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No próximo dia 19/6. acontecerá a audiência pública "Defesa da soberania nacional: contra as privatizações do governo Temer", na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Promovida pela Comissão Especial de Desenvolvimento Urbano da ALBA (CEDUrb), a audiência tem o objetivo de debater as recentes privatizações de empresas estatais anunciadas pelo governo e estratégias de resistência. A Comissão é presidida pela deputada estadual Maria del Carmen. A audiência, que terá início às 9h,  também é uma realização da Fisenge, do Senge-BA e do movimento SOS Brasil Soberano.   

Na Bahia, audiência pública irá debater "Defesa da soberania nacional: contra as privatizações do governo Temer"

 

 

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Defesa da engenharia, da Eletrobras e da soberania nacional são os temas abordados, em vídeo, pelos engenheiros Clovis Nascimento (presidente da Fisenge) e Olímpio Alves dos Santos (presidente do Senge-RJ). Ambos declaram apoio integral à paralisação dos trabalhadores do setor elétrico. Clique e confira abaixo!

• Clovis Nascimento
• Olímpio Alves dos Santos

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Terça, 22 Maio 2018 16:10

ARTIGO: O saneamento no Brasil

Por Clovis Nascimento*

ARTIGO: O saneamento no Brasil

Até 2003 o setor de saneamento no Governo Federal era tratado de forma dispersa, pois havia cerca de 11 Ministérios que, de alguma maneira, atuava na área. A partir de 2003, atendendo a um pleito dos movimentos sociais, foi criado o Ministério das Cidades e, consequentemente, a Secretaria Nacional de Saneamento que passou a congregar todas as ações de saneamento no âmbito do Governo Federal, ou seja, o saneamento passou a ter um único endereço.

Outro aspecto fundamental a ser observado é que os recursos federais estavam absolutamente vedados ao setor público de saneamento brasileiro, pois até 2003 o governo federal tinha como proposta central a privatização. Com a criação da Secretaria Nacional de Saneamento do Ministério das Cidades, essa tentativa de entrega do setor à iniciativa privada foi retirada da agenda e os recursos federais voltaram a ser disponibilizados, aquecendo a cadeia produtiva e levando benefícios de água e esgotamento sanitário para o povo brasileiro.

Há que se registrar que, no saneamento, a presença do poder público é fundamental, uma vez que o serviço de abastecimento de água tem função social, é um monopólio natural e, portanto, não pode ser tratado como mercadoria. Além de tudo, água é um bem essencial à saúde e à vida.

Conceitualmente, o saneamento congrega as ações de abastecimento de água, a coleta, o transporte, o tratamento e o destino final adequado dos esgotos sanitários, o manejo das águas pluviais na drenagem urbana e o manejo dos resíduos sólidos.

A média de perdas nos sistemas de abastecimento de água no Brasil é da ordem de 38% a 50% nas cidades brasileiras, onde não há controle de qualidade da água distribuída a população. Na área de esgotamento sanitário, os números são ainda mais preocupantes, pois cerca de 50% do esgoto coletado não é tratado e, hoje, coletamos apenas 48% do esgoto produzido pelo povo brasileiro. De acordo com dados do Siga/Brasil (sistema de informações sobre orçamento público federal), a despesa executada com saneamento, no orçamento da União, teve uma drástica queda, principalmente entre 2009 e 2017.

 ARTIGO: O saneamento no Brasil

 Informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), elaborado pelo Ministério das Cidades, do Governo Federal, no período de 1995 a 2016, revelam que a evolução da universalização dos serviços de esgotamento sanitário ainda é muito baixa. Este cenário conflita diretamente com a resolução da Organizações das Nações Unidas (ONU), o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, que é de “assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos”.

O Brasil caminha em passos lentos, violando, inclusive, um direito humano da Constituição, que assevera o direito à água. Sob a justificativa de quitação de dívidas de alguns estados, o governo federal tenta implementar uma agenda de privatização das companhias de saneamento, ao contrário de Paris, Berlim e outras 265 cidades no mundo que reestatizaram o setor, apontou estudo da pesquisadora Satoko Kishimoto. Neste documento, ela e os demais autores defendem que há boas referências no mundo de uma gestão pública eficiente, considerando que 90% do fornecimento de água no mundo é público.

No Brasil, um exemplo de tentativa de privatização é a Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (CEDAE), uma empresa lucrativa que rende dividendos ao estado. No terceiro trimestre de 2017, o lucro da Cedae subiu 9 vezes, para R$ 162 milhões. A companhia atende cerca de 12 milhões de pessoas em 64 municípios.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada dólar investido em água e saneamento, há uma economia de 4,3 dólares em saúde global. Portanto, investimento em saneamento é investimento na vida humana. O Brasil atravessa uma crise política, que tem aprofundado a desigualdade social, estabelecendo amplos parâmetros de miséria e pobreza.  Portanto, a discussão central perpassa sobre as prioridades do Estado, entre privilegiar o pagamento da dívida pública ou o papel social para a melhoria das condições de vida da população.

