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Por Allan Hayama*

A soberania nacional é uma das principais bandeiras de resistência e luta no Brasil. É uma pauta que unifica um campo político e se expande em vários setores da sociedade, tais como o elétrico, petroleiro, educação, territorial, alimentar, comunicação, meio ambiente, águas, esgotamento, das engenharias, ciências e tecnologias.

Devemos garantir direitos iguais aos trabalhadores/as das áreas de engenharia, com valorização e contratação dos profissionais brasileiros, valorização da memória técnica na formulação de políticas públicas, abertura de postos de trabalho em concursos nas instituições de Estado (federais, estaduais e municipais), retomada da industrialização em território nacional, garantindo prioridade no aproveitamento científico destes profissionais.

O que vemos na política atual é um desmonte das empresas estatais e nacionais. A questionável Operação Lava Jato tem um papel central no desmonte da engenharia e na desnacionalização da economia brasileira, como o veículo “The Intercept” vem provando em consistentes reportagens. Com o pano de fundo de combate à corrupção, em vez de prender, acertadamente, os corruptos e corruptores, a Operação penaliza as empresas nacionais, afetando a soberania. Em lugar algum do mundo isso aconteceu e temos exemplos internacionais, como o da Volkswagen, na Alemanha, que por meio de ajustamentos de condutas e protocolos de ética e transparência seguem firmando parcerias e atuando normalmente no mercado.

Com o fechamento das empresas de engenharia nacional, as privatizações das empresas estatais, o fim da política de conteúdo nacional e a privatização das universidades públicas com o projeto “Future-se”, abre-se um debate central sobre a dependência e a autonomia da produção científico-tecnológica do próximo período.

A crise prolongada reforça o argumento da política de desindustrialização e a exploração das trabalhadoras e trabalhadores das indústrias brasileiras.

De 2016 até hoje, a Ford Motor Company – empresa automotiva com sede matriz em Camaçari – vem deteriorando, massivamente, a engenharia na Bahia. Isso porque temos acompanhado fechamento e reabertura do terceiro turno e Planos de Demissão Voluntária (PDV), inclusive com foco no “Smart Redesign” no Centro de Desenvolvimento do Produto (CDP), afetando prioritariamente os engenheiros.

Em 2016, as demissões no CDP começaram de maneira pontual, aumentando massivamente em 2018. Em 2019, foi implementado o “Smart Redesign”, que significa a reestruturação da Ford, demitindo os cargos de confiança (supervisores, gerentes e até mesmo diretores) e o fatídico fechamento da planta de São Bernardo do Campo. Com todas essas ações, a empresa saiu de um centro de desenvolvimento com quase 2.000 funcionários em 2013 para menos de 1.000 funcionários em 2019, ou seja, praticamente 50% de redução do quadro corporativo.

Cabe lembrarmos aqui o número significativo de isenção fiscal, as facilidades na logística em terrenos, a promessa de manter e aprimorar o Centro de Desenvolvimento de Produto com forte conteúdo nacional. No entanto, estes compromissos perduraram por pouco tempo. A partir de 2019, a Ford reduziu seu quadro funcional e de postos de trabalho. Todos os projetos globais e de grande conteúdo de engenharia foram retirados do Brasil, ficando apenas algumas localizações e adequações ao mercado nacional, ou seja, rebaixando qualitativamente nossa engenharia.

A MSX não ficou para trás e demitiu massivamente seus funcionários, saindo de quase 800 funcionários em 2013 para pouco mais de 200 em 2019, representando mais de 70% de redução de quadro.

Desde a implantação do Complexo FORD, em Camaçari em 2001, a MSX fornece mão de obra especializada, em sua maioria engenheiros(as), analistas de produto, designers, tanto no P&D (Centro de Desenvolvimento de Produto) quanto na manufatura (área de produção). Desde então, a Ford e MSX sempre se colocavam como empresas parceiras, equalizando os benefícios entre os trabalhadores da Ford.

Os funcionários da MSX exercem as mesmas atividades que os funcionários da FORD, tendo acesso às mesmas condições de trabalho, mesmo local e mesma estrutura (computadores, impressoras etc), treinamentos e inclusive viagens pela FORD para acompanhamentos de testes de certificação e homologação dentro e fora do país e respondem diretamente aos supervisores e gerentes da FORD. Apesar de serem empresas distintas, nenhuma ação, atividade ou aprovação dependia da aprovação da MSX e era encaminhada e aprovada pela Ford.

