Sindicatos de eletricitários denunciam sucateamento que, além de cortar postos de trabalho, pode causar apagões e prejudicar a população de todas as regiões do Brasil

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A direção de Furnas anunciou a demissão de 1.041 trabalhadores que exercem atividades-fim, de usinas e subestações em todo o Brasil, sob a alegação de redução de custos. Aos trabalhadores foi oferecida a possibilidade de adesão a um plano de demissão voluntária, cujo prazo termina nesta sexta-feira (18).

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos de Campinas (Sinergia-CUT), Carlos Alberto Alves, afirma que o termo de adesão deixa os trabalhadores desprotegidos porque, além de deixar dúvidas sobre os procedimentos traz ainda a “crueldade de obrigar o trabalhador a abrir mão de ações judiciais já ingressadas e proibi-los de entrar com ações futuras para reclamar quaisquer tipos de direitos”.

Trecho do termo diz: “É preciso salientar que ao assinar o documento, o contratado dará quitação total e irrevogável quanto ao objeto transacionado, renunciando ao direito de propositura de ação judicial contra Furnas para discutir eventuais direitos relacionados ao objeto transacionado, qual seja isonomia salarial, plano de saúde e cursos de capacitação. Para os contratados que já possuem ações judiciais em andamento, é necessária a comprovação da desistência de ações que possuam o mesmo objeto transacionado para a adesão ao acordo, com renúncia a ações futuras”.

Ainda de acordo com a direção do Sinergia, as atividades de Furnas já estão comprometidas pela falta de funcionários. Igor Henrique Israel Silva, diretor do sindicato e um dos trabalhadores de Furnas a serem afetados com os cortes, denuncia que a atual gestão, alegando motivos econômicos para os cortes, está sucateando o sistema para abrir caminho para a privatização.

Os trabalhadores que correm risco de demissão estão em todas as áreas. “Não só operadores, mas também técnicos de manutenção eletromecânica e eletrônica, eletricistas do setor de transmissão, engenheiros e até médicos e enfermeiros”, diz Igor Israel.

Ele relata que a direção de Furnas usa como argumento para as demissões a implementação de um sistema chamado de telecomando, pelo qual usinas e subestações, são operadas remotamente. Mas a prática, ele diz, para várias unidades, “não está de acordo com normas de segurança”.

Além de cortar postos de trabalho, o ‘telecomando’ coloca em risco o abastecimento de energia em todo o país. Furnas hoje é responsável pela transmissão de energia em 16 estados e no Distrito Federal, o que representa 10% de toda a energia gerada no país. Além disso, 40% de toada a energia consumida no Brasil passa pelo sistema da empresa.

Segundo o dirigente, se torna iminente o risco de apagões em todo o Brasil, além de aumentar significativamente o tempo de atendimento a cortes de energia. “Quando a usina é operada presencialmente, o técnico trabalha de forma preventiva, detectando falhas logo após o sistema dar o alerta. No caso de telecomando, somente após a falha acontecer é que equipes que estão distantes, farão atendimento”, explica Igor que complementa: “o sistema é conhecido como teleabandono”.

Furnas conta, de maneira deficitária, com 1041 trabalhadores contratados e mais cerca de três mil concursados. Em um acordo firmado anteriormente com entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e as entidades sindicais, Furnas se comprometeu a repor o efetivo com a contratação de, ao menos, 550 trabalhadores, via concurso, o que não foi cumprido até agora.

Por meio desse concurso, os trabalhadores atuais, muitos com até 25 anos de experiência na empresa, teriam pontos adicionais para serem contratados.

Prática antissidical

A direção de Furnas encaminhou um documento ao Sinergia-CUT criticando a atuação da representação sindical. O presidente do sindicato, Carlos Alberto Alves, afirma que a manifestação de Furnas sobre a atuação de defesa dos trabalhadores, por parte do dirigente sindical Igor Israel Silva, em uma Audiência Ordinária na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), evidencia a intenção da empresa de intimidar a luta do movimento sindical contra a privatização e o emprego dos trabalhadores.

“O Sinergia sempre atuou em diversas frentes na defesa dos trabalhadores e do serviço público de qualidade à população, Não vamos abrir mão de continuar na luta em defesa do emprego, na luta contra a privatização e em defesa das empresas públicas”, diz o dirigente.

Práticas antissindicais, perseguições e coações de qualquer natureza não calarão a nossa voz, nem diminuirão a disposição de luta dos trabalhadores, - Carlos

- Carlos Alberto Alves

Ao final do 13º Congresso Nacional da CUT (ConCUT), realizado nos últimos dias 07 a 10 de outubro, na Praia Grande, os mais de 2.100 delegados e delegadas presentes, entre eles dirigentes do Sinergia CUT, assinaram uma moção de repúdio contra a demissão dos mais de mil trabalhadores e trabalhadoras de Furnas.

