Engenheiros e engenheiras reunidos no 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), realizado entre os dias 6 e 9/9, aprovaram a Carta de Curitiba. O documento aponta para a urgência de um projeto de país comprometido com a engenharia brasileira, a soberania nacional e a classe trabalhadora. “Com a consolidação do golpe ao mandato da presidenta Dilma Rousseff, a engenharia brasileira sofre um inaceitável processo de criminalização, com empresas nacionais fechadas, obras paralisadas e milhares de profissionais demitidos”, aponta o documento que ainda afirma: “Repudiamos a corrupção e exigimos a responsabilização de todas as pessoas envolvidas em desvios de conduta (...) A desnacionalização da economia, em curso no Brasil, aprofunda o desmonte da engenharia brasileira, a subordinação ao capital estrangeiro, as desigualdades sociais e ameaça a soberania nacional. Repudiamos, ainda, a entrega do território brasileiro e também as privatizações”.

Com o tema “Resistir! Em defesa da engenharia e da soberania nacional”, o 11º Consenge ocorreu em Curitiba, com mais de 300 participantes e o maior número de mulheres da história dos Congressos e ainda contou com aula magna do senador Roberto Requião (PMDB-PR) e palestras com o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães; o historiador e professor Valter Pomar; o economista e ex-presidente do Ipea, Marcio Pochmann e a socióloga e pesquisadora Maria Rosa Lombardi. O evento foi realizado pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), que tem sede no Rio de Janeiro, e pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR). Ao longo dos quatro dias, filiados aos 12 sindicatos que compõem a Federação, tiveram como debate central a defesa da engenharia e da soberania nacional.  Também foi eleita a nova diretoria da Fisenge, cuja presidência é ocupada pelo reeleito engenheiro Clovis Nascimento. A cobertura completa está disponível no site: www.fisenge.org.br e no facebook.com/federacaofisenge

 

Confira a íntegra da Carta de Curitiba:

Carta de Curitiba

 

No marco dos 100 anos da primeira Greve Geral no Brasil e da Revolução Russa, nós, engenheiras e engenheiros reunidos no 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), manifestamos a urgência de um projeto de país comprometido com a engenharia brasileira, a soberania nacional e a classe trabalhadora. Fizemos o maior Congresso da história, com mais de 300 participantes, além da maior delegação de mulheres e de estudantes, frutos da construção do Coletivo de Mulheres da Fisenge e do Coletivo Nacional de Estudantes, em diversos estados.   

Com a consolidação do golpe ao mandato da presidenta Dilma Rousseff, a engenharia brasileira sofre um inaceitável processo de criminalização, com empresas nacionais fechadas, obras paralisadas e milhares de profissionais demitidos. Estas são consequências intoleráveis, frutos da crise política capitaneada pela Operação Lava Jato. Repudiamos a corrupção e exigimos a responsabilização de todas as pessoas envolvidas em desvios de conduta, sem a penalização das empresas nacionais.

A engenharia é o motor da economia de todo país, uma vez que amplia a capacidade produtiva e de investimentos. A desnacionalização da economia, em curso no Brasil, aprofunda o desmonte da engenharia brasileira, a subordinação ao capital estrangeiro, as desigualdades sociais e ameaça a soberania nacional. Repudiamos, ainda, a entrega do território brasileiro e também a privatização da Eletrobrás, dos Correios, da Casa da Moeda. Reivindicamos a defesa da Petrobras pública e estatal como elemento estratégico para o desenvolvimento social. É imperativo o investimento em ciência e tecnologia, impedindo a chamada “fuga de cérebros”. Um país sem ciência e sem tecnologia é um país sem soberania nacional. A engenharia brasileira possui acúmulo tecnológico para pensar, formular, construir, projetar e inovar soluções de melhoria de condições de vida para a população. 

As profundas transformações no mundo do trabalho, a chamada Revolução 4.0, impõem desafios para enfrentarmos o desemprego estrutural previsto internacionalmente. Para além do campo de benesses, é necessário disputar o controle e a distribuição das tecnologias.

Manifestamos como urgente a revogação da reforma trabalhista e da emenda constitucional 95, que determina um teto para os gastos públicos. Defendemos a redução da jornada de trabalho para 35 horas sem redução de salário e a manutenção da previdência social. Apoiamos uma reforma política popular, com financiamento público de campanha e fortalecimento dos partidos políticos.

