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Alunos da UFF desenvolvem próteses robóticas de baixo custo

O Brasil registra anualmente cerca de 40 mil casos de amputação por motivos de acidente ou doença. O Sistema Único de Saúde (SUS), por sua vez, não consegue atender a demanda da população, pois a maioria das próteses robóticas são importadas e caras. Com foco nessa realidade, um grupo interdisciplinar formado por alunos dos cursos de Medicina, Computação, Engenharia e de Telecomunicações da UFF se reuniu e criou o Projeto da Rede Acadêmica de Cibernética e Humanidades (Reach), com a finalidade de desenvolver próteses de baixo custo.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Estudos de Tecnologias Avançadas (NETAv), Ricardo Campanha Carrano, a preocupação com a causa social, em especial com os pacientes amputados atendidos pelo SUS, mobilizou alunos e professores a participarem do trabalho. Para facilitar essa integração, foi criado um grupo no aplicativo WhatsApp chamado de “Reach - Nave Mãe”, com 63 participantes. São cinquenta alunos envolvidos, sendo dez de maneira mais ativa, dez professores de diversas unidades da UFF, além de pessoas que ajudam o projeto e que não têm vínculo com a universidade. “Todo o design de logomarcas e banners, por exemplo, foi elaborado voluntariamente pela jornalista Erika France, formada pela UFF. Ela cedeu seu tempo, por acreditar na causa”, destaca.

Segundo ele, o Projeto Reach, que completará um ano em junho, é uma iniciativa exclusivamente de alunos. O grupo empreendedor bateu de porta em porta nos laboratórios e departamentos, angariando apoio. A iniciativa fez com que muitos professores se prontificassem a ajudar, orientando alunos, apresentando a outros parceiros, dentro e fora da UFF. “O professor da Engenharia de Telecomunicações, João Marcos Meirelles, e o pesquisador do Laboratório MidiaCom, Flávio Seixas, são exemplos de docentes que se dispuseram a ajudar e hoje são peças chave na iniciativa”, ressalta.

Onde tudo começou

Antes do Reach, o NETAv foi criado por meio de um acordo de cooperação acadêmica, técnica e científica, celebrado em 18 de março de 2011, entre a UFF e a Marinha do Brasil. O núcleo atende à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SecCTM), sendo um facilitador e mantenedor da relação entre a instituição e a força armada. Em 2016, sua área de atuação foi ampliada, visando o desenvolvimento de programas e projetos de ensino, pesquisa e extensão, em parceria com as demais forças armadas e outras instituições, públicas e privadas. Hoje, segundo Carrano, o núcleo é um órgão de integração de expertise e competências dentro da UFF com know-how suficiente para oferecer seus projetos a outras organizações e entidades externas.

O Projeto Reach, por sua vez, surgiu por iniciativa do aluno do sexto período de medicina, Robinson Simões Júnior, que numa primeira etapa utilizou como protótipo uma mão de robô adaptada. Com isso, a equipe teve a oportunidade de aprender sobre os aspectos mecânicos e eletrônicos envolvidos no processo de criação e montagem de uma prótese, e principalmente como ocorre a captura do sinal mioelétrico - impulso nervoso que resulta de uma ação de controle do cérebro humano sobre os músculos do corpo. “Contamos também com a parceria da aluna da Medicina, Angela Tsuda, que por iniciativa própria já tinha começado a imprimir uma mão robótica, utilizando uma impressora 3D cedida pela professora Yolanda Boechat, do Departamento de Telecom. O Reach a localizou e ela se tornou uma importante colaboradora”, enfatiza o professor.

Atualmente a equipe está trabalhando num segundo protótipo que será operado brevemente como uma verdadeira prótese, ou seja, acoplado a um paciente com amputação. As duas mãos robóticas em teste são controladas por movimentos humanos, por meio da plataforma Arduino, um software aberto. Ele captura os sinais musculares por meio de eletrodos afixados no paciente, transmite ao computador, que os reenvia em segundos à prótese, criando o movimento.

