Foi lançada, no dia 2/5, no Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a Frente Parlamentar em Defesa das Cidades e das Engenharias. O colegiado vai tratar de temas e projetos da Engenharia, promovendo e ampliando ações e debates na Casa Legislativa sobre a questão urbana, sob a perspectiva de defesa do direito à cidade, dos direitos humanos e sociais, bem como, na defesa das categorias profissionais.

De acordo com a proponente da Frente, deputada estadual Maria Del Carmem, os profissionais têm um papel importante na formação de políticas públicas voltadas a luta urbana. Na ocasião, a parlamentar parabenizou os 85 anos do Crea-BA. “Acreditamos que a cidade deve ser pensada de forma ampliada e multidisciplinar e o nosso desafio é fazer a discussão do direito à cidade e fazer com que a temática não assuma caráter temporário”, afirma.

Para o engenheiro civil e presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA), Ubiratan Félix, o Estado tem papel fundamental como indutor do desenvolvimento econômico e social, além de regulador dos conflitos sociais. “Apesar da demanda por obras de infraestrutura urbana e rural, há um grande número de profissionais desempregados e/ou subempregados. É fundamental que o Estado elabore uma política que consiga utilizar este imenso contingente de profissionais no atendimento das necessidades por moradia, transporte e saneamento da população brasileira”, conclamou Ubiratan que também é vice-presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Convidado para explanar sua experiência como presidente da Frente Parlamentar pela Reforma Urbana, o deputado federal por São Paulo, Paulo Teixeira, tratou sobre a política urbana brasileira e ressaltou a importância da Engenharia e Arquitetura. Citou o trabalho desenvolvido em favor da luta urbana pelo deputado Zezéu Ribeiro e sua atividade junto aos nordestinos que ajudaram a desenvolver São Paulo. “Gostei de ver o trabalho desenvolvido na Bahia pelas organizações não-governamentais, deve ser exemplo para todo o país”.

Sobre a Frente

 A Frente Parlamentar em Defesa das Cidades e das Engenharias ainda promoverá debates, fiscalização e acompanhamento da elaboração e execução da política urbana na Bahia, na promoção de assistência técnica aos movimentos sociais e comunidades em situação de vulnerabilidade, bem como na mediação de assuntos entre sociedade civil, entidades e governo.

Para o presidente do Crea, engenheiro civil Luis Edmundo Campos, a frente será um instrumento importante, pois colocará na pauta do Legislativo e da sociedade baiana temas e projetos da Engenharia. “O Crea comemora o lançamento desta frente e coloca sua estrutura à disposição para que funcione e atenda os anseios dos profissionais da área tecnológica e da sociedade”, disse.

Participaram do evento o deputado federal Nelson Pelegrino; o deputado estadual Marcelino Galo; a deputada estadual Olívia Santana; o deputado estadual Robinson Almeida; a deputada estadual Fabíola Mansur; o presidente do Crea-PI, Raimundo Ulisses Filho; os conselheiros do Crea-BA, Leonel Borba e Grace Braga; o presidente do Instituto Politécnico da Bahia, Lenaldo  Almeida; a presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Solange Araújo; a professora da Faculdade de Arquitetura da Ufba, Angela Gordilho; a  representante da União por Moradia Popular, Marli Carrara; o coordenador do BR Cidades, Vinícius Rafael; a vereadora Marta Rodrigues e a presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Gilcinéa Barbosa.

 

Com informações do Crea-BA

Frente Parlamentar em Defesa das Cidades e das Engenharias é lançada na Bahia

Publicado em Notícias

Por Ubiratan Félix*

A anunciada construção do BRT em Salvador tem levantado debates que, embora importantes, parecem se desviar do problema central: o BRT, nada mais, é do que um pretexto para realização das suas obras complementares como viadutos, passarelas e manejo de águas fluviais para facilitar a fluidez dos veículos individuais. O custo da infraestrutura do BRT propriamente dito é de apenas 15% do valor total da obra, que está estimado em R$ 820 milhões, um dos projetos mais caros entre as capitais brasileiras. Além disso, a maior parte da demanda por transporte público no trecho onde será implantado o BRT foi absorvida pelo Metrô, evidenciando que não há necessidade real do uso do modal, pelo menos não no trecho pretendido.

Portanto, os dados e problemas causados pelo BRT vão muito além da questão corte de árvores, que parece ter dominado o debate até o momento. A questão é que, manter a discussão sobre o BRT somente na oposição meio ambiente x mobilidade não ajuda a problematizar as reais intenções políticas do prefeito ACM Neto com esta obra que, na realidade, trata-se de um projeto não existe por si só. A implantação do BRT está sendo utilizada para justificar vultosos investimentos em obras viárias que irão melhorar a fluidez automóvel e, dessa forma, servir à classe média que utiliza transporte individual e não aos usuários de transporte público. Cabe também destacar que o BRT não é uma demanda dos donos das empresas de ônibus.

