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Corte nos recursos federais afeta de forma alarmante o orçamento destinado à ciência e tecnologia brasileira. Cientistas estão buscando melhores condições fora do país.

 

 Por Laura Ralola com entrevistas de Camila Marins

 

Em março deste ano o governo anunciou corte de 44% no orçamento federal destinado à Ciência, Tecnologia e Inovação. A redução de investimentos em uma área tão importante para o desenvolvimento do país preocupa especialistas, que caracterizam a ação como irresponsável e desprovida de senso de futuro. A medida compromete o incentivo à pesquisa e o funcionamento de centros e laboratórios. Em consequência, cientistas estão deixando o país em busca de condições de trabalho propícias, levando com eles importantes saberes para bem longe de nossos quintais.

O governo Temer deu indícios precoces que o incentivo à pesquisa, ciência e  tecnologia (C&T) não estava na lista de prioridades do plano não eleito nas urnas. Logo quando tomou posse, em maio de 2016, o presidente anunciou a junção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações com o Ministério das Comunicações. A ação foi bastante criticada na época por resultar em menos atenção para ambos. No mesmo contexto, a Pec do Teto dos gastos públicos aprovada, que congela por 20 anos investimentos, fragiliza ainda mais a situação, inviabilizando futuros projetos para a inovação nacional.

O diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro (Senge - RJ), Agamenon Oliveira, define como alarmante o contexto político e econômico atual. “É uma questão da crise do Estado nacional”, enfatiza. Para ele, uma série de medidas que caminham para o desmonte de nossa soberania estão sendo tomadas. Em pouco mais de um ano, o governo Temer já representa uma série de retrocessos. Pensando especificamente na C&T, o governo levou o país para mais de uma década no passado. 

O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações já estava em um patamar baixo antes do corte recente. O Projeto de Lei Orçamentária anunciado no fim de 2016 prometia para a área investimento de R$ 5,2 bilhões (praticamente metade do que foi investido em 2014). Em 2017 este número foi cortado em R$ 2,2 bilhões, ou seja, em 44% do orçamento previsto para o ano.

Foi no contexto dos cortes em C&T que a pesquisadora Suzana Herculano-Houzel optou por deixar o país. O desmonte da produção científica e tecnológica está levando muitos pesquisadores a, assim como ela, buscarem alternativas no exterior, com o intuito de garantir a continuidade de suas pesquisas. Suzana é mundialmente conhecida por seu trabalho de pesquisa em neurociência e há alguns meses, impossibilitada de dar continuidade à pesquisa no país, migrou da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a Vanderblit University, nos Estados Unidos. O caso de Suzana ganhou repercussão e intensificou a discussão sobre o fenômeno chamado de Fuga de Cérebros, que se fortalece no atual cenário. 

 

CORTES DRÁSTICOS

O orçamento em queda do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações nos últimos anos. Despesas MCTIC (bilhões de reais). 

Vermelho: Proposto.

Verde: Gasto.

 Uma ‘fuga de cérebros’ ameaça o Brasil e a soberania nacional

 

Fonte: Reportagem Nature, principal revista de conhecimento científico do mundo, publicada em abril de 2017. 

http://www.sbq.org.br/noticia/brazilian-scientists-reeling-federal-funds-slashed-nearly-half

 

Ciência, tecnologia e desenvolvimento nacional

A saída de cientistas e pesquisadores do país representa uma enorme ameaça à produção nacional do conhecimento. Em entrevista à Fisenge a Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Naider, afirmou que conhecimento significa hoje desenvolvimento econômico e social. “Significa produção de riqueza, ou seja, lucro para as empresas, salário para os trabalhadores e impostos para o governo; significa garantir a qualidade de vida das pessoas”. Para Helena, a principal fonte de sustentação de uma economia está no desenvolvimento e aplicação do conhecimento científico e tecnológico. “O mundo vive hoje a economia do conhecimento”, completa.

De acordo com o ex-Ministro de C&T, Clélio Campolina, ciência e tecnologia são fundamentais para um projeto de desenvolvimento nacional. Para ele é necessário não apenas apoiar e incentivar a produção científica, mas também “fazer a ponte da produção científica com as políticas públicas e sistema produtivo”. Agamenon Oliveira aponta que a ciência está diretamente ligada com a própria tecnologia. Isso quer dizer que as tecnologias são, em grande parte, aplicações de conhecimento científico. “O próprio desenvolvimento da ciência fertiliza o desenvolvimento tecnológico”, explica.   

Campolina acredita que a engenharia possui um papel central na construção de um projeto de desenvolvimento. De acordo com ele, “toda a base material depende do avanço da C&T, e a engenharia é a instância que operacionaliza concretamente todo esse avanço científico e tecnológico do ponto de vista produtivo”. 

Agamenon aponta os trabalhos realizados pela Petrobrás e importantes centros de pesquisa, como, por exemplo, o Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ. “Somos hoje liderança na área de petróleo e gás e isso é um reflexo de investimento em C&T”, afirma. Os trabalhos realizados pela Petrobrás e institutos de pesquisa se tornaram referências mundiais e são, segundo o engenheiro, fundamentais para o desenvolvimento na área. O ex-ministro Campolina enfatiza que o Brasil mostrou competência científica e tecnológica em relação ao petróleo, que deveria ser uma prioridade social. 

De acordo com Helena, mesmo a geração de produtos primários exige, hoje, a participação intensa da ciência e da tecnologia. A professora cita como exemplo o crescimento da produção brasileira em alimentos, resultado do trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), juntamente com as faculdades de agronomia, zootecnia e veterinária. “Há trinta anos, importávamos alimentos; hoje, somos um dos maiores produtores e exportadores mundiais”, aponta. Ainda para a professora, o governo está cometendo o equívoco de considerar educação e ciência, tecnologia e inovação como despesas, e não como investimentos. Ao limitar bruscamente os investimentos em ciência, o governo joga o Brasil para o retrocesso econômico e social.

 

Desmonte das instituições de pesquisa

Desde que os cortes se intensificaram, a situação se alarma em universidades, laboratórios e centros de pesquisa espalhados pelo país. A crise na ciência pode ser percebida em nível nacional com redução do quadro de bolsas, liberação de recursos a conta gotas, sucateamento de laboratórios e até mesmo projetos já aprovados estão tendo seus orçamentos reduzidos. 

De acordo com Paulo Lyra, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), C&T não pode ter descontinuidade, pois isso “gera desmonte de equipe e impasses no planejamento, colocando em risco o estudo como um todo e representando enorme perdas para avanços científicos e tecnológicos do país”, aponta o professor. Rita Ferreira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), também relata problemas com os cortes governamentais para a Educação Pública Superior na instituição.

