O repúdio à cultura do estupro na sociedade foi um dos temas da reunião do Coletivo de Mulheres da Fisenge, realizada no dia 4/6, em Belo Horizonte (MG). “O caso do estupro de uma menina, no Rio de Janeiro, provocou indignação e também trouxe à baila um tema tão pouco debatido, que é a cultura do estupro”, afirmou a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, que ainda destacou: “Só conseguiremos desconstruir a cultura do estupro com educação e, por isso, é urgente o debate de gênero nas escolas, tanto para provocar o empoderamento entre as meninas quanto para promover a conscientização dos meninos”, disse.

Segundo a ONU Mulheres, cultura do estupro é "o termo usado para abordar as maneiras em que a sociedade culpa as vítimas de assédio sexual e normaliza o comportamento sexual violento dos homens. Ou seja: quando, em uma sociedade, a violência sexual é normalizada por meio da culpabilização da vítima, isso significa que existe uma cultura do estupro". E estas manifestações podem ocorrer em todos os ambientes da sociedade e  profissionais, tanto para provocar o empoderamento entre as meninas quanto para promover a conscientização dos meninos”, disse. A engenheira agrônoma e diretora do Senge-PR, Mary Stela Bischof comenta que esta "cultura do estupro" permite a expressão de diferentes comportamentos machistas ainda não superados em nossa sociedade.

Leia aqui a nota da Fisenge em repúdio à cultura do estupro.

A reunião também contou com a palestra “Mulher, engenheira e sindicalista”, ministrada pelo engenheiro e vice-presidente da Fisenge, Roberto Freire. “Debatemos, diante de uma perspectiva histórica, a participação das mulheres na política e a história das engenheiras no contexto feminista. Desde o início, as mulheres não têm espaço garantido, como foi a luta pelo voto feminino e ainda manifestada na batalha pela inserção das mulheres no mercado de trabalho e ocupação de espaços de poder”, apontou Freire. O Coletivo de Mulheres da Fisenge mantém uma política permanente de formação em suas reuniões e, de acordo com Simone Baía, a formação é fundamental para situar os cenários historicamente. “Nós, mulheres, temos avançado na participação dos espaços de poder, como sindicatos e parlamento, mas ainda precisamos avançar mais. E o avanço somente virá com formação política e organização autônoma das mulheres”, pontuou Simone.

Mulheres e mercado de trabalho
Embora as mulheres sejam maioria da população brasileira, os salários ainda estão apresentam diferenças em relação aos homens. A engenheira agrônoma e diretora do Senge-MG, Anildes Lopes apresentou a pesquisa “Perfil da Mulher Mineira” realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Algumas especialidades da engenharia apontam uma diferença salarial entre homens e mulheres de quase 30%”. Contudo, percebemos a ampliação do número de jovens mulheres nas universidades e esta é a contradição, pois aumenta a nossa inserção no mercado de trabalho, mas não há reflexo nos salários”, destacou Anildes.

De acordo com dados da pesquisa, o número de mulheres ocupando cargos na engenharia, no período de 2003 a 2013, aumentou em maior proporção do que o número de engenheiros. Em Belo Horizonte, o crescimento foi de 154,7%; já nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, a variação foi 800% e 700%, respectivamente. A única especialidade em que as engenheiras ganham salários maiores é na Engenharia de Agrimensura. Na Engenharia Civil, por exemplo, as engenheiras recebem, em média, 8,5% a menos do que os engenheiros. Já na Engenharia Química, o salário das engenheiras é, em média, 29% menor do que o salário dos engenheiros.

“Precisamos ficar atentas aos retrocessos eminentes para as questões das mulheres e de gênero. A pesquisa de Minas Gerais sobre a inserção de mulheres no mercado de trabalho pode ser replicada e adaptada à realidade de cada estado, cujos dados ajudam a qualificar o debate com todo o sindicato, não apenas com as mulheres”, concluiu a engenheira agrônoma e diretora do Senge-PR, Mary Stela Bishof.

Coletivo de Mulheres Engenheiras se reúne em Minas Gerais

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O Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas lançou hoje (6) a campanha Se é público é para todos, na Fundição Progresso, no centro do Rio. O lançamento reuniu intelectuais, sindicalistas, representantes de movimentos sociais, de partidos políticos e da sociedade civil.