Solução

Para Carlos, além da preocupação com as demissões dos trabalhadores, há a preocupação com a segurança e saúde dos trabalhadores que continuarão empregados, mas sobrecarregados pelo trabalho. Ele afirma que outras alternativas poderiam ter sido encontradas, mas Furnas foi intransigente. A CUT e sindicatos foram solidários e denunciaram a situação dos 1041 trabalhadores, que correm o risco de perderem seus empregos.

Em um comunicado ao mercado, a Eletrobras informou que os custos com as demissões chegarão a R$ 437 milhões. “Por que não começar um novo contrato com esses trabalhadores? A Eletrobrás deu lucro ano passado de R$ 13,3 bilhões e só neste ano, já chega a R$ 5 bilhões. Somente o lucro de Furnas gira em torno de R$ 1 bilhão”, questiona o dirigente.

Ele alerta que com possíveis apagões, frutos da má gestão de Furnas, o Brasil pode enfrentar impactos econômicos já vistos anteriormente, como com a greve dos caminhoneiros em 2018.

“A empresa assume o risco. A conta fica para o país”, conclui Igor.

Furnas vai demitir mais de mil trabalhadores

Casos em unidades telecomandadas

No dia 1° de outubro, no estado de Tocantins, cinco linhas de transmissão da rede Norte-Sul apresentaram falhas. O nível de emergência da ocorrência foi considerado o mais alto. Houve dificuldade e demora para a chegada de equipes para resolver o problema.

Em Jacarepaguá (RJ), houve um desligamento no início do mês de setembro. A energia demorou mais de três horas para ser reestabelecida, também por conta do deslocamento de equipes.

No caso da subestação de Araraquara, interior de São Paulo, se houve uma falha, as equipes são deslocadas de Campinas, a 170 km de distância. A operação da subestação de Araraquara é feita em São Joaquim da Barra, em Minas Gerais, a 300 km de distância.

Ao contrário do Brasil nos Estados Unidos as empresas estão aumentando o número de trabalhadores presenciais nas usinas e subestações, por conta da vulnerabilidade da segurança, inclusive no  que diz respeito a ataques de hackers ao sistema.

 

Fonte: CUT  /  Escrito por: Andre Accarini

 

 

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O Senge-RJ já ganhou o processo no que diz respeito ao mérito do uso de banco de horas, e agora deve calcular os valores devidos aos empregados, sejam eles sindicalizados ou não, ativos ou inativos.

Empregados de Furnas têm até 24 de julho para participarem de ação judicial coletiva

Os empregados ativos ou inativos de Furnas, na base do Estado do Rio de Janeiro, sindicalizados ou não, participantes do regime de banco de horas a partir de 6 de novembro  de 2007, qualquer que seja o período, têm até o dia 24 de julho para se habilitarem na fase de liquidação do processo judicial coletivo contra a empresa. 
 
O objeto da ação é o banco de horas de Furnas, que foi implementado sem previsão em Acordo Coletivo. O mérito do questionamento foi considerado procedente pela Justiça, não cabendo mais recursos. Os efeitos jurídicos da decisão foram, de um lado, anular o banco de horas e, de outro, gerar diferenças salariais (pagamento de todas as horas positivas lançadas no banco como extras) que se iniciam em 12 de junho de 2007 e vigoram até o presente, uma vez que a empresa ainda faz uso irregular do regime do banco de horas. 
 
O processo já se encontra na sua segunda fase, de liquidação da ação, na qual o Senge-RJ deve apresentar os cálculos individuais relativos aos  trabalhadores representados que têm o direito integrá-la, a fim de receberem o crédito que lhes é devido. As contas serão preparadas por um perito contábil judicial que, em breve, será designado pelo Juiz da causa. 
 
Somente os representados que trabalham no estado do Rio de Janeiro podem participar da ação, ainda que contratados inicialmente para trabalharem em outras unidades da Federação, e, claro, façam parte do regime do banco de horas, independentemente do cargo ou função. 
 
O Senge-RJ está, agora, apurando os nomes dos representados contemplados pelo processo para, em seguida, apresentar as contas individuais devidas a cada um. Para tanto, o sindicato precisa que os trabalhadores assinem um termo de autorização disponível no site (clique para baixar), que deve ser enviado para o seguinte endereço eletrônico do sindicato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O envio do termo de autorização tem a data limite de 30/06/2019, para que o sindicato possa cumprir o prazo judicial. 
 
