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Sexta, 21 Dezembro 2018 15:03

7 motivos para contratar um engenheiro

• PLANEJAMENTO: o engenheiro planeja, organiza e supervisiona a obra, com o objetivo de prever e prevenir eventuais acidentes. O profissional da engenharia também é responsável pela concepção, desenvolvimento, dimensionamento, melhoramento e aplicação dos processos e produtos, operação de plantas químicas e aplicação das tecnologias e processos ligados às produções agrícola e pecuária;

• REDUÇÃO DE CUSTOS: o trabalho deste profissional pode diminuir consideravelmente os custos, desde a escolha de materiais de qualidade, gerenciamento de mão de obra, cumprimento de prazo e revisão de especificações técnicas. Desta forma, o engenheiro evita que obras sejam paralisadas ou reiniciadas por erros técnicos;

• SEGURANÇA E CONFORTO: um imóvel bem projetado garante uma estrutura confiável para você, sua moradia e/ou o seu negócio. O engenheiro também é responsável por garantir alimentos seguros e saudáveis;

• FORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE TÉCNICA: o engenheiro é responsável legal, por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), pela execução da obra, respondendo, inclusive, a penalidades;

• GERENCIAMENTO: o engenheiro gerencia os trabalhadores que atuam no projeto, os fornecedores, o controle de custos e, principalmente, a execução correta da obra e dos processos;

• ORGANIZAÇÃO: o engenheiro atua desde o planejamento, elaboração e cumprimento do cronograma até a divisão de tarefas;

• SOLUÇÃO: o engenheiro dá vida e forma às necessidades de sua obra, produto ou processo, gerando soluções com eficiência.

Fonte: Comunicação Fisenge

7 motivos para contratar um engenheiro

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O projeto SOS Brasil Soberano compilou informações sobre a história de 5 profissionais que marcaram a engenharia brasileira. Confira abaixo.

Enedina Alves Marques
Curitiba (PR), 1913-1981

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira

  • A primeira engenheira negra brasileira.
  • Formada em Engenharia Civil pela Universidade do Paraná.
  • Antes, foi doméstica, normalista e professora.
  • Como engenheira, trabalhou na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas e Plano Hidrelétrico do Paraná
  • A hidroelétrica Capivari-Cachoeira está entre seus maiores feitos, mas talvez o maior desafio tenha sido superar as barreiras raciais e sociais da sua época.

Teodoro Sampaio
Santo Amaro (BA), 1855-1937
5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira
Foto: WikiPedia

  • Foi engenheiro civil, geólogo, geógrafo, historiador, político, cartógrafo, urbanista.
  • Filho de uma mulher escravizada, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo.
  • Engenheiro por profissão, escreveu uma bibliografia consistente sobre geografia e história.
  • Ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894, e a Escola Politécnica da USP, em 1930.
  • Em 1879, fez parte da Comissão Hidráulica do Império. Projetou os melhoramentos do Porto de Santos.
  • Em 1883, foi nomeado primeiro engenheiro da Comissão de Melhoramentos do Rio São Francisco e, em 1898, diretor e engenheiro-chefe do Saneamento do Estado de São Paulo, cargo no qual permaneceu até 1903.

André Rebouças
Cachoeira (BA), 1838-1898

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira

Foto: Rodolfo Bernardelli - scan de O Museu Histórico Nacional, série Museus Brasileiros, edição Banco Safra

  • Tornou-se o primeiro engenheiro negro a se formar pela Escola Central do Exército em 1860, no Rio.
  • Na então capital do Império, ganhou destaque por resolver o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais de fora da cidade.
  • Abolicionista, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.
  • Projetou a ferrovia Curitiba-Paranaguá, junto com seu irmão Antonio Rebouças.
  • Com a República, deixou o país com a família imperial. Trabalhou em Lisboa como correspondente do jornal inglês The Times, até 1891. E atuou também em Luanda, Angola, até se fixar na Ilha da Madeira, onde viveu até o fim dos seus dias.


Bernardo Sayão Carvalho Araújo
Rio de Janeiro, 1901-1959

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira
Foto: Arquivo Público do Distrito Federal

  • Engenheiro agrônomo formado em 1923 na Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária de Belo Horizonte, teve como principal projeto o desenvolvimento da região central do Brasil.
  • Fundou a "CANG" Colônia Agrícola Nacional de Goiás, na Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas, dando origem à cidade de Ceres.
  • Em razão do bem-sucedido trabalho lá realizado, em 1954, foi eleito vice-governador de Goiás, chegando a governar o estado interinamente por um mês e meio, entre 31 de janeiro e 12 de março de 1955
  • Apelidado por Juscelino Kubitschek como "bandeirante do século XX", liderou o projeto de construção de Brasília.
  • Designado para construir o trecho norte da estrada Belém-Brasília (Transbrasiliana), faleceu em serviço em 1959

Rex Nazaré Alves
Rio de Janeiro (RJ), 1938

5 profissionais que marcaram a história da engenharia brasileira

Foto: João Luiz Ribeiro/Finep

  • Conduziu o Programa Nuclear Paralelo, projeto de um submarino por propulsão nuclear – não concluído –, que foi um esforço nos anos 70 e 80 de obter domínio e autonomia nacional sobre o ciclo completo do combustível nuclear.
  • Condecorado várias vezes, é físico, especialista em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia, e doutor em Física pela Universidade de Paris (Sorbonne).
  • Foi professor no mestrado em Engenharia Nuclear do IME, ECME, Coppe e Engenharia da UFRJ.
  • Atuou, entre outros cargos, como presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, membro do Conselho de Administração da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, chefe do Departamento de Tecnologia da ABIN e como Assessor Especial do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional.
  • Também foi diretor de Tecnologia da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ e membro da Comissão Deliberativa da CNEN.

