Para a engenheira agrônoma, Diretora Nacional da Mútua (Caixa de Assistência dos Profissionais dos CREAs), diretora da Fisenge e ex- presidente do CREA-PB, Giucélia Figueiredo, o edital de concurso lançado pela prefeitura municipal de Cajazeiras virou uma piada nacional, gerando revolta nos profissionais das áreas tecnológicas. “Estabelecer salários para engenheiros agrônomos abaixo do piso salarial da categoria demonstra por parte da administração municipal total desconhecimento e desrespeito a profissionais que exercem atividades complexas e estratégicas para o desenvolvimento municipal. Pagar salários irrisórios a profissionais que planejam, elaboram e executam obras estruturantes é um ato de descaso e irresponsabilidade”, alertou Giucelia. O edital prevê salários de R$998,00 para agrônomos, R$1.200,00 para engenheiros ambientais, R$1.500,00 para engenheiros eletricistas e R$2.722,53 para engenheiros civis, valores abaixo do Salário Mínimo Profissional (SMP).

A paraibana enfatizou que as entidades nacionais dos profissionais da engenharia e agronomia repudiam os valores estabelecidos no edital e apelam para que a administração municipal reveja os valores, restabelecendo os marcos legais que regulamenta o exercício profissional desses técnicos.

Fonte: Parlamento PB

Diretora da Fisenge alerta descaso com profissionais em concurso público de Cajazeiras

Publicado em Notícias
Sexta, 21 Dezembro 2018 15:03

7 motivos para contratar um engenheiro

• PLANEJAMENTO: o engenheiro planeja, organiza e supervisiona a obra, com o objetivo de prever e prevenir eventuais acidentes. O profissional da engenharia também é responsável pela concepção, desenvolvimento, dimensionamento, melhoramento e aplicação dos processos e produtos, operação de plantas químicas e aplicação das tecnologias e processos ligados às produções agrícola e pecuária;

• REDUÇÃO DE CUSTOS: o trabalho deste profissional pode diminuir consideravelmente os custos, desde a escolha de materiais de qualidade, gerenciamento de mão de obra, cumprimento de prazo e revisão de especificações técnicas. Desta forma, o engenheiro evita que obras sejam paralisadas ou reiniciadas por erros técnicos;

• SEGURANÇA E CONFORTO: um imóvel bem projetado garante uma estrutura confiável para você, sua moradia e/ou o seu negócio. O engenheiro também é responsável por garantir alimentos seguros e saudáveis;

• FORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE TÉCNICA: o engenheiro é responsável legal, por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), pela execução da obra, respondendo, inclusive, a penalidades;

• GERENCIAMENTO: o engenheiro gerencia os trabalhadores que atuam no projeto, os fornecedores, o controle de custos e, principalmente, a execução correta da obra e dos processos;

• ORGANIZAÇÃO: o engenheiro atua desde o planejamento, elaboração e cumprimento do cronograma até a divisão de tarefas;

• SOLUÇÃO: o engenheiro dá vida e forma às necessidades de sua obra, produto ou processo, gerando soluções com eficiência.

Fonte: Comunicação Fisenge

7 motivos para contratar um engenheiro

Publicado em Notícias

O projeto SOS Brasil Soberano compilou informações sobre a história de 5 profissionais que marcaram a engenharia brasileira. Confira abaixo.

Enedina Alves Marques
Curitiba (PR), 1913-1981

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira

  • A primeira engenheira negra brasileira.
  • Formada em Engenharia Civil pela Universidade do Paraná.
  • Antes, foi doméstica, normalista e professora.
  • Como engenheira, trabalhou na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas e Plano Hidrelétrico do Paraná
  • A hidroelétrica Capivari-Cachoeira está entre seus maiores feitos, mas talvez o maior desafio tenha sido superar as barreiras raciais e sociais da sua época.

Teodoro Sampaio
Santo Amaro (BA), 1855-1937
5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira
Foto: WikiPedia

  • Foi engenheiro civil, geólogo, geógrafo, historiador, político, cartógrafo, urbanista.
  • Filho de uma mulher escravizada, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo.
  • Engenheiro por profissão, escreveu uma bibliografia consistente sobre geografia e história.
  • Ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894, e a Escola Politécnica da USP, em 1930.
  • Em 1879, fez parte da Comissão Hidráulica do Império. Projetou os melhoramentos do Porto de Santos.
  • Em 1883, foi nomeado primeiro engenheiro da Comissão de Melhoramentos do Rio São Francisco e, em 1898, diretor e engenheiro-chefe do Saneamento do Estado de São Paulo, cargo no qual permaneceu até 1903.

André Rebouças
Cachoeira (BA), 1838-1898

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira

Foto: Rodolfo Bernardelli - scan de O Museu Histórico Nacional, série Museus Brasileiros, edição Banco Safra

  • Tornou-se o primeiro engenheiro negro a se formar pela Escola Central do Exército em 1860, no Rio.
  • Na então capital do Império, ganhou destaque por resolver o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais de fora da cidade.
  • Abolicionista, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.
  • Projetou a ferrovia Curitiba-Paranaguá, junto com seu irmão Antonio Rebouças.
  • Com a República, deixou o país com a família imperial. Trabalhou em Lisboa como correspondente do jornal inglês The Times, até 1891. E atuou também em Luanda, Angola, até se fixar na Ilha da Madeira, onde viveu até o fim dos seus dias.