O orçamento em queda do MCTIC ameaça o trabalho de importantes laboratórios que atuam nas mais diversas áreas. O Brasil possui hoje importantes centros de pesquisa, como o Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem, a Fundação Oswaldo Cruz de Recife, que vem realizando necessárias pesquisas sobre o Zika Vírus, o Centro de Pesquisa da Petrobrás (CENPES) e o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL), dentre tantos outros.

O programa Ciências Sem Fronteiras teve seu fim anunciado em março de 2017, após cinco anos de atividades. De acordo com o portal oficial do programa, foram mais de 73 mil bolsas de graduação e 9 mil de doutorado concedidas. Neste mesmo contexto, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) vive a maior crise de sua história. Desta forma, fica realmente complicado para o pesquisador fazer ciência no país. 

Quem se beneficia com o desmonte da produção científica e tecnológica?

A existência de um sistema dinâmico e robusto de geração de ciência, tecnologia e inovação é, para Helena Naider, um traço que caracteriza os países desenvolvidos, juntamente com um sistema educacional eficiente e universal. A professora enfatiza que as atuais medidas distanciam o Brasil desses países, que investem cada vez mais em C&T. Ela afirma, ainda, que a brusca limitação de investimentos afeta a dignidade dos pesquisadores: “seremos impedidos de trabalhar com um mínimo de condições e com certeza olhados com comiseração e pena pelos cientistas de todo o mundo”.

Helena menciona o caso da China, que, diante de uma crise econômica, optou pelo incentivo à C&T, entendendo ser esta uma plataforma importante para alavancar a economia do país. De acordo com Agamenon, empresas chinesas estão bastante interessadas na compra de ativos brasileiros, especialmente nos setores de energia, transporte e agronegócio. “As empresas chinesas têm um interesse estratégico na região [norte/nordeste], buscando montar um enclave que ameaça a soberania nacional”. 

A crise que o Brasil vive gera, por fim, oportunidade para outros países. O desmonte da produção científica e tecnológica compromete a autonomia nacional. Significa entregar nossos recursos ao capital estrangeiro para que façam por nós algo que temos condições de fazer. “O comportamento do mercado internacional é extremamente capitalista e quem sai perdendo é o consumidor, já que as empresas chegam visando lucro e implementando o que lhes for conveniente”, aponta Agamenon.

Campolina afirma que a situação é conturbada e que é difícil prever os acontecimentos. Para o ex-ministro, entretanto, é justamente na crise que temos que construir a busca de saídas e alternativas. “Conseguiremos resultado se mobilizarmos a sociedade. Não adianta uma reflexão acadêmica, teórica, de forma isolada. Ela tem que ganhar a sociedade e as ruas, em termos de mobilização, para que se viabilize”, enfatiza.

Neste contexto surge a campanha Conhecimento Sem Cortes, mobilizada por cientistas, estudantes, professores, pesquisadores e técnicos. Lançado em junho deste ano, o principal objetivo do movimento é denunciar o desmonte das instituições de pesquisa por consequência das reduções do orçamento e buscar o apoio da sociedade para reverter o cenário.

A campanha é uma realização da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ), o Sindicato dos Institutos Federais do Rio de Janeiro (Sintifrj), a Associação dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais (Apubh) e a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), em parceria com várias organizações, dentre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Apesar das pistas e indícios, a ciência não é um campo certo em termos de resultado, não é possível prever o resultado de um estudo. Ciência só se faz com muita pesquisa e dedicação, e não se faz pesquisa sem financiamento. “Às vezes se estuda algo por vinte ou trinta anos e não se chega a resultado nenhum. O que é, por si, um grande resultado”, explica Agamenon. 

Para chegar às respostas, é necessário focar nas perguntas. A qualidade dos investimentos vai determinar as descobertas. As perguntas precisam ser boas e estimuladas para que encontremos respostas precisas. 

 

Uma ‘fuga de cérebros’ ameaça o Brasil e a soberania nacional

Crédito foto: Fotos Públicas

 

 

 

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Estudo divulgado, no dia 22/6, pela Editora Elsevier, considerada referência em produção científica no mundo, revela que Brasil e Portugal têm os maiores percentuais de participação feminina na produção científica dos países: 49%, considerando o quinquênio 2011-2015. No caso brasileiro, houve um crescimento significativo na comparação com 1996-2000, quando 38% da pesquisa do país eram feitos por mulheres.

O estudo Gender in the Global Research Landscape (Gênero no Cenário Global de Pesquisa, em tradução livre) mede o desempenho da pesquisa e representação de gênero em 12 países ou regiões geográficas (somente a Comunidade Europeia tem 28 países) e 27 disciplinas.

“O Brasil evoluiu bem em termos de presença feminina na pesquisa científica. No primeiro quinquênio pesquisado, já havia uma participação importante e nesse último quinquênio, a participação feminina pulou para 49%, colocando o Brasil em primeiro lugar junto com Portugal”, disse o vice-presidente de Relações Acadêmicas para a América Latina da Elsevier, Dante Cid.

Segundo ele, a participação das mulheres na pesquisa científica tem crescido em todas as regiões analisadas. No Brasil, está “praticamente com empate técnico” em relação aos homens, que aparecem com 51%. Nesse último quinquênio, o país que ficou mais abaixo em termos de participação feminina foi o Japão (20% contra 80% de presença masculina), embora o número de pesquisadoras tenha evoluído em comparação ao quinquênio analisado anteriormente (15%). “Mas ainda é bastante baixo por questões culturais, profissionais locais. Já o Brasil está conseguindo equilibrar bastante essa questão.”

Entre 1996 e 2000, nos 12 países ou regiões estudados, apenas em Portugal o percentual de participam mulheres na produção científica superava 40% do total. Já no período 2011-2015, nove países ou regiões mostraram participação de pesquisadoras igual ou superior a 40% (Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, União Europeia, França, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos). De acordo com o estudo, apenas Chile, México e Japão têm participação de mulheres na produção científica abaixo desse percentual.

Disciplinas

A análise feita por disciplinas revela que a presença feminina na pesquisa científica é muito maior que a masculina no Brasil em áreas ligadas à saúde, como medicina, bioquímica, genética, odontologia e enfermagem. Já os homens são maioria nas ciências exatas, entre as quais engenharia, física, computação, energia e ciências econômicas.

Segundo Dante Cid, entre as pesquisadoras da base de dados da Elsevier, 24% se dedicam à medicina; entre os homens, esse percentual é de 17%, ou 80,6 mil mulheres e 65 mil homens, em números absolutos.

Por causa desse perfil, o representante da Elsevier calcula que no próximo quinquênio a ser analisado, a participação de mulheres na produção científica brasileira deve ultrapassar de homens, em especial na área de saúde. “É muito possível que o percentual de mulheres no futuro próximo venha superar o dos homens."

