Terça, 16 Julho 2019 16:14

Senge-PR planeja retomar Senge Jovem

Estudantes retomam protagonismo e são fundamentais para saída da crise

Estudantes de engenharia participam do 3o Encontro de Jovens. Foto: Arquivo Senge-PR

Estudantes de engenharia participam do 3o Encontro de Jovens. Foto: Arquivo Senge-PR

Os ataques à educação brasileira têm devolvido o protagonismo dos estudantes universitários na agenda pública. Além das duas greves gerais realizadas contra os cortes de verbas nas universidades, a juventude agora se organiza para combater a privatização e precarização do ensino superior. Durante o 57º Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (Conune), em Brasília, ficou definido que a primeira ação estudantil sob comando da UNE será a participação na greve geral prevista para o dia 13 de agosto.

O novo presidente da UNE, Iago Montalvão, destaca a centralidade da pauta contra a privatização. “Esse é o projeto que estava em curso ao anunciar os cortes de 30%, intervir na indicação dos reitores e na autonomia das universidades: o desmonte da gratuidade. Para nós, o projeto é um imenso retrocesso”.

Senge Jovem

Em meio a essa onda de enfrentamento que o Senge-PR está atuando pela retomada do programa Senge Jovem, que foi criado em 2013 seguindo uma proposta inovadora no movimento sindical que buscava integrar ao sindicato uma nova geração de trabalhadores, estudantes engenheiros, ainda em formação.

A retomada do Senge Jovem passa por realizar uma atividade no início do 2º semestre, na sede do Senge, convidando estudantes e jovens profissionais das engenharias de Curitiba e RMC, com representantes das regionais, para relançar o projeto Senge Jovem.

“A expectativa é os estudantes e debater a situação atual da engenharia brasileira e paranaense, os desafios da categoria e a necessidade de repensar a organização da classe trabalhadora, tanto estudantil quanto sindical”, explica Cícero Martins, coordenador do programa que está sendo retomado.

Além de atividades de formação, o Senge Jovem também deve ampliar parcerias que possam melhorar as condições de vida dos estudantes associados. Atualmente, o Senge-PR oferece aos estudantes um Plano de Saúde Unimed com descontos especiais (veja aqui).

“Vamos buscar adaptar os convênios oferecidos aos engenheiros associados, fazendo uma customização à juventude e buscar novas parcerias com, por exemplo, coworking, coaching, preparação para concursos, programação, intercâmbio, escolas de música, teatro, cinemas, livrarias, para que os estudantes reduzam seus custos e se aproximem da luta sindical”, destaca Cícero.

 

Fonte: Senge-PR

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O Senge-RJ integra o GT que vai propor um plano de ação para as ocupações Povo Sem Medo e Gringolândia, onde vivem cerca de 300 famílias.

Prefeitura cria Grupo de Trabalho para regularizar moradias populares apoiadas pelo Senge Jovem

A Prefeitura do Rio de Janeiro formalizou, na última semana, um grupo de trabalho para propor um plano de ação para regularização das comunidades da Gringolândia e da Ocupação Povo Sem Medo, no chamado “conjunto de favelas da Ficap”, entre os bairros da Pavuna e Jardim América. O GT tem a participação do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e resulta de gestões das famílias que moram nas ocupações, apoiadas pelo núcleo de estudantes do Sindicato, o Senge Jovem, junto a outras entidades da sociedade civil.
 
Criado pela Secretaria Municipal da Casa Civil e já publicado em Diário Oficial, o grupo tem até 26 de dezembro de 2018 para concluir seus trabalhos, que poderão beneficiar 300 famílias, sendo cem delas na Ocupação Povo Sem Medo e 200 na Gringolândia, num total de mais de mil pessoas. Um dos subsídios para o trabalho é o relatório produzido por engenheiros do Senge-RJ, após visita técnica à ocupação Povo Sem Medo (foto abaixo), em junho. Especialistas indicados pelo sindicato avaliaram as condições técnicas das instalações elétricas, do sistema de saneamento e estruturas civis, dentre outros aspectos.
 
De acordo com Pedro Enrique Monforte, um dos integrantes do Senge Jovem, o núcleo de estudantes do Senge-RJ foi criado no ano passado por alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro que compõem o Coletivo Força Motriz, dedicado ao apoio técnico a moradias populares. Além das duas ocupações na regão do Jardim América e Pavuna, está colaborando com consultoria técnica e jurídica em uma ocupação recente, instalada no mês passado em São Cristóvão, ao lado do Estádio São Januário, por cerca de cem famílias. O Senge Jovem também acompanha as audiências públicas que tiveram as ocupações na pauta e os contatos com parlamentares mobilizados para a atenção com os moradores.
 