A crise é mundial e não há solução fácil. Temos, todos e todas, grandes responsabilidades. E, com grandes responsabilidades, surgem tarefas. Temos a tarefa histórica de resistir e lutar em defesa da engenharia, da democracia e da soberania nacional.

Curitiba, 09 de setembro de 2017

11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros

Engenheiros aprovam carta em defesa da democracia, da soberania nacional e da engenharia

 

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Em um contexto mundial de conflito, seja entre as classes sociais, seja entre as nações, com a crise do capitalismo ainda não resolvida, o acentuado declínio dos Estados Unidos e o esforço feito por eles para manter sua hegemonia, o historiador e professor Valter Pomar defende que o Brasil tem sido traído pela classe dominante que, através do golpe que culminou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, assumiu o governo brasileiro.

“Com o tamanho que nós temos, com a população, os recursos naturais e os recursos humanos que nós temos, a classe dominante deveria agir para reduzir os conflitos sociais, possibilitando aumentar a coesão social interna, criando as condições para um projeto de desenvolvimento com soberania nacional, igualdade e democracia, que permita ao país sobreviver nesse ambiente mundial”, defende. Na opinião do historiador, a classe dominante tem patrocinado medidas que afetam os interesses nacionais, retiram direitos, aumentam o desemprego e eliminam políticas públicas. “A consequência é o aumento do conflito”, afirma.

Valter Pomar acredita que essa postura dos que dominam o poder político e econômico brasileiro acontece porque a soberania nacional não é de interesse desse setor. “Essa classe dominante extrai sua riqueza da desigualdade social, da dependência externa, da ausência de democracia e de um desenvolvimento limitado. Ela não é uma classe dominante que necessite da soberania nacional para ganhar dinheiro”, explica.

A classe dominante brasileira sobrevive com a exploração avançada dos trabalhadores. Os avanços na tecnologia e o crescimento econômico não se refletem em melhores salários, nem em melhores condições de trabalho. “Nós temos empresas de roupa que estão nos melhores shoppings, e que convivem com trabalho escravo. Nós temos figuras que arrotam poderem viajar em ótimas condições e que acham um absurdo pagar um salário e registrar a trabalhadora doméstica na sua casa”, destaca.

Permanecer nesse ambiente social de conflito, de acordo com o historiador, é consolidar uma guerra civil de baixa intensidade, como as que já existem em algumas cidades brasileiras, “que a gente trata como se fosse um problema de ordem pública, de segurança pública, e não um imenso conflito prestes a explodir”.

O GOLPE E A CONCILIAÇÃO DE CLASSES

Para Valter Pomar, o golpe que resultou na crise política, econômica e social atual, e que se aprofunda com as medidas adotadas pelo governo ilegítimo, foi um golpe contra os êxitos, visando impedir o que poderia vir a ocorrer. No entanto, defende o professor, “foi vitorioso por causa dos erros cometidos, entre os quais eu considero que o principal pode se resumir na palavra conciliação”.

“Tivemos a crença de que a classe dominante quer desenvolvimento e soberania, a crença de que a classe dominante ia respeitar a democracia e o voto, a crença de que os trabalhadores poderiam usar os mesmos meios e instrumentos que os do lado de lá utilizam para governar, e a crença de que as potências imperialistas iam assistir o surgimento, a nossa entrada na passarela com graça e desenvoltura, sem fazer nada”, desabafa.

CONSTRUÇÃO DE NOVOS CAMINHOS

Valter Pomar defende que é preciso lutar para evitar que a atual situação se consolide e revertê-la, apontando um outro caminho. “Precisamos contribuir para construção de uma maioria cultural, política e social no Brasil, disposta a um outro curso, que não seja neoliberal. Porque o modelo neoliberal não oferece perspectiva de futuro para a maioria da população brasileira”, afirmou.

De acordo com o historiador, esse novo caminho deve contemplar: a elevação de maneira rápida, continuada e permanente a vida material e cultural do povo brasileiro; crescimento industrial, oferecendo condições econômicas para uma elevação sustentável do padrão de vida da classe trabalhadora; protagonismo do Estado; realização das reformas estruturais, como a financeira, agrária, urbana, tributária, política, do setor energético, judicial e da segurança pública e a democratização da comunicação; e o esforço massivo de políticas públicas.

