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O salário mínimo nacional foi reajustado em 4,61% no dia 1º de janeiro de 2019, passando de R$ 954,00 para R$ 998,00. Com isso, o piso salarial dos profissionais da Engenharia também deve ser reajustado, uma vez que corresponde a 8,5 salários mínimos para uma jornada de 8 horas diárias, conforme a Lei 4950-A/66.

Veja abaixo a tabela com os valores do SMP reajustados:

Piso salarial dos engenheiros (as) é reajustado 


Fonte: Senge-MG/ Enviado por Carol Diamante 
 

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A Fisenge listou 13 projetos de lei que afetam a engenharia no Congresso Nacional. Confira os conteúdos e status dos projetos.

- MP 844/2018
Atualiza o marco legal do saneamento básico e altera a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, para atribuir à Agência Nacional de Águas competência para editar normas de referência nacionais sobre o serviço de saneamento, a Lei nº 10.768, de 19 de novembro de 2003, para alterar as atribuições do cargo de Especialista em Recursos Hídricos, e a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, para aprimorar as condições estruturais do saneamento básico no País.
Perdeu a eficácia – caducou

- PL 6699/2002
Inclui como Crime contra a Saúde Pública o exercício ilegal da profissão de Engenheiro, Arquiteto e Agrônomo. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 1940.
Pronta para Pauta no Plenário na Câmara

- PLC 13/2013
Acrescenta parágrafo único ao art. 1º da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, caracterizando como essenciais e exclusivas de Estado as atividades exercidas por Engenheiros, Arquitetos e Engenheiros-Agrônomos ocupantes de cargo efetivo no serviço público federal, estadual e municipal.
Pronto para deliberação do Plenário do Senado

- PLC 77/2018
Altera a Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, que cria a Conta de Desenvolvimento Energético, a Lei nº 12.111, de 9 de dezembro de 2009, que dispõe sobre os serviços de energia elétrica nos sistemas isolados, a Lei nº 12.783, de 11 de janeiro de 2013, que dispõe sobre as concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, a redução dos encargos setoriais e a modicidade tarifária, a Lei nº 13.203, de 8 de dezembro de 2015, que dispõe sobre a repactuação do risco hidrológico de geração de energia elétrica, a Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, que disciplina o regime de concessões de serviços públicos de energia elétrica e a Lei nº 12.212, de 20 de janeiro de 2010, que dispõe sobre a Tarifa Social de Energia Elétrica. – Viabilização da privatização das distribuidoras
Proposição Rejeitada 

- PLC 31/2014
Estabelece a Política Nacional de Manutenção Predial; cria o Plano de Manutenção Predial; institui a obrigatoriedade de inspeções técnicas visuais e periódicas em edificações públicas ou privadas, residenciais, comerciais, de prestação de serviços, industriais, culturais, esportivas e institucionais, destinadas à conservação e/ou à recuperação da capacidade funcional das edificações; e dá outras providências.
Matéria com a relatoria na CCJ/Senado

- PL 1292/95
Altera a lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências.
Pronta para Pauta no Plenário

- PLC 78/2018
Autoriza a Petrobras a transferir até 70% dos direitos de exploração de petróleo do pré-sal na área cedida onerosamente pela União para outras petroleiras, mantida a participação de 30% no consórcio, e flexibiliza a utilização do regime licitatório das sociedades de economia mista nas contratações de bens e serviços pelos consórcios integrados pela Petrobras.
Inclusão na ordem do dia – regime de urgência

- PL 9.463/2018
Dispõe sobre a desestatização da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - Eletrobras e altera a Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, a Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000, e a Lei nº 5.899, de 5 de julho de 1973.
Pronta para Pauta na Comissão Especial na Câmara – não deve ser pautado mais nesse ano (2018)

- PL 3729/2004
Dispõe que para a instalação de obra, empreendimento ou atividade potencialmente causadora de degradação do meio ambiente, será exigido Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA), com ampla publicidade; regulamentando a Constituição Federal de 1988
Aguardando Parecer do Relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC); Pronta para Pauta no Plenário da Câmara; Aguardando Parecer do Relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT)


