BR Cidades realiza Fórum Regional no Rio de Janeiro

O Núcleo regional do Rio de Janeiro do Br Cidades realizará o Fórum Regional RJ BrCidades, que acontecerá no dia 29 de Junho das 9h às 18h, no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB). Um dos objetivos é o aprofundamento democrático e participativo nos eixos: violência urbana; gênero, raça e cidade; e planejamento popular.

Confira o cronograma:

9h às 10h - café da manhã
10h às 13h - tema Violência Urbana
13h às 14h - almoço
14h às 16h - tema Gênero, raça e cidade
16h às 18h - tema Planejamento Popular

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23 de junho é o dia internacional das mulheres na engenharia, uma iniciativa da Women's Engineering Society (WES), instituição e rede profissional de mulheres engenheiras, cientistas e tecnólogas do Reino Unido. As mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades no mercado de trabalho. Dados da RAIS/MTE apontam que em 2016 apenas 36% dos postos de trabalho eram ocupados por mulheres na engenharia. De acordo com informações do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), o número de mulheres registradas é de 202.136 em 2018, enquanto o número de homens é de 1.213.523. Pensando nisso, listamos algumas das engenheiras que tiveram um papel de extrema importância, não só para a igualdade de gênero, como também para a evolução da engenharia.

Aida Espinola: engenheira química que chefiou o laboratório que explorou o primeiro poço de petróleo no Brasil. Trabalhou, inicialmente, no Laboratório de Produção Mineral, como responsável pelas análises dos minérios brasileiros, que resultou em várias medalhas, como, por exemplo, a "Medalha Fritz Feigl" e a "Medalha João Christovão Cardoso" do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E muitas outras honrarias, sendo, a principal, nos últimos anos, o título de Pesquisadora Emérita do CNPq, que recebeu em 17 de abril de 2006, das mãos do Vice-Presidente da República do Brasil, Sr. José de Alencar. O seu laboratório foi escolhido pela NASA, entre numerosos outros laboratórios, para análise das rochas recolhidas na Lua, em locais pré-determinados, antes do início do Projeto Apollo.
7 mulheres que se destacaram na engenharia

Ana Primavesi: engenheira agrônoma responsável por avanços no campo de estudo das ciências do solo em geral, em especial o manejo ecológico do solo. Foi também fundadora da Associação da Agricultura Orgânica (AAO), uma das primeiras associações de produtores orgânicos do Brasil. Seu livro "Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais" é uma das maiores referências. Ana foi pioneira no movimento de agroecologia e agricultura orgânica no Brasil;
7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Enedina Alves Marques: primeira engenheira negra do Brasil. Formou-se em Engenharia Civil em 1945 pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). Construiu a maior hidrelétrica subterrânea do sul do país (Usina Capivari-Cachoeira), contribuindo para a soberania energética;
7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Veridiana Victoria Rossetti: primeira engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em 1937. Reconhecida como uma das maiores pesquisadoras no mundo em doenças que atingem a citricultura, foi uma das maiores pesquisadoras do mundo. Foi presidente da Comissão Permanente de Cancro Cítrico de 1975 a 1977. Teve mais de 300 trabalhos publicados ou apresentados em congressos nacionais e internacionais e recebeu dezenas de prêmios e homenagens. Também foi membro da Academia Brasileira de Ciências, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo presidente da República em 2004.

7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Aprille Ericsson – Jackson: primeira mulher a receber um Ph.D. em engenharia mecânica pela Howard University e a primeira mulher negra a receber um Ph.D. em engenharia no Goddard Space Flight Center da NASA. Devido à tamanha importância, Ericksson ganhou muitos prêmios, dentre eles o de melhor engenheira do governo federal da Women in Science and Engineering (WiSE)
7 mulheres que se destacaram na engenharia

 

• Edith Clarke: primeira mulher a ganhar um diploma de mestrado em engenharia elétrica pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a primeira a dar aula no departamento de engenharia da Universidade do Texas, no Estados Unidos. Inventou a calculadora gráfica.
7 mulheres que se destacaram na engenharia

• Isabel Gago: primeira mulher a se formar no curso de Engenharia Química, no Instituto Superior Técnico (IST), em Portugal, e a primeira mulher a assumir a docência, numa escola nacional de engenharia.
7 mulheres que se destacaram na engenharia



 

Por Comunicação Fisenge

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Em uma solenidade histórica com mais de 100 pessoas, no dia 14/5, aconteceu a posse da nova direção do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM), no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, uma representante da sociedade civil é eleita para a presidência do Conselho. "É uma conquista, porque durante mais de 10 anos as conselheiras lutaram para modificar o Regimento Interno do CEDIM com objetivo de proporcionar a participação da presidência da sociedade civil, revezando a cada 4 anos”, contou Cladice, eleita conselheira titular para o mandato 2018/2022, em uma das duas vagas destinadas à universidade. Cladice é professora do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRIO).