Junto com o lançamento da campanha, o comitê organizou duas mesas de debates sobre o tema, que tiveram a participação do ex-diretor da Petrobras Guilherme Estrella, da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), da filósofa Márcia Tiburi, do professor de direito tributário da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Ricardo Lodi e do cientista político Emir Sader.

A coordenadora do comitê, Maria Rita Serrano, disse que a intenção da campanha é integrar diversos setores e representantes de entidades de classe na manutenção das empresas públicas. Para isso, o grupo quer levar a campanha a outros estados, com debates e divulgação.

Estatuto das estatais

Para Maria Rita, uma das principais preocupações do comitê é a tramitação na Câmara do Projeto de Lei 4918/2016, conhecido como Estatuto das Estatais, que dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no governo federal, nos estados, no Distrito Federal e nos municípios.


“O PL sugere a abertura de capital das empresas, muda a composição acionária, cria uma série de discriminações a pessoas oriundas do movimento sindical, do movimento político, para assumir cargos de direção, amarra as empresas em uma série de questões, dificultando inclusive a concorrência das empresas públicas com as empresas privadas”, criticou. O comitê está organizando
uma série de mobilizações para tentar impedir a aprovação do projeto na Câmara.

Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e integrante da coordenação executiva do comitê, Jair Pedro Ferreira, se o Estatuto das Estatais for aprovado vai atingir principalmente as empresas públicas menores, instaladas nos municípios.

“Petrobras e Banco do Brasil já têm [conselhos de administração] até porque têm ações em bolsas. Quando digo as [empresas] municipais, se pega uma empresa da prefeitura de uma cidade do interior e botar lá conselho de administração e toda aquela parafernália que se exige de uma grande empresa, acaba inviabilizando essa empresa, porque o custo dela aumenta demais”, analisou.

Na avaliação do sindicalista, a adoção de um programa de governança nem sempre garante correção do problema de má gestão. “Essas regras não necessariamente resolvem problemas quando alguém quer roubar ou quando alguém quer desviar. As empresas públicas devem ter o seu papel respeitado.”

Para o professor Ricardo Lodi, a sociedade brasileira tem dois caminhos: lamentar e “ficar chorando o leite derramado” ou se levantar para defender os interesses dos trabalhadores, o que pode ser feito com a mobilização do movimento social.

“A gente está perdendo a luta da discussão. Eventos como estes são fundamentais para recolocar a discussão onde ela deve estar, ou seja, qual é o papel do Estado? Para quem o Estado funciona? Há uma dicotomia entre o Estado e o mercado que é falsa. Na verdade, hoje o mercado se utiliza do Estado para seus fins e a sociedade assiste calada a essa movimentação.”

Redes Sociais

No mesmo sentido, a filósofa Márcia Tiburi apontou a necessidade de ampliar a discussão sobre o papel do Estado até nas redes sociais. “A gente tem que ir para o Facebook, para o Twitter, conversar entre nós, mas expandir essa conversa na direção de compreender e interromper os processos publicitários sempre tão bem-feitos e ocupados pela direita. Gostaria que repensassem a ordem pública, não como uma coisa que está pronta, dada e que ficou declarada em um tipo de Estado convencional, mas como um processo de construção que a gente tem que reabilitar todos os dias.”

A deputada Jandira Feghali chamou atenção para o desequilíbrio de forças dentro do Congresso Nacional para a agenda defendida pelos partidos de esquerda e em discussões como os estatutos do Desarmamento e da Família, privatizações e terceirização da mão de obra. “Não está fácil porque não temos maioria no plenário. Estamos discutindo esta semana a liderança da minoria, que é o que nós somos hoje lá, minoria. Temos 99, 100 votos de 513. É muita luta para fazer”, disse.

“Precisamos fazer com que o governo avance numa agenda de tributação progressiva, que os ricos paguem impostos, precisamos avançar em uma política de comunicação democrática, numa política de desenvolvimento fortalecendo instrumentos públicos, estatais que nós temos, de políticas de direitos humanos e civis”, completou. Durante os debates, diversas vezes a plateia se manifestou contra o presidente em exercício, Michel Temer, com coros de “Fora Temer”.

