O governo de Michel Temer anunciou, no dia 8/9, a chamada "modernização" da legislação trabalhista. Dentre as medidas, estão a ampliação da jornada de trabalho para 12 horas e a permissão para contratação por hora trabalhada. Com a pressão da sociedade, o governo recuou e, em nota, afirmou que não haverá aumento da jornada de trabalho. Por outro lado, setores empresariais pressionam pela flexibilização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Em entrevista, o engenheiro eletrônico e diretor de negociação coletiva da Fisenge, Ulisses Kaniak fala sobre as consequências da retirada de direitos e o impacto nos acordos coletivos de trabalho.

- O governo anunciou a chamada "modernização" das leis trabalhistas e entre os pontos está a flexibilização da jornada de trabalho para 12 horas. O que esta medida representará?
Se aprovada, representa um retrocesso de mais de um século nas lutas dos trabalhadores. A atual limitação de jornada que as Leis do Trabalho impõem (8 horas diárias com um máximo de 2 horas extraordinárias) visa preservar a saúde das pessoas. Jornadas excessivas são comprovadamente improdutivas e geram doenças ocupacionais e afastamentos. Os empresários que defendem esta e outras sandices demonstram que a sociedade escravocrata, que constituiu a correlação de forças deste país desde o século XVI, continua viva por meio deles e de seus representantes nos 3 Poderes.

- Quais os desafios e o papel do movimento sindical nesse momento? De que forma barrar essa ofensiva de retirada de direitos?
Desde a interinidade, esse ilegítimo "governo" federal tem demonstrado que veio para destruir a busca pelo equilíbrio nas relações entre Capital e Trabalho, obviamente a serviço do lado mais poderoso. Agora, consumado o golpe à democracia, acham que podem tudo. O maior desafio do movimento sindical é levar às ruas, contra a retirada de direitos e de soberania do país, toda a classe trabalhadora. Inclusive, a parcela que esteve nas ruas defendendo o impeachment imotivado, seduzida pela ilusão midiática de que se estaria "acabando com a corrupção". Logo, esta parcela terá que encarar a realidade. O nosso papel é o de buscar todas as formas de comunicá-la e de canalizar a revolta em ações.

- Quais serão os impactos de uma reforma da previdência?
Nos moldes que o "governo" tem divulgado, é uma reforma para fazer com que os pobres trabalhem mais tempo para manter os cofres cheios dos ricos. O "déficit" da Previdência Social é uma falácia que se desmente ao observar as contas de orçamento da Seguridade Social, que é algo muito mais amplo. Caso os trabalhadores passem a contribuir mais tempo e desfrutar menos de suas aposentadorias, os governantes irão destinar mais verba do orçamento da União ao pagamento da dívida pública, ou seja, ao mercado financeiro especulativo. É Robin Hood às avessas.

- Um balanço divulgado pelo Dieese apontou que as negociações coletivas do 1º semestre foram negativas [Pouco menos de um quarto dos reajustes – cerca de 24% – resultou em aumentos reais aos salários, 37% tiveram reajustes em valor igual à inflação e 39% abaixo]. Na sua opinião, é possível reverter esse quadro? Quais as estratégias para negociações coletivas futuras?
Lamentavelmente, é preciso dizer que tal quadro só poderá se reverter com a retomada de uma política econômica visando ao desenvolvimento do mercado interno do país. Isso só entrará na agenda das próximas eleições federais pois, reitero, o atual "governo" já disse a que veio. Portanto, é preciso aliar a estratégia das negociações - a meu ver, a busca da manutenção das conquistas econômicas e sociais dos anos 2004 a 2015 - com a da participação política, denunciando sempre a ilegitimidade do governo em exercício e defendendo novas eleições gerais com urgência.

- Diante da retirada de direitos, ainda há tentativas de desmonte de empresas públicas. Quais as consequências para a engenharia e a sociedade?
As consequências são desemprego, precarização e encarecimento dos serviços. A média de desempenho, de qualidade de atendimento e o papel social exercido pelas empresas que se mantiveram estatais, após a ofensiva privatista dos anos 1990 são notadamente superiores a das que caíram nas mãos da iniciativa privada. É um verdadeiro atentado à engenharia nacional e à valorização da capacidade dos profissionais brasileiros.

 Entrevista: Camila Marins

Em entrevista, diretor de negociação coletiva da Fisenge fala sobre impactos de flexibilização dos direitos trabalhistas

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Quinta, 08 Setembro 2016 12:02

Senge-PE participa de assembleia na Chesf


O Senge-PE continua na luta pela manutenção e novas conquistas dos engenheiros e engenheiras.Na última terça-feira, (06), o presidente do Sindicato, Fernando Freitas, participou de assembleia geral na Chesf para esclarecimentos e deliberação quanto aos encaminhamentos da última audiência de conciliação do dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior de Trabalho (TST). A proposta do TST foi aceita pelos trabalhadores e trabalhadoras e será encaminhada ao tribunal. Nova audiência de conciliação será realizada no dia 21 de setembro de 2016.

Fonte: Ascom/Senge-PE


Senge-PE participa de assembleia na Chesf

 

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Em entrevista à Fisenge, a filósofa Marcia Tiburi fala sobre o papel das mulheres na atual conjuntura política e aborda as novas narrativas políticas de enfrentamento. Também autora do livro “Como conversar com um fascista”, Márcia propõe, ainda, diálogos baseados no afeto e ainda problematiza os “escrachos” nas redes sociais. Se a esquerda precisa se reinventar? Não temos as soluções, mas o apontamento central deve ser, segundo ela, reorganizar relações baseadas no afeto.

