O engenheiro Alan Paes Leme Arthou, ex-coordenador do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear da Marinha (Prosub), defende uma política de ampliação e valorização da indústria e da engenharia brasileira. Entre medidas importantes nessa direção, ele cita a inclusão da tecnologia no conceito de conteúdo nacional e a formação de clusters, para melhor aproveitamento dos recursos de infraestrutura local. “Temos um nível de engenharia bom e, na infraestrutura, deve-se pensar o máximo possível nas tendências regionais para fazer clusters”, disse, durante o I Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado na sexta-feira (31), no auditório da Faculdade Mackenzie, pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro e pela Federação dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Ex-coordenador do Prosub defende clusters e tecnologia nacional

Os clusters são uma concentração de empresas com perfis semelhantes, colaborando entre si e compartilhando recursos. Podem incluir, diz Arthou, escolas técnicas voltadas para aquela linha específica de produção e outras facilidades logísticas, além de pesquisas realizadas em parceria com a indústria. O modelo ideal, na opinião do engenheiro, é aquele adotado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com vários escritórios regionais. “É preciso buscar eficiência coletiva”, disse. “Um plano de industrialização deve ser pensado em termos regionais, para desenvolver regionalmente o que é possível e conseguir uma malha em rede capaz de distribuir esse conhecimento.”

Ao contrário do Brasil, que não investe na relação entre indústria e unidades de pesquisa, os EUA, segundo Arthou, abriram um centro tecnológico em São Paulo para recrutar e contratar pesquisadores brasileiros. “Quando nós produzímos o boro [elemento químico usado, por exemplo, em reatores nucleares, no freio de nêutron, e em proteção balística], encontramos uma professora da Unicamp que estava fazendo pesquisa nessa área para o Exército dos EUA, com financiamento de Londres”, conta Arthou. “Precisamos ter consciência da engenharia que temos.”

Ex-coordenador do Prosub, um dos mais estratégicos projetos na área de Defesa do país, ele alerta para o impacto econômico do esvaziamento da engenharia brasileira. “O motor da economia está falhando, estamos com pouco sangue”, advertiu. As indústrias instaladas no país, na sua avaliação, têm baixo conteúdo local, e o país tem formado poucos engenheiros por ano, um sinal crítico de baixo desenvolvimento tecnológico nacional.

No Brasil, ele estima que sejam pouco mais de 900 mil engenheiros, menos de 0,5% da população, ou menos de 1% da população economicamente ativa, da ordem de 105 milhões. Por ano, formam-se entre 40 mil e 45 mil profissionais de engenharia, em comparação a mais de 100 mil advogados. “Em 30 anos, teríamos 1,2 milhão de engenheiros. É pouco”, afirmou.

Um dos motivos para essa fragilidade, na sua opinião, é que o Brasil atua basicamente como “hospedeiro de indústrias estrangeiras”, e não investe no desenvolvimento tecnológico local. “Por exemplo, nas métricas do BNDES, não se leva em conta a tecnologia para pontuação de conteúdo nacional. Se a empresa compra um ativo no exterior, pode abater no IR, se for desenvolvê-lo aqui, não. Eu não consigo entender conteúdo nacional sem conteúdo tecnológico.”

Há, contudo, na sua avaliação, um grande potencial na indústria brasileira. A WEG, lembra o engenheiro, não conseguiu financiamento no Brasil para desenvolver um motor de polo permanente, componente necessário para os futuros carros elétrios. Decidiu, então, comprar um laboratório na Europa para realizar o projeto. “Isso é competitividade. Se não tivermos nossa própria indústria, não vamos conseguir chegar lá”. Na Alemanha, 24% da população estão empregados na indústria; 18% nos EUA, e 14% no Brasil. “Temos que defender os nossos interesses.”

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O II Simpósio SOS Brasil Soberano já está programado para o dia 27 de abril, e terá como tema “Engenharia, Tecnologia e a Modelagem da Empresa no Brasil”. Realizado em Salvador, com apoio do Sindicato dos Engenheiros no Estado da Bahia (Senge-BA) e vários parceiros, inclui na programação duas mesas de debates: “O papel das empresas privada e estatal num país soberano”, e “Uso dos recursos naturais no Brasil”.

Além do Senge-BA, são parceiros na iniciativa também a Associação dos Professores Universitários da Bahia (Apub-Sindicato), a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (Proife), o Crea da Bahia, entre outras entidades. O evento acontece na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, das 9h às 18h.

O II Simpósio SOS Brasil Soberano é parte do projeto do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), de construir uma plataforma nacional com políticas voltadas ao fortalecimento da engenharia, da soberania nacional e do desenvolvimento. Para isso, são quatro simpósios, cada um dedicado a um tema, reunindo especialistas, acadêmicos, sindicalistas, parlamentares, representantes da sociedade civil, para construir propostas concretas, em oposição ao programa do governo Temer de ataque às bases da Constituição de 88.

O primeiro simpósio, no último 31 de março, no Rio, teve como tema “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”, e o terceiro vai tratar de “Quais as reformas e para que reformas?”, em maio, em Belo Horizonte (MG). No final de junho, o IV Simpósio SOS Brasil Soberano, em Curitiba (PR), consolida as propostas que foram apresentadas no evento, e que vão formar também um livro e um filme.