Nos casos de falecimento de um representado do sindicato, os seus herdeiros/sucessores também poderão fazer parte da ação, preenchendo e enviando o mesmo termo de autorização, com os dados pessoais do falecido, informados também no corpo do e-mail. 
 
Além dos percentuais de 10% e 20% devidos pelos participantes da ação ao sindicato, também será de responsabilidade dos trabalhadores o pagamento dos honorários do assistente técnico calculista, que vai conferir os totais definidos pelo perito judicial. O valor dos percentuais destinados ao assistente será de 1,5% para os associados adimplentes com as mensalidades sociais, ou de 3% para os associados inadimplentes ou não associados da entidade, também pagos ao final da ação, apenas após o recebimento do crédito e sobre o valor líquido efetivamente levantado.
 
 
Fonte: Verônica Couto/ Senge-RJ
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A Associação dos Empregados de Furnas (ASEF), a Associação dos Aposentados de Furnas (Após-Furnas) e Associação dos Contratados de Furnas (ACEP), estão promovendo um abaixo-assinado contra o anúncio de transferência da sede da empresa Furnas, que atua no segmento de geração e transmissão de energia em alta e extra-alta tensão, do bairro de Botafogo (RJ) para um edifício na Central do Brasil (Centro-RJ).

No dia 26 de junho de 2019, os canais oficiais de comunicação de Furnas divulgaram a decisão da diretoria executiva da empresa em transferir a sua sede estabelecida em Botafogo (RJ) desde 1971, para alguns andares de um edifício próximo à Central do Brasil (Centro-RJ). Furnas é a maior subsidiária do grupo Eletrobras presente em 16 estados e no Distrito Federal e que opera e mantém um sistema por onde passa cerca de 40% da energia que move o Brasil, atuando no abastecimento a regiões onde estão situados 63% dos domicílios e 81% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A empresa é composta por trabalhadores altamente qualificados, que desenvolvem serviços de excelência e que se dedicam diariamente pela qualidade e expansão do Setor Elétrico Brasileiro. Além do aspecto social, Furnas tem tido sucessivos lucros bilionários nos últimos anos e distribui dividendos aos seus acionistas sistematicamente.

 
Assine o abaixo-assinado AQUI.
 
ASEF divulga abaixo-assinado pela sede de Furnas em Botafogo
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Um abraço coletivo à sede de Furnas, em Botafogo, está marcado para esta sexta-feira (5), das 11h às 13h. O ato é um protesto contra a saída da empresa dos principais edifícios do complexo, anunciada pela diretoria, e contra as privatizações no setor elétrico. Participam empregados e aposentados da estatal, moradores, comerciantes e comerciários do bairro, parlamentares e entidades representativas, como a Associação dos Empregados de Furnas (Asef), a Associação dos Contratados, Ex-contratados e Prestadores de Serviços em Furnas Centrais Elétricas (Acep), Associação dos Aposentados de Furnas (Após Furnas), a Intersindical Furnas e a União Intersindical Furnas.

Para o diretor da Asef e também do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Felipe Araújo, a proposta de mudar “é mais uma evidência de que estão esvaziando e desidratando a estatal, tentando deteriorar sua marca e sua imagem, desconstruir sua identidade histórica, dispersando equipes, reduzindo o quadro de pessoal, com o propósito final de facilitar sua privatização”.

A direção de Furnas pretende deslocar cerca de 300 engenheiros para instalações em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, e o setor administrativo para a região da Central do Brasil. A mudança provocaria mais desligamentos e demissões, principalmente entre funcionários terceirizados (limpeza, manutenção, segurança, mensageria, etc). Além disso, não leva em conta critérios importantes para as condições de trabalho, como a segurança dos novos locais, que é um dos fatores de maior preocupação entre os funcionários.

A sede de Furnas foi construída há 48 anos, em 1971, e simboliza a relevância da estatal no desenvolvimento do país. Lá funcionam, em sinergia, os setores administrativos, centro de treinamento, gráfica, centro de controle, engenharia, e associações representativas.

Furnas é a maior empresa do sistema Eletrobras, presente em 14 estados e no Distrito Federal, responsável por cerca de 11% da capacidade nacional instalada de geração, 20% das linhas de transmissão e 40% da capacidade de transformação do Brasil, além de ser lucrativa e distribuir dividendos. Em 2018, registrou lucro líquido superior a R$ 1 bilhão.

O argumento da necessidade de cortar custos para justificar a privatização não resiste à análise técnica dos balanços de Furnas e da sua importância para a economia e para o desenvolvimento. Representa, na verdade, mais um passo no projeto hiperliberal do atual governo, que visa a destruição da soberania nacional e o esquartejamento do Estado.