No que se diz respeito a pagamentos e benefícios os funcionários MSX recebem exatamente todos os benefícios que os funcionários da FORD que executam as mesmas funções. Dentre alguns dos benefícios estão:

  • Participação sobre Lucro e Resultados (PLR) igual ao recebido por funcionários da FORD;
  • Ônibus fretado com o mesmo valor de desconto em folha que funcionários FORD;
  • Acesso ao refeitório com o mesmo valor de desconto em folha que funcionários FORD;
  • Acesso ao centro médico.

Esta equivalência de benefício é garantida pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), por meio de negociação do Sindicato dos Metalúrgicos e da luta dos trabalhadores. Este sindicato representa todas as empresas que estão dentro do Complexo FORD que, por consequência, desenvolvem a mesma atividade-fim da empresa.

Neste ano de 2019, a MSX enviou um comunicado a todos funcionários avisando que a empresa mudaria de ”parceira” para “terceira”. Com esta mudança, a MSX fez uma reunião explicando que todos os benefícios (acima citados) seriam retirados e modificados do Acordo com uma nova regra que acarretaria em perda e depreciação de renda e benefícios. Segundo a empresa MSX, o Sindicato dos Metalúrgicos havia decidido não representar mais os trabalhadores alegando, unilateralmente, que a empresa havia mudado sua atividade-fim. Os funcionários da MSX continuam exercendo as mesmas atividades, com mesmos equipamentos e a mesma relação entre supervisão e gerência FORD. Nada foi alterado e os funcionários não identificam mudança de atividade-fim por parte da MSX.

Para não ficar desguarnecida em um acordo coletivo, a MSX enviou uma proposta de novo Acordo Coletivo ao Sindicato dos Engenheiro da Bahia (Senge-BA), confirmando a depreciação e perda dos benefícios. O Senge-BA apresentou a proposta da MSX aos funcionários que, imediatamente, a recusaram.

Com argumento falacioso de “empresa parceira”, a Ford afirma em seu site: “Processos e pessoas têm sido e sempre serão a chave para conseguirmos estes resultados”.

As perguntas que ficam são: quais processos? Quais pessoas? A proposta de retirada de direitos e rebaixamento salarial dá o tom das possíveis respostas e nós, trabalhadores da empresa, não somos considerados na atual política da empresa que privilegia suas matrizes e acionistas. Por isso, a cada dia, percorremos as plantas dialogando com os engenheiros e as engenheiras, com o objetivo de construir uma pauta unificada de valorização dos trabalhadores em defesa da engenharia e da soberania nacional. Muita coisa está em jogo e isso inclui os nossos empregos e o futuro do país.

Exploração, palavra maldita

Paulo Ayres

“Você lê várias coisas no jornal burguês Inflação do mês, futebol, congresso e dengue Sempre tem alguém para reclamar de corrupção Tudo bem, mas alguém fala sobre a raiz de tudo? Vamos ao ponto: trabalho assalariado é exploração

Burguês que é burguês gosta de jogar conversa fora Não se apavora até quando é xingado de mil nomes Agora, experimenta na ferida dele relar, faz favor É só você caracterizá-lo como agente explorador

Exploração: seja escrava, servil ou assalariada Realidade inevitável nas sociedades classistas

Você pode esquecê-la e ficar falando apenas dos efeitos Ou mirar na causa, e debater se é possível viver de outro jeito

No senso comum e na mídia essa palavrinha está ausente De maneira persistente, temos que colocá-la em destaque Só assim a essência vai emergindo para toda a população Torna-se visível a base deste sistema alienante que sufoca Em vez de futebol, o operário falará de parar a produção”

*Allan Hayama é Engenheiro de Produção e Diretor do Sindicato dos Engenheiros da Bahia (Senge-BA)

 

Fonte: Senge-PR

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Graças à ação do Confea liderada pelos conselheiros federais engenheiro civil Marcos Camoeiras e engenheiro de produção mecânica Zerisson de Oliveira, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) solicitou o desarquivamento do Projeto de Lei que trata de tornar a engenharia como carreira típica de Estado.