De acordo com a diretora da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a doutora em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Márcia Barbosa, a menor presença feminina na área das ciências exatas é um fenômeno mundial. “Eu descobri que era um ET[extraterrestre] no primeiro dia na faculdade de física”, lembrou. Dos 40 alunos no curso, segundo ela, quatro eram mulheres, mas apenas ela se formou.

Para a pesquisadora, as origens da baixa participação das mulheres nas áreas exatas está relacionada à maneira como se educam e ensinam as crianças, que associam desde pequenas máquinas e equipamentos a atividades masculinas, ao passo que as mulheres são ensinadas a ser mais sociais e a não serem vistas como “nerds”, pessoas muito dedicadas aos estudos.

Patentes

O estudo constatou também que a presença feminina em relação a patentes é muito baixa no mundo inteiro. “Não chega a 20%”, destacou Cid. O país que tem presença maior feminina neste setor é Portugal, com 26%. O Brasil aparece em segundo lugar, com 19%, contra 11% no quinquênio anterior, superando países como França (17%), Estados Unidos (14%), Reino Unido (12%), Austrália (12%).

Igualdade

Na avaliação da diretora da ABC , o crescimento da participação feminina nas publicações científicas é um bom sinal para as pesquisadoras brasileiras.

“Significa que as coisas, lentamente, estão melhorando, mas, ao mesmo tempo, ainda não refletiu no poder. A gente está em igualdade de posições entre as pesquisadoras, mas o grande desafio é tentar manter essas pesquisadoras no mercado de trabalho, na medida em que avançam na carreira”, ponderou.

Segundo Márcia, é preciso estimular a presença e permanência de mulheres na produção científica. “Ter mais diversidade, pessoas com culturas diferentes, traz ideias novas para o ambiente de trabalho”, destacou. “O que a gente precisa fazer agora é manter essas mulheres no ambiente de pesquisa, viabilizando que elas possam crescer na carreira”, acrescentou.

Edição: Luana Lourenço
Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Brasil e Portugal têm maior percentual de mulheres na produção científica

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O III Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado na quinta-feira (8), em Belo Horizonte (MG), teve entre os palestrantes Clélio Campolina Diniz, engenheiro mecânico e de operação, ex-reitor da UFMG e Ministro de Ciência e Tecnologia e Inovação em 2014, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). Na avaliação de Diniz, diante o cenário de crise mundial, “o capitalismo formal fracassou e o futuro está politicamente indeterminado”.

“No meu entendimento o capitalismo é um produto histórico, e tudo que é produto histórico tem um fim histórico. A grande pergunta é quando ele será destruído, em quanto tempo e o que virá no lugar. Eu acho que isso é uma tarefa nossa. Nós temos que encontrar a saída”, provoca.

“O capitalismo formal fracassou”, diz ex-ministro de Ciência e Tecnologia

Segundo o ex-ministro, a crise estrutural internacional contemporânea é profunda e diferente das anteriores, pelas seguintes características: o desemprego é estrutural; há uma proliferação de armas e guerras – e as guerras nunca ocorrem nos territórios das potências dominantes, que sempre estão no ataque; a imigração ocorre em massa, mostrando o colapso das antigas colônias; há um avanço do fundamentalismo religioso, com novas formas de conflito; a corrupção é generalizada; a concentração de renda cresce e se converte em um problema até para o capitalismo, que precisa de mercado; os problemas climático e ambientais se aprofundam; e a insegurança digital avança, a exemplo do que aconteceu nas eleições americanas e a desconfiança de que houve interferência da russa.

“Os paradigmas de sociedade que estão aí estão superados. A história não anda para trás”, completou.

Geopolítica mundial

Em sua explanação, Diniz apresentou dados e análises sobre o cenário mundial de crise política e econômica, e da fragilização do modelo capitalista. O engenheiro mostrou mapas mundiais com a comparação do tamanho dos territórios, dos PIBs e da população. A desproporção das imagens demonstra a centralidade destes três fatores para a análise global. Quando o fator em jogo é o PIB, o mapa da escala geográfica, conhecidos nos mapas tradicionais, incha da metade norte e encolhe no sul do globo. Já com quando o recorte é o tamanho da população, a Ásia se destaca. “São variáveis importante para discutir uma geopolítica do mundo”.

Europa Ocidental, Japão e EUA concentram 78% do PIB mundial e 64% das exportações, enquanto ocupam apenas 13% da área global e têm 12% da população.

Diniz chama atenção para o crescimento da China no que diz respeito ao PIB e às exportações. Com relação ao PIB, a potência saiu de 1,6% em 2000 para 9,8% do ranking global em 2014. O Brasil, no mesmo período, passou de 0,8% para 2,1%. Nas exportações, os chineses comprovam a intencionalidade dos investimentos na indústria: em 2000, o índice era de 0,6%, e 14 anos depois chega a 33,5%. No Brasil, o crescimento foi de 0,1% em 2000 para 1,1% em 2014.

No ranking de exportação de manufaturas, a China passa da 6ª posição em 2000, com 4,7%, para a 1ª posição, com 18,8%, em 2015. O mesmo se repete com a produção de manufaturas, em que o país ocupa o topo da lista, com 19,8%.

No Brasil, os setores mais sofisticados tecnologicamente são os que mais estão perdendo com a crise, de acordo com o Diniz. “Voltamos a ser um exportador de produtos primários”, lamenta. Segundo ele, neste período ficam evidentes as marcas escravidão, de um campo com concentração fundiária e com agricultor sem-terra, e de um Estado patrimonialista e cartorial.

A ciência e a tecnologia, na avaliação do ex-ministro, não servem para o bem da vida, e sim tem sido, ao longo da história do capitalismo, armas de competição. “Se nós vamos ser capazes de dominá-la, eu não sei”.

Saídas

Como bases para uma mudança de paradigmas da organização do Estado, Diz aponta a necessidade de garantir bem estar material, justiça social, sustentabilidade ambiental e soberania dos povos. Mas alerta para a necessidade de um planejamento estrutural e intecionalizado, que leve em conta a complexidade da sociedade brasileira, e que seja aplicado com um processo em constante avaliação e adaptação.

Entre as mudanças estruturais mais urgentes, aponta a reforma do Estado por meio de uma Constituinte, feita com participação popular. A reforma tributária deve passar a onerar mais as faixa da população com maiores rendimentos, e não o contrário, como ocorre no sistema atual.

Educação básica integral e de qualidade é outra proposta de Diniz, para o avanço em “igualdade de condições”. Na avaliação dele, manter a qualidade da educação precária é parte de uma estratégia de submissão. “O dia que você resolver a educação básica, você deixa de ter serviçais”.

O problema habitacional e de mobilidade urbana também precisa ser enfrentado. De acordo com pesquisas feitas a partir da renda de capitais brasileiras, o pesquisador constata uma profunda desigualdade: o rendimento médio da população do centro é 20 vezes maior do que a da periferia. A disparidade se repete quanto o índice medido é o de educação.