II Simpósio SOS Brasil Soberano
Sindicato dos Engenheiros no Estado da Bahia (Senge-BA)
Data: 27 de abril (quinta-feira)
Hora: 9h às 18h
Local: Escola Politécnica da UFBA
R. Prof. Aristides Novis, 2 – Federação, Salvador – BA

II Simpósio SOS Brasil Soberano vai debater a empresa de engenharia

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A necessidade de ampliar as alianças políticas, de modo a fortalecer a resistência ao projeto implantado após o impeachment, foi defendida pela maior parte dos palestrantes do I Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado nesta sexta-feira (31/03), no Rio de Janeiro. Os debates de alternativas “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”, tema do evento, também apontaram a urgência da retomada do investimento público. Especialmente na construção civil, para gerar empregos e estimular a economia, proposta do professor Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, e na tecnologia nacional, para assegurar posições estratégicas na indústria e no mercado internacional, como destacou o engenheiro Alan Paes Leme Arthou, ex-coordenador do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear da Marinha (Prosub). Tais medidas, voltadas à proteção de direitos e da soberania nacional, poderiam constituir, na avaliação do ex-ministro de C&T, Roberto Amaral, uma plataforma de unidade na resistência democrática e contra o programa em curso, de desconstrução do Estado.

O encontro foi realizado pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e pela Federação dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), parte do Dia Nacional de Luta, que levou milhares às ruas contra a reforma da Previdência Social, a lei da terceirização e a reforma trabalhista. Discutiu propostas para o país, com a participação também de deputados federais de partidos do campo progressista (PCdoB, PSOL e Rede), do economista Marcio Pochmann, do historiador Fernando Penna, professor da UFF e ativista do movimento “escola sem mordaça”, e dos jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler.

A instabilidade institucional pautou grande parte das intervenções e também dos questionamentos da plateia. “Precisamos assegurar que haja eleições”, alertou o ex-ministro Roberto Amaral, um dos idealizadores da Frente Brasil Popular. “Este golpe, acima de tudo, foi para implantação de um projeto que havia sido rejeitado nas eleições.” Representa, diz ele, “o interesse do sistema financeiro rentista – nacional e internacional –, destruindo o que resta de tecnologia e know how na engenharia brasileira, e também os pilares da democracia.”

Para o economista Marcio Pochmann, esse grupo que ocupa o poder não aceitará a disputa eleitoral em 2018. “Acho que não há uma saída institucional, tradicional. Os que deram o golpe só têm a oferecer o osso para a sociedade, não vão aceitar a via democrática. Por isso, temos que trabalhar para além da via institucional”, afirmou. Na sua avaliação, se quisermos assegurar as próximas eleições, é necessário “radicalizar” desde já. “Se, de fato, há uma ruptura da ordem democrática, o que podemos fazer, além de denunciar? O que vamos impor de prejuízo a eles?”, questionou.

Como unir pensamentos diferentes?

Para Roberto Amaral, todos têm a tarefa de assegurar a continuidade constitucional. “A direita em nenhum momento entregou de graça o poder no Brasil”, diz, indicando, entre outros, o risco de imposição do parlamentarismo, caso o Judiciário não consiga impedir a candidatura de Lula à Presidência em 2018. Na opinião do ex-ministro de C&T, reunir o apoio de diferentes segmentos sociais em torno de uma plataforma comum é uma das formas de resistir ao risco institucional.

Nesse sentido, vários agentes políticos, de acordo com Amaral, estão buscando construir um programa para o Brasil: além do próprio Simpósio SOS Brasil Soberano promovido pelo Senge-RJ e pela Fisenge, e da Frente Brasil Popular, um grupo de economistas e políticos articulados em torno do ex-ministro Luis Carlos Bresser Pereira, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (veja aqui o documento divulgado pelo grupo) e o Clube de Engenharia. “No momento, todos têm um papel tático de reunir forças e dar conteúdo político e programático à resistência, ajudar na unidade política e apontar rumos.” Uma plataforma de resistência, na avaliação de Amaral, deve ser construída de baixo para cima, em diálogos com trabalhadores e com a classe média.

“Mas como se constrói uma unidade com quem é muito diferente da gente?”, perguntaram da plateia a Alessandro Molon.“Luta a luta; é a luta que gera a consciência”, respondeu o deputado, propondo a “construção de pontes” por meio do debate de pautas concretas, como a reforma da Previdência ou a desnacionalização do território, que possam unir setores tradicionalmente divergentes. “Por exemplo, a venda de terra a estrangeiros vai mexer com setores que não são progressistas, mas são nacionalistas – e isso nos fortalece; mas eles não vão estar com a gente em outras lutas”, explica. “Estamos fazendo alianças pontuais, mas que lá na frente podem gerar um caldo de cultura, em que as pessoas percebam que determinado resultado eleitoral é decisivo para que o Brasil caminhe para esta ou aquela direção.” Para ele, a hora é de “sermos amplos, genorosos, abertos”.

Esse movimento é particularmente importante num momento que a base do governo tornou-se instável. “Há uma novidade: não há mais centro no Congresso Nacional”, afirmou a deputada Jandira Feghali. “Ele foi polarizado pela direita e vai se deslocar à medida que o núcleo desse governo vá afundando, e que a eleição de 2018 gere temor para grande parte dos parlamentares.” Isso significa, na opinião dela, que há um conjunto de parlamentares que pode votar contra o Executivo em projetos que forem extremamente impopulares e que enfrentem a mobilização das ruas. “Não podemos ter o recorte apenas de direita e esquerda, ou perderemos tudo. Na sociedade, há um pensamento médio que vamos precisar alcançar, porque a sociedade não é majoritariamente nem de esquerda, nem de direita.”