Prefeitura cria Grupo de Trabalho para regularizar moradias populares apoiadas pelo Senge Jovem
O Coletivo Força Motriz e a atuação do Senge Jovem junto às  moradias populares fazem parte de uma ação que responde a uma pergunta básica, explica Pedro Monforte: “Qual o papel social da engenharia”. Nesse sentido, sabendo que a engenharia é “muita valiosa” para o sistema capitalista, o estudante defende uma nova abordagem deste conhecimento: “Queremos uma engenharia libertadora.”
 
A formação do grupo de trabalho da Prefeitura deriva do entendimento pelo poder público de que os locais ocupados – uma indústria desativada há mais de 30 anos e uma garagem de ônibus abandonada – representam áreas de interesse social. O GT é composto por membros da Secretaria Muncipal da Casa Civil, da Secretaria Municipal de Urbanismo da Secretaria e Infraestrutura e Habitação, da Defensoria Pública do Estado, por vereadores do Rio e representantes de entidades da sociedade civil – além do Senge-RJ, a Coordenação da Ocupação Povo Sem Medo, a Associação de Moradores da Comunidade Gringolândia, as Brigadas Populares, o Centro de Assessoria Jurídica Popular Marina Criola e o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro. Foram vários atos, enfrentamentos e mobilizações para a conquista do GT, lembra Pedro.
 
O Senge Jovem é um canal para renovação de quadros, para fortalecer a luta política da juventude e dos engenheiros em formação. “Incorporar a juventude no Sindicato é uma questão fundamental”, diz Pedro. A iniciativa está articulada a de outros sindicatos ligados à Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), que formalizou, em setembro do ano passado, o Coletivo Nacional de Estudantes, com representantes de 11 estados, durante o 11º Consenge. 
 
Fonte: Senge-RJ
Foto: Reunião para criação do GT (21/9/2018)
Texto: Verônica Couto
 
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por Stéphanie Marchuk

Coletivo Nacional de Estudantes: Um passo importante para renovação sindical

“Ampliar a relação entre o movimento estudantil e sindical, apresentar e dialogar com os estudantes o papel fundamental da organização e união por meio dos sindicatos, aproximar e contribuir com a formação política das lideranças estudantis, inserir-se em todos os espaços de debate, na academia e na sociedade”. Estes foram os objetivos expostos na Carta de Estudantes que levou à criação do Coletivo Nacional de Estudantes da Fisenge, no 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), realizado em 2017. A carta deu ênfase à luta dos estudantes, que já estavam organizados nos sindicatos juntos aos Senge’s Jovem/Estudante.

Segundo Elaine Santana, engenheira civil, vice-presidente do Senge-SE, diretora da Fisenge e coordenadora do Coletivo Nacional de Estudantes, a formalização do Coletivo foi muito importante para o movimento. “Antes do 11º Consenge, as ações de Senge's Jovem/Estudantes eram isoladas e sem repercussão nacional. Com a criação do Coletivo Nacional da Fisenge, foi possível trocar experiência, fortalecer os que já existiam e estimular a implantação nos estados que ainda não possuíam essa articulação com os estudantes”, afirmou Elaine.

Uma das iniciativas do Coletivo foi a publicação da cartilha “Estágio na engenharia: perguntas e respostas”, que tem o objetivo de tirar dúvidas dos estudantes e contribuir com a inserção no mercado de trabalho. A Organização Internacional do Trabalho divulgou que o desemprego entre os jovens brasileiros é o dobro da média mundial, uma realidade que impacta em diversos outros problemas sociais, como o crescimento da violência e da criminalidade por uma geração que não vê no mercado lícito de trabalho e na educação as oportunidades de uma vida digna. De acordo com o estudante de engenharia de materiais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pedro Henrique Monforte, a juventude é um dos segmentos sociais que mais sofrem com a falta de oportunidades no mercado de trabalho. “A organização política desses jovens não é apenas necessária para conquistar melhores condições de trabalho para ela, mas para utilizar a energia acumulada da juventude para conduzir grandes mudanças sociais, algo recorrente na nossa história. A juventude sempre foi a força motriz das revoluções.”, acrescentou.