A engenharia desempenha função estratégica na formulação de políticas públicas rumo à universalização do saneamento. Nesse sentido, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) formularam o projeto SOS Brasil Soberano, que é um movimento cujo objetivo é debater questões nacionais estratégicas em defesa da engenharia, da soberania e do desenvolvimento social. Outro Brasil é possível e, para isso, é preciso mobilização de todos os setores da sociedade.

 

* Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista, pós-graduado em políticas públicas e governo, e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), reeleito em 2017. Também é vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ). Clovis exerceu o cargo de Subsecretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos do Rio de Janeiro e foi Diretor Nacional de Água e Esgotos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, no período de 2003 a 2005. Profissional com mais de 40 anos de atuação no Setor de saneamento ambiental, na CEDAE. Clovis foi presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, eleito por dois mandatos.

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Terça, 22 Maio 2018 12:21

ARTIGO: 50 anos do maio de 1968

Por Ubiratan Félix*

Se há algo que marcou o ano de 1968 foi o movimento estudantil. No Brasil e em outros países, os estudantes saíram às ruas protestando contra a guerra e o ensino arcaico e pela paz. Apesar das reivindicações específicas de cada país quanto às reformas universitárias e os problemas locais, há questões comuns a todos, como o anti-imperialismo refletido na revolta contra a interferência dos EUA no Vietnã, e a crítica à esquerda convencional que optou por reformas consentidas pela burguesia e pela política de colaboração de classes.

Em relação à universidade, os estudantes recusavam as formas tradicionais e desinteressantes do ensino, sua elitização e mesmo o fato da ciência e da cultura serem usadas como formas de dominação da burguesia. Com a força de contestação que perpassava o meio universitário, os estudantes ganham as ruas e a adesão de setores da sociedade que, quando não se engajam diretamente nas greves e passeatas, mostram-se solidários ao movimento.

As manifestações estudantis ocorreram durante todo o ano na Alemanha, Itália, EUA, Argentina, Argélia, Tchecoslováquia, Polônia, Chile, França, Brasil e muitos outros países. Na França, em 20 de março de 1968, teve início o movimento que ficaria conhecido como “maio de 68 ou maio francês”, com a ocupação da universidade de Nanterre pelos estudantes, em protesto pela a prisão de um colega que pertencia ao comitê “Vietnã contra a guerra”.

O movimento chega a outras universidades até atingir as ruas em 1º de maio de 1968. A Sorbonne já havia se juntado à Nanterre e sofrido invasão da policia em 02 de maio. O movimento assume um caráter nacional, partindo para a contestação geral do governo, da sociedade, da arte e da cultura. Quase todas as universidades francesas param e são ocupadas pelos alunos e, em seguida, serem ocupadas pela polícia. Nas ruas, erguem-se barricadas. A violência policial cresce e centenas de pessoas são feridas nos confrontos.

De 04 a 11 de maio, as barricadas tomam as ruas, e, então, começam as adesões. Durante a noite, entre 10 e 11 de maio, fica conhecida “a noite das barricadas”. No dia 13 de maio, todas as universidades estão ocupadas. No dia 15 começa a greve geral condenada pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), ligada ao Partido Comunista Francês. Mesmo assim, dez milhões de trabalhadores param no dia 30 e o general Charles De Gaulle, presidente da França, dissolve a Assembleia Nacional e convoca eleições. Começam as negociações entre patrões e empregados para por fim à greve. O acordo “põe fim” a maio de 1968, excluindo os estudantes. Em junho, alguns focos ainda resistem. Em julho, o movimento já não existe mais.

No Brasil, o movimento estudantil explode. Primeiro, no Rio de Janeiro, com a morte de Edson Luís. Depois, em São Paulo, com o enfrentamento dos estudantes da faculdade de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo) com estudantes da Mackenzie simpatizantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas).
No início do ano de 1968, a política do regime militar oscilava entre o diálogo e a repressão aos movimentos populares. Os fatos sucediam com rapidez com grande repercussão nacional, como o movimento de “estado de alerta” contra os acordos MEC-USAID que contrariavam os interesses nacionais.

A polícia cercaria o prédio da Reitoria da UFRJ, com o objetivo de prender todos os líderes da UNE (União Nacional dos Estudantes), e contra os quais são expedidos mandatos de detenção. Na saída do prédio houve intensos conflitos e centenas de jovens foram acuados num campo de futebol das proximidades, sofrendo espancamento coletivo, antes de passarem horas deitados. Tais fatos, que se repetem em todo país, dão origem à passeata dos 100 mil, momento em que a ditadura executa um recuo tático, retirando o aparato militar das ruas. Em julho de 1968, Costa e Silva proíbe as passeatas em todo território nacional. No dia 12 de outubro de 1968, a Polícia Militar paulista dissolve e prende violentamente 1.249 estudantes que participavam do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna.