O modal BRT, em si, não é necessariamente ruim para a mobilidade urbana. Ele é uma solução técnica viável quando a origem-destino está em torno de 25.000 passageiros/dia e poderia ser utilizado, por exemplo, na orla de Salvador, de Itapuã ao Rio Vermelho. Adoção de modal elétrico, como o VLT também é possível, embora se deva considerar o custo da energia elétrica, que impactaria negativamente no valor final da tarifa. Neste caso, deveria haver uma cobrança diferenciada no custo de energia para uso do transporte público. Em resumo, porém, o que os especialistas em mobilidade urbana defendem é a integração dos diversos modais em ordem de prioridade decrescente: pedestre, ciclovias, transporte público e transporte individual. É sobre essa ótica que deveríamos estar discutindo a obra do BRT e todas as demais intervenções ligadas à mobilidade em Salvador.

*Ubiratan Felix é engenheiro civil, presidente do Senge-BA e vice-presidente da Fisenge

"É preciso qualificar o debate sobre o BRT de Salvador", afirma vice-presidente da Fisenge

Publicado em Notícias

Em março deste ano, foi dado início às obras do primeiro trecho do BRT (Bus Rapid Transit) em Salvador, sistema rápido de transporte público que, segundo o site da Prefeitura, é moderno, de alta capacidade, com tecnologia 100% nacional e irá atender bairros onde o metrô não chega, ligando o Centro da cidade e a região do Iguatemi. Para a implantação do novo modelo de transporte, será necessário a construção de viadutos, elevados, ciclovias e linhas exclusivas.

O BRT tem um custo estimado de R$ 800 milhões e de acordo com dados do Ministério das Cidades, fornecidos para o movimento Salvador Sobre Trilhos, o valor de cada quilômetro implantado na capital baiana é o triplo de demais cidades brasileiras. Além do alto custo, a questão ambiental também gerou divisão de opiniões entre os soteropolitanos que formularam um abaixo assinado contra a derrubada de árvores na capital e no último domingo se reuniram em um manifesto contra o projeto.

Ainda segundo o site da Prefeitura da cidade, todas as árvores já foram cadastradas, dentre elas 25% a 30% serão remanejadas para outro local no mesmo canteiro ou para outro lugar. E, com uma estrutura leve, o impacto na paisagem será pequeno e preservará as características arquitetônicas da capital. Mas, para o especialista ambiental, Célio Costa Pinto, a situação é diferente, ele explica que Salvador possui poucas áreas verdes e seus vales, onde correm os rios da cidade, foram utilizados para construção de avenidas sem preservação da mata ciliar e, que a legislação ambiental federal permite obras nessas áreas desde que sejam de utilidade pública e não possuam outra alternativa locacional. Entretanto, não são feitos estudos de impacto ambiental para a tomada de decisão. “O BRT (à revelia de sua necessidade de implantação que é questionável) traz esse agravante de retirada de árvores centenárias em APP, expondo mais ainda a bacia hidrográfica à condição de escoamento superficial de chuvas que pode não suportar, além da perda da beleza cênica e qualidade ambiental da cidade” enfatiza Célio.

Devido ao desconforto da população, a implantação do novo modelo de transporte vem sendo questionada enquanto sua eficiência e necessidade. O engenheiro civil e ex-secretário de mobilidade urbana de Salvador, Carlos Batinga, acredita que não existem políticas claras para o transporte coletivo em Salvador, porém o modal BRT é uma importante alternativa para as grandes e médias cidades brasileiras. Para ele, só é possível resolver os problemas de mobilidade urbana através de grandes investimentos em transporte de massa e restrições ao transporte individual motorizado. “Esperemos que o recém concluído Plano de Mobilidade Urbana de Salvador, seja a base para a implantação de uma política eficiente e duradoura para esta área” completa ele.

O Projeto

Além dos bairros entre o Centro de Salvador e a região do Iguatemi, os bairros vizinhos, como o Vale das Pedrinhas, Nordeste de Amaralina, parte de Brotas, Engenho Velho da Federação, Itaigara, Candeal e outros também estão inclusos nas regiões atendidas pelo novo sistema.

A primeira etapa do BRT está sendo construída com recursos da Prefeitura juntamente ao empréstimo realizado pela Caixa Econômica Federal. Terá uma extensão de 2,9 km e ligará o Loteamento Cidade Jardim (Parque da Cidade) ao Iguatemi (Estação de Integração BRT/Metrô). Já a segunda etapa, ligará a Estação da Lapa ao trecho acima e, corresponderá a um percurso de 5,5km. Para esse segundo trecho, a prefeitura contará com recursos federais.

A terceira etapa ainda está em formação e captação de recursos, ela consiste na ampliação do segundo trecho e a ligação entre o Parque da Cidade ao Posto dos Namorados, na Pituba, um percurso de 1,8 km. Para todos os trechos será necessária a construção de viadutos, elevados, ciclovias e linhas exclusivas.

Fonte: Giovana Marques (Ascom Senge-BA)

Implantação do BRT divide opiniões em Salvador

Publicado em Notícias

O sonho do então estudante Alisson Oliveira, 31 anos, era seguir a carreira científica. Chegou a cursar Física na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, mas as dificuldades enfrentadas por um pesquisador o desiludiram. Decidiu, então, fazer Engenharia Civil. Em 2009, entrou na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em 2013, se formou e já saiu empregado.

