O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ministro Renato Lacerda comunicou ao Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) que a manifestação com a proposta do Tribunal para Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) será apresentada nesta quarta-feira (31/7). De acordo com avaliação do CNE, a demora de uma resposta se dá exclusivamente em decorrência da pressão da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) que solicitou ao Ministro do TST, de forma inusual, que fosse submetida antes ao Ministro da Economia com prazo da análise fosse até terça-feira, dia 30. “Esta é mais uma demonstração da interferência do governo na negociação entre os trabalhadores e a empresa e o real interesse por trás desta ação é o sucateamento, a precarização do trabalho e a consequente privatização”, alertou Gunter Angelkorte, representante da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) na negociação coletiva.

Diante da interferência do governo, é importante ressaltar que na manifestação com a proposta do TST já será inserida a prorrogação do ACT por mais 15 dias, conforme solicitação da representação dos trabalhadores. A partir daí, o CNE definirá um calendário de assembleias. “O momento é de seguir em mobilização, uma vez que a privatização do setor elétrico está na ordem do dia deste governo. Nossa tarefa é a de dialogar com a sociedade sobre a função social da empresa - que é a maior da América Latina - principalmente na garantia de fornecimento de energia de qualidade e universal para toda a população, e não como mercadoria”, disse Gunter.

Em boletim, o CNE afirma que “espera que o TST possa agir com independência, sem a tutela da SEST e do governo, pois este ACT representa muito para os trabalhadores e as trabalhadoras do Sistema Eletrobras, no que diz respeito à manutenção de direitos históricos, como a cláusula 7ª que contempla a garantia de emprego”.

PLR
Já em relação ao pagamento da Participação de Lucros e Resultados (PLR) de 2018, existe uma expectativa que aconteça no mês de setembro, após a aprovação do Conselho Administrativo da Holding. O CNE tem intensificando a cobrança à Eletrobras, uma vez que o resultado das empresas foi o melhor de todos os tempos e quem garantiu esse resultado foram os trabalhadores, mesmo em um momento de grande adversidade.

Fonte: Comunicação Fisenge com informações do boletim do CNE

TST irá apresentar proposta para Acordo Coletivo da Eletrobras amanhã

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Nesta segunda-feira (29/7), o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que teria informações sobre o desaparecimento político de Fernando Santa Cruz, vítima da ditadura civil-militar. Fernando é pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) repudia tais declarações que configuram grave violação de direitos humanos, da Constituição brasileira e do Estado Democrático de Direito. O período da ditadura civil-militar deixou marcas profundas na democracia brasileira com torturas, cerceamento à liberdade de expressão, perseguições, desaparecimentos, sequestros e mortes. Esta história não pode, de forma alguma, ser motivo de ironia. Defendemos a memória e o direito à verdade da sociedade brasileira. Prestamos nossa solidariedade a Felipe Santa Cruz e seus familiares bem como a todas as famílias de pessoas vítimas da ditadura civil-militar neste país.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)
Rio de Janeiro, 30 de julho de 2019

Em nota, Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros reivindica o direito à memória e à verdade e presta solidariedade ao presidente da OAB

Imagem: Reprodução MPF/PGR

 

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Foi anunciada pelo governo federal a Medida Provisória (MP) 108/2019, que pretende extinguir os conselhos federais em todo o país. De acordo com a proposta, as entidades se tornariam pessoas jurídicas de direito privado que, atualmente, são enquadradas como de direito público, uma vez que regulamentam e fiscalizam o exercício profissional. A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) repudia a medida e alerta sobre os prejuízos para a sociedade. Isso porque os conselhos têm a responsabilidade de fiscalizar o exercício profissional e estabelecer sanções éticas diante de atuações fora das normas estabelecidas. A fiscalização é fundamental para garantir segurança, bem-estar e políticas públicas de qualidade para a população. Por meio da atuação dos conselhos, é possível normatizar a responsabilidade civil, ambiental e social de obras, barragens, hidrelétricas, por exemplo.

Além disso, exige a regularidade da atividade e comprovação técnica dos profissionais por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e da Certidão de Acervo Técnico (CAT). Ao desregulamentar os conselhos, o governo federal coloca em risco a engenharia e a sociedade brasileira. A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) se soma ao posicionamento do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e também articula uma mobilização no Congresso Nacional por meio de sua assessoria parlamentar. A engenharia brasileira vive um período de mais grave crise com a ampliação do desemprego, a paralisação de obras, o fechamento de empresas nacionais e a privatização das estatais. O Brasil precisa de investimentos públicos em infraestrutura e na engenharia nacional com o objetivo de garantir qualidade de vida para a população.  


Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

 

Fisenge repudia PEC que extingue conselhos federais

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Governo federal quer o fim dos conselhos profissionais
Olímpio Alves dos Santos, presidente do Senge-RJ
 

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 108/2019, elaborada pelo governo federal, acaba com a exigência de filiação aos conselhos profissionais, desregulamentação que poderá levar à extinção dessas entidades, com consequente perda de qualidade para os serviços prestados à população em praticamente todas as áreas. “Os conselhos são importantes para o exercício da profissão e uma segurança para a sociedade”, alerta o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olímpio Alves dos Santos. “Acabar com eles é uma sandice, estamos regredindo a um quadro de desestruturação similar ao período da História anterior à revolução de 30.”

Conselhos de Engenharia, Medicina, Farmácia, Química, Contabilidade, Administração, Psicologia, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estão entre os que seriam afetados pela PEC. O texto altera o artigo 174-A da Constituição, ao propor que “a lei não estabelecerá limites ao exercício de atividade profissional ou obrigação de inscrição em conselho profissional”. Na prática, a medida levaria a uma redução significativa da arrecadação em anuidades – fonte de receita dos conselhos –, inviabilizando o trabalho de regulação e fiscalização das respectivas atividades. 

O Sistema Confea/Crea, responsável por regulamentar e fiscalizar o exercício profissional da Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorologia, conforme prevê a Lei Federal 5.194/1966, divulgou um posicionamento oficial contra o projeto -- DISPONÍVEL AQUI. No texto, a entidade observa que, atualmente, o Confea é responsável por guardar milhares de certidões de mais de 980 mil profissionais registrados, e que, em 2018, milhares de ações de fiscalização foram realizadas pelos 27 Creas, garantindo a segurança da coletividade. "Desregulamentar todas essas atribuições, como propõe a PEC nº 108/2019, é atentar contra o interesse da sociedade, considerando que a proposta passa a caracterizar os conselhos profissionais como pessoas jurídicas de direito privado, e não de direito público, eliminando assim os poderes de fiscalização atribuídos por lei. Além disso, desobrigar os profissionais da inscrição em seus respectivos conselhos é apostar na desordem a um custo econômico e social muito alto. Se hoje já existe uma desvalorização das atividades técnicas em nosso país, com o fim desses órgãos, haverá uma precarização dos serviços, e a insegurança será generalizada.”

Salário Mínimo Profissional
O presidente do Senge-RJ observou que, embora o sindicato possa representar na Justiça profissionais que queiram acionar empresas por desrespeito ao Salário Mínimo Profissional, como tem feito, é o Conselho Regional, no caso o Crea-RJ, que tem atribuição legal para fiscalizar a prática junto aos empregadores, podendo solicitar informações de folha de pagamento ou outras. 

“O Senge-RJ não tem a qualificação para fazer essa fiscalização”, explica Olímpio. “O sindicato só pode entrar com ação na Justiça por demanda do profissional. Não temos autoridade jurídica para chegar na empresa e pedir para ver os salários dos profissionais. Mas o Conselho, sim.”

Além disso, a existência de uma instância de fiscalização da formação técnica dos engenheiros é uma forma de reduzir o alcance da ação de profissionais antiéticos ou despreparados. Sem esse papel regulador, poderiam ser muito mais frequentes, avalia o presidente do Senge-RJ, casos como o do desmoronamento dos prédios na Muzema, na Zona Oeste da capital, que provocou a morte de 24 pessoas em abril deste ano. 

A função dos conselhos é submeter os profissionais a uma série de exigências éticas e técnicas, definidas em leis e em regulamentos próprios. Os órgãos têm poder para instaurar processos disciplinares na apuração de responsabilidades e, se necessário, aplicar penas de suspensão e até de exclusão de membros de suas respectivas categorias. Eles também fiscalizam estabelecimentos comerciais em que os profissionais atuam, podendo impor sanções e obrigações.

O compromisso social dos profissionais com o país foi destacado durante a  Plenária nº 1.500 do Sistema Confea/Creas, em Brasília, onde a PEC também foi debatida. “Nunca na história do Sistema Confea/Creas fomos tão convocados a defender a engenharia nacional”, disse Giucélia Figueiredo, engenheira e diretora da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e da Mútua. “Vivemos um momento que somos convocados pelos profissionais e pela sociedade brasileira para defender, cada vez mais, um projeto de nação que dialogue com os anseios legítimos de uma engenharia nacional vinculada à melhoria de qualidade de vida do nosso povo.” A engenheira foi a primeira mulher a assumir a presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB).

