Aconteceu em Brasília, dia 10/4, a primeira rodada de negociação do ACT dos trabalhadores e das trabalhadoras do Sistema Eletrobras. Na oportunidade, a empresa apresentou um “cenário dos mais desafiadores”, alegando que ainda sofre reflexos da MP 579. Os prepostos da holding afirmaram que, mesmo diante de um lucro histórico de 13,3 bilhões apresentado no balanço, isso era irrelevante, pois se tratava apenas de um lucro contábil.

A empresa voltou a ressaltar que tem que reduzir ainda mais os custos com pessoal, ou seja, o trabalhador vai continuar pagando a conta, para adequá-los aos custos regulatórios estabelecidos. 

O CNE para contrapor aos argumentos apresentados pela empresa, com o apoio da assessoria do DIEESE, fez uma análise dos resultados apresentados Eletrobras em 2018, inclusive ressaltando as afirmações do presidente Wilson Pinto, de que segundo ele “a crise profunda que a empresa atravessou está superada. O valor de mercado da companhia saltou de R$ 9 bilhões, no início de 2016, para mais de R$ 33 bilhões em 2018, chegando a R$ 50 bilhões em fevereiro de 2019”.

A análise do DIEESE, feita pelo economista Gustavo Teixeira, mostra que a Eletrobras acumula 2.945 demissões entre 2017 e 2018. A folha bruta de pagamento registrou queda de 12,5%. Enquanto a remuneração dos empregados apresentou redução de 12,8%, a remuneração da administração aumentou 15,4%. Esses números apontam para um cenário bem diferente do apresentado pela direção da Eletrobras na mesa de negociação. Os entraves não estão sendo colocados pelos trabalhadores, que têm sido prejudicados com cortes.

Outro ponto a destacado no estudo mostra que o valor dos dividendos obrigatórios de R$ 3,5 bilhões, decorrente do resultado de R$ 13,3 bilhões, não deixa dúvidas de que a empresa é rentável, com capacidade de gerar enorme volume de recursos para a União nos próximos anos.

O CNE entende que o discurso de terra arrasada feito pela direção da Eletrobras durante a negociação precisa ser revisto, pois os números refletem outra realidade, que dá margem para uma negociação justa com os trabalhadores que tiveram um desempenho capaz de fazer a empresa apresentar novamente uma pujança econômica.

ELETROBRAS SE COMPROMETEU A RESPONDER SOBRE A PRORROGAÇÃO DO ACT EM VIGOR

A empresa não aceitou, como historicamente acontece na 1ª rodada de negociação, a prorrogação do ACT em vigência. Após um firme posicionamento do CNE, a empresa solicitou que o Coletivo encaminhasse o documento oficial solicitando a prorrogação, se comprometendo com o prazo de até o dia 17 de abril para se posicionar.

O CNE propôs um acordo com a vigência de 24 meses, rejeitado pela Eletrobras.

A 2ª rodada de negociação acontecerá no dia 24/4, em Brasília.

AGENDA CNE

. Assembleias no período de 12 a 16 de abril

. Reunião dia 23 de abril, em Brasília.

Fonte: FNU

Primeira rodada de negociação da Eletrobras mostra descaso com trabalhadores

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Entre os dias 6 e 8 de fevereiro, os representantes dos sindicatos que integram o CNE – Coletivo Nacional dos Eletricitários – estarão reunidos em Curitiba – PR para Seminário de Organização.

Confira a programação:

CNE: sindicatos debaterão avanço da privatização da Eletrobras e articulação de luta

 

 

 

Fonte: FNU/CUT

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No dia 28/11, diversas entidades da engenharia enviaram um documento para o Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre as mudanças das diretrizes curriculares nos cursos de engenharia. No texto, os signatários afirmam a importância de audiências públicas, destacando a necessidade de adiar a aprovação das diretrizes. “As contribuições decorrentes da reunião certamente irão exigir modificações no texto da proposta das DCNs, implicando novas Audiências Públicas e uma participação mais efetiva dos principais cursos de engenharia e do sistema CONFEA-CREAs, bem como das associações acadêmicas, científicas e profissionais, destacando-se o Clube de Engenharia, a Academia Nacional de Engenharia e Academia Brasileira de Educação”, alerta trecho do texto, que pede prorrogação da aprovação com o objetivo de realizar mais audiências públicas para subsidiar o debate e formular uma nova redação. Assinam o documento: Academia Nacional de Engenharia; Clube de Engenharia; Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ); Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA); Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE) e Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.

