Em São Paulo, movimentos organizam ações nas escolas, universidades e nas ruas

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As manifestações do próximo dia 13, contra a “Reforma” da Previdência e o desmonte da educação, prometem ser ainda maiores do que as realizadas nos dias 15 e 30 de maio. O presidente da CUT, Vagner Freitas, garante que os trabalhadores e estudantes levarão às ruas “muita força, intensidade e paralisações”, para rejeitar os retrocessos do governo.

Vagner diz que é preciso continuar nas ruas, já que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 ainda será votada no Senado Federal, depois do segundo turno na Câmara dos Deputados, prevista para a semana que vem. “É uma luta árdua. Percebeu-se na votação da Câmara que os empresários mandam no Congresso, com governo despejando recursos financeiros para que os deputados votassem a favor da reforma. O mesmo será feito no Senado. Nós precisamos continuar o enfrentamento”, disse o dirigente à TVT.

Segundo o dirigente, a CUT se soma à mobilização da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) contra a “Reforma da Previdência, em Defesa da Educação Pública e por Empregos” que já estava programada. “É importante ressaltar que essa é a principal luta da CUT. Não podemos esquecer que o governo Bolsonaro continua com seu processo de desmonte de todas as políticas públicas”, acrescentou.

O presidente da CUT diz que os sindicatos filiados estão orientados a realizar  paralisações e, caso não tenham condições de parar, devem realizar manifestações. A ideia ainda é pressionar os deputados em suas bases para que mudem os votos no segundo turno da votação da PEC, na Câmara. “Vamos fazer manifestações na praça, no coreto da cidade em que eles têm mais votos, espalhar cartazes mostrando que são contra a classe trabalhadora. Nessas cidades de pequeno ou médio porte os deputados se sentirão mais pressionados. E se a base dele for uma cidade maior, nos grandes centros, vamos aos bairros onde também tem votação”, finalizou.

Confira onde irão ocorrer os atos:

Confira onde serão os atos em defesa da educação pública

 

Fonte: Redação RBA

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57º Congresso da UNE elegeu nova diretoria da entidade, aprovou resoluções, ampliou a campanha pela educação e anunciou o novo ”Tsunami” para o próximo dia 13 de agosto em todo o país


Terminou, no dia 14/7, em Brasília o 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). O estudante de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Iago Montalvão, natural de Goiânia (GO), foi eleito presidente da entidade durante a Plenária Final do encontro, realizada no Ginásio Nilson Nelson.

Candidato da chapa 6 “Tsunami da Educação”, Iago obteve 4053 votos (70,92%) e assumirá a presidência da UNE pelos próximos dois anos.

Seis chapas foram inscritas. Em segundo lugar veio a chapa 5 “Oposição unificada para derrotar o governo Bolsonaro” com 1228 dos votos (21,49%). Em terceiro a chapa 4 “Socialistas” com 234 votos (4,09%). Em quarto lugar ficou a chapa 1 UNE para tempos de guerra, com 200 votos (3,5%). As chapas 2 ”São eles ou nós: que os capitalistas paguem pela crise” e 3 Juventude que batalha retiraram suas candidaturas. Brancos e nulos somaram 12 votos. O total de votos válidos foi de 5715.

Este foi um Conune com número recorde de delegados inscritos. Ao todo foram 8013 estudantes. O novo presidente reforçou a unidade entre as forças populares e do movimento estudantil para ocupar as ruas e derrotar os desmandos do governo Bolsonaro. “Apesar das nossas diferenças é essa pluralidade que faz a UNE estar gigante. Saindo desse ginásio precisamos estar unificados nas ruas para derrotar Bolsonaro. Só a luta e os estudantes mobilizados conseguirão derrotar este governo. É tarefa de cada um de nós passar em muita sala de aula porque quando a gente se une, a gente derrota aqueles que são os inimigos do povo”, falou.

Iago estará à frente da UNE em um momento de muitas lutas. A primeira delas já tem data marcada: 13 de agosto, dia aprovado durante a plenária final para ser o novo Tsunami da Educação contra os cortes e por mais bolsas, pesquisa e investimento.

 Foto: Matheus Alves/Cuca da UNE

Fonte: UNE

União Nacional dos Estudantes elege nova diretoria

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Estudo mostra áreas mais afetadas até aqui pelo contingenciamento de R$ 31 bilhões do orçamento da União

Cortes do governo miram educação, defesa nacional, estatais, habitação e cidadania

Um estudo divulgado nesta terça-feira (16) pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos de Brasília (Inesc) apresentou um retrato dos setores mais atingidos pelo contingenciamento de R$ 31 bilhões no orçamento federal, até junho.

Com base nos dados do Portal de Orçamento do Senado (Siga Brasil), o levantamento mostra que as áreas mais atingidas pelos cortes de Bolsonaro foram educação, defesa nacional, habitação, as estatais brasileiras e os direitos de cidadania.