Frente Parlamentar
No dia 9 (terça-feira), às 11h, será lançada na Câmara Federal, em Brasília, uma Frente Parlamentar em Defesa de Furnas. Também circula um abaixo-assinado pela permanência da empresa em Botafogo: https://abaixoassinado.org/abaixoassinados/46951

E uma nota de repúdio à mudança da empresa foi divulgada pela Asef, Após Furnas e Acep: http://www.asef.com.br/Nota%20de%20Repudio%20Sede%2001-07-2019.pdf

Abraço em defesa de Furnas e contra a privatização no setor elétrico

> Dia 5/7/2019 (sexta-feira) - 11h às 13h, na sede de Furnas

> Rua Real Grandeza, 219 - Botafogo

Fonte: Verônica Couto/Senge-RJ

Entidades convocam abraço coletivo a Furnas nesta sexta-feira (5) contra mudança da sede

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ARTIGO: Furnas e o setor elétrico brasileiro na dança da insensatez

 

Por Ronaldo Bicalho, diretor do Instituto Ilumina e pesquisador do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Publicado por Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Instituto Ilumina)

Furnas sintetiza a história da intervenção do Estado brasileiro no setor elétrico. Tanto no passado quanto no presente. Essa intervenção nasceu do reconhecimento de que o setor privado não era capaz de garantir a expansão da oferta de energia elétrica necessária à industrialização brasileira. Sensato.

Desde 1957, quando a empresa foi criada, até hoje, esse diagnóstico permanece válido. Para isso, basta ver a importância dos investimentos do setor estatal, diretamente ou via SPEs, na manutenção da segurança do abastecimento elétrico do país na última década. Óbvio.

No entanto, diante da inapetência histórica do setor privado brasileiro em correr os riscos envolvidos na expansão pesada da atividade elétrica, agravados dramaticamente no mundo – pela interdição do uso dos combustíveis fósseis – e aqui – pelo esgotamento do modelo hídrico -, o Estado brasileiro, em um movimento completamente extemporâneo, decide deixar de atuar diretamente no setor. Inacreditável.

O abandono completo do papel estratégico do Estado na manutenção direta da segurança energética, associado a uma criminalização tosca da relação público-privado, deságua em uma privatização que não tem nenhum compromisso com o futuro dos serviços públicos privatizados. Nem mesmo, as preocupações dos liberais dos anos 1990s com as falhas de mercado estão presentes na atual onda liberalizante turbinada. O Estado é ruim e ponto final. Vulgar.

Nesse sentido, a saída de Furnas de seu local histórico (1), sintetiza esse momento de inflexão radical da trajetória da intervenção do Estado no setor elétrico brasileiro, no qual a dimensão estratégica desaparece completamente e a preocupação com segurança energética passa a ser responsabilidade exclusiva do mercado. Irresponsável.

Desobrigadas de desempenhar o seu papel seminal de garantidor de última instância da segurança do abastecimento elétrico, as empresas estatais, na antessala da privatização, se espraiam na doce irresponsabilidade do curto-prazismo do mercado. Enxugando custos indiscriminadamente e privilegiando a otimização dos recursos no curto prazo, os gestores dessas empresas saem bem na foto diante de um mercado embasbacado, enquanto destroem a capacidade dessas empresas atuarem de forma decisiva nos graves momentos que se avizinham. Esses brilhantes maestros da orquestra do Titanic cortam pernas para economizar sapatos. E o mercado aparvalhado urra de satisfação. Tosco.

Com a incerteza incontornável das transformações radicais batendo a porta do setor elétrico aqui e no mundo, turbinada pela interdição do uso dos combustíveis fósseis e pelo esgotamento do nosso modelo hidráulico, o Estado brasileiro surta e catatônico joga o setor elétrico do País em uma dança insana em que os agentes, abandonados à própria sorte, disputam uma luta do todos contra todos e onde ninguém é de ninguém, salpicada de falsas modernidades e clichês pedestres sobre a contemporaneidade. Bizarro.

E resolver o problema do risco hidrológico que é bom, neca. Só distribuição de micos. Previsível.

E os palhaços? Somos nós.

Leia o artigo de Roberto D’Araújo sobre o tema aqui

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Quando se ouve a notícia sobre a anunciada mudança de sede de Furnas para o centro do Rio de Janeiro através de uma das mais importantes rádios da cidade, infelizmente, se percebe a preocupante superficialidade da reportagem sobre o real significado dessa decisão.

O principal comentário foi sobre o impacto que essa mudança de sede significaria para o bairro de Botafogo, com tantos restaurantes e serviços, que, segundo a explicação, sofreriam sem a presença da empresa que está há décadas na Rua Real Grandeza.

