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Lúcia Vilarinho*

As lutas das mulheres brasileiras por direitos e igualdade já duram mais de 100 anos. Ao longo do tempo, foram conquistados muitos direitos que antes eram destinados apenas aos homens.

A construção dos direitos das mulheres teve início com a conquista das leis trabalhistas. O livro “Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937)", de Glaucia Fraccaro, publicado pela FGV Editora, pontua a importância do Decreto do Trabalho das Mulheres, de 1932, que estipulou a licença-maternidade, proibiu a desigualdade salarial e regulou a jornada do trabalho feminino.

A luta pela igualdade de gênero vem se intensificando ao longo da história, exigindo que, numa sociedade, homens e mulheres gozem das mesmas oportunidades. Numa área predominantemente ocupada por homens, como é o caso da Engenharia, podemos afirmar que esse abismo vem diminuindo. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Um levantamento feito pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), maior conselho profissional do Estado, aponta que em 2015 havia cerca de 3.600 mulheres registradas na instituição, o que representava 14% do total de profissionais com registros ativos. Em 2019, esse percentual subiu para 21,6% de mulheres registradas, conferindo um crescimento de mais de 7%.

Apesar das mulheres serem maioria na população, a participação feminina na área tecnológica ainda é tímida, mas sabemos que a mulher conta com aspectos peculiares, capazes de reverter esse cenário. Ela representa a sensibilidade, os cuidados nos detalhes e na construção de cada projeto. Por isso, acredito na importância da atuação e do engajamento das mulheres.

No dia 23 de junho é comemorado o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia. A data foi criada pela Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido, e tem o objetivo de fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão.

Como engenheira civil e primeira mulher a presidir o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) em 59 anos de existência, sinto que é o momento de ampliarmos a nossa participação. Por isso, estamos criando o Fórum Capixaba de Mulheres da Área Tecnológica.

O objetivo do Fórum é fomentar políticas institucionais e sociais voltadas para as mulheres, abrigando discussões em torno de temas como igualdade de gênero e paridade salarial, com intervenções no âmbito dos poderes municipal, estadual e federal, além de contribuir com nosso conhecimento técnico em favor do desenvolvimento da sociedade.

O Fórum pretende abranger as profissionais da área tecnológica inseridas em entidades de classe, associações, instituições de ensino, empresas, além de todas as mulheres que compartilham do mesmo sentimento de igualdade.

Essa é a contribuição que nós, mulheres da Engenharia, da Agronomia e das Geociências, podemos dar para que possamos alcançar nossos objetivos e encurtarmos a distância nos resultados e nas relações de trabalho para, assim, chegarmos a um ambiente mais harmonioso e justo para todos.

 

*Lúcia Vilarinho é engenheira civil e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES).

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Epagri lança sistema tecnológico inédito no Brasil para apoiar apicultura

Foto: Epagri

A Epagri lança nesta terça-feira, 19, o Sistema de Monitoramento Apícola (Apis On-line), um conjunto de tecnologias destinadas a coletar dados ambientais e gerar informações para apoiar a produção de mel no território catarinense. Esse é o primeiro sistema desta natureza desenvolvido no Brasil. O lançamento acontece às 16h, na Assembleia Legislativa, em Florianópolis, como parte de um evento da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), que vai reunir 350 lideranças do setor.

O Sistema de Monitoramento Apícola é desenvolvido pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram) com o apoio de outras unidades da Epagri. Ele é composto por uma plataforma digital que reúne informações relacionadas ao setor. Lá, já é possível encontrar publicações e links úteis, entre outros dados.

A plataforma é colaborativa. Caberá a cada produtor cadastrar os dados de seu apiário, informando nome, localização e os seus produtos. Esses dados são disponibilizados em forma de mapa, no qual, com um clique, o consumidor poderá saber onde comprar o produto que deseja na região de seu interesse. Já estão cadastradas na plataforma todas as associações.

O site também vai contar com a colaboração dos apicultores no link Floração. Ali estão descritos os tipos de plantas existentes no estado e as datas esperadas de sua floração. O apicultor poderá identificar e informar diretamente no site datas antecipadas ou atrasadas de florações em sua região, enriquecendo o sistema.

Monitoramento

O grande diferencial da plataforma é o campo Monitoramento, onde estarão disponíveis as informações de coletas nas colmeias conectadas a estações agrometeorológicas que medem chuva, molhamento foliar, temperatura e umidade relativa do ar. Sensores instalados dentro da colmeia vão medir temperatura e umidade do ar interna. Ainda dentro da colmeia será medida, com uma balança de precisão, a quantidade de mel produzido. Esses dados se unirão aos medidos pela estação agrometeorológica e serão transmitidos automaticamente em tempo real para o banco de dados da Epagri/Ciram, em Florianópolis, e inseridos no sistema. Com base nesses dados, pesquisadores da área poderão observar quais condições meteorológicas influenciam na produção de mel.

Éverton Blainski, pesquisador da Epagri/Ciram na área de monitoramento ambiental e coordenador do projeto, explica que entre setembro e outubro serão instaladas nas diferentes regiões agroclimáticas do estado seis unidades de monitoramento apícola, formadas pelo conjunto de colmeia monitorada e estação agrometeorológica. Esses equipamentos foram adquiridos com recursos do Programa SC Rural, num total de R$ 300 mil. A instalação e operação da rede será custeada com verba da Epagri. Cada unidade terá como responsável um técnico da Epagi com conhecimento em apicultura.

Blainski explica que a Epagri já firmou convênio com o curso de graduação em engenharia em telecomunicação do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) para desenvolvimento de unidades de monitoramento apícola de baixo custo, que serão usadas para adensar a rede. Ele informa também que será preciso coletar pelo menos um ano de dados para que seja possível avaliar quais condições meteorológicas influenciam na produção de mel.

Após um ano de avaliação, a Epagri/Ciram poderá emitir, a partir da plataforma, avisos específicos aos apicultores. Com base na previsão do tempo, eles serão alertados sobre quais providências podem tomar para evitar queda na produção, como arejar as colmeias ou oferecer alimentação complementar às abelhas. A plataforma também vai formar um banco de dados histórico com informações de épocas floradas e os dados coletados pelas unidades de monitoramento apícola.

