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Inscrições abertas para participar do time de autoras do blog "Cientistas Feministas"

 

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Até 30 de abril, estão abertas as inscrições para a 14ª edição do prêmio Para Mulheres na Ciência. Iniciativa premiará jovens pesquisadoras brasileiras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática. As cientistas serão contempladas com uma bolsa-auxílio de 50 mil reais cada para dar prosseguimento aos seus estudos.

Da esquerda para direita, Nathalia Bezerra, Sabrina Lisboa, Jaqueline Soares, Luna Lomonaco, Ethel Wilhelm, Angelica Vieira e Fernanda Cruz, vencedoras da edição 2018 do prêmio "Para Mulheres na Ciência". Foto: Prêmio Para Mulheres na Ciência

Da esquerda para direita, Nathalia Bezerra, Sabrina Lisboa, Jaqueline Soares, Luna Lomonaco, Ethel Wilhelm, Angelica Vieira e Fernanda Cruz, vencedoras da edição 2018 do prêmio “Para Mulheres na Ciência”. Foto: Prêmio Para Mulheres na Ciência.

Até 30 de abril, estão abertas as inscrições para a 14ª edição do prêmio Para Mulheres na Ciência. Iniciativa premiará jovens pesquisadoras brasileiras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática. As cientistas serão contempladas com uma bolsa-auxílio de 50 mil reais cada para dar prosseguimento aos seus estudos.

Realizado desde 2006 pela L´Oréal, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o prêmio busca promover a participação das mulheres na produção do conhecimento, impulsionando a igualdade de gênero no cenário brasileiro. Ao longo de 14 anos, a iniciativa já reconheceu e incentivou cerca de 90 cientistas brasileiras, com a distribuição de aproximadamente 4 milhões de reais em bolsas-auxílio.

Para participar, é necessário que a candidata tenha concluído o doutorado a partir de 2012, tenha residência estável no Brasil, desenvolva projetos de pesquisa em instituições nacionais, entre outros requisitos. O regulamento completo está disponível no site www.paramulheresnaciencia.com.br.

 

 

Fonte: ONU-BR

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"Semana de Meninas e Mulheres na Ciência" começa hoje na UERJ

A Primeira Semana De Meninas E Mulheres Na Ciência é um evento idealizado e organizado por mulheres que estudam e atuam em diversas áreas das ciências. A criação deste evento surge com o intuito de incentivar meninas que ainda estão em idade escolar a conhecer as ciências e motivá-las para que acreditem que mulheres podem ocupar todos os espaços na sociedade. Além disso, a semana será um meio de promover palestras e debates sobre o tema, dando visibilidade para mulheres cientistas e estimulando a reflexão sobra a desigualdade de gênero neste setor.

O evento ocorrerá do dia 5 a 9 de novembro de 2018, contando com oficinas para mostrar diferentes ramos das ciências para meninas a partir de 12 anos. Para todos os públicos, serão promovidas palestras com mulheres líderes em suas áreas de atuação, onde poderão contar suas trajetórias, incluindo os preconceitos e desafios que enfrentaram em suas carreiras. No encerramento, será realizada uma feira de ciências, onde as pequenas cientistas poderão mostrar suas ideias e haverá a premiação das mais inovadoras. No último dia de evento também será realizada uma mesa redonda, a qual mulheres cientistas poderão discutir diversos assuntos, compartilhando suas visões com o público. Estarão em foco todas as áreas de ciências e tecnologias que ainda encontram-se dominadas por homens, como as Engenharias, Geologia, Física e Química.

Os maiores objetivos da Primeira Semana De Meninas E Mulheres Na Ciência são destruir quaisquer estereótipos de gênero já construído sobre mulheres nas ciências na cabeça das meninas, dar visibilidade a mulheres cientistas e fomentar o debate sobre a desigualdade de gênero nas ciências.

Confira programação no site do evento: https://bit.ly/2qtM8BR

 

Fonte: #MMCiência

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Maria Cristina Ferreira de Oliveira assumiu a direção do ICMC, em São Carlos, dia 17 de agosto.

Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anos

Cristina (segunda à esquerda) logo após a cerimônia de posse como diretora do ICMC: as quatro irmãs são professoras em universidades públicas brasileiras – Foto: Denise Casatti/ICMC

Este texto não existiria se a história de Maria Cristina Ferreira de Oliveira não fosse uma exceção. O ineditismo é um dos aspectos que mais chamam atenção na trajetória dessa professora da USP que se tornou a primeira mulher a assumir a direção do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), umas das cinco unidades de ensino e pesquisa do campus da Universidade, em São Carlos.

Aliás, é provável que Cristina só tenha aceitado o desafio de relatar o percurso de sua vida porque compreendeu o quanto compartilhá-lo pode ensejar reflexões e até inspirar outras jornadas. Para quem tem uma personalidade reservada como ela, o autoelogio é uma impossibilidade. Talvez seja por isso que a professora se sinta incomodada em expor sua vida, embora esteja tão acostumada a estar diante de plateias em salas de aula e encontros científicos.

Mesmo com a timidez característica de Cristina nunca saindo de cena, depois de alguns momentos de bate-papo, o diálogo flui espontaneamente e de forma descontraída. Aos poucos, ela se revela com franqueza para o interlocutor, especialmente quando vai detalhando as escolhas que fez ao longo do caminho e a tornaram quem ela é hoje. “Eu tenho muito orgulho de ter feito escola pública e estar aqui. Eu gostaria de ver mais gente com essa história entrando na USP”, diz a professora no início da noite de 18 de junho.

Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anosCristina discursa na cerimônia de posse: na mesa de honra, ela era a única mulher entre 11 homens – Foto: Denise Casatti/ICMC.

Acomodada em uma das mesas no espaço coberto adjacente à lanchonete do instituto, usando jeans e blusa de malha, ela relata de forma objetiva os princípios e valores que a motivam: “O que muda a vida de uma pessoa é conseguir estudar, fazer um curso de graduação e se sair bem. Assim, ela tem uma opção de vida. É uma oportunidade única. Sou muito agradecida porque eu e minhas quatro irmãs tivemos a oportunidade de estudar. Hoje, a vida que temos é incomparável à vida que meus pais tiveram”. Na fala de Cristina, está a essência do que significa o conhecimento para ela: transformação.

Cristina e suas quatro irmãs são doutoras e docentes em universidades públicas brasileiras. Nascidas em São Carlos, as cinco irmãs estudaram em escolas públicas durante todo o ensino básico e superior. Taxista, o pai transportava pessoas e mercadorias para cidades vizinhas em sua perua. Para reforçar a renda da família, a mãe, dona de casa, também costurava. Habilidosa, fez o próprio vestido de casamento e tentou – sem muito sucesso – ensinar o ofício às filhas e iniciá-las na arte do crochê, do bordado e da pintura em tecido. Mas o desejo profundo daquela mãe era expresso em uma frase que dona Diomar repetia à exaustão para as garotas: “Mulher tem que estudar e ter carreira para não depender do marido”. Ela não queria ver as meninas presas a casamentos infelizes por falta de opção, algo bastante comum nos anos 60 e 70 do século passado.

Descendente de lavradores italianos, dona Diomar só teve oportunidade de cursar até a 4ª série do fundamental. Por isso, mesmo com o orçamento apertado, resistiu à ideia que predominava naquele tempo e não quis que as filhas começassem a trabalhar em uma fábrica assim que concluíssem o ensino médio. Ela e o marido sabiam que, em São Carlos, as meninas tinham a oportunidade de estudar em uma das duas universidades públicas (USP e UFSCar) e, dessa forma, poderiam arcar com o sustento da família até todas se formarem.


As gêmeas

Cristina e sua irmã gêmea, Maria do Carmo, são as mais velhas do quinteto e as boas notas conquistadas na infância e na adolescência deixaram um legado para a posteridade e um fardo para as caçulas da família. Se as mais novas tiravam nota baixa, os professores logo as lembravam de que era preciso seguir o exemplo das “gêmeas”. Até o sétimo ano do fundamental, as duas permaneceram na Escola Estadual Bispo Dom Gastão, na Vila Prado. Depois, seguiram para a Escola Estadual Professor Arlindo Bittencourt. Foi lá que a professora de matemática Regina Tancredi sugeriu que Cristina poderia cursar matemática, mas que computação também era uma interessante opção para quem gostava de ciências exatas.Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anosDiomar com as gêmeas Maria Cristina e Maria do Carmo – Foto: Arquivo pessoal.

