No segundo domingo do mês de maio é celebrado o dia das mães. O Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) reuniu falas de 5 mães engenheiras para marcar essa data, que é de conquista e luta por direitos e um Brasil justo e igualitário. Elas falam sobre a importância de direitos fundamentais como licença-maternidade, creches e outras conquistas que são fruto da luta dos sindicatos que negociam os acordos coletivos. São elas: Anildes Lopes, Fabiana Alexandre Branco, Marina Bezerra, Simone Baía e Raíssa Rodrigues. Confira!


Anildes Lopes
Engenheira agrônoma, diretora do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) e mãe de 3 filhas, as gêmeas Maria Luiza e Maria Cecília, de 17 anos, e Manuela, de 13 anos. Como muitas mães, Anildes passou por dificuldades. A engenheira conta que quando sua terceira filha nasceu, em razão do tipo de função que ocupava, um cargo comissionado, teve que voltar a trabalhar antes dos 30 dias do pós-parto. Para Anildes, estas formas precárias de trabalho prejudicam, consideravelmente, as mulheres. “O respeito à CLT e aos direitos trabalhistas conquistados em acordos coletivos é fundamental. E os sindicatos cumprem papel central nesse avanço”.

Fabiana Alexandre Branco

Engenheira agrônoma, trabalha como fiscal Defesa Agropecuária do Estado de Santa Catarina, é diretora do Sindicato dos Engenheiros Agrônomos de Santa Catarina (Seagro-SC) e mãe de Thales, que tem 3 anos e 10 meses. Fabiana lamenta que muitas mulheres ainda sejam discriminadas no ambiente de trabalho por engravidare, embora ela tenha encontrado um ambiente acolhedor no trabalho. Isso porque trabalha em uma empresa pública que cumpre a CLT e as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho conquistadas pelo Sindicato. “Nós temos a garantia de 6 meses de licença-maternidade, auxílio-creche/babá, por exemplo, benefícios que proporcionam um retorno menos abrupto ao trabalho. Esses direitos só foram possíveis graças à luta do Seagro-SC”, garantiu.

Marina Bezerra
Engenheira agrônoma, mestre em desenvolvimento em meio ambiente, assessora técnica do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA-SE), diretora adjunta da diretoria da mulher da Senge-SE e mãe de uma menina de 2 anos e meio. Um de seus maiores anseios como mãe é de uma creche pública próxima de sua casa ou trabalho. “Por exemplo, em palestras e outros eventos que eu poderia participar pelo trabalho ou pela militância, não fui por saber da falta de estrutura para acolher crianças, trocadores nos banheiros e falta de cuidadores enquanto participo do evento”, disse.

Raíssa Rodrigues
Engenheira civil, representa o Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) no Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e é mãe de uma menina de 5 meses. A engenheira ressalta a importância da licença-maternidade para sua permanência no mercado de trabalho.


Simone Baía
Engenheira química, diretora da mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e mãe de uma adolescente de 15 anos, Anna Terra. Simone conta que uma das situações mais positivas e emocionantes que viveu enquanto mãe, foi quando sua filha tinha 9 anos e escreveu uma redação na escola sobre ela e relatou a admiração que sentia pelo seu trabalho na engenharia e no movimento sindical com mulheres. “Nós, mulheres, acumulamos jornadas de trabalho, familiar e doméstico, ampliando a exploração da nossa força de trabalho. Hoje, o governo federal não só quer ampliar a reforma trabalhista com retirada de direitos como aprovar a Reforma da Previdência que irá prejudicar ainda mais as mulheres, que terão que trabalhar e contribuir muito mais. Por isso, nós precisamos nos unir em defesa da aposentadoria, da educação pública e gratuita e de um Brasil justo, igualitário e soberano”.

