No dia 18/9, foi realizado o painel “Mobilidade Urbana”, durante a 76ª Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (SOEA), em Palmas (TO). O engenheiro civil e vice-presidente da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros), Ubiratan Félix, iniciou a apresentação com uma reconstrução histórica do setor. “O modelo de desenvolvimento econômico adotado no Brasil a partir de 1930 provocou uma brutal concentração de renda e de população em poucas cidades brasileiras. Este modelo de ocupação territorial ocasionou a saturação das vias urbanas e dos equipamentos públicos instalados, determinando a expansão horizontal da área urbanizada”, explicou Ubiratan que também é presidente do Senge-BA (Sindicato dos Engenheiros da Bahia) e foi secretário de transporte em Vitória da Conquista.

De acordo com o engenheiro, a partir da década de 1960, o país optou por um modelo de mobilidade centrado no uso do automóvel, iniciando um processo de sucateamento e posterior destruição dos bondes, transformando a via pública em um bem financiado por toda a sociedade e apropriado por mais de 90% pelos automóveis. “O transporte público foi entregue às regras de mercado, subsidiado basicamente pelos usuários. Esta política - aliada ao incentivo do uso do transporte individual para classe média e a proliferação dos transportes alternativos e/ou clandestinos - gerou ao longo do tempo uma diminuição progressiva do número de usuários de transporte coletivo, que provoca exclusão social, perda de mobilidade, qualidade de vida e de sustentabilidade ambiental das nossas cidades”, salientou Ubiratan que acrescentou: “a atual política de mobilidade urbana precisa superar a lógica de veículo individual e investir em modais coletivos”.

Outro ponto de destaque da palestra foi a afirmação de que mobilidade urbana é bem público essencial. “Quem paga transporte público hoje são os mais pobres, e não é a lógica do mundo. Transporte público é bem essencial e, portanto, deve ser pago por todas as pessoas, assim como o SUS (Sistema Único de Saúde). Para fazer política social, precisamos discutir de onde sairão os recursos e não dá para onerar o usuário”, pontuou. Diante destes desafios de financiamento, Ubiratan acredita que uma boa iniciativa pode ser a isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de todos os veículos destinados ao transporte público coletivo de passageiros, além de uma política de subsídio ao óleo diesel. “A União precisa entrar com recursos, o estado com assessoria técnica e o município com a execução e implantação. Além disso, o Plano Diretor das cidades precisa dialogar com os planos de saneamento e de mobilidade, por exemplo”, afirmou.

Dados da ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) demonstram que o transporte público funciona regularmente em 920 municípios com mais de 30 mil habitantes, onde moram 122 milhões de brasileiros. Também são realizadas mais de 60 milhões de viagens diárias, cuja arrecadação ultrapassa 15 bilhões de reais por ano, gerando aproximadamente 570 mil empregos diretos. “Esse ciclo contribui para a manutenção de empregos na extensa cadeia produtiva que inclui setores como a indústria de chassis e montagem de ônibus, fabricantes de trens e metrôs, de pneus e de peças de reposição, além do segmento de combustíveis e do setor de construção de infraestrutura”, declarou.

Por fim, o engenheiro defendeu que o transporte público de qualidade é a garantia da democratização do acesso às oportunidades de emprego, renda e de integração social, que permite o aumento da qualidade de vida e da mobilidade do cidadão e estabelecimento do ciclo virtuoso de desenvolvimento, emprego e renda. “Uma política de mobilidade urbana é essencial para toda a economia brasileira. Isso significa a compreensão de que a política pública de mobilidade urbana é um elemento de geração de empregos e desenvolvimento social sustentável, uma vez que os benefícios do transporte público de qualidade extrapolam os aspectos referentes à sua operação, influenciando positivamente empresas, governos e demais setores da sociedade”, concluiu Ubiratan.

Texto e foto: Camila Marins

“Política de mobilidade urbana precisa superar lógica de veículo individual”, alertou engenheiro

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O transporte público de qualidade é a garantia da democratização do acesso às oportunidades de emprego, renda e de integração social. Além disso, permite o aumento da qualidade de vida e da mobilidade do cidadão, estabelecimento do ciclo virtuoso de desenvolvimento, emprego e renda.

Uma política de mobilidade urbana é essencial para toda a economia brasileira. Dados da ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) demonstram que o transporte público funciona regularmente em 920 municípios com mais de 30 mil habitantes, onde moram 122 milhões de brasileiros. Também são realizadas mais de 60 milhões de viagens diárias, cuja arrecadação ultrapassa 15 bilhões de reais por ano, gerando aproximadamente 570 mil empregos diretos.

Esse ciclo contribui para a manutenção de empregos na extensa cadeia produtiva que inclui setores como a indústria de chassis e montagem de ônibus, fabricantes de trens e metrôs, de pneus e de peças de reposição, além do segmento de combustíveis e do setor de construção de infraestrutura.

Do ponto de vista ambiental, o balanço é amplamente favorável ao transporte público. Os estudos revelam que o passageiro de automóvel consome cerca de 10 vezes mais energia que um passageiro de ônibus e 25 vezes mais do que um passageiro de metrô. Os automóveis são caros e ineficientes, ocupam mais espaço nas vias, consomem mais energia e, portanto, são mais poluentes.

Ao contrário do Brasil, muitos países de diferentes concepções ideológicas, como os Estados Unidos, Alemanha, França, Colômbia e China, possuem metrópoles que mantiveram a qualidade de sua mobilidade por meio de investimentos dos governos centrais, a fundo perdido, em sistemas estruturadores de transporte público integrado aos demais modos de deslocamento. A solução adotada nestes países é do transporte individual aportar recursos para o transporte público por meio da taxação sobre os combustíveis, imposto sobre propriedade de veículos automotores, pedágio urbano, cobrança por estacionamentos nas áreas centrais e comerciais e isenção nas áreas periféricas.

Oportunidades da mobilidade urbana

  • Utilização exclusiva dos recursos da CIDE em infraestrutura de transporte público e mobilidade urbana
  • Elaboração de uma Política Nacional de Mobilidade Urbana centrada no transporte público e não motorizado (a pé e bicicleta) e na “Paz no Trânsito”, além de restringir o acesso de automóveis nos corredores de transporte coletivo e nos centros urbanos
  • Reconhecimento do transporte público como serviço essencial, de modo a garantir o mesmo tratamento de recursos e tributos existentes no setor de saúde e educação
  • Efetivação do Código de Trânsito Brasileiro, incluindo mecanismos que possam promover a “Paz no Trânsito” e que inibam a impunidade dos crimes de trânsito
  • Repartir os custos das gratuidades com toda a sociedade, criando fontes extras tarifárias para seu custeio
  • Criar tarifa de energia elétrica específica para tração utilizada em transporte público, eliminando sobretaxação decorrente de tarifa horo-sazonal
  • Estabelecer uma política especial de preços para o óleo diesel utilizado em ônibus
  • Isentar do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) todos os veículos destinados ao transporte público coletivo de passageiros
  • Fortalecer e ampliar o vale-transporte, como forma de inclusão social e distribuição de renda
  • Constituir política permanente de incentivo ao uso de energia elétrica, do gás e de outros combustíveis menos poluentes na frota de transporte público de passageiros
  • Resgatar os espaços públicos da via urbana para o transporte público, por meio da implantação de vias e faixas exclusivas para ônibus
  • Adotar medidas de operação de trânsito, priorizando o transporte público
  • Implantar equipamentos que aumentem a segurança e o conforto do usuário, como abrigos, sistemas de informações, veículos com portas largas, entrada baixa, piso baixo, suspensão automática, direção hidráulica, ar-condicionado e freios ABS
  • Adoção, por meio de operadoras e gestoras, de pesquisas de opinião para identificar e compreender as necessidades de seu cliente
  • Desenvolver tecnologias de construção de calçadas, pavimentos viários e de sinalização
  • Difundir o uso de recursos de controle centralizado dos semáforos, vídeo-monitoramento, sistemas eletrônicos de controle da velocidade, detectores de invasão de faixas ou áreas do transporte coletivo, semáforos interativos, controladores de fluxos, fiscalização, coletores de dados e informação on-line de registro de veículos e condutores
  • Instituir Fundos Municipais de Transporte Coletivo com recursos provenientes do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor), operações urbanas, multas, zona azul, pedágio urbano
  • Implantar sistemas de transporte de massa de grande e média capacidade (metrôs e ônibus em corredores próprios) com qualidades urbanísticas e ambientais, por meio de subsídios públicos aos investimentos de infraestrutura que também assegurem acessibilidade às pessoas portadoras de deficiência e de mobilidade reduzida.


O modelo brasileiro e seus problemas
O modelo de desenvolvimento econômico adotado no Brasil a partir de 1930 provocou uma brutal concentração de renda e de população em poucas cidades brasileiras. Este processo foi agravado pela forma como a maior parte da população se apropriou do espaço urbano que, aliado à falta de uma efetiva política habitacional, teve como resultado a apropriação das regiões dotadas de infraestrutura urbana pelos mais providos de recursos econômicos, sociais e culturais, restando aos menos providos as áreas distantes, insalubres e menos dotadas de infraestrutura urbana. Este modelo de ocupação territorial ocasionou a saturação das vias urbanas e dos equipamentos públicos instalados, determinando a expansão horizontal da área urbanizada.