Ao concluírem o ensino fundamental, as gêmeas prestaram uma espécie de “vestibulinho” e foram aprovadas – Maria do Carmo em primeiro lugar e Cristina em terceiro – para cursar o ensino médio na Escola Estadual Doutor Álvaro Guião. Inseparáveis até então, a trajetória das duas só deixou de caminhar em paralelo no cursinho, quando Maria do Carmo foi aprovada em Engenharia Química na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no meio de 1981 e Cristina amargou a frustração de não passar em Engenharia de Materiais. Ela permaneceu no cursinho por mais seis meses sem sua gêmea. Sorte do ICMC que, no início de 1982, conquistaria uma nova aluna: Cristina começou a fazer Ciências de Computação.

“O bom de ter uma irmã gêmea é que você tem, desde pequenininha, uma pessoa que sempre vai dividir, mais ou menos, as mesmas coisas com você. Quando começa a ir à escola, você não começa sozinha. Quando vai prestar vestibular, tem alguém na mesma direção”, diz Maria do Carmo, a irmã gêmea de Cristina, logo depois da cerimônia de posse da nova diretora, na noite de 17 de agosto.

Orgulhosa da irmã, Maria do Carmo revela que a cerimônia tem um significado especial: “É uma data marcante para a gente. Amanhã, se meu pai estivesse vivo, faria 86 anos e, com certeza, estaria muito orgulhoso”. Professora do Departamento de Engenharia Química da UFSCar, Maria do Carmo conta que a ligação forte com a irmã permanece: “Somos muito companheiras e sempre nos demos muito bem. Só nós duas moramos em São Carlos e dividimos os cuidados com a minha mãe, que está com 83 anos.”

Aliás, as outras três irmãs também seguiram carreira na área de química, tal como Maria do Carmo, mas optaram pela graduação na USP, tal como Cristina. Marysilvia, que nasceu cerca de dois anos depois das gêmeas, é hoje professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro; cinco anos adiante, chegou Marystela, que atualmente é professora da Universidade Federal de São Carlos em Sorocaba; a caçula, Mariselma, veio uma década depois das gêmeas e, hoje, é professora da Universidade Federal do ABC.

Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anosCristina (de vermelho, ao centro) com sua turma durante a formatura em Ciências de Computação no ICMC – Foto: Divulgação / ICMC.

Mulheres na USP

Ao ingressar em uma das primeiras turmas de Computação do ICMC, curso oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação em 1981, Cristina encontrou uma sala de aula bastante equilibrada: cerca de 50% dos estudantes eram homens e 50% mulheres. Essa informação pode causar surpresa, já que a área de tecnologia atualmente é ocupada, majoritariamente, por homens. Entre as décadas de 1970 e 1980, houve uma grande inversão nos gêneros da área de tecnologia no mundo todo, mesma época em que surgiu o computador pessoal.

Nos últimos cinco anos, por exemplo, apenas 9% dos alunos formados no curso de Ciências de Computação do ICMC eram mulheres; no Bacharelado em Sistemas de Informação, o índice chegou a 10% e em Engenharia de Computação, 6%. A diferença começa antes do ingresso na Universidade, já que as carreiras da área de computação são pouco procuradas pelas garotas, uma situação que vem gerando preocupação dentro da academia e estimulado o surgimento de diversas iniciativas destinadas a atrair mais mulheres para as ciências exatas.

Leia mais: Por que as mulheres “desapareceram” dos cursos de computação?