A aluna Giulia dos Santos Dias, do curso de Engenharia Mecânica, acrescentou que o projeto teve também a participação de alunos de graduação e mestrado de cursos de engenharia elétrica, biomedicina e ciência da computação. Para ela, a multidisciplinaridade do Reach é o que o diferencia de outras iniciativas dentro da universidade, fazendo com que a equipe ganhe conhecimentos de diversas áreas e possa observar diferentes problemas, com pontos de vistas distintos, facilitando a resolução deles.

“Os recursos que usamos para a compra de materiais e equipamentos necessários para o projeto vêm exclusivamente de doações dos próprios alunos e professores membros do Projeto Reach, uma vez que ainda não possuímos parcerias para o recebimento de fundos”, ressaltou Giulia.

Parceria

Os protótipos das mãos estão sendo montados no Laboratório de Telemetria e Telecontrole (LaTelCo), vinculado ao Departamento de Engenharia de Telecomunicações. Num segundo passo, a mão robótica será destinada a pacientes amputados do SUS. Nesse sentido, a equipe está buscando firmar uma parceria com a Associação Fluminense de Reabilitação (AFR). “Há um ciclo a ser vencido, até que tenhamos confiança na maturidade do produto. E claro que ser ofertado pelo SUS é o nosso grande objetivo”, afirma Robinson Júnior.

Já de acordo com Carrano, a ideia é que a mão robótica seja patenteada, produzida em escala industrial e oferecida gratuitamente ao público. Para isso, as patentes do projeto eventualmente geradas serão da universidade, até como forma de proteger a propriedade intelectual e seu objetivo social. “Ainda não vivenciamos a fase de buscar empresas para a produção da mão. Estamos nas etapas iniciais do projeto, testando conceitos e técnicas”, esclarece.

Contudo, os recursos dos projetos e inventos da UFF, segundo o professor, poderão retornar à universidade na forma de patentes que gerarão royalties, isso quando há interesse comercial pelo licenciamento da tecnologia desenvolvida. No entanto, o grande retorno para a universidade, que advêm do Reach, é a inserção dos alunos em projetos transdisciplinares que conciliam os objetivos primeiros e nobres de uma instituição pública: o ensino, a pesquisa e a extensão. “É a UFF cumprindo seu papel na sociedade, que é a grande beneficiária do projeto”, conclui.

Na entrevista a seguir o aluno Robinson Simões Júnior fala sobre o Projeto Reach:

Como se deu a iniciativa para criar o projeto Reach?

Sou um grande entusiasta da integração do ser humano com as tecnologias. Ver um ramo em que eu poderia atuar nesse sentido e ao mesmo tempo lidar de forma tão impactante na Saúde Pública me inspirou muito a criar o Reach.

E como foi o processo de reunir alunos de áreas tão distintas?

Primeiramente, procurei ver se tinha algum projeto existente na UFF ao qual pudesse me associar. Como não encontrei, decidi primeiro formar um time inicial de professores que pudesse contribuir com a criação de algo que seria totalmente novo na universidade. Então, fui de porta em porta, de departamento em departamento, e recebendo vários “nãos”. Finalmente, consegui reunir docentes das áreas de Engenharia, Computação e Medicina. Depois disso, cada professor ficou responsável por recrutar alunos em suas respectivas disciplinas, que estivessem interessados em participar.

Como se dá a divisão do trabalho?

Após essa movimentação, resolvemos nos estruturar internamente em três frentes: Captação, lidando diretamente com o paciente em si e descobrindo de que forma poderíamos capturar os sinais mioelétricos; Processamento, analisando os dados e programando para ativar a prótese; e por fim, a Atuação, que lida com a confecção da prótese em si e todo o seu design. Cada frente atuando com focos diferentes, mas concomitantes e com um fim em comum.  E por tudo isso, agradeço a colaboração e o entusiasmo dos alunos Angela Tsuda, Giulia Dias, da Engenharia Mecânica, Yago Rezende e Rafael Vaz, da Engenharia de Telecomunicações; e a Marcela Tuler, do Mestrado em Telecomunicações.

Há uma estratégia para captar futuros recursos que darão prosseguimento ao projeto?

Atualmente estamos discutindo algumas possibilidades, como, por exemplo, a criação de uma emenda parlamentar, “crowdfunding” (financiamento coletivo), ou parcerias com outras instituições.

Quais são os nomes das duas mãos robóticas batizadas pelo grupo?