O presidente do Confea, engenheiro civil Joel Krüger, elogiou a iniciativa dos conselheiros. “Os conselheiros federais do Confea têm trabalhado intensamente em conjunto com a nossa assessoria parlamentar em ações de interesse dos profissionais da área tecnológica. Agora, o Confea e os Creas de todo o país vão trabalhar fortemente para que o projeto seja aprovado o mais breve possível", ressalta Krüger.

Segundo Camoeiras, é importante a mobilização dos profissionais a fim de que o desarquivamento seja aceito pela presidência da Casa. “Para isso são necessárias 27 assinaturas (1/3 do colegiado)”, completou o conselheiro, para quem, “a falta de fiscalização, por exemplo, resulta no que estamos vendo: catástrofes.”

O conselheiro federal Zerisson de Oliveira Neto destaca que o projeto é de fundamental importância para a sociedade brasileira. “Dessa forma, teremos um corpo técnico de profissionais da engenharia e da agronomia organizados em carreiras de Estado, trabalhando em assuntos de interesse público ligados às respectivas áreas”.

Felipe Pasqualini
Gerente de Comunicação do Confea

Desarquivamento do projeto que prevê engenharia como carreira de Estado movimenta plenária do Confea

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“Vargas precisa desistir da Petrobras”. Esta frase foi proferida, em 1954, por Assis Chateaubriand, dono do maior conglomerado da mídia brasileira na época, o “Diários Associados”, que implementou ampla campanha contra o caráter estatal da empresa. Hoje, com 65 anos de fundação, a Petrobras vive uma de suas maiores crises. Isso porque, em outubro de 2016, o governo federal e o presidente da empresa, Pedro Parente, adotaram uma política de preços para os derivados sem proteção ao consumidor e, em junho de 2017, anunciaram reajustes diários nos preços. Este cenário aprofundou o grau de insatisfação dos trabalhadores caminhoneiros, que deflagraram greve.

De acordo com informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Petrobrás alterou 230 vezes os preços nas refinarias, resultando em aumentos de mais de 50% na gasolina e diesel, enquanto os preços do GLP tiveram 60% de reajuste. Ainda segundo a FUP, em 2013, a Petrobrás tinha capacidade de atender 90% da demanda interna de combustíveis. Em 2017, esse percentual caiu para 76%. Com a greve dos caminhoneiros, a mídia privada, assim como Chateaubriand, consignou uma campanha de desmoralização da Petrobras, indicando, inclusive, uma suposta quebra da estatal. Esta narrativa facilita o processo de privatização da Petrobras, que ameaça os empregos, a engenharia e a soberania nacional.

A política de preços da empresa precisa ser enfrentada, uma vez que as importadoras de combustíveis são as principais beneficiadas e a Petrobras assume um papel de mera exportadora de petróleo. Nosso país está perdendo a capacidade de refino e exportação de produtos refinados. A atual política de preços tira o centro estratégico da Petrobras, que entrega poços de petróleo às empresas estrangeiras e diminui a produção de derivados, tornando-se uma gestora de caixa para regular preço. Ou seja, a estatal atua para manter a remuneração de acionistas minoritários, deixando de lado o ciclo de desenvolvimento nacional. O anúncio feito pelo governo federal de fornecer subsídios é um crime de lesa-pátria, que aprofunda a crise fiscal. O Brasil reduziu a produção de derivados para aumentar a importação de derivados, facilitando para empresas estrangeiras.

Em nota, a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) denunciou “a exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil”. Ao contrário de uma política que garanta a robustez da Petrobras, o atual governo federal estrangula a capacidade financeira da estatal, entregando ao mercado financeiro.
Concomitante aos ataques à Petrobras, também está a destruição das empresas nacionais e da própria engenharia brasileira. Além de prejudicar o desenvolvimento da tecnologia e ameaçar os empregos, é flagrante a tentativa de destruição da engenharia nacional, responsável pela construção de projetos fundamentais para o desenvolvimento do país. Este cenário é agravado com a crise econômica, fazendo com que o Brasil fique à mercê do mercado financeiro e da especulação.