50 anos depois a luta ainda continua, contra novos e velhos inimigos. Estudantes continuam em protesto, como se viu com a ocupação dos secundaristas em todo país contra a Reforma do Ensino Médio. Segue a luta conta a ditadura do capital e o imperialismo, contra a discriminação racial e de gênero e contra a LBGTfobia e também pela liberdade, pela democracia, pelas reformas agrária e urbana. Definitivamente, o sonho não acabou.

*Ubiratan Félix Pereira dos Santos
Presidente do SENGE-BA
Professor do IFBA
Vice-presidente da FISENGE

Crédito Foto: Ana Paula Bispo

ARTIGO: 50 anos do maio de 1968

 

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A edição desse trimestre traz como destaque os riscos da privatização do setor elétrico. A revista também aborda temas como assistência técnica e o mercado de trabalho de engenheiros, lei de estágio, cultura e tecnologia. Em seu editorial, o engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento afirma que esta edição, com um novo projeto gráfico, tem o objetivo de promover uma comunicação participativa, que possibilite aproximar os engenheiros e as engenheiras dos sindicatos. “Foram meses de debates e trabalho, ouvindo as nossas bases para apresentarmos uma revista com colunas colaborativas como: estudantes, mulheres, opinião, tecnologia. A nossa Federação completará, em setembro, 25 anos de fundação e, em tempos de retrocesso, mais do que comemorar, nossa tarefa é resistir. Convidamos a todos e a todas para participarem de nossa revista e enviarem colaborações”, acrescenta.

A revista já está disponível neste link: https://bit.ly/2L61WDP

Está no ar mais uma edição da revista da Fisenge

 

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O sonho do então estudante Alisson Oliveira, 31 anos, era seguir a carreira científica. Chegou a cursar Física na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, mas as dificuldades enfrentadas por um pesquisador o desiludiram. Decidiu, então, fazer Engenharia Civil. Em 2009, entrou na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Em 2013, se formou e já saiu empregado.

Escolheu Engenharia porque, naquele momento, ninguém ficava desempregado. Com vagas à disposição, os salários eram altíssimos.
Só que vieram as crises. A política, a econômica e a da própria Engenharia Civil. No fim de 2014, Alisson foi demitido. De lá para cá, nunca mais conseguiu trabalhar na área. Hoje, é motorista de Uber e trabalha de madrugada para conseguir receber aproximadamente um terço do salário de quatro anos atrás.

“Já larguei a área. Estou estudando para concurso e, se der certo vou sair do Brasil”, diz, categórico. Alisson, que trabalhou numa empresa terceirizada que participou da construção da Arena Fonte Nova, vai fazer provas para Petrobras e para o cargo de investigador da Polícia Civil neste domingo (22).
Alisson não está sozinho. Como ele, milhares de engenheiros civis – de recém-formados aos antigos na profissão – passam por uma situação dramática. Depois que o setor vivenciou um crescimento fora do comum entre 2008 e 2014, vieram os altos índices de desemprego e de empresas sendo fechadas.

Só em 2015, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge) homologou 600 demissões no estado. Em 2016, foram 500. Em 2017, o número caiu para 300 – não porque a situação melhorou; mas porque a construção civil já extinguiu tantos cargos e demitiu tanta gente que já não há mais por onde cortar. Uma coisa é certa: os demitidos nos anos anteriores não foram contratados novamente.

E isso é só relacionado aos que passam pelo sindicato, porque, como explica o presidente do Senge, Ubiratan Félix, muitas empresas não fazem isso. “Esse ano está mais tranquilo porque não tem mais quem seja demitido. Houve uma situação muito forte nos últimos tempos de quem ia homologar e não recebia nada porque a empresa entrou em recuperação judicial. O sindicato está acompanhando profissionais desempregados, que estão tendo uma situação difícil de ter até que retirar filho da escola”, diz ele, que também é professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

Crise nacional
Não há como dissociar a crise na engenharia civil com a crise no país. Como explica o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-BA), Luiz Edmundo Campos, a situação econômica nacional em 2008 – de crescimento e mais empregos sendo oferecidos – fez com que salários aumentassem. Assim, as pessoas começaram a melhorar de vida. Muita gente comprou carro, apartamento e a engenharia civil ia de vento em popa.
Basicamente, dava para usar uma regra e, a partir dela, compreender como estava o Brasil. O coordenador de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, diz que o campo é um ‘termômetro da economia’. “E oscila em detrimento das ações públicas de nossos governantes, fomentado pelas grandes empresas do mercado imobiliário e de serviços”.