Para o professor, não devemos nos limitar a implementar o programa do Congresso Constituinte de 1988, como foi feito entre 2013 e 2016. “A constituição de 88 não agrada a classe dominante, nunca agradou. Mas, ela também é insuficiente do ponto de vista daqueles que querem melhorar de maneira profunda e consistente a vida do povo brasileiro”.

Texto: Marine Moraes (Senge-PE)
Edição: Carolina Guimarães (Senge-BA)

Foto: Joka Madruga

 

Para Valter Pomar, classe dominante brasileira não tem interesse no desenvolvimento nacional

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Um dos palestrantes do tema “O Desenvolvimento e a Soberania nacional”, o embaixador e ex-secretário geral do Ministério das Relações Exteriores Samuel Pinheiro Guimarães falou na manhã do dia 08 de setembro, durante o 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros – Consenge, sobre a posição estrutural de dependência que o Brasil ocupa no cenário internacional e os desafios para o rompimento desse ciclo. Para ele, soberania e desenvolvimento estão intrinsecamente relacionados, pois, a soberania só será garantida com a superação da atual condição de subdesenvolvimento do país – mas esta superação depende da reafirmação da própria soberania.

Razões da dependência

Guimarães definiu soberania como a capacidade de uma nação organizar sua sociedade, economia e sistema político sem interferência externa excessiva e sem depender do auxílio de outros países. De acordo com essa definição, o Brasil necessitaria ainda de um longo caminho para tornar-se efetivamente soberano. De acordo com o palestrante, o país possui uma “relação estruturalmente deficitária no mercado internacional”, no qual se coloca como exportador de commodities e importador de tecnologias. Esse desequilíbrio traz como consequência a dependência de capitais externos para equilibrar o balanço de pagamento. “Essa é a justificativa utilizada para as altas taxas de juros, para atrair capitais especulativos”, explicou. Além do país pagar caro pelas tecnologias estrangeiras, Guimarães ressalta que as empresas não utilizam no Brasil seus conhecimentos mais avançados.

Um outro tipo de dependência apontado por Guimarães é a dependência ideológica, na formação do imaginário das pessoas. Para ele, a televisão seria o principal meio pelo qual esse imaginário é formado e reconhecido; e criticou não apenas o predomínio de produtos culturais de outros países, mas também a presença, neles, de valores individualistas. “Essa questão do imaginário tem a ver com a cultura e o apoio do próprio estado brasileiro a manifestações culturais estrangeiras é uma coisa extraordinária”, disse.

Por fim, Guimarães aponta que uma das razões para a condição de dependência brasileira é a sua fragilidade diante da possibilidade de agressão externa. Embora um conflito bélico não esteja no horizonte, ele lembrou que existem pressões internacionais. “E há uma vulnerabilidade enorme do ponto de vista de defesa da sociedade e do estado brasileiro”, afirmou. Desde o golpe, porém, as pressões têm sido menos necessárias, uma vez que “o governo atual é totalmente alinhado com os interesses das potências internacionais”.

Visões de mundo em disputa

Durante sua exposição, Guimarães foi claro ao afirmar que o momento é de disputa de visões para o Brasil. Há quem tenha a crença que a iniciativa privada seria a solução para os problemas nacionais – e a Emenda Constitucional que congelou o teto dos gastos públicos é uma expressão desse plano: “é uma tentativa de reduzir o Estado ao mínimo”. Por outro lado, um projeto que se baseia na convicção de que o Estado tem um papel regulador na diminuição das desigualdades: “para vencer as desigualdades sociais, as deficiências nos fatores de produção, as vulnerabilidades externas, você precisa do estado”, disse. “Como regulador das relações sociais e como investidor nas áreas que a iniciativa privada não se interessa”.

Caminhos de superação e o papel da Engenharia

Ao apontar possíveis caminhos para o desenvolvimento e soberania nacionais, Guimarães destacou o fortalecimento da força de trabalho – que passa, também, pela própria consciência de classe: “Todos aqueles que não são proprietários dos meios de produção são trabalhadores; eles podem até achar que não – que são profissionais liberais, etc, mas no sistema capitalista, são trabalhadores”.

