Por Ubiratan Félix*

A anunciada construção do BRT em Salvador tem levantado debates que, embora importantes, parecem se desviar do problema central: o BRT, nada mais, é do que um pretexto para realização das suas obras complementares como viadutos, passarelas e manejo de águas fluviais para facilitar a fluidez dos veículos individuais. O custo da infraestrutura do BRT propriamente dito é de apenas 15% do valor total da obra, que está estimado em R$ 820 milhões, um dos projetos mais caros entre as capitais brasileiras. Além disso, a maior parte da demanda por transporte público no trecho onde será implantado o BRT foi absorvida pelo Metrô, evidenciando que não há necessidade real do uso do modal, pelo menos não no trecho pretendido.

Portanto, os dados e problemas causados pelo BRT vão muito além da questão corte de árvores, que parece ter dominado o debate até o momento. A questão é que, manter a discussão sobre o BRT somente na oposição meio ambiente x mobilidade não ajuda a problematizar as reais intenções políticas do prefeito ACM Neto com esta obra que, na realidade, trata-se de um projeto não existe por si só. A implantação do BRT está sendo utilizada para justificar vultosos investimentos em obras viárias que irão melhorar a fluidez automóvel e, dessa forma, servir à classe média que utiliza transporte individual e não aos usuários de transporte público. Cabe também destacar que o BRT não é uma demanda dos donos das empresas de ônibus.

O modal BRT, em si, não é necessariamente ruim para a mobilidade urbana. Ele é uma solução técnica viável quando a origem-destino está em torno de 25.000 passageiros/dia e poderia ser utilizado, por exemplo, na orla de Salvador, de Itapuã ao Rio Vermelho. Adoção de modal elétrico, como o VLT também é possível, embora se deva considerar o custo da energia elétrica, que impactaria negativamente no valor final da tarifa. Neste caso, deveria haver uma cobrança diferenciada no custo de energia para uso do transporte público. Em resumo, porém, o que os especialistas em mobilidade urbana defendem é a integração dos diversos modais em ordem de prioridade decrescente: pedestre, ciclovias, transporte público e transporte individual. É sobre essa ótica que deveríamos estar discutindo a obra do BRT e todas as demais intervenções ligadas à mobilidade em Salvador.

*Ubiratan Felix é engenheiro civil, presidente do Senge-BA e vice-presidente da Fisenge

"É preciso qualificar o debate sobre o BRT de Salvador", afirma vice-presidente da Fisenge

Publicado em Notícias

Em março deste ano, foi dado início às obras do primeiro trecho do BRT (Bus Rapid Transit) em Salvador, sistema rápido de transporte público que, segundo o site da Prefeitura, é moderno, de alta capacidade, com tecnologia 100% nacional e irá atender bairros onde o metrô não chega, ligando o Centro da cidade e a região do Iguatemi. Para a implantação do novo modelo de transporte, será necessário a construção de viadutos, elevados, ciclovias e linhas exclusivas.

O BRT tem um custo estimado de R$ 800 milhões e de acordo com dados do Ministério das Cidades, fornecidos para o movimento Salvador Sobre Trilhos, o valor de cada quilômetro implantado na capital baiana é o triplo de demais cidades brasileiras. Além do alto custo, a questão ambiental também gerou divisão de opiniões entre os soteropolitanos que formularam um abaixo assinado contra a derrubada de árvores na capital e no último domingo se reuniram em um manifesto contra o projeto.

Ainda segundo o site da Prefeitura da cidade, todas as árvores já foram cadastradas, dentre elas 25% a 30% serão remanejadas para outro local no mesmo canteiro ou para outro lugar. E, com uma estrutura leve, o impacto na paisagem será pequeno e preservará as características arquitetônicas da capital. Mas, para o especialista ambiental, Célio Costa Pinto, a situação é diferente, ele explica que Salvador possui poucas áreas verdes e seus vales, onde correm os rios da cidade, foram utilizados para construção de avenidas sem preservação da mata ciliar e, que a legislação ambiental federal permite obras nessas áreas desde que sejam de utilidade pública e não possuam outra alternativa locacional. Entretanto, não são feitos estudos de impacto ambiental para a tomada de decisão. “O BRT (à revelia de sua necessidade de implantação que é questionável) traz esse agravante de retirada de árvores centenárias em APP, expondo mais ainda a bacia hidrográfica à condição de escoamento superficial de chuvas que pode não suportar, além da perda da beleza cênica e qualidade ambiental da cidade” enfatiza Célio.