Entrevista por Camila Marins

• De que forma o machismo atravessa e impulsiona o processo de impeachment da presidenta Dilma? Podemos dizer que o Brasil acordou mulher?
O machismo é a lógica, a teoria e a prática, do capitalismo aplicada à questão de gênero. O fato de que a presidente seja mulher corre ao lado do fato de que seja de esquerda. Dilma Rousseff não se elegeu com uma pauta feminista, por isso o discurso misógino não apareceu com tanta força antes. A misoginia é mais fortemente aplicada àquelas mulheres que politizam a condição feminina. Com Dilma, ele foi usado para os fins do golpe. Atiçou o machismo estrutural que está na base da sociedade. Coisa que a presidenta só começou a fazer durante o processo do golpe. O machismo em relação a ela intensificou-se como uma espécie de ódio que vinha piorar o fato de que fosse também uma pessoa de esquerda. O feminismo, quando levado às últimas consequências, é sempre uma reflexão e uma ação de esquerda. Muitos perceberam, e isso vem se confirmando legalmente também, que Dilma sofreu um golpe justamente por ser de esquerda, por ser mulher e por não ser corrupta. Os defeitos reais de seu governo nunca foram tratados com cuidado, até porque foram erros que implicam a própria crítica e autocrítica da esquerda. Um dos seus erros, a meu ver, foi não ter se tornado feminista antes. Nenhuma mulher pode fazer política sem levar esse aspecto em conta. São as mulheres que podem defender as mulheres quando se trata de política.

• Podemos dizer que vivemos em uma democracia? Ou nunca experimentamos essa vivência?
A democracia faz parte da história. A democracia é um substantivo, mas não uma substância que se encontra na natureza. Ela é um processo que pode ou não ser construído pelas pessoas. De fato, uma democracia radical ou profunda, aquela que funciona como uma operação dialógica, coletiva, respeitosa da diferença, protetora dos direitos fundamentais, não se realizou até hoje. Essa democracia faz parte dos sonhos e dos anseios de muitos. Há que se construí-la. Não podemos realizar a democracia sem a busca de um aspecto fundamental, aquele da defesa da natureza sem a qual o futuro da vida humana no planeta está ameaçado. Uma democracia radical é, necessariamente, socialista em um sentido não burocrático, não estatal e profundamente ecologista.

• A esquerda, hoje, vive um momento de tensionamento pela necessidade de reinvenção e novas formas de mobilização, principalmente pelas redes sociais. Como você avalia essa transição?
Isso não me assusta nem um pouco. O que chamamos de esquerda hoje é bem diferente do que se considerava esquerda no século 19, em 1917 ou em 1968. A esquerda de hoje relaciona-se à ecologia, ao feminismo, à luta racial, à questão indígena, ao lugar da singularidade autocompreensiva da dimensão social. Hoje em dia, não podemos dizer que a luta de classes é a luta fundamental ou central, porque a luta cultural, ecológica, feminista, racial, a luta que implica a singularidade e a multidão, muda o sentido de todos os jogos de poder tradicionais. A única coisa que permanece comum para quem luta é o fato do capitalismo, como tendência destrutiva da sociedade, precisar ser superado em seu DNA.

• Você disse em um debate sobre a endogenia da esquerda. Como superá-la?
Essa é uma questão que ocupa a todos que, de algum modo, fazem parte do amplo campo da esquerda, incluindo aí a totalidade das lutas contra o capitalismo como tendência destrutiva da sociedade. Alguns dizem que vivemos em uma bolha e que precisamos expandir o diálogo. Ora, isso é verdadeiro, mas também é falso. Verdadeiro, porque, de fato, fazer política é expandir o campo das relações. Como disse [a ativista ambiental e ecofeminista indiana] Vandana Shiva, as relações são a alternativa ao capital. E isso quer dizer o quê? Que as relações são o princípio da politização. Ou seja, temos que nos tornar seres de relação, e para termos relações, precisamos de linguagem. Não estou aqui me referindo aos conluios, evidentemente, estou me referindo a ser “camarada”. A aprender a conviver. Hoje, isso envolve descentralizar e deslocar a ação política. Dar espaço para que outras relações aconteçam, sejam as que nos envolvem pessoalmente, sejam as que podem acontecer entre outras pessoas. Penso que podemos desenvolver uma política com base na generosidade, um afeto que é típico do que chamamos de esquerda. Mas essa generosidade precisa se tornar método de transformação econômica e social. A generosidade começa com a política da escuta. E se realiza no fim da avareza capitalista. Isso é o que está contido na afirmação de Shiva: criar relações é a alternativa para a pobreza que causa o capital.

• As redes sociais têm cumprido um importante papel de disseminar informações. Por outro lado, percebemos o imediatismo e a falta de profundidade no debate. Como resolver esse conflito?
Não haverá solução imediata para essa tensão. O que era urgente continua urgente, precisamos pensar e aprofundar a reflexão seja na internet, seja na vida. O caminho alternativo à internet está dado, ele é a vida analógica que conhecemos. O diálogo e a conversação precisam ser retomados. Não há tecnologia que possa substituir o corpo humano, o olhar, a fala que se desenvolve nos encontros mediados por afetos amorosos que nos ajudam a desenvolver o respeito e o reconhecimento eticamente necessários em nosso tempo.

• Também percebemos nas redes a viralização de escrachos. Esta não é uma representação da cultura do justiçamento? Qual a pedagogia desse processo?
O escracho é um tipo de performance política coletiva. Não devemos confundi-lo com linchamento ou justiçamento. Um político ou um cidadão que age de modo abjeto, que com seu ato provoca algo execrável, pode receber uma resposta forte e criativa, como são os escrachos políticos. Não devemos pensar a política, a boa política, como uma política em que o “fofismo” e a “meiguice” sejam uma regra. Não há desrespeito nas reações fortes e expressivas quando se trata de questões que não obtêm respostas mais simples. Falo isso pensando naqueles momentos em que políticos desrespeitosos e irresponsáveis não dão respostas ao povo diante de várias asneiras que cometem. Às vezes o escracho é só um modo de manifestar insatisfação e repúdio. Mas é um fato que temos que ler cada caso e entender a que servem esses escrachos.

• Como conciliar a felicidade com as duras tarefas de militância e luta por sobrevivência e resistência?
O exercício da cidadania não pode ser uma profissão. Creio na militância como esse exercício que faz parte da vida de muita gente. A questão da felicidade é a meta maior que se busca para uma sociedade. Não há felicidade particular em um mundo injusto. O que há é a luta que nos sinaliza para um mundo feliz a ser construído. Uma utopia no melhor sentido do que pode orientar nossas ações em todos os tempos e lugares.