Bernardo Sayão Carvalho Araújo
Rio de Janeiro, 1901-1959

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira
Foto: Arquivo Público do Distrito Federal

  • Engenheiro agrônomo formado em 1923 na Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária de Belo Horizonte, teve como principal projeto o desenvolvimento da região central do Brasil.
  • Fundou a "CANG" Colônia Agrícola Nacional de Goiás, na Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas, dando origem à cidade de Ceres.
  • Em razão do bem-sucedido trabalho lá realizado, em 1954, foi eleito vice-governador de Goiás, chegando a governar o estado interinamente por um mês e meio, entre 31 de janeiro e 12 de março de 1955
  • Apelidado por Juscelino Kubitschek como "bandeirante do século XX", liderou o projeto de construção de Brasília.
  • Designado para construir o trecho norte da estrada Belém-Brasília (Transbrasiliana), faleceu em serviço em 1959

Rex Nazaré Alves
Rio de Janeiro (RJ), 1938

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira

Foto: João Luiz Ribeiro/Finep

  • Conduziu o Programa Nuclear Paralelo, projeto de um submarino por propulsão nuclear – não concluído –, que foi um esforço nos anos 70 e 80 de obter domínio e autonomia nacional sobre o ciclo completo do combustível nuclear.
  • Condecorado várias vezes, é físico, especialista em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia, e doutor em Física pela Universidade de Paris (Sorbonne).
  • Foi professor no mestrado em Engenharia Nuclear do IME, ECME, Coppe e Engenharia da UFRJ.
  • Atuou, entre outros cargos, como presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, membro do Conselho de Administração da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, chefe do Departamento de Tecnologia da ABIN e como Assessor Especial do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional.
  • Também foi diretor de Tecnologia da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ e membro da Comissão Deliberativa da CNEN.

Pesquisa e fonte: SOS Brasil Soberano

 

Publicado em Notícias

Por Elaine Santana*

ARTIGO: O que muda nos cursos de engenharia com as novas diretrizes curriculares

No dia 21/11, na sede do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, aconteceu uma audiência pública sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de Graduação em Engenharia. Promovida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), a audiência contou com o apoio de várias entidades, como a Abenge (Associação Brasileira de Educação em Engenharia) e o próprio Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. A pauta foi sobre a proposta de mudança nas Diretrizes Curriculares dos cursos de engenharia, que foi alvo de consulta pública no meio deste ano e que levantou diversas controvérsias no meio acadêmico e profissional. Uma das reclamações mais recorrentes na audiência pública foi o pouco tempo dado para a análise e posicionamento das mais diversas esferas envolvidas no processo. O próprio Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), em seu site, criticou que as sugestões encaminhadas por meio da Comissão de Educação e Atribuição Profissional (CEAP) e por um grupo de especialistas para a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da Engenharia tenham sido completamente ignoradas pelo CNE. O evento contou com a participação de profissionais da educação de diversos estados, bem como representantes de entidades de classe, que passaram um dia inteiro, expondo suas posições (a maior parte delas contrária) quanto ao texto proposto como base para a nova DCNs da engenharia. O texto foca na necessidade de oferta cursos mais modernos e alinhados às necessidades do mercado.

As DCNs da engenharia, hoje, estão definidas pela Resolução CNE/CES 11, de 11 de março de 2002, e determina currículos mínimos para os mais diversos cursos, com uma carga horária mínima e também definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de engenheiros.

A reformulação das DCNS baseia-se no fato da necessidade de perfis profissionais mais modernos pelo mercado de trabalho de profissionais e na tentativa de diminuir a evasão dos cursos de engenharia em todo país, que hoje é uma das mais altas.

ARTIGO: O que muda nos cursos de engenharia com as novas diretrizes curriculares 

Sendo a engenharia uma das principais forças motrizes que movem o desenvolvimento de qualquer país, é de se esperar que esta passe por constante avaliação e renovação de seus procedimentos e métodos, principalmente no que se refere ao ensino, visto que os profissionais precisam estar altamente alinhados à velocidade da inovação no mundo de trabalho. Uma das forças poderosas, a quem se atribui a necessidades dessas mudanças, é a famosa “indústria 4.0” – conceito que engloba a adoção de tecnologias cada vez mais digitais nos processos fabris. Esse conceito da Indústria 4.0 já está sendo tratado como a nova revolução industrial, que alterará, sem dúvidas, as relações de trabalho daqui para frente. Perante a estas mudanças iminentes, há de se entender que mudanças nas grades dos currículos de engenharia sejam necessárias e tratadas cada vez mais de forma “mercadológica” do que pedagógica, como o que está acontecendo na discussão da revisão das DCNs.

Não é segredo que as mudanças que aqui discutimos, são demandas da CNI (Confederação Nacional da Indústria) que juntamente com outras entidades se dizem capazes de apontar para a engenharia, quais as reais carências de formação dos profissionais no mercado.