Representante da União Brasileira de Mulheres (UBM), Helena Piragibe foi eleita a primeira presidente da sociedade civil em quase 3 décadas de existência. “Sou a 18ª mulher a ocupar a presidência e é um grande desafio, principalmente diante da atual crise que vive o estado do Rio de Janeiro. Além de fiscalizar e acompanhar, nos comprometemos a lutar pela reconstrução dos equipamentos públicos para as mulheres e a própria sede do CEDIM”, destacou. Ainda de acordo com Helena, o CEDIM não tem orçamento próprio nem infraestrutura, e as conselheiras não são remuneradas. “Há no dispositivo legal que criou o CEDIM a possibilidade de arrecadação financeira por meio da constituição de um Fundo, que as conselheiras das gestões passadas conseguiram avançar na regulamentação e regularização inclusive com o CNPJ. O compromisso que temos é ajustar este Fundo e por meio de doações e emendas parlamentares garantir as condições de execução de serviços e programa mínimo que atenda às mulheres”, afiançou.

Cladice também demonstrou preocupação quanto aos recursos públicos. “Será necessário apoio dos movimentos e do conjunto da sociedade para criarmos condições de subsistência e resistência do CEDIM”, afirmou. Em seu discurso, Helena falou sobre a atual crise que o estado vive. “O Rio de Janeiro é o berço de muitas feministas. Não podemos deixar que a falta de orçamento acabe com este espaço. Convido todas as mulheres a participarem do CEDIM, para que possamos todas juntas ser protagonistas”, conclamou.

Segundo Helena, atualmente, o CEDIM não implementa políticas públicas. “O CEDIM passa a colaborar e contribuir para a efetivação de ações, estabelecendo a necessária interlocução com o movimento de mulheres e movimentos feministas e ampliando o processo de controle social sobre as políticas públicas para as mulheres”, explicou. O Conselho é um órgão colegiado de caráter consultivo e deliberativo, formado por 34 representantes da sociedade civil (50% titulares e 50% suplentes) e 8 governamentais (50% titulares e 50% suplentes).
A deputada estadual e presidente da Comissão da Mulher na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Enfermeira Rejane, explicou que a mudança do regimento é uma reivindicação antiga. “Conseguimos mudar a locação do CEDIM para a Casa Civil e facilitar a mudança do regimento para garantir a democracia interna com a sociedade na presidência”, contou. Durante a solenidade, estiveram presentes parlamentares, defensoria pública, órgãos públicos e movimentos sociais. A deputada federal Jandira Feghali destacou o papel das mulheres na vanguarda da luta política. “Se por um lado, homens misóginos sequestraram a democracia, as mulheres, por outro lado, ocupam os espaços e constroem a resistência. A luta feminista é uma luta pela liberdade e pela democracia”, pontuou Jandira, que foi relatora da Lei Maria da Penha. Já a deputada federal Benedita da Silva prestou uma homenagem para a feminista Hildézia Medeiros, por sua contribuição na luta pelos direitos das mulheres e também no CEDIM como conselheira. “Hildézia me ensinou, educou e marcou a minha vida na luta feminista. Passamos pelo 13 de maio, que ainda não aconteceu para nós, o povo negro”, lembrou Benedita, citando os índices de violência que atingem as mulheres negras. Benedita foi relatora da PEC das Domésticas, na Câmara dos Deputados.

Criado em 1987, o CEDIM foi um dos primeiros conselhos de direitos da mulher do país, instituído por meio do Decreto 9.906 de 06/05/1987 e, posteriormente, pela Lei Estadual nº 2.837 de 19/11/1997. O conselho tem “a finalidade de elaborar e implementar, em todas as esferas da administração do Estado do Rio de Janeiro, políticas públicas sob a ótica de gênero, destinadas a garantir a igualdade de oportunidades e de direitos entre homens e mulheres, de forma a assegurar à população feminina o pleno exercício de sua cidadania”.