Além disso, a partir da década de 1960, o país optou por um modelo de mobilidade centrado no uso do automóvel, iniciando um processo de sucateamento e posterior destruição dos bondes e transformando a via pública em um bem financiado por toda a sociedade e apropriado por mais de 90% pelos automóveis.

O transporte público foi entregue às regras de mercado, subsidiado basicamente pelos usuários. Esta política, aliada ao incentivo do uso do transporte individual para classe média e a proliferação dos transportes alternativos e/ou clandestinos, gerou ao longo do tempo uma diminuição progressiva do número de usuários de transporte coletivo, pois é oferecido um serviço público essencial por um preço incompatível com a capacidade de pagamento dos seus usuários. Este modelo provoca exclusão social, perda de mobilidade, qualidade de vida e de sustentabilidade ambiental das nossas cidades.

Em vista disso, é urgente a necessidade de mudança dos paradigmas que orientam a política de mobilidade urbana no Brasil e também estabelecer uma política que garanta o acesso de toda a população ao transporte público, independentemente de sua capacidade contributiva ao sistema.

É importante, ainda, priorizar a utilização das vias públicas urbanas pelo transporte coletivo e que sejam estabelecidas políticas tributária e previdenciária específicas para o setor, de modo que haja uma redução expressiva das tarifas. O incentivo do uso do transporte coletivo contribuirá de forma incisiva para o aumento da sustentabilidade ambiental, econômica e social das cidades brasileiras.

Ameaças à mobilidade urbana

  • Proliferação dos transportadores públicos não regulamentados
  • Incentivo e isenções fiscais à aquisição e à produção de automóveis
  • Financiamento em longo prazo para aquisição de automóveis
  • Manipulação dos valores da CIDE (Contribuição da Intervenção no Domínio Econômico), com objetivo de reduzir o custo final da gasolina, constituindo um subsídio indireto ao uso do automóvel
  • Mobilidade urbana centrada no automóvel
  • Precariedade e baixa qualidade do transporte público urbano
  • Falta de integração dos diversos modais de transportes
  • Inexistência de financiamento com juros subsidiados para aquisição de ônibus urbanos
  • Inexistência de politica pública para distribuição de cargas no perímetro urbano
  • Proliferação do transporte por demanda: fretamento, aplicativos, etc.


Para muitos países, o transporte público é fator de desenvolvimento e de inclusão social. A partir desta lógica, os custos dos transportes são, em considerável medida, financiados com recursos públicos e por demais setores da sociedade. Isso significa a compreensão de que a política pública de mobilidade urbana é um elemento de geração de empregos e desenvolvimento social sustentável, uma vez que os benefícios do transporte público de qualidade extrapolam os aspectos referentes à sua operação, influenciando positivamente empresas, governos e demais setores da sociedade. Diante das ameaças, há uma avenida de oportunidades para a garantia do direito à cidade.

UBIRATAN FÉLIX - engenheiro civil, professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), vice-presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA) e membro do BrCidades.

*Artigo originalmente publicado na Carta Capital

 Transporte público é uma avenida de oportunidades para as cidades

Foto: Tania Rego/Agência Brasil EBC

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Capítulo 1 – 1960 a 1986 – da juventude universitária católica ao grupo “Luz”

Por Ubiratan Félix*

Na década de 1960, o Movimento Estudantil (ME) universitário baiano estava praticamente restrito à Universidade Federal da Bahia (UFBA), e a principal entidade organizativa dos estudantes foi a União dos Estudantes da Bahia (UEB). O Diretório Central dos Estudantes (DCE–UFBA) era uma entidade com finalidade de prestação de assistência aos estudantes, principalmente em relação à residência e ao restaurante universitário. 

No movimento estudantil baiano havia duas grandes forças políticas, entre elas o Partidão (Partido Comunista Brasileiro) que tinha entre os seus quadros Jorge Medaur e a JUC (Juventude Universitária Católica - que depois se tornaria a famosa Ação Popular, AP), que tinha Haroldo Lima, Severo, Jorge Leal Gonçalves e Paulo Mendes como lideranças, e eram conhecidos como os “três mosqueteiros da Politécnica”. 

Em 1961, o I Seminário de Reforma Universitária da União Nacional dos Estudantes (UNE) aconteceu em Salvador. Na época, o presidente da UNE era o estudante goiano, Aldo Arantes que, no futuro, seria membro da comissão executiva da AP e do PCdoB e eleito Deputado Federal por duas legislaturas. 

Após o golpe de 1964 com a crise do PCB em nível nacional, surgiram na Bahia as dissidências estudantis do PCB, que se aliavam a POLOP local e nacionalmente, formando um bloco cuja prioridade era a luta “sindical ou específicas dos estudantes”. Por outro lado, o bloco AP/PCdoB defendia que a tarefa central do movimento estudantil era a denúncia do regime fascista de 1964, organizando, inclusive, grandes atos que eram violentamente reprimidos pela ditadura. Esta atuação tinha a finalidade de mostrar às grandes massas operárias e camponesas que não havia ilusão para uma saída democrática. 

No período pós-golpe na Bahia, entre as principais lideranças do bloco AP/PCdoB se destacou José Fidelis Sarno, que assumiu a presidência da UNE em 1965 em substituição a Altino Dantas. Hoje, Fidelis é engenheiro e empresário. Já do bloco POLOP/DISSIDÊNCIAS, podemos destacar o estudante de engenharia química da POLI–UFBA, Pery Falcon, atual dirigente do PT–BA; e pelo PCB, o estudante de arquitetura Sérgio Passarinho, presidente da UEB em 1968 e que seria, em 1982, vereador pelo PMDB de Salvador. 

No inicio da década de 1970, a UNE e a UEB estavam na ilegalidade. O último presidente eleito da UNE foi Honestino Guimarães, considerado desaparecido político. Outros diretores, como José Genoino, estavam na luta armada no Araguaia. Antigos militantes da década de 1960, como Fidelis Sarno, Haroldo Lima, Severo e Jorge Leal Gonçalves estavam na clandestinidade, no exílio, presos ou também contabilizados como desaparecidos políticos. 

Em 1973, estudantes iniciam um movimento de reconstrução do DCE–UFBA e dos diretórios acadêmicos. Eles eram ligados principalmente ao PCdoB/AP, com destaque para Olival Freire, que atualmente é professor de Física da UFBA; e Manoel José, que foi professor da Faculdade de Arquitetura, falecido em 2005. 

No período de 1973 a 1983, a corrente “Viração” (braço estudantil do clandestino PCdoB) hegemonizou o ME baiano e da UFBA. Nesse processo de luta, quadros importantes surgiram, como Luiz Nova (foi Deputado Estadual do PMDB e PCdoB); Vandilson Costa (foi Deputado Estadual do PMDB e PCdoB); Clara Araújo (foi presidente da UNE); Ruy César (foi presidente da UNE); Javier Alfaya (foi presidente da UNE e Deputado Estadual); Lídice da Mata (foi presidente do DCE–UFBA, prefeita de Salvador e atualmente é Deputada Federal); Sidônio Palmeira (foi presidente da UEB e atualmente é empresário do setor publicitário). 

Na oposição ao PCdoB destacava-se a corrente “Combate” com muita inserção em Cruz das Almas, que era liderada por Jersulino Moraes (Binho) que, no futuro, seria Engenheiro Agrônomo, presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado da Bahia (EMATER-BA) e Deputado Estadual pelo PDT; Wilton Cunha (Betânia) que seria secretário de finanças de Vitória da Conquista e Diretor Geral da Secretaria de Educação da Bahia. Também na oposição havia a corrente “Unidade”, que tinha Zulu como sua principal expressão e os membros da União dos Residentes Livres e Comensais (URLC), que tinha forte base de apoio na residência estudantil e usuários do Restaurante Universitário. O seu principal expoente era Lu Cachoeira. 

No início da década de 1980, o PCdoB atingiu o ápice de sua hegemonia no ME baiano, elegendo Lídice da Mata presidente do DCE da UFBA e vereadora, a terceira mais votada de Salvador em 1982 e mais dois ex-militantes eleitos vereadores do movimento estudantil: Jane Vasconcelos e Ney Campelo. Além disso, o partido ainda dirigia o DCE–UFBA e UEB. Dos cinco presidentes da UNE eleitos até 1983, três eram baianos e todos do PCdoB. 

Em 1983, a chapa “Solidariedade” - que reunia militantes estudantis da “Correnteza” (corrente ligada a OCDP, antiga AP – Ação Popular) com o apoio dos independentes - conseguiu, pela primeira vez, derrotar a “Viração”. É importante destacar a atuação do então estudante do Estudante de Medicina Jorge Solla, atual Deputado Federal do PT- BA e Luís Eugenio Portela, atual Professor de Medicina da UFBA. 

Em 1984, a “Viração” retomou o DCE–UFBA, reelegendo em 1985, quando foram apresentadas três chapas: “Transformar” (novo nome da Viração), “Diretas Já” (correntes petistas) e “Luz” (grande novidade do Movimento Estudantil, pois se autoproclama independente, apartidária e tem como principal bandeira à priorização das lutas específicas dos estudantes). A chapa “Luz”, com amplo apoio dos estudantes independentes, dos oriundos de “Combate” e da URLC, fica em segundo lugar derrotando a chapa ligada às correntes do PT. 