Dentre as várias mudanças propostas, vemos a acabar com a dependência de matérias; que a teoria não seja a base da aula, visto que os alunos podem acessar esse tipo de conteúdo pela internet; foco em aulas práticas e baseada em projetos práticos; contratação de professores menos acadêmicos e com reconhecida experiência no mercado de trabalho; incentivo ao empreendedorismo, visando à formação por competência e habilidades, desenvolvimento da capacidade de liderança e comunicação e do uso de metodologias ativas de aprendizado.

Tudo isso seria perfeito, se não entrasse em choque com a realidade das escolas brasileiras e com a brecha legal, que daria total liberdade às Instituições de Ensino Superior (IES) a formatarem seus currículos sem nenhuma estrutura mínima, que formariam cada vez mais profissionais especialistas e sem um conhecimento genérico básico, capaz de torna-lo apto à resolução de problemas complexos. A retirada dos conteúdos mínimos é, sem dúvida, um dos aspectos mais perigosos, visto que a formação sólida do engenheiro em sua base é o que o capacita para o raciocínio lógico, pensamento capaz de resolver qualquer problema. É como se, para resolvermos o problema da evasão escolar causada pelas disciplinas básicas de cálculo, retirássemos essas matérias para aumentarmos o número de concludentes em engenharia. Mas que tipo de engenheiros estaremos formando? E a quem interessa essa formação específica e em massa? Uma das coisas mais lógicas que podemos atribuir a isso é a de mercado: quanto maior a oferta, mais barato fica o serviço (neste caso, o próprio engenheiro).

As novas diretrizes dão autonomia total às IES pra decidir o que é melhor e associam esta “liberdade” à formação de profissionais mais qualificados. Inclusive, a carga horária mínima de 3.600 horas que hoje temos como obrigatória, passaria a ser apenas um “referencial”, podendo também ser modificada. O que mais chama atenção no projeto apresentado é justamente o caráter subjetivo do mesmo, contrariando o que prima a própria engenharia: objetividade e simplicidade.

Outro aspecto importante dessa discussão é que os cursos de Engenharia deveriam ser autorizados, ou minimamente avaliados, pelo Conselho Federal de Engenharia, ou pelos seus Regionais, visto que o CNE não possui corpo técnico exclusivo de engenharia e com expertise em TODAS as modalidades desta. O Sistema CONFEA/CREA hoje abriga mais de 30 modalidades de engenharia, e deve ser consultado para que as grades curriculares possam ser avaliadas antes da oferta à população. Muitos cursos são abertos hoje, sem nenhuma notificação ao sistema CONFEA/CREA, que só toma conhecimento após a formação das primeiras turmas. Este fato ocasiona prejuízo para os profissionais formados, visto que não há garantia alguma que estão fazendo cursos devidamente cadastrados no seu órgão fiscalizador e que obterão registro nos Conselhos e com quais atribuições.
O projeto também não fala especificamente da educação na modalidade EAD, que deve ser regulamentada (com regras rígidas), visto que as atividades práticas são obrigatórias e indispensáveis em uma formação de qualidade. Este fato torna precária a qualidade dos egressos dessa modalidade e os incapacita para qualidades mínimas esperadas dos profissionais como: desenvolvimento interpessoal, capacidade de trabalho em grupo, liderança, dentre outras.

Se existe um consenso sobre esse assunto é que o modelo de ensino para a engenharia precisa de uma reformulação que aproxime os alunos da prática, que os mantenham motivados com aulas cada vez mais dinâmicas, que os professores precisam estar qualificados e alinhados com as novas tendências e tecnologias e que devem ser resolvidos os problemas de base (ensino da matemática e da física) advindos do ensino médio.

Indo por este caminho, a engenharia se aproximará cada vez mais do modelo adotado pela Medicina, em que o aluno já entra em contato com aspectos práticos da sua profissão, desde o primeiro período. A residência na engenharia também é uma das propostas que encontra adeptos em todas as vertentes que discutem o assunto.
As discussões para a reformulação da DCNs foram tímidas e apartadas da maioria das entidades profissionais. Sobre isso, a Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) subscreveu, juntamente com diversas outras entidades, um documento para o Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre as mudanças das diretrizes curriculares nos cursos de engenharia. No texto, as entidades ratificam a importância de audiências públicas, destacando a necessidade de adiar a aprovação das diretrizes. “As contribuições decorrentes da reunião certamente irão exigir modificações no texto da proposta das DCNs, implicando novas Audiências Públicas e uma participação mais efetiva dos principais cursos de engenharia e do sistema CONFEA-CREAs, bem como das associações acadêmicas, científicas e profissionais, destacando-se o Clube de Engenharia, a Academia Nacional de Engenharia e Academia Brasileira de Educação”, alerta trecho do texto, que pede prorrogação da aprovação com o objetivo de realizar mais audiências públicas para subsidiar o debate e formular uma nova redação. Subscrevem o texto: Academia Nacional de Engenharia; Clube de Engenharia; Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ); Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA); Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE) e Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.

Cabe agora aos mais diversos entes envolvidos nesse processo de reformulação, aumentar a discussão e lutar para que essas mudanças não atendam apenas aos desejos do mercado. Lançar engenheiros sem formação fundamental é um risco para sociedade. Vamos acabar formando “paraengenheiros” assim como os paramédicos, um sem fim de “semi profissionais” que acabarão não atendendo às necessidades da profissão, da indústria, da sociedade e deles próprios.