É urgente o posicionamento da engenharia nacional pelo recuo da política de paridade internacional nos preços dos derivados. Também reivindicamos o aumento do volume de petróleo refinado em território nacional. Segundo nota técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é possível refinar 2,4 milhões de barris/dia e atender a demanda interna (com cerca de 2,2 milhões/dia), dependendo menos do mercado internacional (seja de produção ou preço dos refinados).

Retomar o desenvolvimento social significa fortalecer o viés estatal da Petrobras, a engenharia brasileira e a soberania nacional. A atual crise política pela qual atravessa o Brasil exige uma reestruturação imediata na política de preços da Petrobras. Não iremos tolerar retrocessos na frágil democracia brasileira. Defender a Petrobras é defender o Brasil e a engenharia nacional.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Rio de Janeiro, 28 de maio de 2018.

Engenharia nacional e a greve dos caminhoneiros

 

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Foi lançada, no dia 29/6, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Frente Parlamentar de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento. O engenheiro agrônomo Maurício Garcia participou do evento representando a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Garcia destacou a importante atuação do deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), presidente da Frente Nacional do Congresso. “A repercussão nos estados é fundamental para ampliar a articulação em defesa da engenharia nacional”, afirmou o engenheiro. O deputado Ronaldo Lessa pontuou que a instalação de frentes nos estados devem ser incentivadas em todo o país. A iniciativa é um instrumento de formulação política e técnica e também um canal de comunicação entre as entidades de engenheiros com a população brasileira, o governo e o parlamento. A Fisenge integra a Frente Parlamentar Mista de Engenheira, Infraestrutura e Desenvolvimento.

Foto: Rinaldo Morelli/CLDF

Fisenge participa de lançamento da Frente Parlamentar de Engenharia, em Brasília

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Terça, 06 Junho 2017 10:11

ARTIGO: Tempos sombrios

Por Clovis Nascimento*

Uma nuvem sombria paira sobre o horizonte dos brasileiros. Não bastasse a Reforma da Previdência acabar com as perspectivas de aposentadoria da maior parte da população, a Reforma Trabalhista pretende tornar o caminho até lá ainda mais duro. Em discussão no Congresso Nacional, o PL 6787 é mais um retrocesso imposto por um governo que está construindo uma ponte para o passado. O que está sendo proposto é uma completa alteração nas relações de trabalho, enfraquecendo direitos, asfixiando sindicatos e a justiça trabalhista, e permitindo a superexploração em todos os níveis de atividades.

Por trás de argumentos nebulosos e omissões, o que a chamada Reforma Trabalhista revela são vestígios de uma sociedade escravocrata e de um liberalismo excludente até hoje presentes no imaginário de parte do empresariado brasileiro, que encontra em um governo ilegítimo, e na grave crise política e econômica que atravessamos, as condições ideais para fazer valer seus interesses.

A aprovação da terceirização em todas as atividades já era um prenúncio dos tempos difíceis para aqueles que dependem da venda de sua força de trabalho para sobreviver. A precarização que milhões de brasileiros já conhecem bem, trabalhando mais horas e ganhando até 30% menos para exercer a mesma função que colegas contratados, será ampliada para outros níveis de atividade.

A “pejotização”, a quarteirização, a redução de salários, o aumento da jornada e a potencialização de acidentes são ameaças reais. Um processo cruel de desumanização do ser social que trabalha, orquestrado por um sistema pautado pelos interesses daqueles que detêm o capital.

Com a adesão entusiasmada de grande parte dos meios de comunicação, se amparam em um paralelismo desonesto com países cujo contexto social, político e econômico é bem distinto do Brasil. Foi o que aconteceu com a Espanha, que, cinco anos após a Reforma Trabalhista no país, tem hoje os menores salários da União Europeia e assiste a um aumento brutal na desigualdade de renda.

Mentem ao dizer que as leis trabalhistas no Brasil estão ultrapassadas, omitindo o fato de que a CLT já sofreu mais de 500 emendas ao longo de sua história, respaldadas pela Constituição de 88. Mentem ao dizer que a reforma vai gerar novos postos de trabalho, quando sabemos que apenas a retomada da demanda por bens e serviços é capaz de gerar novas contratações.