Estatais

A rubrica orçamentária com maior percentual de corte foi a de “Encargos Especiais”, que responde por 27% de tudo o que foi contingenciado, ou R$ 8,1 bilhões.

O nome genérico, classificado como “gastos governamentais não finalísticos”, se relaciona vários tipos de despesas, entre elas a participação acionária do governo empresas estatais – que foram as que mais perderam nessa rubrica.

Segundo o Inesc, as empresas atingidas foram a Infraero, a Eletrobrás, a Emegepron, a Telebrás, a Pré-Sal Petróleo, as Companhias Docas do Rio Grande do Norte e de São Paulo e os Correios.

A Eletrobras, estatal responsável pelo sistema elétrico, está na mira do projeto de venda do patrimônio nacional e sofreu um corte de R$ 3,5 bilhões.

Educação

A educação foi a segunda que mais perdeu: 18,81% do total contingenciado pelo governo, ou R$ 5,8 bilhões. Alguns programas da área tiveram repasse zero no período, ou seja, não receberam um tostão do previsto no orçamento.

Entre eles, está o “Apoio à Infraestrutura de Educação Básica”, relativo à implantação de projetos esportivos, e a “Concessão de Bolsa Permanência no Ensino Superior” - destinada a garantir a frequência de indígenas, quilombolas e estudantes de baixa renda nas universidades.

Também tiveram 100% de contingenciamento a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a educação profissional e rubricas ligadas aos exames de avaliação da Educação Básica.

Defesa

Outro setor com grande percentual de corte é a Defesa Nacional: 18,79%. Nesse caso, segundo o Inesc, o foco não é o gasto com pessoal, mas sobre investimentos em material bélico.

Habitação

Em relação ao que estava previsto para cada área, o setor que mais perdeu foi o da Habitação – que teve nada menos do que 90,64% de seus recursos contingenciados.

Em números: dos R$ 200 milhões programados, apenas R$ 20 milhões foram liberados. Tal medida significou a paralisação do Programa Minha Casa Minha Vida

Direitos de Cidadania

Também foi muito atingida a rubrica dos “Direitos da Cidadania”, com cortes 27% sobre seu orçamento original.

Incluem-se nesta rubrica políticas de defesa de minorias e setores vulneráveis da sociedade, como mulheres, população indígena e negra, migrantes, consumidores e pessoas com deficiência.

Os programas de “Proteção e Promoção dos Direitos dos Povos Indígenas”, por exemplo, tiveram corte de 32,86%.

Clique aqui para ler a íntegra do estudo.

 

Fonte: Brasil de Fato / Edição: João Paulo Soares

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Petroleiros e estudantes se somam à Greve Geral para manifestar descontentamento com as privatizações e os cortes no MEC.

Centrais sindicais farão atos de encerramento da Greve Geral nas maiores cidades do país - Créditos: Mídia Ninja

Centrais sindicais farão atos de encerramento da Greve Geral nas maiores cidades do país / Mídia Ninja

De motoristas de ônibus a petroleiros. De estudantes a eletricitários. Milhões de trabalhadores vão paralisar suas atividades por 24 horas contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro (PSL) nesta sexta-feira (14). Motivada pela urgência de se enfrentar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 6/2019, a Greve Geral levará as ruas outras pautas de interesse nacional.

Em todas as bases da Federação Única dos Petroleiros (FUP), os trabalhadores aderiram à paralisação no dia 14 de junho, como conta o diretor de comunicação da entidade, Alexandre Finamori. A mobilização é simbólica, já que não ocorre a paralisação completa das plantas, mas afetará a troca de turnos nas refinarias.

Os petroleiros vão aproveitar a Greve Geral para expressar descontentamento em relação a projetos que atacam a soberania do país, iniciados pela gestão de Michel Temer (MDB) e aprofundados por Bolsonaro, diz Finamori. "A gente pode elencar, de cara, as privatizações das refinarias, o fechamento da planta de biodiesel de Quixadá, no Ceará, e outros desmontes do sistema Petrobras", pontua o sindicalista.

"Inclusive, a precarização do trabalho e das condições de segurança que podem levar a situações semelhantes à da Vale, em Mariana e Brumadinho", complementa, em referência à privatização da mineradora em 1998.  

O governo já anunciou a venda de oito das 13 refinarias da Petrobras. O acordo de concessão entre a estatal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) foi assinado nesta terça-feira (11), com prazo de dois anos para a venda das unidades. "Os trabalhadores estão com medo de trabalhar devido à precarização que está sendo feita, que é o caminho da privatização. Você precisa reduzir os gastos e manutenção para deixar a planta economicamente viável para a privatização", finaliza.

Em intenso processo de mobilização na luta contra cortes na Educação desde maio, estudantes, professores e funcionários de universidades e institutos federais também aderem à Greve Geral. 

Vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jessy Dayane afirma que a expectativa é de que a maioria das universidades no Brasil paralise, dando continuidade aos protestos que mobilizaram 1,5 milhão de pessoas em todo o país. "Em todos os espaços onde a gente construiu diálogos, debates e processos preparatórios para a greve, a adesão é muito grande”, diz.

Além das pautas específicas da categoria contra os cortes de bolsas de pesquisas e redução do orçamento das instituições, Dayane ressalta que há um trabalho específico das organizações no sentido de aproximar a juventude à principal pauta da Greve Geral desta sexta-feira. A motivação, segundo a dirigente estudantil, é bastante objetiva: os jovens serão os mais afetados pela PEC que altera as regras para a aposentadoria e que está em debate no Congresso Nacional.

"Nosso desafio, nesse período, foi o de espalhar informação, conscientizar e fazer o debate, panfletar e passar em sala de aula explicando o que é a reforma da Previdência, porque todo mundo que tem acesso ao que ela é não se posiciona a favor", lembra.

A reforma enviada pela equipe econômica de Bolsonaro fixa idade mínima de aposentadoria em 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. No caso dos professores, a idade mínima foi definida em 60 anos para homens e mulheres.

"Embora pareça algo distante de quem é jovem, porque não está tão próximo assim de se aposentar, eles serão também os mais impactados. Porque quem está se aposentando ainda hoje vai se aposentar nas regras atuais. Os jovens que serão impactados com as novas regras. Se for aprovada a reforma da Previdência, isso significa que os estudantes de hoje vão ter que trabalhar muito mais, ou provavelmente não vão se aposentar", completa.

Dayane também lembra que a taxa de desemprego no Brasil fechou o trimestre em 12,5%. São 13,2 milhões de pessoas sem trabalho no país, segundo dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Fonte: Brasil de Fato / Edição: Daniel Giovanaz

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“Para um medicamento ser descoberto é preciso pesquisa que pode demorar até dez anos. Todo medicamento que está na prateleira da farmácia começou na pesquisa básica nas universidades”, explica a Professora Dra. Maria Fernanda de Paula Verners,  coordenadora do Programa de Pós graduação em Farmacologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com o anúncio de cortes de bolsas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), só na Farmacologia sete bolsas foram canceladas e entre elas uma de pós-doutorado. Ao todo, na UFPR, foram canceladas 127 bolsas.  Atualmente, segundo Maria Fernanda, sãos vários os projetos de pesquisa em andamento voltados a descobertas de medicamentos que serão prejudicados com a desistência dos alunos que ficaram sem bolsas.

É o caso da aluna Tatiana Curi que passou na seleção de doutorado em Farmacologia do ano de 2019 e logo após soube dos cortes para bolsas de pós-graduação. Ela fez o curso de mestrado também em Farmacologia, com bolsa.  “Eu fiz mestrado com bolsa porque na nossa área as nossas pesquisas demandam tempo e dedicação nos laboratórios e estudos. Agora, ainda estou aguardando com esperanças que isso seja revertido. Sem bolsa, é como se eu estivesse sendo demitida de um emprego. Dependo de uma mínima remuneração para poder pesquisar”. O valor mensal por estudante é de R$ 1,5 mil no mestrado e R$ 2,2 mil no doutorado.

Retorno para a sociedade

Tatiana estuda na UFPR desde o Mestrado, em 2007, sobre toxicologia reprodutiva, isto é, os efeitos de variadas substâncias consumidas ou em contato com gestantes que podem trazer implicações no desenvolvimento do feto. “Eu estudo os ftalatos, que são compostos químicos usados principalmente como plastificantes e são encontrados em vários produtos no dia a dia, como garrafas, brinquedos, embalagens de alimentos e até mesmo em cosméticos e produtos pessoais. Este composto tem capacidade de inibir a produção da testosterona que no período de gestação é bastante importante”.  No curso, Tatiana também integra um programa de pesquisa que vai até as Unidades de Saúde Básica, em Curitiba, e realiza pesquisas entre as gestantes que fazem uso do SUS, para avaliar e informar o nível de exposição a estes compostos tóxicos. “Analisamos a partir da coleta de urina e retornamos a elas com estas informações sobre os níveis de toxicidade no corpo”, explica.

Sem bolsa, aluna de Santa Maria (RS) desiste do pós-doutorado na UFPR

A única bolsa de pós-doutorado do programa de Farmacologia também foi cortada pela Capes.  Farmacêutica, mestre e doutora pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Quelen Iane Garlet foi a aluna selecionada para a vaga na UFPR e já desistiu por não ter condições de se manter em outro estado sem a bolsa. Sempre estudou compostos provenientes de plantas nativas na cura de doenças neurológicas. Sua pesquisa atual volta-se para os efeitos do canabidiol em doses pequenas nos tratamentos de ansiedade e depressão. “Uma pesquisa como essa demanda experimentos, validação e tempo de pesquisa. Minha pesquisa seria a única dentro do programa da UFPR e assim poderia contribuir com metodologias já desenvolvidas por mim”. Canabidiol (CBD) é o nome da substância extraída da Cannabis sativa, que vem já vem sendo utilizado para o tratamento de esquizofrenia, Parkinson, epilepsia, fobia social, transtorno do sono, entre outros, com eficácia comprovada.