Escolheu Engenharia porque, naquele momento, ninguém ficava desempregado. Com vagas à disposição, os salários eram altíssimos.
Só que vieram as crises. A política, a econômica e a da própria Engenharia Civil. No fim de 2014, Alisson foi demitido. De lá para cá, nunca mais conseguiu trabalhar na área. Hoje, é motorista de Uber e trabalha de madrugada para conseguir receber aproximadamente um terço do salário de quatro anos atrás.

“Já larguei a área. Estou estudando para concurso e, se der certo vou sair do Brasil”, diz, categórico. Alisson, que trabalhou numa empresa terceirizada que participou da construção da Arena Fonte Nova, vai fazer provas para Petrobras e para o cargo de investigador da Polícia Civil neste domingo (22).
Alisson não está sozinho. Como ele, milhares de engenheiros civis – de recém-formados aos antigos na profissão – passam por uma situação dramática. Depois que o setor vivenciou um crescimento fora do comum entre 2008 e 2014, vieram os altos índices de desemprego e de empresas sendo fechadas.

Só em 2015, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge) homologou 600 demissões no estado. Em 2016, foram 500. Em 2017, o número caiu para 300 – não porque a situação melhorou; mas porque a construção civil já extinguiu tantos cargos e demitiu tanta gente que já não há mais por onde cortar. Uma coisa é certa: os demitidos nos anos anteriores não foram contratados novamente.

E isso é só relacionado aos que passam pelo sindicato, porque, como explica o presidente do Senge, Ubiratan Félix, muitas empresas não fazem isso. “Esse ano está mais tranquilo porque não tem mais quem seja demitido. Houve uma situação muito forte nos últimos tempos de quem ia homologar e não recebia nada porque a empresa entrou em recuperação judicial. O sindicato está acompanhando profissionais desempregados, que estão tendo uma situação difícil de ter até que retirar filho da escola”, diz ele, que também é professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

Crise nacional
Não há como dissociar a crise na engenharia civil com a crise no país. Como explica o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-BA), Luiz Edmundo Campos, a situação econômica nacional em 2008 – de crescimento e mais empregos sendo oferecidos – fez com que salários aumentassem. Assim, as pessoas começaram a melhorar de vida. Muita gente comprou carro, apartamento e a engenharia civil ia de vento em popa.
Basicamente, dava para usar uma regra e, a partir dela, compreender como estava o Brasil. O coordenador de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, diz que o campo é um ‘termômetro da economia’. “E oscila em detrimento das ações públicas de nossos governantes, fomentado pelas grandes empresas do mercado imobiliário e de serviços”.

Naquele momento, era como se o termômetro indicasse que o Brasil tinha a saúde de um jovem atleta da Seleção Brasileira de Vôlei, de Futebol ou de Natação. Nenhum sinal de febre – o que provocou o aumento do interesse pela Engenharia Civil. O que acontece é que um estudante da área passa pelo menos cinco anos na faculdade.

Ou seja – quem entrou em 2008 esperando encontrar um campo pulsante saiu somente em 2013. Aqueles que começaram em 2009 saíram em 2014 já no estopim da crise econômica do país – e isso seguiu com os que fizeram vestibular em 2010, 2011 e 2012.

Em 2008, 625 novos engenheiros civis pediram registro no Crea. Entre 2009 e 2012, o número continuou oscilando entre 500 e 600. É a partir de 2013 que as coisas começam a se inverter: só naquele ano, o mercado ganhou 739 novos engenheiros civis. Em 2017, em plena crise, 1.581 engenheiros saíam da faculdade – praticamente o triplo da quantidade que chegava ao mercado nos anos de maior crescimento da construção.

Esses profissionais foram atraídos pelo salário – o piso nacional é de oito salários mínimos e meio – e pela possibilidade de crescimento. Naquele momento, segundo o presidente do Senge, Ubiratan Félix, o mais comum era que as empresas pagassem bem mais que o piso. Dava até para escolher quem dava mais pelo serviço. Agora, até o piso é raro.

Insustentável
O crescimento foi tão grande que dava para imaginar que aquilo não seria sustentável a longo prazo, para alguns especialistas. Em poucos meses, bairros inteiros nasciam praticamente do nada – como o que aconteceu em pontos da Avenida Paralela. E isso só no que tange ao desenvolvimento imobiliário, que é o mais perceptível para a população. No entanto, a infraestrutura pesada também nunca crescera tanto.

Pelas faculdades, passaram milhares de estudantes que, na avaliação do coordenador, muitas vezes nem tinham afinidade com a área. Os números gigantescos, no fim, eram um indicativo de que algo daria errado. O pior, na verdade, ainda estaria por vir. Para o professor, a própria profissão de engenheiro civil passa por um momento muito delicado – a ética do campo foi colocada em debate.

Pouco tempo atrás, ele chegou a participar de um evento em uma escola, onde apresentou a Engenharia Civil para estudantes do 3º ano. A surpresa veio logo na primeira pergunta de um aluno. “Existe uma cultura de corrupção na profissão de engenharia civil?”, lembra Ferreira. Otimista, tentou explicar para os jovens que a corrupção não está associada a uma profissão específica, mas às pessoas.