Devido ao desconforto da população, a implantação do novo modelo de transporte vem sendo questionada enquanto sua eficiência e necessidade. O engenheiro civil e ex-secretário de mobilidade urbana de Salvador, Carlos Batinga, acredita que não existem políticas claras para o transporte coletivo em Salvador, porém o modal BRT é uma importante alternativa para as grandes e médias cidades brasileiras. Para ele, só é possível resolver os problemas de mobilidade urbana através de grandes investimentos em transporte de massa e restrições ao transporte individual motorizado. “Esperemos que o recém concluído Plano de Mobilidade Urbana de Salvador, seja a base para a implantação de uma política eficiente e duradoura para esta área” completa ele.

O Projeto

Além dos bairros entre o Centro de Salvador e a região do Iguatemi, os bairros vizinhos, como o Vale das Pedrinhas, Nordeste de Amaralina, parte de Brotas, Engenho Velho da Federação, Itaigara, Candeal e outros também estão inclusos nas regiões atendidas pelo novo sistema.

A primeira etapa do BRT está sendo construída com recursos da Prefeitura juntamente ao empréstimo realizado pela Caixa Econômica Federal. Terá uma extensão de 2,9 km e ligará o Loteamento Cidade Jardim (Parque da Cidade) ao Iguatemi (Estação de Integração BRT/Metrô). Já a segunda etapa, ligará a Estação da Lapa ao trecho acima e, corresponderá a um percurso de 5,5km. Para esse segundo trecho, a prefeitura contará com recursos federais.

A terceira etapa ainda está em formação e captação de recursos, ela consiste na ampliação do segundo trecho e a ligação entre o Parque da Cidade ao Posto dos Namorados, na Pituba, um percurso de 1,8 km. Para todos os trechos será necessária a construção de viadutos, elevados, ciclovias e linhas exclusivas.

Fonte: Giovana Marques (Ascom Senge-BA)

Implantação do BRT divide opiniões em Salvador

Publicado em Notícias

O sonho do então estudante Alisson Oliveira, 31 anos, era seguir a carreira científica. Chegou a cursar Física na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, mas as dificuldades enfrentadas por um pesquisador o desiludiram. Decidiu, então, fazer Engenharia Civil. Em 2009, entrou na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em 2013, se formou e já saiu empregado.

Escolheu Engenharia porque, naquele momento, ninguém ficava desempregado. Com vagas à disposição, os salários eram altíssimos.
Só que vieram as crises. A política, a econômica e a da própria Engenharia Civil. No fim de 2014, Alisson foi demitido. De lá para cá, nunca mais conseguiu trabalhar na área. Hoje, é motorista de Uber e trabalha de madrugada para conseguir receber aproximadamente um terço do salário de quatro anos atrás.

“Já larguei a área. Estou estudando para concurso e, se der certo vou sair do Brasil”, diz, categórico. Alisson, que trabalhou numa empresa terceirizada que participou da construção da Arena Fonte Nova, vai fazer provas para Petrobras e para o cargo de investigador da Polícia Civil neste domingo (22).
Alisson não está sozinho. Como ele, milhares de engenheiros civis – de recém-formados aos antigos na profissão – passam por uma situação dramática. Depois que o setor vivenciou um crescimento fora do comum entre 2008 e 2014, vieram os altos índices de desemprego e de empresas sendo fechadas.

Só em 2015, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge) homologou 600 demissões no estado. Em 2016, foram 500. Em 2017, o número caiu para 300 – não porque a situação melhorou; mas porque a construção civil já extinguiu tantos cargos e demitiu tanta gente que já não há mais por onde cortar. Uma coisa é certa: os demitidos nos anos anteriores não foram contratados novamente.