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil 

Edição: Luana Lourenço
Foto: Thomaz Silva

Em ato em defesa de estatais, ativistas pedem manutenção de empresas públicas

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O presidente da República interino Michel Temer, em pronunciamento,no dia 24/05, deixou claro que seu governo vai forçar a privatização das empresas públicas e tentar impedir a participação de trabalhadores em seus conselhos e fundos de pensão. As declarações acendem o alerta máximo para a mobilização contra o PL 4918 e outros que tramitam pelo Congresso Nacional, e reforçam a necessidade de uma grande participação no ato em defesa das estatais e serviços públicos que acontece no dia 6 no Rio de Janeiro.

“Temos que fazer do dia 6, uma data histórica contra esse desmonte proposto pelo governo golpista”, destacou a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Maria Rita Serrano. Ela lembra que, quando o PLS 555 foi votado no Senado, houve um esforço do governo no sentido de retirar do projeto itens fundamentais, como a exigência de que todas as estatais se transformassem em sociedades anônimas.

“À época, discutimos e recebemos apoio de integrantes do governo Dilma para mudar o texto do PLS 555. Agora o governo não nos apoiará, e mesmo os avanços que obtivemos poderão ser derrubados na votação do PL 4918 na Câmara, retornando ao texto original”, avalia. Em seu pronunciamento Temer enfatizou a “meritocracia” para dizer que “dirigentes dos fundos de pensão e estatais” serão pessoas “tecnicamente preparadas”; ou seja, representativas apenas dos interesses de mercado.

O ato do dia 6 de junho no Rio de Janeiro será na Fundição Progresso, com a presença de intelectuais, políticos e representantes dos movimentos social e sindical. Centenas de entidades vão participar do evento, que terá ainda show musical. Confira a programação no cartaz

Ato em defesa das empresas públicas será realizado no dia 6

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Terça, 31 Maio 2016 10:41

Fisenge repudia cultura do estupro

A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) repudia o estupro coletivo a uma jovem de 16 anos, ocorrido no Rio de Janeiro. A cultura do estupro se manifesta em violências físicas e simbólicas, como a naturalização de tais práticas; o questionamento e os ataques à vida pessoal da vítima e a proteção dos agressores. A legislação brasileira, até 2002, não penalizava o estuprador, se ele casasse com a vítima. De acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, todos os anos cerca de 50 mil pessoas são estupradas. No entanto, o maior problema é a subnotificação desses crimes, uma vez que as mulheres têm medo e vergonha da denúncia. Alguns dos fatores para a subnotificação são a violência institucional dentro das delegacias e a condenação das vítimas. Há uma cultura em que as mulheres devem “se dar ao respeito”, não usar roupas curtas, não andar à noite sozinha, não frequentar determinados espaços, além do falacioso “ela mereceu”. Às mulheres, os espaços são negados e também não são seguros. A defesa da vida das mulheres é um ato cotidiano de sobrevivência e resistência.

Precisamos falar sobre a cultura do estupro, porque essa narrativa expõe mulheres e meninas vítimas de violência. Precisamos falar sobre a cultura do estupro, porque os corpos das mulheres não são públicos. Precisamos falar sobre a cultura do estupro, porque consentimento só diz respeito à mulher. Precisamos falar sobre a cultura do estupro, porque a luta é pela vida de meninas e mulheres.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Rio de Janeiro, 30 de maio de 2016