Para Glauber Braga, do PSOL, “é importante resgatar aqueles que estão apartados do processo político”, utilizando, principalmente, os espaços das ruas e das praças. “Devemos estabelecer um diálogo amplo, em que você se abre para ouvir”, diz. A discussão da reforma da Previdência, nessa direção, pode ser, na opinião dele, uma oportunidade de acumular forças.

“É preciso chegar nas massas populares, nos cultos, nas igrejas, achar formas de fazer as pessoas acreditarem que a instituição [política] é importante”, afirmou Jandira Feghali.”Estou no Congresso desde 1991, nunca vi nada tão cruel, tão de costa pra sociedade, como essa proposta da reforma da Previdência.”

Propostas comuns

Além da rejeição às reformas antissociais e de base rentista, outras diretrizes podem promover a convergência de uma oposição ao Executivo. Por exemplo, segundo a deputada Jandira Feghali, está sendo feito um esforço para dar sinergia nos trabalhos de sete frentes parlamentares que atuam no Congresso Nacional com objetivos comuns, entre elas as de engenharia naval e de conteúdo nacional. “Essas iniciativas dificilmente se reunirão, mas poderão ter pontos de intersecção que podem construir um projeto nacional.”

Pochmann observou que o governo Temer tem posto o Brasil na contramão das tendências globais. “A política de conteúdo nacional venceu as eleições nos EUA, com Trump. Seja pela intenção de aplicar US$ 1 trilhão na infraestrutura, ou pelo processo tributário de deslocar encargos trabalhistas para empresas importadoras e para Wall Street, há um avanço das políticas de conteúdo nacional. Jamais imaginaríamos que um governo com o inglês lançasse um projeto chamado Estratégia Industrial, de conteúdo nacional. E aqui o que vemos é uma volta ao passado.”

Esse retrocesso se traduz, entre outros efeitos, na perda de conhecimento local. “Estamos destruindo a tecnologia, e os poucos segmentos da engenharia que têm know how”, criticou Roberto Amaral. “Não compreendem esses rapazes da procuradoria, que aprenderam inglês mas não conhecem história, não leram Grande Sertão, Casa Grande e Senzala… e que vivem no olimpo, que uma empresa não é só capital. A empresa, a partir de um determinado momento, é um fenômeno social.”

O Judiciário também foi criticado pelo jornalista Marcelo Auler, que, no momento, sofre a censura no seu blog de duas reportagens censuradas envolvendo a Lava Jato. “O governo está desmanchando”, acrescentou o jornalista Luis Nassif, do site GGN. “Todo mundo está discutindo um projeto nacional. A minha geração teve a chance de lutar contra a ditadura e agora pela democracia, esse será o nosso legado.”

Contra os cortes de gastos que, no governo federal e nos estados têm atingido os orçamentos de áreas relevantes, como saúde, educação, pesquisa, entre outros, Glauber Braga defendeu a auditoria da dívida pública brasileira, sistema que, conforme ressaltou, tem servido de justificativa recorrente para a retirada de direitos.

Resistir e propor é o binômio chave na atual conjuntura, segundo Duda Quiroga, secretária de Comunicação da CUT. “Estamos chamando a greve geral para 28 de abril mas é fundamental, para além disso, que a gente pense o que se pode fazer para retomar o caminho do emprego, da inclusão. É preciso propor.”

Nesse sentido, o deputado Alessandro Molon acredita que o Simpósio SOS Brasil Soberano, que terá ainda três outras edições, em Salvador (27 de abril), Belo Horizonte e Curitiba, poderá gerar um programa de convergência. “Quem sabe não pode ser a semente de uma unidade das forças progressistas, sobre a qual a gente precisa pensar com seriedade, para interromper este ciclo que querem que se perpetue, e a gente devolva o país aos brasileiros?”

Políticos, ativistas e intelectuais propõem aliança contra o retrocesso

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Reunidos na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, nós, cidadãos das mais diversas visões políticas, representantes de instituições da sociedade civil e de entidades sindicais e empresariais, unificados pela preocupação comum em relação aos destinos do país em momento tão grave de sua história, externamos nossos pontos de vista sobre alguns dos temas mais urgentes da atual conjuntura.

Desde abril último, presenciamos a imposição de um programa de ruptura do pacto social brasileiro, estabelecido pela Constituição de 1988. Por mais que tentem aprová-lo a toque de caixa no Congresso Nacional, salta aos olhos que tal programa não fez parte de qualquer candidatura vitoriosa nas eleições de 2014: nem para o Poder Executivo, nem para o Poder Legislativo. Sendo um governo transitório, falta-lhe, pois, norte, tempo e popularidade para implementar as mudanças de fato exigidas pelo país.

1 – Impõe-se defender a democracia e, sobretudo, as eleições de 2018, para impedir quaisquer formas de perseguição política, cerceamento da liberdade de opinião. Afirmamos, também, ser inaceitável qualquer mudança no regime político e no sistema de governo, que não passe pelo crivo das urnas.

2 – A empresa nacional, a reindustrialização do Brasil e o investimento em ciência e tecnologia devem ser defendidos por qualquer governo comprometido com o desenvolvimento nacional.

3 – A política econômica vigente, de interesse exclusivo do mercado financeiro rentista, nacional e internacional, é responsável pela escalada do desemprego. Leva angústia e desespero a milhões de pessoas, e coloca em risco a estabilidade social. Neste quadro, é insensato propor reformas que têm como objetivo suprimir direitos sociais e trabalhistas conquistados há décadas. Elas não reformam a casa dos brasileiros. Derrubam seus alicerces.