5 mães engenheiras que você precisa conhecer

 

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O Dia Nacional da Mulher foi instituído em 1980, como homenagem a Jerônima Mesquita, enfermeira brasileira que fundou o Movimento Bandeirante e foi uma das lideranças do movimento de mulheres no Brasil. Jerônima Mesquita esteve também envolvida na criação do Conselho Nacional das Mulheres. Instituída pela lei nº 6.971/1980, a data foi escolhida por ser o dia do nascimento de Jerônima.

No dia nacional da mulher, engenheiras reafirmam luta contra a Reforma da Previdência

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Pesquisadores da Fundação Nacional de Ciência (cuja sigla em inglês é NSF), nos Estados Unidos, que atuam no projeto Telescópio de Horizonte de Eventos (cuja sigla em inglês é EHT), revelaram, no dia 10/4, que, pela primeira vez, foram captadas imagens de um buraco negro no espaço. Os buracos negros são objetos cósmicos com massas imensas e tamanhos compactos. A presença desses objetos afeta o ambiente, podendo distorcer os conceitos de espaço-tempo e superaquecendo qualquer material ao redor.

Entre os mais de 200 cientistas, está Katie Bouman, que estuda e colabora no Event Horizon Telescope (EHT). Há três anos, Katie Bouman desenvolveu o algoritmo que tornou possível fotografar o buraco negro, quando ela estava na graduação no conceituado Massachusetts Institute of Technology, o MIT. O próprio instituto fez questão de falar da ex-aluna em suas redes sociais. As pesquisas de Katie em imagens computacionais foram cruciais para a descoberta do EHT, já que o registro dos fenômenos é essencial para a evolução da Ciência. Para conseguir a foto do buraco negro, por exemplo, foi necessário combinar os sinais de oito telescópios, combinando dados e retirando ruídos. Tudo com base no algoritmo de Katie, que atua como pós-doutoranda no projeto Event Horizon Telescope e é professora assistente no departamento de Computação e Ciências Matemáticas no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Ela tem Ph.D. em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pelo MIT, bacharelado em Engenharia Elétrica pela Universidade de Michigan e graduação em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pelo MIT. Seu foco de pesquisa sempre foi em imagens computacionais para que algoritmos e sensores pudessem reconhecer e capturar imagens de fenômenos até agora difíceis ou tido como impossíveis de se registrar.

Detalhes

A imagem revela o buraco negro no centro de Messier 87, uma enorme galáxia ao redor do planeta Virgem. Este buraco negro está a 55 milhões de anos-luz da Terra e tem uma massa de 6,5 bilhões de vezes a massa do Sol.

Em entrevista coletiva, os astrônomos informaram que os detalhes serão descritos em seis artigos acadêmicos, publicados em uma edição especial do The Astrophysical Journal Letters.

"Este é um grande dia em astrofísica", disse a diretora da Fundação Nacional de Ciência, France Córdova. "Estamos vendo o invisível. Buracos negros têm causado imaginação por décadas. Eles têm propriedades exóticas e são misteriosos para nós.”

Córdova disse que cientistas e engenheiros foram preparados "para iluminar o desconhecido, para revelar a majestade sutil e complexa do nosso universo ".

Projeto
O projeto liga telescópios ao redor do globo para formar um telescópio virtual do tamanho da Terra, com sensibilidade e resolução sem precedentes. O trabalho é desenvolvido há anos por meio de colaboração internacional.

A fundação desempenhou papel fundamental nesta descoberta, financiando investigadores individuais, equipes científicas interdisciplinares e instalações de pesquisa de radioastronomia desde o início da EHT. Mais de US$ 28 milhões foram aplicados em pesquisa da EHT.

Múltiplas calibrações e métodos de imagem revelaram uma estrutura em forma de anel, com uma região central escura - a sombra do buraco negro -, que persistiu sobre várias observações independentes, segundo os pesquisadores.

"Uma vez que tínhamos certeza de que tínhamos imaginado a sombra, poderíamos comparar nossas observações a extensos modelos de computador que incluem a física do espaço distorcido, matéria superaquecida e campos magnéticos fortes”, disse Paul TP Ho, membro do Conselho da EHT e diretor do Observatório da Ásia Oriental.

