Maria Rosa Lombardi, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, apresentou o estudo sobre o tema na manhã desta quinta-feira (7), durante a mesa Proteção Social do Trabalho” do Consenge

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Ao chegar ao canteiro de obras, a engenheira Eugênia pergunta a uma colega onde fica o banheiro feminino. “Você tá sonhando, engenheira Eugênia? Aqui só tem um banheiro, pra homem e pra mulher. Quem chegar primeiro usa”, responde a outra engenheira. A tirinha exemplifica uma das muitas dificuldades enfrentadas pelas engenheiras neste ambiente de trabalho, ocupado majoritariamente por homens.

Esse é o tema que permeia a pesquisa apresentada pela professora e socióloga Maria Rosa Lombardi, da Fundação Carlos Chagas, na manhã desta quinta-feira (7/9), durante a mesa Proteção Social e do Trabalho” do Consenge. A análise identificou as principais transformações ocorridas na organização e nas condições de trabalho de engenheiras e engenheiros civis na construção.

O estudo focou na relação entre engenharia, trabalho e relações de gênero na construção de habitações em duas construtoras de habitações de médio porte no estado de São Paulo. A partir de 68 entrevistas, a pesquisadora conheceu a fundo a realidade de engenheiras e engenheiros que trabalhavam em outras construtoras e gerenciadoras de obras, integrantes de sindicatos patronais, associação de fornecedores de materiais.

Maria Rosa Lombardi identificou quatro desafios principais enfrentados pelas engenheiras. O primeiro deles é a lidar com a constante desconfiança sobre a sua capacidade intelectual e competência técnica. “A inteligência das profissionais é colocada sob suspeita e se apoia em uma concepção de inferioridade feminina”, explica a pesquisadora.

Frente a isso, as engenheiras são levadas a “se impor”, “ser firmes” e a “ter coragem”, conforme explicitado nas entrevistas. “[...] vai tentar te diminuir para dizer que você é menos, que você não sabe por que é mulher, só por conta disso. Você pode saber mais do que ele, mas ele vai tentar provar que ele é melhor porque é homem e você, mulher”, disse uma das engenheiras entrevistadas pela pesquisadora.

Outro desafio diz respeito ao descrédito sobre a habilidade para comandar equipes.  “É a concepção de que ‘mulheres não foram feitas para mandar’, ‘não sabem dirigir’, que existe em toda a sociedade e se transforma em justificativa para dificultar ou impedir o acesso das mulheres a postos de poder e autoridade”, afirma a pesquisadora.

Assim como em outras relações de trabalho, a questão da maternidade é encarada com um ponto negativo na atuação das engenheiras civis atuantes nos canteiros de obra.  “Ouviu o relato de uma engenheira que teve filho, ficou um mês de licença, e depois voltou ao trabalho, fazendo um esforço de se desdobrar para conseguir tempo para amamentar, mas foi demitida seis meses depois, porque o chefe disse que era não era mais a mesma”. Como reação a essa realidade, ela aponta que as mulheres trabalham mais do que os homens e estão sempre disponíveis.

Eliana Barbosa Ferreira, diretora do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco (Senge-PE), ressalta que a desvantagem com relação a ter filhos não é só no ambiente de trabalho, mas também no mundo sindical. “Quando a mulher tem filho, ela é ‘escanteada’, colocada de lado por não haver condições, suporte para a sua participação com a criança”, garante.

O quarto desafio está relacionado à naturalização do assédio moral, apoiado na discriminação de gênero e, em síntese, de que as engenheiras são menos inteligentes e competentes que engenheiros. “A banalização ou naturalização do assédio moral acontece porque os engenheiros e engenheiras de obra acreditam que o tratamento rude e desrespeitoso que recebem, as violências no trabalho, as críticas e desqualificações constantes, são ‘assim mesmo’”, explica.  