Pesquisa e fonte: SOS Brasil Soberano

 

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Por Elaine Santana*

ARTIGO: O que muda nos cursos de engenharia com as novas diretrizes curriculares

No dia 21/11, na sede do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, aconteceu uma audiência pública sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de Graduação em Engenharia. Promovida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), a audiência contou com o apoio de várias entidades, como a Abenge (Associação Brasileira de Educação em Engenharia) e o próprio Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. A pauta foi sobre a proposta de mudança nas Diretrizes Curriculares dos cursos de engenharia, que foi alvo de consulta pública no meio deste ano e que levantou diversas controvérsias no meio acadêmico e profissional. Uma das reclamações mais recorrentes na audiência pública foi o pouco tempo dado para a análise e posicionamento das mais diversas esferas envolvidas no processo. O próprio Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), em seu site, criticou que as sugestões encaminhadas por meio da Comissão de Educação e Atribuição Profissional (CEAP) e por um grupo de especialistas para a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da Engenharia tenham sido completamente ignoradas pelo CNE. O evento contou com a participação de profissionais da educação de diversos estados, bem como representantes de entidades de classe, que passaram um dia inteiro, expondo suas posições (a maior parte delas contrária) quanto ao texto proposto como base para a nova DCNs da engenharia. O texto foca na necessidade de oferta cursos mais modernos e alinhados às necessidades do mercado.

As DCNs da engenharia, hoje, estão definidas pela Resolução CNE/CES 11, de 11 de março de 2002, e determina currículos mínimos para os mais diversos cursos, com uma carga horária mínima e também definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de engenheiros.

A reformulação das DCNS baseia-se no fato da necessidade de perfis profissionais mais modernos pelo mercado de trabalho de profissionais e na tentativa de diminuir a evasão dos cursos de engenharia em todo país, que hoje é uma das mais altas.

ARTIGO: O que muda nos cursos de engenharia com as novas diretrizes curriculares 

Sendo a engenharia uma das principais forças motrizes que movem o desenvolvimento de qualquer país, é de se esperar que esta passe por constante avaliação e renovação de seus procedimentos e métodos, principalmente no que se refere ao ensino, visto que os profissionais precisam estar altamente alinhados à velocidade da inovação no mundo de trabalho. Uma das forças poderosas, a quem se atribui a necessidades dessas mudanças, é a famosa “indústria 4.0” – conceito que engloba a adoção de tecnologias cada vez mais digitais nos processos fabris. Esse conceito da Indústria 4.0 já está sendo tratado como a nova revolução industrial, que alterará, sem dúvidas, as relações de trabalho daqui para frente. Perante a estas mudanças iminentes, há de se entender que mudanças nas grades dos currículos de engenharia sejam necessárias e tratadas cada vez mais de forma “mercadológica” do que pedagógica, como o que está acontecendo na discussão da revisão das DCNs.

Não é segredo que as mudanças que aqui discutimos, são demandas da CNI (Confederação Nacional da Indústria) que juntamente com outras entidades se dizem capazes de apontar para a engenharia, quais as reais carências de formação dos profissionais no mercado.

Dentre as várias mudanças propostas, vemos a acabar com a dependência de matérias; que a teoria não seja a base da aula, visto que os alunos podem acessar esse tipo de conteúdo pela internet; foco em aulas práticas e baseada em projetos práticos; contratação de professores menos acadêmicos e com reconhecida experiência no mercado de trabalho; incentivo ao empreendedorismo, visando à formação por competência e habilidades, desenvolvimento da capacidade de liderança e comunicação e do uso de metodologias ativas de aprendizado.

Tudo isso seria perfeito, se não entrasse em choque com a realidade das escolas brasileiras e com a brecha legal, que daria total liberdade às Instituições de Ensino Superior (IES) a formatarem seus currículos sem nenhuma estrutura mínima, que formariam cada vez mais profissionais especialistas e sem um conhecimento genérico básico, capaz de torna-lo apto à resolução de problemas complexos. A retirada dos conteúdos mínimos é, sem dúvida, um dos aspectos mais perigosos, visto que a formação sólida do engenheiro em sua base é o que o capacita para o raciocínio lógico, pensamento capaz de resolver qualquer problema. É como se, para resolvermos o problema da evasão escolar causada pelas disciplinas básicas de cálculo, retirássemos essas matérias para aumentarmos o número de concludentes em engenharia. Mas que tipo de engenheiros estaremos formando? E a quem interessa essa formação específica e em massa? Uma das coisas mais lógicas que podemos atribuir a isso é a de mercado: quanto maior a oferta, mais barato fica o serviço (neste caso, o próprio engenheiro).

As novas diretrizes dão autonomia total às IES pra decidir o que é melhor e associam esta “liberdade” à formação de profissionais mais qualificados. Inclusive, a carga horária mínima de 3.600 horas que hoje temos como obrigatória, passaria a ser apenas um “referencial”, podendo também ser modificada. O que mais chama atenção no projeto apresentado é justamente o caráter subjetivo do mesmo, contrariando o que prima a própria engenharia: objetividade e simplicidade.