Fisenge subscreve documento para prorrogação da aprovação das mudanças das diretrizes curriculares nos cursos de engenharia

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Na pauta, as estratégias para enfrentar a pressão privatista no contexto do novo governo federal.

Trabalhadores do setor elétrico debatem desafios da conjuntura, dias 20 e 21, em Brasília

O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) realiza Seminário de Conjuntura nos próximos dias 20 e 21 de novembro, em Brasília. O evento acontece no Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal e vai debater as prioridades de mobilização e estratégias dos trabalhadores do setor elétrico, no contexto no novo governo federal.
 
Um dos desafios em pauta é a ameaça de privatização que atinge principalmente as distribuidoras de energia. Além dos prejuízos decorrentes da desintegração do sistema Eletrobras para a segurança hídrica e para a soberania nacional, a venda das empresas fragmenta a categoria dos engenheiros, fragilizando as suas relações de trabalho, explica o diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Gunter Angelkorte. 
 
Ele observa que, neste ano, o acordo coletivo, fechado em julho pela Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), já foi formalizado em documentos separados – embora com as mesas cláusulas e condições: um assinado pelas geradoras do sistema Eletrobrás; outro, pelas distribuidoras. É a primeira vez que ocorre essa distinção, segundo ele, já como efeito de as distribuidoras estarem sendo privatizadas. Já foram vendidas as empresas do Acre, Piauí, de Alagoas, Goiás, Rondônia e Roraima. 
 
“Querem desatrelar as distribuidoras das geradoras, para evitar que haja mobilização conjunta”, diz Gunter. O acordo já está em prática nas empresas, embora, no casos das estatais, ainda aguarde a aprovação do Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério do Planejamento, o que costuma ocorrer até o início de dezembro. 
 
A exceção é a Ceron, distribuidora de Rondônia, onde, embora o acordo com as cláusulas sociais tenha sido fechado com o Senge-RO, não se conseguiu ainda a assinatura do nacional, que traz a pauta econômica e o reajuste de 1,69%, relativo ao INPC do período. “A empresa deu o aumento, mas a intenção dela é impedir que os engenheiros tenham representação a nível nacional”, alerta Gunter.
 
Na área trabalhista, outra tendência perigosa que cresce na privatização, diz ele, é a de descaracterizaçao da profissão. Isso ocorre quando, nas contratações, as empresas não adotam a função de engenheiro mas a de especialista ou outras nomenclaturas genéricas. O objetivo principal desta manobra seria fugir da lei que obriga o pagamento de Salário Mínimo Profissional (SMP). 
 
(In)segurança no trabalho
Outros impactos para o profissional decorrem do desrespeito à NR-10, norma do Ministério do Trabalho e Emprego que rege as condições de segurança e saúde dos trabalhadores em instalações e serviços em eletricidade. “Normalmente, em vez de dois engenheiros em campo, ou dois profissionais com as mesmas qualificações – como manda a norma, as empresas mandam um técnico para acompanhar o engenheiro”, explica Gunter. “É um desrespeito, porque a norma prevê várias obrigações, como o retreinamento constante, que dão mais segurança ao trabalho. Sem isso, aumenta a quantidade de acidentes. E os acidentes, nessa área, ou provocam queimadura grave e mutilação, ou morte.” 
 
Em dez anos, até 2007, lembra Gunter, foram aproximadamente 900 mortes em acidentes de trabalho no setor elétrico privado, uma média de 90 por ano, em comparação a quase nenhum zero nas estatais. Nestas, os acidentes, além de poucos, ocorreram na sua maioria fora da atividade fim, como em deslocamentos nas estradas. 
 
Estudo do Dieese também aponta que a taxa de mortalidade da força de trabalho do setor elétrico foi de 32,9 mortes por grupo de 100 mil trabalhadores em 2008. Entre os trabalhadores terceirizados, a taxa (47,5) foi 3,21 vezes superior em relação ao verificado para o quadro próprio (14,8). 
 
