Por Carolina Guimarães

Fruto do trabalho coletivo de entidades, movimentos sociais, organizações sindicais e políticas, o jornal Brasil de Fato tem se consolidado como símbolo de luta por uma comunicação democrática, inclusiva e popular. No dia 06 de dezembro, mais um passo dessa luta foi dado com o lançamento da edição zero do Brasil de Fato Bahia; homenageando o guerrilheiro Carlos Marighella e trazendo as pautas, as cores e o povo baiano para suas páginas, o tabloide foi lançado com um ato político e cultural na sede do Sindicato dos Engenheiros da Bahia.

Participaram do ato Carlos Augusto Marighella, o Carlinhos, filho de Carlos Marighella, e um dos entrevistados para o jornal, o reitor da Universidade Federal da Bahia, João Salles, que contribuiu com uma das colunas e representantes do Senge-BA, Apub Sindicato, Sindipetro-BA, Sindae-BA, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude, Partido dos Trabalhadores, Consulta Popular e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A banda Minas do Projeto Popular e a rapper Amanda Rosa fizeram as intervenções artísticas.

Durante o ato, o diretor do Senge-BA, Allan Hayama falou sobre a satisfação da entidade em contribuir com um projeto alternativo de comunicação e a importância em fazer essa disputa. “É um orgulho participar de um jornal feito com o povo e para o povo. Vida longa ao Brasil de Fato e vida longa à classe trabalhadora”, disse. A vocação popular do tabloide também foi abortada por Carlinhos Marighella, que agradeceu por participar de mais uma homenagem ao pai, “um militante apaixonado pelo povo. Um jornal que quer ser popular tem total sintonia com Carlos Marighella”, afirmou. O reitor João Salles falou sobre sua coluna em defesa da universidade pública e sobre a urgência em continuar a defender a educação como espaço de liberdade, principalmente no contexto de crescente autoritarismo. Ele ainda expressou solidariedade ao reitor da UFMG, conduzido coercitivamente pela Polícia Federal naquele dia.

Após, houve uma mesa temática sobre democratização da comunicação e o papel do Brasil de Fato nesse contexto. Foram convidados/as Joaquim Pinheiro (Brasil de Fato Rio de Janeiro), Joana Tavares (Brasil de Fato Minas Gerais), Monyse Ravenna (Brasil de Fato Pernambuco) e, representando a Bahia, Jamile Araújo. Joaquim trouxe um resgate da história do jornal – que nasceu em 2013, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre – sua transição de standard para tabloide, o surgimento do portal na internet e as experiências da rádio Brasil de Fato. “Eu acho que hoje a classe trabalhadora tem esse instrumento e cabe a nós o desafio de fazer ele avançar cada vez mais”, disse. Ao falar sobre a disputa da comunicação e seu papel estratégico na busca pela transformação da sociedade, Joana Tavares citou outra referência para a comunicação popular, o fundador do Núcleo Piratiginga de Comunicação, Vito Giannotti: “ele fala que o Brasil ainda tem casa grande e senzala e que ela se reproduz também na linguagem”. Joana enfatizou que o jornal precisa falar a linguagem do povo, criar identidade e assim se tornar relevante para fazer a disputa ideológica. “A gente tem essa teimosia de falar que isso [o jornal] é viável. Trabalhador lê jornal sim, e se for um jornal bonito, ainda mais. Ele vai querer ler, vai se enxergar e vai começar a criar público”, disse. Esse aspecto também foi abordado por Monyse Ravenna: “nós estamos fazendo jornalismo, não estamos fazendo panfleto. Temos cuidado na apuração, na diagramação, queremos ter boas fotos, porque o povo merece bom jornalismo”. Ela ainda trouxe notícias sobre os próximos lançamentos do tabloide no Nordeste: janeiro, em Sergipe, Paraíba, e Ceará em fevereiro. Jamile Araújo falou sobre o processo de construção do jornal na Bahia, os desafios para falar sobre um Estado com uma enorme extensão e fazer com que a publicação chegue às diversas regiões. Destacou também a importância da contribuição dos tabloides mais consolidados dos outros Estados e das organizações da Bahia que ajudaram na construção. “Fazer essa edição e esse lançamento, com a amplitude das organizações que construíram esse projeto mostra o potencial do Brasil de Fato como organizador coletivo”, disse.

Veja fotos do lançamento aqui

Expediente da Edição Zero

Colaboração: Jamile Araújo, Edmilson Barbosa, Vitor Alcantara, Carolina Guimarães, Ivo Saraiva, Moisés Borges, Elias Malê, Gabriel Oliveira, Julia Garcia, Lorena Carneiro, Wesley Lima, Maíra Gomes, DJ Bonfim, João Salles, Allan Hayama, Gabriela Barros, Anaíra Lobo, Attila Barbosa, Rita Serrano, Magno Costa, Camila Mudrek.