Negociação no Congresso
O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, reuniu-se no início desta semana no Ministério da Economia para discutir os efeitos críticos da PEC. Segundo ele, foi acertado que será feita uma nova redação para o proposta, construída em conjunto com representantes dos profissionais e parlamentares. Em nota divulgada contra a PEC, a OAB afirma que “a proposta ceifa um dos mais importantes instrumentos de defesa da sociedade na fiscalização profissional, com o claro e único propósito de engessar e silenciar as entidades.” 

Segundo o texto, a PEC 108 tem por objetivo enfraquecer um órgão que atua como um “anteparo à força desproporcional do Estado e dos grupos detentores de poder efetivo contra o cidadão comum, individual ou coletivamente”. Também significa “a tentativa de desmonte de todo um sistema que zela pela qualidade da advocacia. A Ordem é responsável por uma rede protetiva para os advogados, que hoje sofrem as consequências da grave crise econômica que atinge o país – e que não dá sinais de trégua. Da mesma forma, a PEC 108 busca atingir um dos maiores mecanismos de fomento da excelência profissional, que é o Exame de Ordem. Diante da multiplicação sem precedente dos cursos de graduação em Direito, nem sempre amparados nos devidos parâmetros de qualidade, o exame é hoje a forma de garantir o mínimo de qualidade dos profissionais que vão servir à sociedade.”

Outras categorias também reagiram. “Sob o manto da liberdade e estímulos econômicos, da racionalização do Estado, bandeiras que também defendemos, [o governo Bolsonaro] quer acabar com um segmento social que tem procuração do Estado para proteger o cidadão. Não é aceitável sequer acreditar que, desregulamentando profissões, o Estado ou o mercado darão conta de conter os abusos cometidos por leigos e uns poucos maus profissionais e empresas contra a população brasileira. Os noticiários informam diariamente o quanto, de maneira geral, o mercado atua para favorecer os próprios interesses”, defendeu o Conselho Federal de Administração (CFA).


Fonte: com informações do Senge-RJ, FisengeRede Brasil Atual (RBA)

Foto: Camila Marins

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Quinta, 11 Julho 2019 10:13

A indústria 4.0 e o mundo do trabalho

Por Clovis Nascimento

O aprofundamento da Indústria 4.0 impõe aos profissionais da engenharia e ao movimento sindical inúmeros desafios. Isso porque as novas tecnologias exigem a reorganização da produção, das funções dos profissionais e das atividades de planejamento. O Fórum Econômico Mundial já aponta um desemprego estrutural global diante das transformações do mundo do trabalho. De acordo com a Comissão Econômica da ONU para América Latina e Caribe (CEPAL), “o uso de plataformas digitais tem gerado postos de trabalho fora da cobertura da legislação trabalhista existente, redundando em uma nova modalidade de trabalho informal e precário; um dos desafios regionais, portanto, seria a garantia de direitos a esses trabalhadores sem limitar as oportunidades promovidas pela inovação tecnológica”.

No Brasil, passamos por um governo que aprofunda a precarização das condições de trabalho com base em uma Reforma Trabalhista, aprovada em 2017. Nesse sentido, caberá aos sindicatos ampliar e fortalecer laços de cooperação com entidades de outros países do mundo e estabelecer acordos coletivos globais nas multinacionais, como defende a Global Union (UNI), entidade à qual a Fisenge é filiada. O Relatório da Comissão Global Sobre o Futuro do Trabalho da OIT (Organização Internacional do Trabalho) afirma a “necessidade de efetivação do trabalho online decente com direito à liberdade sindical e negociação coletiva, salário mínimo em vigor na região, ser o trabalhador indenizado por trabalho perdido em caso de problemas técnicos ligados à tarefa e/ou plataforma”. Além disso, precisaremos defender políticas e cláusulas nos Acordos Coletivos de Trabalho de formação e capacitação dos profissionais para o uso de novas tecnologias.

Por outro lado, países da América Latina e Caribe correm o risco de dependência tecnológica, se não ousarem em uma política pública industrial com capacidade nacional de criação e desenvolvimento de atividades cientifico-tecnológicas. Isso porque o Brasil passa por um forte processo de desindustrialização, além de cortes de quase 40% de investimentos na educação pública, bolsas de pesquisa e estudos, o que colocará o país em níveis inferiores nos rankings internacionais. Nosso país é referência em determinadas pesquisas tecnológicas, como a exploração de petróleo em águas profundas, como foi na Petrobras. Diante deste cenário, a disputa de hegemonia pelo controle e fornecimento das novas tecnologias caberá aos formuladores de uma política tecnológica com capacidade de investimento. E nossos pesquisadores brasileiros e empresas nacionais nada devem em conhecimento. Essa falta de investimento aliada ao desemprego estrutural irá aprofundar, ainda mais, a desigualdade social nos países.