Mulheres e a cidade

O Rio de Janeiro ainda é uma cidade hostil para as mulheres, principalmente por falta de políticas públicas específicas. A arquiteta e conselheira do Comitê de Gênero do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ), Tainá de Paula, reforçou que é fundamental abordar o debate de gênero nas cidades. “O principal é criar um espaço de escuta para os problemas urbanos e promover políticas que gerem pertencimento das mulheres às cidades. O transporte público, por exemplo, é caro, inseguro e escasso e afeta principalmente a vida das mulheres periféricas”, pontuou.

Cladice também lembrou do machismo na engenharia. “As engenheiras convivem em um ambiente com estereótipo ainda muito masculino e sofrem com a discriminação. Eu mesma vi empresas que adoraram meu currículo, mas não contratavam se tivesse filhos menores de cinco anos. Temos que provar que somos boas profissionais e ainda enfrentar o preconceito. É dupla luta”, relatou.

A engenheira Teneuza Cavalcanti foi a primeira mulher vice-presidente do Conselho de Engenharia e Agronomia no Rio de Janeiro (Crea-RJ) e acredita que é fundamental a ocupação dos espaços. “Criamos uma Comissão de Igualdade de Gênero e Raça no Conselho e recebemos, das mãos da então ministra Eleonora Menicucci, o selo de pró-equidade de gênero e raça por três anos consecutivos, pautando as demandas das mulheres”, contou. Também presente na cerimônia de posse, o engenheiro e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Clovis Nascimento, destacou a importância do debate de gênero nos conselhos e entidades sindicais. “Temos uma diretoria da mulher na Fisenge, que pauta questões específicas de gênero e também atua nas negociações coletivas para garantir cláusulas que atendam às mulheres”, comentou Clovis, que também reforçou a importância da organização das mulheres, destacando a trajetória do Coletivo de Mulheres da Fisenge: “Recebemos um prêmio de direitos humanos com as histórias em quadrinhos da Engenheira Eugênia, que pautam as dificuldades da engenheiras no mundo do trabalho e na sociedade. Nesse sentido, presto apoio e solidariedade às mulheres e à nova direção do CEDIM”.

Composição

A Subsecretária de Políticas para Mulheres, Cristiane Lamarão, deu posse para assumir a direção do CEDIM. para o período de 2018 a 2022:

Presidenta do CEDIM RJ - Helena Piragibe ( representante da União Brasileira de Mulheres - UBM )

Secretária de Finanças do CEDIM RJ - Edna Calheiros ( representante da Associação de Mulheres Empreendedoras - AMEAS)

Secretária Geral do CEDIM RJ - Fátima Maria dos Santos ( representante do Movimento de Mulheres de São Gonçalo)

Texto e foto: Camila Marins

Engenheira toma posse no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher

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“Desate o nó que te prende. Denuncie o assédio!” é o título e a bandeira da conferência da Regional do Sindicato em Campo Mourão e do Senge Jovem no dia 13 de abril para debater o combate às formas de assédio contra as mulheres. Com entrada gratuita, o evento marca a atuação regional do Coletivo de Mulheres do Senge na série de eventos sobre gênero e engenharia neste mês de março.
Na programação da conferência, está confirmada a palestra “A realidade da mulher engenheira”, a ser ministrada pela engenheira química, Simone Baia, que é especialista em hidrogeologia aplicada e mestre em geoquímica e petrologia. Diretora da Mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e Coordenadora do Coletivo de Mulheres da Federação, Simone abordará, dentre outros temas, um panorama da participação da mulher e o cenário de necessária resistência no campo da engenharia.

Na sequência do evento, será realizada a palestra “Assédio e moral e sexual contra mulheres no ambiente de trabalho”, ministrada pela matemática, advogada, pós-doutora em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp e coordenadora de pós-graduação na UTFPR, Nanci Stancki da Luz.

Marque na agenda! A conferência será no dia 13 de abril, às 19 horas, em Campo Mourão, no auditório do Sindiscam, na Rua Mato Grosso, 2712, Centro. Participe!