Usam como exemplo de modernização, o chamado trabalho intermitente, um assalariamento disfarçado e desprovido de qualquer regulamentação, em que o empregado fica à disposição da empresa, sem horário pré-determinado, mas com a obrigação de atender a qualquer tempo. A Inglaterra, onde há mais de 1 milhão de trabalhadores nessa condição, já assiste às primeiras decisões judiciais contrárias aos chamados contratos de zero hora.

A Reforma Trabalhista ainda isenta de responsabilidade as grandes empresas que, por meio da terceirização, estimulam a exploração do trabalho em níveis degradantes e análogos à escravidão. Permite ainda a tarifação de danos, como a perda de um braço ou morte, possibilitando às empresas calcular o que é economicamente mais vantajoso, indenizar o trabalhador acidentado ou investir em prevenção e segurança. O trabalhador brasileiro, o pequeno e o médio empresário, os empreendedores, os profissionais liberais já estão pagando o preço de uma grave crise econômica, alimentada em parte pela crise política e pela incapacidade deste governo em fazer a economia voltar a crescer. As reformas agravam esse cenário. Precisamos, com urgência, ter de volta o nosso horizonte, que permita a retomada do desenvolvimento brasileiro, com soberania e sustentabilidade.

Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

ARTIGO: Tempos sombrios

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Na avaliação do economista, para haver eleição democrática em 2018, será necessário “radicalizar”.

por Ednubia Ghisi (Senge-PR)

Para o economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o cenário de ruptura da democracia brasileira exige reações fora da institucionalidade. “Não tem saída institucional e nem tradicional. Os que deram o golpe não entregarão pela via democrática”, garante, se referindo às eleições de 2018. A afirmação acalorou o debate do I Seminário "Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão", parte do Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado nesta sexta-feira (31/3), no Rio de Janeiro.

Na avaliação do economista, “tudo caminha para que não haja eleições em 2018” e, por isso, a necessidade de avançar em outras saídas. “A democracia no Brasil é uma exceção, a regra é o autoritarismo. Em mais de 500 anos de história, temos 50 de democracia”.

Neste cenário de quebra da ordem democrática, o economista aponta a necessidade de ir além de denunciar e reagir. “Se quisermos uma eleição democrática em 2018, precisamos radicalizar. O que nós vamos impor de prejuízo a eles? Se nós não impusermos prejuízo a eles, nós não avançamos. Não estou defendendo a ruptura democrática, porque ela já houve. […] Quanto mais você se abaixa, menos você se levanta”, opina.

Bases do golpe

Sobre as bases em que se deu o golpe, avalia a opção pela recessão como uma das principais. “Sem a recessão não haveria golpe, ou não neste termos”, o que levou a um enfraquecimento da base e de apoio. O segundo elemento foi a descrença de que nós estamos, de fato, num processo de golpe. Apesar da “retórica”, a presidenta Dilma Rousseff não reagiu à altura e participou do processo parlamentar que levou ao golpe.

“Se há golpe, não há normalidade democrática, então requer outro tipo de postura”, e cita como ações que poderiam ser tomadas pela presidenta seria a suspensão das Olimpíadas, a declaração do golpe nas Nações Unidas, o chamado para uma grande reunião de chefes de estado para articular uma reação.

“Não tem saída institucional e nem tradicional”, diz Marcio Pochmann

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A engenharia como produtora de riqueza. Este foi o mote da palestra do engenheiro e  gerente de projeto do Submarino Nuclear do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear da Marinha (Prosub),Alan Paes Leme Arthour, durante o I seminário “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão” do Simpósio SOS Brasil Soberano, na manhã do dia 31/3, no Rio de Janeiro. Ele iniciou sua explanação sobre a cadeia produtiva de bens permanentes e de consumo. “A engenharia permeia toda a economia e sua cadeia produtiva. O Brasil gera bens e não temos indústria forte. Nós hospedamos indústria”, criticou. Os bens permanentes integram infraestrutura, metais, imóveis e terras, por exemplo. Já os bens de consumo abrangem a alimentação, ferramentas domésticas e serviços.