Cristina sabe quanto sua ascensão à diretoria do ICMC é simbólica nesse momento em que a busca pela igualdade de gênero ganha mais relevância a cada dia. Entre as 42 unidades de ensino e pesquisa que compõem a USP, 15 delas (35,71%) têm mulheres na direção atualmente. Mas somente duas dessas 15 unidades são da área de ciências exatas: o ICMC e a Escola Politécnica. “A Universidade como um todo, em média, está bem equilibrada na questão de gênero. Mas algumas áreas ainda têm problemas muito sérios, especialmente devido a aspectos culturais. Aqui em São Carlos, em que há o predomínio das ciências exatas e tecnológicas, temos um problema localizado. Mas, felizmente, pouco a pouco isso está sendo modificado. A posse de uma primeira diretora no ICMC já é um bom sinal. É um marco importante e isso vai ajudar, certamente, esse campus de São Carlos a ter uma alteração, uma renovação”, afirmou o reitor da USP, professor Vahan Agopyan, na noite da posse de Cristina.

Tornar-se a primeira mulher a ocupar esse cargo de direção não foi algo que Cristina planejou, simplesmente aconteceu de forma natural, especialmente a partir do momento em que foi convidada para ser vice-diretora do instituto pelo professor Alexandre Nolasco de Carvalho na gestão anterior (2015-2018). O ICMC mantém uma tradição de continuidade e, ao longo dos anos, a tendência é de que quem ocupa a vice-diretoria assuma a direção na gestão seguinte.

Apesar de destacar que nunca teve dificuldades na carreira por ser mulher, uma situação embaraçosa aconteceu quando Cristina foi indicada para fazer seu primeiro estágio, antes mesmo de se formar. O professor Fernão Stella de Rodrigues Germano, docente do ICMC que já faleceu e dá nome ao maior auditório do instituto, recebeu certo dia o telefonema de uma grande empresa que atuava em São Carlos e estava em busca da indicação de um estagiário. Fernão logo falou sobre Cristina. Do outro da linha, o representante da empresa frisou que queria a indicação de um homem. Fernão não hesitou e respondeu: “Ela é o melhor homem que eu tenho aqui.” Resultado: Cristina conseguiu o estágio e trabalhou na empresa durante os últimos seis meses do curso, em 1985.

Mas ela já havia sido capturada pela magia da ciência antes, quando conquistou uma bolsa da Fapesp para desenvolver seu projeto de iniciação científica. Lembra-se que essa foi a primeira vez que obteve alguma renda. A iniciação científica despertou em Cristina o desejo de prosseguir na carreira acadêmica e fazer mestrado. O que não imaginava é que, apenas dois meses depois de se formar, ela se tornaria professora no ICMC. “Naquele tempo, a pós-graduação em computação estava começando, havia pouca gente no instituto e não era preciso fazer concurso para ingressar como docente. Bastava ser aprovado no processo seletivo e se comprometer em ingressar no mestrado”, explica. Foi assim que Cristina e uma colega de sua turma, Rosane Minghim, que também é professora no ICMC até hoje, tornaram-se docentes da USP em fevereiro de 1986.

Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anosO primeiro computador pessoal a gente nunca esquece: em São Carlos, Cristina disputava um dos poucos terminais existentes com outros professores e alunos; foi na Universidade de Wales que teve seu primeiro PC – Foto: Arquivo pessoal.

Amor e doutorado

“Ninguém teve que pedir mais a mão de uma mulher em casamento do que eu”, brinca Osvaldo Novais de Oliveira Jr., que é casado com Cristina há 31 anos. Professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, Osvaldo é mais conhecido como “Chu”, apelido carinhoso que ganhou na adolescência, tempo em que a expressão “Chuchu beleza” era moda. Chu explica que, além de receber o “sim” de Cristina, precisou do aval de muito mais gente: primeiro do senhor Walter, pai da moça; depois foi a vez do então Departamento de Ciências de Computação e Estatística do ICMC, que precisou liberar a professora recém-contratada para estudar no exterior; a seguir, foi necessário o aceite da Universidade de Wales, no Reino Unido, onde Cristina fez o doutorado; por último, até a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) entrou na dança do “sim”, já que a ida do casal ao Reino Unido só aconteceu porque houve apoio financeiro da instituição, que concedeu uma bolsa de doutorado a Cristina.