Edição: Monyse Ravenna (DRT/CE 1032), Elen Carvalho

Revisão: Júlia Garcia

Diagramação: Diva Braga

Apoiadores: Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (APUB), Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro), Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente na Bahia (Sindae), Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento Pela Soberania Popular na Mineração, Levante Popular da Juventude, Partido dos Trabalhadores, Marcha Mundial das Mulheres, Consulta Popular, Deputado Federal Valmir Assunção, Deputado Estadual Suplente Mário Jacó

Tiragem: 30.000 exemplares

Com homenagem a Carlos Marighella, jornal Brasil de Fato chega à Bahia

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O Curso Anual do NPC vem com tudo neste ano de 2017. Vem com a força necessária para encarar um momento grande mudanças no mundo do trabalho no Brasil. A organização dos trabalhadores e a sua comunicação vão estar no centro dos debates no Rio de Janeiro durante cinco dias, de 22 a 26 de novembro. Do velho panfleto à realidade atual, na qual Google e Facebook concentram, juntos, 87% das verbas publicitárias que circulam no mundo.

Já confirmaram presença palestrantes como Flavia Braga, Maria Lúcia Fatorelli, Reginaldo Moraes, Olímpio Alves dos Santos, Ruy Braga, Francisco Fonseca, Laurindo Leal, Camila Marins, Maisa Lima, Mauro Iasi, Ricardo Antunes, Beto Almeida, Sylvia Moretzsohn, Claudia Costa, Guilherme Boulos e Adenilde Petrina.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA!

O curso acontecerá no Rio de Janeiro. A hospedagem será no próprio local do curso (Hotel Arcos Rio Palace Hotel) ou em hotéis próximos ao salão de eventos. A taxa de inscrição será a mesmo do ano passado: R$ 1.490,00 (com hospedagem) R$ 890,00 (sem hospedagem).

ATENÇÃO! AS VAGAS SÃO LIMITADAS! NÃO FIQUE DE FORA!

Clique aqui e baixe a ficha de inscrição do 23º Curso Anual do NPC!

Conheça um pouco mais e veja as edições anteriores do Curso Anual do NPC em: http://nucleopiratininga.org.br/retrospectiva/

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Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação

"Comunicar com todos os meios e falar para milhões" é o tema do 23º curso do Núcleo Piratininga de Comunicação

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Texto: Camila Marins (jornalista Fisenge)

Foi lançada, no dia 16/10, a campanha em defesa da revista Carta Capital, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. A publicação vive um momento de dificuldade financeira, como mostra o documento subscrito por intelectuais, jornalistas e movimentos social e sindical: “o massacre imposto à imprensa popular, ou meramente não alinhada ao projeto de desconstrução nacional, cujos veículos são levados à inviabilidade financeira. O governo ilegítimo que se instalou com o golpe de 2016 empreende, com a inefável ajuda de setores majoritários do empresariado, uma política de cerco e aniquilamento cujo objetivo é destruir a imprensa progressista”. Cerca de 100 pessoas participaram do ato.

“A Carta é um símbolo da resistência democrática e precisamos salvar o que ainda resta de imprensa livre no país, que resiste ao cerco do autoritarismo”, iniciou o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, anunciando a proposta de criação da Sociedade de Amigos da Carta Capital. Em seguida, o professor, economista e consultor editorial da Carta Capital, Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que a resistência exige uma espécie de devoção da ideia de que não podemos sucumbir “para garantir o mínimo de diversidade no debate brasileiro atual”. Ele acredita que não se trata apenas de baixa qualidade do debate, como também do avanço de uma direção de algo mais profundo de incapacidade de aceitação da opinião do outro, num tipo de obscurantismo.

Belluzzo ainda citou os recentes casos de censura à exposições em museus. “Essas atitudes denunciam o estado de espírito da sociedade que jamais imaginei repetir. Assisti à Marcha da Família [em 1964] e fiquei pasmo em ver uma multidão se mobilizar por algo tão assustador. As pessoas repetem, porque não têm capacidade de contestar. A Carta Capital simboliza a diversidade e a liberdade de pensamento”, garantiu.

O presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon) Lincoln Penna disse que mais do que a defesa da liberdade de imprensa, é preciso uma imprensa libertária. “Precisamos reafirmar a defesa da soberania nacional com base popular”, enfatizou.
O contador Nelson Rocha sugeriu algumas ações imediatas para apoio coletivo. “Cada um de nós pode assinar e multiplicar as assinaturas entre amigos para que alcancemos a meta de 4 mil assinaturas até o final do ano em todo o país; buscar patrocínio, publicidade e doações e, por fim, iniciar um financiamento colaborativo”, exemplificou Nelson, incentivando que outros estados no Brasil repercutam as ações. O jornalista e diretor executivo da Carta Capital, Sério Lirio lembrou da experiência do jornal Página 12, na Argentina. “O fundo das centrais sindicais comprou um grupo, incluindo os dois veículos e uma rádio”, explicou.