Naquele momento, era como se o termômetro indicasse que o Brasil tinha a saúde de um jovem atleta da Seleção Brasileira de Vôlei, de Futebol ou de Natação. Nenhum sinal de febre – o que provocou o aumento do interesse pela Engenharia Civil. O que acontece é que um estudante da área passa pelo menos cinco anos na faculdade.

Ou seja – quem entrou em 2008 esperando encontrar um campo pulsante saiu somente em 2013. Aqueles que começaram em 2009 saíram em 2014 já no estopim da crise econômica do país – e isso seguiu com os que fizeram vestibular em 2010, 2011 e 2012.

Em 2008, 625 novos engenheiros civis pediram registro no Crea. Entre 2009 e 2012, o número continuou oscilando entre 500 e 600. É a partir de 2013 que as coisas começam a se inverter: só naquele ano, o mercado ganhou 739 novos engenheiros civis. Em 2017, em plena crise, 1.581 engenheiros saíam da faculdade – praticamente o triplo da quantidade que chegava ao mercado nos anos de maior crescimento da construção.

Esses profissionais foram atraídos pelo salário – o piso nacional é de oito salários mínimos e meio – e pela possibilidade de crescimento. Naquele momento, segundo o presidente do Senge, Ubiratan Félix, o mais comum era que as empresas pagassem bem mais que o piso. Dava até para escolher quem dava mais pelo serviço. Agora, até o piso é raro.

Insustentável
O crescimento foi tão grande que dava para imaginar que aquilo não seria sustentável a longo prazo, para alguns especialistas. Em poucos meses, bairros inteiros nasciam praticamente do nada – como o que aconteceu em pontos da Avenida Paralela. E isso só no que tange ao desenvolvimento imobiliário, que é o mais perceptível para a população. No entanto, a infraestrutura pesada também nunca crescera tanto.

Pelas faculdades, passaram milhares de estudantes que, na avaliação do coordenador, muitas vezes nem tinham afinidade com a área. Os números gigantescos, no fim, eram um indicativo de que algo daria errado. O pior, na verdade, ainda estaria por vir. Para o professor, a própria profissão de engenheiro civil passa por um momento muito delicado – a ética do campo foi colocada em debate.

Pouco tempo atrás, ele chegou a participar de um evento em uma escola, onde apresentou a Engenharia Civil para estudantes do 3º ano. A surpresa veio logo na primeira pergunta de um aluno. “Existe uma cultura de corrupção na profissão de engenharia civil?”, lembra Ferreira. Otimista, tentou explicar para os jovens que a corrupção não está associada a uma profissão específica, mas às pessoas.

Fechamento de empresas
Durante os anos de ouro, a maior parte do mercado local – inclusive construtoras – era subcontratada e empregada por duas ou três grandes empresas baianas. Isso podia acontecer de forma direta ou indireta. “Não tinha como não ter uma repercussão direta nessas empresas”, diz, referindo-se ao cenário atual.

Só para dar uma ideia, de acordo com a Junta Comercial da Bahia (Juceb), em 2008, existiam 1.473 empresas de engenharia civil ativas no estado. O número inclui construtoras, empresas de obras de impermeabilização; serviço de pintura; empresas que trabalham com edificações; empresas que vendem e arrendam máquinas e equipamentos; e empresas que fazem consultorias e projetos da área.

Naquele ano, 266 corporações foram abertas e 47 foram fechadas. Em 2017, a proporção entre novas empresas e aquelas que fecharam as portas passou de 17% para 42% - 354 abertas e 149 fechadas, além de 3.477 ativas. Só este ano, até o dia 11 deste mês, 91 empresas abriram e 55 fecharam – uma proporção de 60,43%.

Hoje, é como se os postos de trabalho tivessem regredido a uma situação um pouco pior do que antes de 2008. Naquele ano, toda a construção civil empregava 133 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com dados do Sinduscon. Em janeiro de 2018, 118 mil pessoas estavam na mesma condição.

Isso não seria tão grave, como explica o presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, se o setor não tivesse conhecido um cenário quase duplicado – em 2013, o número de empregados com carteira assinada batia em 230 mil. Era uma novidade para um campo que, por muito tempo, levava engenheiros a trabalhar no mercado financeiro e até a fazer concursos para auditores fiscais.

E, embora aqui, a crise esteja personificada pelos engenheiros, ela afeta toda a cadeia produtiva de forma geral. Começa com os corretores de imóveis, passa pelos cartórios de imóveis e depois chega aos responsáveis pelos projetos – arquitetos e projetistas. Durante a construção em si, é a vez dos engenheiros e dos operários. Por fim, há a indústria de mobiliário, a publicidade e até os veículos de comunicação – que dependem do mercado imobiliário para a propaganda.