Fisenge repudia cultura do estupro

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O governo ilegítimo de Michel Temer anunciou, no dia 24/5, uma série de medidas que afetarão diretamente a sociedade brasileira e a engenharia. No pacote, estão a extinção do Fundo Soberano, a retirada da Petrobrás como operadora única do pré-sal e participação de 30% nos campos licitados, a descapitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o teto para gastos públicos em áreas sociais como saúde e educação e o bloqueio de novos subsídios para programas do governo, entre eles o de agricultura familiar e o “Minha Casa, Minha Vida”. A descapitalização do BNDES, por exemplo, significa uma reorientação do papel do banco no financiamento de ações em infraestrutura. Além de diminuir investimento público em obras que promovem o desenvolvimento social, o capital retirado irá subsidiar a dívida pública, que favorece apenas o mercado financeiro sem qualquer preocupação com a sociedade. A paralisação de obras de infraestrutura e a interrupção do fluxo de pagamentos para as empresas de engenharia tem impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB), ocasionando a queda da renda nacional e da geração de tributos, o enfraquecimento do mercado interno e o aumento do desemprego. A revisão do regime de partilha do pré-sal interfere na soberania do país e em sua capacidade de formulação e produção tecnológica. A Petrobrás é uma das maiores empresas do mundo e tem se mostrado competitiva e eficaz. A empresa é referência internacional na extração de pré-sal em águas profundas. A abertura indiscriminada de nosso mercado aos produtos e serviços estrangeiros provocará a destruição da memória técnica, demissões em massa e subserviência tecnológica. A limitação dos gastos públicos em áreas sociais é um acinte aos princípios republicanos. Os cortes no programa “Minha Casa, Minha Vida” paralisam obras, promovem desemprego e distanciam do comprometimento com a engenharia solidária e a luta pela reforma urbana, além de prejudicar a população mais pobre do país. A agricultura familiar - responsável pela produção de cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros - precisa ser fortalecida. Os subsídios são fundamentais para ampliar a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, e também gerar empregos para engenheiros agrônomos e contribuir com milhares de famílias da agricultura familiar e com a alimentação do povo brasileiro. O nosso comprometimento é a defesa irrestrita da democracia, o fim da corrupção e a valorização da engenharia nacional. Repudiamos o pacote de Temer e não reconhecemos esse governo ilegítimo.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

Fisenge repudia pacote de medidas de Temer

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A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) repudia a revogação da portaria, que autorizava a liberação e a ampliação de recursos para a categoria “Entidades”, do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”. A medida implica na suspensão de contratação de mais de 10 mil moradias e fere o princípio de participação social. Isso porque a modalidade “Entidades”, criada em 2014, permite a utilização de recursos por cooperativas habitacionais, associações sem fins lucrativos e organizações oriundas do movimento social. O programa “Minha Casa, Minha Vida” é fundamental para a geração de moradia digna às pessoas de baixa renda, cujo princípio deveria nortear o controle social e a participação popular, e não a especulação imobiliária. A engenharia solidária, articulada com os movimentos sociais, contribui com a formulação e viabilização de projetos. Um exemplo é a lei 11.888, que permite assistência técnica gratuita às famílias de baixa renda, por meio da efetivação do projeto e da construção de habitação de interesse social. Não reconhecemos esse governo ilegítimo.


Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Rio de Janeiro, 18 de maio de 2016.

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A CUT não reconhece golpistas como governantes. Por isso, não irá à reunião que Michel Temer chamou para esta segunda feira com as centrais sindicais.

A CUT vai continuar defendendo os interesses da classe trabalhadora, principal vítima do golpe, exigindo a volta do Estado do Direito e do mandato da presidenta Dilma, legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos.

Acreditamos que a luta contra os retrocessos pretendidos e anunciados será travada pelo conjunto dos movimentos sociais nas ruas, nos locais de trabalho, na luta constante para impedir que o Brasil recue, do ponto de vista democrático, institucional e civilizatório, a décadas passadas.

O respeito a todos os mecanismos e esforços da população em busca de igualdade, valorização da diversidade e acesso a políticas públicas que combatam as injustiças sociais é um valor precioso demais. E assim queremos que seja tratado.