Mais engenheiras nos canteiros de obra

Buscar a superação dessas dificuldades torna-se mais urgente diante do aumento de mulheres atuando neste ramo da engenharia. Entre 2002 e 2013, a presença de engenheiras nos canteiros de obra cresceu 149,3%, enquanto o aumento para engenheiros foi de 54,7%, somando ocupações formais e informais. Mesmo assim, os homens seguem sendo maioria no ramo: em números gerais, cerca de 230 mil engenheiros civis estavam ocupados, sendo 190 mil homens e apenas 40 mil mulheres, de acordo com dados do PNAD/IBGE de 2015.

Segundo a pesquisadora, o aumento do espaço para as engenheiras nos últimos 15 anos se dá pelo aumento da demanda por mão de obra qualificada em engenharia durante o último ciclo de expansão da construção vivido no Brasil. Além disso, outra mudança é a introdução de inovações tecnológicas na produção e o aprofundamento da utilização da informática. “O trabalho ficou mais leve e gerou um volume de informações e rotinas que passam a ser geridos na administração dos canteiros e nos escritórios”, explica a Maria Rosa Lombardi.

Como enfrentar o machismo

Para transformar essa realidade de machismo e discriminação com as mulheres engenheiras, a pesquisadora lançou questões para fomentar o debate dos delegados e observadores do Consenge. “Como os sindicatos podem reagir para transformar essas realidades desafiadoras para as mulheres, em condições mais humanas e respeitosas de trabalho para homens e mulheres? Quais ações formadoras poderiam ser postas em prática junto aos estudantes e aos profissionais visando transformar os estereótipos de gênero na sociedade e na engenharia? Quais ações os sindicatos podem pôr em prática para que a ‘janela de oportunidades’ que promoveu a entrada das engenheiras na construção civil não se feche totalmente?”

As perguntas foram lançadas para se repercutir nos grupos de trabalho, ao longo do Congresso e também nas ações em cada sindicato nos estados.

Fonte: Ednubia Ghisi (Senge-PR) 

Edição: Camila Marins (Fisenge)

Foto: Joka Madruga/Fisenge

Pesquisa mostra machismo sofrido por engenheiras civis em canteiros de obras

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O primeiro compêndio “Histórias da Engenheira Eugênia” foi lançado, no dia 6/9, durante abertura o 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge). A publicação reúne a trajetória da personagem protagonista, Engenheira Eugênia, em histórias em quadrinhos, divulgadas desde 2013 e idealizadas pelo Coletivo de Mulheres da Fisenge. “Queremos nossas histórias, nossa memória e nossas lutas nos meios de comunicação. Queremos o nosso protagonismo”, disse a diretora da Mulheres da Fisenge Simone Baia. A iniciativa tem o objetivo de afirmar a importância da organização da classe trabalhadora e, principalmente, promover empoderamento, pertencimento e visibilidade dos direitos das mulheres. Em novembro de 2016, o projeto Engenheira Eugênia ganhou o 1º lugar, na categoria cidadã em comunicação sindical, do Prêmio de Direitos Humanos da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra). A Fisenge recebeu uma estatueta inspirada no “Cilindro de Ciro” e um prêmio de R$ 10 mil. O compêndio “Histórias da Engenheira Eugênia reúne histórias em quadrinhos, publicadas em quatro anos, sobre questões de gênero, mundo do trabalho e combate às opressões. 

 

A Engenheira Eugênia, uma mulher de 40 anos com 15 de trabalho, recém-divorciada, dois filhos, uma adolescente de 15 anos e um menino de 9 anos.

 

 

Confira a publicação AQUI

 

 

Lançado o primeiro livro de quadrinhos da Engenheira Eugênia

 

 

 

Lançado o primeiro livro de quadrinhos da Engenheira Eugênia

 
 
 
 
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O Coletivo de Mulheres da Fisenge lançará, no dia 6/9, o primeiro Compêndio “Histórias da Engenheira Eugênia”, que reúne a trajetória da personagem protagonista das histórias em quadrinhos, publicadas desde 2013  pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). O livro tem como objetivo afirmar a importância da organização das trabalhadoras e dos trabalhadores e do empoderamento das mulheres. O lançamento acontecerá durante o 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), em Curitiba (PR).