E isso é só relacionado aos que passam pelo sindicato, porque, como explica o presidente do Senge, Ubiratan Félix, muitas empresas não fazem isso. “Esse ano está mais tranquilo porque não tem mais quem seja demitido. Houve uma situação muito forte nos últimos tempos de quem ia homologar e não recebia nada porque a empresa entrou em recuperação judicial. O sindicato está acompanhando profissionais desempregados, que estão tendo uma situação difícil de ter até que retirar filho da escola”, diz ele, que também é professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

Crise nacional
Não há como dissociar a crise na engenharia civil com a crise no país. Como explica o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-BA), Luiz Edmundo Campos, a situação econômica nacional em 2008 – de crescimento e mais empregos sendo oferecidos – fez com que salários aumentassem. Assim, as pessoas começaram a melhorar de vida. Muita gente comprou carro, apartamento e a engenharia civil ia de vento em popa.
Basicamente, dava para usar uma regra e, a partir dela, compreender como estava o Brasil. O coordenador de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, diz que o campo é um ‘termômetro da economia’. “E oscila em detrimento das ações públicas de nossos governantes, fomentado pelas grandes empresas do mercado imobiliário e de serviços”.

Naquele momento, era como se o termômetro indicasse que o Brasil tinha a saúde de um jovem atleta da Seleção Brasileira de Vôlei, de Futebol ou de Natação. Nenhum sinal de febre – o que provocou o aumento do interesse pela Engenharia Civil. O que acontece é que um estudante da área passa pelo menos cinco anos na faculdade.

Ou seja – quem entrou em 2008 esperando encontrar um campo pulsante saiu somente em 2013. Aqueles que começaram em 2009 saíram em 2014 já no estopim da crise econômica do país – e isso seguiu com os que fizeram vestibular em 2010, 2011 e 2012.

Em 2008, 625 novos engenheiros civis pediram registro no Crea. Entre 2009 e 2012, o número continuou oscilando entre 500 e 600. É a partir de 2013 que as coisas começam a se inverter: só naquele ano, o mercado ganhou 739 novos engenheiros civis. Em 2017, em plena crise, 1.581 engenheiros saíam da faculdade – praticamente o triplo da quantidade que chegava ao mercado nos anos de maior crescimento da construção.

Esses profissionais foram atraídos pelo salário – o piso nacional é de oito salários mínimos e meio – e pela possibilidade de crescimento. Naquele momento, segundo o presidente do Senge, Ubiratan Félix, o mais comum era que as empresas pagassem bem mais que o piso. Dava até para escolher quem dava mais pelo serviço. Agora, até o piso é raro.

Insustentável
O crescimento foi tão grande que dava para imaginar que aquilo não seria sustentável a longo prazo, para alguns especialistas. Em poucos meses, bairros inteiros nasciam praticamente do nada – como o que aconteceu em pontos da Avenida Paralela. E isso só no que tange ao desenvolvimento imobiliário, que é o mais perceptível para a população. No entanto, a infraestrutura pesada também nunca crescera tanto.

Pelas faculdades, passaram milhares de estudantes que, na avaliação do coordenador, muitas vezes nem tinham afinidade com a área. Os números gigantescos, no fim, eram um indicativo de que algo daria errado. O pior, na verdade, ainda estaria por vir. Para o professor, a própria profissão de engenheiro civil passa por um momento muito delicado – a ética do campo foi colocada em debate.

Pouco tempo atrás, ele chegou a participar de um evento em uma escola, onde apresentou a Engenharia Civil para estudantes do 3º ano. A surpresa veio logo na primeira pergunta de um aluno. “Existe uma cultura de corrupção na profissão de engenharia civil?”, lembra Ferreira. Otimista, tentou explicar para os jovens que a corrupção não está associada a uma profissão específica, mas às pessoas.

Fechamento de empresas
Durante os anos de ouro, a maior parte do mercado local – inclusive construtoras – era subcontratada e empregada por duas ou três grandes empresas baianas. Isso podia acontecer de forma direta ou indireta. “Não tinha como não ter uma repercussão direta nessas empresas”, diz, referindo-se ao cenário atual.

Só para dar uma ideia, de acordo com a Junta Comercial da Bahia (Juceb), em 2008, existiam 1.473 empresas de engenharia civil ativas no estado. O número inclui construtoras, empresas de obras de impermeabilização; serviço de pintura; empresas que trabalham com edificações; empresas que vendem e arrendam máquinas e equipamentos; e empresas que fazem consultorias e projetos da área.

Naquele ano, 266 corporações foram abertas e 47 foram fechadas. Em 2017, a proporção entre novas empresas e aquelas que fecharam as portas passou de 17% para 42% - 354 abertas e 149 fechadas, além de 3.477 ativas. Só este ano, até o dia 11 deste mês, 91 empresas abriram e 55 fecharam – uma proporção de 60,43%.