Fonte: Senge-PR

Senge-PR: regional de Campo Mourão promove conferência sobre assédio moral e sexual

 

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Texto: Alméria Carniato (engenheira agrônoma)

08 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data marcada por manifestações de carinho materializado nas mais coloridas flores! Entretanto, é preciso lembrar do ano 1857, quando 168 operárias de uma fábrica de tecidos fizeram uma grande greve para reivindicar  melhores condições de trabalho tais como: redução da jornada diária de trabalho de 16 horas para dez, equiparação de salários com os homens pois exercendo a mesma atividade elas chegavam a receber 1/3 dos salários dos homens e tratamento digno no ambiente de trabalho. “O ato de coragem emanados por aquelas mulheres é sobretudo o sonho pela justiça, foram covardemente incendiados , porém as suas sementes resistiram ao calor do ódio e germinaram nas cinzas.”

Assim em memória a luta delas ficou decidido em 1910, durante a Conferência na Dinamarca, que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher. Mas, somente no ano de 1975, por meio de um decreto a data foi oficializada pela ONU. NO Brasil, as movimentações pelos Direitos da Mulher surgiram no início do século XX.

Conquistas e direito ao voto - depois de muita luta em 1932.

A discussão sobre igualdade de gênero, saúde da mulher e sexualidade começou na década de 70. A primeira delegacia da Mulher surgiu em 1985. A lei Maria da Penha promulgada em 2006 e por último a lei do Feminicídio nº 13.104 de 9 de março de 2015.
Entretanto, se avançamos com algumas conquistas no espaço temporal; nos deparamos no tempo presente onde a violência contra a mulher não para de crescer. Nestas estão incluídas as violências físicas, psicológicas, moral, patrimonial,cárcere privado, dentre outras.
Onde ouvimos com certa intimidade os gritos de luta, de socorro e de reivindicações de todas as mulheres.


POR ISSO, NÃO QUEREMOS SÓ FLORES;

- queremos o direito de ir e vir
- queremos o direito d existir sem correr risco de vida
- queremos o direito de escolher ou não engravidar
- queremos o direito de ser escutada sem precisar levantar a voz
- queremos o direito deter o nosso corpo da forma que bem quisermos –
- queremos respeito a nossa sexualidade
- queremos salários iguais pela mesma qualificação
- queremos tarefas domésticas compartilhadas
- queremos cuidados com as filhas e filhos compartilhados.

O DIA 8 DE MARÇO FOI E SEMPRE SERÁ UM DIA DE LUTA!

“ Flores quando arrancadas morrem; deixe-as aonde elas estão. Nós mulheres somos sementes. Tentam nos enterrar ao longo dos séculos, mas estamos aqui crescendo fortes lutando por dignidade cada vez mais unidas.

“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres.”

(Marcha Mundial das Mulheres)

8 de Março, até queremos flores. Mas quero o meu lugar de igualdade e respeito

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“Não é não!” Este é um dos temas da campanha nacional de combate ao assédio contra mulheres no carnaval. Durante este período, cenas de assédio e violência contra a mulher acontecem com maior frequência, sob a justificativa de “vale tudo nessa época do ano”. Com o objetivo de desmistificar algumas situações, O Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros lança, no dia 6/2, ilustrações e uma história em quadrinhos sobre o tema. Um dos objetivos é alertar pedagogicamente os homens sobre a importância do consentimento da mulher e sobre práticas machistas. “Os casos de violência e assédio contra mulheres, durante o carnaval, aumentam muito. Nosso objetivo é fortalecer a rede de solidariedade, apoio e luta de diferentes grupos de mulheres em todo o Brasil e também pressionar por uma resposta do poder público que, muitas vezes, naturaliza tais práticas”, afirmou a diretora da mulher da Fisenge, a engenheira química, Simone Baía, que ainda destacou: “Precisamos falar sobre consentimento e isso significa que a decisão é da mulher e os nossos corpos não podem ser tratados como públicos. Exigimos respeito e direitos”.

A campanha ganhou força nas ruas de cinco estados por meio da distribuição de tatuagens com os dizeres “Não é não” e também por meio da entrega de leques com informações sobre consentimento e locais de denúncia, promovida pela Comissão da Mulher da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, os blocos Alô Abacaxi, Garotas Solteiras, Bruta Flor, Acorda Amor e É o Amô são parceiros do projeto “Não é não”. Em São Paulo também é realizada a distribuição de tatuagens.