A Riri Williams, a primeira mão, é uma homenagem à sucessora de Tony Stark, o personagem Homem de Ferro da Marvel. Já a segunda se chama Hackberry, em alusão a Exiii Hackberry, empresa japonesa na qual nos baseamos para confeccionar a atual prótese.

Quanto tempo você acredita que ainda levará para a mão robótica estar efetivamente no mercado?

Tudo depende das parcerias que formarmos. Já evidenciamos alguns grandes obstáculos, como a produção em larga escala, a logística de confecção, distribuição, a reabilitação dos pacientes e o custo de tudo isso. Então, se obtivermos auxílio do Estado e de instituições que já atuam nesse sentido, como a AFR (Associação Fluminense de Reabilitação), creio que boa parte dessas questões serão solucionados rapidamente, tornando possível uma distribuição de próteses, numa quantidade razoável.

 

FONTE: Universidade Federal Fluminense (UFF)

 

 

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Corte nos recursos federais afeta de forma alarmante o orçamento destinado à ciência e tecnologia brasileira. Cientistas estão buscando melhores condições fora do país.

 

 Por Laura Ralola com entrevistas de Camila Marins

 

Em março deste ano o governo anunciou corte de 44% no orçamento federal destinado à Ciência, Tecnologia e Inovação. A redução de investimentos em uma área tão importante para o desenvolvimento do país preocupa especialistas, que caracterizam a ação como irresponsável e desprovida de senso de futuro. A medida compromete o incentivo à pesquisa e o funcionamento de centros e laboratórios. Em consequência, cientistas estão deixando o país em busca de condições de trabalho propícias, levando com eles importantes saberes para bem longe de nossos quintais.

O governo Temer deu indícios precoces que o incentivo à pesquisa, ciência e  tecnologia (C&T) não estava na lista de prioridades do plano não eleito nas urnas. Logo quando tomou posse, em maio de 2016, o presidente anunciou a junção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações com o Ministério das Comunicações. A ação foi bastante criticada na época por resultar em menos atenção para ambos. No mesmo contexto, a Pec do Teto dos gastos públicos aprovada, que congela por 20 anos investimentos, fragiliza ainda mais a situação, inviabilizando futuros projetos para a inovação nacional.

O diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro (Senge - RJ), Agamenon Oliveira, define como alarmante o contexto político e econômico atual. “É uma questão da crise do Estado nacional”, enfatiza. Para ele, uma série de medidas que caminham para o desmonte de nossa soberania estão sendo tomadas. Em pouco mais de um ano, o governo Temer já representa uma série de retrocessos. Pensando especificamente na C&T, o governo levou o país para mais de uma década no passado. 

O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações já estava em um patamar baixo antes do corte recente. O Projeto de Lei Orçamentária anunciado no fim de 2016 prometia para a área investimento de R$ 5,2 bilhões (praticamente metade do que foi investido em 2014). Em 2017 este número foi cortado em R$ 2,2 bilhões, ou seja, em 44% do orçamento previsto para o ano.

Foi no contexto dos cortes em C&T que a pesquisadora Suzana Herculano-Houzel optou por deixar o país. O desmonte da produção científica e tecnológica está levando muitos pesquisadores a, assim como ela, buscarem alternativas no exterior, com o intuito de garantir a continuidade de suas pesquisas. Suzana é mundialmente conhecida por seu trabalho de pesquisa em neurociência e há alguns meses, impossibilitada de dar continuidade à pesquisa no país, migrou da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a Vanderblit University, nos Estados Unidos. O caso de Suzana ganhou repercussão e intensificou a discussão sobre o fenômeno chamado de Fuga de Cérebros, que se fortalece no atual cenário. 

 

CORTES DRÁSTICOS

O orçamento em queda do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações nos últimos anos. Despesas MCTIC (bilhões de reais). 

Vermelho: Proposto.

Verde: Gasto.

