Dieese contesta estudo do governo em defesa de mudanças nas regras para pagamento do BPC e afirma que se PEC da reforma da Previdência com este item for aprovada, idosos pobres vão ter perdas de até 32,8%.

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 Foto: EBC
 
As mudanças que o governo quer fazer nas regras de pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) “podem resultar em perdas entre 23,6% e 32,8% do valor presente dos benefícios para os idosos”, afirma o Dieese em nota técnica que analisou estudo da Secretaria de Política Econômica (SPE), ligada ao Ministério da Economia.

O Dieese refez os cálculos apresentados pelo governo, mantendo a mesma metodologia, mas com a adoção de parâmetros que, em consonância com declarações do ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, são mais adequados à realidade, segundo a nota divulgada pela entidade. 

Em 12 de março, a SPE divulgou um estudo defendendo as alterações sugeridas pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019 no BPC destinado a idosos em situação de miserabilidade, aqueles que têm renda familiar igual ou menor de um quarto do salário mínimo.

De acordo com o texto da PEC, ao invés de pagar um salário mínimo (R$ 998,00) a pessoas com mais de 65 anos, que não conseguiram cumprir a regra de tempo mínimo de contribuição ao INSS de 15 anos para ter direito a aposentadoria, o governo pagaria R$ 400,00 a partir dos 60 anos. Só a partir dos 70 anos, esses idosos passariam a receber um salário mínimo. Além disso, só poderá se tornar beneficiário o idoso cuja família tenha patrimônio inferior a R$ 95 mil.

Os técnicos da secretaria fizeram simulações tentando demonstrar que essas medidas aumentariam o bem-estar dos beneficiários quando comparadas às normas hoje vigentes, uma vez que representariam ganhos significativos em valor presente.

O Dieese afirma que isso acontece, entre outros fatores, porque o governo considerou em seu estudo taxas de juros inadequadas por serem, segundo o próprio Guedes, distorcidas e absurdas, “o que leva a resultados completamente fora da realidade”.

“De fato, o ministro tem razão”, segue a nota técnica, “as taxas de juros praticadas pelos bancos no Brasil são mesmo absurdas e, ao adotá-las, o estudo chega a resultados que fogem ao bom senso. Para exemplificar, segundo os cálculos apresentados, R$ 400 hoje valem o mesmo que R$ 554.686, em 2029. Ou seja, segundo a lógica que orienta os técnicos do governo, seria mais vantajoso receber os R$ 400 hoje do que meio milhão daqui a 10 anos”.

Além disso, a SPE ignorou que o grau de esforço no trabalho aumenta com o passar dos anos. “Desconsiderou também que as atividades a que os idosos em situação miserável se submetem são especialmente desgastantes e penosas”, acrescenta o Dieese, concluindo a perda no valor, “o que significa uma redução do bem-estar desses idosos”.

Em um dos cenários descritos na nota técnica, com base em “parâmetros mais realistas”, o beneficiário receberia R$ 72.899 no período de 10 anos, considerando taxa de retorno da poupança e inflação (estimada em 4% ao ano). Pelo modelo do governo, o valor presente seria de R$ 51.026, diferença de quase R$ 25 mil, perda de 32,8%.

A mudança nas regras de acesso ao BPC, afirma o Dieese na nota técnica,  afetaria de imediato as famílias dos mais de 2 milhões de idosos que hoje têm direito ao benefício. “Em valores nominais, caso a reforma seja aprovada, um beneficiário idoso do BPC receberia até R$ 20.034 a menos do que lhe seria devido pelas regras em vigência”.

E a tendência, prossegue a nota, é “atingir um número muito maior nos próximos anos, em função das mudanças nas regras de acesso à aposentadoria propostas pelo governo”, que dificultam o acesso de milhões de trabalhadores.

E a redução do valor do benefício “implicará, para boa parte desses idosos, a postergação do momento em que esperam deixar de trabalhar, uma vez que muitos se verão compelidos a continuar na ativa até os 70 anos”.

 

Fonte: CUT

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Para o diretor técnico da entidade, Clemente Ganz Lúcio, os números indicam que a economia ficou "praticamente estagnada" e segue "andando de lado".

