Fisenge apoia a paralisação de 72 horas dos eletricitários de todo o Brasil

 A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) declara o seu apoio à paralisação anunciada pelo Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), que será realizada entre os dias 11 e 13 de junho.  O movimento tem o objetivo de denunciar tentativa do governo de privatizar o Sistema ELETROBRAS.

Devem parar os empregados das áreas administrativas e das atividades fins, como operação e manutenção, de todas as empresas de geração e transmissão das empresas CHESF, FURNAS, ELETRONUCLEAR, ELETROSUL, ELETRONORTE E CEPEL, além das empresas de distribuição dos estados de Alagoas, Piauí, Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. Serão garantidos os serviços essenciais aos usuários e, se houver alguma ocorrência no sistema que possa comprometer a continuidade dos serviços de fornecimento de energia elétrica, os sindicatos acionarão as equipes de manutenção para atendimento emergencial.

Esta greve é contra o processo de tentativa de privatização da ELETROBRAS, que representa uma tentativa de desmonte das empresas integrantes no maior sistema de geração e transmissão do setor elétrico nacional. A privatização trará um imenso prejuízo para a população, principalmente pelo aumento de preço da energia elétrica e entrega de controle de um setor estratégico a grupos estrangeiros, atingindo também de forma dramática o uso das águas de rios que exercem importante papel da geração de energia. Além disso, ressaltamos que o modelo de venda estabelece um preço vil, apenas para satisfazer aos interesses de grandes grupos empresariais, capitais internacionais rentistas, atrelando o preço final ao dólar e ao mercado internacional, enriquecendo às custas da maioria do povo brasileiro.

Esta política de preços da eletricidade, da gasolina, do diesel e do gás de cozinha adotada faz parte de um conjunto de ações entreguistas, legitimadas pelo golpe político, midiático e jurídico contra a vontade da população brasileira.

Este paralisação conta também com o apoio e solidariedade da Frente Brasil Popular, Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia, bem como de todas as organizações, movimentos sociais e federações de trabalhadores que constroem uma agenda integrada de ações e engajamento em frentes parlamentares nos âmbitos nacional, estadual e municipal em defesa da soberania nacional. Em defesa da Eletrobras, da engenharia brasileira e da soberania nacional, afirmamos o nosso apoio à mobilização dos trabalhadores do setor elétrico.

Rio de Janeiro, 08 de junho de 2018.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

 

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“Não ao golpe e Fora Temer”. Esta foi a voz uníssona entre os movimentos e as entidades durante a reunião da Frente Brasil Popular, realizada no dia 6/5, em São Paulo. O presidente do Senge-BA, Ubiratan Félix representou a Fisenge durante o encontro. "Vivemos uma crise profunda em todas as instâncias. Iremos dar resposta de que o povo brasileiro não irá tolerar retrocessos no país", afirmou Ubiratan. A primeira parte da reunião contou com uma análise de conjuntura do político brasileiro Roberto Amaral, que destacou a gravidade da crise institucional pela qual o país atravessa. “Estamos observando a paralisação do poder Executivo, a desmoralização do poder Legislativo e a quebra do equilíbrio dos três poderes pelo Judiciário”, apontou. No próximo dia 11/5, o Senado deve votar o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. "Defendemos o combate à corrupção e a punição de corruptos e corruptores. O que se apresenta, hoje no Brasil, é uma farsa e uma clara tentativa de golpe para impor um pacote de ataques aos direitos dos trabalhadores, de criminalização da luta dos movimentos sociais e de entrega do patrimônio brasileiro ao capital privado", disse Ubiratan. A Frente Brasil Popular articula mobilizações, greves e atos culturais em todo o país em defesa da democracia e em denúncia ao golpe instalado no país. Haverá um grande ato nacional no dia 10/5 e outro no dia da votação (11/5). “A Frente Brasil Popular defende o mandato e irá resistir pela legitimidade do governo Dilma. Não reconheceremos um futuro governo Temer”, alertou Ubiratan. Também estão programadas plenárias estaduais e a realização da Conferência Nacional da Frente Brasil Popular, em junho.

Presidente do Senge-BA participa de reunião da Frente Brasil Popular

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Este 17 de abril, data que lembramos o massacre de Eldorado dos Carajás, entrará mais uma vez para a história da nação brasileira agora como o Dia da Vergonha. Isso porque uma maioria circunstancial de uma Câmara de Deputados manchada pela corrupção ousou autorizar o impeachment fraudulento de uma presidente da República contra a qual não pesa qualquer crime de responsabilidade.