“A iniciativa tem o caráter pedagógico de mostrar situações de assédio e violências, não apenas nas questões da engenharia, como em toda a sociedade. As histórias são pontes de diálogo entre as pautas identitárias e as pautas históricas como o combate à LGBTfobia, racismo, etarismo, machismo, e também sobre o combate às privatizações, o desmonte do Estado brasileiro e os ataques à engenharia nacional”, declarou a diretora da mulher da Fisenge e engenheira química, Simone Baía. 

Em novembro de 2016, o projeto Engenheira Eugênia ganhou o 1º lugar, na categoria cidadã em comunicação sindical, do Prêmio de Direitos Humanos da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra). A Fisenge recebeu uma estatueta inspirada no “Cilindro de Ciro” e um prêmio de R$ 10 mil.

“A Fisenge investe na comunicação sindical como um dos pilares estratégicos de sua organização. Nós, mulheres, nos apropriamos das novas formas de comunicação para pautar questões de gênero e de toda a sociedade e, principalmente, promover empoderamento, pertencimento e visibilidade dos direitos das mulheres e o avanço da luta de todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores”, disse a diretora Simone Baía.

Coletivo de Mulheres da Fisenge lançará compêndio “Histórias da Engenheira Eugênia”

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Empoderar e dar visibilidade às mulheres negras e indígenas nas áreas tecnológicas. Este é o objetivo da Pretalab, uma iniciativa que utiliza a tecnologia como ferramenta de transformação social, buscando mudar o que está culturalmente associado às mulheres negras e indígenas, no Rio de Janeiro. De acordo com Silvana Bahia, comunicadora social e diretora de projetos do Olabi, depois de perceber a baixa representação de mulheres negras e indígenas na tecnologia, as fundadoras da organização social sentiram a necessidade de alterar essa realidade. Isso porque, das 19 mulheres citadas na história científica no Brasil, nenhuma é negra; apenas 10 mulheres negras se formaram na Escola Politécnica da USP em 120 anos; e 4% é o percentual de negras entre as fundadoras de startups de tecnologia comandadas por mulheres nos EUA. O projeto PretaLab possibilita o mapeamento e a participação de mulheres negras e indígenas na área de tecnologia, fazendo uma rede de colaboração, além de oferta de oficinas como o WordPretas, em parceria com "minasqueprogramam".

Por Camila Marins (jornalista Fisenge)

 Como surgiu a Pretalab?

 A Pretalab é uma iniciativa do Olabi - organização social com foco na promoção da diversidade na produção de novas tecnologias. Nós nascemos em 2014 com a missão de democratizar o acesso às ferramentas e às máquinas de fabricação digital, partindo da ideia de que a inovação está na mão de quem tem as ideias, e não apenas nos grandes centros de pesquisa. Em 2016, já tínhamos a ideia de criar um hub [centro] para mulheres negras trocarem saberes em tecnologia. Só que não conhecíamos mais do que dez meninas negras no Rio de Janeiro que trabalhassem no campo da inovação e tecnologia, considerando os limites da nossa bolha. Decidimos mudar de estratégia, porque, quando começamos a pesquisar dados sobre gênero e raça nas tecnologias, vimos que esse recorte interseccional não é feito nas pesquisas, geralmente. Hoje, temos muitos dados sobre mulheres nas tecnologias (o que é muito bom), mas é complicado olhar para essa questão sem a interseccionalidade que ela demanda, sobretudo quando falamos de Brasil - o último país a abolir a escravidão. A gente olha para os dados do levantamento feito pelo grupo Poligen da USP que diz que em 120 anos a Escola Politécnica da USP não formou nem 10 mulheres negras, mas quando a gente pensa que esse ano completou 130 anos da abolição, a gente entende por que é impossível a USP formar mais mulheres negras em 120 anos.