*Elaine Santana Silva
Engenheira Civil
Vice Presidente do Senge-SE
Diretora da Fisenge

 

 

Publicado em Notícias

11 de dezembro: dia nacional do engenheiro e da engenheira. Confira a homenagem da Fisenge para os profissionais que contribuem todos os dias para a qualidade de vida da população.

11 de dezembro: dia nacional do engenheiro e da engenheira

Publicado em Notícias

O Sindicato dos Engenheiros da Bahia foi condenado pela justiça eleitoral por colocar quatro outdoors na cidade de de Paulo Afonso (BA). O conteúdo das mídias era uma campanha contra a privatização da Chesf/Eletrobrás, esclarecendo o posicionamento favorável do relator ao Projeto de Lei que permitia a privatização tanto da Chesf quanto da Petrobrás. Essa denúncia foi considerada pelo TRE como "propaganda eleitoral" e, por isso, o sindicato foi multado em R$ 10.000,00. O Senge-BA reafirma seu compromisso na luta contra o desmonte do patrimônio do povo brasileiro e por um projeto de país soberano.

Senge-BA mobiliza campanha de solidariedade para pagamento de multa do TRE

Publicado em Notícias

A atual luta dos caminhoneiros pelo preço do diesel traz importantes reflexões para os trabalhadores da Chesf, Eletrobras e Petrobras, e suas lutas contra as privatizações. Vejamos:

Privatização da Chesf e Eletrobrás

Precisamos reforçar a contradição do discurso governamental, que apresenta a descotização como principal argumento da entrega da Eletrobras e, consequentemente, da Chesf, ao capital estrangeiro. Se a solução é descotizar, podemos considerar que, de acordo com a visão do Governo, o problema central da crise da estatal é o regime de cotas.

Com a mudança no regime, ou seja, com a descotização, a Eletrobras e a Chesf, públicas ou privadas, poderão ter uma altíssima lucratividade. Ou seja, hoje a energia elétrica vendida pelas estatais, pelo sistema de cotas, custa aos consumidores R$ 40/MWh. Com a descotização, esse valor passará a R$ 200/MWh.

Não é preciso uma profunda reflexão para entender que a mesma energia quando vendida por 5 vezes o valor da cota proporcionará um maior lucro às empresas. Em detrimento da população, sem pensar na soberania energética nacional, o capital privado se beneficiará do novo sistema.

A Chesf, por exemplo, que é capaz de produzir entre 50 e 54 milhões de MWh, com o valor descotizado, passará a ter uma receita operacional de até R$ 10,8 bilhões. Essa receita é capaz de gerar um lucro líquido de R$ 5,5 bilhões, uma margem de lucro fantástica para o setor.

A dificuldade é explicar para a sociedade o fato das Usinas já terem sido amortizadas e a energia velha, já paga, ser vendida a preço de mercado. As decisões são fruto de uma política de governo que privilegia o capital e prejudica a população.

Paralisação do setor de transportes

A paralisação do setor de transporte está intimamente ligada à política de preços da Petrobras, que, desde 2016, tem privilegiado o capital estrangeiro e sendo orientada pela dolarização.

Precisamos ter a compreensão principal de que a Petrobras é autossuficiente na produção de petróleo. Entretanto, por determinação da direção de empresa, as refinarias vêm funcionando com redução de 40% de sua capacidade. Fato este que tem forçado a importação, com a finalidade cobrir o déficit interno.

Segundo Nota Técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Com as plantas de refino do país é possível refinar 2,4 milhões de barris/dia para uma demanda de consumo interno de 2,2 milhões de barris/ dia. O Brasil exporta óleo cru e importa combustível refinado. A Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) publicou que, em 2017, o país aumentou a importação de gasolina em 82% e em 67% do diesel.

Do outro lado do “jogo”, estão os caminhoneiros. Uma média de um milhão de profissionais responsáveis por 70% do transporte de cargas do país. O recrudescimento da economia, a significativa redução dos preços dos fretes e o aumento absurdo do diesel de R$2,50 em 2016 para mais de R$4,00 em 2018 são mais que desafios, impostos a partir do golpe que vivenciamos em 2016, para esses trabalhadores e toda rede que eles fazem parte.

 Em um cenário de ameaças permanentes de privatizações, oriundas da política ideológica invertida, de valorizar o privado e sucatear o que é público, afetando a soberania do país, o governo se encontra numa das maiores crises da história brasileira. De acordo com eles, “reféns de caminhoneiros”, que emergem como um verdadeiro tsunami social, paralisando o país de norte a sul e de leste a oeste.