Hoje, é como se os postos de trabalho tivessem regredido a uma situação um pouco pior do que antes de 2008. Naquele ano, toda a construção civil empregava 133 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados do Sinduscon. Em janeiro de 2018, 118 mil pessoas estavam na mesma condição.

Isso não seria tão grave, como explica o presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, se o setor não tivesse conhecido um cenário quase duplicado – em 2013, o número de empregados com carteira assinada batia em 230 mil. Era uma novidade para um campo que, por muito tempo, levava engenheiros a trabalhar no mercado financeiro e até a fazer concursos para auditores fiscais.

E, embora aqui, a crise esteja personificada pelos engenheiros, ela afeta toda a cadeia produtiva de forma geral. Começa com os corretores de imóveis, passa pelos cartórios de imóveis e depois chega aos responsáveis pelos projetos – arquitetos e projetistas. Durante a construção em si, é a vez dos engenheiros e dos operários. Por fim, há a indústria de mobiliário, a publicidade e até os veículos de comunicação – que dependem do mercado imobiliário para a propaganda.

“Nosso ciclo é muito grande. É de cinco anos pelo menos – entre a compra do terreno e o fim de uma obra. As obras só vieram sentir em 2014”, explica Passos. Coincidentemente ou não, o tempo é o mesmo da formação de novos engenheiros.


Jovens engenheiros se deparam com mercado sem contratações
Foram cinco anos até que, finalmente, viesse a formatura, em julho de 2017. No currículo, qualificações importantes: graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, uma das mais renomadas do país, e estágio na construtora Even. Mesmo assim, desde que recebeu o diploma, a engenheira civil baiana Giulia Ghirardi, 23 anos, não conseguiu um emprego.

Ainda em julho, voltou para Salvador. Queria ficar perto da família. Desde então, já fez concursos e distribuiu dezenas de currículos pela cidade. Tentou de pequenas a grandes empresas – mesmo assim, não adiantou. “Quando você não tem quem lhe indique, é muito mais difícil. E eu não tenho ninguém influente na minha família, nem que trabalhe na área atualmente”.

Giulia escolheu a carreira às cegas, porque sabia que gostava de Exatas. Chegou a flertar com a Arquitetura, mas, no fim, decidiu pela Engenharia Civil. Fez vestibular em 2011, mas não foi aprovada na Universidade Federal da Bahia (Ufba). No semestre seguinte, contudo, tentou a vaga na Mackenzie e conseguiu. Como a família do pai é de São Paulo e seu avô tinha sido formado por aquela instituição, pareceu quase um caminho natural.

As mensalidades custavam, em média, R$ 2 mil e, para economizar, morou com uma tia durante boa parte do curso. Quando começou o estágio, conseguiu alugar um apartamento por R$ 1,4 mil. Para ela, não há dúvidas de que o cenário é diferente de quando entrou na faculdade.

Mesmo os colegas que ficaram em São Paulo não têm conseguido trabalhar. Os que estão, de alguma forma, inseridos no mercado de trabalho, não estão fazendo aquilo que querem.

Hoje, Giulia é aluna do mestrado em Gestão e Tecnologia Industrial do Senai-Cimatec. Ela espera que, com isso, possa se destacar mais entre os milhares de engenheiros na mesma situação. “Foi um investimento (financeiro) grandíssimo, que não gosto nem de lembrar. Atualmente, meus pais me ajudam e tenho uma reserva de quando ainda estava trabalhando”. No fundo, ela tem uma certeza que a tranquiliza: a Engenharia Civil é fundamental para o desenvolvimento. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, as obras voltam.

Tecnologia
Isso também é o que a professora Tatiana Dumet, diretora da Escola Politécnica da Ufba, defende. Segundo ela, o Brasil ainda tem ‘falta’ de engenheiros. “A gente forma 40 mil engenheiros por ano e deveria estar formando 60 mil para atender as demandas de tecnologia. Mas não quer dizer que vai ter emprego para todo mundo”, reforça.

Uma nova cultura que a Politécnica tem tentado implementar é justamente de criar uma cultura de inovação entre os estudantes – ou seja, que se tornem seus próprios empregadores. A ideia é que, com isso, os jovens saiam desses dois horizontes – de ser funcionário público ou de trabalhar para grandes empresas.