- PL 6621/2016
Dispõe sobre a gestão, a organização, o processo decisório e o controle social das agências reguladoras, altera a Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, a Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, a Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, a Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, a Lei nº 9.961, de 28 de janeiro de 2000, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, a Lei nº 9.986, de 18 de julho de 2000, a Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, a Medida Provisória nº 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, a Lei nº 11.182, de 27 de setembro de 2005, e a Lei nº 10.180, de 6 de fevereiro de 2001, e dá outras providências
Aguardando Apreciação pelo Senado Federal

- PLC 79/2016
Altera as Leis nºs 9.472, de 16 de julho de 1997, para permitir a adaptação da modalidade de outorga de serviço de telecomunicações de concessão para autorização, e 9.998, de 17 de agosto de 2000; e dá outras providências. Novo marco regulatório das Telecomunicações
Encerrado prazo de emendamento

- PL 1917/2015
Dispõe sobre a portabilidade da conta de luz, as concessões de geração de energia elétrica e a comercialização de energia elétrica, altera as Leis n. 12.783, de 11 de janeiro de 2013, 10.848, de 15 de março de 2004, 10.847, de 15 de março de 2004, 9.648, de 27 de maio de 1998, 9.478, de 6 de agosto de 1997, 9.427, de 26 de dezembro de 1996, a Medida Provisória n. 2.227, de 4 de setembro de 2001, e dá outras providências. Mudança do Marco Legal do Setor Elétrico
Pronta para Pauta na Comissão Especial na Câmara

- PDC 901/2018
Susta os efeitos da Resolução nº 51, de 12 de julho de 2013, editada pelo Conselho Arquitetura e Urbanismo – CAU
Aguardando Designação de Relator na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP)

 

Fonte: Comunicação Fisenge com informações da assessoria parlamentar da Federação Advocacia Garcez

13 projetos de lei que afetam a engenharia no Congresso Nacional

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A nova diretoria do Sindicato de Engenheiros de Sergipe (Senge-SE) tomou posse no dia 17/12, em Aracaju. O presidente eleito e engenheiro eletricista, Sérgio Maurício Mendonça Cardoso, reafirmou o comprometimento com as propostas de campanha com uma gestão voltada para a defesa dos direitos e dos interesses dos engenheiros e das engenheiras do estado. “Teremos um desafio muito grande e assumimos o compromisso de gerir o Senge de forma responsável, criativa e inovadora, buscando o equilíbrio das receitas com as despesas, a integração de novos sindicalizados, participando ativamente das negociações coletivas, oferecendo convênios, cursos de atualização e aperfeiçoamento, assessoria jurídica civil e trabalhista, dentre outros”, destacou. Nesta gestão 2019/2021, dos 25 integrantes da diretoria eleita, 10 são mulheres, entre elas a engenheira civil, diretora eleita para o Senge-SE e diretora da Fisenge, Elaine Santana. “O alto número de mulheres em nossa diretoria é reflexo da organização das engenheiras nos sindicatos e locais de trabalho. Iremos priorizar a valorização profissional e as negociações coletivas”, pontuou Elaine.

O presidente da Fisenge e engenheiro civil, Clovis Nascimento, participou da solenidade e enfatizou a união como elemento central para o enfrentamento das adversidades que estão por vir com o próximo governo eleito. “A unidade precisa ser o alicerce de nossa caminhada em defesa da engenharia brasileira, do desenvolvimento sustentável e da soberania nacional”, disse o presidente, reforçando o apoio da Federação às entidades filiadas.

 

Nova diretoria do Sindicato dos Engenheiros de Sergipe toma posse

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Na tarde dessa terça-feira (12), lideranças e entidades do Sistema Confea/Crea juntamente com representantes da antropologia, da história, da museologia, do paisagismo e do design de interiores estiveram presentes na audiência da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Pública, na Câmara dos Deputados, para debater o PL 9818/18, que exclui das atribuições do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) a prerrogativa de definir as áreas de atuação privativas dos arquitetos e urbanistas e áreas de atuação compartilhadas com outras profissões regulamentadas.