 

Hoje, a Pretalab é uma iniciativa com dois objetivos gerais: levantar dados sobre mulheres negras e indígenas nas tecnologias a partir de um mapeamento colaborativo na rede e uma ação de comunicação: estamos fazendo dez vídeos para a internet com meninas e mulheres que consideramos referência nesses campos para inspirar outras meninas e para que elas possam considerar esse universo para elas também.

 Como você avalia a participação de mulheres negras e indígenas na produção de ciência e tecnologia?

 Sabemos que somos poucas, mas sabemos que existimos. Porém quando a gente não tem informação ou dados é difícil até dizer que existimos. No final do dia, o que a gente quer é levantar essa pauta e influenciar políticas de acesso e permanência dessas mulheres, no mercado de trabalho ou em instituições de ensino formal. Acreditamos no protagonismo de negras e indígenas nesses campos, porque sabemos que existem muitas de nós produzindo e usando tecnologias para diferentes fins.

 Temos uma teoria de que essa ausência está ligada diretamente a dois fatores: falta de acesso e referência. Acesso porque estudar no Brasil é privilégio e aqui classe tem cor. Dentro do guarda-chuva “acesso” também estão questões econômicas e de língua. A maioria desses conteúdos é em inglês e sabemos que poucos são os pobres que falam outro idioma em nosso país. É muito difícil você imaginar algo ou atuar em algum campo que você não vê ninguém parecido contigo. Normalmente, esses lugares techs estão destinados aos filhos e às filhas dos patrões. Para nós, negras e indígenas, ter a profissão de empregada doméstica é um destino quase certo. Minha avó era empregada doméstica, minha mãe é empregada doméstica. Costumo dizer que contrariei as estatísticas quando não me tornei uma.

 As mulheres ainda são minoria nessas áreas ainda predominantemente masculinas. Que iniciativas podem contribuir para a inclusão?

 A primeira iniciativa é olhar para essa questão e discutir muito, tanto no campo profissional como no campo da educação. Não é possível a sociedade achar normal só ver homens brancos ocupando esses espaços. É só a gente olhar para esses eventos de tecnologia e inovação, normalmente quem está nas mesas discutindo são homens, brancos e de classe média alta. De alguma forma isso hoje está mudando, embora precisemos avançar muito. Mas também acho que, mesmo entre as mulheres brancas, tem que existir uma solidariedade para que as mulheres negras estejam lá também e isso se passa primeiramente por olhar essas questões. Nós, negras, somos a base da pirâmide social, lideramos os piores índices quando o assunto é mercado de trabalho, saúde e educação. Somos as mais desempregadas, as que mais morrem em situação de partos, feminicídio, entre outros índices que são tão tristes e me deixam angustiada. Isso significa que ser mulher é um guarda-chuva mais amplo do que parece e dentro dele existem muitas camadas. Mulheres negras não são todas iguais, precisamos reconhecer a diversidade que existe quando usamos essas categorias.

 Qual a importância da apropriação das tecnologias?

 Hoje, o mundo é cada vez mais digital. Não voltaremos ao analógico. E se a gente não entender minimamente os processos em que estamos inseridas, isso nos deixa com muita desvantagem. Essas desvantagens são fruto de um processo histórico e precisamos olhar para elas. Não é uma ou duas iniciativas que vão dar conta de resolver o todo, mas podemos influenciar esse olhar e as pessoas para que pensem “fora das caixinhas”. Mesmo quando a gente não se considera alguém das tecnologias é preciso entender que na contemporaneidade estamos o tempo todo lidando com elas, seja na rede social ou na nota fiscal de uma compra na farmácia. Estamos gerando dados e informações sobre nossas vidas a todo tempo, mas a quem servem esses dados?