Além da plataforma colaborativa e o do monitoramento, o sistema se completará com o desenvolvimento de um aplicativo para dispositivos móveis a ser usado pelos apicultores. Além de ver os dados disponíveis no site, o produtor poderá interagir com o aplicativo, por exemplo, fotografando e informando ao sistema sobre uma florada antecipada ou tardia. A Epagri já submeteu às entidades financiadoras projeto para desenvolvimento do aplicativo, em busca da verba necessária para execução da proposta. 

Todo esse conjunto de tecnologia estará disponível para livre consulta, mas é preciso mais que equipamentos para que o Sistema de Monitoramento Apícola tenha êxito. “A Epagri está colocando a ferramenta à disposição do setor apícola, mas o sucesso depende da adesão e boa utilização por parte dos integrantes dessa cadeia produtiva”, alerta Ivanir Cella, chefe da divisão de estudos apícolas da Epagri.

Evento

O lançamento do Sistema de Monitoramento Apícola faz parte de um evento promovido ao longo de todo o dia 19 pela Faasc. A programação inicia pela manhã, com a inauguração da sede da federação, na Capital. Na parte da tarde, no Auditório Antonieta de Barros da Alesc, acontecem as palestras técnicas.

O ciclo de palestras será aberto às 14h30, com o tema Previsão Meteorológica X Apicultura, que será abordado pelo agrometeorologista Marcio Sônego, pesquisador Estação Experimental da Epagri em Urussanga. Às 16h, acontece o lançamento do sistema, com palestra proferida pelo pesquisador Blainski e, a partir das 16h30, Cella fala sobre os principais fatores de produtividade do mel.

Às 19h, começa uma sessão solene na Alesc em homenagem ao associativismo apícola e entidades com expressiva atuação no setor apícola no estado. A Epagri será uma das homenageadas.

Mel em SC

Santa Catarina conta atualmente com quase nove mil apicultores de diferentes portes que vão se beneficiar com a implantação do Apis On-line. Na safra 2016/1017 ,foram produzidas oito mil toneladas de mel, um recorde no estado. A produção ficou em 25Kg por colmeia, superior à média dos últimos anos, que foi de 20,42kg. No Brasil, essa média fica em 10Kg por colmeia. Há cinco anos, a média catarinense era de 13kg por colmeia. As condições de clima, o empenho dos apicultores e o forte trabalho de assistência técnica da Epagri na área foram fatores decisivos para o resultado expressivo.

Serviço:

O quê: lançamento do Sistema de Monitoramento Apícola
Quando: terça-feira, 19, às 16h
Onde: auditório Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa, em Florianópolis

Fonte: De olho na ilha / As informações são da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado. 

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“Para um medicamento ser descoberto é preciso pesquisa que pode demorar até dez anos. Todo medicamento que está na prateleira da farmácia começou na pesquisa básica nas universidades”, explica a Professora Dra. Maria Fernanda de Paula Verners,  coordenadora do Programa de Pós graduação em Farmacologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com o anúncio de cortes de bolsas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), só na Farmacologia sete bolsas foram canceladas e entre elas uma de pós-doutorado. Ao todo, na UFPR, foram canceladas 127 bolsas.  Atualmente, segundo Maria Fernanda, sãos vários os projetos de pesquisa em andamento voltados a descobertas de medicamentos que serão prejudicados com a desistência dos alunos que ficaram sem bolsas.

É o caso da aluna Tatiana Curi que passou na seleção de doutorado em Farmacologia do ano de 2019 e logo após soube dos cortes para bolsas de pós-graduação. Ela fez o curso de mestrado também em Farmacologia, com bolsa.  “Eu fiz mestrado com bolsa porque na nossa área as nossas pesquisas demandam tempo e dedicação nos laboratórios e estudos. Agora, ainda estou aguardando com esperanças que isso seja revertido. Sem bolsa, é como se eu estivesse sendo demitida de um emprego. Dependo de uma mínima remuneração para poder pesquisar”. O valor mensal por estudante é de R$ 1,5 mil no mestrado e R$ 2,2 mil no doutorado.

Retorno para a sociedade

Tatiana estuda na UFPR desde o Mestrado, em 2007, sobre toxicologia reprodutiva, isto é, os efeitos de variadas substâncias consumidas ou em contato com gestantes que podem trazer implicações no desenvolvimento do feto. “Eu estudo os ftalatos, que são compostos químicos usados principalmente como plastificantes e são encontrados em vários produtos no dia a dia, como garrafas, brinquedos, embalagens de alimentos e até mesmo em cosméticos e produtos pessoais. Este composto tem capacidade de inibir a produção da testosterona que no período de gestação é bastante importante”.  No curso, Tatiana também integra um programa de pesquisa que vai até as Unidades de Saúde Básica, em Curitiba, e realiza pesquisas entre as gestantes que fazem uso do SUS, para avaliar e informar o nível de exposição a estes compostos tóxicos. “Analisamos a partir da coleta de urina e retornamos a elas com estas informações sobre os níveis de toxicidade no corpo”, explica.

Sem bolsa, aluna de Santa Maria (RS) desiste do pós-doutorado na UFPR

A única bolsa de pós-doutorado do programa de Farmacologia também foi cortada pela Capes.  Farmacêutica, mestre e doutora pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Quelen Iane Garlet foi a aluna selecionada para a vaga na UFPR e já desistiu por não ter condições de se manter em outro estado sem a bolsa. Sempre estudou compostos provenientes de plantas nativas na cura de doenças neurológicas. Sua pesquisa atual volta-se para os efeitos do canabidiol em doses pequenas nos tratamentos de ansiedade e depressão. “Uma pesquisa como essa demanda experimentos, validação e tempo de pesquisa. Minha pesquisa seria a única dentro do programa da UFPR e assim poderia contribuir com metodologias já desenvolvidas por mim”. Canabidiol (CBD) é o nome da substância extraída da Cannabis sativa, que vem já vem sendo utilizado para o tratamento de esquizofrenia, Parkinson, epilepsia, fobia social, transtorno do sono, entre outros, com eficácia comprovada.