As forças econômicas, políticas conservadoras e reacionárias que alimentaram essa farsa têm o objetivo de liquidar direitos trabalhistas e sociais do povo brasileiro. São as entidades empresariais, políticos como Eduardo Cunha, réu no STF por crime de corrupção, partidos derrotados nas urnas como o PSDB, forças exteriores ao Brasil interessadas em pilhar nossas riquezas e privatizar empresas estatais como a Petrobras e entregar o pré-sal às multinacionais.

E fazem isso com a ajuda de uma mídia golpista, que tem como o centro de propaganda ideológica golpista a Rede Globo, e com a cobertura de uma operação jurídico-policial voltada para atacar determinados partidos e lideranças e não outros,

Por isso, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo conclamam os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, e as forças democráticas e progressistas, juristas, advogados, artistas, religiosos a não saírem das ruas e continuar o combate contra o golpe através de todas as formas de mobilização dentro e fora do País.

Faremos pressão agora sobre o Senado, instância que julgará o impeachment da presidente Dilma sob a condução do ministro Lewandowski do STF. A luta continua contra o golpe em defesa da democracia e nossos direitos arrancados na luta, em nome de um falso combate à corrupção e de um impeachment sem crime de responsabilidade.

A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo desde já afirmam que não reconhecerá legitimidade de um pretenso governo Temer, fruto de um golpe institucional, como pretende a maioria da Câmara ao aprovar a admissibilidade do impeachment golpista.

Não reconhecerão e lutarão contra tal governo ilegítimo, combaterá cada uma das medidas que dele vier a adotar contra nossos empregos e salários, programas sociais, direitos trabalhistas duramente conquistados e em defesa da democracia, da soberania nacional. Não nos deixaremos intimidar pelo voto majoritário de uma Câmara recheada de corruptos comprovados, cujo chefe, Eduardo Cunha, é réu no STF e ainda assim comandou a farsa do impeachment de Dilma.

Continuaremos na luta para reverter o golpe, agora em curso no Senado Federal e avançar à plena democracia em nosso País, o que passa por uma profunda reforma do sistema político atual, verdadeira forma de combater efetivamente a corrupção.

Na história na República, em vários confrontos as forças do povo e da democracia sofreram revezes, mas logo em seguida, alcançaram a vitória. O mesmo se dará agora: venceremos o golpismo nas ruas!

Portanto, a nossa luta continuará com paralisações, atos, ocupações já nas próximas semanas e a realização de uma grande Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, no próximo 1º de maio.

A luta continua! Não ao retrocesso! Viva a democracia!

Frente Brasil Popular
Frente Povo Sem Medo

17 de abril de 2016.

Frentes apontam que mobilização crescerá no Brasil

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Quarta, 09 Setembro 2015 14:50

3 de outubro: Dia Nacional de Mobilização

Plenária de lançamento da Frente Brasil Popular aprova dia de lutas e conclama unidade dos movimentos

Por Paula Brandão, da CUT/BH

3 de outubro: Dia Nacional de Mobilização

Dia 3 de outubro: mobilização nacional. Esta é a primeira ação de massa aprovada pela Frente Brasil Popular, lançada neste sábado, 5 de setembro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

A Conferência Nacional de lançamento da Frente reuniu mais de 2 mil pessoas, entre lideranças e militantes dos movimentos social e sindical, que lotaram a Assembleia Legislativa. A atividade também contou com a participação de diversos parlamentares, representantes de partidos políticos, economistas e intelectuais que foram saudar a iniciativa.

A ideia de se criar uma Frente partiu de militantes dos movimentos populares, sindicais, de juventude, negros e negras, mulheres, LGBT, pastorais, partidos políticos, intelectuais, religiosos e artistas - diante da necessidade de derrotar a ofensiva da direita conservadora e golpista e propor outra política econômica para o País.


Crise e seus reflexos
A crise política e econômica no Brasil é também reflexo de um processo mundial de crise do modelo capitalista. A política econômica de ajuste fiscal adotada pelo atual governo, e medidas impopulares como a redução de alguns programas sociais, têm dado oportunidade a setores conservadores da direita, que contam com apoio e a blindagem da grande imprensa, a imporem sua agenda de retrocesso e de ataque à democracia.

Situações semelhantes acontecem em alguns países da América Latina que passaram por ditaduras militares e conquistaram a democracia. Como um filme que se repete de tempos em tempos, os ataques e tentativas de golpe a governos democráticos-populares evidencia a luta de classes e têm objetivo claro: enfraquecer o poder popular não só no Brasil, mas na América Latina e impor a agenda conservadora derrotada nas urnas.