Durante a audiência, o presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), eng. civ. Joel Krüger, apontou falhas no texto que tramitou no Congresso. “Houve um equívoco do Legislativo ao aprovar a lei do CAU porque é indelegável essa atribuição do Congresso Nacional de definir o que é privativo. Agora vem um Conselho e diz o que outras profissões podem ou não fazer. Isso não procede”, ponderou Joel. Ao se pronunciar, o conselheiro federal Marcos Camoeiras complementou a fala de Joel. "Isso tem reflexos no mundo real. Nas prefeituras os profissionais, estão tendo de submeter o projeto à assinatura de arquiteto para que o não seja barrado lá na frente."

Posicionamento que coincide com o entendimento do representante da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), Walter Bittar: “Resolução de Conselho não é lei. Conselho não pode dizer o que é privativo de sua profissão, restringindo as outras profissões”, criticou referindo-se à Resolução 51/13, do CAU/BR, que define as atribuições privativas da profissão. “Não é a formação do arquiteto que o CAU está questionando, mas sim das outras profissões, que não estão sendo reconhecidas”, finalizou.

Já o presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc), eng. civ. Francisco Ladaga, lamentou o atual panorama para as profissões. “Deveríamos estar trabalhando de forma colegiada, entretanto se transformou em um ambiente que impede os outros de trabalhar. O que me que assusta é o CAU acionar a polícia com denúncias de exercício ilegal da profissão“, disse se referindo às restrições impostas pela resolução do CAU. “Como exemplo o fato de o engenheiro civil possuir matérias de maior carga horária do que as ministradas na faculdade de Arquitetura e ainda assim ter sua capacidade questionada”, comparou o engenheiro.

Para o coordenador da Coordenadoria Nacional das Câmaras Especializadas de Agronomia (CCEAGRO), eng. agr. Kléber Santos, a Resolução 51 fere o princípio do diálogo e questões de atribuições exclusivas. “Por exemplo, o engenheiro agrônomo exerce o paisagismo há um bom tempo, e é muito estranho que uma resolução do CAU diga que isso é privativo de uma profissão excluindo todas as outras. Aqui nesse debate os engenheiros agrônomos estão se manifestando oficialmente contra essa resolução", pontuou o coordenador.

O deputado Ricardo Izar (PP-SP) autor do PL 9818/18 e do PDC 901/18, que susta a Resolução 51, do CAU, falou da importância do debate. “A audiência é importante para trazer ao conhecimento dos outros parlamentares o que significa essa norma. São muitas profissões afetadas pela decisão de um Conselho. As outras profissões afetadas pela resolução precisam se manifestar sobre os danos dessa medida”, defendeu o parlamentar. As propostas aguardam apreciação na Comissão de Trabalho.

Além do presidente do Confea, Joel Krüger, participaram da audiência: o presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Lia Zanotta; representante da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), Walter Bittar, presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc), Francisco Ladaga; presidente da Associação Nacional de Paisagismo (ANP), Eliana Azevedo; representante da Associação Nacional de História (ANPUH), Heithor Zanini; representante do Conselho Federal de Museologia (Cofem), Andrea Considera; presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), Luciano Guimarães; presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Nivaldo Vieira de Andrade Júnior; diretora de Documentação e Informação da Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (Fenea), Beatriz Vicentin Gonçalves; representante da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), Danilo Silva Batista; presidente da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), Cícero Alvarez; presidente da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (Abea), João Carlos Correia.

Fernanda Pimentel
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: Câmara dos Deputados

Engenheiros e demais profissões apontam reserva de mercado durante audiência pública

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Terça, 11 Dezembro 2018 12:06

Fisenge assina Acordo Coletivo da CPRM

No dia 06/12, foi assinado o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Após várias rodadas, a negociação coletiva foi encerrada com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). De acordo com o diretor de negociação coletiva, Fernando Jogaib, o Acordo precisa ser ratificado em deliberação nas assembleias. Foram aprovadas as seguintes cláusulas:


- Reajuste correspondente a 100% do INPC, 2,556%, acumulado no período de 1º/07/2016 a 30/06/2017 sobre salários e benefícios reajustados com base no salário, aplicado a partir de 1º/07/2018;
- Reajuste correspondente a 60% do índice do INPC, 2,112%, acumulado no período de 1º/07/2017 a 30/06/2018 sobre salários e benefícios reajustados com base no salário, aplicado a partir de 1º/07/2018.