Sem a pesquisa básica das Universidades, muitos medicamentos nem existiriam

Maria Fernanda, coordenadora da pós-graduação em Farmacologia, diz que o programa que tem nota 5 pela Capes, nos últimos anos tem funcionado com cerca de 21 bolsas para mestrado, 24 bolsas de doutorado e uma para pós-doutorado. “Destas, perdemos sete e a de pós-doutorado que era a única. O que é uma perda muito grande para o curso. Pois um aluno de pós-doutorado traz novos conhecimentos para o programa”, explica. “Esses alunos quando são aprovados dependem de bolsas porque é necessária dedicação à pesquisa. Trata-se inclusive de exigência da própria capes”, diz. 

A coordenadora explica que o impacto de perder bolsas traz menos qualidade e dificuldades no prosseguimento e avanço nas pesquisas sobre medicamentos. “Quem desenvolve grande parte das pesquisas hoje são os alunos de pós-graduação, orientados por seus professores. É importante que a população saiba que o medicamento que está na prateleira depende dessa pesquisa básica que acontece na Universidade. Essa pesquisa, que pode demorar mais de seis anos, vai mostrar através de experimentos se determinada substância terá um efeito benéfico ou não”

O programa tem como base a pesquisa cientifica básica que é aquela que vai nortear as descobertas para novas possibilidades de tratamentos para doenças que ainda não tem um tratamento estabelecido ou que os tratamentos atuais ainda causam muitos efeitos colaterais. Segundo Maria Fernanda, os estudos são voltados para novos medicamentos, validação de plantas medicinais como medicamentos e o estudo de tratamentos de doenças ligadas a toxicologia e neurociências, por exemplo.  O programa que já existe há 19 anos, conta com 4 linhas de pesquisa: linha de produtos naturais, inflamação dor e febre, toxicologia e neurociências.

Entenda

Em nota, a Capes diz que o sistema para geração de folhas de pagamento "permaneceu fechado para ajuste da concessão de bolsas" neste mês, o que, na prática, significa o "recolhimento de bolsas que estavam à disposição das Instituições". A Capes afirma, ainda, não ter o número exato das bolsas recolhidas. A decisão impede que novos candidatos recebam bolsas que tinham verba já liberadas e previstas para 2019. Segundo a Capes, o bloqueio não atinge estudantes cujos mestrados e doutorados estão em andamento.


Texto: Ana Carolina Caldas/Brasil de Fato
Edição: Laís Melo
Foto: Giorgia Prates

Cortes de bolsas nas universidades impedirão pesquisa sobre novos medicamentos

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Por Valter Pomar*

A manifestação de 15 de maio de 2019 abriu um novo momento na luta entre o governo Bolsonaro e a oposição democrática e popular. O governo já vinha enfrentando problemas internos (como os conflitos entre o Clã Bolsonaro, Olavo de Carvalho, os militares e a Rede Globo) e em sua base parlamentar (cuja infidelidade ficou patente na convocação do ministro da Educação, aprovada por 307 a favor e 82 contra). Além disso, é crescente o mal-estar causado pelo programa de austeridade fiscal do governo Bolsonaro, com suas resultantes diretas: o crescimento do desemprego e o desmonte das políticas sociais. Mas até o dia 15 de maio, a oposição ainda não havia conseguido realizar mobilizações que impactassem a situação política.

Mais de 1 milhão de manifestantes em cerca de 250 cidades, protestaram contra os cortes na Educação e também contra o “conjunto da obra” de um governo que atenta cotidianamente contra os direitos sociais, as liberdades democráticas e a soberania nacional. Exemplos desse cenário são as frases rotulando os que protestam como “idiotas” e o ambiente acadêmico como “balbúrdia”, mais o decreto facilitando o porte de armas, publicado na esteira de violências cometidas no ambiente escolar e por pessoas intoxicadas pelo bolsonarismo. Neste contexto, professores e funcionários de escolas, seus familiares, o movimento popular e sindical, os partidos e as frentes e particularmente a juventude estudantil saíram às ruas numa manifestação impressionante em defesa da educação, contra a ignorância e a violência. As manifestações confirmaram a força dos sindicatos de professores, a relevância da mobilização das universidades, a simpatia popular pela luta da juventude e a legitimidade da luta pela educação. Mostraram que a mobilização geral contra o governo pode ser catalisada por questões aparentemente específicas, que tenham capacidade de contagiar setores mais amplos. E demonstrada, mais uma vez, que a força e o enraizamento – que a esquerda quando unida possui na sociedade brasileira – são capazes de superar as debilidades estratégicas, táticas e organizativas de suas organizações e lideranças.