“Queremos construir nessa conferência uma Frente que seja capaz de responder à conjuntura que estamos vivendo”, diz Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT Minas Gerais. “A prioridade dos movimentos hoje é construir de forma conjunta uma luta organizada, porque sozinhos, somos derrotados. Há necessidade, nesse momento, de unificarmos nossas pautas e priorizarmos nossos pontos de convergência. Fomos aprendendo com o tempo a construir pautas convergentes e esta Frente é resultado disso”, destaca.

Segundo João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, estamos vivendo uma crise econômica e politica em que a burguesia tem a sua saída para crise e, para viabilizar o seu programa, que é Estado mínimo, o corte dos gastos sociais e o realinhamento da nossa economia aos Estados Unidos, tem usado todos os dias a imprensa, o Congresso e o poder Judiciário. “Uma parcela reacionária, felizmente minoritária dessa burguesia também acha que a saída da crise é o golpe. E nós da classe trabalhadora, o que apresentamos para sair da crise? Na nossa avaliação, desde as manifestações de março, de abril e no ultimo 20 de agosto, nós construímos uma unidade conjuntural, porém, ainda é uma unidade defensiva, que ficou expressa nas bandeiras que nós levantamos - contra o golpe e a favor da democracia. Ou seja, nós não aceitamos esta tentativa de uma parcela pequena da direita que quer derrubar a presidenta Dilma”.

Os movimentos que compõem a Frente também têm unidade na defesa de uma nova política econômica e de uma reforma política como principal forma de combater a corrupção. “Nós não aceitamos os ajustes fiscais e medidas de politica econômica que tirem direitos dos trabalhadores”, diz Stédile. “Defendemos uma nova política econômica e uma reforma politica que comece com o fim do financiamento empresarial das campanhas, em todos os níveis. Não temos medo de debater a corrupção. A corrupção nasceu do financiamento empresarial das campanhas”, afirma.

Para Carina Vitral, presidenta da UNE - União Nacional dos Estudantes, os movimentos sociais precisam refletir sobre as origens e sobre os caminhos pra enfrentar esta crise que vivemos hoje e as tentativas claras de desestabilização, de golpes contra nossa democracia. São tentativas não só de derrubar o governo, mas de derrubar o projeto político que mudou a vida das pessoas nos últimos anos. “Estas tentativas não atacam só o governo, não atacam só a presidenta da República, atacam a cada um e cada uma de nós que lutamos para que o Brasil seja uma nação mais popular, mais justa e de mais direitos”, denuncia Carina.


3 de outubro: Dia Nacional de Mobilização
Além de aprovar o 3 de outubro como Dia Nacional de Mobilização, a plenária final da Conferência reafirmou que a unidade construída pelos movimentos sociais a partir da reação à ofensiva da direita deve ir além dos desafios da conjuntura, para além das críticas pontuais à politica econômica. Foi referendada a missão da Frente de construir unidade entre todas as forças populares.

Para Stédile a unidade precisa ser construída com base em dois pontos fundamentais: “O primeiro, é um programa. Sem um programa de ideias, de propostas, não basta fazer reunião. Queremos dar um passo a mais, sair do conjunturalismo reativo para avançar para propostas programáticas que possam nos orientar para um novo projeto de país, que vai ser de longo prazo. A segunda missão é motivar nossa militância para construir um calendário de lutas de massas permanente”. E alerta: “Não nos iludamos com o congresso, com o poder judiciário e com a mídia burguesa, que é o espaço de poder deles, da burguesia. Então, aonde o povo e as forças populares vão exercitar a política e a sua força real para poder alterar a correlação de forças? Só nas ruas. Nas ruas no sentido genérico - nas greves, nas ocupações e nas pressões aos órgãos públicos”, conclama.

“Elegemos a presidenta Dilma para avançarmos em direitos sociais, na distribuição de renda, nos programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, na reforma agrária, na educação. Estamos dispostos a ir pra rua sim, para defender nossos direitos, defender o modelo de desenvolvimento que distribua renda, eleve emprego e eleve o crédito da classe trabalhadora”, declara Rosane Silva, secretária nacional de Mulheres da CUT. “Nós dos movimentos sociais, de forma organizada e unida queremos mostrar para esse governo que existe sim saída para essa crise econômica e não é com ajuste fiscal recaindo na classe trabalhadora, mas sim, com a taxação do grande capital”, esclarece.

Representando a CUT Nacional, além de Rosane Silva, também estiveram presentes os dirigentes Daniel Gaio, Jandyra Uehara, Julio Turra e Valeir Ertle; a presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz, e diversas lideranças e militantes das Estaduais, ramos e sindicatos CUTistas.