Fisenge assina Acordo Coletivo da CPRM

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11 de dezembro: dia nacional do engenheiro e da engenheira. Confira a homenagem da Fisenge para os profissionais que contribuem todos os dias para a qualidade de vida da população.

11 de dezembro: dia nacional do engenheiro e da engenheira

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Até quarta-feira (12/12), os sindicatos de engenheiros deverão realizar assembleias para apreciação da contraproposta da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A negociação coletiva está em sua 7ª rodada e os engenheiros são representados pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). “Conseguimos avançar nas negociações e, principalmente, com o respeito aos direitos específicos das categorias diferenciadas como a de engenheiro. Também conquistamos a manutenção do plano de saúde e do tíquete refeição”, destacou o diretor de negociação coletiva da Fisenge, Fernando Jogaib.

A contraproposta da empresa prevê índice de 60% do INPC, relativo ao ACT 2018/2019 nas cláusulas econômicas, sendo que o retroativo será calculado somente para 2 (dois) meses. Em caso de acordo bianual, o índice será de 50% (cinquenta por cento) do INPC para o período de 2019/2020. Em relação às cláusulas sociais, a empresa mantém o plano de saúde, o seguro de vida que será regulamentado por norma interna, assim como manterá auxílio funeral para seus empregados com o valor de R$ 3.883,09.

Negociação coletiva da CBTU caminha para deliberação das assembleias

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No dia 28/11, diversas entidades da engenharia enviaram um documento para o Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre as mudanças das diretrizes curriculares nos cursos de engenharia. No texto, os signatários afirmam a importância de audiências públicas, destacando a necessidade de adiar a aprovação das diretrizes. “As contribuições decorrentes da reunião certamente irão exigir modificações no texto da proposta das DCNs, implicando novas Audiências Públicas e uma participação mais efetiva dos principais cursos de engenharia e do sistema CONFEA-CREAs, bem como das associações acadêmicas, científicas e profissionais, destacando-se o Clube de Engenharia, a Academia Nacional de Engenharia e Academia Brasileira de Educação”, alerta trecho do texto, que pede prorrogação da aprovação com o objetivo de realizar mais audiências públicas para subsidiar o debate e formular uma nova redação. Assinam o documento: Academia Nacional de Engenharia; Clube de Engenharia; Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ); Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA); Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE) e Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.

Fisenge subscreve documento para prorrogação da aprovação das mudanças das diretrizes curriculares nos cursos de engenharia

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Aconteceu, nos dias 8 e 9/11, o 4º Encontro Regional das Américas da UNI, no Rio de Janeiro. Organizado pela UNI P&M (UNI Profissionais e Gerentes), o encontro contou com representantes do Brasil, Chile, Argentina e Suécia e também tem o objetivo de intercambiar experiências entre os profissionais e também de organizar uma estrutura da entidade em termos globais. “Fizemos essa discussão na Europa, mas queremos sugestões das Américas, Ásia e África, porque no ano que vem haverá uma Conferência Global de Profissionais onde definiremos o programa global e o comitê diretor”, explicou o presidente mundial da P&M (Profissionais e Gerentes) da UNI, Ulf Bengtsson. Durante a abertura, o diretor da UNI Global Union, Alex Högback, informou que o programa tem a finalidade de construir uma nova identidade, um novo programa e principalmente uma nova maneira de integração global.