Fechamento de empresas
Durante os anos de ouro, a maior parte do mercado local – inclusive construtoras – era subcontratada e empregada por duas ou três grandes empresas baianas. Isso podia acontecer de forma direta ou indireta. “Não tinha como não ter uma repercussão direta nessas empresas”, diz, referindo-se ao cenário atual.

Só para dar uma ideia, de acordo com a Junta Comercial da Bahia (Juceb), em 2008, existiam 1.473 empresas de engenharia civil ativas no estado. O número inclui construtoras, empresas de obras de impermeabilização; serviço de pintura; empresas que trabalham com edificações; empresas que vendem e arrendam máquinas e equipamentos; e empresas que fazem consultorias e projetos da área.

Naquele ano, 266 corporações foram abertas e 47 foram fechadas. Em 2017, a proporção entre novas empresas e aquelas que fecharam as portas passou de 17% para 42% - 354 abertas e 149 fechadas, além de 3.477 ativas. Só este ano, até o dia 11 deste mês, 91 empresas abriram e 55 fecharam – uma proporção de 60,43%.

Hoje, é como se os postos de trabalho tivessem regredido a uma situação um pouco pior do que antes de 2008. Naquele ano, toda a construção civil empregava 133 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados do Sinduscon. Em janeiro de 2018, 118 mil pessoas estavam na mesma condição.

Isso não seria tão grave, como explica o presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, se o setor não tivesse conhecido um cenário quase duplicado – em 2013, o número de empregados com carteira assinada batia em 230 mil. Era uma novidade para um campo que, por muito tempo, levava engenheiros a trabalhar no mercado financeiro e até a fazer concursos para auditores fiscais.

E, embora aqui, a crise esteja personificada pelos engenheiros, ela afeta toda a cadeia produtiva de forma geral. Começa com os corretores de imóveis, passa pelos cartórios de imóveis e depois chega aos responsáveis pelos projetos – arquitetos e projetistas. Durante a construção em si, é a vez dos engenheiros e dos operários. Por fim, há a indústria de mobiliário, a publicidade e até os veículos de comunicação – que dependem do mercado imobiliário para a propaganda.

“Nosso ciclo é muito grande. É de cinco anos pelo menos – entre a compra do terreno e o fim de uma obra. As obras só vieram sentir em 2014”, explica Passos. Coincidentemente ou não, o tempo é o mesmo da formação de novos engenheiros.


Jovens engenheiros se deparam com mercado sem contratações
Foram cinco anos até que, finalmente, viesse a formatura, em julho de 2017. No currículo, qualificações importantes: graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, uma das mais renomadas do país, e estágio na construtora Even. Mesmo assim, desde que recebeu o diploma, a engenheira civil baiana Giulia Ghirardi, 23 anos, não conseguiu um emprego.

Ainda em julho, voltou para Salvador. Queria ficar perto da família. Desde então, já fez concursos e distribuiu dezenas de currículos pela cidade. Tentou de pequenas a grandes empresas – mesmo assim, não adiantou. “Quando você não tem quem lhe indique, é muito mais difícil. E eu não tenho ninguém influente na minha família, nem que trabalhe na área atualmente”.

Giulia escolheu a carreira às cegas, porque sabia que gostava de Exatas. Chegou a flertar com a Arquitetura, mas, no fim, decidiu pela Engenharia Civil. Fez vestibular em 2011, mas não foi aprovada na Universidade Federal da Bahia (Ufba). No semestre seguinte, contudo, tentou a vaga na Mackenzie e conseguiu. Como a família do pai é de São Paulo e seu avô tinha sido formado por aquela instituição, pareceu quase um caminho natural.

As mensalidades custavam, em média, R$ 2 mil e, para economizar, morou com uma tia durante boa parte do curso. Quando começou o estágio, conseguiu alugar um apartamento por R$ 1,4 mil. Para ela, não há dúvidas de que o cenário é diferente de quando entrou na faculdade.

Mesmo os colegas que ficaram em São Paulo não têm conseguido trabalhar. Os que estão, de alguma forma, inseridos no mercado de trabalho, não estão fazendo aquilo que querem.

Hoje, Giulia é aluna do mestrado em Gestão e Tecnologia Industrial do Senai-Cimatec. Ela espera que, com isso, possa se destacar mais entre os milhares de engenheiros na mesma situação. “Foi um investimento (financeiro) grandíssimo, que não gosto nem de lembrar. Atualmente, meus pais me ajudam e tenho uma reserva de quando ainda estava trabalhando”. No fundo, ela tem uma certeza que a tranquiliza: a Engenharia Civil é fundamental para o desenvolvimento. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, as obras voltam.

Tecnologia
Isso também é o que a professora Tatiana Dumet, diretora da Escola Politécnica da Ufba, defende. Segundo ela, o Brasil ainda tem ‘falta’ de engenheiros. “A gente forma 40 mil engenheiros por ano e deveria estar formando 60 mil para atender as demandas de tecnologia. Mas não quer dizer que vai ter emprego para todo mundo”, reforça.