Em Pernambuco, aconteceu, em 2017, a iniciativa #AconteceuNoCarnaval e, em 2018, houve o lançamento de uma ferramenta para receber relatos (https://www.aconteceunocarnaval.meurecife.org.br/). Em Vitória (ES), a Prefeitura lançou as campanhas “Depois do não é tudo assédio” e “Fantasia não é convite.

Em casos de violência e assédio durante o carnaval, disque 180 ou procure uma Delegacia da Mulher.

Engenheiras lançam campanha de combate ao assédio no carnaval

Engenheiras lançam campanha de combate ao assédio no carnaval

Engenheiras lançam campanha de combate ao assédio no carnaval

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A militância política contra a desigualdade social deve incorporar também a luta por igualdade de direitos entre gêneros e raças, agregar bandeiras para aumentar o movimento, defende o publicitário Spartakus Santiago, que tem cerca de 200 mil seguidores no Facebook (Spartakus Vlog), além de outros 15 mil no YouTube (canal Spartakus). Segundo ele, as pautas chamadas identitárias não competem com as agendas tradicionais da esquerda, mas somam no enfrentamento a “quem está lá no topo”.

“As pessoas precisam entender que há vários níveis de opressão”, afirmou, durante entrevista à jornalista Camila Marins, no Soberania em Debate, promovido no último dia 14 pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e pela Federação dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). “Não adianta buscar o fim da desigualdade social, se você não entende que existe a desigualdade racial, de gênero, outras lutas, e elas não competem. É uma forma de agregar pessoas à luta.”

Segundo ele, muitos ativistas do movimento negro estão descrentes, porque segmentos de esquerda, em vez de abraçarem essa pauta – até como forma de atrair mais gente que se identifica com esse discurso –, não a levam a sério. “Os movimentos têm que ser inteligentes e responder a esse anseio da população, dessas lutas identitárias, e trazê-las para sua luta, porque é tudo uma luta só, contra a opressão.”

Ciberativista, o vlogueiro está aberto a dialogar nas redes, mesmo com aqueles de quem discorda. Quer desconstruir preconceitos e combater a desinformação disseminada pelos “discursos de ódio” que tentam capturar setores sociais conservadores para objetivos eleitorais. Um efeito crítico do desencontro entre os movimentos de esquerda que focam a pauta econômica e as minorias, diz, é a apropriação das pautas de raça e gênero por esses grupos. “O Brasil tem sérios problemas. E alguns grupos preferem criar problemas imaginários para atacar esses monstros fictícios.”

Por exemplo, ele observa que aquilo que se convencionou chamar de ideologia de gênero não existe. Há simplesmente identidade de gênero: “o mundo passando a entender que as pessoas transgênero são humanas, têm direitos, e levando esse conhecimento às escolas para que entendam que esse pessoal tem direito e parem de rir deles.” E como funciona, nesse contexto, o discurso de ódio? “Esses grupos se apropriam do tema e vão para a população mais conservadora, que não entende do que se trata, e criam um monstro para poder ganhar votos. Não atacam problemas reais, não levam propostas. E se apresentam como heróis que vão salvar o país.”

Nesse sentido, Spartakus tenta sistematicamente dialogar nas redes, num esforço de pedagogia política rara no atual contexto das mídias sociais. “O que eu vejo hoje, tanto dos movimentos de esquerda quanto da direita, tanto dos conservadores quanto dos progressistas, é uma tentativa de destruir o adversário”, diz. Para ele, é necessário um trabalho de desconstruir a base de desinformação do sujeito que odeia – “As pessoas foram levadas àquele pensamento por um contexto, que é preciso desconstruir. Caso contrário, não estaremos usando a nossa voz na maior potência, que é tentar se comunicar com o outro.”

Nos seus próprios perfis no Youtube ou no Facebook, o publicitário reconhece que recebe “muito ódio”. Mas não descarta aqueles internautas com quem percebe que há possibilidade de interação e argumentação. “Recebo muitos comentários que são de direta, de quem discorda das cotas, etc. E eu respondo, porque abriu-se ali uma porta para desconstrução. Não sou o dono da verdade, a internet é um diálogo e, na hora que as pessoas se abrem ao diálogo, vou ter a maior paciência para explicar as coisas.” Especialmente, destaca, porque a desinformação não é natural — mas tem sido fomentada na rede por meio de manchetes falsas, que buscam atingir determinados políticos, de modo a favorecer a outros.