Sem a pesquisa básica das Universidades, muitos medicamentos nem existiriam

Maria Fernanda, coordenadora da pós-graduação em Farmacologia, diz que o programa que tem nota 5 pela Capes, nos últimos anos tem funcionado com cerca de 21 bolsas para mestrado, 24 bolsas de doutorado e uma para pós-doutorado. “Destas, perdemos sete e a de pós-doutorado que era a única. O que é uma perda muito grande para o curso. Pois um aluno de pós-doutorado traz novos conhecimentos para o programa”, explica. “Esses alunos quando são aprovados dependem de bolsas porque é necessária dedicação à pesquisa. Trata-se inclusive de exigência da própria capes”, diz. 

A coordenadora explica que o impacto de perder bolsas traz menos qualidade e dificuldades no prosseguimento e avanço nas pesquisas sobre medicamentos. “Quem desenvolve grande parte das pesquisas hoje são os alunos de pós-graduação, orientados por seus professores. É importante que a população saiba que o medicamento que está na prateleira depende dessa pesquisa básica que acontece na Universidade. Essa pesquisa, que pode demorar mais de seis anos, vai mostrar através de experimentos se determinada substância terá um efeito benéfico ou não”

O programa tem como base a pesquisa cientifica básica que é aquela que vai nortear as descobertas para novas possibilidades de tratamentos para doenças que ainda não tem um tratamento estabelecido ou que os tratamentos atuais ainda causam muitos efeitos colaterais. Segundo Maria Fernanda, os estudos são voltados para novos medicamentos, validação de plantas medicinais como medicamentos e o estudo de tratamentos de doenças ligadas a toxicologia e neurociências, por exemplo.  O programa que já existe há 19 anos, conta com 4 linhas de pesquisa: linha de produtos naturais, inflamação dor e febre, toxicologia e neurociências.

Entenda

Em nota, a Capes diz que o sistema para geração de folhas de pagamento "permaneceu fechado para ajuste da concessão de bolsas" neste mês, o que, na prática, significa o "recolhimento de bolsas que estavam à disposição das Instituições". A Capes afirma, ainda, não ter o número exato das bolsas recolhidas. A decisão impede que novos candidatos recebam bolsas que tinham verba já liberadas e previstas para 2019. Segundo a Capes, o bloqueio não atinge estudantes cujos mestrados e doutorados estão em andamento.


Texto: Ana Carolina Caldas/Brasil de Fato
Edição: Laís Melo
Foto: Giorgia Prates

Cortes de bolsas nas universidades impedirão pesquisa sobre novos medicamentos

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A Diretora Nacional da Mútua, diretora da Fisenge e ex-presidente do CREA-PB, Giucélia Figueiredo, lamentou a decisão do Governo Federal que reduz em 30% os recursos para as universidades. Para Giucélia, a determinação do governo de Jair Bolsonaro representa um ataque a uma das principais instituições brasileiras, produtora de ciência, inovação e tecnologia, ferramentas fundamentais para o processo de desenvolvimento sustentável do país.“Enquanto os países desenvolvidos investem maciçamente em ciência e tecnologia, o governo Bolsonaro vai na contramão da história e do que acontece no mundo. Na Paraíba foi criada a Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia e Inovação, numa demonstração que o Parlamento paraibano e o governo do estado compreendem a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento regional e, ao contrário do governo federal, investem na produção tecnológica”, comentou Giucélia.

Para ela, é importante que a bancada federal se una na defesa das universidades, mostrando a importância dessas instituições públicas e gratuitas no processo de desenvolvimento sustentável regional e nacional.

Sobre a Frente Parlamentar

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou audiência pública, no dia 02/05, para instalar a Frente Parlamentar da Ciência, Tecnologia e Inovação, que tem como finalidade debater os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) de uma forma mais ampla com a sociedade e traçar políticas públicas para o setor com o Governo do Estado. A propositura foi do deputado Buba Germano, que presidirá a Frente. Com o investimento de mais de R$ 200 milhões na área, atualmente, a Paraíba ocupa a 9ª posição no ranking da inovação tecnológica.

Confira o vídeo abaixo:

 

 Fonte: Parlamento PB com informações Assembleia Legislativa da Paraíba

Engenheira critica corte no orçamento de universidades: “É um atraso”

Foto: Divulgação Mútua

 

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por Camila Marins

Fortalecer a indústria nacional para a economia crescer

Foto: Adriana Medeiros

Propostas para reverter a desnacionalização da infraestrutura, da indústria, e dos patrimônios naturais do país, especialmente nos segmentos de petróleo, inovação e desenvolvimento tecnológico são fundamentais. Para o engenheiro naval Alan Paes Leme Arthou, o Brasil precisa priorizar a tecnologia nacional.

Quais os pontos de uma política de ampliação e valorização da indústria e da engenharia brasileira?

Não é possível crescer economicamente sem produção. E não é possível crescer a produção sem engenharia. Temos uma engenharia civil que, graças às nossas necessidades de infraestrutura, tem nível internacional. No entanto, nas áreas de mecânica e eletrônica somos, na maioria dos casos, meros montadores de projetos oriundos do exterior. Na verdade, existem poucas empresas realmente brasileiras. Somos hospedeiros de empresas que vêm aqui para explorar nosso mercado e que não têm interesse em exportar. Produtos industrializados são mais caros quanto mais moderna for a tecnologia envolvida. No Brasil só produzimos produtos de baixa e média tecnologia e, mesmo assim, uma parcela cada vez maior do preço de compra do produto que fabricamos aqui tem que ir para outros países, por conta do projeto que não é nacional.

Quais deveriam ser as prioridades em uma agenda positiva para a ciência e a tecnologia nacional?

Existem vários indicadores que falam do pouco recurso sendo encaminhado à ciência e tecnologia, mas é difícil encontrar dados que mostrem o resultado desses investimentos. Fica muito difícil justificar a necessidade de investimento em um setor sem mostrar resulta-
dos. Quanto desses recursos são aplicados em tecnologia voltada à produção nacional?