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FOTO: TÂNIA REGO/AGÊNCIA BRASIL

A economia brasileira cresceu 1,15% em 2018, segundo o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) divulgado pelo Banco Central na última sexta-feira (15). Esse índice funciona como uma "prévia" do PIB oficial, que deve ser anunciado pelo IBGE em 28 de fevereiro. Para o diretor técnico do DieeseClemente Ganz Lúcio, os números do BC indicam que a economia ficou "praticamente estagnada" e segue "andando de lado".

Dentre as causas, explica Clemente em comentário na Rádio Brasil Atualnesta segunda-feira (18), está a falta de "dinamismo" no consumo das famílias, que não avança devido às elevadas taxas de desemprego e o crescimento do emprego informal, o que leva a quedas sucessivas do setor de serviços, responsável por quase 60% da movimentação da economia brasileira. Em 2017, o crescimento do PIB foi de apenas 1,0%.

Ele também aponta a queda de investimentos do governo federal em infraestrutura, e em contratações de pessoal. No setor privado, as empresas também não investem, devido à "capacidade ociosa" do setor, quando a base produtiva das indústrias ainda não foi totalmente utilizada.

Com todas as "locomotivas" do crescimento "com os pés no freio", a consequência é a manutenção do "baixo dinamismo" no mercado de trabalho. "Os postos de trabalho, quando aparecem, são precários, informais, com baixa remuneração e alta rotatividade. A indústria não contrata, o setor público também vem bloqueando contratações. Soma-se a isso o aumento da terceirização, que precariza salários e condições de trabalho."

Segundo o diretor do Dieese, a situação econômica em 2019 não deve mudar radicalmente. "Pelo contrário, cada vez mais os analistas começam a estimar crescimento abaixo de 2%. O que configuraria mais um ano de baixo crescimento econômico, o que é muito perverso para os trabalhadores especialmente", afirma.

FONTE: CUT / Escrito por Redação RBA

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Clemente Ganz, diretor técnico do DIEESE, afirma que medidas geram um "impacto severo nos direitos dos trabalhadores".

Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) - Créditos: Guilherme Santos | Sul21

Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) / Guilherme Santos | Sul21

"A reforma da Previdência deve ampliar os direitos dos trabalhadores, não diminui-los".

Essa é a avaliação do diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Clemente Ganz Lucio.

“É bem provável que, para fazer a economia que o governo quer fazer, haja um pacto bastante severo sobre os direitos dos trabalhadores, coisa que o movimento sindical tem sido bastante contrário”, disse.

Clemente Ganz Lucio comentou à Rádio Brasil Atual alguns pontos do texto apresentado pelo governo, que será votada na Câmara dos Deputados até junho, segundo estimativas do presidente da Casa, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“A Previdência precisa melhor os benefícios sociais. Esse será um grande embate no Congresso Nacional, e a sociedade precisará se envolver nessa questão, porque os seus direitos e aquilo que lhe dá proteção estarão em debate”, analisou Clemente.

Ainda de acordo com o diretor do DIEESE, o governo ainda não deixou claro se a proposta de idade mínima para se aposentar de 65 anos para homens, e 62 anos para as mulheres, será exclusivo, especialmente na fase de transição, estabelecida em 12 anos.

“Pode ser que os 65 anos para homens seja para quem entrar no mercado de trabalho daqui para frente. Essa transição significa que quem já está trabalhando terá o acesso à Previdência com essa regra da transição, que não é exatamente como é hoje, nem como a pessoa que entrar no mercado”, explica Clemente.

Para Clemente, não haverá reforma da Previdência que reduza o gasto do Estado na dimensão que imagine, sem que isso impacte na redução de direitos. “O governo vai gastar menos e, ao pagar menos, vai garantir menos direitos, seja para os aposentados, seja para os trabalhadores”, completa.

 

Fonte: Brasil de Fato / Edição: Guilherme Henrique

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Nesta quinta-feira (10), o governo anunciou que não vetará nenhum dos termos do acordo anunciado pelas empresa.

Governo aprova venda da Embraer à estadunidense Boeing

Acordo entre a Embraer e a Boeing causa preocupação em setores das Forças Armadas e do Itamaraty / Sgt. Batista/Agência FAB

O governo anunciou nesta quinta-feira (10) que não exercerá o poder de veto para o acordo entre a Embraer e a estadunidense Boeing para criação de uma nova empresa comercial. 

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República afirma que “em reunião realizada hoje com o Exmo. Sr. Presidente Jair Bolsonaro, com os Ministros da Defesa, do GSI, das Relações Exteriores, da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações; e representantes do Ministério da Economia e dos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foram apresentados os termos das tratativas entre Embraer (privatizada desde 1994) e Boeing”.