 
SEMINÁRIO DE CONJUNTURA DO CNE
 
Organização: Coletivo Nacional dos Eletricitários
Data: 20 e 21 de novembro de 2018
Local: STIUDF- SCS – Quadra 06 – Bloco A – 7º andar 
Brasília/DF
 
Fonte: Senge-RJ
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Quarta, 13 Junho 2018 10:32

Eletrobrás procrastina ACT 2018/ 2019

Embora sejam assuntos distintos, a Eletrobras busca contaminar a pauta do ACT (Acordo coletivo de Trabalho) dos trabalhadores com a da privatização. No entanto, os trabalhadores, entidades sindicais e associações não serão vítimas desta armadilha.

A discussão do ACT teve início no 35º ENTFU (Encontro Nacional dos Trabalhadores de Furnas), realizado na cidade de Passos/ MG. As ações dos trabalhadores foram no sentido de buscar a manutenção dos benefícios e correção da inflação, ou seja, o mínimo necessário.
A pauta de reivindicações foi entregue à empresa em fevereiro de 2018, tendo em vista que a data base é 1º de maio. Como a empresa não negociou em tempo, houve a necessidade de renovação do ACT , por dois períodos, sendo que o segundo período termina no final de junho.
Até o momento a Eletrobras só procrastinou o processo, apresentando a proposta apenas no final de maio. Com a reforma trabalhista os trabalhadores perderam a ultratividade do ACT, ou seja, estão a poucos dias de perder todos os benefícios de uma só vez.

Pedido dos trabalhadores ao ministro Maurício Godinho Delgado

Caro ministro, o único instrumento legal que temos para forçar a empresa a negociar é a greve. Deliberaremos greve por tempo indeterminado para que a empresa possa negociar.

Os trabalhadores querem trabalhar com condições dignas. Esperamos que este Tribunal Superior do Trabalho decida nosso ACT 2018/2019 novamente, já que a empresa não está com a menor vontade de negociar.

Confiamos na Justiça!!!

Fonte: Caroline Diamante/Senge-MG

Eletrobrás procrastina ACT 2018/ 2019

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Com pessoal da administração e da manutenção em greve, categoria mantém 100% da operação, acima do exigido pela Justiça e sem prejuízos à população, para forçar o governo a negociar

FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Eletricitários: 'Queremos resguardar nossos direitos e manter a Eletrobras pública'

Trabalhadores querem saída do presidente da Eletrobras, responsável, segundo eles, pela política privatista

São Paulo – Segundo o coordenador do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), Fernando Pereira, a greve de três dias anunciada pelos trabalhadores da Eletrobras, que teve início na primeira hora desta segunda-feira (11), conta com ampla adesão dos setores administrativo e de manutenção em todo o país. Já o setor de operações funciona com o quadro completo, sem prejuízos à população. 

Pereira diz que o fato de o setor operacional não ter paralisado é uma demonstração de "boa vontade" da categoria, já que até mesmo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em decisão que reconheceu a legalidade da greve, estabeleceu funcionamento mínimo de 75%. 

Segundo o CNE, ligado à Federação Nacional dos Urbanitários (FNU-CUT), a categoria quer a derrubada de projetos em tramitação na Câmara e no Senado que tem como objetivo a privatização da Eletrobras, e também são contra projeto de portabilidade da conta de energia, que, segundo eles, traria consequências desastrosas para as distribuidoras. Os eletricitários também reivindicam a saída imediata do presidente da Eletrobras, Wilson Pinto Ferreira Júnior, identificado como símbolo do processo de privatização e de destruição da estatal.

"Nesse momento, estamos dando uma demonstração que o nosso interesse não é prejudicar a população, queremos resguardar nossos direitos e manter a Eletrobras pública, o que é bom para todos. Sem a privatização, significa que a nossa conta de luz não vai disparar, como disparou o combustível durante a semana de greve. Esse é o nosso compromisso", declarou o coordenador do CNE. 

Os trabalhadores esperam, ainda na manhã desta segunda, que a Eletrobras apresente uma nova proposta de acordo coletivo de trabalho (ACT), já que aquela que foi apresentada na última quinta-feira (7) foi rejeitada pela categoria, pois trazia reajuste dos salários abaixo da inflação e a retirada de cláusulas previstas em acordos anteriores.