A construção do EHT e as observações anunciadas hoje representam o resultado de décadas de trabalho observacional, técnico e teórico.

Imagens de buraco negro no espaço são registradas pela 1ª vez

Fonte: Agência Brasil/EBC com informações VIX

Foto: Divulgação

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O Nacional Jovem falou sobre os "Quadrinhos da Engenheira Eugênia". A Engenheira química e diretora da Mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros, Simone Baía.

"A Engenheira Eugênia" foi uma construção coletiva que surgiu por necessidade de diálogo. Os quadrinhos abordam os principais problemas da engenharia, possíveis soluções e também questões sociais relativas as mulheres. A primeira tirinha foi publicada em 2013. Hoje, eles são utilizados em um projeto chamado "Viaduto Literário", em que crianças são estimuladas a sonharem a seguir essa carreira.

" Ela muda essa imagem de que engenheiros são só homens e mostra que a engenharia pode ser acessível a mulheres. Ela socializa a engenharia", afirma a engenheira química.

A personagem dos quadrinhos tenta acabar com a ideia de que existem trabalhos de homens e outros de mulheres. Simone Baía acredita que ideias como essa ainda estão presentes na sociedade, fazendo com que meninas sejam desestimuladas a seguirem carreira no ramo da ciência exata, por exemplo.

Segundo Simone Baía, que tem ascendência indígena, é preciso desconstruir alguns aspectos sociais que afirmam que pessoas não podem alcançar cargos por causa de gênero, cor ou poder aquisitivo.

OUÇA AQUI

Fonte: Nacional Jovem/EBC 

Foto: Camila Marins

Em entrevista à Rádio Nacional, Simone Baía fala sobre os quadrinhos da Engenheira Eugênia

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23 de junho é o dia internacional das mulheres na engenharia, uma iniciativa da Women's Engineering Society (WES), instituição e rede profissional de mulheres engenheiras, cientistas e tecnólogas do Reino Unido. As mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades no mercado de trabalho. Dados da RAIS/MTE apontam que em 2016 apenas 36% dos postos de trabalho eram ocupados por mulheres na engenharia. De acordo com informações do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), o número de mulheres registradas é de 202.136 em 2018, enquanto o número de homens é de 1.213.523. Pensando nisso, listamos algumas das engenheiras que tiveram um papel de extrema importância, não só para a igualdade de gênero, como também para a evolução da engenharia.

Aida Espinola: engenheira química que chefiou o laboratório que explorou o primeiro poço de petróleo no Brasil. Trabalhou, inicialmente, no Laboratório de Produção Mineral, como responsável pelas análises dos minérios brasileiros, que resultou em várias medalhas, como, por exemplo, a "Medalha Fritz Feigl" e a "Medalha João Christovão Cardoso" do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E muitas outras honrarias, sendo, a principal, nos últimos anos, o título de Pesquisadora Emérita do CNPq, que recebeu em 17 de abril de 2006, das mãos do Vice-Presidente da República do Brasil, Sr. José de Alencar. O seu laboratório foi escolhido pela NASA, entre numerosos outros laboratórios, para análise das rochas recolhidas na Lua, em locais pré-determinados, antes do início do Projeto Apollo.
7 mulheres que se destacaram na engenharia

Ana Primavesi: engenheira agrônoma responsável por avanços no campo de estudo das ciências do solo em geral, em especial o manejo ecológico do solo. Foi também fundadora da Associação da Agricultura Orgânica (AAO), uma das primeiras associações de produtores orgânicos do Brasil. Seu livro "Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais" é uma das maiores referências. Ana foi pioneira no movimento de agroecologia e agricultura orgânica no Brasil;
7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Enedina Alves Marques: primeira engenheira negra do Brasil. Formou-se em Engenharia Civil em 1945 pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). Construiu a maior hidrelétrica subterrânea do sul do país (Usina Capivari-Cachoeira), contribuindo para a soberania energética;
7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Veridiana Victoria Rossetti: primeira engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em 1937. Reconhecida como uma das maiores pesquisadoras no mundo em doenças que atingem a citricultura, foi uma das maiores pesquisadoras do mundo. Foi presidente da Comissão Permanente de Cancro Cítrico de 1975 a 1977. Teve mais de 300 trabalhos publicados ou apresentados em congressos nacionais e internacionais e recebeu dezenas de prêmios e homenagens. Também foi membro da Academia Brasileira de Ciências, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo presidente da República em 2004.