Por Camila Marins (Fisenge)

Uma questão uníssona entre os palestrantes e enfatizada pelo engenheiro foi a defesa da política de conteúdo local. “A nossa política de conteúdo local precisa estar ligada à ciência e à produção tecnológica. Podemos melhorar a infraestrutura e usar a tendência de cluster em cada região, valorização da engenharia e centros de pesquisa”, disse. Cluster é uma estratégia que permite a interligação de linhas de produção com tecnologia da informação, logística, pesquisa, ciência e tecnologia, seguindo uma lógica de cooperação regional. O engenheiro defende um plano de industrialização dividido regionalmente, como o modelo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com escritórios em diversos locais do país.

Atualmente, o governo federal anunciou a redução drástica de participação de empresas nacionais na política de conteúdo local. A média de participação era de 60 a 70% de participação nacional. Com a redução, o percentual poderá cair pela metade, o que impactará diretamente na geração de renda e emprego, na capacidade produtiva, no parque industrial e naval brasileiro, na engenharia nacional e na soberania. Os percentuais mínimos de conteúdo local serão de 25% para a construção de poços e 18% para atividades de exploração. A Petrobras será uma das mais impactadas, pois é uma empresa estatal que assumiu inúmeros contratos no setor de petróleo e também contribui efetividade para a formulação tecnológica na exploração de pré-sal em águas profundas.

“Não existe conteúdo local sem tecnologia nacional. Temos que ter a nossa própria indústria. Hoje, somos pouco exportadores, apenas de produtos agrícolas. O Brasil importa mais (máquinas e produtos químicos) e a nossa indústria é muito pequena. É estratégico associar o investimento em pesquisa para o fortalecimento dos nossos parques industriais, valorizando a engenharia e a inovação tecnológica. Precisamos conduzir nossos pesquisadores para as necessidades das quais a nossa indústria e o nosso país necessitam”, destacou Alan.

O Simpósio SOS Brasil Soberano é uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Acompanhe a transmissão ao vivo na página do Facebook: www.facebook.com\sosbrasilsoberano

 


Fórum Econômico Mundial: Brasil - 81º lugar em competitividade

“Política de conteúdo local precisa integrar tecnologia nacional”, afirmou o engenheiro naval Alan Paes

 

 

 

“Política de conteúdo local precisa integrar tecnologia nacional”, afirmou o engenheiro naval Alan Paes

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Na tarde desta quinta-feira (23/3), o deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL) recebeu diretores da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Ronaldo Lessa é presidente da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional no Congresso. O presidente da Fisenge, Clovis Nascimento destacou que é fundamental esse diálogo com o parlamento diante da atual crise política e econômica, que também atinge a engenharia brasileira e os profissionais. “Essa articulação na Frente tem o objetivo de contribuir na formulação de propostas para a retomada do desenvolvimento social e defender a engenharia nacional e a soberania”, afirmou Clovis ressaltando a agenda de retirada de direitos e de desmonte da engenharia brasileira após o golpe presidencial.

Durante o encontro, o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olímpio dos Santos apresentou o projeto SOS Brasil Soberano ao deputado Ronaldo Lessa. “Nosso objetivo com o simpósio é propor alternativas que recoloquem o Brasil em condições de voltar a crescer economicamente, com soberania e dignidade para o povo trabalhador”, pontuou Olímpio. O primeiro seminário acontecerá dia 31/3, no Rio de Janeiro, sobre o tema “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”.
De acordo com a diretora da Fisenge e presidente do Crea-PB, Giucélia Figueiredo, este também foi um momento para reafirmar o compromisso da Federação com a Frente Parlamentar. “O deputado Ronaldo Lessa que se colocou à disposição para contribuir com o projeto SOS Brasil Soberano. Defendemos um projeto de nação comprometido com o desenvolvimento social, a engenharia e a soberania”, disse.

O deputado federal Ronaldo Lessa afirmou seu comprometimento na construção do Simpósio SOS Brasil Soberano. “A Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia quer que a sociedade possa contribuir cada vez com o Congresso Nacional e possa responder às necessidades de que o Brasil precisa e a Fisenge está absolutamente sintonizada, participando ativamente das reuniões. A Frente também irá contribuir com o projeto SOS Brasil Soberano para a retomada do desenvolvimento social país”, destacou Lessa.


Também participaram da reunião o engenheiro Maurício Garcia e o assessor parlamentar da Fisenge, Maximiliano Garcez.