Outras necessidades são o investimento em infraestrutura – rodovias, ferrovias, portos, por exemplo – e na tecnologia, além de evitar a exploração predatória dos recursos naturais e da mão de obra. De acordo com Guimarães, o desenvolvimento depende do aumento da capacidade instalada de todos os setores produtivos e da organização física da produção, dos equipamentos e do conhecimento. Nessa organização, o papel da Engenharia é fundamental. Ele defendeu a urgência de aumentar o número de engenheiros e engenheiras formados anualmente no Brasil, através da análise das razões da evasão dos cursos, do apoio financeiro aos estudantes e do investimento na formação de bons professores para despertar nos jovens o interesse na Engenharia. “Aí serão formadas pessoas que podem de fato desenvolver o Brasil”, finalizou.

Texto: Carolina Guimarães (Senge-BA)
Edição: Marine Moraes (Senge-PE)

Foto: Joka Madruga

Embaixador Samuel Pinheiro fala sobre desenvolvimento e soberania no 11º Consenge

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Maria Rosa Lombardi, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, apresentou o estudo sobre o tema na manhã desta quinta-feira (7), durante a mesa Proteção Social do Trabalho” do Consenge

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Ao chegar ao canteiro de obras, a engenheira Eugênia pergunta a uma colega onde fica o banheiro feminino. “Você tá sonhando, engenheira Eugênia? Aqui só tem um banheiro, pra homem e pra mulher. Quem chegar primeiro usa”, responde a outra engenheira. A tirinha exemplifica uma das muitas dificuldades enfrentadas pelas engenheiras neste ambiente de trabalho, ocupado majoritariamente por homens.

Esse é o tema que permeia a pesquisa apresentada pela professora e socióloga Maria Rosa Lombardi, da Fundação Carlos Chagas, na manhã desta quinta-feira (7/9), durante a mesa Proteção Social e do Trabalho” do Consenge. A análise identificou as principais transformações ocorridas na organização e nas condições de trabalho de engenheiras e engenheiros civis na construção.

O estudo focou na relação entre engenharia, trabalho e relações de gênero na construção de habitações em duas construtoras de habitações de médio porte no estado de São Paulo. A partir de 68 entrevistas, a pesquisadora conheceu a fundo a realidade de engenheiras e engenheiros que trabalhavam em outras construtoras e gerenciadoras de obras, integrantes de sindicatos patronais, associação de fornecedores de materiais.

Maria Rosa Lombardi identificou quatro desafios principais enfrentados pelas engenheiras. O primeiro deles é a lidar com a constante desconfiança sobre a sua capacidade intelectual e competência técnica. “A inteligência das profissionais é colocada sob suspeita e se apoia em uma concepção de inferioridade feminina”, explica a pesquisadora.

Frente a isso, as engenheiras são levadas a “se impor”, “ser firmes” e a “ter coragem”, conforme explicitado nas entrevistas. “[...] vai tentar te diminuir para dizer que você é menos, que você não sabe por que é mulher, só por conta disso. Você pode saber mais do que ele, mas ele vai tentar provar que ele é melhor porque é homem e você, mulher”, disse uma das engenheiras entrevistadas pela pesquisadora.

Outro desafio diz respeito ao descrédito sobre a habilidade para comandar equipes.  “É a concepção de que ‘mulheres não foram feitas para mandar’, ‘não sabem dirigir’, que existe em toda a sociedade e se transforma em justificativa para dificultar ou impedir o acesso das mulheres a postos de poder e autoridade”, afirma a pesquisadora.

Assim como em outras relações de trabalho, a questão da maternidade é encarada com um ponto negativo na atuação das engenheiras civis atuantes nos canteiros de obra.  “Ouviu o relato de uma engenheira que teve filho, ficou um mês de licença, e depois voltou ao trabalho, fazendo um esforço de se desdobrar para conseguir tempo para amamentar, mas foi demitida seis meses depois, porque o chefe disse que era não era mais a mesma”. Como reação a essa realidade, ela aponta que as mulheres trabalham mais do que os homens e estão sempre disponíveis.

Eliana Barbosa Ferreira, diretora do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco (Senge-PE), ressalta que a desvantagem com relação a ter filhos não é só no ambiente de trabalho, mas também no mundo sindical. “Quando a mulher tem filho, ela é ‘escanteada’, colocada de lado por não haver condições, suporte para a sua participação com a criança”, garante.