Em 1986, o desgaste do PCdoB/Viração é evidente. A chapa ligada à “Correnteza” - corrente estudantil ligada à organização MCR (Movimento Comunista Revolucionário) que atuava no PT - conquista o DCE da Universidade Católica de Salvador (UCSAL). E, na UFBA, a chapa “Luz” tem uma vitória arrasadora, sem o apoio ou simpatia das correntes organizadas do PT. Esta chapa foi liderada pelos estudantes Reinaldo Neto (Engenharia Mecânica e atualmente empresário do setor de manutenção e projetos industriais),Edson Brochado (Engenharia Elétrica), Ronney Greve (Direito), Zé Neto (estudante de Física e atual deputado federal do PT-BA), Zé Luiz (Direito), Zeca Diabo (Veterinária), Rosan (Farmácia), Bonfim (Museologia), entre outros. 

É importante ressaltar o papel que o Engenheiro Agrônomo Jersulino Moraes (ex-líder estudantil da corrente “Combate”) e Luis Cachoeira (sociólogo da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional - CAR) tiveram na formação da chapa e do grupo “Luz”. A gestão à frente do DCE-UFBA é inovadora e realizam palestra sobre o pacote econômico com Eduardo Suplicy; Festival de Cinema Eisenstein; debate sobre reforma universitária; e avaliação dos docentes pelos discentes, por exemplo. Em vista deste quadro, a chapa “Luz” resolve em 1987 lançar a chapa “FAÇA–SE A LUZ (FIAT LUX)”, única inscrita, configurando fato inédito na história da UFBA e que refletia a desorganização politica da “Viração” e das forças organizadas que atuavam naquele momento no movimento estudantil. 

A chapa “Faça–se a Luz” é liderada por Ubiratan Félix (Engenharia Civil); Edson Valadares (Sociologia); Marquinhos (História); Afonso Florence (História e atual Deputado Federal do PT-BA); Bocão (Física); Paulo Vasconcelos (Medicina); Carlito (Medicina); e André Luís (Engenharia Civil). O Grupo de São Lázaro não apoia a esta construção e prefere se abster da votação. Esta aliança era liderada por Robson “Dinossauro”, Eduardo (atual Professor da UNEB), Amélia Malraux (que foi vice–Reitora da UNEB), André Cafezinho (atual professor da UEFS), assim como a “Caminhando” (José Geraldo G-2 estudante de Sociologia e futuro secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia no Governo Rui Costa do PT e Jorge Solla atual deputado Federal do PT-BA) e da “Correnteza” Nelson Pelegrino (que era estudante de Direito da UFBA e atual deputado federal e Rafael Luchessi, estudante de Economia e atual diretor da Confederação Nacional da Indústria. 

Na gestão “Faça-se Luz” dois grupos foram formados. O primeiro foi liderado por Afonso Florence, Edson Valadares e Robinson Almeida, configurando a composição majoritária que daria origem à corrente “Democracia Socialista” (D.S). O segundo foi liderado por Ubiratan Félix. Embora com força minoritária, o grupo tinha maioria nos diretórios acadêmicos. Entre os quadros estavam Zé Luis, Jadir, Augusto Bocão, Chambinho, Vitor Sarno que, mais tarde, iriam compor o núcleo fundador da futura Articulação Estudantil (A.E), também conhecida como “É preciso ousar”, cujo símbolo é a borboleta. 

 


Capítulo 2 – A crise de hegemonia do grupo “Viração” na UNE
 

A partir da reconstrução da UNE, em 1979, no Congresso de Salvador, a corrente “Viração” - que no Sul se chamava “Caminhando” - hegemonizou o movimento estudantil nacional, elegendo todos os presidentes, Rui César, Aldo Rebelo, Clara Araújo, Javier Alfaya, Renildo Calheiros e Gisele Mendonça. Foi neste congresso de reconstrução que o grupo elegeu, por meio de chapa de unidade, o estudante de comunicação, Rui César. Sua eleição foi fruto de sua eficiente atuação na presidência do DCE–UFBA. Na direção do XXXI Congresso da UNE havia outros candidatos como Valdelio Silva (Viração), Paulo Massoca, Marcelo Barbieri (Refazendo) etc. 

É importante reafirmar que a indicação de Rui César não foi em função de um veto da “Viração” a Valdélio Silva por este ser negro. Este rumor, que foi muito difundido na Bahia na década de 1980, não tem base histórica. Durante a minha gestão na UNE, em 1988, eu tive a oportunidade de conhecer e conversar com diversos dirigentes estudantis como Marcelo Barbieri (que foi Deputado Federal pelo PMDB-SP); José Genoino (foi Deputado Federal pelo PT–SP), José Dirceu (foi Deputado Federal pelo PT–SP); Jean Marc Van Der Weid (presidente da UNE em 1968); Wladimir Palmeira (que foi Presidente da UME–RJ e também Deputado Federal PT–RJ); Luis Guedes (presidente da UNE em 1967); José Serra (presidente da UNE em 1964 e Ex-Governador de São Paulo pelo PSDB); e Candido Vacarreza (baiano que foi Deputado Federal do PT–SP). Destes, todos foram unânimes em reconhecer como natural a indicação de Rui César para Presidente, devido a seu papel na direção e articulação do Congresso de Reconstrução da UNE. 

Em 1984, na eleição de Renildo Calheiros (atual deputado federal do PCdoB–PE), pela primeira vez, a “Viração” foi minoria entre os delegados do Congresso da UNE. Diante deste cenário, a “Viração” compôs uma chapa com a “Caminhando” (corrente estudantil ligada à dissidência do PCdoB, futuro PRC, Partido Revolucionário Comunista) que indicou, entre outros, o vice–presidente José Utizig. Já a “Correnteza” (grupo ligado à OCDP) indicou o estudante de direito da UFBA, Nelson Pelegrino (atual Deputado Federal PT-BA). 

EM 1985, à revelia da “Viração”, o CONEB da UNE realizado em Vitória da Conquista (BA) aprovou eleições diretas para diretoria da UNE. Foram apresentadas as seguintes chapas “UNE LIVRE” (Viração/PCdoB), “Pra Sair Dessa Maré” (“Caminhando”, “Correnteza” e demais correntes do PT), “Pra Arrebentar a Boca do Balão”, entre outras. A eleição foi bastante tumultuada e todas as chapas - com exceção da “UNE LIVRE” - não reconheceram o resultado da eleição devido às denuncias de fraudes “patrocinadas pela Viração” que ocorreram principalmente em São Paulo. 

Na Bahia, a corrente “Luz” que dirigia o DCE–UFBA e o grupo de “São Lázaro”, assim como o que restava das composições “Caminhando” e “Correnteza”, apoiaram a chapa ”Pra Sair Dessa Maré”. Esta aliança permitiu que o pessoal do Grupo Luz aprofundasse a sua relação com o PT. 

A gestão “UNE LIVRE” - presidida pela estudante mineira Gisela Mendonça e atual editora da revista Fórum - não foi reconhecida pela maioria das entidades estudantis brasileiras. Em vista disto, o PCdoB propôs a criação de uma comissão paritária com as forças de oposição para organizar o XXXVIII Congresso da UNE, em Campinas (SP). 

O DCE–UFBA, que era dirigido pela gestão “Faça–se a Luz” teve um papel importante nesse processo representando os DCE’s Independentes do Nordeste. A liderança que representava esta articulação na comissão organizadora era Ubiratan Félix, estudante de engenharia civil da UFBA. 

O congresso de Campinas, realizado em 1987, pôs fim à hegemonia do PCdoB/Viração na direção da UNE. Pela primeira vez, os petistas apresentavam uma chapa unitária representando todas as correntes do partido. A diretoria da UNE era encabeçada pelo estudante de História da UFPA e militante da “Caminhando”, Valmir Santos. Esta corrente tinha, além da presidência, mais cinco diretorias. Já a “Democracia Socialista” compunha a vice–presidência com o estudante gaúcho Milton Pantaleão e mais uma diretoria. A “Articulação Estudantil” tinha a Secretaria-Geral com Eugenio Pasqualini e mais cinco diretorias e a “Convergência Socialista” com duas diretorias. Por fim, o Coletivo Gregório Bezerra conquistou uma diretoria. 

No Congresso de São José dos Campos (SP), em 1988, o PCdoB foi novamente derrotado. Pela primeira vez, houve uma convenção dos delegados petistas para indicar quem encabeçaria a chapa do campo do PT. Foram apresentados dois candidatos: Juliano Corbelini da “Caminhando” e Hamilton Lacerda da “Articulação Estudantil” com apoio da D.S., sendo que o Juliano Corbelini foi o vencedor. 

A “Articulação Estudantil” (AE) tinha oito diretorias, formando a maior força política da UNE. Em uma reunião da Comissão Executiva Nacional da AE foi decidido que seus principais quadros deveriam ocupar a posição de vice nas regionais da UNE, com objetivo de ampliar a influência da corrente nos DCE’s e UEE’s. Desta forma, Hamilton Lacerda foi vice-presidente regional de São Paulo, Bira vice-presidente Regional da Bahia e de Sergipe e Eugenio Pasqualini, vice-presidente da regional de Minas Gerais. 

A partir da sua indicação para vice–regional da UNE, Bira começou a construção da “Articulação Estudantil” na Bahia. No final de 1988, Julio Rocha foi eleito Presidente do DCE–UFBA. Já o DCE–UNEB era dirigido por Carrilho Guanaes e por outros membros da “Articulação Estudantil”, na UESC. Adeilton e outros companheiros da AE dirigiam o DCE, na UCSAL. Por meio do Centro Acadêmico de Direito - que era dirigido por Adriano Romariz, Elder Verçosa, Jânio Coutinho, Marta Simone, Ariadne Murici, entre outros - houve uma composição com o grupo de Serginho São Bernardo que era militante da D.S., com o objetivo de formar uma chapa de unidade do campo PT, que derrotou novamente o PCdoB. 