Diniz sugere uma reorganização territorial do país, com a criação de “policentros urbanos” nas regiões ainda não urbanizadas. Hoje com a densidade demográfica urbana está concentrado na faixa litorânea. E cobra o desenvolvimento de infraestruturas a partir do interesse público: “A infraestrutura não pode ser feita pela lógica do mercado, tem que ser para o bem da sociedade”. Para a reforma estrutural do Estado, aponta a convocação de uma Constituinte como essencial.

Diante do cenário de crise e da necessidade de construção de novas alternativas para a democracia brasileira, Diniz cobra uma autoavaliação sincera por parte das forças progressistas: “A gente tem que fazer autocrítica também, se não nós não vamos construir soluções. É desagradável, mas nós temos que fazer”.

“Nós temos que ser dialéticos na análise e cartesianos na ação. Nós temos que discutir os problemas, identifica-los, mas nós temos que politiza-los e partir imediatamente para a busca de caminhos de ação. Ou ficamos no nível do discurso, sem conseguir concretizar”, conclui.

>> Acesse aqui o site e o Facebook do SOS Brasil Soberano

Por Ednubia Ghisi, do Senge-PR / Foto: Alessandro Carvalho

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Mais de 300 cientistas enfrentaram a chuva na manhã deste sábado para participar da edição carioca da Marcha Pela Ciência – Brasil. A atividade aconteceu em frente ao Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista. Com máscaras do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do presidente Michel Temer, os pesquisadores formaram uma orquestra de tesouras em protesto contra os cortes na área de ciência, tecnologia e inovação.

“Hoje, vivemos uma situação crítica. Com todas as perdas que temos vivenciado, a ciência estará desmontada para responder aos novos desafios que surgirem na nossa sociedade e no mundo”, avalia o diretor científico da Faperj, Jerson Lima Silva.

Roberto Leher, reitor da UFRJ, destacou que hoje as universidades federais estão com aporte orçamentário 14% inferior ao do ano passado. “Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações amarga um orçamento que corresponde à metade do que era o do MCT em 2005”.

Um dos organizadores do "tesouraço", Ildeu Moreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) comemorou o resultado: "Apesar do mau tempo, conseguimos que um grande público participasse da atividade. O ato foi bastante significativo, com importantes instituições de pesquisa no Rio de Janeiro e renomados cientistas".

A Marcha pela Ciência é um evento mundial com manifestações em mais de 500 cidades no globo. No Brasil, participam 25 municípios. A sede mundial da Marcha é Washington, nos Estados Unidos, onde o movimento se originou. No Rio, o ato foi promovido pela Adufrj, com o apoio da SBPC, da Fundação Oswaldo Cruz e do Sintufrj.

Marcha Pela Ciência reuniu centenas no Rio

Fonte: Silvana Sá / ADUFRJ

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Em artigo publicado nesta quarta (19/4), o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, faz um convite para a participação na Marcha pela Ciência e analisa a conjuntura política e econômica do país. O evento mundial terá sua edição no Museu Nacional da UFRJ no próximo sábado, das 10h às 14h, na Quinta da Boa Vista e tem apoio nacional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Marcha pela Ciência: gesto contra a ofensiva irracionalista no mundo

Confira a íntegra do texto:

Marcha pela Ciência: um gesto contra a ofensiva irracionalista no mundo

O Brasil caminha na contramão do que seria a melhor estratégia para enfrentar uma crise econômica: investir em conhecimento científico, pesquisa e inovação. Não nos faltam exemplos de povos que também passaram por momentos dramáticos nesse sentido, mas que apostaram no fortalecimento das universidades, dos institutos públicos de pesquisa e do aparato de Ciência e Tecnologia, por meio dos blocos de poder que se reconfiguravam no calor das lutas sociais.

Foi assim no contexto da Revolução Francesa, em que as grandes Écoles e universidades foram apoiadas vigorosamente; na criação da Universidade de Berlim, que se deu em um contexto de severa crise e de guerra; e na crise de 1929, em que a universidade estadunidense foi ampliada progressivamente e a pesquisa foi fortalecida com forte apoio estatal. Países como a China respondem à crise econômica mundial com mais investimentos em ciência.

O dramático quadro da economia no Brasil ganhou novos contornos com o agravamento da crise política. Como corolário, é tomado ainda por uma tectônica crise de legitimidade do Executivo, da grande maioria do Legislativo, de setores do Judiciário e de vastos segmentos da grande imprensa.

Diante de um contexto tão desolador, em que o futuro torna-se carregado de incertezas, decisões erradas podem comprometer de modo duradouro o porvir. Entre as muitas decisões que estão sendo tomadas contra os direitos humanos, é preciso destacar a desregulamentação e a flexibilização dos direitos trabalhistas, a inviabilização do sistema previdenciário, em prol da previdência por capitalização vinculada aos bancos, e o estrangulamento dos recursos para as universidades e os órgãos de fomento.

Embora aparentemente desconexas, as medidas que rebaixam os direitos do trabalho evidenciam que o país estará cada vez mais inserido em circuitos produtivos baseados nas atividades laborais simples, prescindindo, por isso, de um robusto sistema universitário e de ciência e tecnologia.

A planilha orçamentária das universidades federais em 2017 é 13% inferior ao já exíguo orçamento de 2016, ano em que muitas universidades não puderam pagar suas contas básicas. Os cortes e contingenciamentos efetuados no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em 2017 tornam o seu orçamento equivalente a menos da metade do existente em 2005, e ainda com o agravante de que a ciência cresceu de modo importante e o ministério não incluía a área da Comunicação: é devastador.

E novos contingenciamentos rondam as universidades e os laboratórios e grupos de pesquisa. A rigor, conforme as previsões oficiais, em 2017 e 2018 não haverá recursos novos para pesquisa, descontinuando investigações e grupos de pesquisa, em domínios cruciais como arboviroses, energia, agricultura, saúde, educação e cultura. A retomada não será simples.

São muitos os motivos que devem levar a sociedade a apoiar a Marcha pela Ciência, no próximo dia 22 de abril. Mais de 500 cidades do mundo inteiro estão mobilizadas para defender uma produção científica independente e indispensável para a vida dos povos. No Rio de Janeiro, a manifestação acontecerá no Museu Nacional da UFRJ e nossas universidades, professores, estudantes, técnicos-administrativos e demais trabalhadores devem se animar a participar do movimento.

Essa manifestação entusiasmada e crescente é inspiradora e enche de esperança os que se dedicam de corpo e alma à ciência, à tecnologia, à arte e à cultura. Além da luta contra o desmonte da universidade e da pesquisa, é um gesto contra a ofensiva irracionalista que insiste em turvar o futuro das nações. É fundamental que todos apoiem e participem das atividades e, também, das outras manifestações públicas programadas pelos setores democráticos em prol dos direitos sociais e, em particular, do desenvolvimento da imaginação criadora das crianças e jovens que protagonizam a vitalidade das instituições educacionais!