Até o 15 de maio, a postura predominante no governo vinha sendo a de “ignorar” os protestos da oposição. Agora não será possível. O governo e as forças políticas e sociais que o sustentam têm diante de si quatro alternativas fundamentais. A primeira seria recuar nos cortes orçamentários, mesmo que parcial e temporariamente, na expectativa de que a oposição reflua, de que a greve de 14 de junho não repita o êxito do 15 de maio, de que a reforma da previdência seja aprovada. O principal obstáculo a esta alternativa é a desastrosa situação fiscal do governo, causada por sua própria política econômica. Neste contexto, recuar dos cortes pode levar o governo a descumprir seus compromissos com o capital financeiro. Outro obstáculo é subjetivo: a tática do governo Bolsonaro vem sendo a mesma da campanha eleitoral, ou seja, polarizar e atacar. Aliás, as manifestações de 15 de maio não são compreensíveis se não levarmos em conta a violência, a agressividade e o desrespeito continuado do governo frente ao mundo da educação. Sendo esta a atitude geral do governo, um recuo nos cortes poderia ser visto como sinal de fraqueza, o que poderia se converter em estimulante para novas manifestações. Sem falar que poderia facilitar mais defecções na base do governo no parlamento, base que está longe de garantir a aprovação integral da reforma da previdência defendida por Guedes e pelos bancos.

A segunda alternativa seria mobilizar a base social do governo, não apenas por meio das redes sociais, como também em manifestações de massa. O principal obstáculo a esta possibilidade está no desgaste do governo junto aos seus apoiadores. A base do governo existe, mas parte dela está confusa e desmotivada, seja pelas lutas entre os diferentes setores do governo, seja pela visível piora na situação do país, sendo cada vez menos eficaz — embora continue merecendo combate permanente de nossa parte— o “argumento” da “herança maldita”. Outro obstáculo à uma mobilização conservadora é a postura (ao menos neste momento) da Rede Globo, essencial no sucesso de mobilizações anteriores da direita, mas que agora parece mais interessada em desgastar o governo, seja para obrigá-lo a ceder a seus interesses empresariais, seja para construir uma alternativa conservadora a Bolsonaro (Mourão, por exemplo).

A terceira alternativa seria seguir o caminho da repressão. Este caminho é perfeitamente compatível com a vocação do governo Bolsonaro que, por diversas vezes, já deixou claro, com declarações e atos, sua intenção de criminalizar e destruir a esquerda brasileira. O governo já trabalha na perspectiva da repressão, como se percebe no caso do “embrulho supostamente anticrime” apresentado pelo ministro Moro e também se confirma nas disposições do Decreto 9.794-2019, este último publicado pelo Diário Oficial da União quando as manifestações de 15 de maio ainda estavam em curso. O Decreto 9.794 transfere uma série de competências que eram do MEC e/ou dos Reitores das Universidades para a Casa Civil comandada pelo General Santos Cruz, transferência que, na prática, anula aspectos fundamentais da autonomia universitária. Entretanto, a opção por uma alternativa repressiva não produziria resultados efetivos no curto prazo. Pelo contrário, ampliaria a polarização e a instabilidade, ameaçando a estratégica reforma da previdência. Acrescente a isso que, dada a força da esquerda brasileira, a repressão teria que assumir padrões similares aos dos anos 1970 na Argentina e no Chile para atingir seus objetivos.

A quarta possibilidade seria afastar Bolsonaro, na expectativa de criar um ambiente político mais propício à implementação do projeto ultraliberal e entreguista. Os que especulam com esta alternativa tomam como exemplo o afastamento de Collor, cujo impeachment abriu o caminho para o governo neoliberal muito mais estável de FHC. O maior obstáculo para esta alternativa é o comportamento do Clã Bolsonaro que, por enquanto, não dá sinal algum de que vá se dirigir docilmente ao matadouro. Entretanto, o cerco policial e judicial contra alguns integrantes do Clã pode oferecer o argumento para um “acordo” que resultaria na promoção de Mourão à presidência. Outro obstáculo é o tempo. Isso porque um processo de impeachment (ou mesmo a renúncia do presidente, ao estilo Jânio) tomaria certo tempo, durante o qual a crise política tenderia a se aprofundar, igualmente ameaçando a estratégica reforma da previdência. Mas não podemos subestimar esta possibilidade, que pode interessar aos integrantes do chamado “centrão”, assim como a potenciais candidatos à presidência como Dória, governador de São Paulo.