Quantos desses recursos trazem resultados positivos?

Não temos esses dados. Se conseguirmos pensar de forma multidimensional, a pergunta seria qual o resultado econômico, de capacitação técnica e de melhoria social e ambiental? Não temos essas respostas, mas não é algo difícil de ser realizado. Como podem priorizar as pesquisas que receberão recursos sem respostas a essas perguntas? Acho que o primeiro passo para uma agenda positiva seria estipular, de forma quantitativa, as regras para a escolha de quem receberá recursos. Infelizmente, os nossos pesquisadores, na maioria, são divorciados de nossas indústrias.

O próximo governo deveria tomar quais medidas ao tomar posse?

Infelizmente, os problemas imediatos são tantos que é difícil responder a essa pergunta. Não adianta simplesmente fazer remendos. Tem que atacar os problemas que dificultam a produção e o desenvolvimento de empresas nacionais, entre eles, prioritariamente, a infraestrutura (principalmente a de energia e a de logística e de transporte), o ambiente macroeconômico (principalmente simplificando o recolhimento de impostos), a saúde e educação primária e superior e treinamento, a eficiência do mercado de bens (principalmente com uma justiça mais rápida e barata, pois onde a justiça é lenta facilita o aparecimento de aventureiros), a eficiência do mercado de trabalho (não é necessário tirar direitos para aumentar a eficiência), o desenvolvimento do mercado financeiro, a prontidão tecnológica (no sentido de ter gente preparada e pesquisas encaminhadas para novos passos de nossa indústria), o mercado interno, a sofisticação nos negócios e o incentivo à inovação.

 

 

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Ataques à Norma Regulamentadora 12, do Ministério do Trabalho, e precarização expõe trabalhador a riscos maiores. "Reforma" afeta Previdência com queda de receita e aumento de despesas

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FOTO: Arquivo/Governo Federal

De 2012 a 2017 foram registrados 4.269.648 acidentes de trabalho. Um a cada 48 segundos. O total de mortes no período 15.874. Só em São Paulo, foram 3.517 acidentes com mortes. As principais causas são lesões como cortes, lacerações, feridas contusas, esmagamento, fratura, distensão e torção. Os dados são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, uma plataforma desenvolvida e mantida pelo Ministério Público do Trabalho em Cooperação com a Organização Internacional do Trabalho (OIT)

O número de acidentes aumenta a cada ano, segundo o coordenador da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Geordeci Menezes de Souza. Representante da CUT no colegiado, ele afirma que o Brasil é o país onde mais se morre e mais se acidenta no trabalho. "Pelos dados oficiais, são 750 ocorrências por ano. Mas o número tem de ser multiplicado por três. Ou seja, a gente continua matando muita gente no trabalho”.

Tamanha insegurança, que adoece, incapacita e tira vidas que não têm preço, custa à Previdência Social R$ 74 bilhões por ano só com o pagamento de benefícios. A título de comparação, o orçamento do Ministério da Saúde é de R$ 120 bilhões. Ou seja, além de provocar a queda da receita previdenciária com o desemprego, o subemprego e a informalidade, a "reforma" trabalhista produz despesas para a seguridade social.

E as expectativas não são das melhores. As normas que deveriam garantir a segurança do trabalhador – que nunca foram aplicadas de maneira integral – estão sendo revogadas a partir de 2016. É o caso da Norma Regulamentadora (NR) 12, que em 1978 estabeleceu referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores.

Além de fixar requisitos mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização de máquinas e equipamentos de todos os tipos, inclusive na sua fabricação, importação, comercialização, exposição e cessão a qualquer título, em todas as atividades econômicas.

Se a NR 12 tivesse sido implementada integralmente, não seriam comuns as serras elétrica do tipo fita, como as usadas em açougues, por exemplo. Das mais perigosas entre as máquinas existentes, podem amputar membros com facilidade. E até matar quando se rompem, dependendo da parte atingida pela serra no momento da ruptura.

Segundo Geordaci, o empresariado nunca cumpriu a NR 12 apesar de nesses anos todos o governo teve de prorrogar diversas vezes os prazos para adequação, além de abrir linhas de crédito para financiar reformas, adaptações e substituições de máquinas. Ao contrário disso, por pressão da ala conservadora do empresariado, ganhou força nas comissões tripartites o lobby de patrões preocupados em aumentar a competitividade sem se preocupar com a integridade, a saúde ou a vida de seus empregados.

"Portarias têm revogado boa parte da NR 12, elogiada internacionalmente, e construída pelo consenso entre governo, patrões e trabalhadores. E aumenta a pressão para alterações na NR 1. Querem matar essa que a 'mãe' de todas as outras NRs. Se mexer nessa, há impactos em todas as demais", afirma o conselheiro do CNS.

Na sua avaliação, o adoecimento e os acidentes tendem a ser mais comuns devido à precarização ampliada por mudanças na legislação trabalhista, que aumentam a pressão e o assédio sobre os trabalhadores. Não é à toa que de cada três acidentes, dois são sofridos por terceirizados.

E também por causa das novas tecnologias, ainda pouco estudadas, como a nanotecnologia. Sedutores do ponto de vista comercial por agregar vantagens, como um para-brisa cujo revestimento espalha rapidamente a água da chuva, dispensando os tradicionais limpadores, produtos feitos a partir de nanomateriais. Ou um artefato em geladeiras que impede o mau cheiro. "O fabricante, no entanto, não esclarece que minúsculas partículas do nitrato de prata, cancerígeno, estão sendo usado dentro da geladeira, podendo contaminar os alimentos, em nome desse diferencial", explica.

Cada vez mais utilizada na indústria, a nanotecnologia é uma incógnita ainda em termos de impactos à saúde do trabalhador e ao meio ambiente. Por isso o Conselho Nacional de Saúde vem pressionando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a estabelecer protocolos de segurança.