Uma iniciativa semelhante citada pela professora Lúcia Naegeli é a Associação de Amigos do Faixa Livre [programa de rádio]. “Criamos o Faixa Livre, em 1994, para resistir ao período neoliberal da época. Precisamos levar a revista e todas as iniciativas para as escolas, que já tiveram assinaturas de outros veículos. Precisamos ir até as escolas, fazer debates e palestras. Antes, eu trazia meus alunos para as atividades, mas agora sem vale transporte e sem mobilidade urbana, nós precisamos estar nas escolas”, sugeriu. Nesse sentido, o professor José Helayel contou que utiliza a revista Carta Capital em suas aulas. “Participo de um cursinho para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e utilizamos a publicação para o exercício de um ensino comprometido com a cidadania”, declarou.

A deputada federal Benedita da Silva destacou que a comunicação também foi golpeada. “Esse golpe não aceita o contraditório e a Carta Capital é um importante instrumento para fazer o embate”, disse. O integrante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) Orlando Guilhon reforçou que o ataque à mídia alternativa é a continuidade de vários golpes em cumplicidade com a mídia privada. “A nossa luta também passa pela reforma da mídia e pela democratização da comunicação por mais direitos e mais democracia”, enfatizou. O engenheiro e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Clovis Nascimento lembrou do geógrafo Milton Santos, que afirmou que o ser humano só é livre até os 5 anos de idade, porque depois é escravo do superego e da informação. “A mídia concentrada nas mãos de empresários e oligopólios mais desinforma do que informa com a produção de factoides e narrativas de ódio. A Carta Capital simboliza uma importante trincheira de resistência”, concluiu. Já o engenheiro e presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olímpio Alves dos Santos reforçou a importância de instrumentos alternativos de comunicação. “No final de semana, o nosso filme “Dedo na Ferida”, apoiado pela Fisenge e pelo Senge-RJ, dirigido e produzido por Silvio Tendler, ganhou o prêmio de melhor documentário. Temos a certeza de que estas iniciativas são atos de resistência para a disseminação de informação e construção de narrativas comprometidas com a diversidade e a democracia”, concluiu.
Ao final do ato, foi aprovado o estatuto da Sociedade de Amigos da Carta Capital e selado o compromisso de apoio à sobrevivência da publicação.

Para assinar a Carta Capital, acesse aqui: http://assinecarta.com.br

 

Campanha em defesa da Carta Capital é lançada no Rio de Janeiro

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Artistas, políticos e representantes do movimento social e dos trabalhadores vão se reunir no próximo dia 16 (segunda-feira), às 18h30, no auditório da ABI, para debater estratégias de sustentabilidade e sobrevivência da revista Carta Capital, veículo de resistência da imprensa popular e independente. Apresentação do professor, economista e jornalista Luiz Gonzaga Belluzzo abre os debate. Os colaboradores, leitores e parceiros da editora também redigiram uma convocação de apoio à revista. Confira a íntegra abaixo.

Em defesa da imprensa livre

Democracia e monopólio ideológico são termos que não se conciliam, como igualmente incompatíveis são democracia e ditadura do pensamento único, que se expressa, entre nós, por intermédio do monopólio ideológico dos meios de comunicação de massa. Um monopólio a serviço do atraso, do conservadorismo, do antinacional e do anti popular. A chamada mídia, que começa a controlar, inclusive, as redes sociais, é, no Brasil, o grande partido da direita e do golpismo, papel, aliás, que sempre exerceu em momentos de crise.

O outro lado, é o massacre imposto à imprensa popular, ou meramente não alinhada ao projeto de desconstrução nacional, cujos veículos são levados à inviabilidade financeira. O governo ilegítimo que se instalou com o golpe de 2016 empreende, com a inefável ajuda de setores majoritários do empresariado, uma política de cerco e aniquilamento cujo objetivo é destruir a imprensa progressista.

A revista Carta Capital é vítima dessa urdidura e sua sobrevivência está seriamente ameaçada, com as consequências óbvias para os interesses de nosso país e de nosso povo.

Precisamos resistir salvando a Carta Capital da debacle ameaçadora.Para discutir as soluções possíveis ao impasse, um grupo de leitores e colaboradores da revista está convocando os que concordam com este enunciado para uma reunião no próximo dia 16 de outubro, às 18:30hs, no auditório (7º andar) da Associação Brasileira de Imprensa-ABI, aqui no Rio (Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro, Metrô Cinelândia). Nesse encontro discutiremos um programa de trabalho que visa à defesa política e financeira da revista. Entre as ideias em pauta está a fundação de uma ‘Sociedade dos Amigos da revista Carta Capital’ (cuja proposta de Estatuto pode ser lida neste link), mas, evidentemente, estamos abertos a toda e qualquer colaboração. Não há nada fechado ou pré-decidido.