4 – Juros exorbitantes, câmbio apreciado, fragilização deliberada da Petrobrás, justamente quando a companhia descobriu a maior reserva de petróleo do planeta dos últimos 30 anos, abandono da política de conteúdo local que possibilitou a industrialização acelerada do país a partir dos anos 50 do século passado, desconstrução do BNDES, essencial como indutor do desenvolvimento, tudo isso configura um cenário que, se não for revertido, nos remeterá ao passado.

5 – A terceirização, se irrestrita e ilimitada, poderá representar a eliminação de direitos trabalhistas para a parcela mais vulnerável da população brasileira e o rebaixamento dos padrões de civilização e justiça do nosso pacto social.

6 – As mudanças na previdência não podem inviabilizar a aposentadoria de parte substancial da população brasileira e destruir a solidariedade entre gerações, classes sociais e regiões do país.

7 – Ao invés de encarecer o crédito público direcionado para o investimento, excedendo em muito os padrões internacionais que asseguram a integração global competitiva, é preciso trazer a taxa de juros básica para patamares minimamente compatíveis com a média internacional e com a rentabilidade da atividade produtiva e de projetos de infraestrutura, sem o que será difícil e caro evitar a valorização cambial do Real.

8 – Sem taxa de câmbio competitiva, nossa desindustrialização será aprofundada. O real sobrevalorizado inviabiliza investimentos nacionais de longo-prazo e intensifica a transferência de empregos para o exterior.

9 – O rebaixamento do investimento público deve ser revertido. As exigências de conteúdo tecnológico local e nacional, em função de seu potencial indutor do investimento privado local, devem ser mantidas.

10 – Os bancos públicos têm um papel importante no financiamento do investimento privado e na geração de empregos, papel esse que não pode ser prejudicado pela eliminação ou grande encarecimento de suas fontes de recursos, aumentando juros e inviabilizando inversões de maiores risco, prazo e conteúdo tecnológico.

Está claro o propósito da atual política econômica, de estabelecer para o Brasil nas próximas décadas o rumo da subserviência ao estrangeiro, da exclusão social, do desprezo à cidadania e à democracia, em contraposição ao Brasil que almejamos, democrático, soberano, economicamente desenvolvido e socialmente inclusivo.

Nossa democracia não pode ser atropelada por um processo demasiadamente atabalhoado de mudanças nos estatutos legais que regulam nosso pacto social, retirando direitos fundamentais. A pressa é inimiga da legitimidade porque visa bloquear o debate público e, particularmente, tolher a participação dos maiores afetados por essas reformas.

Vivemos um momento delicadíssimo. Nosso país, uma das 10 maiores economias do mundo, não pode se apequenar. Urge resistir ao desmonte em curso, do Estado, da economia e da política. É este o nosso compromisso.

São Paulo, 22 de março de 2017

Aldo Fornazieri (Cientista Político, FESPSP).

Angelo Del Vecchio (Sociólogo).

Antonio Correa de Lacerda (Economista, PUC-SP)

Artur Araujo (Consultor da Federação Nacional dos Engenheiros).

Cesar Prata (Vice-Presidente da ABIMAQ).

Clemente Ganz Lucio (Diretor Técnico do DIEESE).

Clovis Francisco Nascimento Filho (Senge-RJ, Fisenge).

Ennio Candoti (Físico, ex-presidente da SBPC e atual Diretor do Museu da Amazônia).

Franklin Martins (Jornalista, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social).

Gastão Wagner de Souza Campos (Medicina, Unicamp, presidente da Abrasco).

Gilberto Bercovici (Direito, USP).

Guilherme Estrella (Geólogo, ex-Diretor da Petrobrás).

Hélio Campos Mello (Jornalista, Revista Brasileiros).

João Antonio Moraes (Federação Única dos Petroleiros-FUP).

João Guilherme Vargas Netto (Consultor Sindical). 

Ladislau Dowbor (Economista, PUC-SP).

Lais da Costa Manso (Socióloga)

Luiz Carlos Bresser-Pereira (Ex-Ministro da Fazenda, FGV).

Manuel Domingos Neto (Universidade Federal Ceará).

Márcio Pochmann (Economista, UNICAMP).

Mario Scheffer (FMUSP e Vice-Presidente da ABRASCO).

Murilo Celso de Campos Pinheiro (Presidente do Seesp e do FNE).

Olimpio Alves dos Santos (Senge-RJ e Fisenge).

Otavio Velho (Antropólogo, UFRJ).

Pedro Celestino Pereira (Presidente do Clube de Engenharia-RJ).

Pedro Paulo Zahluth Bastos (Economista, UNICAMP).

Roberto Amaral (ex-Ministro da Ciência e Tecnologia). 

Rodrigo de Morais (Sindicato dos Metalúrgicos de SP). 

Samuel Pinheiro Guimarães (Diplomata, Ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos).

Saturnino Braga (Presidente do Centro Internacional Celso Furtado).

Ubiratan de Paula Santos (Médico e Conselheiro da FESPSP).

William Nozaki (Cientista Político, Coordenador da Cátedra Celso Furtado – FESPSP).

A urgência de um novo projeto de nação: por um país democrático, soberano, economicamente desenvolvido e socialmente inclusivo

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Para Carlos Lessa, professor da UFRJ e ex-presidente do BNDES, a elaboração de um projeto de soberania deve primeiro responder a pergunta sobre o que é o Brasil hoje. “Nosso país é urbano. 84% da popular é urbana, em 11 regiões metropolitanas está 50% da população brasileira”. Mas continua periférica, já que depende da venda de minérios e de produtos agropecuários, pondera o professor.