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Segunda, 10 Setembro 2018 15:37

Coluna Senge Jovem | Mobilidade para quem?

O Brasil se tornou um dos países com maior número de mortos e feridos no trânsito.

Coluna Senge Jovem | Mobilidade para quem?

Por: Gabriel Caldeira, estudante do último ano de Engenharia Civil da UFPR e integrante do Grupo de Estudos de Transporte – GET UFPR, participa do BrCidades Núcleo Curitiba, e atualmente faz parte da coordenação da Campanha Mobilidade Ativa nas Eleições 2018.

Já é disseminado pelo país e faz parte de muitas discussões a questão da mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Mas, de quem estamos discutindo quando falamos sobre o tema?

Existem hoje diversas instituições, ONGs e associações que buscam produzir conhecimento e pesquisas científicas para entender a amplitude do tema. A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) é uma das mais antigas no campo, e a partir do seu sistema de informações, faz um diagnóstico da mobilidade no nosso país. O último relatório, lançado em 2018, identificou que os modos ativos representam em média 43% das viagens realizadas nas cidades acima de 60 mil habitantes. Esse valor varia com o tamanho da cidade, podendo chegar a mais da metade dos deslocamentos realizados por esses modos.

Apesar de parecer um dado óbvio para os estudiosos do assunto, encontra-se na realidade das nossas cidades uma desigualdade gritante no tratamento desses usuários, tanto por parte do poder público, quanto pela “sociedade”. A intenção no destaque da palavra sociedade se dá pelo fato histórico no nosso país de falta de consciência da maioria da população em entender o trânsito como uma forma política de usufruto das nossas cidades. Tal fato permitiu que a elite e a classe média utilizassem o discurso da técnica para viabilizar sua forma de se deslocar e utilizar os novos serviços nas cidades. Desde a introdução dos automóveis, até pouco tempo atrás, se pautava o trânsito como um assunto técnico e exclusivo aos engenheiros de tráfego. Transporte se tornou sinônimo de obra. Onde numa cidade havia obra, provavelmente havia sinalização para uma melhora no trânsito, seja pela introdução de mais faixas até viadutos, que rasgam o tecido o urbano.

Como consequência, mais e mais veículos vem sendo adicionados ao sistema viário das nossas cidades. Dados do Denatran mostram que do começo do século até agora, a frota de automóveis aumentou mais de 400%. Para alguns, esses dados representam o crescimento da economia no período, e o reflexo do aumento no poder de compra dos cidadãos, consequência dos governos de esquerda no período, dando lhes assim maior “liberdade” para se deslocarem. Para outros, no entanto, esse crescimento vem representando apenas perdas humanas.

O Brasil se tornou um dos países com maior número de mortos e feridos no trânsito. Os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde mostram que alcançamos o quarto lugar em óbitos no trânsito no mundo. O dado mais recente disponibilizado pelo Ministério da Saúde diz que em 2016 mais de 37 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito. As principais vítimas e os mais vulneráveis são os pedestres e ciclistas, que somam mais de 22% dos óbitos no trânsito no mundo. No Brasil, a estatística não tem sido diferente, e o pedestre passou a ficar atrás apenas dos usuários de motocicletas. Vivemos uma guerra silenciosa e que não tem sido encarada de fato, pelo menos no Brasil, por nenhum lado das coordenadas políticas. Enxerga-se os acidentes de trânsito como uma realidade imutável, e as vidas perdidas no trânsito um preço razoável a se pagar pela maior “liberdade” criada pelo uso dos automóveis privados.

O Brasil já tem dado passos (apesar de lentos) na produção de políticas que pensem formas mais sustentáveis e democráticas de acesso aos bens e serviços que as cidades oferecem. A Política Nacional de Mobilidade Urbana, aprovada em 2012, inverte a prioridade que historicamente foi dada ao automóvel. Estabeleceu prioridade máxima aos usuários dos modos ativos (a pé e bicicleta), e depois aos modos motorizados, ainda estabelecendo prioridade dos modos coletivos em detrimento dos individuais. Por fim, estabeleceu o Plano de Mobilidade como instrumento de planejamento das cidades para garantia desses modos se deslocarem.