7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Aprille Ericsson – Jackson: primeira mulher a receber um Ph.D. em engenharia mecânica pela Howard University e a primeira mulher negra a receber um Ph.D. em engenharia no Goddard Space Flight Center da NASA. Devido à tamanha importância, Ericksson ganhou muitos prêmios, dentre eles o de melhor engenheira do governo federal da Women in Science and Engineering (WiSE)
7 mulheres que se destacaram na engenharia

 

• Edith Clarke: primeira mulher a ganhar um diploma de mestrado em engenharia elétrica pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a primeira a dar aula no departamento de engenharia da Universidade do Texas, no Estados Unidos. Inventou a calculadora gráfica.
7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Isabel Gago: primeira mulher a se formar no curso de Engenharia Química, no Instituto Superior Técnico (IST), em Portugal, e a primeira mulher a assumir a docência, numa escola nacional de engenharia.
7 mulheres que se destacaram na engenharia



 

Por Comunicação Fisenge

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Um mês após o assassinato da vereadora Marielle Franco, o Coletivo de Mulheres da Fisenge publica, no dia 16/4, uma história em quadrinhos sobre a violência de gênero e raça em notícias falsas, as chamadas "fake news". De acordo com a engenheira e a diretora da mulher da Federação, Simone Baía, a tirinha tem o objetivo de alertar sobre a violação de direitos humanos em crimes contra a honra. “As redes sociais são importantes instrumentos de informação. Por outro lado, há um vasto campo de difusão de notícias falsas, atentando contra a dignidade das pessoas. Muitas vezes, o imediatismo do botão ‘compartilhar’ retrai a nossa capacidade de apuração da veracidade”, disse Simone, alertando sobre o caso de Marielle: “a vereadora, uma exemplar defensora dos direitos humanos, foi injustamente caluniada e difamada. Não podemos permitir a destruição de trajetórias políticas e reputações de mulheres lutadoras dessa forma. Esperamos que as investigações solucionem este caso que abalou o Brasil e o mundo”.

Coletivo de Mulheres lança história em quadrinhos sobre Marielle Franco

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Texto: Alméria Carniato (engenheira agrônoma)

08 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data marcada por manifestações de carinho materializado nas mais coloridas flores! Entretanto, é preciso lembrar do ano 1857, quando 168 operárias de uma fábrica de tecidos fizeram uma grande greve para reivindicar  melhores condições de trabalho tais como: redução da jornada diária de trabalho de 16 horas para dez, equiparação de salários com os homens pois exercendo a mesma atividade elas chegavam a receber 1/3 dos salários dos homens e tratamento digno no ambiente de trabalho. “O ato de coragem emanados por aquelas mulheres é sobretudo o sonho pela justiça, foram covardemente incendiados , porém as suas sementes resistiram ao calor do ódio e germinaram nas cinzas.”

Assim em memória a luta delas ficou decidido em 1910, durante a Conferência na Dinamarca, que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher. Mas, somente no ano de 1975, por meio de um decreto a data foi oficializada pela ONU. NO Brasil, as movimentações pelos Direitos da Mulher surgiram no início do século XX.

Conquistas e direito ao voto - depois de muita luta em 1932.