 

*Mailson da Silva Neto é engenheiro eletricista e diretor do Senge-PE

A luta dos trabalhadores do setor energético se entrelaça com a dos caminhoneiros, por Mailson Silva Neto

Publicado em Notícias

Por Camila Marins

Basta jogar no Google “Jardim Pantanal zona leste SP” e, na maior parte dos resultados, haverá notícias sobre enchentes, alagamentos e deslizamentos. Esta é uma região periférica da capital de São Paulo. E foi nesse bairro, às margens do rio Tietê, que o engenheiro Matheus Cardoso, de 22 anos, sonhou e fundou o Moradigna, uma empresa que presta serviços de engenharia nas comunidades e periferias. “No Jardim Pantanal existe uma especificidade, pois fica às margens do Rio Tietê, o que faz com que o bairro seja muito úmido, assim como as casas. E esta é apenas uma das insalubridades que uma má construção pode ocasionar. Isso tudo eu vivi de perto junto com a minha família e todos os meus vizinhos”, contou Matheus, que estudou em uma escola pública que é considerada umas das piores da Zona Leste. Matheus fez o ensino médio em uma escola técnica no bairro da Penha, onde ganhou uma bolsa em um cursinho pré-vestibular. Antes, ele sonhava em fazer engenharia para poder tirar a mãe da periferia, mas mudou seu pensamento para formular um projeto que o fizesse permanecer na comunidade. Nesta entrevista à jornalista da Fisenge, Matheus fala sobre sua trajetória, os percalços e desafios.


Por que escolheu estudar engenharia civil?
Sempre tive o sonho de me formar em engenharia para poder tirar minha mãe da periferia. Estudei em uma escola pública, que é considerada umas das piores da Zona Leste. Fiz o ensino médio em uma escola técnica no bairro da Penha e lá ganhei uma bolsa em um cursinho pré-vestibular. Entrei na Universidade através do ProUni e, em 2017, me formei em engenharia civil pelo Mackenzie. Mas, um ano antes disso, já pensava em um projeto que me faria permanecer na comunidade.
Tive um breve contato com a profissão desde antes. Durante 21 anos, morei no Jd. Pantanal, e lá existe uma especificidade, pois fica às margens do Rio Tietê e isso faz com que o bairro seja muito úmido, assim como as casas que também se tornam muito úmidas. Essa é apenas uma das insalubridades que uma má construção pode ocasionar. Isso tudo eu vivi de perto junto com a minha família e todos os meus vizinhos.

Como foi essa virada para o Moradigna?
Ainda na faculdade, trabalhei em uma grande empresa de engenharia e o meu maior sonho, quando entrei nessa área, era trabalhar numa boa empresa, ter uma carreira tradicional. No entanto, quando eu comecei a trabalhar nessa empresa, eu me vi inserido em dois mundos muito diferentes. Eu morava no Jardim Pantanal, uma das piores comunidades de São Paulo, e trabalhava na Vila Olímpia, que é um bairro nobre. Viver essa dualidade de ambientes me incomodava muito. E como eu não tinha acesso a esses conhecimentos sobre empreendedorismo social, o meu maior desejo era sair dessa realidade para uma realidade melhor, mas depois que os obtive me dei conta de que eu poderia atrelar minha carreira com a transformação do bairro onde sempre vivi. Então, surgiu a ideia do Moradigna.

De que forma o empreendedorismo social ajudou na criação da empresa?
Passei pela aceleradora “Yunus Negócios Sociais”. Vi que o negócio poderia ser viável quando realizei, com a ajuda de meu padrinho que é pedreiro, a primeira obra do Moradigna: a reforma da casa da minha mãe. Depois, a vizinhança começou a virar clientela e o negócio decolou.
Nós temos vários levantamentos quantitativos. Depois de três anos de história, já são mais de 300 reformas realizadas, mais de 1.000 pessoas impactadas e mais de R$1 milhão em faturamento. Todos esses resultados são muito bons e validam o negócio, porém o que realmente me faz levantar da cama é o sorriso de uma mãe de família com um cômodo reformado, é um pai que agora pode tomar um banho quente para ir trabalhar. Pessoas vêm nos contar que não vão precisar levar os filhos em médicos, porque estão livres de pneumonia, já que a casa não é mais úmida.

Como funciona o empreendedorismo social?
O empreendedorismo social se encaixa no setor dois e meio. Existe o segundo setor, que são as empresas comuns que visam ao lucro, e existe o terceiro setor, que são as ONGs e que visam ao impacto social. Um negócio social é o meio termo entre os dois. É uma empresa que tem como objetivo resolver um problema da sociedade através de uma metodologia de negócio. Não visa somente o lucro, mas também não visa somente o impacto social.

As regiões periféricas têm dificuldade para conseguir assistência técnica gratuita. Qual a importância de iniciativas nessas regiões?
O Moradigna não oferece assistência técnica gratuita, mas sim um serviço onde se inclui a assistência técnica. Mas, de fato, é muito importante para essas regiões, porque as pessoas, em sua maioria, não sabem como reformar suas casas, por onde começar, quais serviços contratar. O que acaba gerando muita gambiarra e puxadinhos, que são os grandes responsáveis pelas insalubridades nas residências. Por isso, é muito importante que iniciativas como o Moradigna ajudem a resolver esse problema, porque é um dos pontos que está incluso no nosso combo junto com mão de obra, material, gestão e a garantia.

Qual a importância da contratação no próprio bairro?
É de extrema importância porque gera empatia, tanto dos executores que trabalham no Moradigna, quanto de quem contrata os serviços. Faz com que a gente entenda quais são as reais necessidades do cliente e desenhe propostas e serviços que caibam nessas necessidades. Sem contar que faz com que a economia local gire também, faz com que o Moradigna ganhe como empresa local e a comunidade ganhe em desenvolvimento econômico.