Quem dera se essa notícia significasse apenas uma redução de demanda por almoços no bairro. Na realidade, essa mudança está associada a um desmonte da empresa que, lentamente, vai abandonando seu papel histórico com uma enorme redução de quadros e se preparando para ser vendida.

Como se sabe, estamos imersos na filosofia do Estado mínimo. Só que, no Brasil, essa forma de pensar não é sequer parecida com qualquer experiência mundial. Aqui, há uma crença de que a venda de instituições estatais reduz o "efeito maléfico" do Estado! Isso significa dizer que a sociedade brasileira reconhece que o Estado é nocivo e continuará nocivo. A venda de empresas estatais tenta apenas reduzir os malefícios e pagar uma parte da dívida desse mesmo Estado!

A sociedade brasileira sequer está informada que, se não fosse Furnas, provavelmente não teríamos criado a indústria automobilística, pois o país não tinha a energia necessária para a metalurgia este e outros setores.

Em 1955, John Cotrim, um excelente engenheiro, passou a integrar a equipe de governo de Juscelino Kubistchek. Em 28 de fevereiro de 1957, assinou o decreto nº 41.066 e criou uma das maiores obras do seu governo: a Central Elétrica de Furnas, com sede em Passos, Minas Gerais. Essa transformação, ao contrário do que muitos pensam, precisou de muito estudo e trabalho.

A geografia brasileira e o conhecimento dos seus rios possibilitaram que o setor elétrico, comandado pela Eletrobrás, desenvolvesse um sistema integrado de transmissão e geração que é único no mundo. Só para ter uma vaga ideia, esse sistema consegue transportar grande quantidade de energia entre regiões distantes mais de 2.000 km. A usina de Itumbiara no rio Paranaíba é a 9ª maior usina brasileira. Pois, figurativamente, é como se 5 usinas como essa pudessem ser deslocadas pelas quatro regiões desse país continental evitando o uso de fontes térmicas. Que país tem esse sistema?

Como convencer a sociedade brasileira de que, sem Furnas e Eletrobrás, o Brasil estaria mais atrasado do que já está e seus cidadãos pagariam muito mais caro pela sua eletricidade? Como convencer o cidadão que o “pujante” capital brasileiro só atua com muito BNDES e Eletrobras?

Hoje, toda essa história está prestes a valer zero. O próprio presidente da Eletrobrás, frequentemente, acusa a sua própria empresa como “cabide de emprego”. Mesmo mostrando com dados que, comparada com grandes companhias mundiais, a empresa é a que tem o menor índice empregado por capacidade de geração. Ou seja, o argumento é inútil. E esse é o mundo da desinformação.

Quem realmente conhece os “bastidores” sabe que a crescente deterioração das empresas do grupo Eletrobrás foi causada exatamente por defeitos do modelo de privatização e mercantilização. Não fosse a Eletrobrás, os investimentos seriam insuficientes para atender à crescente demanda por energia. A tarifa seria ainda mais alta. A desinformação é de tal ordem que o brasileiro ainda pensa que sua cara e insegura eletricidade é estatal, quando, na realidade, já se pode dizer que o setor elétrico brasileiro é privado.

Essa sequência de políticas suicidas já dura mais de 25 anos e perpassa vários governos teoricamente adversários quanto ao papel do Estado. Na realidade, as empresas não são de Estado brasileiro. São de governos. Como exemplo podemos dizer que a Eletrobrás, em seus 57 anos de existência teve apenas dois presidentes originados de sua própria equipe. Transformá-las em instituições verdadeiramente de Estado é possível por meio de contratos públicos que limitem o que os governos podem exigir das empresas e vice-versa. Os Estados Unidos praticam isso. Mas o Brasil prefere colocar esse assunto debaixo do tapete.

Também não adianta dizer que a privatização de Furnas colocará o Brasil como o único sistema com predomínio hidroelétrico que privatiza suas usinas. Também não adianta dizer que a experiência da onda de privatização da década de 90 só aumentou a dívida pública e a carga fiscal. Será que adianta chamar a atenção sobre o impacto no bairro de Botafogo?

Quem quiser se aprofundar sobre as razões do desmonte de longo prazo, consulte http://www.ilumina.org.br/e-ai-brasil-vai-ficar-por-isso-mesmo/

Fonte: Por Roberto Pereira D’Araujo / Projeto Ilumina

OPINIÃO: Furnas não era só um prédio em Botafogo

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A Furnas Centrais Elétricas inaugurou no dia 11/12 (terça-feira) o primeiro túnel de vento nacional voltado a estudos e pesquisas sobre geração de energia eólica. O túnel tem 27 metros de comprimento e está localizado dentro de um laboratório de aerodinâmica, no Centro Tecnológico de Engenharia Civil da subsidiária da Eletrobras, no município de Aparecida de Goiânia (GO). O projeto recebeu investimentos de R$ 5 milhões.