 

FONTE: RBA

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Fisenge apoia a paralisação de 72 horas dos eletricitários de todo o Brasil

 A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) declara o seu apoio à paralisação anunciada pelo Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), que será realizada entre os dias 11 e 13 de junho.  O movimento tem o objetivo de denunciar tentativa do governo de privatizar o Sistema ELETROBRAS.

Devem parar os empregados das áreas administrativas e das atividades fins, como operação e manutenção, de todas as empresas de geração e transmissão das empresas CHESF, FURNAS, ELETRONUCLEAR, ELETROSUL, ELETRONORTE E CEPEL, além das empresas de distribuição dos estados de Alagoas, Piauí, Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. Serão garantidos os serviços essenciais aos usuários e, se houver alguma ocorrência no sistema que possa comprometer a continuidade dos serviços de fornecimento de energia elétrica, os sindicatos acionarão as equipes de manutenção para atendimento emergencial.

Esta greve é contra o processo de tentativa de privatização da ELETROBRAS, que representa uma tentativa de desmonte das empresas integrantes no maior sistema de geração e transmissão do setor elétrico nacional. A privatização trará um imenso prejuízo para a população, principalmente pelo aumento de preço da energia elétrica e entrega de controle de um setor estratégico a grupos estrangeiros, atingindo também de forma dramática o uso das águas de rios que exercem importante papel da geração de energia. Além disso, ressaltamos que o modelo de venda estabelece um preço vil, apenas para satisfazer aos interesses de grandes grupos empresariais, capitais internacionais rentistas, atrelando o preço final ao dólar e ao mercado internacional, enriquecendo às custas da maioria do povo brasileiro.

Esta política de preços da eletricidade, da gasolina, do diesel e do gás de cozinha adotada faz parte de um conjunto de ações entreguistas, legitimadas pelo golpe político, midiático e jurídico contra a vontade da população brasileira.

Este paralisação conta também com o apoio e solidariedade da Frente Brasil Popular, Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia, bem como de todas as organizações, movimentos sociais e federações de trabalhadores que constroem uma agenda integrada de ações e engajamento em frentes parlamentares nos âmbitos nacional, estadual e municipal em defesa da soberania nacional. Em defesa da Eletrobras, da engenharia brasileira e da soberania nacional, afirmamos o nosso apoio à mobilização dos trabalhadores do setor elétrico.

Rio de Janeiro, 08 de junho de 2018.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

 

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De janeiro até abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já aprovou reajustes e revisões tarifárias de 13 distribuidoras nas Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Os impactos nas contas de luz de 37,2 milhões de consumidores variam de 5% a 25,87%. E para piorar ainda mais a situação, a bandeira tarifária será amarela em maio. Isso significa um acréscimo de R$ 1 na conta a cada 100 kWh utilizados.

Os trabalhadores e trabalhadoras já foram penalizados em 2017 com reajustes de, em média, 42,8% nas contas de luz, o que tem pesado muito no orçamento das famílias brasileiras.

Em Minas Gerais, as tarifas da Cemig-D, maior distribuidora de energia do país em número de clientes, com 8,3 milhões de consumidores, teve um reajuste médio de 25,87% nas contas este ano. Foi o maior aumento desde 2013, quando a Aneel definiu a revisão de 2,99%. Em 2008, na segunda revisão tarifária da Cemig, a Aneel determinou um reajuste negativo de -17,1%.

O diretor do Sindicato dos Eletricitários de Campinas e Região (Sinergia), Wilson Marques de Almeida, explica que as regras para a determinação de tarifas de energia no país variam de acordo com os custos e variáveis das distribuidoras de cada região. Além dos reajustes anuais, são feitos reposicionamentos tarifários a cada cinco anos.

“Essa prática é fruto da privatização feita no passado”, ressalta.

“Alguns dos aumentos que estão ocorrendo este ano é por causa dessa revisão. Já outros se dão porque o atual modelo de formulação de preços prevê esse reajuste no aniversário do contrato com a distribuidora”, explica Wilson.