Portanto, qualquer que seja a alternativa escolhida pelo governo Bolsonaro e pelas forças que o apoiam, o cenário mais provável é o de aprofundamento da crise e da polarização política. Frente a esse cenário, qual a tática que a oposição democrática e popular deveria adotar? Neste terreno da tática, aparecem basicamente três saídas no debate travado entre os que fazem oposição ao governo Bolsonaro. A primeira alternativa seria defender o imediato afastamento do presidente. Esta opção tem a seu favor a clareza e a simpatia despertada pela palavra-de-ordem “fora Bolsonaro”, que dialoga fortemente não apenas com os sentimentos da esquerda, mas também com aqueles setores que têm ojeriza à política e ao voto popular. Aliás, como em 1991, um importante setor da burguesia e dos setores médios tradicionais parece chegar à conclusão de que Bolsonaro é um obstáculo tático à implementação de seu programa. Por isso, a esquerda não pode, pela segunda vez, cair na ilusão de que afastar um presidente é o mesmo que derrotar um bloco de poder. A depender das circunstâncias, o afastamento imediato de Bolsonaro pode favorecer os interesses da coalizão que o elegeu.

A segunda alternativa seria tentar construir um pacto político com setores da coalizão bolsonarista (que inclui políticos tradicionais, militares, mídia oligopolista, pentecostais, grande empresariado, setores médios tradicionais etc.), com o objetivo de impedir uma saída repressiva e o colapso geral do país. Esta opção, não assumida oficialmente por nenhum partido de esquerda, mas defendida explicitamente ou implicitamente por lideranças e figuras públicas, tem como principal obstáculo o fato de que os setores do governo considerados pela grande mídia como “adultos” e “razoáveis” defendem o programa ultraliberal e entreguista, ou seja, defendem aquilo que está na origem do colapso e da crise. Portanto, seria o povo que pagaria a conta de um hipotético “acordo nacional”. Como na segunda metade dos anos 1980, se esta alternativa vingar, estaríamos diante de uma “transição conservadora”. Sem falar que esses setores “adultos” e “razoáveis” são contrários à libertação de Lula e à anulação de suas penas, questões centrais para quem defende as liberdades democráticas. Vincula-se a isso a crítica feita por alguns dos que anseiam por um “pacto”, contra a presença de bandeiras vermelhas e da palavra de ordem “Lula Livre” nas manifestações de 15 de maio, como se a condenação e a prisão de Lula não tivessem relação com a piora geral nas condições de vida, inclusive nos cortes na educação e na destruição da aposentadoria.

A terceira possibilidade consiste em perseverar na tática que deu certo no dia 15 de maio com oposição global ao governo, mobilização política e social e unidade das forças democráticas e populares. Já a esquerda deve ter como prioridade engajar nas mobilizações a maior parte da classe trabalhadora, incluindo os que votaram em Bolsonaro, os que se abstiveram e votaram branco e nulo. O engajamento da classe trabalhadora é uma condição essencial para que uma alternativa de esquerda tenha consistência e êxito. Parte importante da juventude trabalhadora e periférica ainda não está engajada. Neste sentido, é importante que convirjam a continuidade da mobilização do mundo da educação e do mundo do trabalho. Convergência que será mais fácil, se nenhuma entidade ou setor achar que tem o monopólio da luta e das decisões a respeito das mobilizações. Esta terceira alternativa é defendida por diferentes setores do campo democrático e popular. Já o falatório do ex-presidenciável Ciro Gomes é, na melhor das hipóteses, um desserviço a esta tática.

A mobilização da esquerda deve ter três objetivos fundamentais: impedir o governo de aplicar seu programa antipopular, antidemocrático e antinacional; criar as condições para abreviar a duração do mandato da chapa Bolsonaro e Mourão; e criar as condições políticas e institucionais para acelerar a eleição de um governo democrático e popular. Será um desastre para o país se Bolsonaro governar até 31/12/2022. Tampouco seria positivo que seja Mourão a governar. Uma saída democrática e popular supõe novas eleições, em condições verdadeiramente livres, com Lula em condições de disputa. Até porque Lula segue sendo a liderança capaz de expressar, para as mais amplas massas, um programa alternativo ao da coalizão bolsonarista. A campanha por sua libertação combinada com a mobilização de massas contra o governo Bolsonaro traduz aspectos inseparáveis da tática capaz de criar uma alternativa popular à crise, cuja superação também envolverá, mais cedo ou mais tarde, a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte, em condições que permitam a real expressão dos interesses populares. Criar as condições para este tipo de saída exige um alto nível de consciência, organização e mobilização por parte das classes trabalhadoras.

O núcleo duro do governo Bolsonaro trabalha para que 2019 termine como terminou 1968, quando a mobilização oposicionista, fortemente apoiada pelos estudantes, foi reprimida pela ditadura militar, com os instrumentos de exceção previstos pelo Ato Institucional número 5. Os “liberais”, tanto governistas quanto oposicionistas, trabalham para viabilizar uma “solução de continuidade”, como ocorreu em 1992 com a saída de Collor, mas com a continuidade do programa neoliberal. Já a esquerda democrática, popular e socialista deve trabalhar para fazer do 15 de maio, bem como do 30 de maio convocado pela UNE, um ponto de apoio para que a greve geral (convocada para 14 de junho) seja forte o suficiente para derrotar a reforma da previdência que continua tramitando no Congresso Nacional. Derrotá-la nos colocará em um patamar mais favorável para construir uma saída política, democrática e popular. Por isso, a greve geral segue sendo nossa prioridade de mobilização.