O quarto desafio está relacionado à naturalização do assédio moral, apoiado na discriminação de gênero e, em síntese, de que as engenheiras são menos inteligentes e competentes que engenheiros. “A banalização ou naturalização do assédio moral acontece porque os engenheiros e engenheiras de obra acreditam que o tratamento rude e desrespeitoso que recebem, as violências no trabalho, as críticas e desqualificações constantes, são ‘assim mesmo’”, explica.  

Mais engenheiras nos canteiros de obra

Buscar a superação dessas dificuldades torna-se mais urgente diante do aumento de mulheres atuando neste ramo da engenharia. Entre 2002 e 2013, a presença de engenheiras nos canteiros de obra cresceu 149,3%, enquanto o aumento para engenheiros foi de 54,7%, somando ocupações formais e informais. Mesmo assim, os homens seguem sendo maioria no ramo: em números gerais, cerca de 230 mil engenheiros civis estavam ocupados, sendo 190 mil homens e apenas 40 mil mulheres, de acordo com dados do PNAD/IBGE de 2015.

Segundo a pesquisadora, o aumento do espaço para as engenheiras nos últimos 15 anos se dá pelo aumento da demanda por mão de obra qualificada em engenharia durante o último ciclo de expansão da construção vivido no Brasil. Além disso, outra mudança é a introdução de inovações tecnológicas na produção e o aprofundamento da utilização da informática. “O trabalho ficou mais leve e gerou um volume de informações e rotinas que passam a ser geridos na administração dos canteiros e nos escritórios”, explica a Maria Rosa Lombardi.

Como enfrentar o machismo

Para transformar essa realidade de machismo e discriminação com as mulheres engenheiras, a pesquisadora lançou questões para fomentar o debate dos delegados e observadores do Consenge. “Como os sindicatos podem reagir para transformar essas realidades desafiadoras para as mulheres, em condições mais humanas e respeitosas de trabalho para homens e mulheres? Quais ações formadoras poderiam ser postas em prática junto aos estudantes e aos profissionais visando transformar os estereótipos de gênero na sociedade e na engenharia? Quais ações os sindicatos podem pôr em prática para que a ‘janela de oportunidades’ que promoveu a entrada das engenheiras na construção civil não se feche totalmente?”

As perguntas foram lançadas para se repercutir nos grupos de trabalho, ao longo do Congresso e também nas ações em cada sindicato nos estados.

Fonte: Ednubia Ghisi (Senge-PR) 

Edição: Camila Marins (Fisenge)

Foto: Joka Madruga/Fisenge

Pesquisa mostra machismo sofrido por engenheiras civis em canteiros de obras

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Em palestra magna ministrada, no dia 6/9, durante o 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), em Curitiba, o senador paranaense Roberto Requião (PMDB) garantiu que a atual conjuntura é resultado de um projeto do imperialismo que defende interesses próprios, “na desgraçada luta pela dominação dos recursos minerais, do petróleo e do minério”.

“Essa política moribunda da Europa financia o golpe e derrubou um governo eleito pelo voto popular”, disse o senador. Segundo ele, o governo Temer (PMDB) toma decisões referenciadas no documento chamado “Ponte para o Futuro”, elaborado pelo economista gaúcho que escreve no jornal Estado de São Paulo, Marcos Lisboa, e por alguns economistas de bancos ou financiados pela estrutura bancária brasileira. “Nós temos que enfrentar o capital financeiro no Brasil, que tem Meirelles na Fazenda”, pontuou, reafirmando a falta de coesão no partido.

“É uma tragédia anunciada”, enfatizou. De acordo com ele, essas propostas estão de acordo com as considerações do Consenso de Washington e com a teoria da dependência, formulada por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Paleta, economista italiano naturalizado argentino. Essa teoria diz que “nós brasileiros não temos empresários capazes e esgotamos nossa capacidade de criação e construção, que nossa engenharia não vale nada e que os nossos trabalhadores são incapazes. E aponta como solução para a retomada do crescimento a dependência absoluta ao comando de empresários capazes de construir os países de primeiro mundo”, explicou.