Por Ednubia Ghisi (Senge-PR)

Na avaliação de Lessa, há uma coincidência entre a maior indústria e maior categoria organizada: o setor automobilístico. O carro próprio está entre os itens adquiridos nos último período que hoje geram endividamento. “O setor automobilístico cresceu em cima do endividamento das famílias. Se as famílias estão segurando o dinheiro do FGTS para pagar dívida é porque está amedrontada pelo endividamento”, afirmou.

Outra consequência gerada é o inchaço das grandes cidades. Na avaliação do economista, a qualidade de vida nas periferias melhorou em vários aspectos, com exceção do deslocamento dentro da malha urbana.

No lugar do incentivo à indústria automobilística, Carlos Lessa sugere como alternativa potencializar o setor da construção civil, “porque é universal, da metrópole à pequena vida”, e movimenta a mão de obra e a venda de matéria-prima local. Como critério para o real desenvolvimento, aponta a necessidade de haver participação de pequenas empresas e empreiteiras.

Ocupação dos espaços públicos
A construção de identidade nacional, na opinião de Lessa, passa pela apropriação da população pelos espaços públicos. Como exemplo, lembra das 1.300 escolas básicas e dos cerca de 100 centros de convivência “Por que não abrimos esses espaços para uso da comunidade? Se fica disponível sábado e domingo, por que não usá-la?”, sugere.

Aponta ainda a necessidade de socializar a comunidade desde a primeira infância: “As pessoas poderiam ir até lá para ensinar a fazer peteca de pano, papagaio, jogo de botões, ensinar a brincar. Pode parecer brincadeira, mas o brincar é a primeira forma de socialização”. E lança uma proposta para juventude: “A juventude tem um enorme potencial, e pode ser utilização de patrimônio público subutilizado”.

Carlos Lessa propõe ocupação dos espaços públicos da periferia

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O presidente do SENGE-RJ, Olímpio Alves dos Santos abriu, na manhã desta sexta-feira (31), o I Simpósio SOS Brasil Soberano. O evento busca soluções práticas para a crise que ocorre no país. Para Olímpio, o principal objetivo é construir uma discussão de projeto de nação. “Precisamos de um projeto de emergência e formular ações que contribuam para a construção de um projeto de Nação. O debate é fundamental para fortalecermos a nossa resistência diante do atual desmonte do Estado”, criticou.

Por Marcelle Pacheco (Senge-RJ)

O presidente da Fisenge e vice-presidente do SENGE-RJ, Clovis Nascimento afirmou que o Brasil vive uma crise sem precedentes na História do país. “É uma crise institucional e política, que partiu de um golpe muito bem engendrado, que traz prejuízos inestimáveis para a sociedade. Nosso objetivo é aprofundar a discussão e formular ações para melhorar as condições de vida da população, defender a engenharia brasileira e a soberania nacional. Esta é mais uma frente de resistência na atual conjuntura”, defende Clovis.

"A jornada de hoje é parte integrante do dia nacional de luta (31/3) contra as reformas e retrocessos", disse um dos coordenadores do projeto, o professor Francisco Teixeira, que também lembrou da menina Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, que morreu vítima de bala perdida dentro da própria escola, na Pavuna, no Rio de Janeiro. 

Também participaram da mesa de abertura Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, Newton Augusto Cardoso de Oliveira, coordenador geral da pós-graduação da Faculdade Presbiteriana Mackenzie, e Duda Quiroga, secretária de comunicação da CUT-Rio.

I Seminário do SOS Brasil Soberano começa no Rio de Janeiro

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“O hoje está perdido”. É assim que o ex-ministro Roberto Amaral define o momento em que o Brasil vive. Para ele, não é possível reconstruir o país a curto prazo, nem do ponto de vista econômico, nem do ponto de vista político. Amaral analisou a crise brasileira durante sua participação da mesa "Emprego e processo produtivo" no I Simpósio SOS Brasil Soberano, que aconteceu nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro.

Em uma profunda análise politica e econômica, Roberto Amaral afirmou que a crise resultante do golpe e um processo político só tem solução na política. Ele acredita que existem três linhas de atuação fundamentais: resistência, desfazer o que foi feito pelo governo golpista e a reconstrução do Estado.

“Esse encontro é uma linha de resistência . Em 1964, nós lamentavelmente fomos surpreendidos pelo golpe de Estado e pelas forças armadas. No dia 01 de abril nos encontramos sem nenhuma organização de resistência. Hoje temos condições de resistência, de organização, e o fundamental: com condições de reflexão. O maior inimigo da ação política é a práxis sem reflexão”, defende.

Marcelle Pacheco (Senge-RJ)

“Esse golpe não foi pura simples a troca de Dilma por Temer. Não foi apenas uma infração constitucional. Foi tudo isso e, acima de tudo, uma mudança de projeto. A implantação de um projeto que havia sido rejeitado nas eleições. Não tem base na soberania popular e, portanto, sem legitimidade. E é um governo que está usando a inexistência de apoio popular como mérito, porque agora acredita que pode fazer o quê quiser”, defende.

 Roberto Amaral afirma que precisam ser seguidas três linhas de atuação contra a crise

Tecnologia

O ex-ministro demonstrou preocupação especial com a ciência e tecnologia do Brasil. Segundo ele, o atual governo está destruindo 90% dos investimentos na área.

“Eu sou radical com a questão da ciência e tecnologia. Estão destruindo da mesma forma na época de Fernando Henrique Cardoso (FHC). 90% da pesquisa depende do Estado. E os poucos segmentos que têm tecnologia e know-how estão sendo destruídos. A empresa não é só capital. A empresa é fenômeno social, porque incorpora tecnologia e sociedade”, afirma.