12.Em qualquer caso, estamos diante de um processo de médio prazo, cuja duração dependerá do nível de consciência, organização e mobilização da classe trabalhadora. Um processo que envolve, e envolverá, lutas de massa, disputa cultural e eleitoral, como é o caso das eleições de 2020. Um processo que, ademais, será impactado pela evolução da situação internacional. Neste terreno, não há sinais positivos para Bolsonaro, cuja imagem internacional está cada vez mais desgastada, inclusive junto a governos ideologicamente afins. A negativa de impulsionar a entrada do Brasil na OCDE e os percalços da “homenagem” ao presidente nos EUA são exemplos disso.

Aprofundar a luta de massas contra o governo e, ao mesmo tempo, ampliar a campanha pela Liberdade de Lula: este é o caminho para que 2019 não conclua nem como “1992”, nem como “1968”. Lula Livre e povo na rua devem estar no centro da tática do conjunto dos partidos de esquerda.

*Valter Pomar é historiador e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)

Foto: Ana Paula Bispo/SOS Brasil Soberano

Em artigo, historiador analisa os desdobramentos da manifestação de 15 de maio e as estratégias para o enfrentamento

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Após o sucesso do Dia Nacional Em Defesa da Educação, ocorrido em 15 de maio, estudantes e professores convocam os brasileiros para mais um dia de luta e reforço da defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, e também contra os cortes de 30% da verba destinada às universidades federais anunciados pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. O Segundo Dia Nacional Em Defesa da Educação acontece no dia 30 de maio com atos em todas as regiões do país.

De acordo com a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), mais de um milhão de pessoas participaram das manifestações do dia 15 de maio em 200 municípios de todos os estados brasileiros. A mobilização do dia 30 promete ser ainda maior, segundo os organizadores. O novo ato também é um "esquenta" para a Greve Geral contra a reforma da Previdência que ocorre no dia 14 de junho. 

Até o momento, treze capitais brasileiras divulgaram horário e local das mobilizações no dia 30. Confira:

São Paulo (SP)

Local: Largo da Batata

Horário: 16h

Rio de Janeiro (RJ)

Horário: 15h

Porto Alegre (RS)

Local: Esquina Democrática - Borges de Medeiros X Rua dos Andradas

Horário: 18h

Belo Horizonte (MG)

Local: Praça da Estação - Avenida dos Andradas

Horário: 09h

Brasília (DF)

Horário: 10h

Salvador (BA)

Local: Praça do Campo Grande

Horário: 10h

Curitiba (PR)

Local: Praça Santos Andrade

Horário: 18h

Fortaleza (CE)

Horário: 10h

Belém (PA)

Horário: 13h

Recife (PE)

Local: Rua da Aurora

Horário: 15h

Manaus (AM)

Local: Praça da Saudade

Horário: 15h

Natal (RN)

Horário: 10h

São Luis (MA)

Local: Praça Deodoro

Horário: 15h

Edição: Daniel Giovanaz

Foto: Luciana Santos

Treze capitais já anunciaram atos em defesa da educação no dia 30

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Alunos do curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica da UFRJ embarcam no próximo dia 23 de maio para Bolívia, local onde será realizada a edição anual do Petrobowl Regional Qualifiers. Após conquistar o título nacional, no Rio, a equipe PetroTeam UFRJ chega a Santa Cruz de La Sierra com objetivo de buscar o quarto título seguido da competição e vaga para o mundial, em setembro, no Canadá. 

Organizado pela Society of Petroleum Engineers (SPE), o Petrobowl funciona no estilo ‘quiz de conhecimento’. Em ritmo acelerado e dinâmico, equipes de diversas universidades da América do Sul e Caribe são desafiadas entre si a responderem com rapidez perguntas técnicas e não-técnicas, relacionadas à indústria de petróleo. A equipe que alcançar a melhor pontuação, vence a competição.

 “Esperamos fazer uma boa competição. As universidades participantes têm equipes qualificadas, que passam meses se dedicando para competir em alto nível. Estamos treinando e nos preparando para esta competição e pretendemos fazer uma boa campanha e conseguir a classificação para etapa mundial, em setembro. Queremos representar a UFRJ da melhor maneira possível”, explica o aluno Velemu Davida Lubisse, do último período. 

A equipe da UFRJ também é composta pelos alunos Adilson Vieira de Souza (último período), Elton Lima Correia (último período), Matheus Marins Gonzaga (9º período) e Marco Túlio Portella (8º período), com a coordenação do professor e técnico, Santiago Drexler, que destaca: “A competição estimula a aquisição e disseminação de conhecimento sobre engenharia básica e de petróleo. Os jogadores obtêm diversas informações além da sala de aula, em áreas que não são abordadas a fundo no curso”.