“Existem ciclos na Engenharia, sem sombra de dúvidas. Eu formei em 1988 e já passei por dois ou três”, conta. A realidade atual parece ser a de um ciclo de baixa. Na própria Politénica, os estudantes têm postergado a formatura um ou dois semestres para tentar conseguir o estágio. “Eles estão realmente preocupados e houve uma diminuição de oferta de estágio. Antes, a gente recebia quase que diariamente pedido de indicação”.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Ubiratan Félix, durante o boom da construção civil, não era incomum que estagiários recebessem uma bolsa de R$ 1,8 mil. “Os alunos escolhiam. Não é a realidade de hoje, que tem uma super oferta de estudantes e até estágio de graça está difícil”.

Nos últimos vestibulares, a concorrência para Engenharia Civil caiu – o que reflete o interesse dos atuais estudantes de Ensino Médio na área. No auge, na Escola Politécnica, Engenharia Civil chegou a ter 15 candidatos por vaga. Hoje, fica em torno de 6 ou 7.

Mesmo assim, tem gente que não desanima. Apesar de saber de toda a situação do país e de recessão no campo, o estudante Thiago Bozzo, 19, não desistiu da Engenharia Civil. Hoje ele está no 2º semestre do curso e ocupa o cargo de gerente de venda na empresa júnior do curso, a Engetop.
Para Thiago, porém, o futuro ainda é uma incógnita. Na empresa júnior, descobriu que gosta também de gerenciar. Assim, consegue se ver também nessa função. “Tenho, sim, vontade de passar por obra e por construtoras, mas também de ter um futuro no meio empresarial, de negócios. São coisas que me identifico”.

O coordenador do curso de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, explica que as habilidades de um profissional da área costumam mesmo ser bem vistas no setor empresarial. Ele cita a facilidade de raciocínio rápido, visão espacial e grande potencial de poder de decisão.

“As Engenharias têm uma vasta atuação no mercado de trabalho no Brasil e não se limitam apenas a trabalhos específicos de projetos e construções. Então, mostramos aos futuros profissionais as possibilidades de atuação para que possam utilizar as habilidades adquiridas”.

A ansiedade e o medo nos jovens são compreensíveis. Apesar disso, o engenheiro elétrico e professor da Faculdade Área 1 Wyden Raimundo Menezes diz que ainda vale a pena investir no setor. Para o professor, esses profissionais serão requisitados pelo mercado no futuro.

Mesmo na Engenharia Civil, uma saída é investir nos nichos de constrição. “Um deles é o de apartamentos quarto e sala e outro é o mercado de alto luxo, com apartamentos de R$ 3, 4 milhões que as empresas conseguem vender. Mesmo na crise, existem esses nichos”.

Nem tudo é crise: em algumas engenharias, há vagas e oportunidades
De fato, a crise não é só na Engenharia Civil. A situação não tem sido fácil na Engenharia Elétrica, na Mecânica... Para o professor Frederico Andrade, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Unijorge, uma das áreas que mais sofreu foi a Engenharia de Petróleo e Gás. “O efeito (da crise) sobre a Petrobras e toda a cadeia do petróleo acabou afetando muito”, cita.

No entanto, ele diz que a indústria tem conseguido criar outras alternativas – como a exportação, que é uma das saídas da indústria automotiva brasileira hoje. “Por isso, na Engenharia Mecânica, você tem uma certa retomada um pouco mais rápida do que em outras áreas. A construção civil, por exemplo, depende dessa capacidade de renda do mercado interno e as obras de infraestrutura dependem da capacidade do governo de investir”.

Mas existe algum campo onde há vagas? Para a engenheira elétrica Tainá Andrade, professora e coordenadora dos cursos de Engenharia da Faculdade Ruy Barbosa, o ‘engenheiro consultor’ será uma função cada vez mais comum, já que os empregos com carteira assinada estão mais limitados.

Ela cita os profissionais que fazem estudos.

O que tem despontado na Engenharia, nos últimos anos, são as fábricas inteligentes, a internet das coisas e a indústria 4.0. Todas são opções de carreira. Segundo Tainá, em alguns estados, cursos de engenharia voltados à indústria 4.0 já estão sendo pensados. “Não vai ser só construir prédios residenciais, mas pensar em toda uma estrutura diferente”.