 Além disso, todas as tecnologias que usamos, desde os aplicativos às redes sociais, são desenvolvidas por pessoas que carregam visões de mundo, culturas. Todas as tecnologias são dotadas da visão de mundo e cultura de quem as cria. Então, não existe neutralidade. Se só usamos coisas feitas por homens, brancos e de classe média como poderemos ser entendidas nas nossas completudes? O que pode mudar quando as tecnologias são desenvolvidas por pessoas negras, trans, deficientes? É essa pergunta que norteia boa parte do que fazemos no Olabi, mas ainda estamos numa fase de mais perguntas do que respostas.

De que forma as mulheres engenheiras podem contribuir?

Primeiro de tudo é reconhecendo que existem essas diferenças dentro dos feminismos e que a questão de raça/etnia também é uma categoria social que exclui muitas mulheres. Segundo, fortalecendo outras meninas e mulheres que estão a fim de entender mais sobre esse universo, para que possam se inspirar e fortalecer esse movimento.

 Projeto dá visibilidade a mulheres negras e indígenas na área tecnológica

Crédito Foto: Divulgação/Olabi MakerSpace

 

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Engenheiras de 12 sindicatos da categoria se reúnem neste sábado (15) na sede do Senge Paraná, em Curitiba, para a reunião nacional do Coletivo de Mulheres da Fisenge. São 11 estados representados, de Norte a Sul do Brasil. O encontro ocorre ao longo de todo o dia, sob a coordenação da diretora da mulher da Fisenge, a engenheira Simone Baía.

Na abertura do encontro, o presidente do Senge-PR, Carlos Bittencourt, frisou o esforço do sindicato em avançar na paridade de gênero na diretoria da entidade. “Uma das premissas para montar a nova chapa era buscar mais mulheres e jovens para compor a direção. Foi uma aposta muito grande, por ter sido uma busca por renovação”, explica Bittencourt, se referindo à eleição para a nova diretoria do Senge, realizada em maio.

E o esforço deu resultado prático: a nova diretoria passou a ter 29% de engenheiras, num total de 23 mulheres na direção estadual. Das sete regionais do Senge-PR, duas tem presidência de mulheres. O percentual ganha força quando comparado aos 12% de engenheiras associadas ao sindicato e aos 19% de mulheres engenheiras no Paraná. No Senge Jovem, a presença das estudantes mulheres das direções regionais e entre os associados está na casa dos 50%.

Simone Baía destacou a ampliação do número de mulheres na diretoria recém-empossada do Senge-PR. “Mesmo com uma categoria majoritariamente masculina, nós, mulheres, estamos avançando na ocupação dos espaços. É fundamental que engenheiras participem dos sindicatos, para que possamos formular políticas específicas de gênero e também construir espaços mais acolhedores às mulheres nas entidades”, afirmou.

“Chegar a 29% de presença de mulheres na direção é avanço enorme, que precisa ser reconhecido e valorizado. É um movimento de ampliação da participação das mulheres. Todo o nosso esforço agora é em fortalecer o coletivo de mulheres no estado”, apontou Mary Stela Bischof, diretora estadual do Senge e representante do Paraná no Coletivo de Mulheres na Fisenge.

A diretora-geral da Regional de Campo Mourão, Losani Perotti, e a coordenadora estadual do Senge Jovem Paraná, Letícia Partala, também participam da reunião.

Mulheres constroem rede de empoderamento e solidariedade

“Temos uma cidade segregadora, com espaços onde podemos frequentar e onde não podemos”, relatou a geógrafa e militante feminista Marceleh Lemos, que apresentou o projeto de Promotoras Legais Populares (PLPs) de Curitiba e da Região Metropolitana, durante a reunião do Coletivo de Mulheres da Fisenge. Com início em São Paulo, o curso promove formação política feminista e direitos para mulheres por meio de uma rede articulada em todo o país. Em Curitiba, a formação acontece por meio do curso de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenado pela professora Melina Girardi Fachin. A primeira turma “Amelinha Teles” se formou, em 2011, no salão nobre da faculdade de Direito. “Foi muito simbólico, pois nas paredes do salão só havia fotos de homens”, contou a engenheira agrônoma e diretora do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR), Mary Stela Bischof, que participou da primeira turma.