Para iniciar a discussão, o diretor da Uni Américas, André Rodrigues, abriu um panorama dos cenários e das ações, especialmente sobre os desafios frente às novas relações trabalhistas e a Indústria 4.0. O anfitrião, engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, falou sobre as perspectivas brasileiras e as ameaças à democracia. “Passamos há poucos dias por um duro processo eleitoral que legitimou um projeto econômico ultraliberal de retirada de direitos e antidemocrático. Precisamos nos unir de forma regional e global para a troca de experiência e de solidariedade mútua”, pontuou. Já alguns dias, o governo eleito anunciou a possível extinção do Ministério do Trabalho*, preocupação manifestada pelo diretor de relações internacionais da Fisenge, Raul Otávio: “a nova legislação trabalhista dificultou bastante os processos de negociação coletiva, especialmente entre os engenheiros, na medida que permite negociação sem a intermediação dos sindicatos. Além disso, as ações trabalhistas foram muito prejudicadas, com a possibilidade da parte perdedora pagar as custas do processo”.

Gustavo Morales, representante da CEPETEL, entidade sindical na Argentina, contou que a resistência em seu país conseguiu frear alguns retrocessos, mas o Ministério do Trabalho, que tinha mais de 70 anos de existência, foi rebaixado para o nível de Secretaria. “Também temos um grande potencial de sindicalização nas empresas de telefonia móvel, que antes não reconheciam a filiação e a cotização, que hoje é descontada no contracheque”, explicou.

No Chile, uma das particularidades se refere ao direito à greve. De acordo com Ricardo Calderón, representante da FESUC no Chile, a legislação exige a definição de serviços mínimos nas empresas. “E este é o ponto subjetivo, porque não há uma definição clara sobre o que é serviço essencial”, destacou, informando que Bachelet também tentou fazer a reforma trabalhista e existe uma cota sindical de gênero nas negociações coletivas por lei.

Também foram realizadas palestras sobre o Coletivo de Mulheres e de Estudantes da Fisenge. A estudante de engenharia sanitária e representante do Coletivo de Estudantes, Aline Hojron, e a engenheira civil e diretora da Fisenge, Elaine Santana apresentaram as ações e as estratégias do Coletivo de Estudantes. Elaine destacou a publicação da Fisenge sobre a lei do estágio e a organização dos estudantes em seus estados por meio do Senge Jovem/Estudante. A engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, pontuou um histórico do Coletivo de Mulheres da Federação e mostrou as histórias em quadrinhos da Engenheira Eugenia, prêmio de direitos humanos pela Anamatra.

*(decisão revogada no dia 13/11 pelo presidente eleito)

Profissionais das Américas se reúnem no Rio de Janeiro

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Entrevista e tradução por Camila Marins

Em entrevista exclusiva à Fisenge, Radia Perlman, conhecida como “mãe da internet”, conta sobre sua descoberta pioneira

Foto: Wikipédia

Basta digitar no Google o nome de Radia Perlman e, logo, virão inúmeros textos afirmando que ela é a “mãe da internet”. Isso porque Radia é a criadora do Spanning-Tree, um protocolo que é fundamental para a operação de bridge (redes de computadores). Radia é engenheira de redes e designer de software. Regulamentado em 1990, o protocolo foi criado a partir de um algoritmo desenvolvido por Radia em 1985, quando ela trabalhava na Corporação de Equipamentos Digitais. Durante o desenvolvimento do protocolo, Radia escreveu o poema Algoryme (Algorima). Nesta entrevista à Fisenge, ela conta um pouco sobre sua trajetória e o papel de mulheres na ciência.

Por que escolheu a área de engenharia? Conte um pouco sobre trajetória.

Eu nunca pensei muito sobre a minha carreira final. Sempre gostei de quebra-cabeças lógicos e era boa em ciências e matemática. Eu também gostava de escrita criativa. As pessoas supõem que um engenheiro está desenvolvendo um software ou construindo fisicamente as coisas, mas existem muitos tipos diferentes de habilidades que são necessárias para que uma equipe construa um produto com sucesso. Obviamente, você precisa de pessoas que estejam desenvolvendo softwares, mas você precisa de pessoas que entendam interações complexas entre componentes, e pessoas que possam imaginar a aparência dos produtos. Me especializei em matemática na faculdade, que não é bem "engenharia". Eu nunca fui realmente um tipo de pessoa “prática”. Nunca me ocorreu separar as coisas quando criança (o que a maioria das pessoas presume ser como uma criança destinada a se tornar engenheira se comportaria). Então, se você me dissesse quando criança que eu estava destinada a me tornar uma engenheira, eu ficaria bastante surpresa.