 

FONTE: CUT / Escrito por: Cida de Oliveira, da RBA

 
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Capes avisa que corte no orçamento vai promover a suspensão de 198 mil bolsas de pesquisa em 2019

Abilio Baeta Neves, presidente da Capes – Foto: Daniela Barcellos/ Palácio Piratini

O governo Temer vai suspender o pagamento de todas as bolsas de incentivo à pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a partir de agosto de 2019. O teto de gastos imposto à entidade para o ano que vem corta os recursos que atenderiam a um total de 93 mil pesquisadores de mestrado, doutorado e pós-doutorado, e a outros 105 mil, de três programas —  Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), Programa de Residência Pedagógica e Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor).

O alerta foi feito em ofício do Conselho Superior da Capes enviado ao ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, que “solicita uma ação urgente em defesa do orçamento do MEC”.

De acordo com o documento, assinado pelo presidente da Capes, Abílio Afonso Baeta Neves, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 aprovada no Congresso Nacional, no seu artigo 22, manteve para a instituição os valores de 2018, reajustados pela inflação, o que garantiria as bolsas no ano que vem. “Em contraponto a essa importante conquista”, diz o ofício, “foi repassado à Capes um teto limitando seu orçamento para 2019, que representa um corte significativo em relação ao próprio orçamento de 2018, fixando um patamar muito inferior ao estabelecido pela LDO.”

Segundo Flávia Calé, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), que também integra o Conselho da Capes, “a nota é um alerta e um apelo à sociedade brasileira, para que se mobilize na defesa das verbas da Educação.” De acordo com dados da Folha de S. Paulo, de R$ 7,77 bilhões em 2015, ainda no governo Dilma Rousseff, o orçamento da Capes caiu para R$ 4,96 em 2017, quando acabou o Programa Ciência sem Fronteiras, e para R$ 3,94 bilhões em 2018, dos quais R$ 1,95 bilhão já foram gastos. A candidata do PCdoB à Presidência, Manuela D’ávila, publicou no seu perfil no Facebook que a Capes precisaria de mais R$ 300 milhões no orçamento do ano que vem para manter o pagamento das bolsas.

Clique para ler o ofício na íntegra

 

FONTE: SOS BRASIL SOBERANO / Escrito por Verônica Couto

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Alunos da UFF desenvolvem próteses robóticas de baixo custo

O Brasil registra anualmente cerca de 40 mil casos de amputação por motivos de acidente ou doença. O Sistema Único de Saúde (SUS), por sua vez, não consegue atender a demanda da população, pois a maioria das próteses robóticas são importadas e caras. Com foco nessa realidade, um grupo interdisciplinar formado por alunos dos cursos de Medicina, Computação, Engenharia e de Telecomunicações da UFF se reuniu e criou o Projeto da Rede Acadêmica de Cibernética e Humanidades (Reach), com a finalidade de desenvolver próteses de baixo custo.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Estudos de Tecnologias Avançadas (NETAv), Ricardo Campanha Carrano, a preocupação com a causa social, em especial com os pacientes amputados atendidos pelo SUS, mobilizou alunos e professores a participarem do trabalho. Para facilitar essa integração, foi criado um grupo no aplicativo WhatsApp chamado de “Reach - Nave Mãe”, com 63 participantes. São cinquenta alunos envolvidos, sendo dez de maneira mais ativa, dez professores de diversas unidades da UFF, além de pessoas que ajudam o projeto e que não têm vínculo com a universidade. “Todo o design de logomarcas e banners, por exemplo, foi elaborado voluntariamente pela jornalista Erika France, formada pela UFF. Ela cedeu seu tempo, por acreditar na causa”, destaca.

Segundo ele, o Projeto Reach, que completará um ano em junho, é uma iniciativa exclusivamente de alunos. O grupo empreendedor bateu de porta em porta nos laboratórios e departamentos, angariando apoio. A iniciativa fez com que muitos professores se prontificassem a ajudar, orientando alunos, apresentando a outros parceiros, dentro e fora da UFF. “O professor da Engenharia de Telecomunicações, João Marcos Meirelles, e o pesquisador do Laboratório MidiaCom, Flávio Seixas, são exemplos de docentes que se dispuseram a ajudar e hoje são peças chave na iniciativa”, ressalta.

Onde tudo começou

Antes do Reach, o NETAv foi criado por meio de um acordo de cooperação acadêmica, técnica e científica, celebrado em 18 de março de 2011, entre a UFF e a Marinha do Brasil. O núcleo atende à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SecCTM), sendo um facilitador e mantenedor da relação entre a instituição e a força armada. Em 2016, sua área de atuação foi ampliada, visando o desenvolvimento de programas e projetos de ensino, pesquisa e extensão, em parceria com as demais forças armadas e outras instituições, públicas e privadas. Hoje, segundo Carrano, o núcleo é um órgão de integração de expertise e competências dentro da UFF com know-how suficiente para oferecer seus projetos a outras organizações e entidades externas.

O Projeto Reach, por sua vez, surgiu por iniciativa do aluno do sexto período de medicina, Robinson Simões Júnior, que numa primeira etapa utilizou como protótipo uma mão de robô adaptada. Com isso, a equipe teve a oportunidade de aprender sobre os aspectos mecânicos e eletrônicos envolvidos no processo de criação e montagem de uma prótese, e principalmente como ocorre a captura do sinal mioelétrico - impulso nervoso que resulta de uma ação de controle do cérebro humano sobre os músculos do corpo. “Contamos também com a parceria da aluna da Medicina, Angela Tsuda, que por iniciativa própria já tinha começado a imprimir uma mão robótica, utilizando uma impressora 3D cedida pela professora Yolanda Boechat, do Departamento de Telecom. O Reach a localizou e ela se tornou uma importante colaboradora”, enfatiza o professor.

Atualmente a equipe está trabalhando num segundo protótipo que será operado brevemente como uma verdadeira prótese, ou seja, acoplado a um paciente com amputação. As duas mãos robóticas em teste são controladas por movimentos humanos, por meio da plataforma Arduino, um software aberto. Ele captura os sinais musculares por meio de eletrodos afixados no paciente, transmite ao computador, que os reenvia em segundos à prótese, criando o movimento.