• As mulheres têm cumprido papel fundamental na atual conjuntura política. A transformação da sociedade será feminista? O que é ser feminista?
O feminismo sempre foi uma busca de transformações profundas que pudessem dar conta dos direitos da sociedade como um todo. O feminismo desde seu início é uma crítica da sociedade. Começa como um questionamento sobre o lugar das mulheres na sociedade, a busca por seus direitos, o direito à educação e à cidadania. A percepção das contradições da dominação masculina fazem parte de sua história. Hoje podemos dizer que o feminismo é um grande questionamento em termos teóricos e práticos da estrutura patriarcal que coincide com o capitalismo. Quando falamos em feminismo queremos dizer que o capitalismo precisa ser desmontado em sua versão de gênero. Foram as feministas negras que colocaram as melhores questões para o sentido da crítica e da luta por emancipação em nossa época. O que chamamos de feminismo interseccional é o feminismo que opera desmontando classe, raça, gênero, idade, plasticidade. Ou seja, todo o feminismo que questiona os marcadores da opressão em nossa sociedade. Há quem diga que isso não é feminismo. Mas é feminismo no sentido da visão ampla que só o feminismo permite diante do machismo estrutural que foi incapaz de tornar problemáticas as opressões profundas da sociedade. Nesse sentido, os melhores teóricos críticos, que não incluem a questão da opressão de gênero junto a essas outras, falham na análise e não desmascaram o todo da opressão.

• Como conversar com um fascista?
O título do meu livro é uma ironia. De fato, o fascismo que se desenvolveu em nossa época, sob as condições atuais da tecnologia, mostra a verdade profunda da personalidade autoritária que o fascista torna espetacular: o fascista não está aberto ao outro. Ele não quer nem saber. Mesmo assim, se a tendência é que as pessoas se tornem, a convite do capitalismo, cada vez mais iludidas com o individualismo (e cada vez mais tristes, ressentidas e perdidas), é preciso continuar tentando pensar e agir contra essa tendência que ameaça a todos nós. A conversação e o diálogo são caminhos metodológicos para pequenos e grandes eventos éticos e políticos.

Perfil

Marcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia (UFRGS, 1999). Publicou diversos livros, entre eles “As Mulheres e a Filosofia” (Ed. Unisinos, 2002); “Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita” (Escritos, 2004); “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero” (EDUNISC, 2008); “Filosofia em Comum” (Ed. Record, 2008); “Filosofia Brincante” (Record, 2010); “Olho de Vidro” (Record 2011); “Filosofia Pop” (Ed. Bregantini, 2011); “Sociedade Fissurada” (Record, 2013) e “Filosofia Prática, ética, vida cotidiana, vida virtual” (Record, 2014). Publicou também romances: “Magnólia” (2005), “A Mulher de Costas” (2006), “O Manto” (2009) e “Era meu esse Rosto” (Record, 2012). É autora ainda dos livros “Diálogo/desenho” (2010), “Diálogo/dança” (2011), “Diálogo/Fotografia” (2011), “Diálogo/Cinema” (2013) e “Diálogo/Educação” (2014), todos publicados pela editora SENAC-SP. Em 2015, publicou “Como Conversar com um fascista – Reflexões sobre o Cotidiano Autoritário Brasileiro” (Record, 2015). Também é colunista da revista “Cult” e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie. 

 

Foto: Adriana Medeiros


“São as mulheres que podem defender as mulheres quando se trata de política”, afirmou a filósofa Marcia Tiburi

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No dia 1/9, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou o balanço das negociações dos reajustes salariais do primeiro semestre de 2016.

O estudo, que analisou reajustes na indústria, comércio e serviços, aponta um quadro adverso e reforça a necessidade de o sindicalismo ampliar a mobilização dos trabalhadores.

Os dados mostram piora nos resultados das negociações coletivas. Pouco menos de um quarto dos reajustes – cerca de 24% – resultou em aumentos reais aos salários, 37% tiveram reajustes em valor igual à inflação e 39% abaixo. Em entrevista à Agência Sindical, o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado, atribui os resultados à deterioração do ambiente no mercado de trabalho em relação ao ano de 2015.

“A inflação aumentou no último ano e enfrentamos o fechamento de muitos postos de trabalho. Esses fatores acabaram influenciando negativamente as negociações. Por isso, somente um quarto das categorias chegaram a conquistar aumento real”, explica. O coordenador também chama atenção para o número de parcelamentos dos reajustes, que acaba protelando o pagamento na data-base.

Os trabalhadores da indústria foram os mais prejudicados, devido em parte à persistência do câmbio desfavorável. Cerca de 21% dos reajustes analisados resultou em ganhos reais aos salários, 33% ficaram abaixo da inflação e 46% tiveram valores iguais à variação do INPC-IBGE.

Silvestre avalia que essa tendência deve se manter no segundo semestre, apesar de categorias com mais tradição estarem negociando seus reajustes. “Nós avaliamos que a tendência não deve se alterar, pois a recessão continua e o desemprego também, os mesmos elementos que influenciaram as negociações no primeiro semestre”, diz o coordenador.

Economia - Para o técnico do Dieese, a atividade econômica não deve piorar mais em 2016, abrindo uma perspectiva de retomada do dinamismo no mercado de trabalho. “A recuperação, porém, deve ser lenta, porque sua retomada será sobre uma base muito deprimida. Levaremos mais tempo para retomar os patamares de negociação de 2014, por exemplo. Além disso, as reformas trabalhistas acenadas pelo governo que assumiu trazem algumas incertezas aos trabalhadores, que precisam estar unidos para não ter direitos retirados”, finaliza.

O estudo está disponível no site do Dieese em www.dieese.org.br

Dieese divulga balanço das negociações do 1º semestre

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Em comemoração aos 50 anos da lei 4.950-A, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) irá lançar, no dia 30/8, um caderno e uma animação sobre o Salário Mínimo Profissional, em Foz do Iguaçu (PR). O lançamento irá ocorrer durante a Semana Oficial de Engenheira e Agronomia (SOEA). “A comemoração dos 50 anos da lei atravessa um momento conturbado no cenário político brasileiro. Com a paralisação da economia, as demissões de engenheiros aumentam, as empresas estrangeiras estão assumindo os contratos e, por conseguinte, estagnando a produção tecnológica nacional. Mais do que comemorar, os tempos são de afirmação de direitos e defesa da democracia brasileira”, disse o presidente da Fisenge, o engenheiro civil e sanitarista Clovis Nascimento.