“O curso de formação é baseado em educação popular, que busca oferecer às mulheres condições para superar situações de discriminações, desigualdades, violências físicas e psicológicas vividas no cotidiano, formando-as para o exercício da cidadania”, explicou Marceleh. Mary Stela ainda lembrou que, durante o curso, duas mulheres denunciaram situações de violência que viviam. “Elas sofriam violência doméstica, tomaram coragem e prestaram queixa, uma delas de Piraquara, inclusive”, disse. Piraquara, localizada na região metropolitana de Curitiba, é a segunda cidade onde ocorre maior número de feminicídios [crimes baseados em violência de gênero]. De acordo com levantamento do Instituto Sangari, de 2010, Piraquara registra uma taxa de 24,4 casos de homicídios de mulheres por 100 mil habitantes. “Fala-se que Curitiba é uma cidade modelo, mas a região metropolitana é uma das mais violentas do Brasil”, relatou Marceleh.

De acordo com a geógrafa, as Promotoras Legais Populares são “aquelas que podem orientar, dar conselho e promover a função instrumental no dia a dia das mulheres. Um dos desafios é oferecer atendimento jurídico e psicológico às mulheres em situação de violência”.

Mulheres de diferentes áreas e atuações participam do curso como engenheiras, catadoras de materiais recicláveis, conselheiras tutelares, assistentes sociais, sindicalistas, militantes e estudantes, por exemplo. Entre os pontos abordados no curso estão: educação popular feminista, mulheres na política, Estado laico, direitos das mulheres, saúde e sexualidade, reapropriação do corpo, direitos reprodutivos, diversidade sexual. As mulheres mães contam com uma ciranda que cuida de crianças com a contribuição de estudantes homens.

“A informação e o compartilhamento destas informações promovem uma rede coletiva de empoderamento entre mulheres, que têm acesso ao conjunto de direitos que devem ser reivindicados e ainda propicia uma rede de solidariedade entre as mulheres. Na engenharia, por exemplo, nós podemos contribuir na formulação de políticas que promovam espaços seguros para as mulheres”, ressaltou a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía e, por isso, nós, mulheres engenheiras, podemos dar a nossa contribuição sobre direitos das mulheres na cidade e no campo.

A engenheira e representante do Senge-ES no Coletivo de Mulheres da Fisenge, Lúcia Vilarinho lembrou de um projeto que participou em sua trajetória profissional. “Em obras de assentamentos, havia o curso ‘Promotores da Cidadania’, no qual discutíamos com a comunidade as obras e seus impactos”, relatou.

Ao finalizar, Marceleh destacou uma frase estampada em sua camiseta: “Mulheres que ousam lutar constroem o poder popular”.

Conheça o projeto em: https://www.facebook.com/plpscuritiba/

Texto e fotos: Camila Marins (Fisenge) e Ednubia Ghisi (Senge-PR)

Coletivo de Mulheres da Fisenge se reúne em Curitiba

 

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Quarta, 12 Julho 2017 15:17

Nota de solidariedade às senadoras

A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) presta solidariedade às senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-ES), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice de Mata (PSB-BA), Regina Sousa (PT-PI) e Kátia Abreu (PMDB-TO), que, bravamente, ocuparam a mesa diretora do Senado Federal em protesto ao projeto de Reforma Trabalhista. As senadoras resistiram durante toda a tarde do dia 11/7, com o objetivo de impedir a votação e denunciar o desmonte da legislação trabalhista. As mulheres tentaram ao longo do dia negociar, ao menos, o adiamento da votação e a retirada do ponto sobre a possibilidade de grávidas e lactantes trabalharem em locais insalubres. Prestamos nossa solidariedade às senadoras que marcaram o dia 11 de julho como a Primavera das Mulheres no Senado Federal, num gesto de coragem, resistência e luta.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Rio de Janeiro, 12 de julho de 2017

Nota de solidariedade às senadoras

 