Uma nova cultura que a Politécnica tem tentado implementar é justamente de criar uma cultura de inovação entre os estudantes – ou seja, que se tornem seus próprios empregadores. A ideia é que, com isso, os jovens saiam desses dois horizontes – de ser funcionário público ou de trabalhar para grandes empresas.

“Existem ciclos na Engenharia, sem sombra de dúvidas. Eu formei em 1988 e já passei por dois ou três”, conta. A realidade atual parece ser a de um ciclo de baixa. Na própria Politénica, os estudantes têm postergado a formatura um ou dois semestres para tentar conseguir o estágio. “Eles estão realmente preocupados e houve uma diminuição de oferta de estágio. Antes, a gente recebia quase que diariamente pedido de indicação”.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Ubiratan Félix, durante o boom da construção civil, não era incomum que estagiários recebessem uma bolsa de R$ 1,8 mil. “Os alunos escolhiam. Não é a realidade de hoje, que tem uma super oferta de estudantes e até estágio de graça está difícil”.

Nos últimos vestibulares, a concorrência para Engenharia Civil caiu – o que reflete o interesse dos atuais estudantes de Ensino Médio na área. No auge, na Escola Politécnica, Engenharia Civil chegou a ter 15 candidatos por vaga. Hoje, fica em torno de 6 ou 7.

Mesmo assim, tem gente que não desanima. Apesar de saber de toda a situação do país e de recessão no campo, o estudante Thiago Bozzo, 19, não desistiu da Engenharia Civil. Hoje ele está no 2º semestre do curso e ocupa o cargo de gerente de venda na empresa júnior do curso, a Engetop.
Para Thiago, porém, o futuro ainda é uma incógnita. Na empresa júnior, descobriu que gosta também de gerenciar. Assim, consegue se ver também nessa função. “Tenho, sim, vontade de passar por obra e por construtoras, mas também de ter um futuro no meio empresarial, de negócios. São coisas que me identifico”.

O coordenador do curso de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, explica que as habilidades de um profissional da área costumam mesmo ser bem vistas no setor empresarial. Ele cita a facilidade de raciocínio rápido, visão espacial e grande potencial de poder de decisão.

“As Engenharias têm uma vasta atuação no mercado de trabalho no Brasil e não se limitam apenas a trabalhos específicos de projetos e construções. Então, mostramos aos futuros profissionais as possibilidades de atuação para que possam utilizar as habilidades adquiridas”.

A ansiedade e o medo nos jovens são compreensíveis. Apesar disso, o engenheiro elétrico e professor da Faculdade Área 1 Wyden Raimundo Menezes diz que ainda vale a pena investir no setor. Para o professor, esses profissionais serão requisitados pelo mercado no futuro.

Mesmo na Engenharia Civil, uma saída é investir nos nichos de constrição. “Um deles é o de apartamentos quarto e sala e outro é o mercado de alto luxo, com apartamentos de R$ 3, 4 milhões que as empresas conseguem vender. Mesmo na crise, existem esses nichos”.

Nem tudo é crise: em algumas engenharias, há vagas e oportunidades
De fato, a crise não é só na Engenharia Civil. A situação não tem sido fácil na Engenharia Elétrica, na Mecânica... Para o professor Frederico Andrade, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Unijorge, uma das áreas que mais sofreu foi a Engenharia de Petróleo e Gás. “O efeito (da crise) sobre a Petrobras e toda a cadeia do petróleo acabou afetando muito”, cita.

No entanto, ele diz que a indústria tem conseguido criar outras alternativas – como a exportação, que é uma das saídas da indústria automotiva brasileira hoje. “Por isso, na Engenharia Mecânica, você tem uma certa retomada um pouco mais rápida do que em outras áreas. A construção civil, por exemplo, depende dessa capacidade de renda do mercado interno e as obras de infraestrutura dependem da capacidade do governo de investir”.

Mas existe algum campo onde há vagas? Para a engenheira elétrica Tainá Andrade, professora e coordenadora dos cursos de Engenharia da Faculdade Ruy Barbosa, o ‘engenheiro consultor’ será uma função cada vez mais comum, já que os empregos com carteira assinada estão mais limitados.

Ela cita os profissionais que fazem estudos.

O que tem despontado na Engenharia, nos últimos anos, são as fábricas inteligentes, a internet das coisas e a indústria 4.0. Todas são opções de carreira. Segundo Tainá, em alguns estados, cursos de engenharia voltados à indústria 4.0 já estão sendo pensados. “Não vai ser só construir prédios residenciais, mas pensar em toda uma estrutura diferente”.

Além disso, entre as carreiras promissoras, ela destaca a de Engenharia de Produção – mais ‘versátil’, o profissional da área pode trabalhar em diferentes ramos. “É possível trabalhar com Engenharia Elétrica, Química, de Produção Civil, Engenharia Ambiental. Na grade, também tem aulas de automação, robótica, qualidade, eletricidade”, exemplifica.