 Eleições em 2018

Amaral demonstrou ainda preocupação com o futuro em curto prazo no Brasil. Para ele, é preciso voltar para as camadas que têm rejeição, falar com classe média com objetivo de refletir um projeto nacional, deter a desmoralização da política e aprofundar uma autocrítica.

“A direita, em momento algum, entregou de graça o poder no Brasil. Vão tentar impedir a eleição. Podemos dormir no presidencialismo e acordar no parlamentarismo”, finaliza.

Roberto Amaral é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Ceará. É professor adjunto da PUC-RJ e titular da Faculdade Hélio Alonso. Político, foi um dos fundadores do Partido Socialista do Brasil (PSB). Foi Ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula. É um dos idealizadores da Frente Brasil Popular.

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Na avaliação do economista, para haver eleição democrática em 2018, será necessário “radicalizar”.

por Ednubia Ghisi (Senge-PR)

Para o economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o cenário de ruptura da democracia brasileira exige reações fora da institucionalidade. “Não tem saída institucional e nem tradicional. Os que deram o golpe não entregarão pela via democrática”, garante, se referindo às eleições de 2018. A afirmação acalorou o debate do I Seminário "Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão", parte do Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado nesta sexta-feira (31/3), no Rio de Janeiro.

Na avaliação do economista, “tudo caminha para que não haja eleições em 2018” e, por isso, a necessidade de avançar em outras saídas. “A democracia no Brasil é uma exceção, a regra é o autoritarismo. Em mais de 500 anos de história, temos 50 de democracia”.

Neste cenário de quebra da ordem democrática, o economista aponta a necessidade de ir além de denunciar e reagir. “Se quisermos uma eleição democrática em 2018, precisamos radicalizar. O que nós vamos impor de prejuízo a eles? Se nós não impusermos prejuízo a eles, nós não avançamos. Não estou defendendo a ruptura democrática, porque ela já houve. […] Quanto mais você se abaixa, menos você se levanta”, opina.

Bases do golpe

Sobre as bases em que se deu o golpe, avalia a opção pela recessão como uma das principais. “Sem a recessão não haveria golpe, ou não neste termos”, o que levou a um enfraquecimento da base e de apoio. O segundo elemento foi a descrença de que nós estamos, de fato, num processo de golpe. Apesar da “retórica”, a presidenta Dilma Rousseff não reagiu à altura e participou do processo parlamentar que levou ao golpe.

“Se há golpe, não há normalidade democrática, então requer outro tipo de postura”, e cita como ações que poderiam ser tomadas pela presidenta seria a suspensão das Olimpíadas, a declaração do golpe nas Nações Unidas, o chamado para uma grande reunião de chefes de estado para articular uma reação.

“Não tem saída institucional e nem tradicional”, diz Marcio Pochmann

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O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) lançam, este mês, o Simpósio SOS Brasil Soberano, série de debates que vai reunir profissionais de diferentes áreas de atividade, acadêmicos, formadores de opinião, parlamentares e representantes da sociedade civil, em várias capitais brasileiras, para produzir uma agenda de programas e projetos para o país, em direção oposta à do atual governo.

“Precisamos propor alternativas que recoloquem o Brasil em condições de voltar a crescer economicamente, com soberania e dignidade para o povo trabalhador”, afirma Olímpio Alves dos Santos, presidente do Senge e vice-presidente da Fisenge. Para isso, os simpósios serão um espaço aberto para construir de forma participativa um projeto nacional, considerando um cenário até 2035, focado na engenharia, na soberania e no desenvolvimento econômico e social.

Estão programados quatro encontros até junho. Abre a série o I Simpósio SOS Brasil Soberano, no dia 31 de março, no Rio de Janeiro, com o tema “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”. A escolha da questão do emprego para iniciar os encontros explica-se, de acordo com Clovis do Nascimento, presidente da Fisenge, por ser a mais urgente: já são cerca de 13 milhões de desempregados, de acordo com o IBGE, considerando apenas os dados do trabalho formal. “É a maior crise da história recente do país”, avalia. “Nós, engenheiros, entendemos que sem planejamento não conseguimos chegar a lugar algum. Nosso objetivo é pensar e contribuir para a construção de um novo Brasil. O nosso país tem expertise em diversas áreas, como prospecção de petróleo em águas profundas, e não podemos ficar caudatários da internacionalização da engenharia e do ataque à soberania nacional.”

A Fisenge reúne 12 sindicatos de engenheiros em 11 estados no Brasil. “A mobilização para a defesa dos direitos e do patrimônio dos brasileiros tem um caráter nacional, multissetorial, porque interessa a toda a sociedade brasileira”, destaca Clovis.

A iniciativa tem a coordenação e curadoria de Chico Teixeira, professor de História Moderna e Contemporânea na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ele, o simpósio deve constituir uma célula de pensamento, um espaço de reflexão, que vá além das análises de conjuntura e apresente propostas objetivas. “Hoje, no Brasil, as conquistas obtidas pela nossa geração, e pelas anteriores, estão em risco”, diz. “Já precisamos de mais de uma década para voltar a uma situação como a de 2013. Os dados de desemprego do IBGE refletem apenas parcialmente o quadro nacional, no qual estima-se que existam da ordem de 22 milhões de pessoas sem trabalho. E a rede de proteção social que poderia apoiar esse contingente está sendo desfeita pelo atual governo, em velocidade estarrecedora. É preciso buscar soluções urgentes, interromper este ciclo perverso.” Nesse sentido, o professor destaca a necessidade de atrair para este esforço a maior diversidade possível de expressões e representações da sociedade.