O debate será aberto com uma intervenção do economista, professor e jornalista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2017

Assinam esta Convocação: Adilson Araújo, Ana de Holanda, Benedita da Silva, Bete Mendes, Carlos Lessa, Celso Amorim, Clóvis do Nascimento Filho, Darc Costa, Francisco Carlos Teixeira, Glauber Braga, Isabel Lustosa, Jandira Fegalli, Jesus Chediak, João Pedro Stédile, Jorge Folena, José Gomes Temporão, Leonardo Boff, Lincoln Penna, Lindeberg Farias, Luís Fernandes, Luís Fernando Taranto, Luiz Antonio Elias, Luiz Carlos Barreto, Marcelo Lavenere, Mario Novello, Nelson Rocha, Olimpio Alves dos Santos, Otávio Velho, Pedro Celestino, Roberto Amaral, Roberto Saturnino Braga, Samuel Pinheiro Guimarães, Sérgio Sérvulo da Cunha, Silvio Tendler, Tarso Genro, Theotônio dos Santos, Vivaldo Barbosa.

Acontece, hoje, ato em defesa da Carta Capital

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O Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco, Senge-PE, promoverá, na próxima terça-feira (30), o segundo Roda de Conversa sobre “Intolerância nas relações sociais”. Para contribuir com o debate foi convidado o escritor e publicitário José Nivaldo Junior. O objetivo do encontro é promover um espaço de discussão e reflexão sobre a intolerância nas relações contemporâneas, que tem se agravado diante da atual crise política, especialmente, quando está relacionada às redes sociais.
A repressão ao pensamento diferente, o ódio de classe e a dificuldade de conviver com o outro, fenômenos cada vez mais comum, tem sido uma ameaça constante à vida em sociedade, fragilizando, assim, a já ameaçada democracia.
O evento é a segunda edição do ciclo de debates Roda de Conversa, realizado pelo Senge-PE, de três em três meses, com pautas relacionadas a vida política e social brasileira. O primeiro, que ocorreu no mês de fevereiro, teve como tema “Previdência Social: desmonte não é reforma”, e contou com a contribuição do advogado trabalhista e militante da Consulta Popular, André Barreto, e a secretária de políticas públicas do Sindsep, Lindinere Ferreira.

Senge-PE promove debate sobre Intolerância

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Serão 10 horas de comunicação, história e muita arte em homenagem aos trabalhadores e trabalhadoras, à comunicação sindical e popular, e à greve das tecelãs na Rússia, em 8 de março de 1917
O 1º Festival da Comunicação Sindical e Popular será uma grande intervenção cultural, livre e democrática, para celebrar os veículos de comunicação sindicais e populares. O evento terá exposições das mídias produzidas por sindicatos, movimentos e coletivos de mídia alternativa, além de shows de música, teatro e dança. A programação contará também com aulas públicas sobre temas importantes para a cultura, a história e para a comunicação.

Será realizado no dia 25 de maio, mês do trabalhador e da trabalhadora, na Cinelândia, e comemorará um marco importantíssimo na luta da classe: 100 Anos da Greve das Tecelãs na Rússia. O tema reúne grandes eventos históricos, como o 1º de Maio dos trabalhadores e a luta pela jornada de trabalho de 8 horas, o centenário da Revolução Russa e o 8 de Março das mulheres. Uma ampla celebração de lutas!

Essa ocupação da cidade para construir um espaço de visibilidade dos veículos de comunicação alternativa é um importante passo na luta pela democratização da mídia, em um país em que os principais meios de comunicação são controlados por poucos grupos econômicos.

Será um evento aberto e gratuito, realizado a partir de uma campanha de financiamento coletivo e da sua participação.

Por isso, é fundamental a colaboração de todas e todos que acreditam ser possível construir uma cultura transformadora e uma comunicação democrática!

Para colaborar com o projeto, acesse: https://benfeitoria.com/npc.

Para acompanhar as notícias sobre o 1º Festival da Comunicação Sindical e Popular: https://www.facebook.com/festivalcomsindpop.

Contatos:
Luisa Santiago - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. / (21) 97201-7827
Ivina Costa - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. / (21) 2220-4895
Juan Leal - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

NPC promove, no mês dos trabalhadores, 1º Festival da Comunicação Sindical e Popular

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A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), recebeu, no dia 24/11 o Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2016 em comunicação sindical com o projeto Engenheira Eugênia. A cerimônia aconteceu no Museu de Arte do Rio de Janeiro e contou com a participação de presidentes das Amatras, magistrados de diversas Regiões, entre outras autoridades. Nesta 7ª edição, o Prêmio contou com o apoio da Amatra 1 (RJ). Clique aqui e assista ao vídeo da premiação. O objetivo da premiação é valorizar ações realizadas por pessoas físicas e jurídicas no Brasil que estejam comprometidas com a defesa dos direitos humanos no mundo do trabalho. O Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2016 distribuiu um total de 60 mil reais. Além da premiação em dinheiro, o vencedor em cada categoria/subcategoria recebeu a estatueta inspirada no "Cilindro de Ciro".