Fale um pouco sobre a parceria para atender famílias atendidas pelo Bolsa Família?
Hoje, o Moradigna tem parceria com o Instituto Phi, que seleciona causas e faz conexão entre essas causas e grandes filantropos do Brasil. Os filantropos doam para o Instituto, que seleciona algumas empresas ou ONGs para realizar serviços em prol da comunidade. O Instituto Phi tem parceria com a SASF (Serviço de Assistência Social à Família) da região que seleciona as pessoas que recebem o benefício de Bolsa Família, e o Moradigna executa as reformas. Quem doa é o Instituto Phi, quem seleciona as famílias é a SASF e o Moradigna é quem executa. Isso faz com que a gente atenda a um público que não poderia comprar a reforma, que são famílias de classe E, em maior vulnerabilidade social.

O que você acha da lei 11.888, que prevê assistência técnica gratuita?
Uma ótima iniciativa. É desse tipo de política pública que precisamos para melhorar as condições de insalubridades das residências. Já existem políticas públicas para construções de residências, porém, não temos um déficit de habitação no Brasil, o que temos é um déficit de residências em boas condições. Provendo assistência técnica para essas famílias fica muito mais viável que elas saiam dessas circunstâncias, ao invés de construir novas casas. Acredito muito nesse caminho. A minha única ressalva é como isso vai funcionar e como vai ser a contratação dessa assistência técnica. Como vai ser o contato com essas famílias? Como vão realizar essa supervisão? Toda vez que falamos de políticas públicas, temos que pensar em escala e que existem milhões de brasileiros que vão necessitar disso. O modelo operante por trás tem que ser bem desenhado e, por enquanto, não sabemos como vai ser feito. O Moradigna tem muito interesse em saber como vai ser executado, para que a gente se posicione nesse mercado também, tanto como opção de política pública, quanto opção de subsídio para atender cada vez mais clientes.

Foto: Divulgação

Engenheiro formado pelo ProUNI transforma realidade na periferia

 

Publicado em Notícias

“A luta pelo pré-sal, pela energia e pela água é uma luta pela soberania nacional”, afirmou o presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Clovis Nascimento, em entrevista na sexta-feira (23), transmitida online pelo blog O Cafezinho. Por isso, a entidade tem se mobilizado contra as tentativas de privatização do governo Temer que ameaçam o patrimônio público nas três áreas. Ele também aponta a “engenharia” como um dos segmentos mais atingidos pelo golpe de 2016, onde a redução de empregos tem sido um “termômetro” claro de estagnação econômica.

“Se você tem engenheiros empregados, formulando, certamente o país está se desenvolvendo”, diz. “O que aconteceu no Brasil foi uma derrocada. Se nós discutíssemos um cenário como este há um ano, seríamos taxados de malucos. É uma situação sem precedente na história do Brasil.”

A indústria naval e toda sua cadeia produtiva, afirma, “voltou à estaca zero, está paralisada”. Cenário que ele atribui à decisão do atual governo de retomar a contratação no exterior de navios. Em outras áreas cruciais, como petróleo, as políticas de conteúdo local também foram “destruídas”, o que explicaria, aponta Clovis, que muitos engenheiros estejam sendo obrigados a trabalhar como vendedores. “Se ficou desempregado, vai ter que garantir o pão de cada dia da sua família. Sendo uma coisa séria, honesta, não vejo nada demais. Mas é uma tragédia.”

Eletrobras

Sobre a privatização da Eletrobras, oferecida pelo governo federal ao mercado como “compensação” pela derrota na reforma da Previdência, Clovis destacou que o setor elétrico brasileiro possui uma “peculiaridade que é única”, a sua integração em todo o território, uma vantagem estratégica para a segurança energética. “Temos um país de dimensões continentais, com matriz energética de base hidráulica; usinas com custo alto de implantação, mas que geram energia limpa; e abundância de água. Ou seja, temos oferta de energia no Brasil inteiro. Quando falta na região Norte, levamos da região Sul, porque é tudo interligado. Isso é singular no mundo: a geração espalhada no país, com linhas de transmissão interligada.”

Quebrar essa integração, por meia da privatização do sistema Eletrobras, teria impactos em todo o abastecimento nacional. O segmento é tão crítico para o desenvolvimento, a qualidade de vida e a segurança nacionais que o presidente da Fisenge observa que, nos EUA, o Exército norte-americano é quem toma conta da água e da energia.

Nesse sentido, o dirigente sindical também rejeita as propostas de privatização do setor de saneamento básico. Segundo Clovis, a iniciativa privada não terá interesse em atender às populações mais pobres, que, por sua vez, não terão condições de suportar as tarifas aumentadas pela variável do interesse do lucro. “E água é saúde. Cada R$ 1,00 investido em saneamento, economiza R$ 4,00 na saúde pública”, alerta, lembrando que a água, se não for tratada adequadamente, é um dos maiores transmissores de doença.

No caso da Cedae, empresa onde o presidente da Fisenge trabalha como engenheiro sanitarista há cerca de 40 anos, ele acredita que irá fracassar a tentativa de privatizá-la. Embora tenha sido dada em garantia pelo governo estadual no empréstimo bancário que permitiu pagar parte dos salários do funcionalismo, a expectativa de Clovis é que a empresa resista como patrimônio do Estado. “Não acredito que ela vá ser vendida. Estamos lutando na sua defesa.”