Outro aspecto importante dessa discussão é que os cursos de Engenharia deveriam ser autorizados, ou minimamente avaliados, pelo Conselho Federal de Engenharia, ou pelos seus Regionais, visto que o CNE não possui corpo técnico exclusivo de engenharia e com expertise em TODAS as modalidades desta. O Sistema CONFEA/CREA hoje abriga mais de 30 modalidades de engenharia, e deve ser consultado para que as grades curriculares possam ser avaliadas antes da oferta à população. Muitos cursos são abertos hoje, sem nenhuma notificação ao sistema CONFEA/CREA, que só toma conhecimento após a formação das primeiras turmas. Este fato ocasiona prejuízo para os profissionais formados, visto que não há garantia alguma que estão fazendo cursos devidamente cadastrados no seu órgão fiscalizador e que obterão registro nos Conselhos e com quais atribuições.
O projeto também não fala especificamente da educação na modalidade EAD, que deve ser regulamentada (com regras rígidas), visto que as atividades práticas são obrigatórias e indispensáveis em uma formação de qualidade. Este fato torna precária a qualidade dos egressos dessa modalidade e os incapacita para qualidades mínimas esperadas dos profissionais como: desenvolvimento interpessoal, capacidade de trabalho em grupo, liderança, dentre outras.

Se existe um consenso sobre esse assunto é que o modelo de ensino para a engenharia precisa de uma reformulação que aproxime os alunos da prática, que os mantenham motivados com aulas cada vez mais dinâmicas, que os professores precisam estar qualificados e alinhados com as novas tendências e tecnologias e que devem ser resolvidos os problemas de base (ensino da matemática e da física) advindos do ensino médio.

Indo por este caminho, a engenharia se aproximará cada vez mais do modelo adotado pela Medicina, em que o aluno já entra em contato com aspectos práticos da sua profissão, desde o primeiro período. A residência na engenharia também é uma das propostas que encontra adeptos em todas as vertentes que discutem o assunto.
As discussões para a reformulação da DCNs foram tímidas e apartadas da maioria das entidades profissionais. Sobre isso, a Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) subscreveu, juntamente com diversas outras entidades, um documento para o Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre as mudanças das diretrizes curriculares nos cursos de engenharia. No texto, as entidades ratificam a importância de audiências públicas, destacando a necessidade de adiar a aprovação das diretrizes. “As contribuições decorrentes da reunião certamente irão exigir modificações no texto da proposta das DCNs, implicando novas Audiências Públicas e uma participação mais efetiva dos principais cursos de engenharia e do sistema CONFEA-CREAs, bem como das associações acadêmicas, científicas e profissionais, destacando-se o Clube de Engenharia, a Academia Nacional de Engenharia e Academia Brasileira de Educação”, alerta trecho do texto, que pede prorrogação da aprovação com o objetivo de realizar mais audiências públicas para subsidiar o debate e formular uma nova redação. Subscrevem o texto: Academia Nacional de Engenharia; Clube de Engenharia; Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ); Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA); Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE) e Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.

Cabe agora aos mais diversos entes envolvidos nesse processo de reformulação, aumentar a discussão e lutar para que essas mudanças não atendam apenas aos desejos do mercado. Lançar engenheiros sem formação fundamental é um risco para sociedade. Vamos acabar formando “paraengenheiros” assim como os paramédicos, um sem fim de “semi profissionais” que acabarão não atendendo às necessidades da profissão, da indústria, da sociedade e deles próprios.

*Elaine Santana Silva
Engenheira Civil
Vice Presidente do Senge-SE
Diretora da Fisenge

 

 

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11 de dezembro: dia nacional do engenheiro e da engenheira. Confira a homenagem da Fisenge para os profissionais que contribuem todos os dias para a qualidade de vida da população.

11 de dezembro: dia nacional do engenheiro e da engenheira

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Em uma solenidade histórica com mais de 100 pessoas, no dia 14/5, aconteceu a posse da nova direção do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM), no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, uma representante da sociedade civil é eleita para a presidência do Conselho. "É uma conquista, porque durante mais de 10 anos as conselheiras lutaram para modificar o Regimento Interno do CEDIM com objetivo de proporcionar a participação da presidência da sociedade civil, revezando a cada 4 anos”, contou Cladice, eleita conselheira titular para o mandato 2018/2022, em uma das duas vagas destinadas à universidade. Cladice é professora do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRIO).

Representante da União Brasileira de Mulheres (UBM), Helena Piragibe foi eleita a primeira presidente da sociedade civil em quase 3 décadas de existência. “Sou a 18ª mulher a ocupar a presidência e é um grande desafio, principalmente diante da atual crise que vive o estado do Rio de Janeiro. Além de fiscalizar e acompanhar, nos comprometemos a lutar pela reconstrução dos equipamentos públicos para as mulheres e a própria sede do CEDIM”, destacou. Ainda de acordo com Helena, o CEDIM não tem orçamento próprio nem infraestrutura, e as conselheiras não são remuneradas. “Há no dispositivo legal que criou o CEDIM a possibilidade de arrecadação financeira por meio da constituição de um Fundo, que as conselheiras das gestões passadas conseguiram avançar na regulamentação e regularização inclusive com o CNPJ. O compromisso que temos é ajustar este Fundo e por meio de doações e emendas parlamentares garantir as condições de execução de serviços e programa mínimo que atenda às mulheres”, afiançou.

Cladice também demonstrou preocupação quanto aos recursos públicos. “Será necessário apoio dos movimentos e do conjunto da sociedade para criarmos condições de subsistência e resistência do CEDIM”, afirmou. Em seu discurso, Helena falou sobre a atual crise que o estado vive. “O Rio de Janeiro é o berço de muitas feministas. Não podemos deixar que a falta de orçamento acabe com este espaço. Convido todas as mulheres a participarem do CEDIM, para que possamos todas juntas ser protagonistas”, conclamou.