Celeiro do mundo

Requião também declarou que se, essa política prosseguir, o país irá regredir no tempo e se transformar no “celeiro do mundo”. Isso significa que o Brasil será mero fornecedor de commodities, produtos agropecuários ou minerais com baixo custo, para os países desenvolvidos do mundo. “Este cenário interessa fundamentalmente ao bloco norte americano, bem como à China, que se transformou na “fábrica do mundo”, associada à Rússia. Nós passamos a ser objeto de cobiça dessa guerra que não é mais ideológica. É uma guerra geopolítica de potências tentando viabilizar suas economias internas sem se preocupar com o que acontece com o país provedor das matérias primas”, analisou.

Venda territorial

O senador avaliou que a agricultura brasileira possui grande produtividade. “Nós temos uma produtividade igual ou superior à norte-americana. Mas eles querem expandir isso. Expandir como? Com a venda de propriedades agrícolas, de espaços territoriais brasileiros para estrangeiros de qualquer natureza. Dessa forma, nós não estaríamos alavancando a produtividade”, comentou.

Para Requião, essa política avança sobre as reservas naturais da Amazônia, de forma a liberar áreas de proteção ambiental para produção de cobre por mineradoras, principalmente para as canadenses, que são as que se demonstram mais interessadas.

Esse “aumento de produção”, com abertura de espaço e uma tecnologia que já é nossa, com uma injeção maior de recursos financeiros e mecanização nos levará, necessariamente ao desemprego.

“Quando nos transformamos em “celeiro do mundo”, não estamos viabilizando os empregos necessários para conseguirmos uma relativa paz social para sobrevivência dos trabalhadores, das suas famílias e garantia de seus salários”, disse.

Contramão das soluções

Para Requião, a reforma trabalhista e o fim dos investimentos públicos atua na contramão das soluções apontadas pela história de superação de crises econômicas e sociais, como as tomadas nos Estados Unidos, durante a grande recessão com a crise imobiliária da Flórida na década de 30. “Ela foi superada com políticas extremamente claras, por meio de uma aliança entre o capital produtivo e o trabalho. Ao contrário de toda asneira que faz o atual governo do Brasil, a Ford propõe a diminuição da carga horária, ou seja, menos horas e mais gente trabalhando, garantindo por lei o salário mínimo, para viabilizar o poder aquisitivo”, disse.

O senador ainda destacou que, ao propor tais medidas, o atual governo imaginou que o Brasil receberia investimento norte-americano, com o objetivo de utilizar mão de obra barata. Segundo ele, os formuladores dessa reforma apostaram, também, na ideia de que a oportunidade de trabalho extraordinariamente mal remunerada poderia barrar a possibilidade de revolta das camadas populares. Contudo, o senador acredita que o Brasil viveu um período de conquistas sociais e que os trabalhadores jamais se conformarão com uma regressão para uma posição de colônia.

“O Brasil tem saída. Se nós nos inspirarmos nesse modelo de recuperação de crise, nós saímos da mesma forma e muito rapidamente”, ratifica.

Retomada do crescimento

A recuperação e a valorização da Petrobras são apontadas por Requião como caminho principal para o crescimento e a retomada de desenvolvimento do país. “No Brasil, a Petrobras é a responsável por 70% dos investimentos realizados no país, e são esses os investimentos e a política de compra de sumos nacionais que alavancavam nossa economia”, defende. “A história do mundo é a guerra do petróleo. O petróleo é o sangue mineral que impulsiona as economias. E nós estamos entregando sem conflito, na bandeja”.

Requião avalia que é imprescindível conter o processo de entrega do patrimônio nacional. Neste sentido, foi criada no Congresso Nacional, uma Frente Nacionalista pela Soberania, que conta com 201 deputados e 18 senadores. Uma das propostas da Frente é a realização de um referendo popular, junto às eleições de 2018, “para que o povo diga SIM ou NÃO para essas medidas de entreguismo de terra, de reforma trabalhista, de entrega da Amazônia, de entrega da Petrobras”.

 

Ele defende, também, mobilização popular. “Com certeza, conseguiremos alguma coisa a partir de mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, presença nas ruas e protestos”.

Congresso de engenheiros

O 11º Consenge ocorreu em Curitiba, de 6 a 9 de setembro, com cerca de 300 participantes. O evento foi realizado pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), que tem sede no Rio de Janeiro, e pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR). Ao longo dos quatro dias, filiados aos 12 sindicatos que compõem a Federação, oriundos de todas as regiões do Brasil, tiveram como debate central a defesa da engenharia e da soberania nacional.  