Inspirada pelo engenheiro e político brasileiro Rubens Paiva, a lei 4.950-A de 1966, que instituiu o Salário Mínimo Profissional, é de autoria do então deputado e advogado Almino Affonso. O SMP é um dos principais direitos da categoria, que prevê a utilização do valor de 8,5 salários mínimos, em jornadas de trabalho de 6 horas, para o piso inicial para engenheiros, agrônomos, químicos, arquitetos, médicos veterinários, todos no regime celetista. Uma das lutas é pela extensão da lei aos estatutários. “Temos um valor que é o piso mínimo estabelecido e, embora muitas empresas insistam em descumprir, nós, mulheres engenheiras, conseguimos entrar no mercado de trabalho com um valor salarial igual. É claro que não encerra com as vulnerabilidades, uma vez que homens ocupam mais espaços de poder e seus salários aumentam com maior frequência”, disse a diretora da mulher da Fisenge, a engenheira química Simone Baía, também pontuando a importância da instrumentalização da comunicação na defesa dos direitos.

A lei foi aprovada durante o governo do primeiro presidente do regime militar, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. No entanto, recebeu o veto integral do então presidente. As entidades da engenharia e dos engenheiros brasileiros participaram das lutas pela regulamentação da profissão, e também pela valorização profissional. Graças a essa constante mobilização foi possível conquistar o estabelecimento do Salário Mínimo Profissional e derrubar o veto presidencial.


Serviço:
Lançamento do caderno e da animação sobre os 50 anos do Salário Mínimo Profissional
Data: 30/8 (terça-feira)
Horário: 16h
Local: Estande 3 Fisenge
Endereço: Av. Olímpio Rafagnin, 2357 - Parque Imperatriz, Foz do Iguaçu - PR

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De sexta a segunda, o físico Matheus Lara, de 30 anos, entra em seu carro para trabalhar como motorista de Uber, no Rio de Janeiro. Desde 2014, a Uber oferece serviços de transporte por meio de aplicativo de celular. Às segundas-feiras, Matheus sai de casa às 6h30 com retorno às 20 horas. 14 horas de trabalho em um só dia, utilizando carro próprio e arcando com todos os custos de combustível, seguro para o automóvel e o passageiro. “A empresa não me vê como trabalhador, mas como parceiro. É como se eu fosse um prestador de serviço, ou seja, não tenho direitos”, conta Matheus, que é motorista em tempo parcial, já que tem outros trabalhos informais. Ele ainda afirma que a Uber fica com 25% do valor bruto em corridas UberX (carros populares) e 20% para UberBlack (veículos de luxo).
 
Esta é uma realidade de muitos brasileiros, desde a chegada dos aplicativos prestadores de serviços. O cenário atual reflete a forma como a tecnologia tem aprofundado as transformações nas relações produtivas, caracterizando a chamada “uberização” do mundo do trabalho. De acordo com o advogado e assessor parlamentar da Fisenge, Maximiliano Garcez, este é o fenômeno pelo qual grandes empresas utilizam a força de trabalho de uma enorme quantidade de trabalhadores, por meio das tecnologias disruptivas*. “A relação de trabalho é precária, sem registro em carteira e sem garantias. O trabalhador fica, geralmente, muitas horas aguardando por chamadas em aplicativos, recebendo somente por parte das horas trabalhadas. Quem está rodando sem passageiro, trabalhando para o Uber, gera informações valiosas que são coletadas pela plataforma, mas nada ganham por isso. É uma forma preocupante de terceirização disfarçada”, explicou Maximiliano.

A instrumentalização dessas plataformas tem provocado a desregulamentação dos direitos trabalhistas. Em janeiro deste ano, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, uma das principais reflexões foi a instauração da Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0, que poderá implicar na perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos. Um documento da entidade que organiza o Fórum de Davos também aponta "grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho nos próximos cinco anos".

De acordo com a pesquisadora industrial e mestranda em sociologia pelo IESP/UERJ, Camila Lamarão, esse é um processo diferente das demais Revoluções Industriais. “A primeira com o emprego de máquinas a vapor e hidráulicas; a segunda com produção em massa pelo advento da energia elétrica; e a terceira com automação da produção pelo emprego de tecnologias de informação e sistemas eletrônicos. A Quarta Revolução Industrial está sendo desenvolvida com um processo mais amplo de disseminação da tecnologia, aliada ao capital financeiro, combinando numerosos fatores como a internet dos objetos e ‘big data’* para transformar a economia”, pontuou Camila.

As projeções de desemprego estrutural em nível mundial alertam para a ruptura dos processos produtivos, fundando outros paradigmas culturais e sociais. “Hoje, grande parcela da população já possui um celular que opera transações econômicas, por exemplo. A nanotecnologia* está permitindo baratear e diminuir as escalas dos processos produtivos, aliada à internet das coisas*, o que impulsiona uma descentralização da produção e da comercialização. A robótica* e a inteligência artificial* extinguirão vários postos de trabalho. Todo esse processo já está em andamento e se estabelecerá de forma mais acelerada do que nas etapas anteriores da revolução industrial”, observou Camila. Ela ainda alerta: “Claro que tudo isto se inicia primeiro nos países centrais, e depois nos países periféricos, porém terá o mesmo impacto da introdução da energia elétrica nas nossas vidas, por exemplo. É uma mudança sem volta”.

Outros fatores são a perda real de postos de trabalho e as dificuldades de reinserção. “Os poucos novos trabalhos que serão criados pelas tecnologias exigirão um trabalhador cada vez mais multifuncional, ou seja, que saiba atuar em várias frentes de um mesmo processo, fazendo por vezes papel de designer, gestor, comercializador, entre outras funções. Viveremos um cenário em que teremos um trabalhador multifuncional, que não é mais identificado somente por uma profissão, e sim pela sua capacidade de dinamismo e adaptação. Também assistiremos a um grande número de pessoas desempregadas tentando viver por meio de um empreendedorismo "uberizante"”, apontou Camila.