Ao abrir a solenidade, o presidente da Anamatra, Germano Siqueira, ressaltou que as realidades do trabalho e dos direitos humanos se harmonizam. “O que nós vimos em muitos trabalhos recebidos para a premiação , no entanto, foi a expressão da antítese entre a realidade do trabalho degradante e os direitos humanos”, disse. Nesse sentido, o presidente manifestou preocupação com as propostas legislativas que precarizam direitos trabalhistas e sociais. “Vemos um Congresso que tem compromisso com o desmonte do Direito do Trabalho, querendo-o tornar um direito irrelevante, para produzir talvez uma sociedade radicalmente injusta, a caminho da barbárie”. Para Germano Siqueira, a pauta da Anamatra em torno do Direito do Trabalho e dos direitos sociais dialoga completamente com essa necessidade e a realização do Prêmio é um exemplo disso. “Queremos com o Prêmio e com a atuação no Congresso em nossas pautas deixar a nossa contribuição para o mundo melhor”.

Na mesma linha, a diretora de Cidadania e Direitos Humanos, Noemia Porto afirmou que o Poder Judiciário trabalhista e os juízes do Trabalho são ciosos do seu papel constitucional de garantidores de direitos fundamentais, cuja concretização designa sua legitimidade institucional. "A Anamatra cumpre assim o seu papel quando estimula, reconhece e dá visibilidade a iniciativas que interferem na realidade e promovem a materialização dos direitos humanos no mundo do trabalho”, disse. Na avaliação de Noemia Porto, a realizaçao dos direitos humanos é uma tarefa que deve envolver todos. "Não pode depender de uma única instituição ou iniciativa; ao contrário, a justiça social depente do compromisso estabelecido, de forma intensiva, pelos governos e pela sociedade civil, de forma conjugada e diversificada, incluindo-se, portanto, o Judiciário como instituição e os cidadãos como destinatários e, ao mesmo tempo, participantes das políticas de inclusão", disse.

A solenidade de premiação foi precedida por performance poética do grupo “Corujão da Poesia – Universo da Leitura”. Sob a curadoria de João Luiz de Souza, o grupo se encontra semanalmente para atividades de poesia, literatura e música. Entre os objetivos do grupo está o estímulo à leitura, por meio da arrecadação de livros para construção de bibliotecas solidárias em locais carentes.

Premiados - Na categoria Cidadã, venceu o trabalho “Eugênia, a Engenheira”, da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros, que usa a histórias em quadrinhos para debater direitos e deveres dos trabalhadores. Para a Simone Baía, diretora da Mulher da Federação, o Prêmio é um símbolo da luta cotidiana de mulheres por existência e resistência. “Passamos por muitos sacrifícios em nossas trajetórias, com abdicações e também conquistas. Receber um prêmio de direitos humanos legitima a importância da comunicação sindical na construção de uma sociedade igualitária e solidária para todas as pessoas”, afirmou.

O projeto “Graffiti na Escola”, do professor de arte Rodrigo Neris, da Escola Pierre Bonhomme em Campinas (SP), venceu na categoria Programa Trabalho, Justiça e Cidadania (TJC). Além das atividades já tradicionais do Programa, a iniciativa do professor trabalhou, por meio do grafite, o conteúdo da Cartilha do Trabalhador em Quadrinhos. O projeto contou com a participação do grafiteiro Gustavo Bordin (Nénão), que ministrou oficinas de arte para os alunos. O professor explica que a escola se dedica a promover espaços, encontros e experiências que possibilitem processos formativos que fomentem outros olhares para o mundo, o desenvolvimento de uma atitude reflexiva e a valorização dos adolescentes, jovens, adultos e idosos, alguns deles com deficiências, bem como suas histórias. “O reconhecimento da Anamatra reforça a certeza de que vale a pena e a esperança de que chegará o dia em que a profissão de professor, tão mal cuidada nos dias de hoje, será efetivamente reconhecida e valorizada por toda a sociedade."

Na categoria Imprensa, subcategoria em Impresso, venceu o jornalista Thiago Tanji, da Revista Galileu, com reportagem "Escravos da Moda" sobre a realidade do trabalho degradante escondida por detrás dessa indústria. Para Tanji, o reconhecimento do trabalho é um indicativo importante de que histórias como as contadas na reportagem precisam ser publicadas, discutidas e refletidas. “É triste saber que, em pleno século 21, ainda tenhamos de denunciar violações de direitos básicos. Mas, enquanto condições dignas não sejam conquistadas por todos os trabalhadores, é dever dos jornalistas continuar a contar essas histórias e ajudar a mudar essa realidade”, analisou.