A partir da UNE, a “Articulação Estudantil” tornou-se a corrente hegemônica no movimento universitário baiano e revelou alguns quadros que, hoje, são pessoas importantes na sociedade baiana como: Paulo Gabriel, que ex-reitor da UFRB (LUZ); Zé Neto, deputado federal do PT–BA (LUZ); Jerônimo Rodrigues, atual secretário estadual de educação da Bahia (AE); Julio Rocha diretor da faculdade de Direito da UFBA; Alexandre Chambinho, advogado e professor universitário.

 
Capítulo 3 – Nasce Articulação Estudantil 

No congresso da UNE de 1987, em Campinas (SP), nasce a corrente Articulação Estudantil (AE), que contou com o apoio do então Deputado Federal do PT–RJ Vladimir Palmeira (Presidente da UME–RJ em 1968) e do então Deputado Estadual do PT–SP José Dirceu (Presidente da UEE–SP em 1968). Dirceu achava importante o surgimento de uma corrente petista no movimento estudantil que tivesse como finalidade a construção do PT como um partido estratégico, já que as correntes que atuavam no PT na época o consideravam um partido tático e eleitoral, sendo que algumas organizações como PRC atuava no paralelamente no PT e no PMDB. Estas organizações, na visão de Dirceu e Palmeira, eram verdadeiros partidos dentro do partido. 

Participaram do núcleo inicial da AE: Luis Martins (estudante de Física, diretor do DCE–UNICAMP e atualmente professor da Universidade Federal de Juiz de Fora); Takemoto (estudante de Engenharia Mecânica e Diretor do DCE–UNICAMP); Hamilton Lacerda (estudante de engenharia elétrica e diretor do DCE–UNICAMP), Kalil Bittar (estudante de Química, Diretor do DCE–UNICAMP e atual empresário do setor de informática); William Alberto (estudante de História, coordenador geral do DCE–USU e ex-Secretário de Educação do Rio de Janeiro); Flavio Dino (estudante de Direito, Presidente do DCE–UFMA e atual Governador do Maranhão pelo PCdoB); José Augusto Góes (estudante de Geografia, diretor da DCE-UFSE e ex-assessor da Presidência da PETROBRAS); Eugenio Pasqualini (estudante de Psicologia da UFMG); Ubiratan Félix (estudante de Engenharia Civil, coordenador geral do DCE-UFBA e atual Presidente do SENGE–BA e vice-presidente da Fisenge). 

A “Articulação Estudantil” defendia a concepção de que o ME era um espaço diferenciado de atuação política, que não era superior tampouco inferior ao movimento operário e camponês. Em vista disto, a AE defendia que a prioridade do movimento estudantil deveria ser as lutas relativas ao acesso e à qualidade da educação universitária, como itens prioritários do Programa Democrático Popular de transformações rumo à sociedade socialista. A Articulação Estudantil trabalhava com conceito de minoria ativa, em contraposição ao conceito de vanguarda (defendido pelo PCdoB e pela quase totalidade das correntes petistas). A minoria ativa dirige o movimento de acordo com os interesses das grandes massas, impulsionando a suas reivindicações para o campo democrático e popular.

As principais bandeiras da Articulação Estudantil eram de reestruturação do movimento estudantil, visto que na sua concepção existia uma crise na organização, oriunda das décadas de 1950 e 1960, que não era condizente com as demandas; bem como as reivindicações dos estudantes da atualidade e a unidade da ação dos militantes petistas no movimento. De forma sintética podemos relacionar como principais propostas: 

 

  • Extinção das UEE´S e criação da UNE´s Regionais; 
  • Ampliação do Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG) com inclusão das executivas e/ou federações de cursos; 
  • Eleição dos Delegados para o congresso nacional da UNE nas instâncias regionais; 
  • Priorização das lutas “sindicais e/ou especificas dos estudantes”; 
  • Atuação unitária do PT no movimento estudantil, ou seja, as correntes e/ou tendências não deveriam ter expressão externa; 
  • Fortalecimento das instâncias partidárias, como ENEPT (Encontro Nacional dos Estudantes Petistas) e secretarias nacionais, estaduais e municipais de juventude.

 

A corrente teve, ainda, uma atuação relevante até 1993, quando o racha na antiga “Articulação” do PT provocou o surgimento da “Articulação Unidade na Luta” e da “Articulação de Esquerda”. É importante ressaltar que a maioria das lideranças oriundas e/ou atuantes na “Articulação Estudantil” tinha uma grande inclinação pela “Articulação de Esquerda”. Questões relacionadas à luta política e de espaço nos estados fez que muitos destes não se posicionassem e/ou tentassem a neutralidade. 

Com a evolução dos fatos, duas diferentes posições passaram a existir na “Articulação Estudantil”: a primeira defendia que o racha da “Articulação Estudantil” deveria ficar circunscrito ao PT e os militantes deveriam continuar atuando de forma unitária no movimento, independentemente da posição que cada um adotasse no PT (este posicionamento foi adotado pela articulação sindical). A segunda - que terminou majoritária - defendia o fim da “Articulação Estudantil” e que as posições adotadas no PT fossem também assumidas no movimento estudantil. 

Na Bahia, Ubiratan Félix - que já era formado em Engenharia Civil - defendeu a primeira posição, assim como Alexandre Sales Vieira, então vice–presidente Nacional da UNE. Adriano Romariz e Jânio Coutinho defenderam a segunda posição que, no futuro, seria a posição vitoriosa no Brasil e na Bahia. 

 

*Ubiratan Félix Pereira dos Santos (Bira) foi Coordenador Geral do DCE – UFBA em 1987, vice-presidente da UNE em 1988 a 1989, membro da comissão executiva da Articulação Estudantil de 1988 a 1989. Atualmente é professor do IFBA  e Presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia.

Em artigo, engenheiro resgata trajetória do movimento estudantil baiano

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Foi lançada, no dia 2/5, no Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a Frente Parlamentar em Defesa das Cidades e das Engenharias. O colegiado vai tratar de temas e projetos da Engenharia, promovendo e ampliando ações e debates na Casa Legislativa sobre a questão urbana, sob a perspectiva de defesa do direito à cidade, dos direitos humanos e sociais, bem como, na defesa das categorias profissionais.

De acordo com a proponente da Frente, deputada estadual Maria Del Carmem, os profissionais têm um papel importante na formação de políticas públicas voltadas a luta urbana. Na ocasião, a parlamentar parabenizou os 85 anos do Crea-BA. “Acreditamos que a cidade deve ser pensada de forma ampliada e multidisciplinar e o nosso desafio é fazer a discussão do direito à cidade e fazer com que a temática não assuma caráter temporário”, afirma.

Para o engenheiro civil e presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA), Ubiratan Félix, o Estado tem papel fundamental como indutor do desenvolvimento econômico e social, além de regulador dos conflitos sociais. “Apesar da demanda por obras de infraestrutura urbana e rural, há um grande número de profissionais desempregados e/ou subempregados. É fundamental que o Estado elabore uma política que consiga utilizar este imenso contingente de profissionais no atendimento das necessidades por moradia, transporte e saneamento da população brasileira”, conclamou Ubiratan que também é vice-presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Convidado para explanar sua experiência como presidente da Frente Parlamentar pela Reforma Urbana, o deputado federal por São Paulo, Paulo Teixeira, tratou sobre a política urbana brasileira e ressaltou a importância da Engenharia e Arquitetura. Citou o trabalho desenvolvido em favor da luta urbana pelo deputado Zezéu Ribeiro e sua atividade junto aos nordestinos que ajudaram a desenvolver São Paulo. “Gostei de ver o trabalho desenvolvido na Bahia pelas organizações não-governamentais, deve ser exemplo para todo o país”.

Sobre a Frente

 A Frente Parlamentar em Defesa das Cidades e das Engenharias ainda promoverá debates, fiscalização e acompanhamento da elaboração e execução da política urbana na Bahia, na promoção de assistência técnica aos movimentos sociais e comunidades em situação de vulnerabilidade, bem como na mediação de assuntos entre sociedade civil, entidades e governo.

Para o presidente do Crea, engenheiro civil Luis Edmundo Campos, a frente será um instrumento importante, pois colocará na pauta do Legislativo e da sociedade baiana temas e projetos da Engenharia. “O Crea comemora o lançamento desta frente e coloca sua estrutura à disposição para que funcione e atenda os anseios dos profissionais da área tecnológica e da sociedade”, disse.

Participaram do evento o deputado federal Nelson Pelegrino; o deputado estadual Marcelino Galo; a deputada estadual Olívia Santana; o deputado estadual Robinson Almeida; a deputada estadual Fabíola Mansur; o presidente do Crea-PI, Raimundo Ulisses Filho; os conselheiros do Crea-BA, Leonel Borba e Grace Braga; o presidente do Instituto Politécnico da Bahia, Lenaldo  Almeida; a presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Solange Araújo; a professora da Faculdade de Arquitetura da Ufba, Angela Gordilho; a  representante da União por Moradia Popular, Marli Carrara; o coordenador do BR Cidades, Vinícius Rafael; a vereadora Marta Rodrigues e a presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Gilcinéa Barbosa.