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil/EBC

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Hoje (28/6) é uma data que marca a memória da “Rebelião StoneWall”. O movimento aconteceu nos EUA, em 1969, com o objetivo de protestar contra a invasão e as ações truculentas da polícia norte-americana no bar StoneWall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village. O movimento LGBT organizou uma marcha histórica de denúncia das violações de direitos humanos e também em protesto à violência e à discriminação. De acordo com a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, ainda hoje, principalmente no Brasil, a população LGBT ainda não tem acesso a uma série de direitos, como saúde integral, segurança pública, emprego, educação. “Discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no local de trabalho deve ser denunciada nos sindicatos e é fundamental que sejam incluídas cláusulas afirmativas e também instrumentos de coibição de discriminação de gênero e orientação sexual em seus acordos e suas convenções coletivas”, afirmou Simone, lembrando que, por exemplo, podem ser incluídas cláusulas que incluam os companheiros e as companheiras homoafetivos nos benefícios e também o respeito ao nome social de pessoas trans nos locais de trabalho. Outro ponto destacado por Simone é o acolhimento de pessoas LGBTs nas entidades sindicais. “Ainda é preciso um exercício pedagógico para erradicar reproduções de narrativas LGBTfóbicas e também o estímulo às políticas de inclusão de pessoas LGBTs”, declarou.

O Coletivo de Mulheres da Fisenge publica histórias mensais sobre gênero, por meio do projeto Engenheira Eugênia, e já publicou uma história em quadrinhos sobre transfobia, sobre o Estatuto da Família e combate à LGBTfobia. Confira abaixo:

Engenheira Eugênia debate sobre o Estatuto da Família

Engenheira Eugênia combate transfobia nos espaços

Engenheira Eugênia conversa com a filha sobre respeito à famílias homoafetivas

Texto: Camila Marins

 

 

 

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A maior presença de mulheres no mercado de trabalho global seria capaz de injetar mais de US$ 5 trilhões na economia mundial, em oito anos. É o que revela o relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo - Tendências para Mulheres no Mercado de Trabalho em 2017, lançado nesta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No Brasil, por exemplo, se a participação de mulheres no mercado de trabalho aumentasse apenas 3,3%, poderia render um aumento de cerca de R$ 337 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB). Em todo o mundo, os postos de trabalho são ocupados predominantemente por homens. No Brasil, 78,2% da população masculina é economicamente ativa, enquanto entre elas esse número é de 56%.

Mais mulheres no mercado de trabalho poderia acrescentar US$ 5 tri à economia mundial

A economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destaca que a participação das mulheres é ainda menor nas camadas mais pobres da população.

"Dois aspectos se sobressaem em relação a isso. O grau de vulnerabilidade dessas mulheres, a condição socioeconômica, e a faixa etária. Quanto mais pobres as mulheres, menor a taxa de participação no mercado de trabalho. Entre as mulheres extremamente pobres, a taxa de participação cai para 38%. Ou seja 72%, estão fora do mercado de trabalho", afirma a pesquisadora, em entrevista à repórter Michelle Gomes, para o Seu Jornal, da TVT.

Já a secretária de Comunicação da CUT-SP, Adriana Magalhães, cobra o reforço de políticas públicas, principalmente em educação, como forma de garantir a condições de igualdade entre homens e mulheres no mercado.

"É importante se discutir política pública que elimine o déficit que nós temos de vagas em creches. Esse é um elemento também que inibe e dificulta a mulher no mundo do trabalho. Se não tem vaga na creche, não têm trabalho pra fora", afirma Adriana.

Fonte: Rede Brasil Atual 

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A 58ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO 2017, em inglês) estreará uma premiação especial para mulheres, que passará a fazer parte do calendário permanente do evento. Com representantes de 110 países, a olimpíada acontecerá de 17 a 23 de julho, no Rio de Janeiro.

Sugerido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), o Troféu IMPA Meninas Olímpicas vai premiar as cinco estudantes que mais contribuírem com o resultado de suas equipes, com o objetivo de incentivar a presença feminina na competição.