É preciso, no entanto, atentar para essas novas mudanças que estamos passando. Apesar de estabelecer essa prioridade, a prática que muitas prefeituras vêm tomando imitam cada dia mais o modelo rodoviarista que outras cidades já adotaram há décadas (São Paulo é o caso mais conhecido). E nesse ponto, precisamos reivindicar nossos direitos políticos de se deslocar pelas cidades com segurança e acessibilidade.

Outro fator no qual devemos prestar atenção, é para o fato de que a mobilidade permite o acesso aos bens e serviços da cidade, como já dito, permitindo dessa forma o desenvolvimento das pessoas que vivem nesses espaços. Devemos tomar o cuidado para não acreditar que só lutar por modos mais sustentáveis de deslocamento será suficiente para as nossas cidades. Temos que procurar entender como esse processo se dá no contexto das classes sociais. Devemos perguntar, como já se perguntou, quem são os usuários desses sistemas, quais modos utilizam, e que classes esses deslocamentos representam. Jamais devemos perder de vista este ponto. Não se pode deixar encobrir com narrativas o conteúdo social e de classe a respeito da disputa pelo espaço urbano e do sistema viário.

 

Fonte: Senge-PR

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Quinta, 30 Agosto 2018 12:29

Senge Jovem é empossado no CEJUVE

A coordenadora do Senge Jovem MG, Josiane Rocha, e o Diretor Tesoureiro do Senge-MG, Eng. Alírio Mendes Jr, tomaram posse no Conselho Estadual da Juventude (CEJUVE-MG) na última sexta-feira (10/08). A posse ocorreu no Palácio da Liberdade e foi conduzida pelo Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.

Senge Jovem é empossado no CEJUVE

Foto: Comunicação Senge-MG

O CEJUVE

O Conselho é um órgão colegiado de caráter deliberativo, consultivo e propositivo, vinculado à Secretaria de Estado de Direitos Humanos, é composto por membros titulares e suplentes. O Governo de Minas realizou uma reestruturação do Conselho em 2016, após três anos de inatividade. Este grupo existe desde 1987 e tem como finalidade principal formular e propor diretrizes governamentais voltadas à promoção de políticas públicas para jovens de 15 à 29 anos.

Senge Jovem é empossado no CEJUVE

Foto: SEGOV - Manoel Marques / Imprensa MG

 

Senge Jovem é empossado no CEJUVE

Foto: SEGOV - Manoel Marques / Imprensa MG

 

FONTE: Senge-MG

 

 

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Estão planejadas apresentações musicais de artistas e bandas, performances de dança e contação de histórias; atividades são gratuitas, e abertas para o público

O Senge Jovem Maringá, em parceria com o Movimento por uma Universidade Popular (MUP) realizará, no próximo sábado (11), o evento artístico “Em Defesa da PetrobrAs 100% Pública e Estatal”. Com início às 10h e término marcado para às 18h, o sarau será na praça Raposo Tavares, e faz parte de uma série de iniciativas idealizadas para conscientizar a população sobre a importância da Petrobras.

Estão planejadas apresentações musicais de artistas e bandas da cidade, performances de dança e contação de histórias, além de atividades como pinturas, grafites, feira de troca e barganha, varal de poesias e fotografias, e uma barraca sobre saúde e meio ambiente.

As atividades são gratuitas, e abertas para o público.

Confirme presença no evento no Facebook!

 

FONTE: SENGE-PR

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Para entender o atual cenário mundial, é necessário analisar um longo período de formação histórica

Coluna Senge Jovem | O Brasil no sistema-mundo: neocolônia e subdesenvolvimento

Por Joab Jacometti – Estudante de Geografia

Para entendermos o atual cenário de des-ordem mundial, se faz necessário analisarmos um longo período de formação histórica, a necessidade de se compreender a atualidade nos remeterá ao surgimento dos primeiros Estados-nação e a “descoberta do Novo Mundo”, forma politicamente correta de se dizer que a América foi invadida e saqueada. Mas, voltemos ao nosso assunto, pois discutir o eurocentrismo dentro do que se diz ser isento é motivo de outro texto, que como este, nos levará a pensarmos e refletirmos sobre o presente.

Antes do século XVI, a centralização do poder econômico estava posicionado na China e Índia, a venda de especiarias aos antigos senhores feudais garantiram o acumulo de poder ao Oriente, enquanto a Europa se tratava apenas da periferia do sistema-mundo da época. Com a queda de Constantinopla, pelos turcos otomanos, a dificuldade de viajar por terra em busca de especiarias aumentou e se inicia então, as grandes navegações.