Especialistas e empresários de plataformas e redes sociais já defendem, mundialmente, o estabelecimento de uma renda básica universal, prevendo, inclusive, a falta de grupos de consumo. Nesse sentido, os dilemas éticos perpassarão questões como: o uso da tecnologia servirá para superar ou ampliar a pobreza?

Nessa discussão, não podemos nos furtar do fator ambiental que poderá ser beneficiado com novas tecnologias de modo a contribuir com a preservação dos recursos naturais, como também prejudicar com o aumento da poluição e da utilização irresponsável desses equipamentos. Teremos, portanto, um conjunto de dilemas éticos a enfrentar. A Indústria 4.0 marca uma crise mundial, mas são nas crises que podemos encontrar oportunidades. Será o momento de discutirmos e firmarmos outros pactos sociais que estejam comprometidos com os direitos dos trabalhadores, um patamar mínimo de proteção social, o meio ambiente, o investimento em educação pública, ciência e tecnologia e a soberania nacional. A engenharia tem um papel de protagonismo fundamental que poderá abrir caminhos e o Seminário Internacional de Inteligência Artificial, promovido pelo Senge-MG, discute como enfrentar e chegar nesse futuro.

*Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista, pós-graduado em Políticas Públicas e Governo. Foi subsecretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos do Rio de Janeiro e diretor nacional de Água no Ministério das Cidades, além de presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). Atualmente é presidente da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros), vice-presidente do Senge-RJ (Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro) e integrante da coordenação do movimento SOS Brasil Soberano.

 

A indústria 4.0 e o mundo do trabalho

 

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28/05 é o dia de combate à mortalidade materna. O termo “Violência Obstétrica” foi cunhado pelas mulheres e se desdobrou em tratados, leis e resoluções nacionais e internacionais. Hoje é utilizado em vários países e línguas: obstetric violence, violence obstetricale e violencia obstetrica. Esta violação está descrita na legislação do México e da Argentina há muitos anos. No Brasil, já temos leis estaduais e municipais sobre o tema e projetos de lei federal em tramitação. Contrariando a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde vetou termo “violência obstétrica” em um evidente retrocesso dos direitos das mulheres.

28 de maio: dia de combate à mortalidade materna

 

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A Revista da Fisenge mudou o formato e agora circula apenas em versão digital. Nesta edição, você pode conferir notícias sobre as privatizações no Brasil; os cortes no orçamento da educação; direitos dos engenheiros e das engenheiras. Estas e outras notícias, podem ser conferidas na REVISTA DIGITAL: http://bit.ly/2VESzzb

Revista da Fisenge circula em versão digital

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Nos dias 10 e 11 de julho, acontecerá o Seminário Internacional de Inteligência Artificial (SIIA), organizado pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG) e pela Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea (MÚTUA), em Minas Gerais. O evento terá patrocínio do Sistema de Cooperativas de Crédito no Brasil (Sicoob), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Em breve mais informações.

 

Minas Gerais sediará "Seminário Internacional de Inteligência Artificial"

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No dia 4/4, o plenário do Senado aprovou o desarquivamento do Projeto de Lei Complementar (PLC13/2013), que caracteriza como carreira de Estado as atividades exercidas por engenheiros, arquitetos e engenheiros agrônomos no serviço público federal, estadual e municipal. O projeto está há cerca de 6 anos em tramitação. De autoria do então deputado José Chaves, o PLC modifica a lei nº 5.194/1966, que regula as profissões. “A aprovação do projeto é fundamental para reforçar os quadros técnicos do setor público e promover o reconhecimento necessário de profissionais que participam diretamente na elaboração de políticas públicas e em obras que contribuem para o desenvolvimento das nossas cidades, estados e do País”, disse o engenheiro civil e presidente da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros), Clovis Nascimento, destacando a atuação do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia): "o engenheiro e presidente do Conselho. Joel Krüger, reforçou a agenda da engenharia e da agronomia junto aos parlamentares e o desarquivamento do PLC é uma das vitórias de sua gestão. A valorização da engenharia é fundamental para o desenvolvimento social e econômico do país".    

O desarquivamento do projeto foi solicitado pelo requerimento nº233/2019. As carreiras essenciais e exclusivas de Estado estão previstas pela Emenda Constitucional 19, de 1998, conhecida como reforma administrativa e incluem diplomatas e servidores de carreiras jurídicas, de auditoria e de gestão governamental, entre outras.