Por Thais Borges - Rede Bahia/Correio 24 horas

FOTO: AKIRA ONUMA / ASCOM SUSIPE

Em crise, engenheiros desempregados viram até motoristas de Uber

Publicado em Notícias

Nesta última sexta-feira (2), os associados e associadas ao Senge-BA curtiram a tradicional Feijoada do Engenheiro. O evento foi guiado ao som da banda Trilha Sonora e contou com a presença de figuras importantes para o cenário baiano, como políticos, líderes de movimentos sociais e dirigentes sindicalistas.

Os convidados também prestigiaram o lançamento da cartilha “Mercado de Trabalho dos Engenheiros (as) na Bahia e no Brasil”, que contém dados comprovados pelo Departamento Intersindical de Estáticas e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, sobre a faixa de remuneração, modalidade de estabelecimentos, gênero e faixa etária dos profissionais, entre outras.

E, aproveitando a presença de todos, o Senge-BA também promoveu a campanha “Privatizar a Chesf é privatizar a água. Privatizar a água é privatizar a vida”, contra a privatização da Chesf, que em especial no Nordeste causará grandes impactos, pois o Rio São Francisco, que é fundamental na economia da região, também é a bacia hidrográfica que abastece a companhia hidrelétrica.

Confira todas as fotos AQUI

por Giovana Marques (Ascom Senge-BA)

Senge-BA realiza mais uma tradicional Feijoada do Engenheiro

Publicado em Notícias

Dia 11 de dezembro, dia do Engenheiro, será marcada por uma sessão especial na Câmara Municipal de Salvador, em homenagem à categoria. O evento acontece a partir das 09h, no Plenário Cosme de Farias e é organizada pelo Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA) e pelo mandato do vereador Leo Prates.

Na ocasião, o Senge-BA fará homenagens profissionais com destacada atuação na área: a engenheira civil, professora e a primeira mulher a ocupar a diretoria da Escola Politécnica da UFBA, Tatiana Dumêt; a engenheira de alimentos, Márcia Nori, vice-presidente do Senge-BA e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana; Paulo Medeiros, engenheiro civil extremamente atuante nas entidades representativas da categoria; e, o engenheiro civil, Asher Kiperstok, coordenador da Rede de Tecnologias Limpas da Universidade Federal da Bahia e atuante na prevenção a poluição e na engenharia sanitária e ambiental, o engenheiro e servidor público José Casqueiro (Codesal) e o ex-secretário de Transportes Urbanos de Salvador e ex-superintendente do Setps (sindicato das empresas de ônibus), Horácio Brasil (in memoriam)

Serviço:

Sessão Especial em homenagem ao Dia do Engenheiro

Data: 11 de dezembro de 2017

Horário: 09h

Local: Plenário Cosme de Farias – Câmara Municipal de Salvador

Dia do Engenheiro terá sessão especial na Câmara Municipal de Salvador

Publicado em Notícias

A Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento, a professora e engenheira civil e ambiental, Ana Carolina Nadalini, será a instrutora do Curso Avaliação e Perícia Ambiental – Aspectos Técnicos e Legais. As aulas acontecem nos dias 13 (quinta), 14 (sexta) e 15 (sábado) de julho no campus de pós-graduação da Unijorge, no Stiep, em Salvador. O curso tem o objetivo de apresentar pontos de vista teóricos e práticos da perícia ambiental. A proposta é detalhar os aspectos legais aplicáveis, metodologias relacionadas à valoração e identificação de danos ambientais.

IBAPE-BA realiza curso de Perícia Ambiental

O evento é dedicado a profissionais que atuam ou pretendem atuar como perito judicial ou assistente técnico na área ambiental, bem como profissionais da área ambiental, como consultoria e assessoria. No conteúdo programático, temas como introdução à perícia ambiental, tipos de perícia e ações, mercado de trabalho, laudo e documentos necessários para análise ambiental, além de cases de danos ao meio ambiente e laudos. Especialista na área, Ana Carolina Nadalini tem no currículo ainda a pós-graduação em Engenharia Ambiental e Gestão de Negócios, além de livro e trabalhos no segmento.

Mais informações através dos telefones (71) 3334-8300 ou 9 9166-2720.

Informações da Palestrante
Engenheira civil formada pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP/SP, doutoranda em Energia e Ambiente na Universidade Federal da Bahia/UFBA; Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal de Sergipe/UFS; Pós-graduada em Engenharia Ambiental pela FAAP; Pós-graduada em Gestão de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas –FGV/SP; Professora dos Cursos de Gerenciamento de Obras e Tecnologia das Construções da Faculdade Área1 – Salvador/BA; Co-autora e coordenadora do livro Perícia Ambiental da editora Pini; Membro da Câmara Ambiental do Ibape-SP; Perita Avaliadora do Poder Judiciário Estadual e Federal (São Paulo e Sergipe); Sócia-diretora da Valini Soluções Energéticas e Gestão Ambiental; ganhadora da Medalha Ibá Ilha Moreira Filho, prêmio nacional concedido ao melhor trabalho na área ambiental, no XVIII COBREAP – Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias, Belo Horizonte/BH, 2015; ganhadora da Medalha Claudio Bock, pelo melhor trabalho na área de Perícia Ambiental, no XV COBREAP/SP; e Menção Honrosa Walter Figueiredo Souza no XIV COBREAP/BA.