A “descoberta do Novo Mundo”, que na verdade se tratou da invasão do continente americano pelos recém-formados impérios europeus garantiram o crescimento das oligarquias, o genocídio de populações indígenas, o enriquecimento da Europa Ocidental e por consequência o acumulo de poderio financeiro, político e bélico dos impérios europeus sobre o restante do globo.

Com a busca por independência dos países americanos, um novo cenário mundial se desenha, a necessidade de garantir a manutenção do poder pelos europeus resultaram nas Revoluções Industriais, a partilha do continente africano, que resultou em outra onda de assassinatos, exploração, contrabando e enriquecimento extorquindo sobre populações de culturas diferentes. Já com os recém independentes, a necessidade de se criar uma “relação de exploração diplomática” foi a cartada correta, acordos internacionais de cooperação, que da mesma forma do sistema colonial, prometia o avanço e desenvolvimento, geraram apenas mais exploração sobre os países latino-americanos e garantindo que o poder permanecesse com os donos do capital.

A busca de nomenclaturas e explicações para explicar o atual cenário é algo que sempre é discutido e a necessidade de um ensino isento foi a forma encontrada pelo Estado, que por muitos pesquisadores é considerado apenas uma ferramenta de manutenção do Poder para uma classe dominante, para garantir a não formação crítica da população e dessa forma as neocolônias, que já foram chamados de terceiro mundo, de subdesenvolvidos e hoje são os países do Sul, ou seja, as atuais neocolônias do sistema.

Os territórios soberanos se curvam as regras do atual sistema de exploração mundial, mão de obra barata, exportação de bens naturais, matérias-primas, um mercado submisso e importação de produtos industrializados são características do novo Sistema-Mundo, onde os impérios do Norte se mantém no poder explorando as novas Velhas Colônias.

 

FONTE: SENGE PR

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Estudantes debateram tópicos sugeridos com a mediação de especialistas nos assuntos

[III Encontro do Senge Jovem Paraná] Audiências públicas: Privatizações, Agrotóxicos e Democratização da Mídia

Durante a 3ª edição do Encontro Estadual do Senge Jovem, uma nova atividade foi proposta para aumentar o engajamento dos estudantes nos debates: a dinâmica das audiências públicas. Divididos em grupos com os temas “Privatizações”, “Agrotóxicos” e “Democratização da Mídia”, os estudantes debateram os tópicos sugeridos com a mediação de especialistas nos assuntos, que, posteriormente, dissertaram sobre suas áreas de atuação. O tema “Privatizações” foi mediado por Inara Rodrigues, estudante de Engenharia de Energia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), enquanto “Agrotóxicos” teve a intervenção do engenheiro agrônomo André Gabardo, e “Democratização da Mídia” contou com a facilitação da jornalista do Senge-PR, Ednubia Ghisi.

Privatizações

A estudante Inara Rodrigues aceitou o desafio de mediar e palestrar sobre um dos temas mais polêmicos em pauta na sociedade brasileira: as privatizações. Em sua fala, Rodrigues explicou como o processo de privatização de um bem estatal acontece, e esclareceu os argumentos mais comuns citados por aqueles que defendem a exploração de riquezas públicas pela iniciativa privada. “As privatizações não trazem os benefícios anunciados”, alertou.

Inara Rodrigues, estudante de Engenharia de Energia da UNILA

Inara classifica as ameaças recentes de privatização como um ataque direto à soberania nacional, que impactam diretamente o povo e seus direitos. Ela também fez ponderações a respeito das acusações de irregularidades nas grandes empresas estatais: “o combate à corrupção precisa ser feito, mas não justifica entregar nossas riquezas”.

Rodrigues aproveitou a oportunidade para lembrar que o Tratado de Itaipu irá vencer em 2023, e precisa entrar na agenda de discussões sociais. “Nós temos as riquezas, temos a água, temos os recursos naturais, temos a tecnologia. Por que a nossa energia é tão cara?”, finalizou.

Agrotóxicos

A audiência pública que debateu o uso de agrotóxicos na agricultura brasileira foi mediada pelo engenheiro agrônomo André Gabardo, que abriu sua fala questionando se as chamadas “tecnologias avançadas”, como agrotóxicos e transgênicos, são, de fato, avançadas.