Aplicativos como Uber e AirBnb (hospedagens domiciliares), por exemplo, funcionam como centralizadores de informações e serviços, e também controladores de ferramentas avançadas de tecnologia. Camila Lamarão ainda destaca que a Uber não tem uma frota de táxi e o Airbnb não possui uma rede de hotéis, mas oferecem os serviços por meio de suas tecnologias e os trabalhadores que a eles se associam são os responsáveis diretos com os consumidores. “Esse tipo de trabalho, como é completamente novo, vem totalmente desregulamentado. Assim como ainda é desregulado o trabalho que é feito quando as pessoas se comunicam para o trabalho após seu horário regular, seja pelo celular ou aplicativos como WhatsApp. O cenário atual do mundo do trabalho é de uma acelerada transição para uma profunda informalidade, desemprego alto e profissões multitarefas desreguladas”, avalia a socióloga.

Uberização provoca reflexão sobre mundo do trabalho

Novas tecnologias e seus paradigmas

Quando pensamos em tecnologia, logo nos remetemos aos aplicativos de celulares. Mas tecnologia e ciência envolvem muitos processos como a descoberta da energia elétrica, a máquina a vapor, entre outros inventos. E, muitas vezes, a tecnologia é vista no maniqueísmo entre as possibilidades de libertação ou escravização da humanidade. Afinal, por um lado, a máquina de lavar roupas, por exemplo, facilitou o trabalho doméstico. Mas, com o sistema capitalista, em vez de criarmos lavanderias comunitárias e coletivas e usarmos o tempo economizado para lazer e momentos de criatividade, acumulamos em nossas casas cada vez mais máquinas em processo de individualismo e também liberamos horas para a exploração da força de trabalho. A principal questão envolve a apropriação da tecnologia em seus cenários e os interesses envolvidos.

“O que está por vir acontecerá com pouca resistência pela sociedade, porque a tecnologia parece ser um campo de benesses. As pessoas acreditam acriticamente que toda tecnologia é feita para a melhoria da vida humana e, nesse sentido, até é. O problema reside em quem gerencia e distribui essa tecnologia que, cada vez mais, ficará a cargo de um grupo restrito de corporações”, analisou a socióloga.

Papel do movimento sindical

Se caminhamos para um processo sem volta, qual será o papel do movimento sindical? O assessor parlamentar da Fisenge, Maximiliano Garcez, acredita que, para aumentar a efetividade dos direitos trabalhistas, as soluções precisam vir de modo sistêmico, pelo atacado. “Os sindicatos devem utilizar mais as ações coletivas. Em 2011, o TST [Tribunal Superior do Trabalho] modificou sua jurisprudência, passando a admitir a condenação do empregador em honorários advocatícios, em caso de ação coletiva julgada procedente. No entanto, um grande número de entidades sindicais ainda não faz uso adequado deste poderoso instrumento de atuação coletiva. Ações coletivas na Califórnia, visando tratar como trabalhadores quem trabalha para o Uber (como efetivamente são), estão avançando”, citou Max. Ele ainda ressalta a importância da comunicação com a sociedade, por meio de audiências públicas e campanhas e de ações de dano moral coletivo por dumping social. “Não podemos tratar o trabalhador uberizado como uma peça sujeita a preço de mercado, descartável quando não se presta mais à sua finalidade. A luta pelo respeito à integridade do trabalhador visa também lembrar à sociedade os princípios fundamentais de solidariedade e valorização humana, que ela própria fez constar do documento jurídico/político que é a Constituição”, concluiu Max.

Já Camila salienta a importância da formação das lideranças para a compreensão da Quarta Revolução Industrial. “Os sindicatos e movimentos sociais têm que fazer seminários, financiar estudos, promover debates com a sociedade, principalmente com os jovens, que vêm crescendo profundamente socializados com as novas tecnologias, e são bombardeados constantemente com a cultura da informalidade aliada a um desconhecimento profundo dos direitos. É preciso aliar o ensino da história da luta por direitos trabalhistas com exercícios de estratégias para soluções dos problemas laborais atuais e futuros”, analisa. 


Diante do cenário de desregulamentação, ainda podemos pensar o lado positivo das novas tecnologias, que é a capacidade de conectar pessoas e mobilizar esforços para ações concretas. “É preciso que este trabalho colaborativo seja de fato um ganho coletivo, e não que camufle a exploração do trabalho para um ‘bem maior’. Não podemos temer o futuro, até porque é inevitável. Temos, sim, que nos apropriar desses elementos, que já fazem parte do nosso futuro, e direcioná-los para os interesses realmente coletivos. Com toda a nossa capacidade organizativa e com a capacidade dessa juventude de viver essa nova era, devemos afirmar que este futuro não é de poucos. É de todos’”, finalizou a socióloga.


* Entenda os termos sobre a Quarta Revolução Industrial
(Fonte: CanalTech e Wikipédia)

Nanotecnologia
Nanotecnologia é o entendimento e controle da matéria em nanoescala, em escala atômica e molecular. Ela atua no desenvolvimento de materiais e componentes para diversas áreas de pesquisa como medicina, eletrônica, ciências, ciência da computação e engenharia dos materiais.

Big Data
Em tecnologia da informação, o termo Big Data ("megadados" em português) refere-se a um grande conjunto de dados armazenados. Diz-se que o Big Data se baseia em 5 V's : velocidade, volume, variedade, veracidade e valor. Big Data é um termo amplamente utilizado na atualidade para nomear conjuntos de dados muito grandes ou complexos, que os aplicativos de processamento de dados tradicionais ainda não conseguem lidar.

Tecnologia disruptiva
“Tecnologia disruptiva” ou “inovação disruptiva” é um termo que descreve a inovação tecnológica, produto, ou serviço, que utiliza uma estratégia "disruptiva", em vez de "revolucionário" ou "evolucionário", para derrubar uma tecnologia existente dominante no mercado.