“Os políticos viram nisso uma arma política, uma forma de manipular a população. Foi isso que elegeu Donald Trump e também está acontecendo muito no Brasil. As pessoas não checam as notícias. O maior desafio é aprender a usar as redes sociais a nosso favor, não deixar a desinformação se espalhar.”

Lugar de fala e representatividade

Os vídeos de Sparkatus desfazem boatos e falsas polêmicas e também descomplicam conceitos importantes para o movimento social. Por exemplo, o “lugar de fala”, que, ao contrário do que alguns tentam fazer crer, não propõe silenciar os grupos sociais privilegiados, mas assegurar a credibilidade e o respeito de que desfrutam há séculos também aos posicionamentos das populações oprimidas. “O homem rico, branco, fala contra as cotas e esse conhecimento é valorizado. E deixam de ouvir as pessoas que têm o conhecimento prático da realidade, a pessoa negra. O mesmo em relação à questão LGBT, ao feminismo. Lugar da fala é dar espaço para que a minoria fale por si”, explica.

O publicitário lembra, por exemplo, as diferentes reações nas redes às declarações recentes denunciando racismo feitas pela atriz Taís Araújo e pelo ator Bruno Gagliasso. “Uma fala foi questionada, a outra não. Para ver como a fala do negro é questionada na sociedade.”

Outro fundamento relevante destacado por Spartakus é a noção de representatividade. “A gente cobra muito das marcas: não dá para ver filmes, novelas, campanhas de empresas que se dizem ‘gay friendly’ mas não têm LBGT em cena. Hoje em dia, a luta não se restringe à comunicação, as empresas precisam transformar seus discurso em ação.”

Apesar da força das redes sociais, o grande alcance da mídia tradicional torna importante, diz, a pressão para que, por exemplo, as novelas tenham pessoas negras no elenco. “A mesma mídia que fala contra a LGBTfobia, o racismo, faz produções sem essa representatividade”, observa. Na publicidade, área em que atua, o vlogueiro diz que são apenas 3,5% de profissionais negros – uma dupla discriminação, nos próprios postos de trabalho e midiática, na produção comercial dos anúncios.

O exemplo, a visibilidade, a presença efetiva de negros, mulheres, LGBT, em postos de relevância e valorizados são a melhor ação contra a discriminação e o preconceito, na opinião do ativista. “Ninguém ensinou que uma pessoa branca é bonita; é um discurso cultural”, diz Spartakus. “As pessoas vão vendo e seguindo as referências. Assim você constrói a imagem do cabelo bonito, aquele cabelo liso, que aparece na TV.” Poder assistir nos meios de comunicação a artistas como Liniker ou Pablo Vittar e perceber que são desejáveis e interessantes é um processo transformador, ressalta. “A estética é muito política.”

Para as eleições de 2018, ele acredita que o mais importante é entender que se está votando em um projeto, e entender “de qual o projeto a gente precisa para o país”. Considerando todos esses níveis de enfrentamento que a busca de igualdade e justiça social envolve.

A pedido de internautas que acompanharam o debate, o vlogger e publicitário indicou livros e canais de referência do YouTube:

Livros
. “A Elite do atraso”, Jessé Souza (Ed. Leya)
. “O que é lugar de fala”, Djamilla Ribeiro (Letramento/Justificando)

Youtubers

Nátaly Neri

. Ad Junior

Papo de Preta

Pretinho mais que básico

Mandy Candy

Põe na Roda

Gabriel Estrela

Clique para conferir o Soberania em Debate com Spartakus Santiago na íntegra

Spartakus: a esquerda vai crescer, se agregar as lutas contra desigualdades raciais e de gênero

 

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Engenheiras de 12 sindicatos da categoria se reúnem neste sábado (15) na sede do Senge Paraná, em Curitiba, para a reunião nacional do Coletivo de Mulheres da Fisenge. São 11 estados representados, de Norte a Sul do Brasil. O encontro ocorre ao longo de todo o dia, sob a coordenação da diretora da mulher da Fisenge, a engenheira Simone Baía.

Na abertura do encontro, o presidente do Senge-PR, Carlos Bittencourt, frisou o esforço do sindicato em avançar na paridade de gênero na diretoria da entidade. “Uma das premissas para montar a nova chapa era buscar mais mulheres e jovens para compor a direção. Foi uma aposta muito grande, por ter sido uma busca por renovação”, explica Bittencourt, se referindo à eleição para a nova diretoria do Senge, realizada em maio.