André Gabardo, engenheiro agrônomo

Segundo ele, universidades brasileiras desenvolvem estudos de ponta na área de produção de alimentos, mas estes estudos enfrentam dificuldade para encontrar apoio e financiamento. Mesmo quando acontecem, não são disseminados, e o conhecimento adquirido não chega ao produtor. “A academia pesquisa o convencional, a mídia reproduz o convencional, o produtor produz o convencional”, resumiu.

Gabardo vê na agricultura familiar e na agroecologia uma alternativa ao modelo de produção atual, e questiona o papel do Brasil como produto primário. Outro ponto questionado é o uso de agrotóxicos banidos por outros países: “porque aqui a gente permite um veneno que lá é proibido?”

Democratização da Mídia

Finalizando o ciclo de palestras das audiências públicas, a jornalista do Senge-PR, Ednubia Ghisi discorreu sobre a regulação da mídia, que é uma das etapas para a democratização da comunicação. Esclarecendo que a regulação não ameaça a liberdade de expressão e não cria instrumentos de censura, mas possibilita o acesso do público aos meios de comunicação, Ghisi explanou como a Constituição Federal divide a comunicação em pública, privada e estatal. Para apresentar como deveriam funcionar os três sistemas de comunicação, a jornalista exibiu o vídeo “Aprendendo a dividir”, produzido pelo Coletivo Intervozes.

Ednubia Ghisi, jornalista do Senge-PR

Segundo a jornalista, as empresas de comunicação constroem os imaginários que permeiam nossas vidas, e o controle dos meios de comunicação por poucas famílias explicita a estrutura atual da sociedade brasileira: “isso explica porque temos uma sociedade machista e classista, já que esta é a composição no centro desta produção”.

O estado democrático de direito garante que toda diversidade seja contemplada, mas a homogeneidade que vemos nos meios de comunicação, e que transpassa para a Internet, dificilmente será quebrada sem uma revisão da legislação: “a nossa democracia vai continuar sendo uma farsa enquanto não acontecer a democratização da mídia”.

 

FONTE: SENGE PR / Texto e fotos: Luciana Santos, jornalista do Senge-PR

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Estudantes de diversas áreas da engenharia se reuniram para debater os rumos da profissão no país e fortalecer o vínculo com a defesa dos direitos da categoria

III Encontro do Senge Jovem Paraná debate o papel da nova geração de engenheiros para a mudança do Brasil

Pelo terceiro ano consecutivo, a pacata vila de Faxinal do Céu, no interior do Paraná, se tornou ponto de encontro para jovens engenheiras e engenheiros de todo o estado. O objetivo da reunião foi debater os rumos da profissão no país e fortalecer o vínculo dos estudantes com a defesa dos direitos da categoria. Nesta edição, realizada no fim de semana de 21 e 22 de julho, o Encontro Estadual do Senge Jovem Paraná teve o tema “Uma geração forte para mudar o Brasil”, e 45 estudantes de diversas áreas da engenharia participaram de palestras, dinâmicas e debates sobre o papel do engenheiro na construção de um Brasil melhor. Vindos de instituições de ensino de todas as regiões do estado, os futuros engenheiros viveram uma experiência de imersão e formação política, discutindo pautas sociais atuais que, direta ou indiretamente, afetam os futuros engenheiros.

:: Confira mais fotos do evento no Facebook do Senge Jovem

Na abertura do evento, o engenheiro civil e diretor financeiro do Senge-PR, Cícero Martins, resgatou a história dos sindicatos e a importância deste processo de mobilização para defender os interesses do trabalhador, principalmente em tempos de reforma trabalhista e precarização das condições de trabalho.

III Encontro do Senge Jovem Paraná debate o papel da nova geração de engenheiros para a mudança do Brasil

Cícero Martins, engenheiro civil e diretor financeiro do Senge-PR

Martins aponta o sindicato como um mobilizador para a reconquista do poder popular, e, como um dos fundadores do Senge Jovem paranaense, vê o trabalho com os futuros engenheiros como essencial para este processo: “o estudante, sem formação política, acaba assimilando a política e o pensamento do patrão. É necessário agir nas universidades, em contato direto com os estudantes, para garantir a formação de um sindicato mais forte e mais efetivo”.