Roberto Leher

Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

Cidade Universitária, 19/04/2017

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A comunidade científica brasileira irá se juntar ao movimento mundial em defesa da ciência e irá organizar a Marcha pela Ciência no Brasil no próximo sábado (22), em mais de 15 cidades, como São Paulo (SP), Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ) e Petrolina (PE).

De acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a adesão ao movimento é importante em um momento no qual a atividade científica é ameaçada com mudanças em políticas públicas, redução e desvio de verbas, além da partidarização política da ciência e da tomada de decisões políticas levam em consideração as evidências científicas.

“Esperamos, ainda, que as sociedades científicas também convidem seus associados e amigos a participar do evento, que deverá dar início a um grande movimento planetário pela ciência como um bem comum de toda a humanidade”, afirmou Helena Nader, presidente da SBPC.

Leia mais abaixo:

Do Jornal da Ciência

Marcha pela Ciência no Brasil é neste sábado. Participe!

Mais de 15 cidades brasileiras estão organizando manifestações satélite e, somente em São Paulo, cerca de 1500 pessoas já confirmaram presença. A presidente da SBPC, Helena Nader, reitera que o apoio de todos torna-se fundamental em um momento em que a atividade científica sofre ameaças como mudanças em políticas públicas, redução e desvio de verbas e de financiamentos públicos

Toda a comunidade científica está convocada para marchar em defesa da ciência neste sábado, dia 22 de abril. A Marcha pela Ciência será realizada em mais de 400 cidades em todos os continentes, sobretudo nos Estados Unidos, onde começou a iniciativa, e Europa. A SBPC ressalta que é fundamental da adesão de todos os estados brasileiros à manifestação, em um momento em que a atividade científica sofre ameaças como mudanças em políticas públicas, redução e desvio de verbas e de financiamentos públicos, partidarização política da ciência e tomada de decisões políticas que não levam em consideração as evidências científicas.

No Brasil, a marcha será realizada em mais de 15 cidades, como São Paulo, Natal (RN), Rio de Janeiro e Petrolina (PE). A expectativa é que a Marcha no Brasil tenha adesão massiva em todos os estados. Em São Paulo, cerca de 1500 pessoas já confirmaram presença na manifestação, que parte do Lago da Batata, a partir das 14h.

Organizada por cientistas e entusiastas que reivindicam maior reconhecimento da sociedade e dos governantes, a mobilização teve início nos Estados Unidos e já ultrapassa a marca de 400 marchas satélites em diversos países, envolvendo instituições de ponta em ciência e educação.

A data escolhida para o manifesto, 22 de abril, coincide com o Dia Internacional da Terra, e representa a união dos cientistas e da sociedade em geral pela valorização das pesquisas na manutenção de políticas públicas e o incentivo para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis.

Reunindo o maior número possível de instituições e parceiros, a Marcha pela Ciência pretende disseminar a ideia de que a ciência é fundamental para a construção de políticas e regulamentos de interesse público.

No dia 30 de março, a SBPC divulgou uma carta de sua presidente, Helena Nader, convocando toda a comunidade científica a participar da manifestação. Na carta, Nader ressalta que o objetivo é reunir pessoas de toda a comunidade científica e acadêmica, e todos os interessados na ciência como um bem comum para a melhoria da qualidade de vida de todos, e como o melhor instrumento para a evolução do conhecimento humano.

“Esperamos, ainda, que as sociedades científicas também convidem seus associados e amigos a participar do evento, que deverá dar início a um grande movimento planetário pela ciência como um bem comum de toda a humanidade”, afirmou.

Mapa da Marcha pela Ciência no Brasil

Um grupo organizado no Facebook, com o nome Marcha pela Ciência no Brasil, criou um mapa dinâmico das marchas pela ciência no Brasil, com informações como o website do evento, horário e local.

“O principal objetivo deste mapa é motivar outras cidades a aderirem e, também, manter as atividades de forma organizada e fácil de conferir”, conta Tatiana Rappoport, professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que atua na organização da Marcha carioca.

O mapa (que pode ser acessado aqui) foi feito por ela e pelo divulgador científico e pesquisador colaborador da Unicamp, Roberto Takata. Os organizadores das marchas pelo País só precisam dar o nome da cidade que automaticamente o serviço plota no mapa junto com outras informações fornecidas, conforme explica Takata.

Até o momento, 15 cidades divulgaram no mapa sua adesão ao movimento no dia 22 de abril:

Belém (PA) – 10h – Theatro da Paz;

Belo Horizonte (MG) – 10h – Praça da Liberdade;

Boa Vista (RR) – 18h -Praça das Águas;

Brasília (DF) – 14h – Museu Nacional da República;

Diamantina (MG) – 8h – Praça Barão Guacuí;

Goiânia (GO) – 16h – Praça Universitária;

Ilhéus(BA) – 10h00 – Cais Consciência.

Manaus (AM) – 10h30 – Musa do Largo;

Natal (RN) – 16h – Parque da Cidade;

Pato Branco (PR) – 15h – Praça da Cidade;

Petrolina (PE) – 9h – Praça do Bambuzinho;

Petrópolis (RJ) – 10h – Centro Histórico;

Porto Alegre (RS) – 11h – Redenção – Pq. da Farroupilha;

Rio de Janeiro (RJ) – 10h – Museu Nacional;

São Paulo (SP) 14h – Largo da Batata;

Petrópolis (RJ) – 10h – Centro Histórico;

Marcha pela ciência no Brasil ocorre em mais de 15 cidades neste sábado

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A ciência brasileira sofre com o acesso a recursos cada vez mais escassos. Em 30 de março, foi anunciado um congelamento de 44% do orçamento inicialmente previsto para o Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações em 2017. Se o corte for confirmado ao longo do ano, será o menor orçamento destinado ao ministério desde 2005. O gráfico abaixo mostra a trajetória dos recursos destinados à pasta. São despesas executadas pelo ministério (com valores corrigidos pela inflação até 2016) e a previsão para 2017, já com o corte recém-anunciado.

O Brasil vive um ajuste fiscal aplicado pelo governo de Michel Temer que significou um corte de R$ 42 bilhões nos gastos previstos do Poder Executivo em 2017. O Ministério da Ciência foi atingido em cheio: dos R$ 5 bilhões previstos na Lei Orçamentária, a pasta terá apenas R$ 2,8 bilhões.

Contabilizando os recursos do Programa de Aceleração de Crescimento, em projetos que são de responsabilidade do Ministério da Ciência, a pasta terá no total R$ 3,275 bilhões para custeio e investimento - o que representa apenas 0,35% dos gastos totais da União em 2017.