Além disso, entre as carreiras promissoras, ela destaca a de Engenharia de Produção – mais ‘versátil’, o profissional da área pode trabalhar em diferentes ramos. “É possível trabalhar com Engenharia Elétrica, Química, de Produção Civil, Engenharia Ambiental. Na grade, também tem aulas de automação, robótica, qualidade, eletricidade”, exemplifica.

Por Thais Borges - Rede Bahia/Correio 24 horas

FOTO: AKIRA ONUMA / ASCOM SUSIPE

Em crise, engenheiros desempregados viram até motoristas de Uber

Publicado em Notícias

O ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação e dos Esportes, Aldo Rebelo, esteve na noite de 23 de novembro no auditório da Escola Politécnica da UFBA para proferir a palestra “Conjuntura Nacional e os Impactos na engenharia e tecnologia”. A mesa de abertura foi composta pelo presidente do Senge-BA, Engº Civil Ubiratan Félix, pelo vice-presidente da Apub Sindicato e professor da Escola Politécnica, Ricardo Carvalho, George Arléo, diretor do Sindipetro-BA, a deputada estadual Maria del Carmen, a Senadora Lídice da Mata, o vice-presidente do Crea-BA, Luciano Hocevar e o reitor da UFBA, professor João Salles.

Nas saudações iniciais, o professor Ricardo Carvalho abordou os ataques à soberania nacional e à liberdade de pensamento dentro da própria universidade: “tivemos acontecimentos que não são propriamente afeitos à vida universitária. Isso tem preocupado bastante toda a comunidade. A realização desse evento é um marco na luta da defesa da universidade como um ambiente no qual você pode pensar e expressar e apontar os caminhos da renovação cultural da sociedade forma livre”, disse. Representando o Crea-BA, Luciano Hocevar parabenizou a todos/as pela realização do evento e lembrou a importância de se discutir a engenharia e a indústria nacional como fundamentais para a independência e soberania do país. Ainda em torno desse tema, o dirigente do Sindipetro George Arléo alertou para a perda da cadeia produtiva de óleo e gás que o Brasil vem enfrentando com a redução do conteúdo nacional, além das perdas de postos de trabalho. A deputada Maria del Carmen falou sobre a dificuldade de mobilizar para o debate e falou sobre seu trabalho na Frente Parlamentar em defesa da engenharia na Assembleia Legislativa da Bahia; a senadora Lídice da Mata afirmou estar acompanhando os trabalhos da Frente em âmbito nacional, colocando-se à disposição para o debate, principalmente nesse momento em que o Congresso se prepara para votar a Medida Provisória 795, que reduz a carga tributária de produtos importados para a exploração de petróleo. O reitor João Salles saudou o debate como um ato de resistência, uma vez que “a universidade tem sido alvo de um conjunto sistemático de ataques”. Por fim, o presidente do Senge-BA Ubiratan Félix falou sobre a capacidade de resistência e necessidade de continuar a luta: “só perde quem desistiu de lutar. Esse é o nosso desafio, temos que criar um consenso em torno de um projeto nacional, para uma reação ao que está colocado”.

O ex-ministro Aldo Rebelo iniciou sua fala afirmando que o Brasil passa por um momento de profunda desorientação, não apenas do ponto de vista econômico, mas em diversos aspectos como de prioridades, de projeto e aspirações: “fomos marcados por uma ruptura institucional recente, que deixa suas marcas”, disse. Para ele, o país se debate em torno de uma agenda que fragmenta, como a polarização política entre “direita” e “esquerda” e, consequentemente, as questões centrais que deveriam estar em discussão – como que projeto de país queremos – ficam à margem desse processo.

A solução, segundo ele, seria unir diversos atores e campos sociais em torno de uma agenda comum – e a retomada do crescimento e do desenvolvimento seria o tema capaz de reunir amplas forças sociais e econômicas. E a engenharia tem um papel fundamental nessa retomada: “não existe saída fora do desenvolvimento e não há desenvolvimento sem a engenharia nacional”, afirmou. Ressaltou ainda que o desenvolvimento não pode ser uma agenda puramente econômica, mas deve estar relacionado à discussão sobre a soberania nacional, à capacidade científica e tecnológica e também ao surgimento de um sentimento de orgulho e esperança na população.