Segundo Helena, atualmente, o CEDIM não implementa políticas públicas. “O CEDIM passa a colaborar e contribuir para a efetivação de ações, estabelecendo a necessária interlocução com o movimento de mulheres e movimentos feministas e ampliando o processo de controle social sobre as políticas públicas para as mulheres”, explicou. O Conselho é um órgão colegiado de caráter consultivo e deliberativo, formado por 34 representantes da sociedade civil (50% titulares e 50% suplentes) e 8 governamentais (50% titulares e 50% suplentes).
A deputada estadual e presidente da Comissão da Mulher na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Enfermeira Rejane, explicou que a mudança do regimento é uma reivindicação antiga. “Conseguimos mudar a locação do CEDIM para a Casa Civil e facilitar a mudança do regimento para garantir a democracia interna com a sociedade na presidência”, contou. Durante a solenidade, estiveram presentes parlamentares, defensoria pública, órgãos públicos e movimentos sociais. A deputada federal Jandira Feghali destacou o papel das mulheres na vanguarda da luta política. “Se por um lado, homens misóginos sequestraram a democracia, as mulheres, por outro lado, ocupam os espaços e constroem a resistência. A luta feminista é uma luta pela liberdade e pela democracia”, pontuou Jandira, que foi relatora da Lei Maria da Penha. Já a deputada federal Benedita da Silva prestou uma homenagem para a feminista Hildézia Medeiros, por sua contribuição na luta pelos direitos das mulheres e também no CEDIM como conselheira. “Hildézia me ensinou, educou e marcou a minha vida na luta feminista. Passamos pelo 13 de maio, que ainda não aconteceu para nós, o povo negro”, lembrou Benedita, citando os índices de violência que atingem as mulheres negras. Benedita foi relatora da PEC das Domésticas, na Câmara dos Deputados.

Criado em 1987, o CEDIM foi um dos primeiros conselhos de direitos da mulher do país, instituído por meio do Decreto 9.906 de 06/05/1987 e, posteriormente, pela Lei Estadual nº 2.837 de 19/11/1997. O conselho tem “a finalidade de elaborar e implementar, em todas as esferas da administração do Estado do Rio de Janeiro, políticas públicas sob a ótica de gênero, destinadas a garantir a igualdade de oportunidades e de direitos entre homens e mulheres, de forma a assegurar à população feminina o pleno exercício de sua cidadania”.

Mulheres e a cidade

O Rio de Janeiro ainda é uma cidade hostil para as mulheres, principalmente por falta de políticas públicas específicas. A arquiteta e conselheira do Comitê de Gênero do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ), Tainá de Paula, reforçou que é fundamental abordar o debate de gênero nas cidades. “O principal é criar um espaço de escuta para os problemas urbanos e promover políticas que gerem pertencimento das mulheres às cidades. O transporte público, por exemplo, é caro, inseguro e escasso e afeta principalmente a vida das mulheres periféricas”, pontuou.

Cladice também lembrou do machismo na engenharia. “As engenheiras convivem em um ambiente com estereótipo ainda muito masculino e sofrem com a discriminação. Eu mesma vi empresas que adoraram meu currículo, mas não contratavam se tivesse filhos menores de cinco anos. Temos que provar que somos boas profissionais e ainda enfrentar o preconceito. É dupla luta”, relatou.

A engenheira Teneuza Cavalcanti foi a primeira mulher vice-presidente do Conselho de Engenharia e Agronomia no Rio de Janeiro (Crea-RJ) e acredita que é fundamental a ocupação dos espaços. “Criamos uma Comissão de Igualdade de Gênero e Raça no Conselho e recebemos, das mãos da então ministra Eleonora Menicucci, o selo de pró-equidade de gênero e raça por três anos consecutivos, pautando as demandas das mulheres”, contou. Também presente na cerimônia de posse, o engenheiro e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Clovis Nascimento, destacou a importância do debate de gênero nos conselhos e entidades sindicais. “Temos uma diretoria da mulher na Fisenge, que pauta questões específicas de gênero e também atua nas negociações coletivas para garantir cláusulas que atendam às mulheres”, comentou Clovis, que também reforçou a importância da organização das mulheres, destacando a trajetória do Coletivo de Mulheres da Fisenge: “Recebemos um prêmio de direitos humanos com as histórias em quadrinhos da Engenheira Eugênia, que pautam as dificuldades da engenheiras no mundo do trabalho e na sociedade. Nesse sentido, presto apoio e solidariedade às mulheres e à nova direção do CEDIM”.