 

Com informações do Crea-BA

Frente Parlamentar em Defesa das Cidades e das Engenharias é lançada na Bahia

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Desde que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) divulgou resolução sobre o tempo de estudo em escola técnica valer para o cálculo da aposentadoria, muitos profissionais ainda acumulam dúvidas sobre o tema. A decisão consta no artigo nº 76 da Instrução Normativa do INSS que diz: “os períodos de aprendizado profissional realizados até 16 de dezembro de 1998, data da vigência da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, serão considerados como tempo de serviço/contribuição independentemente do momento em que o segurado venha a implementar os demais requisitos para a concessão de aposentadoria no RGP” (leia aqui na íntegra). Com o objetivo elucidar as principais questões, o engenheiro civil e vice-presidente da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros), Ubiratan Félix, respondeu a esse tira-dúvidas:

Fisenge: Para quem o tempo de estudo em escola técnica vale a aposentadoria?

Ubiratan Félix: Ex-estudantes de escolas técnicas, industriais ou agrícolas podem contar este tempo para fins de aposentadoria.

Fisenge: Que norma prevê esse direito?

Ubiratan Félix: De acordo com o artigo nº 76 da Instrução Normativa do INSS, “os alunos que concluíram o aprendizado profissional até 16 de dezembro de 1998”, data da promulgação da emenda constitucional 20.

 

Fisenge: É exigida comprovação de salário e/ou bolsa?

Ubiratan Félix:  Não, mas é exigido que o atestado fornecido pela instituição de ensino confirme que o aluno recebia assistência medica ou odontológica, de equipamentos, materiais ou ferramentas para realização das aulas práticas nos laboratórios e oficinas.

 

Fisenge: Como requerer?

Ubiratan Félix: É preciso solicitar da escola uma declaração de ex-aluno, na qual devem constar os dias efetivamente estudados – o período de férias não é incluso no cálculo. De posse da certidão, o ex-aluno deve agendar atendimento no INSS para averbação do tempo de estudo.  Nesse momento, será preciso levar também os documentos de identificação e Carteira de Trabalho.
 

Fisenge: Em quanto tempo o profissional por ter acesso?

Ubiratan Félix: O tempo médio para o recebimento da declaração é de 60 dias.
 

Fisenge: Você teve alguma dificuldade para obter a certidão? 

Ubiratan Félix: Sim, a instituição que eu estudei - antiga Escola Técnica Federal da Bahia que hoje é o Instituto Federal de Ensino Tecnológico da Bahia - não tinha conhecimento da resolução do INSS. Fui no INSS que forneceu as informações necessárias que deveriam constar no atestado. A partir do meu pedido, vários colegas solicitaram e o atestado passou ser algo rotineiro. É importante que a instituição forneça o histórico escolar para comprovação da época, das disciplinas e do vínculo.

 

Fisenge: Você é professor do IFBA. Como soube dessa normativa?

Ubiratan Félix: Tenho 27 anos de atuação como professor no IFBA e não tinha conhecimento desta resolução. É fundamental que as entidades de engenharia e os conselhos profissionais divulguem amplamente esse direito.

Fisenge: A Reforma da Previdência afetará o acesso ao benefício?

Ubiratan Félix: Sim. Caso a reforma seja efetivada, este dispositivo será revogado. Por isso, é necessário que todos aqueles que tenham direito, procurem imediatamente a instituição de ensino e apresentem a documentação no INSS, além de se mobilizarem, como cidadãos e cidadãs, contra esta reforma que prejudica dos trabalhadores e o povo brasileiro.

Fisenge: O que fazer em caso de dificuldade?

Ubiratan Félix: Procure o Sindicato de Engenheiros do seu estado (acesse aqui os contatos) ou entre em contato com a FISENGE (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) pelos canais de comunicação:

E-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Facebook: www.facebook.com/federacaofisenge
Instagram:  www.instagram.com/fisenge_federacao
Whatsapp: (21) 98174-8351



Fonte: Comunicação Fisenge (Camila Marins)
Foto: Ana Paula Bispo/SOS Brasil Soberano

 

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*Por Ubiratan Félix

O Brasil começou a se industrializar no início do século XX, com maior concentração no município de São Paulo. A maioria dos trabalhadores da indústria era imigrante, que representava 70% da mão de obra do setor. 

A organização do movimento sindical incipiente não tinha interferência do Estado e era hegemonizado pelos anarquistas e os comunistas. Suas organizações eram tratadas como caso de polícia, sendo muito comum a deportação de trabalhadores estrangeiros para seus países de origem e o massacre de movimentos grevistas pela força policial. 

Em meados da década de 1920, após a eclosão da Revolução Russa e o final da Primeira Guerra Mundial, a hegemonia sindical passou ser ocupada pelos militantes do Partido Comunista do Brasil (PCB) que, em 1928, lançou candidatos às eleições pelo Bloco Operário Camponês. 

Em 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao Governo Nacional, a questão social deixa de ser um caso de polícia para ser tratada e regulada pelo Estado. Getúlio reconhece o movimento sindical e regulamenta a sua atuação e organização, assim como o poder de intervenção do Estado nos conflitos trabalhistas, com objetivo de conciliar os interesses dos trabalhadores e dos empresários. É importante registrar que os patrões viram com desconfiança o reconhecimento e a regulamentação das leis trabalhistas e da organização sindical pelo Governo. Neste período, ficou famosa a frase atribuída a Getúlio: “Estou salvando estes burgueses burros”. 

A organização sindical getulista se mantém, em grande parte, em vigência nos dias atuais, apesar das mudanças políticas, econômicas e sociais ocorridas no Brasil nos últimos 90 anos. Na Constituição de 1988, foi permitida a sindicalização dos servidores públicos, a constituição das Centrais Sindicais e o reconhecimento do direito de greve. 

A organização sindical brasileira se constituiu nos seguintes pressupostos: 

  1. Reconhecimento sindical pelo Ministério do Trabalho por meio da emissão da carta sindical;
  2. Unicidade sindical, ou seja, apenas uma organização sindical é reconhecida por categoria profissional ou ramo econômico em uma determinada base territorial;
  3. “Categoria” pode designar um setor econômico - como trabalhadores da construção civil -; pode ser profissional - como professores universitários das instituições federais de ensino superior –; ou ainda pode ser uma categoria diferenciada como engenheiros, médicos e jornalistas;
  4. “Base sindical” pode ser municipal, regional, estadual, interestadual e nacional. Por exemplo: Sindicato dos Trabalhadores de Educação do Município de Vitória da Conquista, Sindicato dos Bancários da Região Sudoeste da Bahia, Sindicato dos Engenheiros da Bahia e ANDES – Sindicato Nacional. No Brasil, não é permitido sindicato por empresa ou por órgão ou instituição pública, logo não é possível existir sindicato dos professores da UFRB ou UFBA ou dos trabalhadores da EMBASA.
  5. Enquadramento sindical significa que o Ministério do Trabalho determina qual sindicato representa uma determinada categoria econômica ou profissional. Por exemplo, quem representa e negocia pelos servidores técnico-administrativos do IFBA (SINASEFE ou ASSUFBA); quem representa os professores do IFBA (Apub ou SINASEFE); Servidor do MEC lotado no Estado da Bahia (Sindicato dos Servidores públicos federais do Estado da Bahia ou ASSUFBA);
  6. Financiamento sindical: a legislação prevê o financiamento obrigatório pelos trabalhadores por meio da contribuição sindical obrigatória anual para entidades sindicais, que equivale a um dia de salário;
  7. Poder normativo da Justiça do Trabalho. Na prática, a Justiça do Trabalho pode decretar uma greve abusiva, determinar o percentual de trabalhadores que deve manter os serviços em funcionamento, impor multas contra as entidades sindicais em descumprimento às suas determinações e julgar o dissídio coletivo de uma determinada categoria;
  8. A organização dos empregadores é um espelho das organizações dos trabalhadores;
  9. A organização sindical brasileira se constitui na base pelos sindicatos, pelas federações de sindicatos e confederações, que reúnem sindicatos de uma categoria econômica ou de categorias profissionais, por exemplo: ADURGS Sindicato, FISENGE e CNPL.

 

Em 2017, o Governo Michel Temer enviou para o Congresso proposta de reforma trabalhista, com a finalidade de flexibilizar os contratos de trabalho regidos pela CLT. Por meio de uma emenda do deputado Rogério Marinho (atual secretário de previdência social) foi aprovada a não obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical e o princípio de que o negociado prevalece sobre o legislado. Também foi aprovado que os acordos individuais, realizados entre patrão e empregado, prevalecem sobre os acordos coletivos.

O fim da obrigatoriedade do imposto sindical levou a uma crise sem precedentes nas entidades sindicais brasileiras. A própria Central Única dos Trabalhadores (CUT), que historicamente defendeu o fim do imposto sindical, foi impactada com a medida e teve de reduzir quadro funcional, vender sedes, entre outras medidas.

Em 01 de março de 2019, o Governo Bolsonaro realizou mais um ataque às entidades sindicais com a Medida Provisória 873, que proíbe a cobrança por meio de consignação em folha de pagamento e de débito automático em conta do associado. A única possibilidade de cobrança da contribuição associativa será por boleto bancário, que além de dificultar o pagamento, amplia os custos. Além disso, a taxa negocial – mesmo aprovada em assembleia - só poderá ser descontada por meio de uma carta de aceitação do empregado entregue ao setor de recursos humanos da empresa.