Entre os desafios para o crescimento, Aldo Rebelo destacou a necessidade de melhor a capacidade de defesa do país e vigilância de nossas fronteiras, a redução das desigualdades sociais – que passa pela efetiva universalização de uma educação pública de qualidade – e a retomada da democracia. Esta, para além do voto, significa também “o debate e discussão de ideias sem essa carga de intolerância que muitas vezes se vê nas redes sociais”. São desafios que não serão resolvidos apenas pelos partidos políticos, mas exigirão um esforço de toda a sociedade. “Isso pode dar ao Brasil a retomada de um protagonismo que nós estamos perdendo”.

O evento é uma realização da Apub, Senge-BA e Fisenge, com apoio do Senge Estudante Bahia, Sindipetro-BA e Crea-BA.

Fonte: Senge-BA

Em palestra, ex-ministro Aldo Rebelo afirma que retomada do desenvolvimento é a agenda capaz de unir o país

Publicado em Notícias

O segundo dia de comemorações pelos 80 anos de fundação do Senge-BA iniciou com a solenidade de posse da nova diretoria, eleita em junho de 2017. A mesa foi composta pelo presidente Ubiratan Félix, o presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, Giucélia Figueiredo (Fisenge/Crea-PB) e Neuziton Torres Rapadura (Crea-BA).

Durante a cerimônia, Ubiratan Félix destacou o momento difícil da conjuntura para trabalhadoras e trabalhadores e para o movimento sindical como um todo. Refletiu sobre as diferentes fases do mercado da engenharia no Brasil e defendeu que a organização da base é um caminho para enfrentar os desafios atuais A adversidade atual também foi abordada por Giucélia, que descreveu o momento como “de grande alegria, mas também de muita responsabilidade”. Destacou o trabalho que tem sido feito pelas últimas gestões, que transformou o Senge em uma “referência nacional, não só na defesa dos profissionais da Bahia, mas de um projeto de país”. Clovis Nascimento também falou sobre as dificuldades, mas se disse “esperançoso ao ver a energia de Bira e de sua diretoria para lutar. Não vamos medir esforços para lutar a cada dia em prol de um Brasil justo, igualitário e soberano. Parabéns à nova diretoria e vamos à luta!”, encerrou.

Após a cerimônia de posse, houve confraternização com o tradicional Caruru do Senge e som da banda Irmãos Andrade. Veja aqui as fotos

Fonte: Carolina Guimarães (Senge_BA)

Nova diretoria do Senge-BA toma posse e comemora os 80 anos do sindicato

 

Lançada em Salvador a cartilha “50 anos do Salário Mínimo Profissional”

Foi lançada na noite de 29 de setembro, na sede do Senge-BA, a cartilha “50 anos do Salário Mínimo Profissional: lutas e desafios para sua implementação”, produzida pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – Fisenge em parceria com Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). O lançamento abriu as comemorações do aniversários de 80 anos do Senge e contou com a presença da diretoria da Fisenge, cuja primeira reunião aconteceu mais cedo no mesmo dia, e do presidente do Crea-BA, Marco Amigo.

Em sua fala, Amigo ressaltou a necessidade de luta permanente em defesa dos direitos da categoria e de todos/as os/as trabalhadores: “a cartilha representa uma história de luta, que precisamos continuar e ampliar juntos – pois com desunião a luta é impossível. A todos boa sorte nessa batalha”, disse. O presidente da Fisenge, Clovis Nascimento relembrou brevemente a história do Salário Mínimo Profissional, destacando como veto presidencial à Lei 4950-A foi derrubado no Congresso: “É uma Lei que nos é muito cara, é uma conquista”. Alertou ainda que o Salário Mínimo está sob a ameaça da Reforma Trabalhista – que permite ao acordado se sobrepor ao legislado – e que a Fisenge está se mobilizando pela sua revogação, ao aderir à campanha idealizada pela Central Única dos Trabalhadores, que vem recolhendo assinaturas para a apresentação de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que possa reverter a Reforma. “a classe trabalhadora não vai aceitar a retirada de direitos arduamente conquistados na luta”, afirmou. Ele também parabenizou o Senge pelo aniversário: “são 80 anos de história de luta pela classe dos engenheiros e pelos trabalhadores”. O presidente do Senge-BA, Ubiratan Félix lembrou que o Senge foi e é um projeto coletivo e agradeceu a todos/as que ajudaram a construir o sindicato. Veja mais fotos aqui