A aluna Giulia dos Santos Dias, do curso de Engenharia Mecânica, acrescentou que o projeto teve também a participação de alunos de graduação e mestrado de cursos de engenharia elétrica, biomedicina e ciência da computação. Para ela, a multidisciplinaridade do Reach é o que o diferencia de outras iniciativas dentro da universidade, fazendo com que a equipe ganhe conhecimentos de diversas áreas e possa observar diferentes problemas, com pontos de vistas distintos, facilitando a resolução deles.

“Os recursos que usamos para a compra de materiais e equipamentos necessários para o projeto vêm exclusivamente de doações dos próprios alunos e professores membros do Projeto Reach, uma vez que ainda não possuímos parcerias para o recebimento de fundos”, ressaltou Giulia.

Parceria

Os protótipos das mãos estão sendo montados no Laboratório de Telemetria e Telecontrole (LaTelCo), vinculado ao Departamento de Engenharia de Telecomunicações. Num segundo passo, a mão robótica será destinada a pacientes amputados do SUS. Nesse sentido, a equipe está buscando firmar uma parceria com a Associação Fluminense de Reabilitação (AFR). “Há um ciclo a ser vencido, até que tenhamos confiança na maturidade do produto. E claro que ser ofertado pelo SUS é o nosso grande objetivo”, afirma Robinson Júnior.

Já de acordo com Carrano, a ideia é que a mão robótica seja patenteada, produzida em escala industrial e oferecida gratuitamente ao público. Para isso, as patentes do projeto eventualmente geradas serão da universidade, até como forma de proteger a propriedade intelectual e seu objetivo social. “Ainda não vivenciamos a fase de buscar empresas para a produção da mão. Estamos nas etapas iniciais do projeto, testando conceitos e técnicas”, esclarece.

Contudo, os recursos dos projetos e inventos da UFF, segundo o professor, poderão retornar à universidade na forma de patentes que gerarão royalties, isso quando há interesse comercial pelo licenciamento da tecnologia desenvolvida. No entanto, o grande retorno para a universidade, que advêm do Reach, é a inserção dos alunos em projetos transdisciplinares que conciliam os objetivos primeiros e nobres de uma instituição pública: o ensino, a pesquisa e a extensão. “É a UFF cumprindo seu papel na sociedade, que é a grande beneficiária do projeto”, conclui.

Na entrevista a seguir o aluno Robinson Simões Júnior fala sobre o Projeto Reach:

Como se deu a iniciativa para criar o projeto Reach?

Sou um grande entusiasta da integração do ser humano com as tecnologias. Ver um ramo em que eu poderia atuar nesse sentido e ao mesmo tempo lidar de forma tão impactante na Saúde Pública me inspirou muito a criar o Reach.

E como foi o processo de reunir alunos de áreas tão distintas?

Primeiramente, procurei ver se tinha algum projeto existente na UFF ao qual pudesse me associar. Como não encontrei, decidi primeiro formar um time inicial de professores que pudesse contribuir com a criação de algo que seria totalmente novo na universidade. Então, fui de porta em porta, de departamento em departamento, e recebendo vários “nãos”. Finalmente, consegui reunir docentes das áreas de Engenharia, Computação e Medicina. Depois disso, cada professor ficou responsável por recrutar alunos em suas respectivas disciplinas, que estivessem interessados em participar.

Como se dá a divisão do trabalho?

Após essa movimentação, resolvemos nos estruturar internamente em três frentes: Captação, lidando diretamente com o paciente em si e descobrindo de que forma poderíamos capturar os sinais mioelétricos; Processamento, analisando os dados e programando para ativar a prótese; e por fim, a Atuação, que lida com a confecção da prótese em si e todo o seu design. Cada frente atuando com focos diferentes, mas concomitantes e com um fim em comum.  E por tudo isso, agradeço a colaboração e o entusiasmo dos alunos Angela Tsuda, Giulia Dias, da Engenharia Mecânica, Yago Rezende e Rafael Vaz, da Engenharia de Telecomunicações; e a Marcela Tuler, do Mestrado em Telecomunicações.

Há uma estratégia para captar futuros recursos que darão prosseguimento ao projeto?

Atualmente estamos discutindo algumas possibilidades, como, por exemplo, a criação de uma emenda parlamentar, “crowdfunding” (financiamento coletivo), ou parcerias com outras instituições.

Quais são os nomes das duas mãos robóticas batizadas pelo grupo?

A Riri Williams, a primeira mão, é uma homenagem à sucessora de Tony Stark, o personagem Homem de Ferro da Marvel. Já a segunda se chama Hackberry, em alusão a Exiii Hackberry, empresa japonesa na qual nos baseamos para confeccionar a atual prótese.

Quanto tempo você acredita que ainda levará para a mão robótica estar efetivamente no mercado?

Tudo depende das parcerias que formarmos. Já evidenciamos alguns grandes obstáculos, como a produção em larga escala, a logística de confecção, distribuição, a reabilitação dos pacientes e o custo de tudo isso. Então, se obtivermos auxílio do Estado e de instituições que já atuam nesse sentido, como a AFR (Associação Fluminense de Reabilitação), creio que boa parte dessas questões serão solucionados rapidamente, tornando possível uma distribuição de próteses, numa quantidade razoável.

 

FONTE: Universidade Federal Fluminense (UFF)

 

 

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Foi aprovada a lei que garante a licença-maternidade para pós-graduandas. Agora, as mulheres podem prorrogar os prazos de vigência das bolsas de estudo concedidas por agências de fomento em função de maternidade.

A lei abrange bolsas de estudo com duração mínima de 12 meses, beneficiando as bolsistas de mestrado, doutorado, graduação sanduíche, pós-doutorado ou estágio sênior. Ficará garantida a prorrogação da bolsa por um período de até 120 dias a estudantes que derem à luz, adotarem ou obtiverem a guarda judicial de crianças durante o período de vigência da bolsa original. Agora, é garantido que a bolsista ficará dispensada das atividades acadêmicas durante o afastamento temporário em virtude de parto, adoção ou obtenção de guarda judicial. É proibido a suspensão do pagamento da bolsa nesse período.

As novas regras transformam em lei uma prática que vem sendo adotada por algumas das principais agências de fomento a estudos e pesquisas no Brasil. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já possuem normas internas que concedem essa prorrogação a bolsistas que recebem o auxílio por 24 meses ou mais (mestrado e doutorado).