O corte anunciado no fim de março vem numa sequência de contingenciamentos de orçamento desde 2014. E, agora,  levanta discussão e reclamações na comunidade científica. Nesse sentido, está marcada para o dia 22 de abril a Marcha pela Ciência no Brasil.

A marcha acontece em todo o mundo, para promover a atividade científica na sociedade e chamar a atenção para importância da produção de ciência. No Brasil, nunca teve muita participação, mas agora, em 2017, com os cortes orçamentários na pauta, promete atrair mais gente. “Utilizaremos tesouras, pequenas e grandes (de papelão), para simbolizar os cortes (organizando um ‘tesouraço’) e, ao final da atividade, as tesouras serão descartadas em um grande recipiente”, disseram ao “Jornal Ciência” os organizadores do protesto, que incluem integrantes de entidades de professores e pesquisadores do Rio de Janeiro.

Os organizadores criaram um grupo no Facebook a fim de mobilizar a comunidade científica para o evento, que está confirmado em ao menos 13 cidades brasileiras.

Um artigo na revista científica “Nature” chama a atenção para como o corte deixou cientistas brasileiros “horrorizados”. O neurocientista Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, disse à revista que “este é um ato de guerra contra o futuro do Brasil. Cientistas vão deixar o país”. Ele refere-se à chamada “fuga de cérebros”: com a falta de dinheiro para fazer pesquisa, as melhores cabeças vão para universidades estrangeiras.

Em um debate organizado pelo jornal “Folha de S.Paulo” no fim de março, pesquisadores também cobraram financiamento e reconhecimento para a ciência feita no Brasil. O físico e presidente da Associação Brasileira de Ciência, Luiz Davidovich, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), disse que há cientistas na universidade que não conseguem fazer pesquisa porque não têm verba para importar insumos. “A maioria não percebe o papel estruturante da ciência e tecnologia na construção do país”, disse o físico no debate organizado pelo jornal.

Para entender o impacto dessas medidas, o Nexo fez duas perguntas às seguintes especialistas: Mayana Zatz, professora titular do Instituto de Biociências da USP Helena Nader, professora titular da Unifesp, e presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

O que a ciência brasileira perde com os cortes no orçamento?

MAYANA ZATZ O Brasil já tinha, antes dos cortes, um orçamento próximo a 1% do PIB,  muito inferior aos países do primeiro mundo para a pesquisa científica e tecnológica. Israel e Coreia do Sul tem mais que 4%, a  União Europeia pretende chegar a 3% do PIB  no ano 2020. Com esse corte e com a enorme burocracia torna-se cada vez mais difícil fazer uma pesquisa competitiva no Brasil. Além de não conseguirmos atrair pesquisadores do exterior, temo que vamos perder muitos jovens cientistas que não verão um futuro no nosso país. Se não pudermos reverter essa situação, esse corte nos afastará cada vez mais da ciência internacional.

HELENA NADER Perde muito, em muitos aspectos. Perde em quantidade. Com o corte havido, certamente muitos projetos de pesquisa hoje em andamento terão de ser paralisados ou evoluir de maneira tímida, e tantos outros projetos ficarão apenas no papel, pois não haverá recursos para financiá-los. Ou seja, vamos produzir menos ciência. Perde em participação na ciência mundial. Nos últimos 20 anos, como resultado dos investimentos crescentes, nossa produção científica se multiplicou por sete, enquanto a produção científica mundial cresceu 2,8 vezes. Com os cortes, não conseguiremos manter esse ritmo. Ou seja, nossa participação na produção científica mundial vai diminuir. A qualidade da nossa ciência medida pelo número de citações, índice h, entre outros, melhorou ao longo dos anos. Com certeza, haverá um efeito também evidente na qualidade da ciência aqui produzida. A internacionalização da ciência brasileira medida pelo número de artigos com participação de autores de outros países, que é ainda pequena comparada à de outras nações, também estacionará ou declinará. Perde em manutenção da infraestrutura instalada. Qualquer equipamento exige manutenção permanente. Em muitos laboratórios há equipamentos sofisticados, que exigem uma manutenção minuciosa. Sem recursos, essa infraestrutura de pesquisa perderá desempenho e valor. Perde em capacidade de apresentar soluções para problemas das pessoas, da sociedade, do país. A ciência cada vez mais tem uma participação maior na solução de questões que afligem a sociedade, nas mais diversas áreas: saúde, alimentos, habitação, transporte, meio ambiente etc. etc. Com a diminuição da produção científica, essas áreas todas ficarão prejudicadas. Perde em capacidade de gerar desenvolvimento tecnológico e inovação. Também cada vez mais, a ciência tem uma interface maior e mais intensa com a economia. A ciência induz a tecnologia, que induz a inovação tecnológica, que possibilita às empresas maior competitividade, que proporciona à economia do país uma melhor performance perante a economia mundial. Ou seja, os cortes na ciência terão um reflexo direto na economia brasileira.

Por quantos anos vamos sentir o impacto dos crescentes cortes recentes?

MAYANA ZATZ É impossível prever. Os prejuízos podem ser irreparáveis. A única maneira de diminuir o impacto desses cortes é atrair mais investimentos da iniciativa privada. Recentemente foi criado o Instituto Serrapilheira, por João e Bianca Moreira Salles, que investiram R$ 350 milhões para financiar a pesquisa científica. Trata-se de uma iniciativa pioneira que sozinha não poderá substituir os aportes públicos. Mas ela pode tornar-se um exemplo e um incentivo para outros financiamentos de instituições privadas que poderiam diminuir o impacto dos cortes das agências de fomento a pesquisa.

HELENA NADER O mundo vive hoje a economia do conhecimento. O Brasil deu um grande passo para trás, ao considerar que ciência, tecnologia e inovação são gastos e não investimentos, e a permitir cortes crescentes na área. A Coreia, que em 1998 também enfrentou uma grave crise econômica, e diferentemente do nosso país, apostou em CT&I tem hoje sua economia ocupando posição de destaque. A China buscando sair da crise econômica recente, decidiu investir ainda mais na área, buscando atingir até 2020, 2,5% do PIB, inclusive com um aumento de 30% nos investimentos em ciência básica. Diante dessa diversidade de aspectos, seguramente é impossível prever por quanto tempo os cortes atuais se refletirão ao longo dos anos. Como em ciência, normalmente, se obtém resultados somente no médio ou no longo prazo, uma coisa é certa: se os cortes não forem revertidos imediatamente, serão necessários muitos anos para retomamos o estágio atual.

