costumam trazer grandes alterações na forma como os países são percebidos ao longo do tempo. Isso indica que a imagem internacional dos países não é tão volátil, ou propensa a mudanças repentinas devido à cobertura negativa da mídia estrangeira. Os estereótipos dos países são mais fortes do que instabilidades políticas ocasionais, por exemplo. Isso é verdade tanto para o Brasil, quanto para a Grécia, um país que passa por uma crise econômica muito mais profunda que a brasileira, mas ainda assim é associado a belezas naturais e a uma cultura globalmente admirada.

Pode parecer que a imagem do Brasil como uma potência emergente promissora está sendo destruída pela atual situação do País, mas a verdade é que essa imagem nunca chegou a se consolidar no imaginário internacional. A reputação brasileira no exterior sempre foi diferente daquela que o País tentou divulgar, ou daquela mostrada nas capas de revistas pelo mundo.

Apesar de a mídia internacional ter abraçado a narrativa de que o País estava “decolando”, e embora essa imagem não seja completamente imune a essas narrativas – que podem começar a afetar o que se pensa de um país caso se repitam por décadas -, a “marca Brasil” parece estar consolidada como um País de turismo, não um local para negócios.

Essa imagem “decorativa” pode soar como terrível, mas é similar à maneira como o mundo enxerga a Itália, por exemplo. Além disso, essa imagem pode ser uma fonte de coisas boas caso o País aprenda a explorá-la. Logo, a cobertura negativa da imprensa global sobre a crise brasileira, não altera fundamentalmente a forma como o mundo percebe o Brasil. Para o bem ou para o mal, a “marca Brasil” é mais estável do que pode parecer nas capas de revistas.

Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do Brasil pelo Brazil Institute do King's College London. É autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’" e do livreto “Brazil Now” da consultoria internacional Hall and Partners. Daniel Buarque is a writer and journalist. He holds a MA in Brazil in Global Perspective from King’s College London. He is the author of four books, including "Brazil, um país do presente" (Brazil, a country of the present), concerning the international image of the country.

Como a crise afeta a imagem global do Brasil

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Já está confirmada a vinda de 78 ônibus para o ato de hoje (24/8), na sede da Petrobrás, no centro do Rio. Prefeitos de 13 das 15 cidades que formam o Consórcio dos Municípios do leste Fluminense (Conleste), tendo Itaboraí à frente, prometem trazer de três a cinco mil pessoas para abraçar o prédio da empresa no ato "Juntos pelo Comperj - Refinaria Já".

Os sindicatos Sintramon e Sinticon, que recentemente fecharam a ponte Rio-Niterói, já confirmaram presença. Eles querem que a Petrobras conclua ao menos uma das refinarias do complexo cujos obras já atingiram 82%. No mês passado, a Petrobras anunciou o plano de investimentos da empresa até 2019 e informou que a refinaria só sairá se houver um parceiro privado interessado.

Fonte: Coluna Berenice Seabra/Jornal Extra

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O Brasil foi destaque na 56ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), realizada na Tailândia. A competição terminou na última semana e o País conquistou seis medalhas. Ao todo, os brasileiros faturaram três medalhas de prata e três de bronze, ocupando a 22ª posição no ranking geral por países.

Com 109 pontos, o Brasil obteve rendimento superior ao registrado em 2014, avançando 12 posições. "Avançar posições no ranking mundial é muito importante para a equipe", avalia Luciano Castro, líder do time brasileiro. "A partir de agora vamos focar 100% na olimpíada do próximo ano. Tenho certeza que os estudantes mostrarão resultados ainda mais consistentes, já preparando-nos para 2017, que acontecerá no Brasil."

As medalhas de prata foram conquistadas pelos estudantes Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 16 anos, de Vinhedo (SP), Murilo Corato Zanarella, 17 anos, de São Paulo, e Daniel Lima Braga, 17 anos, de Eusébio (CE). João César Campos Vargas, 17 anos, de Passa Tempo (MG), Gabriel Toneatti Vercelli, 17 anos, de Osasco (SP) e Rafael Filipe dos Santos, 17 anos, do Rio de Janeiro, conquistaram as medalhas de bronze.

O que é

A Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) é a mais importante, maior e mais prestigiosa de todas as olimpíadas internacionais científicas do mundo. Realizada desde 1959 durante o mês de julho, cada ano em um país, a competição envolve a participação de jovens estudantes com até 19 anos e que não tenham ingressado na universidade.

Este ano o evento foi disputado pela primeira vez na Tailândia registrando um recorde de participantes. Ao todo foram 577 estudantes de 104 países. A IMO de 2016 será realizada em Hong Kong.

A escolha dos estudantes que representam o Brasil na IMO 2015 foi feita a partir dos vencedores da 36ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), projeto conjunto do Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicada (IMPA) e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), que tem por objetivos estimular o estudo da matemática, contribuir para a melhoria do ensino no País, identificar e apoiar estudantes com talento para a pesquisa científica e selecionar e preparar as equipes brasileiras que participam das diversas competições internacionais de matemática.