 Estas medidas somadas ao fim do imposto sindical poderão inviabilizar a atuação das entidades sindicais. Isto coloca para os trabalhadores a necessidade de barrar estas medidas antissindicais e de repensar a sua organização. Uma das características do movimento sindical brasileiro foi que apesar da existência legal da unicidade sindical houve uma proliferação de entidades sindicais que atuam na mesma base e muitas vezes com atuação não harmônica. A explicação para este fenômeno é a extensão territorial, a existência do imposto sindical obrigatório que permitiu facilitou a existência de entidades sem representatividade, o modelo sindical Getulista que possibilitou a organização por categoria profissional ao invés de ramo de produção. Na prática, isto possibilita que na mesma empresa e ou no mesmo ramo de produção a existência de diversas entidades representativas dos trabalhadores que via de regra dificulta o estabelecimento de uma pauta unitária dos trabalhadores, incentiva a competição e o corporativismo das categorias profissionais. Esta movimentação é aproveitada pelos empregadores para dividir os trabalhadores e fragilizar o poder de negociação das entidades sindicais.

Apesar da atual crise do movimento sindical talvez este seja momento propício para discutir a criação de entidades nacionais por ramos de produção, por exemplo, um Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Energia, Petróleo, Gás e afins, um Sindicato Único dos Servidores Públicos Federais, Sindicato Nacional de Profissionais Liberais e etc. 

A criação dos Sindicatos Nacionais por Ramo de Produção deverá ser acompanhada por estabelecimentos de seções sindicais nos estados, subseções sindicais nos municípios e comissões por locais de trabalho. Neste modelo, é possível a existência de mais de um sindicato nacional ligado as diversas centrais sindicais (pluralismo sindical) ou único sindicato por ramo de produção (unicidade sindical). O estabelecimento do Sindicato Nacional terá como consequência aumento da eficiência da máquina sindical, aumento de capilaridade politica e social, facilitação de estabelecimento de pautas unitárias e da representatividade.

Para finalizar afirmo que: É PRECISO OUSAR. E OUSAR É VENCER


Engenheiro Civil Ubiratan Félix

Presidente do SENGE-BA

Vice – Presidente da FISENGE

 Em artigo, engenheiro fala sobre os desafios do movimento sindical no Brasil

Foto: Ana Paula Bispo/Fisenge

 

 

 

 

 

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Terça, 22 Maio 2018 12:21

ARTIGO: 50 anos do maio de 1968

Por Ubiratan Félix*

Se há algo que marcou o ano de 1968 foi o movimento estudantil. No Brasil e em outros países, os estudantes saíram às ruas protestando contra a guerra e o ensino arcaico e pela paz. Apesar das reivindicações específicas de cada país quanto às reformas universitárias e os problemas locais, há questões comuns a todos, como o anti-imperialismo refletido na revolta contra a interferência dos EUA no Vietnã, e a crítica à esquerda convencional que optou por reformas consentidas pela burguesia e pela política de colaboração de classes.

Em relação à universidade, os estudantes recusavam as formas tradicionais e desinteressantes do ensino, sua elitização e mesmo o fato da ciência e da cultura serem usadas como formas de dominação da burguesia. Com a força de contestação que perpassava o meio universitário, os estudantes ganham as ruas e a adesão de setores da sociedade que, quando não se engajam diretamente nas greves e passeatas, mostram-se solidários ao movimento.

As manifestações estudantis ocorreram durante todo o ano na Alemanha, Itália, EUA, Argentina, Argélia, Tchecoslováquia, Polônia, Chile, França, Brasil e muitos outros países. Na França, em 20 de março de 1968, teve início o movimento que ficaria conhecido como “maio de 68 ou maio francês”, com a ocupação da universidade de Nanterre pelos estudantes, em protesto pela a prisão de um colega que pertencia ao comitê “Vietnã contra a guerra”.

O movimento chega a outras universidades até atingir as ruas em 1º de maio de 1968. A Sorbonne já havia se juntado à Nanterre e sofrido invasão da policia em 02 de maio. O movimento assume um caráter nacional, partindo para a contestação geral do governo, da sociedade, da arte e da cultura. Quase todas as universidades francesas param e são ocupadas pelos alunos e, em seguida, serem ocupadas pela polícia. Nas ruas, erguem-se barricadas. A violência policial cresce e centenas de pessoas são feridas nos confrontos.

De 04 a 11 de maio, as barricadas tomam as ruas, e, então, começam as adesões. Durante a noite, entre 10 e 11 de maio, fica conhecida “a noite das barricadas”. No dia 13 de maio, todas as universidades estão ocupadas. No dia 15 começa a greve geral condenada pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), ligada ao Partido Comunista Francês. Mesmo assim, dez milhões de trabalhadores param no dia 30 e o general Charles De Gaulle, presidente da França, dissolve a Assembleia Nacional e convoca eleições. Começam as negociações entre patrões e empregados para por fim à greve. O acordo “põe fim” a maio de 1968, excluindo os estudantes. Em junho, alguns focos ainda resistem. Em julho, o movimento já não existe mais.

No Brasil, o movimento estudantil explode. Primeiro, no Rio de Janeiro, com a morte de Edson Luís. Depois, em São Paulo, com o enfrentamento dos estudantes da faculdade de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo) com estudantes da Mackenzie simpatizantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas).
No início do ano de 1968, a política do regime militar oscilava entre o diálogo e a repressão aos movimentos populares. Os fatos sucediam com rapidez com grande repercussão nacional, como o movimento de “estado de alerta” contra os acordos MEC-USAID que contrariavam os interesses nacionais.

A polícia cercaria o prédio da Reitoria da UFRJ, com o objetivo de prender todos os líderes da UNE (União Nacional dos Estudantes), e contra os quais são expedidos mandatos de detenção. Na saída do prédio houve intensos conflitos e centenas de jovens foram acuados num campo de futebol das proximidades, sofrendo espancamento coletivo, antes de passarem horas deitados. Tais fatos, que se repetem em todo país, dão origem à passeata dos 100 mil, momento em que a ditadura executa um recuo tático, retirando o aparato militar das ruas. Em julho de 1968, Costa e Silva proíbe as passeatas em todo território nacional. No dia 12 de outubro de 1968, a Polícia Militar paulista dissolve e prende violentamente 1.249 estudantes que participavam do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna.

50 anos depois a luta ainda continua, contra novos e velhos inimigos. Estudantes continuam em protesto, como se viu com a ocupação dos secundaristas em todo país contra a Reforma do Ensino Médio. Segue a luta conta a ditadura do capital e o imperialismo, contra a discriminação racial e de gênero e contra a LBGTfobia e também pela liberdade, pela democracia, pelas reformas agrária e urbana. Definitivamente, o sonho não acabou.

*Ubiratan Félix Pereira dos Santos
Presidente do SENGE-BA
Professor do IFBA
Vice-presidente da FISENGE

Crédito Foto: Ana Paula Bispo

ARTIGO: 50 anos do maio de 1968

 

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Por Ubiratan Félix*

A anunciada construção do BRT em Salvador tem levantado debates que, embora importantes, parecem se desviar do problema central: o BRT, nada mais, é do que um pretexto para realização das suas obras complementares como viadutos, passarelas e manejo de águas fluviais para facilitar a fluidez dos veículos individuais. O custo da infraestrutura do BRT propriamente dito é de apenas 15% do valor total da obra, que está estimado em R$ 820 milhões, um dos projetos mais caros entre as capitais brasileiras. Além disso, a maior parte da demanda por transporte público no trecho onde será implantado o BRT foi absorvida pelo Metrô, evidenciando que não há necessidade real do uso do modal, pelo menos não no trecho pretendido.

Portanto, os dados e problemas causados pelo BRT vão muito além da questão corte de árvores, que parece ter dominado o debate até o momento. A questão é que, manter a discussão sobre o BRT somente na oposição meio ambiente x mobilidade não ajuda a problematizar as reais intenções políticas do prefeito ACM Neto com esta obra que, na realidade, trata-se de um projeto não existe por si só. A implantação do BRT está sendo utilizada para justificar vultosos investimentos em obras viárias que irão melhorar a fluidez automóvel e, dessa forma, servir à classe média que utiliza transporte individual e não aos usuários de transporte público. Cabe também destacar que o BRT não é uma demanda dos donos das empresas de ônibus.

O modal BRT, em si, não é necessariamente ruim para a mobilidade urbana. Ele é uma solução técnica viável quando a origem-destino está em torno de 25.000 passageiros/dia e poderia ser utilizado, por exemplo, na orla de Salvador, de Itapuã ao Rio Vermelho. Adoção de modal elétrico, como o VLT também é possível, embora se deva considerar o custo da energia elétrica, que impactaria negativamente no valor final da tarifa. Neste caso, deveria haver uma cobrança diferenciada no custo de energia para uso do transporte público. Em resumo, porém, o que os especialistas em mobilidade urbana defendem é a integração dos diversos modais em ordem de prioridade decrescente: pedestre, ciclovias, transporte público e transporte individual. É sobre essa ótica que deveríamos estar discutindo a obra do BRT e todas as demais intervenções ligadas à mobilidade em Salvador.

*Ubiratan Felix é engenheiro civil, presidente do Senge-BA e vice-presidente da Fisenge

"É preciso qualificar o debate sobre o BRT de Salvador", afirma vice-presidente da Fisenge

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Os coordenadores das Câmaras Especializadas de Agronomia do Sistema Confea/Crea e Mútua estão reunidos em Salvador até sexta-feira (04) para discutir, entre outros assuntos, à formação profissional, assistência técnica e extensão rural e o controle do uso dos agrotóxicos. Na Bahia, os conselheiros reforçaram ainda a importância de o sistema dar visibilidade às questões relacionadas à Agronomia.