Composição

A Subsecretária de Políticas para Mulheres, Cristiane Lamarão, deu posse para assumir a direção do CEDIM. para o período de 2018 a 2022:

Presidenta do CEDIM RJ - Helena Piragibe ( representante da União Brasileira de Mulheres - UBM )

Secretária de Finanças do CEDIM RJ - Edna Calheiros ( representante da Associação de Mulheres Empreendedoras - AMEAS)

Secretária Geral do CEDIM RJ - Fátima Maria dos Santos ( representante do Movimento de Mulheres de São Gonçalo)

Texto e foto: Camila Marins

Engenheira toma posse no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher

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Clovis Nascimento*

No dia 11 dezembro, comemoramos o Dia do Engenheiro e da Engenheira. A atual crise política e econômica no Brasil nos exige uma reflexão profunda. Deflagrada em março de 2014, a operação Lava Jato, cujo objetivo era de investigar lavagem e desvio de dinheiro na Petrobras, tomou rumos que ameaçam a engenharia e a soberania nacional. A legislação brasileira prevê a punição de empresas, impedindo a celebração de contratos com setor público e paralisando obras, quando deveria punir os dirigentes e os administradores, responsáveis pelo atos de corrupção. Países da Europa e dos EUA aplicam o método de “self cleaning”, imputando além de suspensão temporária de contratos e multas, a exigência de um programa rigoroso de combate à corrupção na empresa para a retomada dos negócios. A IBM, por exemplo, retomou os contratos com o governo oito dias após a interdição determinada em 2008, de acordo com o Public Contract Law Journal. Diante de fraudes nos contratos da GE com o Pentágono, em 1992, os contratos foram suspensos e retomados cinco dias depois com a apresentação de um sistema de vigilância interna.

As consequências da punição das empresas são demissões em massa, achatamento da economia e perda de competitividade no mercado. Consultorias estimam prejuízos da ordem de mais de R$150 bilhões. Nesse cenário, a engenharia brasileira foi diretamente atingida com o fechamento das empresas e a suspensão dos contratos. Dados da RAIS/Ministério do Trabalho compilados pelo Dieese apontam que a evolução do estoque de empregos de profissionais da engenharia cresceu 72,8%, entre 2005 e 2014, cerca de 6,3% ao ano. Já entre 2014 e 2016, o emprego caiu 10,4%, justamente no período da Lava Jato, comprovando os ataques à engenharia nacional.

Diante dessa avenida de oportunidades, empresas estrangeiras estão desembarcando no Brasil com o objetivo de assumir as contas, ameaçando a soberania nacional e a geração de empregos. A corrupção é abominável e traz danos para toda a sociedade brasileira. Fechar as empresas nacionais representa uma irresponsabilidade com o país e também não contribui para um processo pedagógico de combate à corrupção dentro da administração das empresas. Não são apenas os engenheiros que são demitidos, como também uma rede de milhares de trabalhadores. Um dos casos mais emblemáticos é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), localizado no município de Itaboraí, orçado em US$13,5 bilhões e milhares de trabalhadores demitidos e um total abandono de um projeto de expansão da capacidade de refino da Petrobras.

A engenharia brasileira tem um sentido estratégico de defesa da soberania nacional, estímulo à economia e geração de empregos. Mais do que comemorar, é preciso resistir em defesa da engenharia e da soberania nacional.

*Clovis Nascimento é engenheiro civil e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

Dia do engenheiro: mais do que comemorar, é preciso resistir

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Por Camila Marins (jornalista Fisenge)


Há um ano, Larissa Mendes, 20 anos, realizava um sonho: ingressar no curso de engenharia civil em uma das universidades mais disputadas do país, a Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Mulher negra e moradora da periferia de São Paulo, Capão Redondo, Larissa fala sobre a importância da engenharia na atual crise política, da universidade pública e também do fortalecimento de redes de apoio e de coletivos do movimento negro para apoiar estudantes e construir a resistência dentro da universidade, um ambiente ainda elitista. Uma pesquisa do Instituto Datafolha apontou que, na USP, 82% são homens e 59% pertencem à classe A. De acordo com dados da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), de 2016, os alunos brancos são a maioria dos ingressantes na USP pelo vestibular: 75,8% do total, seguido dos pardos (14%), amarelos (6,8%), pretos (3,2%) e indígenas (0,2%).

Levantamento de aluna do Poligen (Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica) revela que, durante 121 anos, apenas sete mulheres negras se formaram na Poli. Com este abismo social e racial dentro da universidade, graças à mobilização do movimento negro e do Núcleo de Consciência Negra na USP (NCN), foi aprovada, em julho deste ano, a política de cotas raciais na USP. No ingresso de 2018, serão reservadas para candidatos autodeclarados pretos pardos e indígenas 37% das vagas de cada unidade de ensino e pesquisa; em 2019, a porcentagem deverá ser de 40% de vagas reservadas de cada curso de graduação; para 2020, a reserva das vagas em cada curso e turno deverá ser de 45%; e no ingresso de 2021 e nos anos subsequentes, a reserva de vagas deverá atingir os 50% por curso e turno. Em 2003, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi a primeira a adotar a política de cotas em sua graduação. 48,9% dos beneficiados pelo sistema, de acordo com dados da UERJ, tiveram média acima de 7 no final do primeiro ano de curso. Entre os demais alunos, 47,1% tiveram média similar ao demais.

A política de cotas é o primeiro passo para a democratização do acesso à universidade, mas ainda faltam investimentos em políticas de permanência e também de referências negras, uma vez que o ensino está atrelado à lógica do epistemídio (conceito que promove o apagamento de determinadas bases epistemológicas privilegiando outras dentro de um modelo de colonização branco). Isso significa também a falta de professores negros e de referências bibliográficas com recortes de gênero e raça.

Nesta entrevista, Larissa mostra que mulheres negras resistem todos os dias, inclusive diante da cobrança cotidiana para ser “exemplo de superação”, que é a forma como a mídia e determinados setores sociais se apropriam das histórias. A construção de redes de apoio, empatia e coletividade são instrumentos de resistência poderosos no cotidiano. De acordo com a autora Bell Hooks, “para ser verdadeiramente livre, devemos escolher além de simplesmente sobreviver a adversidade, devemos ousar criar vidas sustentadas no bem-estar e em uma alegria ideal”.