Internet das coisas
A Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things) é uma revolução tecnológica a fim de conectar aparelhos eletrônicos do dia a dia, como aparelhos eletrodomésticos a máquinas industriais e meios de transporte à Internet, cujo desenvolvimento depende da inovação técnica dinâmica em campos tão importantes, como os sensores wireless e a nanotecnologia.

Robótica
Robótica é um ramo educacional e tecnológico que engloba computadores, robôs e computação, que trata de sistemas compostos por partes mecânicas automáticas e controladas por circuitos integrados, tornando sistemas mecânicos motorizados, controlados manualmente ou automaticamente por circuitos elétricos.

Inteligência artificial
Inteligência artificial (por vezes, mencionada pela sigla em inglês AI - artificial intelligence) é a inteligência similar à humana exibida por mecanismos ou software. Também é um campo de estudo acadêmico.

Matéria: Camila Marins (Jornalista Fisenge)

Crédito Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas

Uberização provoca reflexão sobre mundo do trabalho

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A lona subiu e a cortina desceu. A noite de sexta-feira (5/8) foi marcada pela magia do "Circo da Democracia", inaugurado em Curitiba. O ato aconteceu no dia da abertura dos Jogos Olímpicos e tem o objetivo de denunciar o golpe ocorrido no Brasil e, com alegria, promover o debate e o diálogo na sociedade. Aos poucos, mulheres, homens e crianças lotaram o circo e a lona foi tomada pela fantasia e pela utopia. Artistas circenses fizeram apresentações pirotécnicas e de equilibrismo, além das tradicionais gargalhadas com os palhaços. O professor Carlos Marés abriu o circo contando sobre o contexto histórico do evento. "Estamos no mesmo espaço, onde montamos o 'Circo da Constituinte', em 1987, quando era uma simples arquibancada. Hoje, a Constituição começa a se romper no Brasil e temos a finalidade de debater a nossa jovem democracia, que é o meio de produzir e reproduzir vida e cultura. Esse não é um circo capitalista. É um circo solidário", afirmou Marés, também agradecendo à família circense Zanchettini, que promove boa parte do espetáculo.
 
Com uma rosa vermelha em mãos, a rosa do povo, o sociólogo Emir Sader iniciou sua fala destacando que no Rio de Janeiro, a cidade vive uma festa. Uma festa de lutas, manifestações e resistências. "A direita perdeu quatro eleições e não querem apenas romper com a democracia. Querem retomar o projeto econômico com uma agenda de destruição do patrimônio público, de financiamento privado de campanha e parlamentarismo. Hoje, quem ocupa o governo é a parcela 1% mais rica do país. Terminamos a ditadura e não avançamos na democracia social", disse Emir, prestando solidariedade à atriz Letícia Sabatella que foi agredida na mesma praça nas últimas semanas. 
 
Não é pão e circo. É luta e comunidade. A sede é pelo diálogo. E os tempos de intolerância exigem a reconstrução do campo progressista. "Estamos diante de narrativas de ódio e precisamos preservar os rumos do país no campo democrático progressista. Esse golpe é político e estamos organizando forças para o enfrentamento", destacou o integrante do "Advogados pela Democracia" e também da coordenação geral do "Circo Pela Democracia", Eduardo Faria. E quem disse que a luta precisa ser dura? "A ideia do circo parte do princípio que dentro da luta pode e deve haver alegria, o que motiva corações e mentes. Este também é um recado para as forças golpistas que estamos organizados numa frente de resistência articulada para criar e reforçar um pensamento contra hegemônico", disse o vice-presidente do Senge-PR e diretor da Fisenge, Valter Fanini, um dos integrantes da organização do "Circo da Democracia".
 
Jovens e mulheres
 
Nos últimos anos, mulheres e jovem têm ocupado o protagonismo nas ruas. E a disputa das narrativas é fundamental para a organização da classe trabalhadora. "A juventude mostra preocupação com tudo que está acontecendo. O jovem quer lutar e se preocupa com o país", apontou a estudante de engenharia química, Letícia Partala, de 19 anos. Adriana Oliveira, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reforça a importância da luta das mulheres e ainda sobre o momento histórico. "A luta pela democracia também é a luta pela reforma agrária e pela reforma urbana", concluiu.
 
A mestranda em direito e militante feminista, Kellyana Veloso explica que o debate extrapola os muros da universidade e ocupa as praças e as ruas. "Curitiba não é uma República. Curitiba é negra, é feminista é LGBT, e da periferia. Em Curitiba tem muita resistência e luta. Este é um momento de diálogo e construção de pontes, e não de polarização", reforçou.
 
Unidade na mobilização
 
O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e vice-presidente da Associação dos Professores da UFPR, Luiz Allan acredita que a conjuntura não conseguiu vencer as arestas do campo da esquerda. "O fundamental é que estamos dialogando e conseguimos reunir muitas organizações sindicais. O Circo abre um espaço onde o diálogo da esquerda possa se reconstruir e essa reconstrução passa pelas bases", reafirmou o professor.
 
Mais de 100 entidades participam da organização do evento. O ex-presidente da Fisenge e atual presidente do Senge-PR, Carlos Roberto Bittencourt dialoga no sentido de que este pode ser o início de um espaço unificado contra o golpe. "Conseguimos aglutinar três centrais sindicais, várias associações e movimentos estudantis e sociais. O Brasil acompanha esse movimento em Curitiba e precisamos unificar as forças para lutar contra as propostas do governo interino para mudar a legislação trabalhistas e retirar direitos sociais", ratificou Bittencourt contando que o Senge-PR e a Fisenge participaram ativamente da organização do "Circo da Democracia".
 
Além de gritos uníssonos de "Fora Temer", a plateia também lembrou da violência praticada pelo governo do estado contra os trabalhadores da educação e protestaram em uma só voz "Fora Richa", aludindo ao governador Beto Richa. "Esse é um espaço para promovermos reflexão, uma avaliação da conjuntura e, sobretudo, projetar a superação desse período para sustentarmos o processo democrático, que se coloca em profunda contradição. Também é um estímulo para retomarmos uma projeção de futuro", finalizou o presidente da Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP), Hermes Silva Leão.
 