E o esforço deu resultado prático: a nova diretoria passou a ter 29% de engenheiras, num total de 23 mulheres na direção estadual. Das sete regionais do Senge-PR, duas tem presidência de mulheres. O percentual ganha força quando comparado aos 12% de engenheiras associadas ao sindicato e aos 19% de mulheres engenheiras no Paraná. No Senge Jovem, a presença das estudantes mulheres das direções regionais e entre os associados está na casa dos 50%.

Simone Baía destacou a ampliação do número de mulheres na diretoria recém-empossada do Senge-PR. “Mesmo com uma categoria majoritariamente masculina, nós, mulheres, estamos avançando na ocupação dos espaços. É fundamental que engenheiras participem dos sindicatos, para que possamos formular políticas específicas de gênero e também construir espaços mais acolhedores às mulheres nas entidades”, afirmou.

“Chegar a 29% de presença de mulheres na direção é avanço enorme, que precisa ser reconhecido e valorizado. É um movimento de ampliação da participação das mulheres. Todo o nosso esforço agora é em fortalecer o coletivo de mulheres no estado”, apontou Mary Stela Bischof, diretora estadual do Senge e representante do Paraná no Coletivo de Mulheres na Fisenge.

A diretora-geral da Regional de Campo Mourão, Losani Perotti também participou da reunião.

Mulheres constroem rede de empoderamento e solidariedade

“Temos uma cidade segregadora, com espaços onde podemos frequentar e onde não podemos”, relatou a geógrafa e militante feminista Marceleh Lemos, que apresentou o projeto de Promotoras Legais Populares (PLPs) de Curitiba e da Região Metropolitana, durante a reunião do Coletivo de Mulheres da Fisenge. Com início em São Paulo, o curso promove formação política feminista e direitos para mulheres por meio de uma rede articulada em todo o país. Em Curitiba, a formação acontece por meio do curso de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenado pela professora Melina Girardi Fachin. A primeira turma “Amelinha Teles” se formou, em 2011, no salão nobre da faculdade de Direito. “Foi muito simbólico, pois nas paredes do salão só havia fotos de homens”, contou a engenheira agrônoma e diretora do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR), Mary Stela Bischof, que participou da primeira turma.

“O curso de formação é baseado em educação popular, que busca oferecer às mulheres condições para superar situações de discriminações, desigualdades, violências físicas e psicológicas vividas no cotidiano, formando-as para o exercício da cidadania”, explicou Marceleh. Mary Stela ainda lembrou que, durante o curso, duas mulheres denunciaram situações de violência que viviam. “Elas sofriam violência doméstica, tomaram coragem e prestaram queixa, uma delas de Piraquara, inclusive”, disse. Piraquara, localizada na região metropolitana de Curitiba, é a segunda cidade onde ocorre maior número de feminicídios [crimes baseados em violência de gênero]. De acordo com levantamento do Instituto Sangari, de 2010, Piraquara registra uma taxa de 24,4 casos de homicídios de mulheres por 100 mil habitantes. “Fala-se que Curitiba é uma cidade modelo, mas a região metropolitana é uma das mais violentas do Brasil”, relatou Marceleh.

De acordo com a geógrafa, as Promotoras Legais Populares são “aquelas que podem orientar, dar conselho e promover a função instrumental no dia a dia das mulheres. Um dos desafios é oferecer atendimento jurídico e psicológico às mulheres em situação de violência”.

Mulheres de diferentes áreas e atuações participam do curso como engenheiras, catadoras de materiais recicláveis, conselheiras tutelares, assistentes sociais, sindicalistas, militantes e estudantes, por exemplo. Entre os pontos abordados no curso estão: educação popular feminista, mulheres na política, Estado laico, direitos das mulheres, saúde e sexualidade, reapropriação do corpo, direitos reprodutivos, diversidade sexual. As mulheres mães contam com uma ciranda que cuida de crianças com a contribuição de estudantes homens.

“A informação e o compartilhamento destas informações promovem uma rede coletiva de empoderamento entre mulheres, que têm acesso ao conjunto de direitos que devem ser reivindicados e ainda propicia uma rede de solidariedade entre as mulheres. Na engenharia, por exemplo, nós podemos contribuir na formulação de políticas que promovam espaços seguros para as mulheres”, ressaltou a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía e, por isso, nós, mulheres engenheiras, podemos dar a nossa contribuição sobre direitos das mulheres na cidade e no campo.