A categoria Imprensa, subcategoria Televisão, premiou a equipe do Repórter Record Investigação com a reportagem “Eternas Escravas”, que denunciou um escândalo de escravidão de crianças negras e pobres no quilombo Kalunga, próximo à Brasília. O jornalista Lúcio Sturm, que representou a equipe, falou da importância do Prêmio, o sexto recebido pela reportagem este ano. ““O Prêmio da Anamatra é muito especial, pois vem de uma entidade que defende os mesmos princípios que a imprensa, que são a cidadania e os direitos humanos. É uma honra muito grande para toda a equipe ter esse reconhecimento dos juízes do Trabalho”, disse.

A reportagem do jornalista Hebert Lenin, da CBN Paraíba, com o tema "Marcada para lutar", foi a vencedora na categoria Imprensa, subcategoria Rádio. A matéria retratou o surgimento das ligas camponesas na região Nordeste na década de 60, durante turbulências políticas e sociais. “Para mim o Prêmio é uma grande honra. Ainda mais por saber que foi um reconhecimento ao nosso trabalho, mas, principalmente, à trajetória de Elisabete Teixeira, uma das mais notáveis mulheres que este país já viu”, declarou.

Já a fotografia premiada foi de autoria de Sérgio Ricardo Oliveira e ilustrou capa da reportagem especial do jornal Amazonas em Tempo sobre a vida de homens e mulheres que trabalham com o extrativismo de fibras de piaçava no norte do estado do Amazonas, reféns do isolamento, das condições degradantes de trabalho e até mesmo do trabalho forçado. "Acho importante o reconhecimento da Anamatra com o Prêmio pelo trabalho jornalístico feito em uma região isolada do resto no Brasil, na Amazônia. Os piacabeiros vão para o trabalho já e endividados e explorados pelos patrões”, explicou o fotógrafo.

Também foram conferidas menções honrosas para alguns trabalhos, pela relevância das iniciativas dentro da temática do Prêmio. Os representantes das iniciativas receberam placas. Confira as menções honrosas desta edição:

Acadêmico Padrinho-Cidadão
Categoria: Cidadã
Resumo: Criado pela Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, o programa tem como foco estudantes de escolas públicas, entre 14 e 17 anos. A ideia é ocupar o tempo dos jovens no horário em que estão fora da escola para que eles vejam nas atividades educacionais, lúdicas ou esportivas, alternativas para fugir das ruas e da situação de vulnerabilidade.

Reportagem - A rota da castanha: exploração sem limite
Categoria: Imprensa/Subcategoria TV
Resumo: Reportagem especial do Câmera Record, sob o comando do repórter Daniel Motta e equipe, denunciou as condições desumanas de trabalho a que são submetidos homens, mulheres e crianças que sobrevivem da quebra da castanha no agreste brasileiro. Os repórteres revelaram também como várias gerações de trabalhadores rurais são explorados na produção desse produto nobre e caro, que está presente à mesa dos brasileiros.

Série “À margem”
Categoria: Imprensa/Subcategoria Rádio
Resumo: A série da jornalista Mislene Santos, do Jornal Correio da Paraíba (Rádio 98 FM), relatou a realidade do mercado de trabalho para travestis e transexuais. A narrativa mostra problemas como prostituição e informalidade, mas também fala de políticas públicas relativas ao tema e de exemplos de superação por meio do estudo e trabalho.

Fonte: Anamatra

Foto: Adriana Medeiros

Fisenge recebe prêmio Anamatra de Direitos Humanos em comunicação sindical

 

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O projeto "Engenheira Eugênia", da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), foi a primeira colocada na categoria Cidadã, da sétima edição do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, em decisão do júri divulgada nesta quarta-feira, 9 de novembro. De acordo com o regulamento da premiação, o vencedor de cada categoria receberá uma estatueta inspirada estatueta inspirada no “Cilindro de Ciro” e um prêmio de R$ 10 mil. A cerimônia de premiação será em 24 de novembro, no Museu de Arte (MAR) do Rio de Janeiro.

As reuniões do júri contaram com a presença do presidente da Anamatra, Germano Siqueira, e da diretora de Cidadania e Direitos Humanos, Noemia Porto, que conduziu os trabalhos. Integraram o júri do Prêmio, nesta edição, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Delaíde Arantes, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e desembargador do Trabalho Gustavo Alkmin, e a jornalista da área de Justiça e Cidadania no Rio de Janeiro (RJ) Adriana Cruz.

O projeto da Fisenge, idealizado pelo Coletivo de Mulheres da Federação, usa histórias em quadrinhos para debater direitos e deveres dos trabalhadores. Com ilustrações de Pater e periodicidade mensal, os quadrinhos retratam temas sobre direitos trabalhistas e sociais, como privatizações, terceirizações, racismo, transfobia, violência, entre outros.

Nesta edição, o Prêmio recebeu 188 inscrições. A diretora de Cidadania e Direitos Humanos comemorou o grande número de inscritos e a riqueza dos temas abordados nos trabalhos. “É importante ver a grande participação no Prêmio, que tem o compromisso de difundir ações com foco na cidadania e nos Direitos Humanos no mundo do trabalho, além de estimular, cada vez mais, a realização e divulgação dessas iniciativas”, ressaltou Noemia Porto.