Fontes:

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Olimpíada Brasileira de Matemática

Brasil conquista seis medalhas na 56ª Olimpíada Internacional de Matemática

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Crise da Petrobras, intensificação da polarização da política brasileira e atuais medidas econômicas. Estes foram alguns dos pontos perpassados pela economista e socióloga, Tânia Bacelar, durante palestra realizada no dia 5/3, ao final da reunião do Conselho Deliberativo da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). "Estamos vivendo uma conjuntura delicada. Isso porque o pós-eleição presidencial desencadeou um ferrenho processo de polarização no país, arrefecido pela repercussão da operação Lava-Jato da Petrobras. Precisamos defender a engenharia nacional e o Brasil", alertou o presidente da Fisenge, Clovis Nascimento. Tania iniciou a palestra falando sobre o contexto internacional e suas consequências na economia brasileira. "A crise vem de 2008 no coração da esfera financeira. Parte da crise, hoje, na indústria vem da abertura comercial e financeira dos anos 1990. Quanto aos países emergentes, ocorreu recentemente (entre 2012 e 2014), uma desaceleração, influenciada em grande parte pela economia chinesa (passa de 10% para 7%)", afirmou a economista. Um outro ponto importante levantado foi a dívida pública. De acordo com Tania, o impacto da dívida pesa e é duplamente pernicioso. "Com a rentabilidade assegurada com simples aplicação na dívida pública, os bancos deixam de buscar o fomento à economia. Por sua vez, empresas produtivas, em vez de fazer investimentos, preferem financiar o governo", disse.

2015 já sinaliza que será um ano de ajustes, com previsões convergindo para baixo crescimento do PIB e persistência de inflação ainda alta. Tudo isso acompanhado pelos efeitos econômicos e sociais provocados pela repercussão da Operação Lava-Jato, uma vez que os meios de comunicação intensificam a cada dia uma campanha de desmoralização da Petrobras, um legítimo patrimônio brasileiro. " É isso que interessa aos produtores e investidores internacionais: querem o modelo de concessão, e não o de partilha. Aécio, durante a campanha, defendeu o fim do regime de partilha e estamos enfrentando risco de desnacionalização da economia. Há um projeto de desnacionalização do petróleo brasileiro e dos investimentos em infraestrutura. Na ausência das empresas nacionais, serão grandes empreiteiras internacionais. A pergunta é: quem vai fazer? As nossas ou as deles?", provocou Tania, que vai além: "No pacote de corrupção, temos de enfrentar uma discussão mais profunda. O Brasil não aguenta esse modelo de campanha eleitoral, como é nos EUA, que adotamos desde a democratização do país. Cerca de 1 bilhão de reais para eleger um deputado federal. Temos que mudar para financiamento público de campanha", disse.

Ao final, a economista colocou desafios ao conjunto de trabalhadores. "Precisamos disputar o ajuste fiscal e colocar o debate profundo sobre mudança do sistema tributário; fortalecer e ampliar as políticas de distribuição de renda e aumento do salário mínimo; fazer uma discussão profunda sobre a inflação e suas causas; reduzir/zerar alíquotas dos tributos indiretos e é preciso que estejamos atentos à delicada conjuntura política interna brasileira e a de outros países, especialmente a América Latina", finalizou.

Confira a palestra AQUI

"Estamos enfrentando risco de desnacionalização da economia", diz a economista e socióloga Tania Bacelar

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"O Petróleo é nosso". Este foi o mote da campanha, realizada em 1954, em defesa da Petrobras e da soberania nacional. Os ataques à empresa nunca cessaram desde a sua criação. A Petrobras é um dos maiores patrimônios brasileiros e uma das melhores empresas petrolíferas do mundo. No entanto, as denúncias escandalosas da "Operação Lava-Jato" vêm tomando proporções que abrem uma avenida para os caminhos da privatização. É claro que exigimos rigor na apuração e na responsabilização dos corruptos e corruptores, mas estes fatos não podem servir como pretexto para a destruição da Petrobras.
Com empenho na formulação e descoberta de novas tecnologias em prol do desenvolvimento nacional, a engenharia brasileira contribui imensamente nas conquistas da Petrobras, como a descoberta do pré-sal. Os trabalhadores que, duramente, constroem a empresa não podem ser penalizados, e muito menos o povo brasileiro. A riqueza gerada pela Petrobras é disputada e revertida para o enfrentamento de questões sociais importantíssimas, como a saúde e a educação.

Ardilosamente, os meios de comunicação cometem o "Petrocídio brasileiro" ao assassinar a memória técnica, o corpo de profissionais e todo o acúmulo tecnológico da Petrobras. O Brasil, ao contrário de muitos países, tem autossuficiência de petróleo e tem feito descobertas fundamentais para o país e o mundo, como o pré-sal e o pós-sal. Sabemos que a Petrobras é um recurso estratégico na geopolítica internacional e na soberania nacional do Brasil.

Afirmamos que a apuração e a responsabilização dos fatos devem seguir o rigor da Lei, mas nunca sob a justificativa de transformar o caráter estatal da empresa em privado. Este é o objetivo dos setores mais conservadores de nossa sociedade: a abertura indiscriminada de nosso mercado aos produtos e serviços estrangeiros. Jamais aceitaremos uma relação de subserviência no setor tecnológico. A engenharia nacional tem demonstrado capacidade e técnica suficientes para resolver uma série de questões no nosso país, além da autossuficiência de petróleo, obras de infraestrutura, saneamento, telecomunicações e agronomia.

Nós, engenheiros e engenheiras, exercemos um papel fundamental na construção desse país. Sonhamos com um Brasil soberano, forte e robusto. A tecnologia tem um papel imprescindível para a melhoria das condições de vida da população e para a diminuição das desigualdades. A defesa da Petrobras pelo povo brasileiro deve ser incondicional, bem como a defesa de uma política industrial nacional.
A possível desnacionalização da engenharia brasileira e o desmonte da Petrobras são atentados à soberania do país. Mais do que nunca, precisamos levar a corações e mentes que "O Petróleo continua sendo nosso".

Clovis Nascimento
Presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

Artigo: A engenharia nacional na construção da Petrobras

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