Aos poucos, o Circo baixou a cortina e acendeu a chama da utopia por uma sociedade justa, igualitária e fraterna. O circo permanece nos sonhos de mulheres e homens, fortalece as forças de resistência e anima a capacidade de luta. Que a lona e a luta sigam firmes. 
 
Texto: Camila Marins (Fisenge)
Foto Vírus Planetário
 
Com alegria, Circo da Democracia promove debate político
 
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Na próxima sexta-feira, 5 de agosto, Curitiba será palco do maior fórum público do país sobre democracia, educação, política, justiça, arte, economia e comunicação.

Um grande evento que reunirá professores(as), políticos(as), comunicadores(as), artistas, estudantes e líderes de movimentos sociais de todo Brasil. O Circo da Democracia será uma grande tenda armada na Praça Santos Andrade entre os dias 5 e 15 de agosto. Durante esses 10 dias, mais de 100 entidades e personalidades nacionais passarão pelo local para realizar atividades na defesa pela Constituição e pela igualdade social. Serão debates, palestras, oficinas, espetáculos, mostras e intervenções com o objetivo de propor um equilíbrio na democracia, na educação, na Justiça, na política, na economia, na mídia, na arte, na cultura e na sociedade como um todo.

“Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?”

Nas páginas oficiais do evento (clique aqui e aqui) é possível acompanhar o processo de organização e também se inscrever nas atividades do Circo da Democracia. Entre os palestrantes confirmados estão o jornalista e pesquisador Laymert Garcia dos Santos, o político Ciro Gomes, o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, a professora e pesquisadora Vera Karan, a primeira mulher negra a assumir a reitoria de uma Universidade Federal do país, a professora Nilma Lino Gomes e dos grupos Central de Sistema Som, Siricutico, Banda Eddie e da cantora Thayana Barbosa.

“A gente não quer só comida. A gente quer comida diversão e arte”

O Circo da Democracia é resultado do esforço coletivo de entidades ligadas às causas sociais e a APP-Sindicato participa desse processo. Para o presidente da APP-Sindicato, a pluralidade na organização do evento serve para reforçar a representatividade dos mais diversos grupos sociais na defesa dos valores democráticos. ” Participamos desde o primeiro encontro, onde estiveram presentes universitários, professores, representantes dos movimentos e entidades, foi um grande momento de analisar nossa atuação frente ao conservadorismo e as ameaças à democracia tão atuais no nosso país. Agora, convidamos nossa categoria para ampliar nossa participação e representatividade, chamando educadores e também movimento estudantil”, endossa o presidente do Sindicato.

Contagem regressiva para a chegada do Circo da Democracia



Confira a programação AQUI

Contagem regressiva para a chegada do Circo da Democracia

 

 

 

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"Curitiba arma circo onde população pode discutir Constituinte". Este foi o título da notícia veiculada em março de 1987, no Jornal do Brasil. Com o objetivo de fazer um paralelo histórico e unir passado, presente e futuro, mais de 90 entidades lançaram, no dia 11/7, o “Circo da Democracia”, em Curitiba (PR). A ocupação da praça Santos Andrade, em frente à Universidade Federal do Paraná, acontecerá entre os dias 5 e 15 de agosto.

De acordo com o diretor da Fisenge e do Senge-PR, o engenheiro Valter Fanini, o evento tem o objetivo de animar o debate sobre a democracia diante do golpe midiático, jurídico e parlamentar instalado no Brasil com o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Há um conjunto de propostas no Congresso Nacional que ameaçam conquistas históricas dos trabalhadores. O ‘Circo da Democracia’ tem a finalidade de fortalecer as forças do campo da esquerda para além do golpe, em defesa da democracia e dos direitos”, afirmou Fanini.

O “Circo da Democracia”, instalado em Curitiba, representa uma importante carga simbólica histórica e tem a intenção de construir um dos maiores fóruns públicos do país sobre democracia, educação, política, justiça, arte e cultura, economia e comunicação. “Qual a nossa força? A causa justa e a reação permanente para todos os trabalhadores e a sociedade. Nessa apropriação do discurso da crise, os engenheiros, por exemplo, têm sofrido com o alto desemprego e com o descumprimento do Salário Mínimo Profissional”, pontuou Fanini.

O advogado e integrante do movimento “Advogados pela Democracia”, Eduardo Faria Silva destaca que o período da ocupação da praça acontecerá durante os Jogos Olímpicos. “A palavra circo remete a conotações diferentes e também expressa as fortalezas e as fragilidades do nosso país. O debate sobre democracia é importante nesse momento, pois não basta dizer que os males acabaram com a chegada dos Jogos. Precisamos problematizar e aprofundar as questões sociais pelas quais atravessamos”, explicou Eduardo frisando a importância da articulação dos movimentos e entidades para fortalecer o campo social progressista e de esquerda. Já estão confirmados na programação, o político brasileiro e ex-ministro, Ciro Gomes e o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

Saiba mais sobre o Circo da Democracia:
http://www.circodademocracia.com.br/
https://www.facebook.com/Circo-da-Democracia

Em Curitiba, entidades organizam “Circo da Democracia”

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Após cinco horas de espera, aconteceu, no dia 8/6, a 2ª rodada de negociação coletiva entre a direção da holding Eletrobras e o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), sindicatos e federações. Depois de cancelar três reuniões, a empresa finalmente manteve a rodada. Isso porque, na semana passada, os trabalhadores do setor elétrico promoveram mobilizações em todo o país com indicativo de paralisação de 72h. A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) foi representada pelo diretor Gunter Angelkorte. "Um ponto de avaliação preliminar importante é a postura do diretor de administração da Eletrobras. Tínhamos uma reunião marcada para 10h, mas ele apareceu apenas às 16h15. Falta compreensão para entender que a negociação é um momento sério e que é preciso mais respeito com os trabalhadores", criticou ele.

Segundo o engenheiro Mailson Silva, diretor do Senge-PE, a Eletrobras apresentou propostas que não atendem aos interesses dos trabalhadores, seja em relação à PLR, seja do ACT. "O que ficou confirmado é que levaremos novamente a discussão da PLR para uma reunião no dia 16/6, dentro da comissão paritária, da qual a Fisenge faz parte. Impasses também no ACT fazem com que uma terceira rodada seja necessária, após nova avaliação dos trabalhadores", afirmou ele.