O que: Curso de Perícia Ambiental

Quando: 13 (quinta) das 18:30 às 22:30, 14 (sexta) das 08:30 às 18:30 e 15 (sábado) das 08:30 às 16:30.

Quanto: de R$ 277,88,00 à R$ 650,00,00 a depender da modalidade

Onde: Novo Campus da Faculdade Unijorge – Av. Tancredo Neves, Edf. Civil Trade.

Informações pelo site: www.ibapebahia.org.br

e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Telefones: (71) 3334-8300 / (71) 9 9166-2720

Publicado em Notícias

Dos dias 8 a 11 de junho acontece na Praça da Piedade, em Salvador, a feira de produtos oriundos da reforma agrária. Além da comercialização dos alimentos, o evento conta também com palestras, debates e atividades culturais. Na linha do projeto SOS Brasil Soberano, o Sindicato dos Engenheiros no Estado da Bahia participa do evento. De acordo com o presidente do Senge-BA, Ubiratan Felix, a feira contribui para a popularização de alimentos da reforma agrária. "A produção de alimentos orgânicos é fundamental para alimentar, de maneira segura e saudável, brasileiros e brasileiras. A engenharia exerce papel importante na contribuição de assistência técnica rural para a agricultura familiar", afirmou Ubiratan.

O Senge-BA tem uma barraca com as cartilhas da Reforma da Previdência, terceirização, Reforma Política, Revista Fisenge e o vídeo da Engenheira Eugênia contra os ataques do governo Temer aos trabalhadores brasileiros.

Feira de produtos da reforma agrária ocorre em Salvador

Publicado em Notícias

O II Simpósio SOS Brasil Soberano reuniu cerca de 200 pessoas na última quinta-feira (27), para debater o tema Engenharia, tecnologia e aproveitamento de recursos naturais no Brasil, no auditório da Escola Politécnica da UFBA, em Salvador. Parte das atividades de mobilização para a greve geral do dia 28 de abril, o projeto SOS Brasil Soberano visa construir um programa nacional de fortalecimento de direitos e de afirmação do desenvolvimento do país, na contramão das reformas propostas pelo governo atual.

Na pauta, propostas para reverter a desnacionalização da infraestrutura, da indústria, e dos patrimônios naturais do país, especialmente nos segmentos de petróleo, inovação e desenvolvimento tecnológico. Entre os palestrantes convidados, o historiador Valter Pomar, o geólogo Guilherme Estrella, que chefio a equipe responsável pela descoberta de petróleo no pré-sal, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, o professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ Luis Manuel Rebelo Fernandes, o contra-almirante Alan Paes Leme Arthou, que foi gerente executivo do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear da Marinha (Prosub), Vicente Andreu Guillo, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), os jornalistas Fernando Brito (do blog Tijolaço) e Miguel do Rosário (blog O Cafezinho), e o Asher Kiperstock, coordenador da Rede de Tecnologias Limpas (Teclim), da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O evento foi aberto pelo presidente da Federação dos Sindicatos de Engeheiros, Clovis Nascimento, pelo presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado da Bahia (Senge-BA), Ubiratan Félix, e pelo historiador e coordenador do projeto, Francisco Teixeira. Em sua primeira edição, no dia 31 de março, no Rio, Teixeira explicou que o Simpósio SOS Brasil Soberano discutiu medidas emergenciais sobre emprego, trabalho e inclusão social, para lutar contra a mais aguda crise econômica, institucional e ética da História da República após o golpe de 2016, que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff.

Tatiana Bittencourt Dumêt, diretora da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, que participou da mesa de abertura, destacou que a engenharia tem um papel fundamental para o país sair da grave crise que enfrenta. “Não é possível ter progresso sem engenharia forte. Ela é fundamental para chegarmos a um país mais justo e mais igual.”

Também participaram da mesa de abertura Luciene da Cruz Fernandes, presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub Sindicato); Eleonora Lisboa Mascia, 1ª Vice-presidente da Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA); Manoel Barretto, ex-presidente da CPRM, ex-diretor do Senge/BA e Fisenge, coordenador do SOS Brasil Soberano; Maria del Carmen, deputada estadual (PT-BA); e Caiuby Alves da Costa, presidente do Instituto Politécnico da Bahia.

Os próximos simpósios serão em Belo Horizonte (MG), nos dias 25 e 26 de maio, e em Curitiba (PR), no dia 30 de junho. Clique aqui para conferir a íntegra das palestras estão disponíveis aqui.

Fonte: Verônica Couto / SOS Brasil Soberano 

II Simpósio SOS Brasil Soberano reúne cerca de 200 participantes em Salvador

 

 

Publicado em Notícias

Por Tanara Régis

Em 11 de junho deste ano, o metrô de Salvador completou 1 (um) ano de funcionamento, depois de inacreditáveis 14 anos de obras atrasadas. Para o presidente do Senge BA, engº civil Ubiratan Félix, mesmo com importantes avanços na operação da Linha 1 e na implantação da Linha 2, o metrô de Salvador ainda tem impasses a serem superados, como o da integração física e tarifária.