O comunicado afirma ainda que “a proposta final preserva a soberania e os interesses nacionais”. E anuncia que “não será exercido o poder de veto (Golden Share) ao negócio”. 

Em dezembro, as empresas haviam anunciado a aprovação dos termos do acordo. A estadunidense Boeing deterá 80% do novo negócio e a Embraer 20%. Com isso, a Embraer abre mão do setor mais rentável da companhia, que é a produção de aviões comerciais, responsável por 58% dos lucros da empresa em 2017.

O negócio é criticado por setores militares e do Itamaraty. Em entrevista ao Brasil de Fato e, março de 2018, o diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim, ressaltou a preocupação dos que chama de “verdadeiros patriotas” das Forças Armadas, principalmente em relação à defesa e soberania do país.

“Eu acho que eles devam estar muito preocupados. Pelo menos os verdadeiros patriotas, que são obviamente a maioria, e aqueles que estiveram envolvidos no desenvolvimento tecnológico [da empresa]”.

Em nota técnica divulgada em outubro deste ano, especialistas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fizeram diversos alertas sobre as negociações entre a Embraer e a Boeing, entre eles, o impacto econômico principalmente na geração de empregos no Brasil. 

“Há um temor imediato com relação aos 16 mil empregos que a Embraer tem diretos no Brasil, fora os indiretos, que são completamente dependentes destes e vão desde pequenos e médios fornecedores, até a [questão da] economia que ela faz girar onde está instalada”, dizia a nota.

Para o Dieese, não se trata de uma fusão entre as empresas, mas da compra da Embraer pela companhia estadunidense.

 

Fonte: Brasil de Fato

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Transação entre companhias foi oficialmente fechada nesta segunda-feira (17) e aguarda decisão final do governo.

Criada em 1969, Embraer é referência mundial na fabricação de aeronaves  - Créditos: Divulgação Embraer

Criada em 1969, Embraer é referência mundial na fabricação de aeronaves / Divulgação Embraer

O acordo entre a Embraer e a fabricante estadunidense Boeing, anunciado oficialmente na última segunda-feira (17), foi recebido com críticas e preocupação por especialistas que acompanham o setor.

A medida, que vinha sendo costurada desde o final de 2017 e é defendida tanto pelo governo de Michel Temer (MDB) quanto por Jair Bolsonaro (PSL), implica a criação de uma joint venture, que consiste na criação de uma nova empresa a partir das duas companhias.

Temer e sua equipe têm afirmado que a fusão seria vantajosa para o Brasil. O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, disse à imprensa, nessa segunda-feira (17), que o negócio seria “vital” para que a Embraer possa “enfrentar a concorrência internacional”.

A declaração é contestada, por exemplo, pela economista Renata Belzunces, técnica do Dieese. Ela alerta que na prática, pela forma como a transação vem sendo acertada, a Embraer será quase totalmente vendida e tende a perder importância e presença no mercado. Isso porque as normas do acordo preveem que a Boeing passe a controlar 80% do novo negócio, deixando a fabricante brasileira com 20%.

Além disso, após os dez anos de duração da joint venture, a empresa estadunidense terá direito à compra dos 20% da Embraer. A transação total do negócio é avaliada em U$ 5,26 bilhões.

Outro ponto crítico do acordo diz respeito aos setores de produção que estão sendo negociados: a Boeing deverá ficar com a parte de aviação comercial, considerada a mais rentável da empresa, enquanto à Embraer restarão os segmentos de aviões de defesa aérea e aviação executiva. Este último envolve a produção de jatinhos.

Segundo dados oficiais da empresa, o faturamento da Embraer teve, em 2017, participação de 16% do setor de defesa e 26% da aviação executiva. Já a parte de produção de aviões comerciais foi responsável por 58% dos lucros.

Belzunces afirma que o negócio entre a Boeing e a Embraer compromete a soberania nacional e coloca em risco a viabilidade da fabricante brasileira.

“Não se trata de uma fusão ou combinação de negócios; se trata de uma compra. E a gente não tem, de fato, elementos econômicos e técnicos que garantam a sobrevivência do que vai restar da Embraer”, aponta a economista.