Vagner Freitas, presidente nacional da CUT

Retrocessos não se negociam: Presidente da CUT explica porque não vai a reunião com Temer

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Desde outubro de 2013, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de Rondônia (Senge-RO) luta para restabelecer o pagamento do adicional de periculosidade para os engenheiros eletricistas da Eletrobras Distribuição (antiga Ceron). Isso porque esses profissionais são responsáveis pelo produto final. Nessa luta, o Senge-RO obteve ganho de causa e a empresa foi condenada a restaurar o pagamento do adicional de periculosidade para todos os engenheiros eletricistas, além de ter que pagar todo o retroativo. Embora a sentença do Juiz da 2ª Vara do Trabalho de Porto Velho tenha sido bem clara, a empresa não cumpriu a determinação judicial. Isso motivou uma reunião com o assessor jurídico do Senge-RO para explicar à categoria quais medidas jurídicas foram tomadas. “Em suma, o processo foi agora para o TRT e, na próxima terça-feira (dia 17/05), o Tribunal deverá apresentar o resultado, que esperamos que nos seja favorável”, afirmou o Eng. Eletricista Eng. José Ezequiel Ramos, Secretário Geral do Senge-RO.

Senge-RO ganha ação para pagamento de periculosidade a engenheiros

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Em reunião plenária do Senado, realizada hoje, dia 11 de maio, foi aprovado por 55 a 22 votos a admissibilidade do impeachment da Presidenta Dilma, que foi afastada do cargo por um período de até 180 dias, para que o processo seja concluído. Chega-se, assim, aos momentos finais do mais infame golpe cometido contra a democracia brasileira, desde que ela foi reconquistada pelo povo brasileiro ao derrotar nos anos oitenta a ditadura militar.

A CUT vem protagonizando, junto com as forças democrático-populares, representadas pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo, uma longa luta de resistência contra a iniciativa das forças conservadoras brasileiras que usam a farsa do impeachment para usurpar o poder conquistado nas urnas pela Presidenta Dilma, sem que ela tenha cometido nenhum crime de responsabilidade. Isto é golpe.

Ao dar continuidade ao ritual prescrito pelo poder judiciário os senadores, entre os quais vários estão sendo investigados sob a suspeição de crime, condenam uma inocente. Isto é inaceitável e mancha, de forma vergonhosa, nossa história republicana.

O golpe foi arquitetado pelas forças conservadoras, instigado pela mídia oligopolizada e financiado por empresários nacionais que querem retirar direitos da classe trabalhadora e por empresas multinacionais interessadas na privatização de empresas brasileiras e em nossas riquezas naturais, como o Pré-Sal. Tem sido apoiado pelos setores reacionários da classe média com suas patéticas manifestações e seu rito foi formalizado pelo poder judiciário. Foi conduzido na sua primeira fase de forma escandalosa pela Câmara dos Deputados e está sendo finalizado agora pelo Senado, cuja maioria capitula diante da pressão do poder econômico, tornando-se cúmplice da ruptura da ordem democrática. Ao contrário do que propala a grande mídia, de que nossas instituições políticas continuam sólidas, a farsa do impeachment revela a que estágio de decomposição elas chegaram.

A CUT não reconhece o governo Temer e o condena como ilegítimo, por desrespeitar a vontade da maioria dos cidadãos brasileiros que elegeu a Presidenta Dilma com 54 milhões de votos em 2014, portanto é o único governo eleito e legítimo. Junto às forças democrático-populares representadas pela FBP e pela FPSM, resistirá a toda e qualquer iniciativa de criminalizar os movimentos sociais, de retirar direitos dos\as trabalhadores\as. Combaterá medidas já anunciadas visando precarizar as relações de trabalho, diminuir o investimento nas políticas sociais, arrochar os salários, acabar com a política de valorização do salário mínimo, privatizar estatais e anular despesas constitucionais obrigatórias com saúde e educação, piorando a qualidade das políticas públicas. Não aceitaremos que a classe trabalhadora e os setores mais pobres da população sejam onerados com mais sacrifícios. A CUT resistirá igualmente a qualquer iniciativa de abdicar da soberania nacional diante dos centros imperialistas.

Conclamamos nossas bases a resistir ao governo Temer. Lutamos até agora contra o golpe e continuaremos lutando, nas ruas e nos locais de trabalho, para reconduzir o país ao Estado de Direito, ao regime democrático e para fortalecer o povo, de onde emana todo o poder, para efetuar a necessária reforma de nossas instituições políticas.

 

NÃO AO GOLPE! FORA TEMER! NÃO MEXAM EM NOSSOS DIREITOS!