 

Ao final da Plenária, a Frente Brasil Popular lançou o MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO (clique aqui para ler a íntegra do documento).

Confira abaixo os principais pontos defendidos:

1. Defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras: lutar por melhorias das condições de vida do povo, o que envolve emprego, renda, moradia, educação, terra, transporte público etc. Criticar e fazer ações de massa contra todas as medidas de política econômica e “ajuste fiscal” que retirem direitos dos trabalhadores e que impeçam o desenvolvimento com distribuição de renda.

2. Defesa dos direitos sociais do povo brasileiro: lutar contra a redução da maioridade penal, contra o extermínio da juventude pobre das periferias, pela ampliação dos direitos sociais que estão ameaçados pela campanha da mídia burguesa e por iniciativas conservadores no congresso.

3. Defesa da democracia: não aceitar nenhuma tentativa de golpe e retrocesso nas liberdades. Para ampliar a democracia e fazer reformas mais profundas, avançar na luta pela reforma política, pela reforma do poder judiciário, dos meios de comunicação de massa e da cultura.

4.Defesa da soberania nacional: o povo é o verdadeiro dono do petróleo, do pré-sal e das riquezas naturais. Impedir a entrega de nosso petróleo às transnacionais. Lutar contra a transferência de bilhões de dólares ao exterior, de forma legal pelas empresas ou ilegal, por contas secretas (vide caso do HSBC).

5. Lutar por reformas estruturais e populares como a reforma política, urbana, agrária, tributária, educacional etc., entre outras propostas detalhadas no documento unitário construído pelos movimentos populares em agosto de 2014.

6. Defesa dos processos de integração latino-americana em curso, como Unasul, Celac, Mercosul e integração popular, que estão sendo atacados pelas forças do capital internacional.


O encontro terminou no início da noite, com a leitura do Cordel da Frente Brasil Popular, uma poesia de construção coletiva feita durante a conferência. Clique aqui para ler.

Participam da Frente Brasil Popular
CUT, sindicatos CUTistas e movimentos sociais em Minas Gerais, CTB, MST, Via campesina, MPA, MMC, MAB, MAM, MCP, FUP (Federação Única dos Petroleiros), CONEN, UNE, Levante Popular da Juventude, FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), Consulta Popular, Marcha Mundial das Mulheres, Rede de Médicas/os Populares, Associação de Juízes pela Democracia, RENAP, SENGE-Rio, Sindicato de Professores, Metalúrgicos do RS, Pastorais Sociais, igrejas, Central de Movimentos Populares-CMP; parlamentares e dirigentes de diversos partidos e correntes partidárias, entre os quais o PT, o PCdoB, o PSB e o PDT. Também participam diversos intelectuais e jornalistas que atuam em diferentes espaços da mídia popular e que compartilham desse esforço.

Fonte: CUT

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Com a presença de mais de 2 mil militantes, Frente Brasil Popular é lançada em BH

Dezenas de organizações, com representações de 22 estados, organizam articulação em defesa de uma saída à esquerda para a crise.

Por Pedro Carrano e Rafael Tatemoto
De Belo Horizonte (MG)

A Frente Brasil Popular, articulação de movimentos populares e organizações políticas, foi lançada neste sábado (5), em Belo Horizonte, Minas Gerais. Reunidos na área externa da Assembleia Legislativa, mais de duas mil pessoas participaram da Conferência Nacional Popular. Segundo os organizadores, o objetivo da Frente é a defesa da democracia e a proposição de uma nova política econômica, voltada para os trabalhadores.

O ato político e cultural do lançamento da Frente Brasil Popular teve a presença de representantes de movimentos sociais, centrais sindicais, movimentos de negritude, LGBT e de mulheres, ao lado de lideranças políticas, parlamentares e intelectuais, que criticaram tanto o golpismo como a atual política econômica do governo. 21 estados, mais o Distrito Federal, enviaram delegações.

Proposta
Pela manhã, a Frente foi apresentada por João Pedro Stedile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Carina afirmou que “uma saída que defenda a democracia e não retira direitos dos trabalhadores depende da unidade entre os movimentos sociais”.

“A gente acha que essa Frente pode reaglutinar os movimentos sociais para pautar uma agenda popular para o Brasil. A gente quer discutir os rumos do ajuste fiscal, pois não concordamos com um ajuste que aprofunda a recessão e retira dinheiro de programas sociais. A gente quer um ajuste que taxe os ricos”, disse.