Como os cientistas reagem ao menor orçamento federal para a área em 12 anos

Fonte: Nexo Jornal 

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Quando criança, Sonia Guimarães era a segunda melhor aluna da sala e adorava matemática. No primário, ficou entre as cinco melhores da classe. Estudava de tarde, mas quem se destacava tinha a chance de ir para a turma da manhã. Sonia não foi porque foi preterida pela filha de uma das funcionárias, que havia pleiteado a vaga. “Quem tiraram? A pretinha. Eu me senti depreciada por isso”, lembra ela. A hoje professora de Física no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), uma das instituições de ensino mais conceituadas e concorridas do país, lembra que essa não foi a única passagem de racismo que a marcou em sua vida. Mas, apesar da torcida contra, conseguiu o primeiro título de doutorado em física concedido a uma mulher negra brasileira.

Ela, porém, sequer sabia dessa deferência. “Descobri por acaso quando o site Black Women of Brazil fez uma matéria. Nem meus chefes no ITA sabem disso! Alguns alunos descobriram porque eles pesquisam sobre mim na internet”. Estudante de escola pública durante toda a vida, Sonia trabalhava na adolescência e todo seu dinheiro era destinado a pagar o cursinho, já que faziaensino médio técnico. Sonhava em ser engenheira civil. Para realizar seu sonho prestou Mapofei, um vestibular que na década de 1970 dava vagas para as grandes faculdades de engenharia deSão Paulo. Mas foi orientada por um professor a colocar como opções no vestibular os cursos que tivessem menor procura. Sua escolha foi para física. “No segundo ano [do curso], eu prestei vestibular para engenharia civil, mas comecei a ter aula de física que estuda materiais sólidos, e me apaixonei”.

A saga de Sonia faz um paralelo com a de Katherine Johnson, Mary Jackson e Dorothy Vaughanque faziam parte da equipe de “computadores humanos” da Nasa, na época em que negros não podiam nem mesmo usar os mesmo banheiros que funcionários brancos na Agência. Elas são as protagonistas do filme Estrelas Além do Tempo. A presença de mulheres negras na ciência também é mínima no Brasil. Embora o país tenha 52% de negros, somente em 2013 soube-se quantos deles estavam na área científica.

Foi nesse ano que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) solicitou que os pesquisadores brasileiros informassem raça e cor em seus lattes. Um estudo feito em 2015 tendo como base essas informações, mostra que entre 91.103 bolsistas da instituição cursando pós-graduação, seja em formato de Mestrado, Doutorado ou Iniciação Científica, as mulheres negras que realizam pesquisas voltadas para ciências exatas são pouco mais de 5.000, ou 5,5%.

Essa pouca diversidade colabora para que a ciência produzida no Brasil seja descolada da necessidade da população, avalia Anna Maria Canavarro Benite, presidenta da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Embora o país seja um dos maiores produtores de artigos científicos, ocupando o 13º lugar no ranking elaborado pela empresa Thomson Reuters, essa produção é descolada da necessidade da população. “O Brasil produz muito. Mas, por exemplo, agora o país vive um surto de febre amarela e essas pesquisas não ajudam a vida prática da sociedade”, afirma.

Anita Canavarro, como é conhecida, também é professora de química da Universidade Federal de Goiás (UFG) e dedica sua carreira a “descolonizar” o ensino da disciplina nas escolas públicas. A professora chama de “descolonização” a necessidade de colocar o negro como sujeito produtor da tecnologia. “Nós temos traços de apagamento e invisibilização. Vários artefatos tecnológicos utilizados no Brasil são datados desde antes da chegada do colonizador e até hoje não são creditados”, explica Anita. A indústria de mineração, por exemplo, utiliza postos de destilação que tem arquitetura semelhante à de povos africanos que faziam fundição de ferro, explica ela. “Ao mesmo tempo, a primeira Constituição do Brasil proibia negros de irem à escola alegando que eles possuíam moléstias contagiosas”.

Antes de ser cientista, a presidenta ABPN era uma moradora da Baixada Fluminense que se aproximou das ciências exatas porque percebeu que os cursos ligados à licenciatura eram menos disputados na Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), quando iniciou sua graduação em 2001. "Uma vez no curso, eu me apaixonei pelos processos de transformação da matéria. Hoje minha leitura de mundo é muito ligada a isso".

Ao contrário de Anita e Sonia, Katemari Rosa sempre foi apaixonada pela ciência. “Eu escolhi fazer física porque eu quis descobrir o céu, quando criança me apaixonei por astronomia”, diz ela. A maioria dos astrônomos são formados em física e por isso seguiu o curso, explica.

Gaúcha, Katemari estudou no atual Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), ligado àUniversidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Foi no campus que ela pôde frequentar o observatório e o planetário da universidade.

Quando ela olha para trás, se lembra de casos de racismo que sofreu, mas que na época não identificava como tal, como quando a funcionária da escola que cuidava de estágios a indicou para uma vaga de assistente de dentista. Além de atender telefone e fazer coisas específicas da função, foi orientada a lavar a louça do consultório. “A funcionária jamais indicaria uma daquelas meninas brancas para essa vaga”.

O maior choque que teve, porém, foi quando se mudou para Salvador para fazer o Mestrado. A cidade com mais negros no Brasil tinha uma universidade pública que não espelhava isso, já que no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia (UFBA) havia apenas um professor negro. "A gente tem dificuldade de atribuir ao racismo porque isso significa que existem pessoas pensando que a gente é menos gente. Trata-se de um mecanismo de defesa, como dizia Derrick Bell”, reflete ela, citando o primeiro professor negro de Direito em Harvard nos anos 1970. “É difícil de explicar e só quem sente, sabe. A gente tem essas sensações, mesmo que não atribua ao racismo, na experiência cotidiana”.

A física atualmente trabalha na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), onde concentra seus esforços para formar novos professores que entendam a necessidade de inspirar jovens a seguir no caminho das ciências. “Uma das minhas alunas fez um projeto para examinar livros didáticos de física do ensino médio. Nas imagens analisadas, as pessoas negras só apareciam na parte de mecânica, velocistas africanos ou jogadores de futebol”, relata. As negras estavam empurrando carrinho de bebê. “E a gente pensa que física não tem nada a ver mas está cheio de imagens que reforçam o papel da mulher, o papel do negro. Nós aprendemos desde cedo onde são nossos lugares”.

A química Denise Fungaro, por outro lado, confessa que não se atentava para a inexistência de professores e colegas negros quando entrou na Universidade de São Paulo (USP) em 1983. “Eu não sofria discriminação. Nunca tive professores negros, mas como a avaliação é feita através de provas não tem como a pessoa te discriminar”, afirma. “Hoje entendo que eu era exceção, a única aluna negra no curso em um país onde 52% da população é negra”. Ela acabou de ser agraciada com o prêmio Kurt Politzer, concedido pela Associação Brasileira de Indústria Química (ABIQUIM), mas seu desejo é servir de inspiração para sua filha que tem três anos. “Eu quero que ela saiba que pode ser bem-sucedida em outras áreas que não sejam exclusivamente artísticas ou esportivas”.