“Nosso ciclo é muito grande. É de cinco anos pelo menos – entre a compra do terreno e o fim de uma obra. As obras só vieram sentir em 2014”, explica Passos. Coincidentemente ou não, o tempo é o mesmo da formação de novos engenheiros.


Jovens engenheiros se deparam com mercado sem contratações
Foram cinco anos até que, finalmente, viesse a formatura, em julho de 2017. No currículo, qualificações importantes: graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, uma das mais renomadas do país, e estágio na construtora Even. Mesmo assim, desde que recebeu o diploma, a engenheira civil baiana Giulia Ghirardi, 23 anos, não conseguiu um emprego.

Ainda em julho, voltou para Salvador. Queria ficar perto da família. Desde então, já fez concursos e distribuiu dezenas de currículos pela cidade. Tentou de pequenas a grandes empresas – mesmo assim, não adiantou. “Quando você não tem quem lhe indique, é muito mais difícil. E eu não tenho ninguém influente na minha família, nem que trabalhe na área atualmente”.

Giulia escolheu a carreira às cegas, porque sabia que gostava de Exatas. Chegou a flertar com a Arquitetura, mas, no fim, decidiu pela Engenharia Civil. Fez vestibular em 2011, mas não foi aprovada na Universidade Federal da Bahia (Ufba). No semestre seguinte, contudo, tentou a vaga na Mackenzie e conseguiu. Como a família do pai é de São Paulo e seu avô tinha sido formado por aquela instituição, pareceu quase um caminho natural.

As mensalidades custavam, em média, R$ 2 mil e, para economizar, morou com uma tia durante boa parte do curso. Quando começou o estágio, conseguiu alugar um apartamento por R$ 1,4 mil. Para ela, não há dúvidas de que o cenário é diferente de quando entrou na faculdade.

Mesmo os colegas que ficaram em São Paulo não têm conseguido trabalhar. Os que estão, de alguma forma, inseridos no mercado de trabalho, não estão fazendo aquilo que querem.

Hoje, Giulia é aluna do mestrado em Gestão e Tecnologia Industrial do Senai-Cimatec. Ela espera que, com isso, possa se destacar mais entre os milhares de engenheiros na mesma situação. “Foi um investimento (financeiro) grandíssimo, que não gosto nem de lembrar. Atualmente, meus pais me ajudam e tenho uma reserva de quando ainda estava trabalhando”. No fundo, ela tem uma certeza que a tranquiliza: a Engenharia Civil é fundamental para o desenvolvimento. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, as obras voltam.

Tecnologia
Isso também é o que a professora Tatiana Dumet, diretora da Escola Politécnica da Ufba, defende. Segundo ela, o Brasil ainda tem ‘falta’ de engenheiros. “A gente forma 40 mil engenheiros por ano e deveria estar formando 60 mil para atender as demandas de tecnologia. Mas não quer dizer que vai ter emprego para todo mundo”, reforça.

Uma nova cultura que a Politécnica tem tentado implementar é justamente de criar uma cultura de inovação entre os estudantes – ou seja, que se tornem seus próprios empregadores. A ideia é que, com isso, os jovens saiam desses dois horizontes – de ser funcionário público ou de trabalhar para grandes empresas.

“Existem ciclos na Engenharia, sem sombra de dúvidas. Eu formei em 1988 e já passei por dois ou três”, conta. A realidade atual parece ser a de um ciclo de baixa. Na própria Politénica, os estudantes têm postergado a formatura um ou dois semestres para tentar conseguir o estágio. “Eles estão realmente preocupados e houve uma diminuição de oferta de estágio. Antes, a gente recebia quase que diariamente pedido de indicação”.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Ubiratan Félix, durante o boom da construção civil, não era incomum que estagiários recebessem uma bolsa de R$ 1,8 mil. “Os alunos escolhiam. Não é a realidade de hoje, que tem uma super oferta de estudantes e até estágio de graça está difícil”.

Nos últimos vestibulares, a concorrência para Engenharia Civil caiu – o que reflete o interesse dos atuais estudantes de Ensino Médio na área. No auge, na Escola Politécnica, Engenharia Civil chegou a ter 15 candidatos por vaga. Hoje, fica em torno de 6 ou 7.

Mesmo assim, tem gente que não desanima. Apesar de saber de toda a situação do país e de recessão no campo, o estudante Thiago Bozzo, 19, não desistiu da Engenharia Civil. Hoje ele está no 2º semestre do curso e ocupa o cargo de gerente de venda na empresa júnior do curso, a Engetop.
Para Thiago, porém, o futuro ainda é uma incógnita. Na empresa júnior, descobriu que gosta também de gerenciar. Assim, consegue se ver também nessa função. “Tenho, sim, vontade de passar por obra e por construtoras, mas também de ter um futuro no meio empresarial, de negócios. São coisas que me identifico”.