Com a permissão de todas as instâncias cabíveis, Chu e Cristina se casaram no dia 14 de março de 1987. Nem tiveram tempo de curtir a lua de mel. No dia seguinte, embarcaram no voo rumo a Bangor, no Reino Unido, onde Chu já estava fazendo o doutorado desde setembro de 1986 na Universidade de Wales. “Eu nunca tinha viajado para fora do país e meu medo era que estudar lá não desse certo”, conta a professora que, para aproveitar a oportunidade no exterior, precisou abandonar o mestrado que havia começado no IFSC. Deu tão certo que ela fez o doutorado direto antes do tempo previsto, que costuma ser de quatro anos.Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anos

Recém-casados, Chu e Cristina partiram para o Reino Unido em busca do doutorado – Foto: Arquivo pessoal.

 

Em julho de 1990, Cristina e o marido voltaram ao Brasil. Um ano e dois meses depois, nasceu Ligia. Dois anos e quatro meses depois, chegou Tiago. “Eu tenho muito orgulho da minha mãe e dos meus avós. Eu sei que eles insistiram muito para que as filhas estudassem. Ela é um exemplo de retidão, muito responsável e muito correta com tudo”, disse Ligia, emocionada, no fim da cerimônia de posse da mãe como diretora do ICMC. Formada em Direito pela USP, ela mora em São Paulo e diz que se identifica muito com Cristina.

Como não poderia deixar de ser, o ICMC tem papel relevante nessa história de amor e doutorado. Foi em uma festa promovida por Edson Moreira, hoje professor aposentado do ICMC, que eles se conheceram. Ele já tinha visto a moça algumas vezes, porque ela descia em um ponto de ônibus próximo da república em que Chu morava: “Mas eu nunca teria coragem de me aproximar dela, porque no começo dos anos 80 os estudantes eram muito malvistos pelos são-carlenses. Não havia qualquer esperança”. Nas festas do Centro Acadêmico Armando Sales de Oliveira (CAASO), a desigualdade de gênero não favorecia qualquer aproximação, em média havia uns 500 homens e umas cinco mulheres.

Amigo de Edson, Chu estava saindo da festa quando Cristina chegou com algumas amigas. Uma delas, Mônica, era filha do professor Fernão e amiga de Edson. Então, naquele universo tão escasso de mulheres, Edson insistiu para que o amigo não fosse embora. Deu certo: Chu tomou coragem e chamou Cristina para dançar. Na noite seguinte, domingo, ele a convidou para ir à pizzaria. Ela aceitou. Pronto: o casal nunca mais se separou. Era agosto de 1985 e Chu já estava preparando as malas para embarcar no doutorado. O que ele nem Cristina imaginavam é que o amor construído até setembro de 1986 se fortaleceria ainda mais durante os seis meses que permaneceram a um oceano de distância.Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anos

Tiago, Cristina e Ligia logo após a posse da mãe como diretora do ICMC – Foto: Denise Casatti/ICMC.

 

As trajetórias científicas dos dois às vezes também se cruzam e fazem brotar projetos e artigos. No pós-doutorado, optaram por um local em que ambos pudessem desenvolver seus projetos e foram, carregando os dois filhos, para a Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, em 2000, onde ficaram por um ano. Chu conta que a esposa é uma líder nata e diz que sua gestão no ICMC “será muito benfeita, porque tudo o que ela faz é muito benfeito”.

Para Cristina, o instituto precisa formar cientistas, bacharéis, engenheiros e licenciados com habilidades para desempenhar suas missões não apenas com competência, mas com sabedoria e ética. “À busca por formar recursos humanos de alto nível, gerar e transferir conhecimento para a sociedade, precisamos agregar nossa luta por uma educação de qualidade também nos níveis de ensino fundamental e médio para todo o País. Eu acredito que o acesso à educação de qualidade é a forma mais ampla e mais justa de oferecer igualdade de oportunidades de acesso ao ensino superior àqueles que assim desejarem. Eu e minhas irmãs, aqui presentes, somos um exemplo”, declarou a diretora no seu discurso de posse.

Instituto da USP tem mulher à frente pela primeira vez em 46 anos

Para Cristina, o acesso à educação de qualidade é a forma mais ampla e mais justa de oferecer igualdade de oportunidades de acesso ao ensino superior – Foto: Denise Casatti/ICMC.