III Encontro do Senge Jovem Paraná debate o papel da nova geração de engenheiros para a mudança do Brasil

Estudantes participaram de debates sobre temas atuais

O envolvimento estudantil com a luta sindical também foi tema da mesa redonda do encontro. Engenheiros recém-formados, ou com forte atuação política durante os anos universitários compartilharam suas experiências. Cícero, que também participou da mesa, ressaltou a importância da atuação sindical na atual conjuntura vivida pelo Brasil: “no momento mais crítico do nosso país, nós estamos nos articulando e nos organizando. Dedicando parte do nosso tempo, da nossa vida, para construir esse movimento de mudança”.

José Carlos Gomes Filho, engenheiro civil calculista, que também compôs a mesa, chamou a atenção para a relevância da atuação política contínua. “Não se ausentem dos espaços que vocês constroem. Na política, não existe espaço vazio. Se tem alguém aí, pode ter certeza de que é porque não tem ninguém melhor”, alertou. Luiz Calhau, engenheiro civil e diretor do Senge-PR, salientou: “a militância é uma coisa para a vida”.

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Victor Meireles Sampaio de Araujo, engenheiro de produção e diretor do Senge-PR

Esta terceira edição foi positivamente avaliada, tanto por congressistas, como pela organização do evento. Taynara Camargo, estudante de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na UFPR, integrante do Senge Jovem e uma das organizadoras do encontro, se diz satisfeita com o resultado: “o evento foi bastante incrível. Não poderia estar com mais vontade de trabalhar e consolidar o grupo Senge Jovem e continuar na militância”. A experiência de planejar um evento também deixou sua marca. “É muito gratificante fazer parte de um grupo em que todo mundo trabalha, divide as preocupações e tarefas e é bastante proativo para resolver problemas. Fiquei muitíssimo satisfeita com o resultado do encontro, com o grupo de trabalho que formamos e com quanto aprendizado pude colocar na minha bagagem de vida”.

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Taynara Camargo, estudante de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na UFPR

A proposta de promover uma formação política profunda, com espaço para debates atuais, foi bem-recebida pelos estudantes. “Foi sensacional porque tivemos o espaço para debates de ideias, simulações de audiências, e pela forma de abordagem dos temas importantes. Realmente senti que estou no lugar certo e deu mais vontade de atuar na causa sindical e na defesa da soberania da nossa engenharia”, conta a estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Estadual de Londrina, Tayna Silva, que participou de todas as edições do evento.

Angústias e anseios da nova geração

Na manhã de sábado, o engenheiro civil, professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e diretor do Senge-PR, José Ricardo Vargas de Faria, proferiu a palestra magna “A Conjuntura Global, angústias e anseios da nova geração de engenheiros no Brasil”. Em sua fala, Faria explanou sobre as relações classistas, as relações de poder e a estrutura do capitalismo no Brasil.

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José Ricardo Vargas de Faria, engenheiro civil e diretor do Senge-PR

Segundo Faria, a nova geração de engenheiros começa a sentir as consequências deste retrocesso com a onda de privatizações, a deterioração das condições de trabalho, a terceirização, e o corte de investimentos em novas tecnologias: “a engenharia é uma das primeiras áreas afetadas, todo desenvolvimento passa pela engenharia”.

Organização popular

No domingo, a palestra magna “Organização Popular”, com os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Rodrigo Moschkovich e Maria Luiza Francelino despertou grande interesse entre os congressistas. A palestra rapidamente se tornou um diálogo, e apresentou um histórico do movimento, desde seu início com forte envolvimento e influência da Igreja Católica, até a formação atual, baseada em uma democracia participativa sem estrutura hierárquica. Foram debatidos também o funcionamento dos acampamentos e assentamentos da organização, e os princípios e ideais defendidos pelo movimento, entre eles a Reforma Agrária e a Agroecologia.

III Encontro do Senge Jovem Paraná debate o papel da nova geração de engenheiros para a mudança do Brasil

Maria Luiza Francelino e Rodrigo Moschkovich, integrantes do MST

Moschkovich propôs algumas formas para que os estudantes interessados se envolvessem com o movimento, e ressaltou que, apesar das aparentes diferenças entre um trabalhador rural e um engenheiro, ambos são trabalhadores: “não somos donos dos meios de produção e não fazemos política econômica. Se sintam trabalhadores, e internalizam isso”, recomendou.