Um ano se passou desde que foi aprovada no vestibular de engenharia da USP. O que mudou?
Larissa: Eu acho que amadureci muito depois que entrei na USP. O choque social não foi tão grande, porque fiz cursinho em uma instituição privada, majoritariamente, composta por alunos brancos e lá sofri bastante no começo. Eu considero que o cursinho não só me preparou para o vestibular, como também me ajudou a ter preparo psicológico para a universidade. No começo, na Poli, o que me atrapalhou foi a dificuldade que eu tinha e tenho nas matérias. Eu peguei muitas DPs [Dependências – reprovações em matérias] e senti, em vários momentos, que aquilo não era pra mim. Além disso, o fato de estar em um ambiente majoritariamente branco pesa muito. Eu me sinto pressionada a ser uma história de superação constante e o fato de ter um desempenho baixo me faz muito mal. Entretanto, atualmente, lido melhor com a situação, graças ao apoio dos meus pais e dos coletivos na Poli. Faço parte do coletivo negro e feminista.

Por que escolheu a engenharia civil?
Larissa: Escolhi fazer engenharia civil quando tinha 11 ou 12 anos. São Paulo vivia uma onda “construcionista” por volta de 2007 e eu era apaixonada pelos prédios e como eles eram feitos. Meu pai é professor de matemática e eu já gostava da área de exatas, então, achei na engenharia civil uma forma de unir as coisas. Conforme fui crescendo, minha percepção sobre o corpo mudou, mas continuei com vontade de cursar engenharia e transformar a vida das pessoas.

Como foi a sua rotina para passar em uma universidade pública?
Larissa: Eu tinha que acordar antes das quatro da manhã todos os dias, porque o cursinho era muito longe da minha casa, saía por volta das 4h30 para chegar no cursinho por volta das 6h40, uma vez que as aulas começavam às 7h. Mas para sentar na frente, eu tinha que chegar cedo. Fiz dois anos de cursinho. O primeiro foi muito difícil psicologicamente, ficava muito cansada para estudar e muitas das matérias eu nunca tinha visto na vida. Tive que começar a fazer terapia pra lidar com a rotina estressante e a solidão que eu sentia naquele lugar. O segundo ano foi mais tranquilo porque eu entendi como estudar melhor e consegui render mais. Além disso, consegui fazer algumas amizades e me integrar melhor na turma.

Qual a importância de pessoas negras ocuparem ainda mais esses espaços?
Larissa: A engenharia na Poli não tem uma preocupação humana, porque os professores e os alunos vivem uma mesma bolha social. Dessa forma, pessoas negras e pobres são necessárias para que a engenharia produza algo que sirva à humanidade como um todo, e não só a uma classe social. Além disso, a representatividade é importante para que outras pessoas negras saibam que é possível ocupar espaços que são tradicionalmente brancos.

Como é sua rotina de estudante de engenharia? Quais as dificuldades e também quais as alegrias?
Larissa: É uma rotina bem pesada. Eu moro longe da faculdade e gasto mais ou menos três horas do dia no transporte público. A Poli exige bastante, são em média 9 matérias por semestre somando 28 horas aulas semanais de aula. Além disso, algumas disciplinas possuem muitos trabalhos e exigem muitas horas de estudo pós-aula. A maioria das matérias são bem difíceis e, às vezes, dá uma sensação de que não adianta muito estudar e a frustração é grande. Mas a Poli não tem só a parte ruim. Eu me sinto preenchida com algumas matérias e gosto muito do curso, apesar de ser puxado. A Poli reformou o currículo e, por isso temos matérias de engenharia civil desde o primeiro ano e essa é a melhor parte, pois temos contato com a engenharia desde o começo. Também faço parte dos coletivos da Poli e luto por mudanças lá dentro e mais recente conquista foi a aprovação de cotas na USP.

Hoje, vemos na sociedade avançar um discurso de desmonte da universidade pública. Qual a importância do ensino público?
Larissa: A universidade pública é muito importante para garantir que pessoas pobres tenham acesso a um ensino gratuito. Entretanto, no momento, a universidade serve bastante à elite brasileira e é necessário pensar em soluções para tornar o ensino mais democrático.

Qual a importância de cotas para pessoas negras como política pública?
Larissa: Cotas são essenciais para solucionar a diferença histórica entre negros e brancos no Brasil. Quando ando nos corredores da minha faculdade, sou sempre uma das poucas pessoas negras e fica evidente o abismo social que existe entre mim e os meus colegas. A universidade não é só branca, como também é muito elitista e faz a manutenção de privilégios brancos. Um exemplo disso é a quantidade de alunos, cujos pais e avós também estudaram na USP, mantendo sempre a mesma classe no poder. Enquanto isso, eu sou uma das poucas pessoas da família que chegou ao ensino superior. Cotas também abrem o horizonte da universidade para outras realidades e torna o ensino mais democrático.

Como a engenharia pode contribuir para uma sociedade mais justa e solidária?
Larissa: A engenharia também é uma saída política, e não é à toa que a crise política e financeira no Brasil esbarra na construção civil. Se a graduação preparar os alunos para produzir um conteúdo técnico mais humanizado, a engenharia pode ser uma forma de gerar mudança social, por meio da mobilidade urbana principalmente e também de garantir profissionais que se preocupem mais com a sociedade.