Conheça todos os premiados AQUI

Fisenge recebe, nesta quinta (24/11), prêmio Anamatra de Direitos Humanos em Comunicação Sindical

 

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Fisenge faz doações a projeto comunitário no Morro do Preventório

No último dia 9/6, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) doou equipamentos de informática para a organização Paiol Cultural, que promove oficinas de comunicação popular a jovens e crianças do Morro do Preventório, em Niterói. Entre os equipamentos estavam notebook e impressora, que serão usados na produção do jornal comunitário "Ainda Não Pensei" (foto acima).

A coordenadora do Paiol Cultural, Jéssica Santos, conta que o jornal surgiu a partir de uma oficina de comunicação comunitária promovida pela organização. "Desde então, a Paiol orienta a produção da publicação, e as doações da Fisenge vão contribuir diretamente para este e outros projetos", afirmou ela.

Karina Correa, de 19 anos, é estudante e faz parte da equipe do jornal (foto abaixo). Segundo ela, o "Ainda Não Pensei" procura informar os moradores sobre acontecimentos positivos na comunidade, despertando a população para pensar e refletir sobre assuntos novos, por isso o nome. A equipe de jovens e crianças se reúne regularmente para elaborar as edições e pensar em formas de arrecadar recursos para a impressão, como a realização de bazares. "As três edições que já fizemos foram utilizando celular e computador emprestado, o que dificulta muito. Mas, como queríamos muito um jornal feito por nós, na nossa comunidade, sempre demos um jeitinho. Com os equipamentos, teremos mais facilidade para escrever as matérias e transcrever as entrevistas", contou ela.

Fisenge faz doações a projeto comunitário no Morro do Preventório

"O que possibilita a gente respirar e viver um pouco melhor dentro de um local onde a saúde é precária, a violência é extrema, principalmente a violência trazida pelo próprio poder público, é que as pessoas se comuniquem, que a informação circule. Veículos de comunicação dentro de uma comunidade possibilitam que a informação possa chegar e as pessoas possam discutir. Com a informação circulando você tem uma chance muito maior de ser ouvido, de ser escutado" (Robson Melo, da TV Tagarela, na Rocinha. Retirado do livro "Experiências em comunicação popular no Rio de Janeiro ontem e hoje", de Claudia Santiago Gianotti, Núcleo Piratininga de Comunicação/Fundação Rosa Luxemburgo, 2016)

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A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) assinou, no dia 17/5, uma nota em defesa da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Isso porque o Diário Oficial da União traz a exoneração do diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), única empresa pública nacional do setor.

Leia texto completo do blog do Intervozes:

Passando por cima da Lei 11.652/2008, que regula a radiodifusão pública no País e que, para garantir a autonomia da EBC frente a governos, prevê mandato de 4 anos para seu presidente, o PMDB demitiu o jornalista Ricardo Melo e deve colocar em seu lugar Laerte Rímoli, coordenador de comunicação da campanha de Aécio Neves em 2014.

Rímoli também foi chefe da assessoria de Comunicação Social do antigo Ministério do Esporte e do Turismo durante o governo FHC, quando investigações do TCU apontaram desvios de 10,6 milhões de reais para a SMP&B Comunicação. Rímoli foi um dos quatro servidores do ministério condenados a ressarcir os cofres públicos. Na Câmara dos Deputados, trabalhou no gabinete de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e foi um dos designados pelo presidente afastado a conduzir, com mãos de ferro, a TV Câmara.

Desde então, crescem as denúncias de servidores da Câmara acerca de censura a programas como Palavra Aberta e Fatos e Opiniões, além de vetos a entrevistas e reportagens dos telejornais.

Sessões do Conselho de Ética, que investiga Cunha, deixaram de ser transmitidas. E o programa Participação Popular saiu do ar. O futuro da EBC, de suas emissoras e programas não será diferente.

Mesmo sem o nome de Rímoli confirmado, a reação de intelectuais, acadêmicos, comunicadores, trabalhadores da EBC, organizações da sociedade civil e defensores da liberdade de expressão e de uma comunicação pública democrática e plural foram imediatas.

Articulada pela Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública, uma nota com centenas de assinaturas foi divulgada nesta terça, exigindo o respeito à Lei da EBC e ao mandato de seu presidente. Ações na Justiça também estão sendo elaboradas – entre elas um mandado de segurança a ser protocolado pelo próprio Ricardo Melo – e atos estão programados em diferentes capitais.

Em Brasília, parlamentares de pronunciaram sobre o ocorrido numa manifestação na Câmara dos Deputados no dia 18/5.