A engenheira e representante do Senge-ES no Coletivo de Mulheres da Fisenge, Lúcia Vilarinho lembrou de um projeto que participou em sua trajetória profissional. “Em obras de assentamentos, havia o curso ‘Promotores da Cidadania’, no qual discutíamos com a comunidade as obras e seus impactos”, relatou.

Ao finalizar, Marceleh destacou uma frase estampada em sua camiseta: “Mulheres que ousam lutar constroem o poder popular”.

Conheça o projeto em: https://www.facebook.com/plpscuritiba/

Texto e fotos: Camila Marins (Fisenge) e Ednubia Ghisi (Senge-PR)

Coletivo de Mulheres da Fisenge se reúne em Curitiba

 

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A historiadora e professora Marlene de Fáveri desenvolve pesquisas na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) sobre gênero e feminismo, categorias que enfrentam atualmente, no país, uma forte campanha de “demonização” por partes de forças conservadores, em alguns casos até fascistas, conforme ela mesma denuncia no artigo abaixo. O tema estará em pauta no próximo dia 14 de julho, em Curitiba, durante o IV Simpósio SOS Brasil Soberano, do qual Marlene participa na mesa de debates com o tema “Política e Estado”.

“Se o Gênero, assim como o Feminismo, tem gerado discussões acaloradas, é porque é político”, escreve. Neste artigo, prévia da sua apresentação no simpósio, a professora explica por que seu feminismo, suas posições políticas, intelectuais e éticas a tornaram ré em processo movido por uma ex-orientanda. A ação gerou uma moção de apoio à professora por parte da Associação Nacional de História (Anpuh) e uma nota assinada por colegas do programa de pós-graduação da Udesc, além de diversos atos de protesto e solidariedade, nas faculdades e nas redes sociais. Confira o texto na íntegra:

Neste momento, vivenciamos no Brasil um movimento conservador de demonização do Feminismo e do Gênero, palavras tidas como `proibidas` e que têm sido brutalizadas em corações e mentes, sendo até excluídas de planos educacionais. Ambas remetem aos direitos das mulheres e à luta por equidade, emancipação, liberdade, erradicação de violências de gênero. Se o Gênero, assim como o Feminismo, tem gerado discussões acaloradas, é porque é político. Aquilo que instiga, gera, produz reflexões é eminentemente político.

Por que o espaço privado foi tão controlado ao longo da história? Porque é um lugar político; então, sendo privado e político, produz disputas. Se o Gênero é um lugar de relações de poder, assim como o Feminismo, por que pessoas se incomodam com o Gênero como categoria para analisar a sociedade? Quem se incomoda, e por quê? Que relações de poder são essas? Construídas na cultura, na educação, nos discursos eivados de preconceitos, espalham-se e são reproduzidas nas tribunas, nos tribunais, no parlamento, em diferentes instituições, religiosas ou não, e fomentam a discórdia.

Meu Feminismo advoga por justica social e direitos humanos, por democracia, por equidade de direitos, salvaguardadas as diferenças, e isto só virá, se as relações de gênero mudarem para a vivência de práticas igualitárias de direitos e liberdade de escolhas. Como categoria analítica, o Gênero nos dá suporte e referências para reflexões e ações acerca das violências, dos estudos sobre a infância, das famílias, das sexualidades, das relações tantas entre homens e homens, mulheres e mulheres, homens e mulheres.

Feminismo e Gênero, imprescindíveis à justiça social, à liberdade e à democracia

Meu Feminismo reflete sobre as exclusões, denuncia as mazelas das violências, sejam de ordem sexual, doméstica, racial, homofóbica, étnica, geracional, de classe, dentre outras. E isto me fez ré de um processo. Mas eu não sou vítima, não cometi crime; vítima é o país, nessa onda fascista de tentativas de sujeição de seus professores e suas professoras ao silêncio, de amordaçar a fala, de silenciar, de fomentar medo. Então eu luto, e “lutarei em todas as trincheiras até o último minuto”, na frase de Dilma Rousseff.

Profa. Dra. Marlene de Fáveri – Departamento de História e Programa de Pós-Graduação de História (PPGH), do Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Fonte: Sos Brasil Soberano 

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