Enquanto isso, Sonia Guimarães pensa em se aposentar do ITA, mas não sabe quando. Na conversa com o EL PAÍS, lembra dos tempos em que trabalhou na Itália e em que estudou na Inglaterra, enquanto dá entrevistas para meninas do ensino médio, através do projeto “Elas nas Exatas”. Tornou-se também voluntária ensinando inglês para que outros jovens negros realizem seus sonhos de uma formação no exterior

Fonte: Beatriz Sanz/ El Pais

Quem são as cientistas negras brasileiras?

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Vinte e quatro anos atrás, a pesquisadora Giovanna Machado se formava em química na PUC do Rio Grande do Sul. Em 1990, poucos anos antes da graduação de Giovanna, o mundo da ciência era majoritariamente masculino. Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da década de 1990 mostravam que apenas 18,5% das bolsas concedidas aos principais pesquisadores do País eram destinadas a elas.

Atualmente, apenas 10,97% das mulheres que fizeram mestrado em 2016 optaram pelas áreas de engenharia, ciências exatas e da terra. Depois de mestrado, doutorado e pós-doutorado - este último no renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT) -, Giovanna luta para conquistar as cabeças de jovens de escolas públicas da Região Metropolitana do Recife e do Interior de Pernambuco.
A pesquisadora idealizou e coordena o programa Futuras Cientistas, no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife. O nome já adianta o que o edital confirma: só são aceitas meninas do ensino médio e professoras. Todas mulheres, todas da rede pública. Sem vagas para meninos, que historicamente sempre tiveram mais espaço na ciência.

É a equidade de gênero na prática, termo que significa que mulheres e homens são tratados de forma justa, de acordo com as respectivas necessidades. Segundo a publicação Princípios de Empoderamento das Mulheres, da ONU, equidade não é somente sobre igualar direitos, mas deixá-los equivalentes entre gêneros.

“A ideia do projeto surgiu exatamente para aumentar o número de mulheres interessadas na ciência, que é tão pequeno hoje. Pensei nisso após uma viagem que fiz com outras cientistas para verificar que ações políticas estavam sendo realizadas fora do País para aumentar a participação das mulheres na ciência e tecnologia. Quando voltei, pensei que seria bom transformar esse conhecimento em algo prático. Algumas alunas diziam que nunca tinham se imaginado em um laboratório. A maioria quer fazer humanas e aqui elas acabam conhecendo exatas e ciências. Percebi que é a falta de conhecimento de que esse meio está no alcance delas”, contou Giovanna, que trabalha há oito anos no Cetene.

Transformar meninas em cientistas
Este ano foram 12 estudantes entre 15 e 18 anos e três professoras. Cada uma ganha uma bolsa de incentivo de R$ 400. O Cetene oferece aulas com especialistas em laboratórios de microscopia eletrônica, nanotecnologia, biotecnologia, biofábrica e circuitos integrados, que podem ser escolhidos na inscrição. É um mês de aula, inspirado nos projetos de verão norte-americanos, com apresentação de um trabalho de conclusão ao final do curso. Na última semana, quatro estudantes do MIT ofereceram work-shops para o grupo. “Hoje estamos na terceira edição do projeto, com um orçamento pequeno de US$ 2 mil do Consulado dos Estados Unidos, parceiro do projeto. Fizemos um piloto em 2012 com apenas R$ 2 mil, mas tivemos que parar por quatro anos por falta de dinheiro”, relata a pesquisadora.

Amanda Nascimento, 17 anos, vai começar o 3º ano do ensino médio na Escola de Referência de Beberibe, Zona Norte do Recife, com a experiência de transformar luz solar em hidrogênio. “Infelizmente ainda hoje há muita discriminação. As pessoas dizem que mulher não pode isso ou aquilo. Esse projeto também é para dar força. Mulher pode, sim, tanto quanto o homem pode. Giovanna bate muito nessa tecla”, afirma a estudante. Já Ana Karoline Silva, 16, da escola Poeta Manoel Bandeira, na área central do Recife, investiga as bactérias que causam doenças na cana-de-açúcar depois de fazer extrações do DNA da planta. “Eu não tinha ideia nenhuma do que fazer no vestibular, mas agora estou pensando em seguir carreira nisso, mais voltada à ciência da saúde”, conta Ana.

Fonte: Moema França/ Folha de Pernambuco de 23/1/2017

Projeto estimula meninas a seguir carreira na pesquisa

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A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou nesta quarta-feira (18) os números de orçamento e fomento da agência em 2016. De acordo com o relatório, ela recompôs o orçamento destinado aos programas e bolsas no país, aumentando os recursos em R$ 401 milhões disponibilizados para os cursos de pós-graduação no Brasil - 16% a mais em relação ao orçamento de 2015. Esses recursos possibilitaram a continuidade de ações de apoio aos programas de pós-graduação e concessões adicionais de bolsas e recursos de fomento (custeio e capital), totalizando um investimento de R$ 2,9 bilhões.

Um montante de R$ 30 milhões em recursos de capital foi destinado ao Programa de Excelência Acadêmica (Proex) e ao Pró-Equipamentos e outros R$ 23,1 milhões às ações do Portal de Periódicos. Foram concedidos também R$ 80,5 milhões adicionais de custeio para a recomposição do orçamento do Proex, do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), dos Programas de Indução e Inovação, Doutorados Interinstitucionais (Dinter) e acordos com as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs).

Além dessas ações, por meio do Programa de Apoio a Eventos no País (Paep), foram apoiados 1.501 eventos científicos no país, com investimento de R$ 35 milhões. Em 2016, foi realizada também uma redução de assimetrias regionais, com a concessão adicional de 554 bolsas para instituições da região Norte. A média de cobertura de bolsas em relação ao aluno da região foi elevada de 27% para a média nacional de 31%.

Com a recomposição orçamentária, além das ações mencionadas, foi possível manter o investimento em bolsas dos principais programas de fomento à pós-graduação, tendo sido concedidas, no ano, um total de 100.385 bolsas no país, sendo 50.273 de mestrado, 43.045 de doutorado e 7.067 de pós-doutorado.

Ainda em 2016, a Capes apoiou aproximadamente 19.380 alunos por meio da concessão e da manutenção de bolsas de estudos para brasileiros no exterior e para estrangeiros no Brasil nas diversas modalidades fomentadas pela agência, além do apoio a 958 projetos de pesquisa e missões de trabalho. Essas ações se deram no âmbito dos cerca de 100 programas geridos pela Diretoria de Relações Internacionais. Para 2017, está previsto o apoio a aproximadamente 13.200 bolsistas e mais de 1.500 projetos.

Para mais informações sobre o relatório, acesse este link.

Fonte: (Agência Gestão CT&I/ABIPTI, com informações da Capes)

Capes investiu R$ 2,9 bilhões em bolsas e fomento em 2016

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