Além da rentabilidade das empresas privadas de 8,09%, que incide sobre o valor das tarifas, os impostos que compõem a conta, como o ICMS, são altos. Em alguns estados, esse tributo chega a ser 33% da composição da tarifa energética.

É o que explica o engenheiro da Eletronorte e dirigente do Sindicato dos Urbanitários no Distrito Federal (STIU-DF), Ícaro Chaves. Ele reforça que esses consecutivos aumentos nas tarifas são resultado do esgotamento do atual modelo tarifário, cujos consumidores residenciais e de médio porte subsidiam os grandes consumidores.

“Enquanto tratarem a energia como mercadoria e não como serviço público, teremos dificuldade de mudar essa lógica”, critica.

Se privatizar, a conta vai aumentar

Os dirigentes explicam que, se há dificuldade no atual período para diminuir o peso da conta de luz no bolso dos brasileiros e brasileiras, isso será praticamente impossível se o golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) insistir em privatizar a Eletrobras, responsável por um terço da geração de energia do País, e suas subsidiárias - Furnas, Companhia Hidroelétrica do São Francisco, Eletronorte, Eletrosul e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica.

“Se o governo insistir no plano absurdo de desestatização, além da distribuição de energia, que foi praticamente toda privatizada no passado, vamos privatizar também o preço da transmissão e geração de energia, o que inevitavelmente recairá no valor final da conta de luz", explica o diretor do Sinergia, Wilson Marques de Almeida.

O engenheiro da Eletronorte, Ícaro Chaves, explica que a Eletrobras já atua para tentar frear o preço da energia ao repassá-la para as distribuidoras com um preço baixo, além do investimento em construção de novas usinas hidrelétricas “para gerar cada vez mais energia e puxar esse preço para baixo”.

“Porém, a lógica da empresa privada é gerar lucro. Se estamos tendo dificuldade agora, com o reajuste do custo da geração devido ao aumento do uso das fontes térmicas de energia, imagina então se privatizar. O custo de geração irá aumentar com certeza”, explica.

Ele diz ainda que a privatização da forma como o governo está anunciando irá implicar na chamada descotização. O dirigente explica que a transferência do investimento no setor, como a construção de usinas e demais obras, é paga pela população, cujo valor proporcional a cada consumidor é acrescido na conta, a chamada cotização. Depois de quitado o valor total, as contas são reduzidas.

Entretanto, a proposta de privatização do ilegítimo Temer é manter esse valor nas contas mesmo após a quitação das dívidas. “Esse dinheiro, que deveria ser descontado das contas dos consumidores, vai para o bolso do empresário. Essa é a lógica do mercado livre do setor privado. E então o que deveria reduzir a tarifa é usado para aumentar lucros”, denuncia Ícaro.

"Com a descotização a tarifa das usinas cotizadas não vai dobrar, ela vai quintuplicar. A Aneel projeta um cenário onde ela pode passar de 40 pra 250 R$/MWh", explica.

"Isso gerará um aumento imediato de 17% na conta do consumidor, segundo a própria Aneel”, diz o dirigente, ressaltando que a base da energia gerada no país é hidrelétrica e, se privatizar a Eletrobras, “além de criar um monopólio de empresas que ditarão o valor da energia, elas passarão a controlar nossas águas, que também é um bem público”.

Propostas para o setor

O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), que representa 22 mil trabalhadores e trabalhadoras do sistema Eletrobras, elaborou um documento com 10 propostas para tornar o setor elétrico brasileiro público, eficiente e para todos.

Segundo Ícaro, além de exigir que a energia seja tratada como serviço público e não uma mercadoria submetida à especulação, o coletivo propõe a reversão de todas as privatizações, alterações no marco regulatório e nos estatutos sociais das empresas do grupo Eletrobras realizadas durante a vigência do atual governo golpista de Temer.

“Por não ter sido eleito pelo povo e por não ter apresentado ao escrutino das urnas esse programa de governo privatista, o atual governo não possui legitimidade para promover essa verdadeira dilapidação do patrimônio público”, diz trecho do documento.

“Portanto, é necessária a anulação de todos os atos lesivos derivados do governo Temer, inclusive as privatizações, normas regulamentares do setor elétrico e alterações estatutárias das empresas do grupo Eletrobras que as submetem aos interesses mercadológicos de curto prazo em detrimento de seu papel como executoras de políticas públicas e de agentes do desenvolvimento nacional”, finaliza.