A discussão sobre igualdade de gênero, saúde da mulher e sexualidade começou na década de 70. A primeira delegacia da Mulher surgiu em 1985. A lei Maria da Penha promulgada em 2006 e por último a lei do Feminicídio nº 13.104 de 9 de março de 2015.
Entretanto, se avançamos com algumas conquistas no espaço temporal; nos deparamos no tempo presente onde a violência contra a mulher não para de crescer. Nestas estão incluídas as violências físicas, psicológicas, moral, patrimonial,cárcere privado, dentre outras.
Onde ouvimos com certa intimidade os gritos de luta, de socorro e de reivindicações de todas as mulheres.


POR ISSO, NÃO QUEREMOS SÓ FLORES;

- queremos o direito de ir e vir
- queremos o direito d existir sem correr risco de vida
- queremos o direito de escolher ou não engravidar
- queremos o direito de ser escutada sem precisar levantar a voz
- queremos o direito deter o nosso corpo da forma que bem quisermos –
- queremos respeito a nossa sexualidade
- queremos salários iguais pela mesma qualificação
- queremos tarefas domésticas compartilhadas
- queremos cuidados com as filhas e filhos compartilhados.

O DIA 8 DE MARÇO FOI E SEMPRE SERÁ UM DIA DE LUTA!

“ Flores quando arrancadas morrem; deixe-as aonde elas estão. Nós mulheres somos sementes. Tentam nos enterrar ao longo dos séculos, mas estamos aqui crescendo fortes lutando por dignidade cada vez mais unidas.

“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres.”

(Marcha Mundial das Mulheres)

8 de Março, até queremos flores. Mas quero o meu lugar de igualdade e respeito

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Quarta, 07 Março 2018 17:23

8 de março, e as engenheiras?

Por Simone Baía*

Um relatório da Organização Mundial da Saúde aponta que o Brasil ocupa a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países. Essa semana, o estudo “Monitor da Violência”, uma parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que 12 mulheres são assassinados todos os dias, em média, no país. Foram considerados dados oficiais dos estados de 2017, contabilizando 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios. O 8 de março é uma data para reforçar não apenas a luta por igualdade de direitos e oportunidades, como também o combate à violência contra a mulher. E o que a engenharia tem a ver com o 8 de março?

A engenharia é uma área ainda predominantemente masculina. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam que apenas 16% dos profissionais registrados são mulheres. Por outro lado, aumenta o número de mulheres nas universidades, fato que não se reflete na inserção do mercado de trabalho. Desde a universidade, ser mulher na engenharia é um desafio e uma luta. Isso porque as situações de machismo acontecem nas salas de aula, laboratórios, corredores e trabalhos em campo. Infelizmente, ainda é comum professores avaliaram alunas por suas características físicas ou as jovens serem cerceadas de estudos em campo, além das piadinhas entre os colegas que colocam em xeque a nossa capacidade intelectual. Estas são situações que também passamos no mercado de trabalho. A todo momento, precisamos nos afirmar como profissionais competentes, acumulando, inclusive, muitas jornadas de trabalho. No trabalho em campo, é comum ouvirmos dos homens “onde está o engenheiro?”. E sempre temos que responder: “Eu sou a engenheira” ou ainda temos que lidar com a falta de banheiro feminino (situação que persiste em alguns lugares), com a falta de EPI (Equipamento de Proteção Individual) adequado para mulheres e com salários desiguais, mesmo exercendo a mesma função de um colega.
Todos estes enfrentamentos são perpassados pelo combate à violência contra a mulher, uma vez que nenhuma de nós está imune a agressões, sejam elas verbais, emocionais, patrimoniais ou físicas. A violência contra a mulher atinge todas as classes sociais e com o agravante de que mulheres negras são as que mais morrem - 54% de aumento -, segundo o Mapa da Violência de 2015.