O túnel de vento demorou um ano para ser construído, após um período de quase dez anos de concepção, especificações técnicas e pesquisas. “Esse túnel é o primeiro do grupo Eletrobras e estará dedicado a fazer pesquisas e modelagens da parte de engenharia civil para os parques eólicos. Prioritariamente, ele fará estudos da parte de estrutura civil da torre, as solicitações, as cargas que os ventos colocam nessas estruturas de torre e de aerogerador, e estudos do suporte dessas estruturas”, explicou o chefe da Divisão de Tecnologia e Engenharia de Furnas, Alexandre de Castro.

Furnas inaugura túnel de vento para pesquisas de geração eólica

O túnel de vento tem 27 metros de comprimento.  Divulgação/Governo de SP.
 

O túnel abre possibilidade de se fazer também estudos aerodinâmicos, ou seja, estudos do perfil das pás, para melhorar suas características. Alexandre de Castro disse que o laboratório pode ainda avaliar a questão aerodinâmica para torres de linhas de transmissão. O foco das investigações, entretanto, serão as estruturas civis e fundações desses empreendimentos.

Energia renovável

Segundo Castro, Furnas está caminhando para ampliar o parque gerador com outras fontes de energia renovável. Com forte histórico no setor hidrelétrico de mais de 60 anos, Furnas começou recentemente a mirar outras fontes de energia, com destaque para a eólica e a fotovoltaica, esta última dependendo ainda de prospecção.

Furnas tem projeto para construção, ainda este ano, de um complexo eólico em Fortim (CE). Por meio de parcerias com outros empreendedores, a empresa participa de três parques eólicos. “A gente está diversificando o parque gerador da empresa”, destacou Castro. Para ele, o túnel é uma ferramenta desse processo. Os estudos de laboratório darão a Furnas as principais respostas, amparados por um trabalho de computação e análise de modelos físicos e computacionais.

Dentro do projeto do túnel de vento, há expectativa de fazer modelos reduzidos de torre eólica que permitirão monitorar o comportamento da torre, e ainda de real grandeza, ou seja, de um protótipo em um parque de Furnas para fazer toda instrumentação. “Vou juntar a parte do túnel de vento, que é experimento de laboratório, à parte de modelagem computacional e programas de computador, e à parte de campo, em que é feito o monitoramento de uma estrutura para eu identificar quais são as cargas, os esforços que o vento causa nessas estruturas e o comportamento da fundação. Isso tudo objetiva melhorar a qualidade e a capacidade de carga dessa estrutura”, ressaltou Castro.

Pesquisa e Desenvolvimento

A carteira de Furnas soma investimentos da ordem de R$ 300 milhões nos próximos cinco anos, em 55 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Desde o início da década de 2000, a empresa executou mais de 200 projetos de pesquisa e desenvolvimento, dentro do Fundo Setorial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No âmbito do Centro Tecnológico de Engenharia Civil, Castro disse que já foram desenvolvidos projetos voltados para as áreas de materiais e hidrelétrica. De acordo com o chefe da Divisão de Tecnologia e Engenharia de Furnas, o túnel de vento já está 100% operacional.

 

Fonte: Agência Brasil / Escrito por Alana Gandra

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Os funcionários de Furnas Centrais Elétricas iniciaram à zero hora de hoje (31) uma greve de 72 horas, mas garantem a normalidade dos setores de operação e a manutenção dos serviços essenciais.

Entre as reivindicações do movimento estão alterações na metodologia de cálculo da Participação nos Lucros e Resultados da empresa e a saída do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior. Os funcionários também se posicionam contra a tentativa em curso de privatização da Eletrobras e de suas subsidiárias

A Intersindical Furnas, que representa cerca de 4,5 mil funcionários ligados à empresa, garante que a paralisação não vai afetar a população, já que os setores de manutenção e operação da subsidiária de Eletrobras estão funcionando normalmente “de modo a garantir os serviços essenciais”.

“A população pode ficar tranquila pois, embora a paralisação tenha adesão total dos funcionários, a participação na mobilização não é de 100% de modo a não afetar os trabalhos de operação e manutenção e, em consequência, o abastecimento de energia à população”, garante a entidade.

Sobre as consequências da paralisação de 72 horas dos funcionários, Furnas garantiu que os serviços essenciais funcionam sem restrição. “Furnas esclarece que os serviços essenciais da empresa estão funcionando sem nenhuma restrição em todas as suas instalações pelo Brasil”, diz nota.