O presidente da Fisenge também está convicto de que a população irá, em algum momento, reagir aos retrocessos impostos à sociedade após o golpe. “A população vai acordar. E o papel do Cafezinho, dos blogs, é fenomenal, fantástico, para levar informação para a população sem casuísmos.”

Por Veronica Couto

Desemprego na engenharia é “termômetro”  da estagnação, diz presidente da Fisenge

Publicado em Notícias

A proposta do governo federal de revisão do Marco Legal do Saneamento, para estimular as privatizações, ameaça deixar sem atendimento os municípios mais pobres do país. Uma Medida Provisória em discussão no Ministério das Cidades altera a Lei 11.445/07 e exige que as prefeituras façam um “chamamento público” para contratação dos serviços; se houver interessados, uma licitação pública. Atualmente, a lei permite que entes públicos – Estados e municípios – firmem “um contrato de programa” com dispensa de licitação, o que tem assegurado o chamado subsídio cruzado no setor: as cidades com maior renda acabam subsidiando o atendimento às mais carentes pelas empresas estaduais.

De acordo com especialistas, uma vez privatizado e submetido o serviço de saneamento público à concorrência de mercado, pode acontecer de muitos municípios não encontrarem interessados em atendê-los a um custo viável para seus orçamentos. “A iniciativa privada não vai querer fornecer água nos bolsões de pobreza”, adverte Clovis Nascimento, presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros(Fisenge) e engenheiro sanitarista da Cedae há 40 anos. “Hoje ,no Rio de Janeiro, quem não tem água é a população pobre: não falta água na Zona Sul, no Centro, na Zona Norte; falta água nas favelas, na periferia, na Baixada Fluminense nas áreas periurbanas onde está localizada basicamente a classe proletária e mais pobre do nosso país, um cenário que só vai se agravar no modelo privado e concorrencial proposto pelo governo.”

Sem o subsídio cruzado, a fonte de financiamento do serviço deverá ser o próprio resultado fiscal da prefeitura. Mas, segundo a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas cerca de 500 apresentam superávit nas operações de saneamento.

A Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae) tem atualmente “contrato de programa” com 66 dos 92 municípios do Estado, para fornecer água, recolher o esgoto, transportá-lo e tratá-lo. Entre eles a capital e outras cidades, muitas de condição econômica bem mais crítica. A empresa foi dada em garantia no empréstimo bancário feito pelo Estado para pagamento ao funcionalismo e a modelagem da sua privatização está sendo feita pelo BNDES, que contratou os estudos de um consórcio liderado pelo Banco Fator e integrado também pela Concremat Engenharia e Tecnologia e pelo escritório Vernalha Guimarães & Pereira Advogados (VG&P), por R$ 6,787 milhões. Privada, a Cedae teria interesse em continuar a atender aos 66 parceiros atuais? Essas 66 prefeituras teriam recursos para pagar os valores cobrados pelo novo controlador da empresa?

Privatizar a Cedae, critica Clovis, esbarra ainda em outro problema, que é a titularidade do manancial do Guandu, compartilhada entre o Estado e os municípios da Região Metropolitana, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). “O Guandu é a maior estação de tratamento de águas do mundo, tratando, atualmente, 45 mil litros por segundo”, diz o presidente da Fisenge. “Se privatizar, como fica a população?”, questiona.

O artigo 10-A do texto da MP que altera a Lei 11.445, instituindo a concorrência para o saneamento, recebeu críticas também de diversas entidades do setor. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental enviou carta ao Ministério das Cidades alertando sobre os problemas sociais decorrentes da medida e reivindicando que a alteração nas regras do setor seja proposta em projeto de lei e não por Medida Próvisória. Segundo Clóvis, da Fisenge, um novo PL permitindo dispensa de licitação na prestação do serviço e a garantia dos contratos de programa vigentes já estaria pronto para ser encaminhado ao Congresso. Ele acredita, contudo, que essa providência também vá enfrentar problemas, por exemplo, com a Lei 8.666, que disciplina as relações entre empresas privadas e o setor público.

“Não se pode privatizar a água e o saneamento; será muito ruim para a população”, diz. “O ser humano necessita de três elementos essenciais à vida: o oxigênio do ar que nós respiramos; a energia que nós extraimos do alimento que nós comemos; e a água que nós bebemos. Se faltar um desses elementos, o ser humano morre. Por isso água é vida, é saúde, não pode ser privatizada.”

No mundo, muitos governos que privatizaram o saneamento básico se arrependeram. O setor de água e esgoto registra mais de 240 casos de reestatização em países como os Estados Unidos (58 casos), França (94 casos), Alemanha (9 casos), entre outros, segundo a Nota Técnica nº 189 “Empresas estatais e desenvolvimento: considerações sobre a atual política de desestatização”, divulgada em janeiro pelo Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A nota observa, ainda, que, no Brasil, o próprio texto da Constituição Federal de 1988 define o provimento de distribuição de água e coleta de esgoto entre os bens e serviços como propriedade/competência da União e, em alguns casos, de estados e municípios.