Fonte e foto: Comunicação UFRJ

Alunos de Engenharia da UFRJ representam o país em competição internacional sobre indústria de petróleo

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“Investir no futuro é investir na educação”, ressaltou a reitora Sandra Regina Goulart Almeida no evento que homenageou os 108 anos da Escola de Engenharia da UFMG, realizado neste sábado, 18. A preocupação com os rumos da educação pública no país pontuou boa parte dos discursos do evento, no qual foram homenageadas três turmas de graduados pela Escola. “A UFMG é um patrimônio do nosso país e do povo brasileiro e, como patrimônio, como riqueza e como legado, ela deve ser reconhecida e reverenciada”, disse a reitora.

Em sua mensagem, a dirigente pontuou o quanto a UFMG cresceu na última década, praticamente dobrando o tamanho de sua comunidade universitária e aumentando a abrangência das diversas ações realizadas em favor da sociedade civil. Essas iniciativas podem ser afetadas pelo bloqueio orçamentário imposto às Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), que compromete o funcionamento do próprio cotidiano na Universidade.

“A UFMG está de volta a patamares orçamentários de 2009, antes dessa grande expansão e desse grande salto qualitativo”, explicou. “Trata-se de um bloqueio que representa R$ 64,5 milhões a menos no orçamento de manutenção da universidade”.  

O vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira, ex-diretor da Escola de Engenharia, destacou que, neste momento de desafios, é necessária a participação da sociedade para a formação coletiva da Universidade que se deseja e enfatizou a relevância social e econômica da própria Escola de Engenharia, construída a partir pelas engenheiras e pelos engenheiros que nela se formaram. “Mais de 90% do conhecimento científico e tecnológico em engenharia é gerado em escolas públicas de engenharia como essa”, lembrou o vice-reitor.

Jubileus
Além dos 108 anos da Escola, que serão completados na próxima terça-feira, 21 de maio, o evento manteve a tradição de relembrar os jubileus de diamante, ouro e prata de seus estudantes, homenageando os engenheiros que completaram, respectivamente, 60, 50 e 25 anos de formados.

Para os ex-estudantes presentes, a reitora Sandra Goulart Almeida ofereceu uma homenagem, que, segundo ela, “representa de maneira muito emocionante um legado histórico que todos nós trazemos conosco: um presente de conquistas e um futuro que, mesmo em meio à turbulência dos tempos de incerteza, nos traz a crença de que somos cada vez mais relevantes e mais necessários para a constituição de um projeto de país soberano e próspero, que tem como concepção de cidadania de seu povo o direito à educação de qualidade e relevância”.

Aos ex-estudantes e seus familiares, a reitora pediu um pequeno presente: “Que cada um de vocês defenda, valorize e ampare a instituição que sempre será a sua casa”.

108 anos de reinvenção
A Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte foi fundada em 21 de maio de 1911, mas sua primeira aula ocorreu apenas no ano seguinte, no prédio localizado entre a esquina da Rua da Bahia e a Avenida do Comércio, atual Avenida Santos Dumont, onde hoje funciona o Centro Cultural UFMG.

De lá para cá, muitos marcos somaram-se à trajetória da Escola que, ano após ano, destacava-se com a oferta de um ensino técnico e social de relevância, seja na iniciativa que formou a própria UFMG, em 1927, seja na intensa participação de seus alunos na construção de Brasília, por exemplo, como lembrou Marzo Sette Torres, um dos formandos homenageados da turma de 1959.

“Com o passar do tempo, aprendemos que o concreto não é eterno”, afirmou o engenheiro. “Ele envelhece e morre se não tratado a tempo, assim como toda obra", disse Sette Torres. O engenheiro ressaltou que, neste momento de reinvenção, torna-se cada vez mais imprescindível a humildade de saber fazer perguntas às pessoas certas, dada a rapidez da evolução das relações.

O engenheiro Ricardo Prado Tamietti discursou em nome da turma que comemorava o jubileu de prata. “O mundo contemporâneo é feito de pluralismo e de diversidade. Há muitos projetos de vida legítimos, há múltiplas raças, religiões e ideologias. É preciso escolher os próprios valores e conviver em harmonia com as escolhas alheias”.

Como afirmou o diretor da Escola de Engenharia, professor Cícero Starling, “essa homenagem é uma excelente oportunidade para mostrar a todos os nossos ex-alunos o que a Escola de Engenharia tornou-se desde o momento em que eles se ausentaram e foram para o mercado de trabalho. É uma forma de dar visibilidade a essa escola pública, gratuita e de qualidade em resposta a tudo aquilo que foi investido nela e na vida dessas pessoas".

Cerimônia homenageou três gerações de engenheiros formados pela UFMGTrês gerações de engenheiros formados pela UFMG foram homenageadasGabriel Araújo / UFMG

Fonte: Gabriel Araújo/UFMG

 

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