Em nota técnica divulgada em outubro deste ano, especialistas do Dieese ainda realizaram outros alertas. Um deles diz respeito aos possíveis impactos na economia brasileira. Com a transação entre Boeing e Embraer, a fabricante estrangeira pode, pelo acordo firmado, remanejar 100% dos trabalhadores das atividades da aviação comercial para a nova empresa que será criada, o que traz a possibilidade de os postos de trabalho ficarem nos Estados Unidos, sede da Boeing.

“Há um temor imediato com relação aos 16 mil empregos que a Embraer tem diretos no Brasil, fora os indiretos, que são completamente dependentes destes e vão desde pequenos e médios fornecedores, até a [questão da] economia que ela faz girar onde está instalada”.

Empregos

A projeção é de que a transação atinja fortemente o Vale do Paraíba (SP), por exemplo, onde se situa a sede principal da Embraer. Por conta disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou, em julho deste ano, com uma ação civil pública na Justiça Federal.

O órgão pede que a União seja obrigada a condicionar a transação entre as empresas à garantia da manutenção dos empregos. Em audiências anteriores ocorridas entre o MPT e representantes das companhias, as duas fabricantes negaram o pedido.

Na ação judicial, o MPT pede também que a produção das aeronaves não seja transferida para o exterior. O pedido ainda não foi julgado pela Justiça e a notícia do avanço das negociações entre as duas companhias piorou o clima entre os trabalhadores da empresa, que vivem um contexto de tensão com as cerca de 800 demissões já promovidas pela Embraer desde o início deste ano.

“Se as duas estão dizendo que o negócio é bom, mas não garantem emprego, então, pro trabalhador, é óbvio que não é bom. É bom só para os acionistas. Então, o clima de apreensão é muito grande”, afirmou Herbert Claros, da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (Sindmetal-SJC), em entrevista ao Brasil de Fato.

O acordo entre Boeing e Embraer precisará agora da aprovação do governo brasileiro. Apesar de a fabricante nacional ser privatizada, ela conta com forte apoio do Estado e tem a União como detentora de uma ação especial, a chamada golden share, que garante poder de veto em determinadas decisões da gestão da companhia.

O Palácio do Planalto tem 30 dias para se pronunciar, o que faz com que a decisão possa se dar ainda na gestão Temer ou somente em janeiro, já sob o governo Bolsonaro.  

 

Fonte: Brasil de Fato / Edição: Mauro Ramos

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Hoje, às 15h30, o DIEESE promove debate sobre conjuntura nacional: perspectivas econômicas para 2019 e o cenário sindical, no Clube de Engenharia. A atividade contará com apresentações do diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio; do técnico do escritório regional do Dieese no RJ, Paulo Jäger; e do historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Chico Teixeira.

No Rio de Janeiro, Dieese promove debate sobre perspectivas econômicas para 2019

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por Camila Marins

“O nosso grande desafio é promover e sustentar o crescimento econômico”, afirma o diretor do DIEESE, Clemente Ganz.

Foto: Alessandro Carvalho

De acordo com dados do IBGE, a variação do PIB total em 2008 foi de 5,1% e em 2017 de 1,0%. O crescimento do PIB de 1% em 2017 deixou o Brasil em último lugar dentro de um ranking de 45 países. O sociólogo e diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz, fala sobre os pilares de um projeto de retomada do desenvolvimento econômico.

É sociólogo graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná. Desde 2004 é Diretor Técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE. Atualmente é Docente Horista da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho, Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES) e Membro do Conselho de Administração do Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI.

Quais os principais problemas macroeconômicos do Brasil e de onde pode vir o impulso para a geração de empregos?

São vários os problemas macroeconômicos, mas eu resumiria que o nosso grande desafio é promover e sustentar o crescimento econômico. Considero que duas dimensões são fundamentais, de um lado ampliar o investimento público e privado, investimento em infraestrutura econômica e social. Isso requer como resposta uma reorganização da capacidade de financiamento para investimento. Portanto, uma reorganização de todo o sistema financeiro, voltado para o investimento produtivo e uma equação macroeconômica que coloque e permita que o câmbio tenha um equilíbrio que sustente o desenvolvimento produtivo, além de uma integração econômica fortalecida pela capacidade de produção de manufatura e de serviços que são exportáveis para o mundo.

A produção dessa estratégia é complexa e exige um projeto de estruturação de um desenvolvimento em termos de diversidade industrial, tamanho do mercado interno, posicionamento geopolítico e vantagens competitivas. A outra dimensão fundamental se dá por um lado pelo próprio investimento e de
outro lado pela capacidade do Estado tenha de realizar os investimentos. 