DIREÇÃO EXECUTIVA DA CUT

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O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), determinou nesta segunda-feira 9 a anulação das sessões da Casa realizadas entre 15 e 17 de abril que culminaram com a aprovação do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

A decisão, que provocou a indignação da oposição e abriu aos governistas a possibilidade de continuar lutando contra o impeachment, foi rejeitada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mas pode servir de base para uma nova judicialização do processo como um todo, levando o caso para o Supremo Tribunal Federal. Entenda a situação:

Qual foi a decisão de Waldir Maranhão?

O presidente interino da Câmara decidiu que as sessões da Casa em que os deputados federais votaram pela admissibilidade do processo de impeachment foram nulas. E determinou a realização de uma nova sessão para que o caso seja votado.

Por que Maranhão tomou essa decisão?

Maranhão respondeu a um recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) logo depois da votação de 17 de abril. O pedido estava na mesa do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas ele não respondeu e o processo seguiu para o Senado. Nesta segunda-feira 9, em comunicado enviado à imprensa, Cunha afirmou que já tinha decidido negar o recurso da AGU e que assinaria a decisão na quinta-feira 5, data em que foi afastado do cargo e da presidência da Câmara pelo STF.

 

E por qual motivo Maranhão tomou a decisão?

Sendo Waldir Maranhão uma figura de pouca expressividade política, logo surgiram especulações sobre os interesses por trás da decisão. Houve especulações a respeito da influência de Cunha, com quem Maranhão se encontrou na sexta-feira 6 e que desejaria "mandar um recado" ao vice-presidente Michel Temer; e do governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), ferrenho defensor da tese de que o impeachment é um "golpe". Cunha negou estar por trás da decisão, que classificou de "absurda" e "irresponsável". Dino disse que Maranhão pediu sua opinião sobre o pedido da AGU, que se sustenta de acordo com ele. José Eduardo Cardozo, o advogado-geral da União, confirmou que se encontrou na noite de domingo 8 com Maranhão e que sua intenção foi pedir uma resposta do presidente interino da Câmara a seu recurso, uma vez que Cunha não se manifestou.

 

E quais são os argumentos do governo?

A AGU argumenta que a Lei do Impeachment proíbe que os partidos fechem questão a respeito da votação. Em seu artigo 23, a lei 1079/1950 diz que, encerrada a discussão do parecer, não será permitido “encaminhamento de votação”. Antes da votação, no entanto, quase todos os líderes partidários encaminharam os votos da bancada. Esse argumento foi acolhido por Maranhão, mas técnicos da Secretaria-Geral da Câmara já tinham se posicionado contra o pedido da AGU.

 

Como o Senado reagiu?

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), rejeitou o ofício do presidente interino da Câmara. Renan Calheiros afirmou que não procedem as argumentações de Waldir Maranhão e classificou a decisão de anular as sessões da Câmara que trataram do impeachment como "absolutamente intempestiva" e "brincadeira com a democracia".

 

E como o governo vai reagir?

Em entrevista coletiva encerrada poucos minutos antes de Renan Calheiros se manifestar, José Eduardo Cardozo disse que apresentaria uma petição ao presidente do Senado afirmando que a continuidade do trâmite do impeachment na Casa não teria cabimento em virtude da decisão de Waldir Maranhão. Como Renan Calheiros não reconheceu o ofício da Câmara, é possível que o governo leve o caso novamente ao STF, por meio da AGU. Em entrevista coletiva, Cardozo disse que poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal e até mesmo à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

E Maranhão, como respondeu?

Depois de gerar uma pequena crise com sua decisão, Waldir Maranhão voltou atrás. Na madrugada de terça-feira 10, Maranhão assinou dois ofícios, um com a revogação da decisão e outro destinado a Renan Calheiros, informando sobre a nova deliberação.

 

Então a votação do Senado está mantida?

Sim. A sessão de votação do parecer está prevista para começar na manhã de quarta-feira 11 e deve se estender até a madrugada. Caso a maioria dos 81 senadores vote pela continuidade do processo, a presidenta Dilma será afastada por até 180 dias, e o vice Michel Temer (PMDB) assumirá interinamente a Presidência da República.

Fonte: Carta Capital

O impeachment para ou continua? Entenda o novo imbróglio

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