 

 

Texto: Katarine Flor (Senge-RJ) e Marine Moraes (Senge-PE)

Edição: Camila Marins e Ednubia Ghisi (Senge-PR)

Foto: Joka Madruga/Fisenge

 

Em palestra magna, senador Requião defende soberania nacional

 

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Hoje (6/9), o grupo Fato irá realizar, às 19h, uma apresentação cultural, antes da abertura oficial do 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), em Curitiba. Na cena musical brasileira há duas décadas, o Grupo produz uma música popular urbana que acolhe e transforma influências de diversas fontes e vertentes musicais – que vão das culturas tradicionais regionais às exóticas, das antigas às atuais - que o grupo usa para elaborar arranjos para canções e sotaques de grandes poetas do Paraná e do Brasil.

A apresentação cultural terá início, às 19h, na sala “All Seasons”, localizada atrás do mezanino do credenciamento. 

Foto: Divulgação

Grupo Fato faz apresentação cultural na abertura do Consenge

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A engenharia é um dos principais alvos da atual crise política e econômica instaurada no país. Além dos altos índices de desemprego, há obras paralisadas e fechamento de empresas nacionais de engenharia. Com o objetivo de aproximar a sociedade aos profissionais de engenheira, retomar o desenvolvimento social, defender a engenharia brasileira e de formular inciativas no Congresso Nacional, surgiu a Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, que é presidida pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL). Lançada no dia 22 de novembro de 2016, a Frente vem ganhando espaço de diálogo dentro do parlamento. A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) entrevistou o deputado Ronaldo Lessa, que apontou alguns projetos de lei que afetam diretamente a engenharia.

Quais as pautas e os objetivos da Frente Parlamentar da Engenharia? E como esta ação pode se desdobrar nos estados e municípios?

O objetivo é colocar as entidades, como Crea, Confea, Federações e toda essa inteligência cientifica e tecnológica do país, a serviço dos estados, do Congresso e dos municípios. Nós queremos contribuir. Não há desenvolvimento sem cultura, sem que haja participação dessa parcela da sociedade. Tudo que você faz, onde dorme, como se transporta, tem a presença da tecnologia e da engenharia. Nós sabemos dessa importância na sociedade. Mas, no campo da estrutura social, isso não acontece. Por isso, é importante a Frente Parlamentar da Engenharia Nacional, para estar a serviço da sociedade e dividir nossa profissão como um instrumento social de forma adequada com ética, respeito e dignidade.

Quais são os projetos de lei que estão na Câmara e afetam a engenharia?

Alguns projetos estão em tramitação aqui na Câmara. Um deles é o que caracteriza a profissão dos engenheiros como carreira de Estado. É muito importante que esses profissionais recebam um salário que faça jus à profissão que se formaram. Outro projeto é o que criminaliza o exercício ilegal da engenharia. Além destes, também queremos a lei que cria a necessidade de laudo técnico nas edificações e que cada estado tenha representantes junto ao Confea. É muito importante, também, que a população saiba a importância da engenharia na melhoria da qualidade de vida.

O governo Temer reduziu pela metade a porcentagem da exigência de conteúdo local. Quais os prejuízos para a engenharia e a sociedade?

A questão do conteúdo local é uma forma de proteger a frágil produção tecnológica do país, não apenas pela grande concorrência externa. Até os EUA, que são considerados a maior economia do ocidente, fazem medidas de proteção. Não queremos que haja concorrência desleal, que venham empresas de fora e prejudiquem nosso parque industrial, já que nós temos o nível e competitividade igual a deles. Se houver a redução de porcentagem, será um dano imenso para o Brasil, porque prejudica o emprego no país, gerando emprego em outros países. É um prejuízo essa medida que o governo Temer está tomando.

Em muitos países, os quadros das gestões públicas são amplamente ocupados pela engenharia. Qual a importância dessa ação?

O grande problema do Brasil é esse: se preocupou muito tempo em formar bacharéis e não deu muita importância para a área técnica nem no ensino médio e nem no superior. Dessa forma, fez com que não existisse um espaço adequado e nem profissionais competentes para responder à área moderna e tecnológica de uma gestão pública. Precisamos ter engenheiros muito mais presentes, não só no governo, mas também na política. Se tivéssemos gestores com uma visão tecnológica, o país estaria bem melhor.