Graças às mobilizações de mulheres e à Lei da Maria da Penha, o silêncio tem sido quebrado. O amparo do Estado em situações de violência é fundamental para o combate à violência contra mulheres. Em 2015, foi aprovada a lei 13.140, que qualifica o feminicídio no Código Penal como crime de homicídio. E, mesmo assim, os dados e os casos são estarrecedoras. Precisamos romper com o silêncio e com os preconceitos estruturais que precarizam a vida das mulheres. Em tempos de censura, cerceamento e aprofundamento da lógica neoliberal, urge o debate sobre gênero na sociedade. Isso significa pensar políticas públicas para nós, mulheres, para nossas filhas, nossas mães, nossas irmãs, nossas colegas de trabalho. Somos muitas e estamos em todos os espaços e, para que possamos avançar, é necessário que homens também tomem essa discussão para si. O combate à violência contra a mulher e a luta por igualdade de direitos é uma luta de toda a sociedade.

A nossa luta é todo dia. Nenhuma mulher a menos. Vamos juntas.

Simone Baía é engenheira química e Diretora da Mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

8 de março, e as engenheiras?

 

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“Onde está o engenheiro? A engenheira sou eu”. Esta é uma das situações mais comuns durante o cotidiano de trabalho das mulheres engenheiras. Com o objetivo de dar visibilidade às violências, o Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) lançou, no dia 24/11, uma campanha com ilustrações, que retratam casos reais de engenheiras e estudantes de engenharia. “Há alguns anos, eu estava em trabalho de campo e não tinha EPI [Equipamento de Proteção Individual] com o meu tamanho. Os espaços ainda precisam ser inclusivos com as mulheres. Há canteiros de obras, por exemplo, que não têm banheiros femininos”, destacou a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, ressaltando a importância da inclusão de cláusulas de segurança do trabalho nos Acordos e nas Convenções Coletivas de Trabalho. Ao todo, são quatro ilustrações de autoria de Raquel Vitorelo.

A violência contra a mulher pode se manifestar de diversas formas: simbólica, emocional, física, patrimonial. De acordo com dados da Fundação Perseu Abramo, no Brasil, ocorrem cinco espancamentos a cada dois minutos. O documento “Relógios da Violência”, do Instituto Maria da Penha relata que a cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de violência física.

Entre 2002 e 2013, a presença de engenheiras nos canteiros de obra cresceu 149,3%, enquanto o aumento para engenheiros foi de 54,7%, somando ocupações formais e informais. Mesmo assim, os homens seguem sendo maioria no ramo: em números gerais, cerca de 230 mil engenheiros civis estavam ocupados, sendo 190 mil homens e apenas 40 mil mulheres, de acordo com dados da PNAD/IBGE de 2015. “Estas situações acontecem não apenas nos canteiros de obras, como também nas universidades e na sociedade como um todo. Combater o machismo nos espaços é tarefa de homens e mulheres. A luta por políticas em prol dos direitos das mulheres e pelo fim da violência é uma questão de ordem pública”, destacou Simone, enfatizando também “que é fundamental que as engenheiras procurem seus sindicatos para denunciar situações de descumprimento de direitos”.

O Coletivo de Mulheres da Fisenge é composto por engenheiras de 12 sindicatos em 11 estados do Brasil.

 

Engenheiras lançam campanha pelo fim da violência contra a mulher

 

Engenheiras lançam campanha pelo fim da violência contra a mulher

 

Engenheiras lançam campanha pelo fim da violência contra a mulher

 

Engenheiras lançam campanha pelo fim da violência contra a mulher

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A Engenheira Eugênia, deste mês, debate as consequências da privatização do setor elétrico. “Sob a falsa justificativa de geração de caixa, a venda das empresas estatais leva ao sucateamento das empresas, a demissões em massa, ao desmonte da engenharia nacional e, ainda, compromete soberania nacional”, afirmou a diretora da mulher da Fisenge, a engenheira Simone Baía. Além disso, o centro deste novo modelo é o conceito de que a energia elétrica é uma mercadoria, o que pode gerar um aumento drástico na tarifa de energia. Simone também lembrou que “há risco sério de repetição dos apagões como na década de 1990. Não podemos permitir um modelo de energia baseado no lucro, e não na vida das pessoas”, disse.

Engenheira Eugênia é contra a privatização do setor elétrico

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