>>> PLR continua sem definição
A reunião foi iniciada com a apresentação, por parte da diretoria, da situação do cálculo da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), informando os índices de cada empresa e cumprimento das metas. Os dirigentes sindicais questionaram a exclusão da Celg-D (empresa de distribuição de Goiás). "A diretoria apresentou parâmetros para a PLR que não constavam no trabalho da comissão paritária. Só levaram em consideração parâmetros operacionais, sem contar os financeiros", criticou Gunter. "Nesta conta, o resultado da PLR seria zero, com exceção da Eletronorte. Exigimos o reajuste das contas, respeitando o trabalho da comissão paritária, o que acabou acatado pela diretoria. Uma nova reunião foi marcada, no dia 16, em que esperamos, de vez, finalizar a discussão da PLR", afirmou ele.

O engenheiro Fernando Queiroz, diretor do Senge-MG, relembra que o trabalho da comissão paritária foi embasado pelo Tribunal Superior do Trabalho. “De imediato, o CNE já rechaçou a proposta por não atender aos anseios da categoria, por não levar em consideração o trabalho realizado pela comissão paritária em no mínimo sete reuniões ao longo do ano passado e, por último, por criar prerrogativas não constantes na ata do Tribunal Superior do Trabalho, proferida pelo Ministro Ives Gandra em audiência de conciliação suscitada pela empresa no último acordo de PLR", lembrou o engenheiro. O Diretor de Administração da holding, Alexandre Aniz, apresentou informalmente a intenção de que cada empresa do sistema pagasse uma parte da PLR, referente aos parâmetros que não têm conflito de entendimento entre a empresa e os trabalhadores. Para Gunter Angelkorte, no entanto, não houve qualquer garantia. "O diretor não fixou nenhuma data para pagamento, seja de parcela ou de total. O que existiu, no momento, foi a manifestação de intenção, e não uma proposta, e que por isso foi negada pelos dirigentes", disse ele.

O CNE solicitou que fosse realizada nova análise sobre o PLR, considerando, entre outras, as seguintes premissas:
- O memorial elaborado pelo CNE (comissão paritária) sobre o assunto
- O EBITDA ajustado
- Excluir limitador de pagamento atrelado à distribuição de dividendos (não consta na ATA do TST)
- Considerar índice ISE Bovespa (ambiental)
- Metas do CMDE para distribuidoras não foram repactuadas, sendo necessário considerar documento específico utilizado por cada distribuidora na pactuação de suas metas

>>> ACT: fatiamento do reajuste e mudança na data-base
Com relação ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2016/2017, a diretoria apresentou proposta de alterar a data-base para outubro, além de validar o ACT para 24 meses (dois anos). "Hoje (9), o CNE recebeu o documento oficial com a contraproposta da empresa, em que é oferecido o aumento de 5%, retroativo a maio de 2016, a ser pago na folha referente a junho", informou Gunter. "Em outubro, nova data-base acordada, o que faltasse do IPCA de maio (do total 9,28%) seria reposto, retroativo a este mês. Em outubro se discutiria o quê fazer com o índice dos meses posteriores, de maio a setembro. Isso tudo com o ACT amarrado por 2 anos, com a Eletrobras se comprometendo, em outubro de 2017, a repor, no mínimo, o índice inflacionário do período. Esses índices de correção também se aplicariam aos benefícios, que seriam mantidos", finalizou ele.

>>> Assembleias serão realizadas nos próximos dias
A proposta do CNE é que os sindicatos realizem, até o dia 15/6, assembleias consultivas nas bases para repassar o andamento da rodada. No dia 22/6 está agendada a terceira rodada, em que os dirigentes avaliarão, de fato, a proposta, para posterior deliberação nas bases em novas assembleias. "Esperamos que a próxima reunião marque o término das negociações, já que será definida uma proposta final aos trabalhadores. Tão somente por esse motivo é que o momento pede serenidade e compromisso", avalia Gunter. "A direção da empresa precisa se conscientizar disso e apresentar uma proposta que atenda minimamente o pleito da categoria, que reconheça o esforço dos trabalhadores em manter o sistema elétrico em funcionamento, para que cheguemos a um bom termo", finalizou. No Rio de Janeiro, os trabalhadores de Furnas realizaram assembleia no dia 9. Na ocasião, o documento oficial da Eletrobras ainda não havia sido encaminhado ao CNE. Eletrobras, seção Rio de Janeiro, realiza assembleia no dia 10, e Eletronuclear no dia 13. Cepel ainda não definiu data.

O engenheiro Mailson Silva, diretor do Senge-PE, lembrou que a conjuntura política pede união dos trabalhadores contra retrocessos. "Neste momento, a unidade entre as categorias se torna essencial, aliada à defesa das empresas públicas e contra o modelo de privatizações que está inserido dentro da Medida Provisória nº 727". A MP em questão, assinada por Michel Temer em maio, criou o Programa de Parcerias de Investimentos, que propõe aumentar as concessões e privatizações de empreendimentos públicos de infraestrutura (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Mpv/mpv727.htm). Para Gunter, o momento é de mobilizar e fortalecer a defesa das empresas públicas. "Temer quer reativar o programa nacional de desestatização, um assunto que não temos tratado há mais de uma década. A diferença entre aquela época e hoje é que antes havia uma geração de trabalhadores que vinha de anos de ditadura e que conhecia de perto os retrocessos do neoliberalismo. Hoje, temos uma nova geração que não conviveu de perto com o horror das privatizações. É preciso continuar mobilizando e discutindo com essa geração, para trazer a consciência de que este é um processo de disputa que os trabalhadores precisam participar", finalizou.

CALENDÁRIO
Dia 16/06/2016 – Reunião da Comissão Paritária para discutir a PLR – Brasília (DF)
Dia 22/06/2016 – 3ª rodada de negociação - Brasília (DF)

Eletrobras propõe fatiar reajuste; terceira rodada marcada para dia 22

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