Na oportunidade, o coordenador da CCEAGRO, engenheiro agrônomo Kléber Santos, agradeceu à organização do evento por parte do Crea-BA e chamou a atenção para a necessidade de renovação do Sistema. “Passamos por um processo decisório e é necessário vencer nossos próprios vícios”, observa. Santos destacou ainda os problemas enfrentados pelas empresas públicas e as questões relacionadas à segurança alimentar que estão diretamente relacionadas à Agronomia.

Representando o presidente do Crea-BA, Luís Edmundo Prado de Campos, que estava em missão internacional, o vice-presidente do conselho baiano, engenheiro agrônomo Jonas Dantas, apresentou o panorama de desvalorização da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) na Bahia, contando o histórico da extinção da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). “A palavra que melhor define esse momento é desmonte. No caso da Bahia, que possui três biomas, não é necessário apenas ter uma ATER forte, mas que ela não seja uniforme. É preciso um olhar que contemple a realidade para tratar todas as diferenças”, afirma.

O presidente do Senge-BA e vice-presidente da Fisenge, engenheiro civil Ubiratan Felix, falou na abertura do encontro sobre a precarização do mercado de trabalho dos engenheiros, principalmente após aprovação da nova legislação trabalhista uma vez que, os engenheiros estão sendo contratados por prestação de serviço – através de micro empreendedor individual e outras modalidades -, e sem assinatura da carteira de trabalho. Esta medida irá impactar estes profissionais que não terão direito as férias, décimo terceiro, licença maternidade e/ou paternidade, além de comprometer a aposentadoria, já que a maioria desses profissionais não irão conseguir recolher a contribuição previdenciária na totalidade da remuneração.

Exemplo – Dantas ainda revelou que, por meio da ATER, o município baiano de Itaberaba, a 278 Km de Salvador, conseguiu gerar pela produção de abacaxi cerca de 2 mil empregos e uma receita de R$ 6 mil. “A assistência técnica é um importante campo de atuação dos engenheiros agrônomos, precisamos defender esse espaço para o profissional e esta ferramenta para a sociedade”.

O enfraquecimento de empresas de pesquisa, como a Embrapa, que está há cerca de 20 anos sem concurso público, as ameaças provocadas pelas ingerências políticas no campo da defesa agropecuária e a atuação da fiscalização de conselhos como o de Medicina Veterinária e Biologia também foram tratados na reunião.

Bahia – A experiência dos seis anos de atuação do Fórum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e dos 16 anos da Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco foram apresentadas pela promotora de justiça, Luciana Khoury. Ela afirmou que um levantamento feito pelo grupo apontou que a agricultura demanda de 70% da água e que conflitos entre fazendeiros e comunidades tradicionais pelo recurso hídrico têm sido constantes. “É preciso ter consciência dos limites ecossistêmicos e as ações do fórum e da FPI discutem e promovem saúde do ambiente e das pessoas”.

Além dos coordenadores dos 27 estados, participaram da reunião o conselheiro federal João Bosco de Andrade Lima Filho; o presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Ubiratan Félix; o diretor da Mútua-BA, Emanoel Alves e o deputado estadual Marcelino Galo (PT).

Fonte: Ascom Crea-BA

Fisenge participa de reunião das Câmaras Especializadas de Agronomia

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O sonho do então estudante Alisson Oliveira, 31 anos, era seguir a carreira científica. Chegou a cursar Física na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, mas as dificuldades enfrentadas por um pesquisador o desiludiram. Decidiu, então, fazer Engenharia Civil. Em 2009, entrou na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em 2013, se formou e já saiu empregado.

Escolheu Engenharia porque, naquele momento, ninguém ficava desempregado. Com vagas à disposição, os salários eram altíssimos.
Só que vieram as crises. A política, a econômica e a da própria Engenharia Civil. No fim de 2014, Alisson foi demitido. De lá para cá, nunca mais conseguiu trabalhar na área. Hoje, é motorista de Uber e trabalha de madrugada para conseguir receber aproximadamente um terço do salário de quatro anos atrás.

“Já larguei a área. Estou estudando para concurso e, se der certo vou sair do Brasil”, diz, categórico. Alisson, que trabalhou numa empresa terceirizada que participou da construção da Arena Fonte Nova, vai fazer provas para Petrobras e para o cargo de investigador da Polícia Civil neste domingo (22).
Alisson não está sozinho. Como ele, milhares de engenheiros civis – de recém-formados aos antigos na profissão – passam por uma situação dramática. Depois que o setor vivenciou um crescimento fora do comum entre 2008 e 2014, vieram os altos índices de desemprego e de empresas sendo fechadas.

Só em 2015, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge) homologou 600 demissões no estado. Em 2016, foram 500. Em 2017, o número caiu para 300 – não porque a situação melhorou; mas porque a construção civil já extinguiu tantos cargos e demitiu tanta gente que já não há mais por onde cortar. Uma coisa é certa: os demitidos nos anos anteriores não foram contratados novamente.

E isso é só relacionado aos que passam pelo sindicato, porque, como explica o presidente do Senge, Ubiratan Félix, muitas empresas não fazem isso. “Esse ano está mais tranquilo porque não tem mais quem seja demitido. Houve uma situação muito forte nos últimos tempos de quem ia homologar e não recebia nada porque a empresa entrou em recuperação judicial. O sindicato está acompanhando profissionais desempregados, que estão tendo uma situação difícil de ter até que retirar filho da escola”, diz ele, que também é professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

Crise nacional
Não há como dissociar a crise na engenharia civil com a crise no país. Como explica o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-BA), Luiz Edmundo Campos, a situação econômica nacional em 2008 – de crescimento e mais empregos sendo oferecidos – fez com que salários aumentassem. Assim, as pessoas começaram a melhorar de vida. Muita gente comprou carro, apartamento e a engenharia civil ia de vento em popa.
Basicamente, dava para usar uma regra e, a partir dela, compreender como estava o Brasil. O coordenador de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, diz que o campo é um ‘termômetro da economia’. “E oscila em detrimento das ações públicas de nossos governantes, fomentado pelas grandes empresas do mercado imobiliário e de serviços”.

Naquele momento, era como se o termômetro indicasse que o Brasil tinha a saúde de um jovem atleta da Seleção Brasileira de Vôlei, de Futebol ou de Natação. Nenhum sinal de febre – o que provocou o aumento do interesse pela Engenharia Civil. O que acontece é que um estudante da área passa pelo menos cinco anos na faculdade.

Ou seja – quem entrou em 2008 esperando encontrar um campo pulsante saiu somente em 2013. Aqueles que começaram em 2009 saíram em 2014 já no estopim da crise econômica do país – e isso seguiu com os que fizeram vestibular em 2010, 2011 e 2012.

Em 2008, 625 novos engenheiros civis pediram registro no Crea. Entre 2009 e 2012, o número continuou oscilando entre 500 e 600. É a partir de 2013 que as coisas começam a se inverter: só naquele ano, o mercado ganhou 739 novos engenheiros civis. Em 2017, em plena crise, 1.581 engenheiros saíam da faculdade – praticamente o triplo da quantidade que chegava ao mercado nos anos de maior crescimento da construção.

Esses profissionais foram atraídos pelo salário – o piso nacional é de oito salários mínimos e meio – e pela possibilidade de crescimento. Naquele momento, segundo o presidente do Senge, Ubiratan Félix, o mais comum era que as empresas pagassem bem mais que o piso. Dava até para escolher quem dava mais pelo serviço. Agora, até o piso é raro.

Insustentável
O crescimento foi tão grande que dava para imaginar que aquilo não seria sustentável a longo prazo, para alguns especialistas. Em poucos meses, bairros inteiros nasciam praticamente do nada – como o que aconteceu em pontos da Avenida Paralela. E isso só no que tange ao desenvolvimento imobiliário, que é o mais perceptível para a população. No entanto, a infraestrutura pesada também nunca crescera tanto.

Pelas faculdades, passaram milhares de estudantes que, na avaliação do coordenador, muitas vezes nem tinham afinidade com a área. Os números gigantescos, no fim, eram um indicativo de que algo daria errado. O pior, na verdade, ainda estaria por vir. Para o professor, a própria profissão de engenheiro civil passa por um momento muito delicado – a ética do campo foi colocada em debate.

Pouco tempo atrás, ele chegou a participar de um evento em uma escola, onde apresentou a Engenharia Civil para estudantes do 3º ano. A surpresa veio logo na primeira pergunta de um aluno. “Existe uma cultura de corrupção na profissão de engenharia civil?”, lembra Ferreira. Otimista, tentou explicar para os jovens que a corrupção não está associada a uma profissão específica, mas às pessoas.

Fechamento de empresas
Durante os anos de ouro, a maior parte do mercado local – inclusive construtoras – era subcontratada e empregada por duas ou três grandes empresas baianas. Isso podia acontecer de forma direta ou indireta. “Não tinha como não ter uma repercussão direta nessas empresas”, diz, referindo-se ao cenário atual.

Só para dar uma ideia, de acordo com a Junta Comercial da Bahia (Juceb), em 2008, existiam 1.473 empresas de engenharia civil ativas no estado. O número inclui construtoras, empresas de obras de impermeabilização; serviço de pintura; empresas que trabalham com edificações; empresas que vendem e arrendam máquinas e equipamentos; e empresas que fazem consultorias e projetos da área.