Sobre o SOS Brasil Soberano
O Senge-RJ e a Fisenge inciam, este mês, o Simpósio SOS Brasil Soberano, uma série de debates que irá reunir profissionais de diferentes áreas de atividade, acadêmicos, formadores de opinião, parlamentares e representantes da sociedade civil, em várias capitais brasileiras, para produzir uma agenda de programas e projetos para o país, em direção oposta a do atual governo. Os simpósios serão um espaço aberto para construir de forma participativa um projeto nacional, considerando um cenário até 2035, focado na engenharia, na soberania e no desenvolvimento econômico e social.

Estão programados quatro encontros até junho. Abre a série o I Simpósio SOS Brasil Soberano, no dia 31 de março, no Rio de Janeiro, com o tema “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”. A escolha da questão do emprego para iniciar os encontros explica-se, de acordo com Clovis Nascimento, presidente da Fisenge, por ser a mais urgente: já são cerca de 13 milhões de desempregados, de acordo com o IBGE, considerando apenas os dados do trabalho formal. “É a maior crise da história recente do país”, avalia. “Nós, engenheiros, entendemos que sem planejamento não conseguimos chegar a lugar algum. Nosso objetivo é pensar e contribuir para a construção de um novo Brasil. O nosso país tem expertise em diversas áreas, como prospecção de petróleo em águas profundas, e não podemos ficar caudatários da internacionalização da engenharia e do ataque à soberania nacional. A mobilização para a defesa dos direitos e do patrimônio dos brasileiros tem um caráter nacional, multissetorial, porque interessa a toda a sociedade brasileira”, acrescentou Clovis.

A iniciativa tem a coordenação e curadoria de Chico Teixeira, professor de História Moderna e Contemporânea na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ele, o simpósio deve constituir uma célula de pensamento, um espaço de reflexão, que vá além das análises de conjuntura e apresente propostas objetivas.

Foto da esquerda para a direita: presidente do Sindicato dos Engenheiros - Senge Rio, Olimpio Dos Santos, o engenheiro Maurício Garcia, o deputado federal Ronaldo Lessa, o presidente da Fisenge, Clovis Nascimento, a diretora da Fisenge e presidente do CREA PB, Giucelia Figueiredo e o assessor parlamentar Maximiliano Garcez

Em defesa da engenharia nacional, Fisenge se reúne com deputado Ronaldo Lessa

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O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, deputado Marcelino Galo (PT), representou a Assembleia Legislativa da Bahia na mesa de abertura do VI Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea/Mutua, iniciado nesta segunda-feira (20) em Brasília. O evento, que acontece até próxima quinta-feira (23), reúne representantes das engenharias e entidades representativas de todo o Brasil. Em sua intervenção, Galo, que é engenheiro agrônomo, criticou o desmonte da engenharia nacional, com demissões, paralisações de obras, diminuição de salários e precarização das condições de trabalho. Para o parlamentar, é necessário valorizar e resguardar o acúmulo de conhecimento produzido pela engenharia nacional, reverter a crise na economia e a conjuntura política, com novas eleições diretas, ao tempo em que “não se pode permitir que à entrada de empresas estrangeiras comprometa a engenharia e a soberania nacional”.

“O combate à corrupção, que é importante, não pode, a rigor, comprometer a soberania nacional. Não deve entregar de mãos beijadas nossas principais riquezas a grupos internacionais, e não pode, também, destruir o acúmulo de conhecimento produzido historicamente pela engenharia nacional. Se não houver consciência acerca da conjuntura que atravessamos, estaremos fadados a ser tão somente uma colônia moderna, que tem suas riquezas naturais exploradas, a classe trabalhadora e o povo brasileiro espoliados por organizações internacionais que não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento do Brasil”, refletiu Galo. “Não podemos nos omitir e permitir que nosso patrimônio tecnológico, de conhecimento, construído há décadas, seja destruído. A engenharia é fundamental para o desenvolvimento nacional, essencial no nosso processo de modernização, compreender isso é fundamental para que nosso processo civilizatório não seja, mais uma vez, prejudicado por interesses outros, que não o nacional”, enfatizou Marcelino durante sua fala no VI Encontro de Líderes.

Fonte: Assessoria de Imprensa Mandato Marcelino Galo

Deputado critica desmonte da engenharia nacional no VI Encontro de Líderes em Brasília

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