O tema foi amplamente debatido no Seminário Integração Física-Tarifária do Transporte Urbano de Salvador, realizado durante a tarde de ontem (25/08), no auditório da Assembleia Legislativa da Bahia – Alba, em Salvador. A iniciativa do Senge BA e Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – Fisenge, contou com a presença de especialistas da área de transportes, da deputada estadual, engª Maria del Carmen, do deputado estadual, engº Marcelino Galo e do chefe da Casa Civil do Estado, o economista, Bruno Dauster.

De acordo com Dauster, as ações de integração física do metrô com demais modais de transporte buscam reduzir o tempo de viagem, já que em Salvador um dos grandes problemas está no deslocamento entre bairros com distâncias extremas. “Vamos criar pontos que concentrem as diferentes linhas de transporte urbano, articulando os sistemas de pequena e média capacidade aos de alta capacidade. A integração dos corredores articulados do BRT – Bus Rapid Transit, por exemplo, reduz esse tempo através das vias exclusivas que não param em sinaleiras”, explica.

Dauster garantiu ainda o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, em substituição aos trens do Subúrbio Ferroviário de Salvador, e a instalação de bicicletários seguros em todas as estações de metrô da cidade. Quanto à integração tarifária, o chefe da Casa Civil não determinou o valor do bilhete único que será definido através de estudos técnicos. A proposta é que tenha subsídio dos governos federal, estadual e de entidades privadas.

“O Governo da Bahia está patrocinando uma redefinição da geografia do transporte de Salvador. Além dos mais de 60 quilômetros de veículos sobre trilhos, como o Metrô e o VLT, as obras das Linhas Azul e Vermelha vão proporcionar aos soteropolitanos uma mobilidade mais confortável, rápida e segura. As tarifas serão cobradas de forma também integrada. Começaremos com a integração entre ônibus e metrô e estamos trabalhando para reduzir ao máximo o custo para os usuários”, conclui Dauster.

Para Ubiratan Félix, a divisão dos subsídios entre os entes federados enfrenta a dificuldade de recursos dos municípios. “A Bahia ocupa o sexto lugar entre os oito estados com maior influência no PIB – Produto Interno Bruto Nacional, único do nordeste a integrar a lista. Mas está em 25º na arrecadação per capita e 26º na arrecadação por km². Isso prova que as cidades baianas sofrem com a desigualdade de renda e ainda são muito pobres”, diz.

Senge-BA: Seminário evidencia soluções para integração de transportes em Salvador

Mobilidade – O evento contou com a participação dos irmãos, engº Emiliano Affonso e arq Nazareno Affonso, especialistas na área de transportes. “É um equívoco pensar que mobilidade urbana é interesse apenas da população pobre. Nos Estados Unidos, a cada $ 1 bilhão investidos no setor, gerou-se $ 6 bi em retorno para a economia”, diz Emiliano, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô – Aeamesp.

O engenheiro relatou a experiência no sistema de transportes em São Paulo que enfrentou problemas como saturação dos sistemas e o aumento do número de moradores do subúrbio que se deslocavam diariamente para os centros da cidade.

“Tivemos que pensar em uma rede integrada que reduz o tempo de deslocamento, melhora as condições de vida da população e sem aumento da tarifa do usuário”, explica.

Para ele, a integração deve promover a mobilidade de “porta a porta”, independente do sistema usado. “A mobilidade se inicia do momento em que o cidadão sai de sua casa. Isso significa que a rede integrada envolve também bicicletas e calçadas para pedestres”, fala.

Quanto à integração tarifária, foi citado o exemplo dos Estados Unidos, em que 100% do subsídio é público, dividido entre os entes federados, sendo a maior parte do governo federal. A população paga 33% no valor das passagens.

“Ao contrário do Brasil, em que grande parte dos investimentos é arcado pelos municípios. Na operação dos sistemas não existe integração e o subsídio do governo federal para o transporte individual é muito maior do que para o coletivo”, alerta.

No mesmo sentido, o arq Nazareno, coordenador nacional do Movimento pelo Direito ao Transporte Público e de Qualidade – MDT, lembra que no Brasil o usuário do transporte coletivo chega a pagar 20% a mais nas tarifas devido as gratuidades sociais. “Vale ressaltar a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada em 2012, que estabelece a democratização do uso das ruas. Um desafio quando a via pública é apropriada pelos automóveis em mais de 80% (para circular e estacionar), enquanto a lei determina que a eles deva ser reservado no máximo 30%. ”, conclui.

Saiba mais

Apresentação – Emiliano Affonso

Contrato de Programa (Define as regras e responsabilidades da integração entre os modais sobre trilhos e pneus, entre o Estado e Prefeitura Municipal de Salvador)

Convênio Cooperação Intrafederativo (Convênio para planejamento conjunto da construção, implantação e operação do sistema integrado de transporte público intermunicipal)

Publicado em Notícias
Página 1 de 2