Funcionários de Furnas iniciam paralisação de 72 horas

 

FONTE: AGÊNCIA BRASIL / EBC. Por: Nielmar de Oliveira. Edição: Sabrina Craide.

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Trabalhadores alertam que a política de privatização de Temer é responsável pela sobrecarga dos eletricitários, que não estão conseguindo dar conta da manutenção de toda a rede do Sistema Elétrico.

Eletricitários correm perigo de morte e denunciam risco de novo apagão no país

Os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Eletrobras, em especial os técnicos de manutenção de alta tensão e operadores de Usinas e Subestações, estão correndo risco de morte para manter as linhas de transmissão de energia funcionando no País e evitar um novo apagão que pode ocorrer no Brasil se o governo de Michel Temer (MDB-SP) insistir no sucateamento da empresa para privatizá-la.

As atividades essenciais de operação e manutenção das redes estão sendo feitas de maneira precária, sem recursos técnicos e mão de obra suficiente, colocando em risco a operação do sistema elétrico e a segurança dos trabalhadores.

A denúncia é dos eletricitários, que responsabilizam a política de privatização de Temer e a atual gestão da Eletrobras, comandada por Wilson Pinto, pela precarização das condições de trabalho e pelo sucateamento da estatal, que tem reduzido o quadro de funcionários e descumprido normas de segurança e regulamentação do Sistema Elétrico brasileiro.

O apagão

As consequências dessa política foram sentidas em março deste ano, quando o Brasil viveu o maior apagão da história, após uma falha na Subestação Xingu, no Pará, interromper a distribuição da energia em 14 estados brasileiros.

E agora, quase três meses depois, os trabalhadores das linhas de transmissão, que fazem reparos em falhas no sistema e caminham em um cabo suspenso por vários quilômetros para garantir a chegada de energia nas casas de milhões de brasileiros, denunciam que estão sobrecarregados e não estão dando conta de garantir a manutenção de toda a rede.

Dois técnicos e um supervisor para manter mais de mil km

Em 2001, nas linhas de Furnas – subsidiária da Eletrobras que garante o fornecimento de energia elétrica para 63% dos domicílios brasileiros – esse trabalho era feito por 14 técnicos e dois supervisores, que percorriam 1.000 km de extensão.

Em 2018, após os diversos planos de demissão em massa impostos pela atual gestão da estatal, restou apenas dois técnicos e um supervisor para percorrer 1.300 km.

Segundo um dos técnicos de manutenção das linhas de transmissão do Sistema Eletrobras, que preferiu falar sem se identificar, esse trabalho específico, que exige uma série de formações, inclusive de resgate e primeiros socorros, era feito por pelo menos cinco trabalhadores a cada saída a campo.

“Hoje, há somente três pessoas para fazer o mesmo serviço. Então são sempre os mesmos que saem juntos, porque para fazer esse trabalho não se pode sair a campo sozinho”, conta.

O técnico é enfático ao afirmar que não será possível dar conta de realizar toda a manutenção e que o Sistema corre o risco de apresentar graves problemas.

“Se continuar assim, daqui a pouco vai ter um novo apagão no país”, diz.

Sucateamento

O dirigente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas (Sinergia), Luiz Elmar Beloti, concorda com o técnico de manutenção. Ele acredita que a atual gestão da Eletrobras está colocando em risco o Sistema Elétrico brasileiro, com grandes chances de novos apagões, e reitera que o sucateamento está ocorrendo em todo o País.

É o caso do drama vivido pelos operadores de Usinas e Subestações, que também tiveram seus quadros de funcionários reduzidos, além dos desativamentos de turnos de operação de estratégicas Subestações, como a de Guarulhos e Campinas, que é um importante canal de transmissão de energia para a grande São Paulo, além de Araraquara, que está para encerrar até o final do ano.

O dirigente do Sinergia-Campinas explica que as desativações de operação das Substações, além de descumprirem a norma 10.14 do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), não respeitam o Acordo Coletivo da categoria, que prevê a negociação tripartite em decisões estratégicas como esta que afetam os trabalhadores e a garantia do fornecimento de energia.

“Estações consideradas estratégicas, como a de Campinas, são obrigadas a operar 24 horas, ou seja, com turnos ininterruptos de operação. E Furnas vem descumprindo reiteradamente os procedimentos e normas, chegando ao ponto de simplesmente desativá-la”, denuncia Luiz.

Ele explica que o correto é manter pelo menos três operadores em cada um dos três turnos para garantir o funcionamento seguro de uma Substação, como determinou o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) ao condenar Furnas pelo descumprimento de disposições da Norma Regulamentadora (NR) 10, que trata de segurança em instalações e serviços em eletricidade, com risco inclusive de morte.