O coordenador do curso de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas, Faustino Ferreira Filho, explica que as habilidades de um profissional da área costumam mesmo ser bem vistas no setor empresarial. Ele cita a facilidade de raciocínio rápido, visão espacial e grande potencial de poder de decisão.

“As Engenharias têm uma vasta atuação no mercado de trabalho no Brasil e não se limitam apenas a trabalhos específicos de projetos e construções. Então, mostramos aos futuros profissionais as possibilidades de atuação para que possam utilizar as habilidades adquiridas”.

A ansiedade e o medo nos jovens são compreensíveis. Apesar disso, o engenheiro elétrico e professor da Faculdade Área 1 Wyden Raimundo Menezes diz que ainda vale a pena investir no setor. Para o professor, esses profissionais serão requisitados pelo mercado no futuro.

Mesmo na Engenharia Civil, uma saída é investir nos nichos de constrição. “Um deles é o de apartamentos quarto e sala e outro é o mercado de alto luxo, com apartamentos de R$ 3, 4 milhões que as empresas conseguem vender. Mesmo na crise, existem esses nichos”.

Nem tudo é crise: em algumas engenharias, há vagas e oportunidades
De fato, a crise não é só na Engenharia Civil. A situação não tem sido fácil na Engenharia Elétrica, na Mecânica... Para o professor Frederico Andrade, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Unijorge, uma das áreas que mais sofreu foi a Engenharia de Petróleo e Gás. “O efeito (da crise) sobre a Petrobras e toda a cadeia do petróleo acabou afetando muito”, cita.

No entanto, ele diz que a indústria tem conseguido criar outras alternativas – como a exportação, que é uma das saídas da indústria automotiva brasileira hoje. “Por isso, na Engenharia Mecânica, você tem uma certa retomada um pouco mais rápida do que em outras áreas. A construção civil, por exemplo, depende dessa capacidade de renda do mercado interno e as obras de infraestrutura dependem da capacidade do governo de investir”.

Mas existe algum campo onde há vagas? Para a engenheira elétrica Tainá Andrade, professora e coordenadora dos cursos de Engenharia da Faculdade Ruy Barbosa, o ‘engenheiro consultor’ será uma função cada vez mais comum, já que os empregos com carteira assinada estão mais limitados.

Ela cita os profissionais que fazem estudos.

O que tem despontado na Engenharia, nos últimos anos, são as fábricas inteligentes, a internet das coisas e a indústria 4.0. Todas são opções de carreira. Segundo Tainá, em alguns estados, cursos de engenharia voltados à indústria 4.0 já estão sendo pensados. “Não vai ser só construir prédios residenciais, mas pensar em toda uma estrutura diferente”.

Além disso, entre as carreiras promissoras, ela destaca a de Engenharia de Produção – mais ‘versátil’, o profissional da área pode trabalhar em diferentes ramos. “É possível trabalhar com Engenharia Elétrica, Química, de Produção Civil, Engenharia Ambiental. Na grade, também tem aulas de automação, robótica, qualidade, eletricidade”, exemplifica.

Por Thais Borges - Rede Bahia/Correio 24 horas

FOTO: AKIRA ONUMA / ASCOM SUSIPE

Em crise, engenheiros desempregados viram até motoristas de Uber

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Foi lançada, no dia 19/4, a 75ª Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (SOEA), em Maceió (AL). Com o tema “Engenharia e Ética na Reconstrução do Brasil”, a SOEA reúne profissionais de todo o país e acontecerá entre os dia 21 e 24 de agosto. “Só reconstruiremos esse Brasil com ética e uma engenharia capaz de protagonizar o desenvolvimento nacional. É hora da engenharia voltar a ser valorizada”, afirmou o presidente do Crea-AL, Fernando Dacal, alertando para questões fundamentais para as profissões como o projeto que define a engenharia como carreira de Estado, que irá para o plenário do Senado. “Também precisamos aprovar a criminalização do exercício ilegal da engenharia e ficar atentos ao ensino da engenharia. Recentemente, vi o cúmulo de cursos noturnos de agronomia. Como vamos ensinar a plantar macaxeira no escuro? Precisamos tomar atitudes”, destacou Dacal, lembrando que a 75ª SOEA irá abrir o ciclo de comemorações dos 50 anos do Crea-AL.

O presidente do Confea, Joel Krüger, saudou todas as entidades e lideranças presentes e afirmou que os profissionais estão diante da oportunidade de recolocar o Brasil como potência. “Precisamos retomar o desenvolvimento nacional, preservar a soberania e o capital tecnológico das empresas e dos profissionais. A engenharia tem que ser a locomotiva desse desenvolvimento”, disse. Krüger ainda informou que o plenário do Confea aprovou, recentemente, um posicionamento contrário à privatização da Eletrobras. “Aprovamos por unanimidade uma posição em defesa do setor elétrico e do controle hidrográfico dos nossos rios. Não podemos deixar patrimônio do povo brasileiro ser vendido”, alertou.