Stedile relembrou que a criação significa uma novidade no cenário nacional, ao apontar uma agenda positiva, “já que, até esse momento, as mobilizações eram apenas de reação às ofensivas do capital”.

“A Frente Brasil Popular tem que articular as mais diferentes organizações para cumprir uma missão necessária nessa conjuntura de crise política e econômica: construir um programa da classe trabalhadora, com unidade entre nós, e um calendário de mobilização, na luta concreta das ruas”, apontou.

Alternativa
Após dedicar a tarde a debates em grupo que envolveram todos os presentes – a partir de quatro eixos temáticos: defesa dos direitos dos trabalhadores; defesa da democracia e por outra política e econômica; soberania nacional e integração latino-americana, reformas estruturais e populares – a Conferência realizou um Ato Político representativo das organizações presentes.

O diplomata e intelectual Samuel Pinheiro Guimarães falou sobre o retrocesso na pauta de hoje do Congresso, como o caso das terceirizações. “Temos que pressionar o governo para que ele se torne um governo popular. Temos que cobrar daqueles que sonegam os impostos”, defendeu.

Já Raimundo Bonfim, da Coordenação dos Movimentos Populares (CMP), afirmou que a saída está na mobilização e organização popular: “Temos que chamar o povo brasileiro para encontrar solução para os seus problemas e para a falta de reformas estruturais em nosso país”, pontuou.

Roberto Amaral, que rompeu com o PSB quando o partido decidiu apoiar eleitoralmente Aécio Neves (PSDB-MG), ressaltou que a iniciativa da Frente partiu da articulação popular: “a sociedade civil tomou consciência da gravidade do momento. A história está apontando um novo caminho: a unidade popular nascida da sociedade, nascida dos meios sociais, nascida do movimento sindical. Pela primeira vez, temos uma frente que não foi idealizada da cúpula, por partidos, mas pela sociedade”.

Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, saudou o lançamento da Frente Popular como uma das grandes novidades da esquerda no país. “Temos que alertar a presidenta Dilma que vamos até o fim defendendo o seu mandato, mas é necessário que saiba que essa política econômica está nos levando para a recessão e o desemprego”, defendeu.

Inúmeros deputados estaduais e federais e líderes de partidos como PT, PCdoB, PCO estiveram presentes. Dois senadores também se pronunciaram no encontro a favor de mudanças nos rumos do governo: Roberto Requião (PMDB-PR) e Lindberg Farias (PT-RJ). “Quem vai impedir o golpe neste país são os movimentos sociais e populares organizados. Temos que nos posicionar claramente contra a Agenda Brasil do Renan Calheiros e do ministro (Joaquim) Levy”, afirmou o senador Lindberg Farias.

“Juntos estivemos ontem, quando garantimos 54 milhões de votos para a presidenta Dilma. Mas estamos aqui para dizer a ela que estamos organizando uma frente nacional, popular e democrática. Nacional e popular porque os rentistas não têm mais nada a ver com o povo brasileiro”, criticou o senador Roberto Requião. O paranaense pediu que Dilma modifique sua política econômica: “queremos a Dilma eleita, não a Dilma comanda pelos bancos e pelo Levy”.

Próximos passos
Foi lançado um manifesto da frente, que elenca os quatro eixos de atuação. Além disso, as organizações acertaram realizar um ato unificado no dia 3 de outubro, em todo o país. “Saímos daqui com uma data unificada para dizer para o povo brasileiro e para o mundo que nós, classe trabalhadora, vamos ocupar as ruas em defesa do nosso patrimônio nacional que é a Petrobras e da soberania nacional”, explicou Rosane Silva, secretária nacional da mulher trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Jovens protestam no Banco Central
Cerca de 200 militantes do Levante Popular da Juventude realizaram, na tarde de sábado (5) um ato político em frente à sede do Banco Central em Belo Horizonte. Com as palavras “Fora Levy, que os ricos paguem a conta de crise” os jovens tinham o objetivo de denunciar a atual política econômica, os cortes dos direitos dos trabalhadores e dos orçamentos de políticas sociais. Segundo Renan Santos, de Minas Gerais, “essa política penaliza os trabalhadores, com perda de direitos e perda de renda. E nenhuma penalização cai nas costas da elite que é, em última instância, a responsável pela crise”.

Thiago Pará, da coordenação nacional do movimento, acrescenta que esse é o recado para a sociedade. “É preciso fazer muita luta para derrotar o ajuste fiscal e avançar nas reformas estruturais que a sociedade brasileira precisa”, diz.

Fonte: Brasil de Fato

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