Naquele ano, 266 corporações foram abertas e 47 foram fechadas. Em 2017, a proporção entre novas empresas e aquelas que fecharam as portas passou de 17% para 42% - 354 abertas e 149 fechadas, além de 3.477 ativas. Só este ano, até o dia 11 deste mês, 91 empresas abriram e 55 fecharam – uma proporção de 60,43%.

Hoje, é como se os postos de trabalho tivessem regredido a uma situação um pouco pior do que antes de 2008. Naquele ano, toda a construção civil empregava 133 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados do Sinduscon. Em janeiro de 2018, 118 mil pessoas estavam na mesma condição.

Isso não seria tão grave, como explica o presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, se o setor não tivesse conhecido um cenário quase duplicado – em 2013, o número de empregados com carteira assinada batia em 230 mil. Era uma novidade para um campo que, por muito tempo, levava engenheiros a trabalhar no mercado financeiro e até a fazer concursos para auditores fiscais.

E, embora aqui, a crise esteja personificada pelos engenheiros, ela afeta toda a cadeia produtiva de forma geral. Começa com os corretores de imóveis, passa pelos cartórios de imóveis e depois chega aos responsáveis pelos projetos – arquitetos e projetistas. Durante a construção em si, é a vez dos engenheiros e dos operários. Por fim, há a indústria de mobiliário, a publicidade e até os veículos de comunicação – que dependem do mercado imobiliário para a propaganda.

“Nosso ciclo é muito grande. É de cinco anos pelo menos – entre a compra do terreno e o fim de uma obra. As obras só vieram sentir em 2014”, explica Passos. Coincidentemente ou não, o tempo é o mesmo da formação de novos engenheiros.


Jovens engenheiros se deparam com mercado sem contratações
Foram cinco anos até que, finalmente, viesse a formatura, em julho de 2017. No currículo, qualificações importantes: graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, uma das mais renomadas do país, e estágio na construtora Even. Mesmo assim, desde que recebeu o diploma, a engenheira civil baiana Giulia Ghirardi, 23 anos, não conseguiu um emprego.

Ainda em julho, voltou para Salvador. Queria ficar perto da família. Desde então, já fez concursos e distribuiu dezenas de currículos pela cidade. Tentou de pequenas a grandes empresas – mesmo assim, não adiantou. “Quando você não tem quem lhe indique, é muito mais difícil. E eu não tenho ninguém influente na minha família, nem que trabalhe na área atualmente”.

Giulia escolheu a carreira às cegas, porque sabia que gostava de Exatas. Chegou a flertar com a Arquitetura, mas, no fim, decidiu pela Engenharia Civil. Fez vestibular em 2011, mas não foi aprovada na Universidade Federal da Bahia (Ufba). No semestre seguinte, contudo, tentou a vaga na Mackenzie e conseguiu. Como a família do pai é de São Paulo e seu avô tinha sido formado por aquela instituição, pareceu quase um caminho natural.

As mensalidades custavam, em média, R$ 2 mil e, para economizar, morou com uma tia durante boa parte do curso. Quando começou o estágio, conseguiu alugar um apartamento por R$ 1,4 mil. Para ela, não há dúvidas de que o cenário é diferente de quando entrou na faculdade.

Mesmo os colegas que ficaram em São Paulo não têm conseguido trabalhar. Os que estão, de alguma forma, inseridos no mercado de trabalho, não estão fazendo aquilo que querem.

Hoje, Giulia é aluna do mestrado em Gestão e Tecnologia Industrial do Senai-Cimatec. Ela espera que, com isso, possa se destacar mais entre os milhares de engenheiros na mesma situação. “Foi um investimento (financeiro) grandíssimo, que não gosto nem de lembrar. Atualmente, meus pais me ajudam e tenho uma reserva de quando ainda estava trabalhando”. No fundo, ela tem uma certeza que a tranquiliza: a Engenharia Civil é fundamental para o desenvolvimento. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, as obras voltam.

Tecnologia
Isso também é o que a professora Tatiana Dumet, diretora da Escola Politécnica da Ufba, defende. Segundo ela, o Brasil ainda tem ‘falta’ de engenheiros. “A gente forma 40 mil engenheiros por ano e deveria estar formando 60 mil para atender as demandas de tecnologia. Mas não quer dizer que vai ter emprego para todo mundo”, reforça.

Uma nova cultura que a Politécnica tem tentado implementar é justamente de criar uma cultura de inovação entre os estudantes – ou seja, que se tornem seus próprios empregadores. A ideia é que, com isso, os jovens saiam desses dois horizontes – de ser funcionário público ou de trabalhar para grandes empresas.

“Existem ciclos na Engenharia, sem sombra de dúvidas. Eu formei em 1988 e já passei por dois ou três”, conta. A realidade atual parece ser a de um ciclo de baixa. Na própria Politénica, os estudantes têm postergado a formatura um ou dois semestres para tentar conseguir o estágio. “Eles estão realmente preocupados e houve uma diminuição de oferta de estágio. Antes, a gente recebia quase que diariamente pedido de indicação”.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Ubiratan Félix, durante o boom da construção civil, não era incomum que estagiários recebessem uma bolsa de R$ 1,8 mil. “Os alunos escolhiam. Não é a realidade de hoje, que tem uma super oferta de estudantes e até estágio de graça está difícil”.

Nos últimos vestibulares, a concorrência para Engenharia Civil caiu – o que reflete o interesse dos atuais estudantes de Ensino Médio na área. No auge, na Escola Politécnica, Engenharia Civil chegou a ter 15 candidatos por vaga. Hoje, fica em torno de 6 ou 7.

Mesmo assim, tem gente que não desanima. Apesar de saber de toda a situação do país e de recessão no campo, o estudante Thiago Bozzo, 19, não desistiu da Engenharia Civil. Hoje ele está no 2º semestre do curso e ocupa o cargo de gerente de venda na empresa júnior do curso, a Engetop.
Para Thiago, porém, o futuro ainda é uma incógnita. Na empresa júnior, descobriu que gosta também de gerenciar. Assim, consegue se ver também nessa função. “Tenho, sim, vontade de passar por obra e por construtoras, mas também de ter um futuro no meio empresarial, de negócios. São coisas que me identifico”.

O coordenador do curso de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, explica que as habilidades de um profissional da área costumam mesmo ser bem vistas no setor empresarial. Ele cita a facilidade de raciocínio rápido, visão espacial e grande potencial de poder de decisão.

“As Engenharias têm uma vasta atuação no mercado de trabalho no Brasil e não se limitam apenas a trabalhos específicos de projetos e construções. Então, mostramos aos futuros profissionais as possibilidades de atuação para que possam utilizar as habilidades adquiridas”.

A ansiedade e o medo nos jovens são compreensíveis. Apesar disso, o engenheiro elétrico e professor da Faculdade Área 1 Wyden Raimundo Menezes diz que ainda vale a pena investir no setor. Para o professor, esses profissionais serão requisitados pelo mercado no futuro.

Mesmo na Engenharia Civil, uma saída é investir nos nichos de constrição. “Um deles é o de apartamentos quarto e sala e outro é o mercado de alto luxo, com apartamentos de R$ 3, 4 milhões que as empresas conseguem vender. Mesmo na crise, existem esses nichos”.

Nem tudo é crise: em algumas engenharias, há vagas e oportunidades
De fato, a crise não é só na Engenharia Civil. A situação não tem sido fácil na Engenharia Elétrica, na Mecânica... Para o professor Frederico Andrade, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Unijorge, uma das áreas que mais sofreu foi a Engenharia de Petróleo e Gás. “O efeito (da crise) sobre a Petrobras e toda a cadeia do petróleo acabou afetando muito”, cita.

No entanto, ele diz que a indústria tem conseguido criar outras alternativas – como a exportação, que é uma das saídas da indústria automotiva brasileira hoje. “Por isso, na Engenharia Mecânica, você tem uma certa retomada um pouco mais rápida do que em outras áreas. A construção civil, por exemplo, depende dessa capacidade de renda do mercado interno e as obras de infraestrutura dependem da capacidade do governo de investir”.

Mas existe algum campo onde há vagas? Para a engenheira elétrica Tainá Andrade, professora e coordenadora dos cursos de Engenharia da Faculdade Ruy Barbosa, o ‘engenheiro consultor’ será uma função cada vez mais comum, já que os empregos com carteira assinada estão mais limitados.

Ela cita os profissionais que fazem estudos.

O que tem despontado na Engenharia, nos últimos anos, são as fábricas inteligentes, a internet das coisas e a indústria 4.0. Todas são opções de carreira. Segundo Tainá, em alguns estados, cursos de engenharia voltados à indústria 4.0 já estão sendo pensados. “Não vai ser só construir prédios residenciais, mas pensar em toda uma estrutura diferente”.

Além disso, entre as carreiras promissoras, ela destaca a de Engenharia de Produção – mais ‘versátil’, o profissional da área pode trabalhar em diferentes ramos. “É possível trabalhar com Engenharia Elétrica, Química, de Produção Civil, Engenharia Ambiental. Na grade, também tem aulas de automação, robótica, qualidade, eletricidade”, exemplifica.

Por Thais Borges - Rede Bahia/Correio 24 horas

FOTO: AKIRA ONUMA / ASCOM SUSIPE

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