- Acesse aqui o documento na íntegra

 

Escrito por: Tatiana Melim/CUT
Arte: Alex Capuano/CUT

Contas de luz explodem em 2018 e privatização pode piorar

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O objetivo da campanha “Energia não é mercadoria” é mobilizar setores da sociedade envolvidos com a defesa da soberania energética brasileira, nos âmbitos nacional, estadual e municipal. 

Rede Parlamentar em Defesa da Soberania Energética e Nacional é lançada, na última terça-feira (12/9), no auditório Nereu Ramos na Câmara Federal. Na ocasião, deputados, senadores, movimentos sociais e movimentos sindicais se reuniram para potencializar a campanha “Energia não é mercadoria”, mais uma agenda de luta em defesa do setor elétrico estatal e contra a iniciativa do governo de privatização da Eletrobras. O diretor do Senge-PE e representante da Fisenge Clayton Paiva esteve presente.  O objetivo da campanha é mobilizar em torno da pauta, além da categoria do setor elétrico, os demais envolvidos na luta pela defesa da soberania nacional, no Congresso e nas casas legislativas estaduais e municipais, nos sindicatos e nas demais entidades. 

Com uma agenda intensa para os próximos dias, a Rede irá articular a aprovação de moções de repúdio às privatizações, audiências públicas e fortalecer as discussões. “Precisamos intensificar o debate para conscientizar a sociedade do que está prestes a acontecer, a luta contra as privatizações é a luta em defesa do patrimônio nacional”, afirma Clayton Paiva.  Durante o evento, os presentes aprovaram a realização de um abaixo-assinado contra a entrega da Eletrobras ao capital financeiro, para ser entregue ao Congresso até o mês de dezembro.  “A entrega da Eletrobras é tão ofensiva, que começam a surgir, inclusive, parlamentares da base do governo, principalmente, dos estados de Minas Gerais e Pernambuco”, enfatiza o diretor do Senge-PE. 

AGENDA DE LUTAS

13/9 

- Entrega do Projeto de Lei do Deputado Moisés Diniz (PCdoB/AC) contra a privatização das empresas distribuidoras do AC, AM, AL, PI, RO e RR

- Audiência Pública “O Desmonte do Estado Brasileiro” e ato em defesa das estatais, no auditório Nereu Ramos, na Câmara Federal

-  Reunião de parlamentares, entidades de empresas estatais, frentes mista em defesa da soberania nacional e defesa do setor elétrico brasileiro, na Câmara dos Deputados

14/9

- Audiência pública na Câmara dos Vereadores de Petrolina-PE

- Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Pará

15/9

- Ato político em defesa da Eletronorte, em Belém-PA

- Ato político em defesa da Chesf, com a presença dos governadores do Nordeste, em Penedo-AL

20/9 

- Café da manhã com a bancada de Minas Gerais e entidades para barrar o leilão da CEMIG, na Câmara dos Deputados

21/9

- Seminário no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro

- Audiência pública na Assembleia Legislativa da Paraíba em defesa da Eletrobras e Chesf, em João Pessoa-PB

22/9

- Manifestação contra o leilão da hidrelétrica Porto Primavera, em Porto Primavera-SP

25/09

- Audiência pública em defesa de Furnas, em Passos-MG

26/9

- Audiência pública “O novo modelo energético e seus impactos nas regiões e sobre os trabalhadores/as”, na Câmara dos Deputados

27/9

- Audiência com o ministro de Minas e Energia para discutir o modelo energético do governo Temer

28/9 

- Audiência pública em defesa da CEPISA e CHESF na Assembleia Legislativa do Piauí, em Teresina-PI

3/10

- Ato Nacional contra as privatizações, greve nacional do setor energético

- Manifestação nas sedes da Eletrobras e Petrobras, no Rio de Janeiro

4/10

- Audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis-SC

6/10

- Manifestação em defesa da Chesf, em Petrolina-PE

Fonte: Marine Moraes/Senge-PE

 

Parlamentares e movimentos sociais lançam Rede Parlamentar em Defesa da Soberania Energia e Nacional

 

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