 

“Desde o ensino fundamental até a universidade, tive o privilégio de contar com a sabedoria, o apoio e o entusiasmo de muitos professores genuínos, pessoas bem formadas, competentes, exigentes, dedicadas, comprometidas com sua missão e com disposição para apresentar aos alunos um mundo de possibilidades”, completou Cristina, agradecendo a todos os professores que a estimularam a seguir sua carreira.

Que a história dessa primeira mulher a assumir a diretoria do ICMC seja também um estímulo para as garotas enxergarem o mundo das ciências exatas como uma possibilidade. Só assim a história de Cristina deixará de ser uma exceção.

Fonte: Jornal USP / Escrito por Denise Casatti / Assessoria de Comunicação do ICMC

 

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Foi aprovada a lei que garante a licença-maternidade para pós-graduandas. Agora, as mulheres podem prorrogar os prazos de vigência das bolsas de estudo concedidas por agências de fomento em função de maternidade.

A lei abrange bolsas de estudo com duração mínima de 12 meses, beneficiando as bolsistas de mestrado, doutorado, graduação sanduíche, pós-doutorado ou estágio sênior. Ficará garantida a prorrogação da bolsa por um período de até 120 dias a estudantes que derem à luz, adotarem ou obtiverem a guarda judicial de crianças durante o período de vigência da bolsa original. Agora, é garantido que a bolsista ficará dispensada das atividades acadêmicas durante o afastamento temporário em virtude de parto, adoção ou obtenção de guarda judicial. É proibido a suspensão do pagamento da bolsa nesse período.

As novas regras transformam em lei uma prática que vem sendo adotada por algumas das principais agências de fomento a estudos e pesquisas no Brasil. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já possuem normas internas que concedem essa prorrogação a bolsistas que recebem o auxílio por 24 meses ou mais (mestrado e doutorado).

História de luta

A ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) apresentou as reenvicações e a deputada Alice Portugal ainda em 2015 e ela abraçou a causa. “É uma reivindicação das pós-graduandas do Brasil inteiro, que têm suas bolsas reduzidas do tempo da licença-maternidade, sem o direito de usufruir dos primeiros momentos com seus filhos. O tempo de apresentação dos seus trabalhos finais também é reduzido. Por isso, a aprovação da lei é uma grande vitória, pois estende direitos para um universo maior de mulheres”, disse Alice.

Para Tamara Naiz, presidenta da ANPG essa é uma conquista que precisa ser comemorada. “As mulheres têm sido fundamentais para os avanços e para o bom desempenho da Ciência brasileira, nós sabemos que 90% das pesquisas realizadas no Brasil são feitas no âmbito da pós-graduação e metade destes pós-graduandos são mulheres. Essas mulheres superam e lutam contra todos os empecilhos de uma sociedade machista, inclusive no acadêmico, e por vezes elas têm que optar entre ser mãe e pesquisadora. A ANPG acredita que essa escolha é absurda e um tremendo atraso e é por isso que lutamos para garantir que existam mecanismos de proteção para que a mulher exerça plenamente todos os seus direitos em um ambiente seguro”, comemora Tamara Naíz, presidenta da ANPG.

Fonte: Associação Nacional de Pós-Graduandos

Foto: Pixabay (imagens públicas)

Aprovada lei que garante licença-maternidade na pós-graduação

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Estudo divulgado, no dia 22/6, pela Editora Elsevier, considerada referência em produção científica no mundo, revela que Brasil e Portugal têm os maiores percentuais de participação feminina na produção científica dos países: 49%, considerando o quinquênio 2011-2015. No caso brasileiro, houve um crescimento significativo na comparação com 1996-2000, quando 38% da pesquisa do país eram feitos por mulheres.

O estudo Gender in the Global Research Landscape (Gênero no Cenário Global de Pesquisa, em tradução livre) mede o desempenho da pesquisa e representação de gênero em 12 países ou regiões geográficas (somente a Comunidade Europeia tem 28 países) e 27 disciplinas.