O primeiro simpósio estará dividido em duas mesas de debates: “Emprego e processo produtivo” e “Estado, emprego e o setor de serviços”. Na primeira, serão analisadas proposições de caráter imediato de programas na área industrial para a geração de empregos. Terá a presença do professor da Unicamp, Marcio Pochmann, do economista João Sicsú, do ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amarale da médica e deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

A segunda mesa aborda a “Retomada dos programas de prevenção de endemias, Educação, Saúde das famílias, reflorestamento, e demais ações induzidas”. Para buscar estratégias nessa área, estarão presentes o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES durante o governo Lula; o professor Fernando de Araújo Penna, atualmente à frente do movimento de resistência contra o Escola sem partido – projeto que pretende censurar o ensino em sala de aula; o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ), e o jornalista e blogueiro Marcelo Auler.

Próximos simpósios

No dia 27 de abril, o II Simpósio Brasil Soberano vai tratar de “Engenharia, Tecnologia e a Modelagem da Empresa no Brasil”, realizado em Salvador com apoio do Sindicato de Engenheiros da Bahia (Senge-BA). “As empresas foram capturadas pelo mercado, as estatais viraram moeda de troca na política, e temos uma infraestrutura inteira a construir – calçamentos, saneamento, portos, etc.”, alerta Olímpio. “O Brasil está abrindo seu mercado a grupos estrangeiros, e precisamos ter clareza da importância de salvar essas empresas estabelecidas no país, e propor um novo modelo para elas, que são um repositório de conhecimentos estratégicos acumulados. O crime, quando existe, não é cometido pelo CNPJ, mas por pessoas. É fundamental preservar as empresas.”

O dirigente do Senge-RJ lembra as pressões constantes para ceder a grupos internacionais o conhecimento dos técnicos brasileiros, e o sucesso rápido do país na exploração do petróleo na camada pré-sal, devido a pesquisas que já existiam dentro da Petrobras. “Um engenheiro, que trabalhava em uma mina de sal de potássio no Sergipe, formado pelo mesmo professor que orientou a minha tese, pegou todo o seu conhecimento e todas as equações que tinha feito para explorar a mina, e aplicou na exploração do pré-sal. Assim, conseguimos rapidamente explorar o petróleo do pré-sal. Queriam que esse engenheiro entregasse todo seu conhecimento para as empresas estrangeiras. Ele se negou a fazer isso e foi demitido por justa causa. O risco é esse: o nosso conhecimento acaba não ficando aqui dentro.”

Em maio, o III Simpósio Brasil Soberano, será sobre “Quais reformas e para que reformas”, em Belo Horizonte, com o Senge-MG e o Senge-ES. E em junho, em Curitiba, com o Senge-PR, o IV Simpósio Brasil Soberano consolida propostas e aponta uma agenda de longo prazo, com o tema “Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!”

“Não existe soberania sem engenharia”, destaca o presidente do Senge. “É preciso sair da defensiva e atuar de forma pró-ativa. Queremos produzir propostas concretas para lutar pelo país.”

PROGRAMAÇÃO

Debate com especialistas propondo medidas de caráter urgente, anticíclicas, visando à retomada imediata do emprego e reversão das perspectivas cruéis de uma longa depressão da economia brasileira.

Dia: 31 de março (sexta-feira) de 2017
Hora: 9h às 17h
Local: Auditório da Faculdade Mackenzie, Av. Rio Branco 277 – 3º andar

Cerimônia de abertura – 9h às 9h30
. Olímpio Alves dos Santos (coordenador da mesa) – Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ)
. Clovis do Nascimento – Presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)
. Chico Teixeira – Professor titular de História Moderna e Contemporânea/UFRJ, professor do CPDA/UFRRJ
. Pedro Celestino – Presidente do Clube de Engenharia
. Marcelo Rodrigues – Presidente da Central Única dos Trabalhadores CUT/RJ
. Newton Augusto Cardoso de Oliveira – Coordenador-geral de Pós-Graduação da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

Mesa 1 – 9h30 às 13h, com intervalo para o café
Emprego e Processo Produtivo
Análise e proposições de caráter imediato de programas na área industrial para a geração de empregos.

Palestrantes/Debatedores

. Márcio Pochmann (Unicamp) – Economista. Foi supervisor do Escritório Regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Distrito Federal. Foi Secretário Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade no governo Marta Suplicy (SP). Atualmente é professor livre docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Social e do Trabalho.

. Roberto Amaral – Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Ceará. É professor adjunto (licenciado) da PUC/RJ e titular da Faculdade Hélio Alonso. Político, um dos fundadores do Partido Socialista do Brasil (PSB), do qual foi secretário-geral e presidente. Foi ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro governo Lula. Articulista, assina inúmeros textos na imprensa de todo o país. Também é autor de mais de 30 livros sobre direito, política, segurança nacional e ciência e tecnologia. É um dos idealizadores da Frente Brasil Popular.

. Jandira Feghali – Médica, política, deputada federal pelo PCdoB. É autora da lei que garante a cirurgia reparadora de mama, em casos de câncer, por meio de planos e seguros de saúde, e da Emenda Constitucional que permite o duplo vínculo dos profissionais de saúde. Foi coordenadora da bancada feminina no Congresso Nacional (1998/2004) e também vice-presidente da Frente Parlamentar da Saúde.