 Uma ‘fuga de cérebros’ ameaça o Brasil e a soberania nacional

 

Fonte: Reportagem Nature, principal revista de conhecimento científico do mundo, publicada em abril de 2017. 

http://www.sbq.org.br/noticia/brazilian-scientists-reeling-federal-funds-slashed-nearly-half

 

Ciência, tecnologia e desenvolvimento nacional

A saída de cientistas e pesquisadores do país representa uma enorme ameaça à produção nacional do conhecimento. Em entrevista à Fisenge a Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Naider, afirmou que conhecimento significa hoje desenvolvimento econômico e social. “Significa produção de riqueza, ou seja, lucro para as empresas, salário para os trabalhadores e impostos para o governo; significa garantir a qualidade de vida das pessoas”. Para Helena, a principal fonte de sustentação de uma economia está no desenvolvimento e aplicação do conhecimento científico e tecnológico. “O mundo vive hoje a economia do conhecimento”, completa.

De acordo com o ex-Ministro de C&T, Clélio Campolina, ciência e tecnologia são fundamentais para um projeto de desenvolvimento nacional. Para ele é necessário não apenas apoiar e incentivar a produção científica, mas também “fazer a ponte da produção científica com as políticas públicas e sistema produtivo”. Agamenon Oliveira aponta que a ciência está diretamente ligada com a própria tecnologia. Isso quer dizer que as tecnologias são, em grande parte, aplicações de conhecimento científico. “O próprio desenvolvimento da ciência fertiliza o desenvolvimento tecnológico”, explica.   

Campolina acredita que a engenharia possui um papel central na construção de um projeto de desenvolvimento. De acordo com ele, “toda a base material depende do avanço da C&T, e a engenharia é a instância que operacionaliza concretamente todo esse avanço científico e tecnológico do ponto de vista produtivo”. 

Agamenon aponta os trabalhos realizados pela Petrobrás e importantes centros de pesquisa, como, por exemplo, o Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ. “Somos hoje liderança na área de petróleo e gás e isso é um reflexo de investimento em C&T”, afirma. Os trabalhos realizados pela Petrobrás e institutos de pesquisa se tornaram referências mundiais e são, segundo o engenheiro, fundamentais para o desenvolvimento na área. O ex-ministro Campolina enfatiza que o Brasil mostrou competência científica e tecnológica em relação ao petróleo, que deveria ser uma prioridade social. 

De acordo com Helena, mesmo a geração de produtos primários exige, hoje, a participação intensa da ciência e da tecnologia. A professora cita como exemplo o crescimento da produção brasileira em alimentos, resultado do trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), juntamente com as faculdades de agronomia, zootecnia e veterinária. “Há trinta anos, importávamos alimentos; hoje, somos um dos maiores produtores e exportadores mundiais”, aponta. Ainda para a professora, o governo está cometendo o equívoco de considerar educação e ciência, tecnologia e inovação como despesas, e não como investimentos. Ao limitar bruscamente os investimentos em ciência, o governo joga o Brasil para o retrocesso econômico e social.

 

Desmonte das instituições de pesquisa

Desde que os cortes se intensificaram, a situação se alarma em universidades, laboratórios e centros de pesquisa espalhados pelo país. A crise na ciência pode ser percebida em nível nacional com redução do quadro de bolsas, liberação de recursos a conta gotas, sucateamento de laboratórios e até mesmo projetos já aprovados estão tendo seus orçamentos reduzidos. 

De acordo com Paulo Lyra, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), C&T não pode ter descontinuidade, pois isso “gera desmonte de equipe e impasses no planejamento, colocando em risco o estudo como um todo e representando enorme perdas para avanços científicos e tecnológicos do país”, aponta o professor. Rita Ferreira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), também relata problemas com os cortes governamentais para a Educação Pública Superior na instituição.

O orçamento em queda do MCTIC ameaça o trabalho de importantes laboratórios que atuam nas mais diversas áreas. O Brasil possui hoje importantes centros de pesquisa, como o Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem, a Fundação Oswaldo Cruz de Recife, que vem realizando necessárias pesquisas sobre o Zika Vírus, o Centro de Pesquisa da Petrobrás (CENPES) e o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL), dentre tantos outros.

O programa Ciências Sem Fronteiras teve seu fim anunciado em março de 2017, após cinco anos de atividades. De acordo com o portal oficial do programa, foram mais de 73 mil bolsas de graduação e 9 mil de doutorado concedidas. Neste mesmo contexto, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) vive a maior crise de sua história. Desta forma, fica realmente complicado para o pesquisador fazer ciência no país. 

Quem se beneficia com o desmonte da produção científica e tecnológica?