Como diz trecho da nota pública lançada (leia a íntegra abaixo), “a EBC, que sempre esteve ligada à sociedade por meio do seu Conselho Curador, representativo das esferas da sociedade civil, governo, setor privado e empregados, não pode ter seus alicerces legais e finalidades atingidas pelo governo interino. Este projeto não pertence ao Executivo nem a qualquer partido, mas à sociedade brasileira”.

Em diferentes ocasiões, este blog e o Intervozes se posicionaram em defesa da autonomia da EBC e criticaram episódios, durante o governo Dilma, que ameaçaram sua independência. Neste momento, em que a legislação que dá sustentabilidade e independência à comunicação pública é solenemente atropelada por Michel Temer, ninguém deve se calar.

Íntegra da nota:

 

NOTA EM DEFESA DA EBC E DA COMUNICAÇÃO PÚBLICA

A democracia e a comunicação estão intrinsecamente ligadas. A manifestação de toda a pluralidade de atores enriquece a democracia, ampliando a capacidade de encontrar soluções que contemplem toda a sociedade. Por outro lado, a ausência de diversidade cria falsas unanimidades e prejudica o debate público.

Como fruto da luta da sociedade brasileira pelo direito à comunicação, a Constituição Federal prevê a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão.

O passo mais significativo na construção do sistema público foi a aprovação, em 2008, da lei 11.652, que institui os princípios e objetivos da radiodifusão pública no país e cria a Empresa Brasil de Comunicação como expressão de um sistema livre da interferência econômica ou governamental, em consonância com o artigo 223 da Constituição Federal.

A EBC (Empresa Brasil de Comunicação) é fruto dessa luta e um patrimônio de todos os brasileiros, que veem ali colocadas suas mais diferentes expressões culturais e de opinião. Para assegurar o caráter público, a Lei 11652 trouxe mecanismos importantes, como o Conselho Curador (órgão com representação da sociedade e dos trabalhadores), a Ouvidoria e a proteção do mandato do diretor-presidente, impedindo que este seja trocado a partir de cada mudança do Executivo.

Esses instrumentos são essenciais para que a empresa responda à sociedade, e não a partidos ou governos de plantão. Por isso, respeitar os princípios legais que zelam pela autonomia desta empresa pública é princípio essencial para todos que acreditam na democracia e diversidade de vozes.

A BBC, empresa pública de comunicação inglesa, com quase 100 anos de existência, está sustentada sob esses pilares. Seguindo seus passos, em apenas oito anos de funcionamento, os veículos da EBC fizeram valer o artigo constitucional que prevê a complementariedade dos sistemas de comunicação no Brasil.

A empresa estabeleceu como missão contribuir para a formação crítica das pessoas. Entre seus valores estão a independência nos conteúdos, na transparência e na gestão participativa.Os direitos humanos, a liberdade de expressão e o exercício da cidadania completam essa lista, juntamente com a diversidade cultural, a criatividade, a inovação e a sustentabilidade.

A TV Brasil buscou levar mais diversidade étnico-racial para a tela de brasileiros e brasileiras, com ampliação de representações negras na pauta jornalística e na programação cultural, seja por meio de filmes, desenhos animados ou programas de entrevista.

As agências da EBC, Agência Brasil e Radioagência Nacional, distribuíram conteúdo gratuitamente para milhares de jornais, blogs e emissoras de rádio, que não teriam condições de informar devidamente a população sobre os fatos e direitos políticos, econômicos e sociais.

Em apenas oito anos, as equipes de jornalismo da EBC conquistaram ou foram finalistas de diversos prêmios, principalmente pela cobertura de direitos humanos. Entre eles, os prêmios Vladimir Herzog, Líbero Badaró, Tim Lopes, Abdias do Nascimento, Esso e Embratel.

As emissoras de rádio ampliaram o espaço para a produção musical independente, o esporte e a informação. Está sob a administração da EBC rádios com importância histórica, interesse público e relevância atual como as rádios Nacional do Rio, MEC AM e FM do Rio, Nacional da Amazônia, Nacional do Alto Solimões, Nacional de Brasília e Nacional FM de Brasília.

Alertamos para os perigos que esse patrimônio da sociedade brasileira corre. Repudiamos a a decisão do governo interino de destituição do diretor-presidente antes do término do seu mandato, publicada no Diário Oficial da União deste dia 17 de maio. Também nos questionamos ameaças que circulam por meios não oficiais, como a redução da estrutura de pessoal ou o desvirtuamento dos princípios, objetivos e missão da empresa, bem como qualquer ataque à Lei da EBC e ao projeto da comunicação pública. A

EBC, que sempre esteve ligada à sociedade por meio do seu Conselho Curador, representativo das esferas da sociedade civil, governo, setor privado e empregados, não pode ter seus alicerces legais e finalidades atingidas pelo governo interino. Este projeto não pertence ao Executivo nem a qualquer partido, mas à sociedade brasileira.

Brasília, 17 de maio de 2016.

Fonte: Blog Intervozes (Carta Capital)

Fisenge defende comunicação pública brasileira

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