“O Brasil evoluiu bem em termos de presença feminina na pesquisa científica. No primeiro quinquênio pesquisado, já havia uma participação importante e nesse último quinquênio, a participação feminina pulou para 49%, colocando o Brasil em primeiro lugar junto com Portugal”, disse o vice-presidente de Relações Acadêmicas para a América Latina da Elsevier, Dante Cid.

Segundo ele, a participação das mulheres na pesquisa científica tem crescido em todas as regiões analisadas. No Brasil, está “praticamente com empate técnico” em relação aos homens, que aparecem com 51%. Nesse último quinquênio, o país que ficou mais abaixo em termos de participação feminina foi o Japão (20% contra 80% de presença masculina), embora o número de pesquisadoras tenha evoluído em comparação ao quinquênio analisado anteriormente (15%). “Mas ainda é bastante baixo por questões culturais, profissionais locais. Já o Brasil está conseguindo equilibrar bastante essa questão.”

Entre 1996 e 2000, nos 12 países ou regiões estudados, apenas em Portugal o percentual de participam mulheres na produção científica superava 40% do total. Já no período 2011-2015, nove países ou regiões mostraram participação de pesquisadoras igual ou superior a 40% (Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, União Europeia, França, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos). De acordo com o estudo, apenas Chile, México e Japão têm participação de mulheres na produção científica abaixo desse percentual.

Disciplinas

A análise feita por disciplinas revela que a presença feminina na pesquisa científica é muito maior que a masculina no Brasil em áreas ligadas à saúde, como medicina, bioquímica, genética, odontologia e enfermagem. Já os homens são maioria nas ciências exatas, entre as quais engenharia, física, computação, energia e ciências econômicas.

Segundo Dante Cid, entre as pesquisadoras da base de dados da Elsevier, 24% se dedicam à medicina; entre os homens, esse percentual é de 17%, ou 80,6 mil mulheres e 65 mil homens, em números absolutos.

Por causa desse perfil, o representante da Elsevier calcula que no próximo quinquênio a ser analisado, a participação de mulheres na produção científica brasileira deve ultrapassar de homens, em especial na área de saúde. “É muito possível que o percentual de mulheres no futuro próximo venha superar o dos homens."

De acordo com a diretora da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a doutora em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Márcia Barbosa, a menor presença feminina na área das ciências exatas é um fenômeno mundial. “Eu descobri que era um ET[extraterrestre] no primeiro dia na faculdade de física”, lembrou. Dos 40 alunos no curso, segundo ela, quatro eram mulheres, mas apenas ela se formou.

Para a pesquisadora, as origens da baixa participação das mulheres nas áreas exatas está relacionada à maneira como se educam e ensinam as crianças, que associam desde pequenas máquinas e equipamentos a atividades masculinas, ao passo que as mulheres são ensinadas a ser mais sociais e a não serem vistas como “nerds”, pessoas muito dedicadas aos estudos.

Patentes

O estudo constatou também que a presença feminina em relação a patentes é muito baixa no mundo inteiro. “Não chega a 20%”, destacou Cid. O país que tem presença maior feminina neste setor é Portugal, com 26%. O Brasil aparece em segundo lugar, com 19%, contra 11% no quinquênio anterior, superando países como França (17%), Estados Unidos (14%), Reino Unido (12%), Austrália (12%).

Igualdade

Na avaliação da diretora da ABC , o crescimento da participação feminina nas publicações científicas é um bom sinal para as pesquisadoras brasileiras.

“Significa que as coisas, lentamente, estão melhorando, mas, ao mesmo tempo, ainda não refletiu no poder. A gente está em igualdade de posições entre as pesquisadoras, mas o grande desafio é tentar manter essas pesquisadoras no mercado de trabalho, na medida em que avançam na carreira”, ponderou.

Segundo Márcia, é preciso estimular a presença e permanência de mulheres na produção científica. “Ter mais diversidade, pessoas com culturas diferentes, traz ideias novas para o ambiente de trabalho”, destacou. “O que a gente precisa fazer agora é manter essas mulheres no ambiente de pesquisa, viabilizando que elas possam crescer na carreira”, acrescentou.

Edição: Luana Lourenço
Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Brasil e Portugal têm maior percentual de mulheres na produção científica

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