História de luta

A ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) apresentou as reenvicações e a deputada Alice Portugal ainda em 2015 e ela abraçou a causa. “É uma reivindicação das pós-graduandas do Brasil inteiro, que têm suas bolsas reduzidas do tempo da licença-maternidade, sem o direito de usufruir dos primeiros momentos com seus filhos. O tempo de apresentação dos seus trabalhos finais também é reduzido. Por isso, a aprovação da lei é uma grande vitória, pois estende direitos para um universo maior de mulheres”, disse Alice.

Para Tamara Naiz, presidenta da ANPG essa é uma conquista que precisa ser comemorada. “As mulheres têm sido fundamentais para os avanços e para o bom desempenho da Ciência brasileira, nós sabemos que 90% das pesquisas realizadas no Brasil são feitas no âmbito da pós-graduação e metade destes pós-graduandos são mulheres. Essas mulheres superam e lutam contra todos os empecilhos de uma sociedade machista, inclusive no acadêmico, e por vezes elas têm que optar entre ser mãe e pesquisadora. A ANPG acredita que essa escolha é absurda e um tremendo atraso e é por isso que lutamos para garantir que existam mecanismos de proteção para que a mulher exerça plenamente todos os seus direitos em um ambiente seguro”, comemora Tamara Naíz, presidenta da ANPG.

Fonte: Associação Nacional de Pós-Graduandos

Foto: Pixabay (imagens públicas)

Aprovada lei que garante licença-maternidade na pós-graduação

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Corte nos recursos federais afeta de forma alarmante o orçamento destinado à ciência e tecnologia brasileira. Cientistas estão buscando melhores condições fora do país.

 

 Por Laura Ralola com entrevistas de Camila Marins

 

Em março deste ano o governo anunciou corte de 44% no orçamento federal destinado à Ciência, Tecnologia e Inovação. A redução de investimentos em uma área tão importante para o desenvolvimento do país preocupa especialistas, que caracterizam a ação como irresponsável e desprovida de senso de futuro. A medida compromete o incentivo à pesquisa e o funcionamento de centros e laboratórios. Em consequência, cientistas estão deixando o país em busca de condições de trabalho propícias, levando com eles importantes saberes para bem longe de nossos quintais.

O governo Temer deu indícios precoces que o incentivo à pesquisa, ciência e  tecnologia (C&T) não estava na lista de prioridades do plano não eleito nas urnas. Logo quando tomou posse, em maio de 2016, o presidente anunciou a junção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações com o Ministério das Comunicações. A ação foi bastante criticada na época por resultar em menos atenção para ambos. No mesmo contexto, a Pec do Teto dos gastos públicos aprovada, que congela por 20 anos investimentos, fragiliza ainda mais a situação, inviabilizando futuros projetos para a inovação nacional.

O diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro (Senge - RJ), Agamenon Oliveira, define como alarmante o contexto político e econômico atual. “É uma questão da crise do Estado nacional”, enfatiza. Para ele, uma série de medidas que caminham para o desmonte de nossa soberania estão sendo tomadas. Em pouco mais de um ano, o governo Temer já representa uma série de retrocessos. Pensando especificamente na C&T, o governo levou o país para mais de uma década no passado. 

O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações já estava em um patamar baixo antes do corte recente. O Projeto de Lei Orçamentária anunciado no fim de 2016 prometia para a área investimento de R$ 5,2 bilhões (praticamente metade do que foi investido em 2014). Em 2017 este número foi cortado em R$ 2,2 bilhões, ou seja, em 44% do orçamento previsto para o ano.

Foi no contexto dos cortes em C&T que a pesquisadora Suzana Herculano-Houzel optou por deixar o país. O desmonte da produção científica e tecnológica está levando muitos pesquisadores a, assim como ela, buscarem alternativas no exterior, com o intuito de garantir a continuidade de suas pesquisas. Suzana é mundialmente conhecida por seu trabalho de pesquisa em neurociência e há alguns meses, impossibilitada de dar continuidade à pesquisa no país, migrou da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a Vanderblit University, nos Estados Unidos. O caso de Suzana ganhou repercussão e intensificou a discussão sobre o fenômeno chamado de Fuga de Cérebros, que se fortalece no atual cenário. 

 

CORTES DRÁSTICOS

O orçamento em queda do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações nos últimos anos. Despesas MCTIC (bilhões de reais). 

Vermelho: Proposto.

Verde: Gasto.

 Uma ‘fuga de cérebros’ ameaça o Brasil e a soberania nacional

 

Fonte: Reportagem Nature, principal revista de conhecimento científico do mundo, publicada em abril de 2017. 

http://www.sbq.org.br/noticia/brazilian-scientists-reeling-federal-funds-slashed-nearly-half

 

Ciência, tecnologia e desenvolvimento nacional

A saída de cientistas e pesquisadores do país representa uma enorme ameaça à produção nacional do conhecimento. Em entrevista à Fisenge a Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Naider, afirmou que conhecimento significa hoje desenvolvimento econômico e social. “Significa produção de riqueza, ou seja, lucro para as empresas, salário para os trabalhadores e impostos para o governo; significa garantir a qualidade de vida das pessoas”. Para Helena, a principal fonte de sustentação de uma economia está no desenvolvimento e aplicação do conhecimento científico e tecnológico. “O mundo vive hoje a economia do conhecimento”, completa.

De acordo com o ex-Ministro de C&T, Clélio Campolina, ciência e tecnologia são fundamentais para um projeto de desenvolvimento nacional. Para ele é necessário não apenas apoiar e incentivar a produção científica, mas também “fazer a ponte da produção científica com as políticas públicas e sistema produtivo”. Agamenon Oliveira aponta que a ciência está diretamente ligada com a própria tecnologia. Isso quer dizer que as tecnologias são, em grande parte, aplicações de conhecimento científico. “O próprio desenvolvimento da ciência fertiliza o desenvolvimento tecnológico”, explica.   