Publicado em Notícias

O Senge-BA completa 80 anos de luta. Para marcar essa data importante, foram organizados dois dias de programação, que começa hoje, 29/10, às 17h30, na própria sede do sindicato, com o Lançamento da Cartilha sobre os 50 anos Salário Mínimo Profissional. Logo em seguida, será lançado também o site "Fora Collor 25 anos", organizado pelo professor Penildon Filho (UFBA), que reúne um acervo de votos, vídeos, artigos e depoimentos sobre esse importante momento da história do Brasil. Haverá ainda palestra sobre o Salário Mínimo Profissional e a Valorização da Engenharia. No dia 30 de setembro, às 11h, também na sede do Senge-BA, acontece a posse da nova diretoria, eleita no último mês de junho. Às 11h30, haverá a Solenidade comemorativa dos 80 anos do sindicato, seguida do tradicional caruru de confraternização.

Confira a programação abaixo:

Senge-BA completa 80 anos com dois dias de programação

Publicado em Notícias

A Frente Parlamentar em Defesa das Engenharias, Arquitetura, Agronomia, Geografia, Urbanismo e áreas afins será lançada, na próxima segunda feira (12) às 9h30, em sessão especial no plenário da Assembleia Legislativa. O evento é aberto ao público. O novo grupo será formada por 5 deputados, e terá como presidente a deputada Maria Del Carmen (PT). De acordo com o deputado estadual Marcelino Galo (PT), 1º vice-presidente da Frente, o colegiado terá como finalidade promover o aprimoramento da legislação estadual relacionada às áreas abrangentes às engenharias, promover debates com a sociedade e profissionais interessados em contribuir com proposições na Casa Legislativa que foquem na melhoria da qualidade de vida dos baianos e no desenvolvimento social e econômico do estado. “A Frente tem uma caraterística muito importante que é permitir a participação da sociedade civil, dos profissionais das engenharias nos debates que resultarão em proposições legislativas cujo objetivo seja o fortalecimento do desenvolvimento inclusivo e sustentável na Bahia”, afirmou Galo, que é engenheiro agrônomo. Na solenidade, acrescenta a deputada Maria Del Carmen, será lançada a cartilha “50 anos do Salário Mínimo Profissional”, produzida pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE) e o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (SENGE). Também formam a Frente Parlamentar em Defesa das Engenharias os deputados Joseildo Ramos, Nelson Leal e Ângelo Coronel.

Foto composição / Sergio Monteiro
Assessoria de Imprensa Mandato Marcelino Galo

Deputados criam Frente Parlamentar em Defesa das Engenharias na Bahia

Publicado em Notícias

Começou, hoje (30/11), a 6ª Conferência Estadual das Cidades, em Salvador (BA). A abertura contou com a palestra magna “Função social da cidade e da propriedade”, ministrada pelo ex-governador da Bahia, Jacques Wagner. Participam da conferência o governador Rui Costa, deputados, senadores, prefeitos, vereadores, lideranças do movimento popular, empresários e lideranças da engenharia. Durante a abertura, foi realizado o lançamento da cartilha “50 anos do Salário Mínimo Profissional”, publicada pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). “Pensar as cidades também significa a reflexão sobre os modelos de gestão, com o objetivo de aprofundar formas de participação direta da sociedade. A Fisenge e os sindicatos de engenheiros têm uma contribuição fundamental para a formulação de políticas públicas democráticas e inclusivas”, afirmou o presidente o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA), Ubiratan Félix que ainda ressaltou: “o engenheiro tem uma função social indispensável para a construção das cidades. Nós, engenheiros e engenheiras, pensamos e colocamos em prática projetos de acessibilidade, mobilidade urbana, meio ambiente, entre outros, a partir de diretrizes comprometidas com a cidadania e a inclusão social”.

A conferência, realizada a cada três anos, conta com a participação de cerca de 1.000 delegados e 500 observadores, oriundos de diversos segmentos da sociedade e das regiões administrativas do Estado da Bahia. Concomitante à conferência, acontece a feira de economia solidária. Em diversos estados do país são realizados os encontros com a finalidade de construir, coletivamente, a 6ª Conferência Nacional das Cidades, que acontecerá em Brasília, entre os dias 5 e 9 de junho de 2017.

Cartilha sobre Salário Mínimo Profissional é lançada durante o Conselho Estadual das Cidades 

 

Publicado em Notícias
Página 2 de 2