Quantas pessoas negras existem na sua turma de engenharia? Existem iniciativas na universidade para ampliar a entrada de pessoas negras nas universidades como alunos? E os professores na USP, existem negros?
Larissa: No meu ano de ingressante, havia três pessoas negras na sala contando comigo. Depois do primeiro ano, as salas se diluem com a divisão dos alunos em algumas turmas. Depois disso, eu costumo ser a única pessoa negra da sala. Quanto aos professores, dos mais de 400 docentes da Poli, eu conheço três professores negros e só conheço por estar inserida nesse meio de militância. Isso se reflete bastante nas poucas discussões políticas que os professores fazem. Um exemplo disso foi o debate sobre cotas. A Poli foi contra a aprovação em um cenário da USP, com apenas 3% dos professores são negros.

A atriz negra e vencedora do Emmy, Viola Davis, disse, em seu discurso: "A única coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra é a oportunidade". O que você pensa sobre isso e também sobre a meritocracia que alguns setores impõem?
Larissa: Eu concordo com a frase. Nós, mulheres negras, somos tão capazes quanto ou mais capazes que qualquer outra pessoa, mas estamos na camada mais baixa e negligenciada da sociedade. Esse conceito de meritocracia é totalmente inválido quando é aplicado numa sociedade desigual como a nossa e, nesse contexto, é uma violência impor esse discurso a pessoas com contextos sociais tão desoladores. Para que possamos discutir a meritocracia, precisamos combater a origem dessa desigualdade.

Qual o seu sonho?
Larissa: Meu maior sonho no momento é me formar. Essa pergunta é difícil. Eu sempre sonhei em morar em Pinheiros, que é um bairro da Zona Oeste, em São Paulo. Queria morar lá e ir pro trabalho de bicicleta (risadas). Também queria muito também ter um trabalho que retornasse algo pra sociedade e ajudar outras pessoas pobres e negras.

Crédito foto: Arquivo pessoal

“A engenharia também é uma saída política”, afirma Larissa, estudante de engenharia na USP

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Uma engenheira que atua no setor público paranaense conseguiu na justiça, com auxílio da assessoria jurídica do Senge, direito à incorporação da gratificação de função ao salário. Após nove anos e dez meses em cargo de chefia, a profissional foi retirada da gerência e passou a não receber mais a gratificação. No entanto, na prática, a engenheira continuou atuando como gestora do setor.

Isso se deu dois meses antes de completar dez anos, tempo reconhecido pela legislação como mínimo para concessão de incorporação de gratificações aos salários. Mesmo sem receber o benefício, a profissional manteve o desempenhando das funções de gerenciamento do setor.

Por meio da assessoria jurídica do Senge, a engenheira, que é filiada ao Sindicato, entrou com ação na justiça, levando provas documentais que comprovaram o exercício da função gerencial, além de testemunhas que reiteraram o argumento da engenheira.

A decisão em favor da profissional, reconhecendo o direito à incorporação, foi em segunda instância, proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. O entendimento do tribunal, definido de forma unânime, reformou a sentença dada em primeiro grau, pelo qual entendia que o tempo de recebimento não atendia ao prazo mínimo, e que portanto não cabia a incorporação.

O entendimento do TRT foi de que, mesmo que a engenheira tenha atuado em tempo menor que dez anos, coube à sua situação a abrangência da súmula 372 do Tribunal Superior do Trabalho, que preconiza que “percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se o empregador, sem justo motivo, revertê-lo a seu cargo efetivo, não poderá retirar-lhe a gratificação tendo em vista o princípio da estabilidade financeira”.

TENHO DIREITO? Se você é profissional de engenharia do setor público, atua ou atuou em cargo de chefia ou recebendo gratificação de função e deixou de receber. Entre em contato com a assessoria jurídica do seu sindicato e veja se não cabe, no seu caso, ação ou outras medidas para buscar a incorporação do valor no seu salário. Confira aqui os contatos dos sindicatos

 

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Tio Gerhard é como chamo carinhosamente o irmão caçula de Ana Primavesi. Vinte anos mais novo do que a irmã, ele vive na Áustria, no mesmo castelo em que ela nasceu há 97 anos.

O castelo Pichlhofen é uma construção de 1600 com paredes de sessenta centímetros de largura erguidas com pedras enormes. É tão grande que demorei a me acostumar a transitar por ele, ainda sem acreditar que estava ali. Como escrevi no livro, “estar em Pichlhofen era como se eu conhecesse uma história encantada, como se eu tivesse lido um livro que me marcara profundamente, e de repente eu conseguira transpor um portal mágico e entrava em contato com o lugar e as pessoas daquela história.”

De um lado do castelo, fica o jardim. Ali, a mãe deles passava grande parte do tempo, distraída tentando dispor as flores que tanto amava cuidar. O quarto onde Primavesi nasceu dá para esse jardim, ainda hoje muito florido. E macieiras! Muitas árvores antigas, testemunhas de muitas passagens… Do outro lado, vemos a plantação de trigo e batatas, isoladas por um cercado.

Tio Gerhard mostra o tambor onde biodinamiza os preparados em água. Reparo em suas mãos calejadas, machucadas. Ele sorri e entramos no cercado da plantação. Nossa missão era tirar os matos, com as mãos. Sua esposa, tia Inge, estava lá em cima, agachada. Nem nos viu chegar. E então começamos, ele me explicando que plantas arrancar, mas pedindo que as deixasse ali mesmo, sobre o solo. Reparei numa pedrinha branca e a peguei. Olhei melhor e percebi que aquela pedrinha estava presente por toda parte. Eram pedaços de cristal. Uma lagarta amarela listrada de preto muito bonita nos chamou a atenção, e assim como a pegamos, a devolvemos.