A existência de um sistema dinâmico e robusto de geração de ciência, tecnologia e inovação é, para Helena Naider, um traço que caracteriza os países desenvolvidos, juntamente com um sistema educacional eficiente e universal. A professora enfatiza que as atuais medidas distanciam o Brasil desses países, que investem cada vez mais em C&T. Ela afirma, ainda, que a brusca limitação de investimentos afeta a dignidade dos pesquisadores: “seremos impedidos de trabalhar com um mínimo de condições e com certeza olhados com comiseração e pena pelos cientistas de todo o mundo”.

Helena menciona o caso da China, que, diante de uma crise econômica, optou pelo incentivo à C&T, entendendo ser esta uma plataforma importante para alavancar a economia do país. De acordo com Agamenon, empresas chinesas estão bastante interessadas na compra de ativos brasileiros, especialmente nos setores de energia, transporte e agronegócio. “As empresas chinesas têm um interesse estratégico na região [norte/nordeste], buscando montar um enclave que ameaça a soberania nacional”. 

A crise que o Brasil vive gera, por fim, oportunidade para outros países. O desmonte da produção científica e tecnológica compromete a autonomia nacional. Significa entregar nossos recursos ao capital estrangeiro para que façam por nós algo que temos condições de fazer. “O comportamento do mercado internacional é extremamente capitalista e quem sai perdendo é o consumidor, já que as empresas chegam visando lucro e implementando o que lhes for conveniente”, aponta Agamenon.

Campolina afirma que a situação é conturbada e que é difícil prever os acontecimentos. Para o ex-ministro, entretanto, é justamente na crise que temos que construir a busca de saídas e alternativas. “Conseguiremos resultado se mobilizarmos a sociedade. Não adianta uma reflexão acadêmica, teórica, de forma isolada. Ela tem que ganhar a sociedade e as ruas, em termos de mobilização, para que se viabilize”, enfatiza.

Neste contexto surge a campanha Conhecimento Sem Cortes, mobilizada por cientistas, estudantes, professores, pesquisadores e técnicos. Lançado em junho deste ano, o principal objetivo do movimento é denunciar o desmonte das instituições de pesquisa por consequência das reduções do orçamento e buscar o apoio da sociedade para reverter o cenário.

A campanha é uma realização da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ), o Sindicato dos Institutos Federais do Rio de Janeiro (Sintifrj), a Associação dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais (Apubh) e a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), em parceria com várias organizações, dentre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Apesar das pistas e indícios, a ciência não é um campo certo em termos de resultado, não é possível prever o resultado de um estudo. Ciência só se faz com muita pesquisa e dedicação, e não se faz pesquisa sem financiamento. “Às vezes se estuda algo por vinte ou trinta anos e não se chega a resultado nenhum. O que é, por si, um grande resultado”, explica Agamenon. 

Para chegar às respostas, é necessário focar nas perguntas. A qualidade dos investimentos vai determinar as descobertas. As perguntas precisam ser boas e estimuladas para que encontremos respostas precisas. 

 

Uma ‘fuga de cérebros’ ameaça o Brasil e a soberania nacional

Crédito foto: Fotos Públicas

 

 

 

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O Confea, o Crea-PR e a Comissão Organizadora do CONTECC 2016 (Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia) juntamente com a SOEA (Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia) têm a honra de convidá-los a participar deste evento que ocorrerá na cidade de Foz do Iguaçu – Paraná, Brasil, no período de 29 de agosto a 1º de setembro de 2016.

Com o tema “A Engenharia a Favor do Brasil: mudanças e oportunidades”, o evento espera reunir alguns dos principais especialistas nesta área de conhecimento, como também em todas as áreas da Engenharia e da Agronomia, para discutir o cenário de suas realidades locais e nacional, demonstrando exemplos de inovações em empresas, institutos de pesquisas, IFES, etc. e apontar caminhos para que as inovações se desenvolvam com técnicas e aplicação de pesquisas que tenham como objetivo aumentar o desenvolvimento do país.

 A SOEA/CONTECC tem como seus objetivos a divulgação dos trabalhos técnicos científicos desenvolvidos nas mais diversas instituições brasileiras, trabalhos estes que serão publicados nos anais do evento, assim como em revistas científicas.