A SOEA acontece pela segunda vez em Maceió e espera receber milhares de profissionais de todo o Brasil. O engenheiro e vice-presidente da Fisenge, Ubiratan Félix reforçou as falas de Dacal e Krüger. “É fundamental que os engenheiros e suas entidades representativas discutam uma proposta para reconstrução do desenvolvimento nacional com a participação da sociedade e da engenharia”, pontuou Ubiratan explicando sobre o projeto SOS Brasil Soberano. “Com os eixos ‘Engenharia, soberania e desenvolvimento’ realizamos seminários em quatro estados com o projeto SOS Brasil Soberano, com a participação de gestores públicos, especialistas, profissionais da engenharia e lideranças políticas. Queremos nacionalizar os debates e formular propostas para a reconstrução do desenvolvimento”, concluiu. O projeto SOS Brasil Soberano é uma iniciativa da Fisenge e do Senge-RJ, que conta uma vasta programação de debates. Acesse o conteúdo aqui: http://sosbrasilsoberano.org.br/

Texto: Camila Marins
Foto: Divulgação Confea

Desenvolvimento nacional marca discursos de lideranças no lançamento da SOEA

 

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Foi aberta, no dia 6/4, uma chamada pública para envio de artigos para a revista da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). A publicação receberá artigos sobre engenharia e sociedade, que serão avaliados pelo Conselho Editorial da Federação. De acordo com o engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, a chamada pública é um dos primeiros passos para o reposicionamento da estratégia de comunicação da entidade. “Queremos promover uma comunicação participativa, que possibilite aproximar os engenheiros e as engenheiras dos sindicatos”, afirmou. No projeto de repaginação, também está a mudança da identidade visual e editorial da revista e do boletim eletrônico, além do lançamento de um aplicativo da Fisenge. “Neste ano, a nossa Federação completa 25 anos de fundação e teremos uma agenda de atividades políticas e culturais e lançamentos de ferramentas de comunicação”, concluiu.


Nesta primeira chamada, os artigos poderão ser enviados até o dia 20 de abril para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


Orientações para submissão de artigos para a revista da Fisenge:


• Os artigos devem ter, no máximo, 2.500 caracteres com envio de foto do(a) autor(a);
• As fotos devem ter alta resolução (acima de 300 DPIs) e crédito liberado para publicação na revista impressa e em formatos digitais (site e redes sociais);
• O texto deve ser digitado em arquivo Word, com a fonte “Times New Roman”, corpo 12, sem espaçamento;
• Os direitos autorais ficam concedidos à Fisenge, com o trabalho licenciado sob licença Creative Commons;
• Os temas devem versar sobre engenharia e sociedade;
• O texto também pode vir acompanhado por gráficos, mapas e/ou figuras;
• Os artigos serão submetidos à avaliação e aprovação do Conselho Editoral da Fisenge;
• Os artigos não aprovados para publicação na revista impressa poderão ser publicados no site e nas redes sociais da Fisenge.

Está aberta chamada para publicação de artigos na revista da Fisenge

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22 de março: Dia Mundial da Água. Em vídeo, o engenheiro civil e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, fala sobre o processo deprivatizações no mundo e no Brasil.

Em vídeo, presidente da Fisenge fala sobre o Dia Mundial da Água

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A partir de amanhã (14/3), entidades ligadas à engenharia irão promover atividades no Fórum Social Mundial (FSM), em Salvador (BA). O tema desta edição é "Resistir é criar, resistir é transformar". Ao longo de quatro dias, acontecerão discussões, exibição de filmes, debates e oficinas sobre as conjuntura nacional e internacional, a engenharia, a democracia e a soberania nacional.  De acordo com o vice-presidente da Fisenge e presidente do Senge-BA, o engenheiro Ubiratan Félix, o Fórum é um momento privilegiado para que homens e a mulheres pensem e discutam um outro mundo possível com mais direitos sociais e trabalhistas, mais empregos, mais solidariedade, mais democracia e participação social. “Este outro mundo possível perpassa pelos caminhos da resistência em defesa da engenharia e da soberania nacional. Em sua atividade cotidiana, os engenheiros e as engenheiras constroem um mundo mais humano que permite a todos terem acesso a alimento, à moradia, a lazer e à tecnologia. A engenharia tem um papel social de compromisso com o desenvolvimento”, afirmou.