Campolina acredita que a engenharia possui um papel central na construção de um projeto de desenvolvimento. De acordo com ele, “toda a base material depende do avanço da C&T, e a engenharia é a instância que operacionaliza concretamente todo esse avanço científico e tecnológico do ponto de vista produtivo”. 

Agamenon aponta os trabalhos realizados pela Petrobrás e importantes centros de pesquisa, como, por exemplo, o Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ. “Somos hoje liderança na área de petróleo e gás e isso é um reflexo de investimento em C&T”, afirma. Os trabalhos realizados pela Petrobrás e institutos de pesquisa se tornaram referências mundiais e são, segundo o engenheiro, fundamentais para o desenvolvimento na área. O ex-ministro Campolina enfatiza que o Brasil mostrou competência científica e tecnológica em relação ao petróleo, que deveria ser uma prioridade social. 

De acordo com Helena, mesmo a geração de produtos primários exige, hoje, a participação intensa da ciência e da tecnologia. A professora cita como exemplo o crescimento da produção brasileira em alimentos, resultado do trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), juntamente com as faculdades de agronomia, zootecnia e veterinária. “Há trinta anos, importávamos alimentos; hoje, somos um dos maiores produtores e exportadores mundiais”, aponta. Ainda para a professora, o governo está cometendo o equívoco de considerar educação e ciência, tecnologia e inovação como despesas, e não como investimentos. Ao limitar bruscamente os investimentos em ciência, o governo joga o Brasil para o retrocesso econômico e social.

 

Desmonte das instituições de pesquisa

Desde que os cortes se intensificaram, a situação se alarma em universidades, laboratórios e centros de pesquisa espalhados pelo país. A crise na ciência pode ser percebida em nível nacional com redução do quadro de bolsas, liberação de recursos a conta gotas, sucateamento de laboratórios e até mesmo projetos já aprovados estão tendo seus orçamentos reduzidos. 

De acordo com Paulo Lyra, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), C&T não pode ter descontinuidade, pois isso “gera desmonte de equipe e impasses no planejamento, colocando em risco o estudo como um todo e representando enorme perdas para avanços científicos e tecnológicos do país”, aponta o professor. Rita Ferreira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), também relata problemas com os cortes governamentais para a Educação Pública Superior na instituição.

O orçamento em queda do MCTIC ameaça o trabalho de importantes laboratórios que atuam nas mais diversas áreas. O Brasil possui hoje importantes centros de pesquisa, como o Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem, a Fundação Oswaldo Cruz de Recife, que vem realizando necessárias pesquisas sobre o Zika Vírus, o Centro de Pesquisa da Petrobrás (CENPES) e o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL), dentre tantos outros.

O programa Ciências Sem Fronteiras teve seu fim anunciado em março de 2017, após cinco anos de atividades. De acordo com o portal oficial do programa, foram mais de 73 mil bolsas de graduação e 9 mil de doutorado concedidas. Neste mesmo contexto, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) vive a maior crise de sua história. Desta forma, fica realmente complicado para o pesquisador fazer ciência no país. 

Quem se beneficia com o desmonte da produção científica e tecnológica?

A existência de um sistema dinâmico e robusto de geração de ciência, tecnologia e inovação é, para Helena Naider, um traço que caracteriza os países desenvolvidos, juntamente com um sistema educacional eficiente e universal. A professora enfatiza que as atuais medidas distanciam o Brasil desses países, que investem cada vez mais em C&T. Ela afirma, ainda, que a brusca limitação de investimentos afeta a dignidade dos pesquisadores: “seremos impedidos de trabalhar com um mínimo de condições e com certeza olhados com comiseração e pena pelos cientistas de todo o mundo”.

Helena menciona o caso da China, que, diante de uma crise econômica, optou pelo incentivo à C&T, entendendo ser esta uma plataforma importante para alavancar a economia do país. De acordo com Agamenon, empresas chinesas estão bastante interessadas na compra de ativos brasileiros, especialmente nos setores de energia, transporte e agronegócio. “As empresas chinesas têm um interesse estratégico na região [norte/nordeste], buscando montar um enclave que ameaça a soberania nacional”. 

A crise que o Brasil vive gera, por fim, oportunidade para outros países. O desmonte da produção científica e tecnológica compromete a autonomia nacional. Significa entregar nossos recursos ao capital estrangeiro para que façam por nós algo que temos condições de fazer. “O comportamento do mercado internacional é extremamente capitalista e quem sai perdendo é o consumidor, já que as empresas chegam visando lucro e implementando o que lhes for conveniente”, aponta Agamenon.

Campolina afirma que a situação é conturbada e que é difícil prever os acontecimentos. Para o ex-ministro, entretanto, é justamente na crise que temos que construir a busca de saídas e alternativas. “Conseguiremos resultado se mobilizarmos a sociedade. Não adianta uma reflexão acadêmica, teórica, de forma isolada. Ela tem que ganhar a sociedade e as ruas, em termos de mobilização, para que se viabilize”, enfatiza.

Neste contexto surge a campanha Conhecimento Sem Cortes, mobilizada por cientistas, estudantes, professores, pesquisadores e técnicos. Lançado em junho deste ano, o principal objetivo do movimento é denunciar o desmonte das instituições de pesquisa por consequência das reduções do orçamento e buscar o apoio da sociedade para reverter o cenário.

A campanha é uma realização da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ), o Sindicato dos Institutos Federais do Rio de Janeiro (Sintifrj), a Associação dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais (Apubh) e a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), em parceria com várias organizações, dentre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Apesar das pistas e indícios, a ciência não é um campo certo em termos de resultado, não é possível prever o resultado de um estudo. Ciência só se faz com muita pesquisa e dedicação, e não se faz pesquisa sem financiamento. “Às vezes se estuda algo por vinte ou trinta anos e não se chega a resultado nenhum. O que é, por si, um grande resultado”, explica Agamenon. 

Para chegar às respostas, é necessário focar nas perguntas. A qualidade dos investimentos vai determinar as descobertas. As perguntas precisam ser boas e estimuladas para que encontremos respostas precisas. 

 

Uma ‘fuga de cérebros’ ameaça o Brasil e a soberania nacional

Crédito foto: Fotos Públicas

 

 

 

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