De acordo com as regras de tramitação do Senado, o projeto precisa ir à votação ainda nesta legislatura. “A Fisenge acionará sua assessoria parlamentar, com o objetivo de mobilizar os senadores pela aprovação da matéria. É fundamental que os sindicatos e os profissionais estejam articulados nessa rede de atuação no Senado”, pontuou Clovis.

O que muda com a engenharia como carreira típica do Estado

– Valorização do engenheiro e da engenharia nacional;

– Fortalecimento da luta pelo Salário Mínimo Profissional e da Engenharia Pública;

– Conquista de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, que valorize os engenheiros e as engenheiras;

– Estabilidade em caso de redução de quadros;

– Fortalecimento dos estudos, projetos técnicos e do planejamento de prefeituras municipais, de governos Estaduais e da União;

– Valorização do engenheiro servidor público;

– Melhoria dos investimentos em infraestrutura e no desenvolvimento do país;

– Segurança para a sociedade com profissional habilitado e valorizado;

– Ampliação das políticas públicas, com atendimento mais adequado;

– Fortalecimento de um novo ciclo de desenvolvimento, com crescimento e inclusão social.

Projeto que caracteriza engenharia como carreira de Estado é desarquivado

 

Foto: PixaBay
Texto: Comunicação Fisenge/Camila Marins

 

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22 de março é Dia Mundial da Água e temos pouco a comemorar. Isso porque os tempos de privatizações voltaram a todo vapor. No Rio de Janeiro, por exemplo, o governo estadual consignou a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) pelo pagamento de um empréstimo à União. Embora a Assembleia Legislativa (Alerj) tenha vetado a venda da empresa, uma decisão judicial chancelou as ações da Cedae como garantia de empréstimo de R$ 2,9 bilhões feito pelo BNP Paribas ao governo fluminense.

A companhia é responsável pelo Guandu, maior estação de tratamento do mundo, responsável por 85% do abastecimento do Grande Rio, beneficiando mais de 9 milhões de pessoas e com capacidade de tratamento de 43 mil litros por segundo vazão. A Cedae ainda tem atuado no programa “Mais Água para a Baixada”, com obras de ampliação do Sistema Novo Guandu com capacidade de 57 milhões de litros, favorecendo mais de 3 milhões de pessoas, com mais de 100 mil ligações prediais e investimento de R$3,4 bilhões.

Hoje, quem não tem água no Rio de Janeiro é a população mais pobre, concentrada principalmente nas áreas de favelas e periferias. A privatização da empresa irá, sobretudo, majorar a tarifa. Com a venda da Cedae para o capital privado, a variável do lucro irá prevalecer, subindo de maneira vertiginosa a tarifa, além de acabar com o subsídio cruzado, um dispositivo que permite que municípios menores tenham acesso aos serviços. Este processo também representa o fim da tarifa social e, consequentemente, a ampliação da desigualdade. Privatizar a Cedae significa deixar a parcela mais pobre sem direito à água.

Por outro lado, num âmbito nacional o Ministro Paulo Guedes já anunciou que irá vender o Brasil e nesse bojo está a entrega do Sistema Eletrobras, responsável pela geração, distribuição e transmissão de energia no país. A privatização do setor elétrico é uma proposta que vai na contramão de outros países, como os EUA, a China e o Canadá, que detêm forte presença do Estado nas usinas hidrelétricas. Desde 2000, ao menos 884 serviços foram reestatizados no mundo, de acordo com estudo da Transnational Institute (TI).

Com o objetivo de fazer frente a este cenário de privatizações que assola todo o país, estamos fundando o Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), cujo lançamento regional acontece hoje (22/3), no Rio de Janeiro. O observatório também tem como finalidade ser um braço técnico da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA), em conjunto com diversos setores da sociedade civil organizada, como universidades e movimentos sociais. Neste mês de águas de março temos pouco a comemorar, mas temos muito a mobilizar e a organizar. Por isso, o ONDAS convida toda a população a se integrar nesta luta em defesa da água e do setor público de saneamento brasileiro. Água é vida, e não mercadoria.

* Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista, pós-graduado em políticas públicas e governo, e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Também é vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ). Exerceu o cargo de Subsecretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos do Rio de Janeiro e foi Diretor Nacional de Água e Esgotos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, no período de 2003 a 2005. Profissional com mais de 40 anos de atuação no setor de saneamento ambiental. Clovis foi presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, eleito por dois mandatos.

Dia Mundial da Água em um Brasil ameaçado por privatizações

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