Debates e audiências públicas

Nesta edição, uma nova atividade foi proposta para aumentar o engajamento dos estudantes nos debates: a dinâmica das audiências públicas, com os temas “Privatizações”, “Agrotóxicos” e “Democratização da Mídia”. Divididos em grupos, os estudantes discutiram os tópicos sugeridos com a mediação de especialistas nos assuntos, que, posteriormente, dissertaram sobre suas áreas de atuação. O tema “Privatizações” foi mediado por Inara Rodrigues, estudante de Engenharia de Energia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), enquanto “Agrotóxicos” teve a intervenção do engenheiro agrônomo André Gabardo, e “Democratização da Mídia” contou com a facilitação da jornalista do Senge-PR, Ednubia Ghisi.

Democratização da Mídia foi tema de debate

A segunda dinâmica desenvolvida foi o “Jogo dos Conceitos”, que permitiu aos congressistas debater e expandir seus conhecimentos sobre uma variedade de temas correntes.

Sobre Faxinal do Céu

Uma apresentação sobre Faxinal do Céu, feita pelo engenheiro florestal da Copel, Mário Torres, levou os estudantes em uma jornada pela história da vila residencial e pelo trabalho de recuperação e reflorestamento das áreas afetadas pela construção da Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz. Torres apresentou a flora nativa e aquela que se desenvolveu pela interferência humana, além de discorrer sobre os cuidados dispensados para manter a beleza da região. Ele terminou a palestra com um alerta sobre o risco que a privatização da usina representa para Faxinal do Céu: “se a Copel perder a concessão, não há como manter. Pela nova política, isso aqui não vai continuar”. A apresentação causou tal interesse que, no domingo pela manhã, uma visita ao Jardim Botânico foi acrescentada à programação do evento, para que os estudantes pudessem ver de perto a beleza que Torres tanto exaltou.

Também participaram do encontro os diretores Senge Sérgio Inácio Gomes, diretor-geral da Regional de Maringá, e Pablo Braga Machado, da Regional de Foz do Iguaçu.

 

FONTE: SENGEE PR / Texto e fotos: Luciana Santos, jornalista do Senge-PR

 

 

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Dados da Agência Nacional de Águas mostram que mais de 80% da água brasileira é destinada à agropecuária

Coluna Senge Jovem | O Acesso e o Uso da Água no Brasil: Realidade a ser repensada!

Por Mateus Silva, Estudante de Engenharia Química na UNILA

A Organização das Nações Unidas (ONU) declara que o acesso à água potável é um direito humano. Podemos contabilizar este como um dos direitos humanos que o Brasil não alcança em sua plenitude. Segundo o Fundo das nações Unidas para a Infância, UNICEF, 6,2 milhões de brasileiros/as não têm água potável em suas casas. Somado a isso, temos 29 milhões sem acesso ao esgotamento sanitário, mesmo com as fossas sépticas entrando na conta.

Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que mais de 80% da água brasileira é destinada à agropecuária. O uso humano direto fica com 10% e a indústria com 7%. Contextualizando o agronegócio brasileiro, vemos majoritariamente o cultivo de soja, em zonas diversas do país, principalmente no centro oeste, e avançando sobre o Pará e o Paraná. Soja essa que não pertence nem ao Brasil, nem ao povo brasileiro. Grande parte da soja produzida no Brasil é commodity alheia, exportada para se tornar ração de animais.

O Ministério do Desenvolvimento Social diz que mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros são provenientes da agricultura familiar, que hoje perde terras, e luta para sobreviver frente aos grandes fazendeiros do país. A partir de tudo isto, vemos que a água brasileira não pertence ao povo brasileiro.

Ademais, temos o aquífero guarani, que além de pertencer ao Brasil, também pertence ao Paraná, sendo atacado. O Congresso Brasileiro hoje, pressionado por multinacionais, está prestes a vender o segundo maior aquífero do mundo, e privatizar um direito humano básico.

Dentro deste cenário caótico, a engenharia tem um papel imprescindível. Cabe a nós, futuros engenheiros/as, não só defender e conquistar o acesso universal à água e ao esgotamento sanitário, mas garantir e implementar as políticas públicas da área. É preciso levar água às casas brasileiras, mas também levar uma água de qualidade, e de preço acessível. A rede de esgoto tem de chegar às mesmas casas, e esse esgoto tem de ser devidamente tratado e o efluente descartado de forma correta.

Há um grande desafio hoje no país, e tanto a academia quanto o governo precisam se fazer presentes, para que os brasileiros/as tenham uma vida digna e justa.

 

FONTE: SENGE PR

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