Aprendi a programar computadores na faculdade e tinha um emprego de meio período como programadora. Mas devido a eventos aleatórios, consegui o trabalho ideal no momento ideal (no despontar da rede), projetando como as redes de computadores se organizam para saber como fornecer dados.

Qual a importância da ciência para a sociedade?

Naturalmente, a sociedade depende da ciência de muitas maneiras. Isso nos ajuda a cultivar alimentos suficientes para sustentar bilhões de pessoas. Permite-nos construir pontes e edifícios em diversas condições, ter todo o conhecimento humano facilmente acessível na internet e curar todos os tipos de doenças que costumavam ser fatais.

Você foi uma das responsáveis pela descoberta da internet. Como foi esse processo?

A internet é um acervo de muitos tipos de tecnologias. Minha contribuição é descobrir como os computadores podem ser conectados juntos, trocar informações e encaminhar dados para um destino. E como tornar esse tipo de mecanismo muito confiável, fácil para os humanos gerenciarem, tendo os computadores gerenciáveis em sua maioria, e tornando possível construir redes muito grandes.

Como é ser mulher na ciência?

Esta é uma questão muito ampla. Na maioria das vezes, eu não percebo qual é o gênero das pessoas. Há muitos estereótipos, como o fato de os homens serem mais agressivos e as mulheres serem modestas. No entanto, mesmo que uma porcentagem maior de um gênero se comporte de uma determinada maneira, isso não significa que todos tenham esse comportamento. Eu sempre achei muito frustrante que pessoas que agem como se fossem importantes, que depreciam e levam créditos por ideias dos outros se saíssem muito bem por elas mesmas, em termos de títulos e salários. Mas além de serem realmente tóxicas para aqueles que estão ao seu redor, eu nunca conheci alguém assim que fizesse, realmente, um bom trabalho. Eu vi pessoas assim de ambos os gênero, e também vi pessoas muito modestas, colaborativas, extremamente inteligentes e que trabalham duro.

No começo da minha carreira, as pessoas tendiam a esquecer quem inventou as coisas que eu inventei. No entanto, isso mudou, principalmente depois que escrevi meu primeiro livro “Interconexões”. Com ele, todos aprenderam, e ficou claro que a maior parte da tecnologia descrita ali eu havia inventado.

Mesmo hoje, no entanto, o número de mulheres na indústria é muito pequeno, principalmente quando se é mais velha. Existem algumas histórias engraçadas. Eu estava em uma grande reunião, e eu era a única mulher (nada incomum). A pessoa sentada ao meu lado era nova na empresa e nunca havia entrado naquele prédio. Quando chegou a hora da primeira pausa, ele perguntou se eu poderia mostrar onde ficava o banheiro. Eu disse: "Claro, mas eu tenho meu próprio banheiro privativo". Ele disse: "Sério?". Eu disse: "Sim. Não sei porquê. Eu acho que é porque eu sou uma colega”. Ele ficou impressionado que os Fellows (o principal título técnico da empresa) tinham seus próprios banheiros privativos. Eu o acompanhei até o banheiro masculino e, então, entrei no banheiro feminino ao lado. Ele me viu entrar e riu.

Como foi a descoberta do “Spanning Tree Protocol”? É realmente uma história fofa.

A tecnologia que criei permitiu que os computadores encontrassem um caminho em vários links e enviassem dados no caminho. Então, Ethernet foi inventada. Era apenas um link que conectava algumas centenas de computadores. Apenas um link em uma rede, não foi uma rede. Mas como era chamado EtherNET em vez de EtherLINK, as pessoas supunham que a Ethernet era uma maneira nova de fazer a tecnologia que eu havia projetado. Eles construíram sua aplicação com apenas um cabeçalho Ethernet, e não as informações extras necessárias para encaminhar os links. Tentei argumentar e dizer “você ainda precisa da camada de rede. Você pode querer encaminhar o tráfego de uma Ethernet para outra. ”Eles disseram: “Nossos clientes nunca iriam fazer isso”. Eles criaram aplicações que funcionariam em uma única Ethernet, o que significava que só conectava algumas centenas de computadores dentro dela em um único edifício.