Segundo Luiz, mesmo com a decisão, que prevê multa diária de R$ 50 mil, Furnas continuou descumprindo as normas. “Chegamos a ter apenas um operador, sobrecarregado, praticamente sem folga e em condições inseguras de trabalho”, denuncia.

Ele critica o que chama de “economia burra” promovida pela nova gestão da estatal e explica que no sistema elétrico não pode haver trabalho isolado. “Se um operador está no edifício de controle supervisionando, o outro operador que vai a campo fazer a manobra não pode ir sozinho, por isso, precisamos, no mínimo, de três operadores.”

“É uma lambança em cima da outra do governo e atual gestão. E tudo isso para sucatear a Eletrobras e deixar ela enxuta para a venda, pois assim as empresas privadas não terão despesas para demitir funcionários, como acontece em todo processo de privatização.”

Risco de morte

Os trabalhadores do Sistema Eletrobras explicam que não é qualquer um que pode realizar os serviços específicos como o reparo das redes de alta tensão.

“É preciso estar capacitado e não adianta a atual gestão da estatal recorrer à terceirização ou qualquer forma precária de contratação”, alerta o técnico de manutenção.

Segundo ele, para fazer reparos nas linhas de transmissão, o trabalhador precisa ter conhecimento de aterramento; compreender que desligar a energia não é o suficiente para neutralizar a corrente de indução das linhas; saber fazer rapel; além de primeiros socorros, caso algum trabalhador tenha um mal súbito e precise ser resgatado em campo.

“Há casos em que precisamos realizar os primeiros socorros em cima da linha e depois fazer o trabalho de resgate para tirar o trabalhador da torre e colocá-lo no chão”, completa, reforçando que apenas três funcionários para dar conta de tudo “é quase impossível”.

“Imagina que os trabalhos são feitos em cima de matas muito densas, em locais de difícil acesso, o que dificulta o atendimento em caso de risco de morte. Por isso precisamos de uma formação completa e trabalhadores suficientes para realizar esse trabalho. Sem isso, corremos, sim, risco de morte”, conclui o técnico de manutenção. 

 

FONTE: CUT/ Escrito por: Tatiana Melim

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Fisenge apoia a paralisação de 72 horas dos eletricitários de todo o Brasil

 A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) declara o seu apoio à paralisação anunciada pelo Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), que será realizada entre os dias 11 e 13 de junho.  O movimento tem o objetivo de denunciar tentativa do governo de privatizar o Sistema ELETROBRAS.

Devem parar os empregados das áreas administrativas e das atividades fins, como operação e manutenção, de todas as empresas de geração e transmissão das empresas CHESF, FURNAS, ELETRONUCLEAR, ELETROSUL, ELETRONORTE E CEPEL, além das empresas de distribuição dos estados de Alagoas, Piauí, Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. Serão garantidos os serviços essenciais aos usuários e, se houver alguma ocorrência no sistema que possa comprometer a continuidade dos serviços de fornecimento de energia elétrica, os sindicatos acionarão as equipes de manutenção para atendimento emergencial.

Esta greve é contra o processo de tentativa de privatização da ELETROBRAS, que representa uma tentativa de desmonte das empresas integrantes no maior sistema de geração e transmissão do setor elétrico nacional. A privatização trará um imenso prejuízo para a população, principalmente pelo aumento de preço da energia elétrica e entrega de controle de um setor estratégico a grupos estrangeiros, atingindo também de forma dramática o uso das águas de rios que exercem importante papel da geração de energia. Além disso, ressaltamos que o modelo de venda estabelece um preço vil, apenas para satisfazer aos interesses de grandes grupos empresariais, capitais internacionais rentistas, atrelando o preço final ao dólar e ao mercado internacional, enriquecendo às custas da maioria do povo brasileiro.

Esta política de preços da eletricidade, da gasolina, do diesel e do gás de cozinha adotada faz parte de um conjunto de ações entreguistas, legitimadas pelo golpe político, midiático e jurídico contra a vontade da população brasileira.

Este paralisação conta também com o apoio e solidariedade da Frente Brasil Popular, Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia, bem como de todas as organizações, movimentos sociais e federações de trabalhadores que constroem uma agenda integrada de ações e engajamento em frentes parlamentares nos âmbitos nacional, estadual e municipal em defesa da soberania nacional. Em defesa da Eletrobras, da engenharia brasileira e da soberania nacional, afirmamos o nosso apoio à mobilização dos trabalhadores do setor elétrico.

Rio de Janeiro, 08 de junho de 2018.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

 

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