“O PAPEL DA ENGENHARIA É DAR SUPORTE, PROMOVER CAPACIDADE, CONSTRUIR OS ELEMENTOS QUE DÃO CAPACIDADE ECONÔMICA PARA UMA SOCIEDADE”

Especificamente no caso do Estado, a sustentação da demanda exige uma reorganização fiscal, articulada a partir de uma estratégia de crescimento econômico que, em um primeiro momento, gera capacidade para retomada do crescimento. No segundo momento, na medida que o crescimento promova a ampliação da própria capacidade fiscal do Estado, reorganizar um equilíbrio fiscal, reorganizar o orçamento público de tal maneira que o investimento tenha um orçamento próprio, garantindo uma sustentação de médio e longo prazo. De outro lado que os gastos sociais possam ser debatidos e, politicamente, definidos à luz das prioridades que o país tem e daquilo que a capacidade fiscal vai gerando em termos dos investimentos.

No âmbito das famílias, é fundamental que nós tenhamos uma política emergencial de curtíssimo prazo, visando criar ocupações para gerar renda para aquelas pessoas que estão em situação de desemprego de longa duração e, rapidamente, estruturar uma política de investimento, de reorganização da nossa capacidade, de estruturação econômica e social de investimento necessário para o espaço urbano e rural. E nessa política de investimento rearticular o sistema produtivo para uma estratégia na qual a nossa base de produção econômica esteja orientada para a estruturação de formação de capital, capa-
cidade produtiva, formação de uma mão de obra em termos de conhecimento. É necessário que essa articulação resulte em um projeto que traduza as nossas prioridades em termos de crescimento, de geração de empregos àquelas nossas capacidades reais de desenvolvimento econômico. Essa relação entre investimento, papel do Estado e a organização das empresas e dos investimentos na ampliação do capital e, portanto, da tecnologia aplicada e do conhecimento é fundamental.

Qual o papel da engenharia na economia e no desenvolvimento social?

A engenharia é aquela área de produção de conhecimento e da ciência que reúne desenvolvimento e a capacidade cognitiva de resolver problemas e de dar materialidade a soluções que possam transformar uma realidade em relação aquilo que se busca. A capacidade de engenharia está associada a uma capacidade que a sociedade tem de estruturar a sua base econômica e os processos de produção que geram bens e serviços, que dão todos os elementos que compõem a nossa vida cotidiana, do ponto de vista de infraestrutura econômica e social. O papel da engenharia é dar suporte, pro-
mover capacidade, construir os elementos que dão capacidade econômica para uma sociedade produzir o seu desenvolvimento social.

Para um próximo governo, quais deveriam ser as primeiras medidas ao tomar posse?

Primeiro será necessário ter uma grande iniciativa de articulação no âmbito do Congresso e com os agentes econômicos e sociais para estruturar as grandes iniciativas de organização do nosso desenvolvimento econômico e social. A organização de processos legislativos que autorizem transformações, seja na estrutura tributária e sistema produtivo, ou recolocando em padrões e condições para que o desenvolvimento nacional seja centrado na capacidade produtiva da nossa economia para estruturar o nosso desenvolvimento social. Isto exige pactuação entre trabalhadores e empregadores, iniciativas de reorganização do Estado brasileiro e de uma estratégia de desenvolvimento produtivo. Ao mesmo tempo, é necessário reorganizar rapidamente a estrutura orçamentária da União, rever a lei do teto (PEC 95), recolocar a organização do sistema tributário e da organização fiscal do Estado em novos patamares com centralidade no investimento e políticas sociais. É preciso uma reestruturação muito forte visando fortalecer o Estado com tecnologia da informação e capacidade gerencial para administrar a complexidade das políticas públicas e do desenvolvimento econômico. É necessário urgentemente reto-
mar obras públicas que estão paradas para gerar emprego, demanda para indústria, resultando no desenvolvimento da atividade produtiva.

Que áreas são estratégicas para o desenvolvimento do Brasil?

Considero a infraestrutura econômica a base de uma grande estratégia de desenvolvimento para fazer parte de uma estratégia de médio e longo prazo nos setores de energia, transporte, comunicação, articulados com uma capacidade produtiva distribuída e indutora de pesquisa, de ciência, de tecnologia e de inovação. A outra dimensão fundamental é que 85% da nossa população já mora no espaço urbano que se coloca como uma oportunidade de grandes investimentos e de profundas mudanças. Isso significa pensar um espaço urbano saudável para a vida coletiva, acompanhado por saltos tecnológicos que as áreas de energia, comunicação e transporte podem dar.