. Luis Nassif – Jornalista, mineiro de Poços de Caldas, seu blog GGN é um dos mais acessados do país. Em 1986 ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo, com a reportagem “O Plano Cruzado”, no jornal Folha de S. Paulo, onde assinou coluna econômica e política durante muitos anos. Ganhou três vezes o Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se, e o Prêmio iBest de Melhor Blog de Política. Em 1985 criou o próprio programa na TV Gazeta de São Paulo: “Dinheiro Vivo”. A partir daí, nasceu a Agência Dinheiro Vivo, de economia e negócios. Autor de dois livros, também é compositor, bandolinista e pesquisador de choro.

. Olímpio Alves dos Santos (mediador) – Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ)

Mesa 2 – 14h às 17h30, com intervalo para o café
Estado, Emprego e o Setor de Serviços
Retomada dos programas de prevenção de endemias, Educação, Saúde das famílias, reflorestamento, e demais ações induzidas.

Palestrantes/Debatedores

. Carlos Lessa – Economista, professor da UFRJ, ex-presidente do BNDES no primeiro governo Lula, e reitor da UFRJ em 2002. Foi professor no Instituto Rio Branco do Itamaraty, na CEPAL e no ILPES da ONU, no Instituto para Integração da América Latina, na Universidade do Chile, na Unicamp e na Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense. Como economista da Cepal, escreveu sua obra mais conhecida, Introdução à economia – uma abordagem estruturalista, em colaboração com Antonio Barros de Castro.

. Fernando de Araújo Penna – Professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Departamento de Sociedade, Educação e Conhecimento. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e com graduação em História pela mesma instituição. Tem experiência nas áreas de História e Educação – ensino, didática e teoria da história, história do currículo e das disciplinas escolares. Atualmente coordena o Laboratório de Ensino de História da UFF e encabeça o movimento contra a ‘Escola sem partidos’.

. Alessandro Molon – Professor, tem mestrado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Político, deputado federal, filiado à Rede Sustentabilidade. Foi o relator e principal articulador do Marco Civil da Internet. Como deputado estadual, durante oito anos, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, ficou conhecido por sua defesa dos direitos humanos e pela fiscalização do Executivo e das ações da própria casa legislativa.

. Marcelo Auler – Jornalista. Trabalhou na Rádio Globo, O Globo, Pasquim, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Dia, IstoÉ, Carta Maior, Carta Capital, entre outros. Foi assessor para assuntos comunitários no governo Franco Montoro (SP); assessor de imprensa da Dataprev e da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (2013). Participou da segunda edição do livro Enjaulados – Presídios, Prisioneiros, Gangues e Comandos (Ed Gryphus).

. Clovis do Nascimento (mediador) – Presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

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II Segundo Simpósio SOS BRASIL SOBERANO
Engenharia, Tecnologia e a Modelagem da Empresa no Brasil
Mesa 1 – A Empresa de Engenharia: a modelagem de empresa e sua função social e política em um país emergente.
Mesa 2 – Regimes de Exploração e Uso dos Recursos Energéticos no Brasil
SINDICATO DOS ENGENHEIROS DA BAHIA (SENGE-BA)
DATA: 27 de abril (quinta-feira)
Hora: 9h às 17h
Local: Senge-BA

III Terceiro Simpósio SOS BRASIL SOBERANO
Quais as reformas e para que reformas?
Mesa 1– A Questão do Poder na Sociedade Brasileira: Reforma Política, Mídia e Estado
Mesa 2 – A Reforma Fiscal e Tributária no Brasil – a Federação e os Estados
DATA: Quinta-feira, 25 de maio de 2017
Mesa 3 – Reforma Agrária no Brasil – balanço e projeções
Mesa 4 – Trabalho, Demografia e Previdência no Brasil
DATA: Sexta-feira, 26 de maio de 2017
SINDICATO DOS ENGENHEIROS NO ESTADO DE MINAS GERAIS (SENGE-MG)

IV Simpósio SOS BRASIL SOBERANO
Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!
DATA: Sexta-feira, 30 de junho 2017
SINDICATO DOS ENGENHEIROS NO ESTADO DO PARANÁ (SENGE-PR)

I Seminário do Simpósio SOS BRASIL SOBERANO: contra a crise, pelo emprego e pela inclusão

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No dia 31 de março, o SENGE-RJ e a Fisenge iniciam o projeto "SOS Brasil Soberano". O objetivo é debater um modelo de construção do Brasil até 2035, focado na engenharia, na soberania e no desenvolvimento econômico e social. Será realizada uma série de encontros, com especialistas em vários setores estratégicos da tecnologia, ciência, economia, política e defesa para discutir propostas alternativas para a atual crise vivida no Brasil.

O presidente do SENGE-RJ, Olímpio Alves dos Santos, acredita que o projeto é fundamental para colocar ações em prática.

“Nosso objetivo é criar propostas concretas para resolver os problemas e a crise, de imediato. Nós temos o hábito de ficar apenas reagindo às situações. Queremos mudar esse paradigma”, explica Olímpio.

O primeiro encontro, que será realizado no dia 31 de março, no Rio de Janeiro, tem como tema "Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão". Especialistas irão debater medidas de caráter imediato, anticíclicas, visando a retomada imediata do emprego e a reversão das perspectivas cruéis de uma longa depressão da economia brasileira.

“Precisamos mostrar que é necessário discutir o papel das empresas em setores estratégicos. As empresas estatais viraram cabides de interesses políticos e privados; e as empresas privadas viraram pontos de corrupção, o que as está destruindo, sem ninguém pensar no conteúdo tecnológico importante que elas possuem”, defende o presidente do SENGE-RJ.

O evento será entre as 9h e as 17h, no auditório da Faculdade MacKenzie, Av. Rio Branco 277 – 3º andar. Confira a programação completa aqui.

Engenheiros e especialistas discutem um projeto para o Brasil

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