 Deputado Ronaldo Lessa fala sobre projetos de lei que afetam a engenharia

Por: Camila Marins

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Em virtude da transferência de postos de trabalho de cerca de 85 engenheiros, com exclusão do adicional de periculosidade, o Senge-PE se posiciona e envia carta à presidência da Companhia exigindo suspensão da decisão que penaliza a categoria.

A medida foi direcionada a engenheiros que recebem remuneração mensal igual ou superior a R$30.000,00, em sua maioria, com mais de três décadas de colaboração à Companhia.

"Depois de tamanha contribuição, os trabalhadores estão sendo perseguidos na empresa, o que reflete em assédio moral e discriminação em face da idade. Nós estamos ao lado da categoria, e não vamos permitir atitudes como esta", ressalta o presidente do Senge-PE Fernando Freitas. Para ele, tal medida surge para forçar uma adesão compulsória ao Plano de Demissão Voluntária em vigor.

O Senge-PE, em documento oficial enviado à Chesf, solicita, além da suspensão das transferências ou alteração nas atividades atuais, uma reunião com a diretoria da empresa para tratar do assunto.

 Fonte: Marine Moraes/Senge-PE

Senge-PE cobra suspensão de transferências de engenheiros da Chesf

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Foi lançada, no dia 29/6, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Frente Parlamentar de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento. O engenheiro agrônomo Maurício Garcia participou do evento representando a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Garcia destacou a importante atuação do deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), presidente da Frente Nacional do Congresso. “A repercussão nos estados é fundamental para ampliar a articulação em defesa da engenharia nacional”, afirmou o engenheiro. O deputado Ronaldo Lessa pontuou que a instalação de frentes nos estados devem ser incentivadas em todo o país. A iniciativa é um instrumento de formulação política e técnica e também um canal de comunicação entre as entidades de engenheiros com a população brasileira, o governo e o parlamento. A Fisenge integra a Frente Parlamentar Mista de Engenheira, Infraestrutura e Desenvolvimento.

Foto: Rinaldo Morelli/CLDF

Fisenge participa de lançamento da Frente Parlamentar de Engenharia, em Brasília

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Depois de passar pelo Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, o projeto SOS Brasil Soberano chega ao Paraná, no dia 14 de julho. A 4ª edição do Simpósio será em Curitiba e terá como tema “Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!”.

O evento é voltado para engenheiros e engenheiras, estudantes, integrantes de movimentos sociais e de sindicatos de outras categorias de trabalhadores, e de entidades em geral que tenham interesse em debater e construir alternativas soberanas para o Brasil, diante do contexto de políticas neoliberais impostas pelo executivo e por parte do legislativo federal.

A ação é iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), e na capital paranaense é realizada também pelo Senge-PR.

“Para termos um país soberano, precisamos ter setores estratégicos, como as empresas públicas, na mão do Estado. Atualmente está ocorrendo a entrega do Pré-Sal e a venda de ativos que são patrimônio da Petrobras, principalmente para empresas estrangeiras e norte americanas”, aponta Carlos Bittencourt, presidente do Senge-PR.

Profissionais de diferentes áreas de atividade, acadêmicos, formadores de opinião, parlamentares e representantes da sociedade civil, participam dos debates para a construção de uma agenda de programas e projetos para o país, em direção contrária ao programa neoliberal imposto pelo governo Michel Temer. A programação completa será disponibilizada em breve.

“Precisamos ter essa discussão dentro da engenharia, dos sindicatos, dos movimentos sociais, para que possamos barrar esse movimento conservador que vem do executivo e do legislativo federal. É preciso mobilização de todos esses setores para garantir a soberania do nosso país”.

O Simpósio será no auditório da Universidade Positivo, na Praça General Osório, 125, das 9h às 18h. O evento é gratuito e também será transmitido via internet.

>>> Confira o site: http://sosbrasilsoberano.org.br/

>> Inscrição

Para participar, preencha o formulário de inscrição disponível aqui. A inscrição pode ser enviada até o dia 13 de julho, quinta-feira. Haverá emissão de certificado pelo Senge-PR, com carga horária de 8 horas.

 >> Agende-se!

4º Simpósio SOS Brasil Soberano: “Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!”
Data e horário: 14 de julho, sexta-feira, das 9h às 18h.
Local: Universidade Positivo, na Praça General Osório, 125.

Curitiba sedia o 4º Simpósio SOS Brasil Soberano, em julho

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