Olimpíada Internacional de Matemática vai estrear premiação para mulheres

O diretor do IMPA, Marcelo Viana, estima que cerca de 10% dos participantes da olimpíada sejam mulheres, patamar próximo da realizada em 2016, quando 71 dos 602 competidores eram do sexo feminino. Na delegação brasileira de 2017, por exemplo, não há nenhuma mulher, e a última competidora que representou o Brasil na olimpíada foi Maria Clara Mendes Silva, em 2011 e 2012.

Além dela, somente seis mulheres competiram pelo Brasil na IMO: Leda Braga, em 1983; Maria Célia Paiva de Freitas, em 1988; Fátima Luciana da Rocha, em 1992; Daniele Veras de Andrade, em 1998; Larissa Cavalcanti Queiroz de Lima, em 2002 e 2003; e Deborah Barbosa Alves, em 2010 e 2011.

Marcelo Viana disse que é preciso agir para reverter esse cenário de desequilíbrio. "Esse é um processo que certamente vai demorar um tempo para evoluir, mas a gente tem que agir, porque é um círculo vicioso. Se são poucos os exemplos para elas se inspirarem, as garotas acham que aquilo não é para elas", disse.

Para o pesquisador, há pressão cultural contrária à presença de mulheres na matemática, graças a uma ideia equivocada de que elas têm mais inclinação para as ciências humanas. "É uma besteira que se perpetua, então, a gente tem que atuar e acreditar que é um processo de médio e longo prazo".

O número de mulheres na competição ficou estabilizado entre 2011 e 2016, quando oscilou entre 57 e 51 participantes, com altas e baixas. A participação de 71 mulheres em 2016 foi o recorde da competição, que teve no ano passado o maior número de competidores da história. Com esses números, foram 11,8% de atletas mulheres disputando medalhas.

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Dados divulgados pelo coletivo Poligen, grupo de estudos de gênero da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), apresentam uma dura realidade. Em 121 anos de existência, apenas sete mulheres negras se formaram na faculdade de Engenharia da USP. Entre as 19 pioneiras da ciência brasileira homenageadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nenhuma era negra.

Quando o assunto é remuneração, elas também são as mais desfavorecidas. De acordo com dados de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2016, as mulheres negras ganham um salário 40% mais baixo que o de homens brancos. Os números divulgados são da pesquisa Mulheres e Trabalho: Breve Análise do Período 2004-2014, e mostram que, apesar de a situação ter melhorado, essa parte da população ainda é a que recebe menores salários.

Projeto luta para a inclusão de mulheres negras em áreas da tecnologia

Diante desse quadro, a Olabi, empresa focada em criatividade e tecnologia para a inclusão social, criou o PretaLab. A iniciativa, lançada oficialmente em março deste ano e idealizada por mulheres negras, tem como principal objetivo realizar um levantamento sobre a participação de negras e indígenas nos campos de inovação e tecnologia.

A pesquisa, que coletará histórias de diversas mulheres, criou um formulário em seu site. De acordo com as organizadoras, com tão poucos dados disponíveis sobre a participação de mulheres negras na tecnologia, fica difícil criar ou orientar políticas públicas de inclusão de gênero e racial. Além de engenheiras e profissionais da computação, são convidadas a participar do projeto profissionais de outros campos da informação, como cientistas de dados, youtubers e analistas de mídias sociais.

Em geral, a participação de mulheres em cargos relacionados à tecnologia está longe do ideal. Conforme levantamento feito pelo Ministério da Educação em 2013, apenas 15,53% dos ingressantes em cursos relacionados a computação e tecnologia são mulheres.

Globalmente, o problema é similar: estudo realizado pela revista Harvard Business Review indica que as mulheres compõem 41% dos empregos ligados a tecnologia e ciência nos Estados Unidos. No entanto, 52% delas abandonam a área — o ambiente machista é um dos principais fatores que as levam a desistir de seus empregos.

Fonte: Revista Galileu

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