Retrocesso

As políticas de saneamento enfrentam um momento de grande retrocesso, avalia Clovis Nascimento. Passados dez anos da Lei 11.445, de 2007, 83,3% da população brasileira recebem água tratada – ou seja, 35 milhões de pessoas ainda não contam com o serviço –, e só metade (50,3%) tem acesso à coleta de esgoto sanitário. Apesar disso, a rubrica “saneamento básico” recebeu um corte de 33% no orçamento da União para 2018, o primeiro achatado pela “PEC dos gastos”, totalizando R$ 941,5 milhões, em comparação a R$ 1,4 bilhão no ano passado. No Rio de janeiro, a queda em relação ao ano passado é ainda maior – de 47%, segundo a proposta aprovada pea Assembleia Legislativa: de R$ 1,3 bilhão em 2017 para R$ 734,9 milhões este ano.

Na Agência Nacional de Águas (ANA), ocupa atualmente a presidência Christianne Dias Ferreira, que era subchefe adjunta da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República desde maio de 2016. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, professora de Direito Privado e integrante do Conselho Fiscal do BNDES, ela foi indicada por Gustavo do Vale Rocha, subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil e que foi advogado do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, agora preso em Curitiba (PR), tendo atuado também na defesa de Marcela Temer, quando o celular da primeira-dama foi invadido por hackers. Ou seja, uma indicação política, sem experiência no setor a ser regulado pela agência.

Avanço

Um contexto radicalmente diferente daquele de 2003, quando Clovis Nascimento, da Fisenge, foi convidado a integrar a equipe do gaúcho Olívio Dutra, recém-empossado ministro das Cidades do primeiro governo Lula. Os investimentos na área de saneamento compromissados pelo governo federal entre janeiro de 2003 e dezembro de 2006, contratos com recursos onerosos e empenhos de recursos não onerosos, foram da ordem de R$ 12,5 bilhões, e os desenbolsos efetivos de R$ 6,3 bilhões. Os financiamentos atenderam principalmente a região Sudeste (49%), mas as transferências voluntárias, não onerosas, enfatizavam o Norte (11%) e Nordeste (42%).

“Os movimentos sociais lutavam para que o segmento de habitação, saneamento, os programas de mobilidade urbana, acessibilidade, estivessem todos juntos em um único ministério, como previsto, inclusive, no Estatuto das Cidades aprovado em 2001”, conta. “O goveno Lula assume e cria o Ministério das Cidades, dando um endereço único para as questões relacionadas a saneamento que, até então, estavam dispersas em 11 ministérios diferentes.”

Segundo ele, o governo criou regras novas disciplinando o acesso aos recursos federais. Por exemplo, determinando que prefeituras com obras não finalizadas ou interrompidas não pudessem receber dinheiro novo. Outro aspecto importante, destaca Clovis, foi assegurar que os projetos tivessem efetiva funcionalidade para a população. Para entender o que é uma obra não funcional, ele cita a usina para tratamento de lixo construída no bairro carioca do Caju, na zona portuária, que “virou um elefante branco”.

A destinação dos recursos, por solicitação do então presidente Lula, precisava priorizar as áreas mais pobres do país, diz Clovis. Para isso, a equipe do Ministério das Cidades fez uma chave de avaliação com base em indicadores de salubridade ambiental, levando em conta índice de Gini, de pobreza, níveis de coberta de água e esgotamento sanitário. “E, com base nesses indicadores, a gente destinava recursos para aqueles bolsões de pobreza onde não havia nada.”

São dessa época iniciativas importantes que permitiram avanços significativos nos investimentos, como o programa Água para Todos. Já a decisão de utilizar recursos financiados – do FGTS e do FAT – para obras no setor driblou o contingenciamento do Orçamento Geral da União, imposto pelas regras do FMI, que considerava saneamento despesa e não investimento. “Com isso, conseguimos disponibilizar R$ 1,7 bilhão em 2003 para a área de sanemaento, que não via dinheiro público há muito tempo, congelada no governo FHC”, diz. “Na ocasião, o presidente da República fez um evento reunindo governadores e prefeitos para anunciar os investimentos, mas nenhuma linha foi publicada nos grandes jornais. Ali tivemos certeza do boicote da imprensa ao governo.” Depois disso, encerrada a dívida com o FMI, o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também iria dar celeridade aos projetos de saneamento.

Guaribas

Ainda na equipe de Olivio Dutra, Clovis lembra que o presidente da República pediu para que o Ministério das Cidades levasse água para Guaribas, um dos municípios mais pobres do Brasil, com 5 mil habitantes, a 600 km de Teresina, dentro do sertão do Piauí. A experiência, na sua opinião, foi simbólica do projeto de país que então se pretendia realizar: “Cheguei em Guaribas em fevereiro de 2003; em dezembro, inauguramos o sistema de abastecimento de água. A água chegou na casas das pessoas. Foi um carnaval.”

Um estudo geofísico permitiu localizar água a 25 km da sede da cidade e a 300 metros de profundidade. O poço foi perfurado com ajuda da CPRM e a “energização”, da Eletrobras. Com a saída de Olívio Dutra do ministério, em 2005, Clovis voltou à Cedae, onde permanece, agora também na luta contra a privatização.

Fonte: SOS Brasil Soberano/ Veronica Couto

Foto: Divulgação/CEDAE

MP do governo federal muda lei do saneamento e ameaça atendimento em áreas pobres

Publicado em Notícias
Página 1 de 3