Depois do almoço o tio pegou um livro cheio de figuras de lagartas, com as respectivas imagens de quais borboletas se tornariam. A bela lagarta listrada seria uma borboleta marrom comum, sem nenhum atrativo. “Uma lagarta tão bonita para uma borboleta tão sem graça”, ele disse. Rimos. Perguntei sobre os cristais. Ele mostrou como os triturava e os incorporava ao seu líquido biodinâmico, para fortalecer energeticamente a terra. Um trabalho pesado que justificava ainda mais aquelas mãos sofridas do trabalho pesado do campo e que marcaram minha mente para sempre.


Quando voltei para o Brasil, uma parte de meu coração permaneceu na Áustria. Mas era aqui que ela estava, e era por ela que eu buscava. Eu não sabia nada, quase nada, sobre a Ana Primavesi. Sua filha Carin ia me ajudando, contando histórias, mostrando fotos, sempre me convidando a estar em meio a eles. Fui compreendendo, devagar, quem era quem, quem fazia ou tinha feito o que, muitas vezes mais perdida do que nunca naquela casa onde o alemão é língua comum e o passado, muito longínquo. Mas persisti. Com carinho e paciência, essa família me acolheu, e aos poucos, um fio da meada foi se desenhando. Acontecimentos incríveis somaram-se a essa história, como o fato de eu ter descoberto um diário do tempo da guerra que era exatamente a lacuna maior de sua história. Com isso, foi possível completar o livro.

Muitas pessoas me perguntam o que foi que me fez querer escrever essa história, e sempre fico na dúvida sobre o que responder. Porque quando indaguei à família se poderia fazer isso, eu não tinha ideia da vida da Primavesi. Eu simplesmente queria saber dela. Estar com ela. E o livro era essa maneira. Eu queria aprender mais, queria que ela me ensinasse tudo que ela sabia, porque desde a primeira vez que entrei em contato com o que ela ensinava, tudo fez sentido. Assim, não queria escrever porque estava ciente de uma história de vida absolutamente densa e rica, mas sim para ficar perto dela. Nesse processo reverso, as “Histórias de Vida e Agroecologia” se revelaram, tantas, e tão maravilhosas…

Neste dia 3 de outubro, Ana Maria Primavesi completa 97 anos. Resgatando o fio de sua história, me vêm à mente o sorriso de seu irmão caçula vivendo na Áustria, sua energia e alegria de viver, sua mãozinha machucada, mas plena de trabalho digno. Me vêm as histórias vividas em plena Segunda Guerra, a dor da perda dos dois irmãos, o sacrifício que foi se manter firme nos estudos naquele contexto, quando desistir era o caminho mais cômodo. Repasso a vida de dificuldades mas cheia de expectativas de um casal recém-casado, recém-chegado a um país novo (o Brasil), recém-formado em agronomia, e que diante da doçura e acolhimento desse povo, aqui ficou e aqui criou seus filhos.

Retomo a trajetória dessa menininha determinada desde criança, que foi a primeira pessoa num meio científico majoritariamente masculino a defender que o solo tem vida, e é a própria vida que propicia nova vida. Rio com as histórias de baratas, cobras e galinhas, surreais, “ridículas”, como ela dizia. Recordo com carinho profundo todos os momentos que partilhamos, muitos em silêncio. Mas juntas. E agradeço, profundamente, a todos que me ajudaram a juntar os pedaços que contam essa história, que agora, pertence a todos nós.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque
Virgínia Mendonça Knabben
Brasil de Fato | São Paulo (SP),
Foto: Nesse processo reverso, as “Histórias de Vida e Agroecologia” se revelaram, tantas, e tão maravilhosas... / Reprodução

Enfim, é primavera: 97 anos de Ana Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil

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A pauta de reivindicações dos engenheiros (as) empregados da Copasa foi protocolada na companhia, no dia 18 de abril, pelo Senge-MG. Junto a ela, o Sindicato de Engenheiros solicitou agendamento de reunião com o diretor de Gestão Corporativa, Francisco Eduardo Queiroz Cançado para que as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) tenham prosseguimento e pediu a garantia da data-base da categoria, que é no dia 1º de maio. A diretoria da Copasa enviou reposta através de ofício, no qual garantiu o respeito à data-base.

Reivindicações

Na pauta de reivindicações dos engenheiros da Copasa consta a recomposição das perdas salariais pela inflação acumulada do período (INPC) de maio de 2016 a abril de 2017. Os empregados da Copasa pedem 3% de reajuste a título de ganho real, mas há uma cláusula na pauta na qual os engenheiros reivindicam reajuste e ganho real de 2% após a implantação do PCCS, em compensação às perdas da GDI incorporada no ano de 2015.

Quanto aos tíquetes de alimentação /refeição, cestas básica e de Natal, os reajustes pedidos também compreendem o INPC e o ganho real solicitados no reajuste salarial.

Aos engenheiros lotados no POOL, é pedido, em virtude do princípio da isonomia, a garantia dos mesmos direitos dos demais engenheiros.

Outra reivindicação dos engenheiros da companhia é a implantação e a garantia da carreira dos engenheiros na Copasa, bem como o pagamento do piso salarial como salário base, conforme a Lei 4.950 A/66, independente da alteração do PCCS.

Acesse aqui a pauta de reivindicações completa dos engenheiros da Copasa. 

Engenheiros (as) pedem reajuste pelo INPC acrescido de 3% de ganho real

Enviado por: Luiza Nunes

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