Diante desta perspectiva social, será realizada uma oficina sobre “Assistência técnica para habitação de interesse social”, uma parceria da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) com a FNA (Federação Nacional de Arquitetos). Uma pesquisa de 2015, realizada pelo DataFolha a pedido do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) -  revelou que 54% dos brasileiros já construíram ou reformaram suas casas e, desse grupo, 85% realizaram obras sem orientação técnica. Os números são alarmantes, mesmo com a lei 11.888/2008, que assegura o direito das famílias de baixa renda à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social, como parte integrante do direito social à moradia. “A maioria absoluta das moradias no Brasil é fruto de autoconstrução, ou seja, as pessoas ocupam ou compram lotes sem infraestrutura e sem projeto aprovado pela municipalidade. A ausência de profissionais de engenharia na elaboração e na execução dos projetos de edificações é resultado da inexistência de uma política de assistência técnica para moradias com foco na população de baixa renda”, explicou Ubiratan. Ele ainda destacou que não existe um mercado voltado para essas famílias. “A falta de uma política de Estado e de mercado tem como consequência a formação de cidades desiguais e a desestruturação física e social”, pontuou.

Cine debate

No dia 16/3, haverá uma sessão do filme "Dedo na Ferida", dirigido pelo cineasta Silvio Tendler. O longa, que é uma parceria entre a Fisenge e o Senge-RJ, traça um paralelo entre análises econômicas de diversos países do mundo e o cotidiano de pessoas afetadas pela desigualdade. “Esta parceria entre arte e movimento sindical sempre aconteceu na produção dos grandes filmes, desde a década de 1930 e a Fisenge e o Senge-RJ recuperam esse encontro entre dois vetores de transformação social”, afirmou Silvio Tendler. A exibição, promovida pelo Senge-BA, Senge-RJ e Fisenge, acontecerá seguida de um debate com Silvio Tendler, das 20h às 22h, na Tenda dos(as) Trabalhadores(as) da CUT (Central Única dos Trabalhadores). O filme também foi vencedor do prêmio de melhor documentário do Festival do Rio.

“Dedo na Ferida” discute o retrocesso ideológico a posições neoconservadoras pautado pelo empobrecimento da classe média, pela falência dos Estados e pelo desemprego. Examina, ainda, de que forma o capitalismo deixou de ser produtivo para se tornar meramente especulativo, motivado pela aposta na geração de dinheiro fácil. O sistema financeiro, que deveria servir ao propósito de levar recursos dos setores superavitários para os deficitários interessados em investir em produção, abandonou o papel de “atravessador” e se assumiu como fim principal das transações econômicas. Os governos nacionais perdem autonomia e passam a lutar contra massas de capital que circulam livremente pelo globo. Grécia, Espanha, Portugal, Brasil e tantas outras nações veem seus destinos definidos pelos interesses da esfera financeira. São grandes corporações, que, por vezes, detém orçamentos mais robustos do que o de alguns Estados, atuam como um “governo sombra”, guiando políticas públicas que favorecem à maximização de seus lucros.

Entre os depoimentos da obra estão os de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP), entre outros pensadores que interferem no mundo contemporâneo.

SOS Brasil Soberano

Entre os dias 14 e 16/3, a sede do Senge-BA irá receber atividades da Escola Latinoamericana de História e Política. Os intelectuais Breno Altman e Valter Pomar debaterão os temas "O imperialismo estadunidente"; "O marxismo na América Latina" e "Balanço da experiência política da esquerda latino-americana". Também acontecerá o pré-lançamento do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), no dia 16/3, na tenda da CUT. No mesmo dia, haverá o Seminário Internacional da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia.

As atividades são promovidas pela Fisenge, pelo Senge-BA, pelo Senge-RJ e movimentos sociais. Todos os debates serão transmistidos ao vivo pela página da Fisenge: www.facebook.com/federacaofisenge

Confira a programação completa

14 de março

14h às 16h – “O imperialismo estadunidense”, com Breno Altman, na sede do Senge-BA

15h às 17h – Lançamento do livro “A enciclopédia do Golpe”, na tenda da CUT

 

15 de março

9h às 13h – Oficina do Núcleo Piratininga de Comunicação, sala 213 do PAF 1

14h às 16h – “O marxismo na América Latina”, com Valter Pomar, sede do Senge-BA

16 de março

14h às 16h – “Balanço da experiência política da esquerda latino-americana”, com Valter Pomar, na sede do Senge-BA

15h30 às 18h30 – Seminário internacional da Plataforma Operária e Camponesa pela Água e Energia, na tenda da CUT

18h30 às 20h – Pré-lançamento do FAMA, na tenda da CUT

20h às 22h – Cine Debate com o filme “Dedo na Ferida”, com Silvio Tendler, na tenda da CUT

 

17 de março

9 às 11h – Oficina de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, na tenda da CUT

 

Por Camila Marins

Engenheiros participam do Fórum Social Mundial

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