O Brasil tem um vasto território e toda a área de lazer e de turismo pode ser desenvolvida a uma vasta capacidade de produção agrícola. Temos as maiores áreas de terra agriculturáveis, portanto, a produção de alimentos é um eixo estruturante do nosso desenvolvimento econômico e a industrialização dessa produção é elemento essencial para agregação de valor. A produção de ciência e tecnologia ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras na área da produção alimentar é uma parte fundamental do nosso desenvolvimento. A nossa biodiversidade é uma oportunidade de produção e de industrialização de medicamentos para uma sociedade que envelhece.

 

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A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) lançou, no dia 23/08, o livro “O Mercado de Trabalho Formal dos Profissionais de Engenharia”. A publicação reúne dados fornecidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) sobre o mercado de trabalho formal dos profissionais de engenharia em 2016. “Esta publicação tem o objetivo de ser um instrumento de fortalecimento da engenharia brasileira e também de orientação à ação sindical. Seu escopo abrange os profissionais formalmente empregados, agrupados nas seguintes categorias: engenheiros, agrônomos, geólogos/geofísicos e demais categorias, sendo este último agregado composto por geógrafos, físicos e meteorologistas”, afirmou o engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento. Também é possível acessar a versão resumida.

Confira o livro AQUI.

Fisenge lança livro sobre o mercado de trabalho de engenheiros

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Com carga horária de 24 horas, as aulas aconteceram ao longo de três dias, e reuniram líderes sindicais de todo o estado.

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O auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) recebeu, na última semana, o curso Comunicação e Expressão, ofertado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e facilitado pelo próprio Senge-PR.

Voltado para líderes sindicais, o objetivo do curso é desenvolver a expressão verbal a partir de exercícios sobre comunicação, possibilitando a superação de dificuldades relacionadas à exposição de ideias, discussão de conceitos, formulação de argumentos e condução de atividades sindicais, como assembleias e negociações.

Além de diretores de diversas regionais do Senge-PR, líderes de entidades sindicais de todo o estado participaram do curso. Com carga horária de 24 horas, as aulas aconteceram ao longo de três dias.

 

FONTE: Senge-PR

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Principais índices e cálculos já estão disponíveis na ferramenta. Basta apenas um clique

Dieese lança aplicativo para ajudar nas negociações sindicais

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançou um aplicativo com os principais cálculos que um dirigente necessita em uma rodada de negociação. A ferramenta pode ser acessada por meio de qualquer modelo de celular.

Com apenas um toque, pode-se ter acesso à calculadora de perda salarial, benefícios e abono, por exemplo. Além disso, a entidade oferece gráficos com reajustes, cláusulas em destaque, pisos regionais e reajustes de pisos.

“Além do uso em negociações coletivas, queremos que, a partir do aplicativo, o dirigente faça demandas a uma unidade de atendimento remoto do Dieese. Pretendemos, assim, reorganizar a forma de fazer o atendimento sindical nas negociações coletivas, permanentemente e em tempo real”, explicou o Diretor Técnico do Dieese, Clemente Ganz.

Por meio do aplicativo, que inicialmente é aberto e gratuito - depois será cobrado um valor sobre os serviços oferecidos -, o Dieese pretende iniciar uma nova era, entrando de vez no universo virtual. Além disso, diz Clemente, a tecnologia ajuda a resistir a essa situação nova de falta de recursos.

“Isso já fazia parte do projeto do Departamento e estamos acelerando o desenvolvimento da ferramenta com o máximo de opções para os usuários terem mais autonomia para acessar virtualmente uma série de informações”, diz Clemente.

Segundo ele, o Dieese está criando uma equipe que ficará responsável somente pelo atendimento remoto.

“São postos novos de trabalho para atender esse tipo de demanda, desde a construção do aplicativo até os serviços que serão oferecidos no futuro, para que, na ponta, o dirigente ganhe com rapidez e agilidade e, para isso, estamos batalhando para ter uma unidade que faça atendimento das 8h às 20h”, complementou o diretor técnico do Dieese.

 

FONTE: CUT / Escrito por: Luciana Waclawovsky

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