Alguns anos mais tarde, meu gerente de Corporações de Equipamentos Digitais me desafiou a projetar uma caixa que permitisse que essas aplicações construídas apenas na Ethernet continuassem funcionando em uma rede maior. A ideia básica era que a caixa ouvisse todos os pacotes em cada link e, em seguida, os encaminhasse nos outros links. Isso só funciona se houver apenas uma maneira de ir de um lugar para outro. E outras palavras, sem loops. Com loops, os dados continuariam em círculos. Ele me pediu para descobrir uma maneira de fazer isso na tarde de sexta-feira e ele estava de férias na semana seguinte. Isso foi antes de telefones celulares ou pessoas lendo e-mails fora do escritório. Ele achava que seria muito difícil, e além disso, talvez para ser engraçado, disse “e como outro desafio, faça o algoritmo para que a quantidade de memória necessária o execute e não cresça com o tamanho da rede”. Isso foi uma coisa muito estranha de se pedir.

Mas, naquela noite, eu percebi exatamente como fazê-lo e, além disso, a quantidade de memória necessária era muito pequena e não crescia com o tamanho da rede. Passei segunda e terça-feira escrevendo a especificação. Escrevi com detalhes suficientes para que os implementadores fizessem funcionar em apenas alguns meses sem me fazer uma pergunta. Era terça-feira à tarde e eu não conseguia me concentrar em mais nada, porque estava animada para contar ao meu gerente, mas ele não estaria por perto até segunda-feira. Passei o restante da semana trabalhando no poema que acompanha o algoritmo e é o resumo do artigo no qual eu o publiquei. O poema é chamado de "Algorhyme" (todo algoritmo deve ter um algorhyme, certo?) e é facilmente localizável na Internet, pesquisando por Algorhyme.

Que políticas são importantes para o aumento do número de mulheres na ciência e no mercado de trabalho?

Há mulheres em muitas áreas. Eu não acho que seja uma questão de “mercado de trabalho”. Em tecnologia, especialmente ciência da computação, elas estão sub-representadas. Acredito que existem dois problemas. Um é o estereótipo do “verdadeiro” engenheiro construindo um computador em seu porão quando ele tinha 12 anos, o que torna algumas pessoas muito valiosas na indústria e gera uma adoração ao trabalho, fazendo com que outras nem mesmo tentem. Outra é que os gerentes de contratação também têm, subconscientemente, uma imagem do que é um “verdadeiro engenheiro” e, de alguma forma, as mulheres não lhes dão a impressão de serem “verdadeiras” engenheiras. Além disso, seria bom para os administradores não superestimarem as pessoas que fazem coisas afirmam “eu fiz isso”, quando, na verdade, fazem parte de uma equipe. Não subestimarem as pessoas que contribuíram, optando assim por dizer a equipe da qual eu fazia parte fez isso. Os gerentes devem procurar oportunidades para pessoas que são tímidas demais para perguntar.

Em uma entrevista ao jornal brasileiro “O Globo” você afirmou que “engenheiros deveriam odiar tecnologia”. Por que?

O que eu quis dizer é que as coisas são muito difíceis de usar. Algumas pessoas gostam de coisas complicadas com todos os tipos de recursos, e não se importam de ter que fazer todos os tipos de configuração para que funcionem. Estas não se importam de receber perguntas obscuras como quando as caixas pop-up perguntam ao usuário "você deseja exibir os itens seguros e inseguros?". E eles culpam o usuário caso ele clique em “links suspeitos”. Não há desculpa para as coisas serem tão complicadas de usar, ou tão frágeis. Abrir um anexo ou um clique em qualquer link na internet não deveria quebrar meu computador.

 

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 Entrevista originalmente publicada na revista da Fisenge.

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