A programação está sendo preparada com a intenção de desenvolver sessões com trabalhos técnico-científicos, conferências e palestras de especialistas, reuniões sobre temas importantes, polêmicos e atuais, representando rara oportunidade para a efetiva troca de experiências entre pesquisadores, professores, estudantes e profissionais.

Objetivos

Estabelecer ambiente adequado para análise e discussão de oportunidades nas atividades profissionais voltadas à Engenharia e à Agronomia e o contexto para o desenvolvimento do país. Criar espaço de difusão e debate a partir dos conhecimentos científicos obtidos nas diferentes áreas temáticas do Congresso.

Área temática principal

A Engenharia a Favor do Brasil: Mudanças e oportunidades

Público-alvo

Técnicos, pesquisadores, estudantes, gestores e empresários do setor e, de forma geral, todas as pessoas interessadas no avanço da aplicação dos conhecimentos da Engenharia no desenvolvimento nacional.

Seleção dos 21

O autor apresentador dos 21 trabalhos selecionados pela comissão cientifica serão convidados a serem apresentados oralmente no evento e terão suas despesas com deslocamento e hospedagem custeadas pela organização do evento.

Mais informações: www.facebook.com/contecc

Prazo de envio de trabalhos técnicos e científicos para o 3º CONTECC termina dia 3/7

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Mais uma novidade irá compor a programação da Mútua na 73ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), em Foz do Iguaçu (PR): a primeira edição do “Prêmio Mútua de Empreendedorismo”, uma parceria com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Profissionais registrados nos Creas e estudantes de nível médio, tecnológico, graduação e pós-graduação de cursos reconhecidos pelo Confea e de pós-graduação de áreas correlatas e afins ao Sistema Confea/Crea e Mútua poderão inscrever projetos relacionados a processos, produtos e serviços inovadores, para serem identificadas como iniciativas passíveis de apoio. Autores dos três melhores projetos, a serem julgados pelo corpo técnico da Anprotec, serão levados para a 73ª Soea - de 29 de agosto a 1º de setembro deste ano - para apresentação da proposta e recebimento do certificado da premiação.

Além disso, a ideia é que a Anprotec direcione os projetos vencedores a instituições de fomento (parques tecnológicos, incubadoras, aceleradoras, entre outras), para oportunizar apoio e parceria para futuros negócios. O prêmio vai ao encontro do projeto da Mútua de incentivo ao empreendedorismo, principalmente no âmbito dos estudantes e novos profissionais.

Para o integrante da Comissão Organizadora do Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia (Contecc), professor José Geraldo Baracuhy, a iniciativa da Mútua merece todo o destaque e reverência. “É uma quebra de cultura e de paradigmas no Sistema Confea/Crea e Mútua vermos a nossa Caixa de Assistência atuando, também, com foco no empreendedorismo. Isso possibilitará que os estudantes e recém-formados vislumbrem muito mais do que apenas serem empregados. Eles podem ter seu próprio negócio e serem até empregadores. O prêmio não será importante só para a Mútua, mas, principalmente, para todo o Brasil”, reconhece.

Como participar
O projeto poderá ser encaminhado individualmente ou por equipe (neste caso apenas um dos autores deverá ir receber o certificado na 73ª Soea), sendo que em ambos os casos o autor principal deve ser profissional registrado e adimplente com o Crea ou estudantes de nível médio (técnicos), superior (tecnólogos ou graduação) ou de pós-graduação.

As inscrições estarão abertas até 31 de julho de 2016. Os interessados devem enviar a proposta em formulário próprio no site da  www.anprotec.org.br, devidamente preenchido, exclusivamente, para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Serão selecionadas pela Anprotec para receber o “Prêmio MÚTUA de Empreendedorismo” até três propostas, observando-se prioritariamente o potencial do empreendimento inovador relacionado à criação ou melhoria de processos, produtos e serviços.
No caso de profissionais, deve ser anexado ao processo o comprovante de que está inscrito no Crea e adimplente. Já os estudantes devem anexar a declaração de que está regularmente matriculado em curso técnico, tecnológico, graduação ou pós-graduação.

Fonte: Gecom/Mútua

Prêmio Mútua de Empreendedorismo para ideias inovadoras de profissionais e estudantes

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