A cientista social Sonia Fleury e o economista Luiz Carlos Prado vão discutir o risco de recessão e os impactos da reforma da Previdência, com transmissão ao vivo pelo Facebook, às 15h.

Crise econômica em debate no próximo dia 6

A Economia na rota da recessão é o tema do próximo Soberania em Debate, com a cientista política Sonia Fleury e o economista Luiz Carlos Prado, no dia 6 de junho (quinta-feira), às 15h, com transmissão ao vivo pelo Facebook.
 
O evento é promovido pelo Movimento SOS Brasil Soberano, pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), e terá mediação do professor e historiador Fancisco Teixeira (UFRJ, Eceme).
 
Na pauta, o quadro crítico da economia brasileira, com PIB em queda, desemprego e informalidade crescentes no mercado de trabalho, falta de um projeto de desenvolvimento. Também serão discutidos os impactos da proposta de reforma da Previdência que, se aprovada, poderá reduzir ainda mais a capacidade de consumo das famílias – há municípios em que as aposentadorias respondem por praticamente toda a atividade econômica –, além de derrubar a arrecadação da seguridade social, e produzir uma legião de idosos miseráveis, como se verificou no Chile. 
 
Os dados divulgados no dia 30 de maio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontaram uma queda no PIB de 0,2% de janeiro a março, em relação ao trimestre anterior. Se o desempenho negativo se repetir no próximo trimestre – e há poucos sinais de que o quadro melhore –, o Brasil estará oficialmente em recessão. Esse cenário já acontece na indústria, que registrou dois trimestres consecutivos com queda no PIB.
 
A transmissão ao vivo do Soberania em Debate acontece às 15h no perfil do SOS Brasil Soberano no Facebook, aberta a perguntas enviadas pela página.
 
Currículo dos debatedores:
 
> Sonia Fleury é doutora em Ciência Política e mestre em Sociologia pelo IUPERJ; bacharel em Psicologia pela UFMG. Trabalhou na Finep e atuou no Cebes e na Abrasco, onde foi formulado o projeto da Reforma Sanitária Brasileira que resultou no Sistema Único de Saúde  (SUS). Fundou o Núcleo de Estudos Político-Sociais em Saúde (Nupes), na Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. (Fiocruz), instituição da qual foi presidente e onde trabalhou até 2018. Recebeu a Medalha de Ouro Oswaldo Cruz do Ministério da Saúde em 2009 e foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Coordena atualmente a Plataforma Digital do Dicionário Carioca de Favelas e, recentemente, vem desenvolvendo documentários e vídeos sobre experiências inovadoras.
 
> Luiz Carlos Prado é PhD em Economia pelo Queen Mary College, University of London, mestre em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ e bacharel em Economia e em Direito. Desde 1994, é professor no Instituto de Economia da UFRJ. Realizou pesquisas apoiadas por organismos internacionais como o PNUD e a Cepal. E foi presidente do Conselho Federal de Economia.
 
Fonte: Senge-RJ
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Por Naiara Bittencourt*

Na última quinta-feira (20) eu marchei em Curitiba pelas reformas populares, contra o ajuste fiscal neoliberal, contra as terceirizações, contra o golpismo e pela democracia.

Durante o ato, gravamos um vídeo relacionando a luta das mulheres e as pautas que reivindicamos na marcha. O vídeo foi gravado e publicado na página do Brasil de Fato nacional, tomando proporções inimagináveis: quase 40.000 visualizações, mais de 1000 compartilhamentos. Num primeiro momento, pensei em recuar, principalmente quando vi os comentários raivosos e machistas na página, sem qualquer fundamento. Mas depois eu comecei a pensar que é preciso aproveitar esse espaço gigante de repercussão e esclarecer as pautas que nos fazem caminhar.

Há pelo menos 6 anos eu sou militante nos movimentos feministas. Tenho 23 anos, sou advogada, faço mestrado em direito na UFPR na linha de pesquisa “Direitos Humanos e Democracia” e milito na Consulta Popular. Não sou petista, e marchei com um propósito político bem definido: não pela defesa cega do governo, que toma posturas neoliberais claras neste ano. Mas sim contra tais políticas, tendo a plena noção da manutenção da democracia e deste governo eleito democraticamente. Não é questão de disputar tal governo, mas acirrar as forças sociais para nós dos movimentos sociais e populares ganharmos forças com unidade política e combater o quadro de austeridade.

Pois bem, muito me perguntaram por que afirmação de que essas políticas neoliberais afetam mais as mulheres, afirmando que o vídeo não tinha conteúdo e trazia vitimização. Vamos aos fatos. Há nessa sociedade uma clara divisão sexual do trabalho apropriada pelo capitalismo. Isso significa que há uma separação e uma hierarquização dos trabalhos de homens e mulheres – há trabalho de homens e de mulheres e os trabalhos de homens valem mais. As mulheres ocupam hoje os postos mais precários, como os trabalhos informais, temporários, em tempo parcial, domésticos, e as piores tarefas dos setores terceirizados; recebem apenas 72% da remuneração masculina; sofrem mais assédio moral e sexual nos empregos; são a maioria das chefas de família do Brasil; e fazem duplas e triplas jornadas de trabalho, isto é, trabalham em casa sem que o companheiro ou os filhos homens dividam igualmente as tarefas do cuidado e limpeza.

No neoliberalismo, com a retirada do Estado de setores importantes, como a saúde e a educação, por exemplo, significa que sobrará mais trabalho em casa para as mulheres e serão elas as primeiras demitidas dessas funções de cuidado que ocupam no espaço público. Basta refletirmos, se não há creche e escola, quem cuidará dos filhos? Se não há hospital e postos de saúde funcionando, quem cuidará da família, dos idosos e crianças? Quem leva a família no médico quando há algum problema? Quem são as enfermeiras, as educadoras, as pedagogas, as psicólogas em sua maioria? Mulheres. Os trabalhos dessas mulheres deixam de ser importantes ao Estado. Isso quer dizer que as trabalhadoras e trabalhadores sofrem impactos diferentes no neoliberalismo! Assim, além de aumentar o desemprego feminino, o Estado neoliberal, retirando os serviços e equipamentos públicos essenciais para o empoderamento das mulheres e a ocupação do trabalho externo e do espaço público, intensifica as disparidades de gênero, reforça os papéis sociais femininos e determina também a colocação das mulheres em empregos precarizados.

Ok, no âmbito econômico parece claro, mas por que o ódio aumenta sobre as mulheres nos períodos de crise econômica e política? Porque é necessário que se “mantenham as mulheres nos seus lugares”, isso quer dizer o lugar privado, doméstico, garantindo que a reprodução da vida continue a ser feita pelas mulheres, sem remuneração e sem desgaste do Estado. O espaço público, da política, do poder são lugares em que historicamente as mulheres foram negadas. Para que haja igualdade democrática na ocupação desses espaços entre homens e mulheres significa inevitavelmente que os homens perdem espaços de poder. E isso eles não querem. É difícil ver uma mulher jovem falando em público, como atacá-la? Justamente com o fato dela ser mulher, seja imbecilizando ou sexualizando. E esse machismo dói, aperta no fundo peito, dá medo, mata. Mas não é por isso que nós vamos para de ocupar esses espaços! Isso só mostra a necessidade de mais feministas, de mais mulheres lutando por igualdade. Foi nas ditaduras e nos regimes autoritários como o fascismo e nazismo em que as mulheres estiveram mais afastadas desses espaços. Nós não deixaremos o golpe chegar!

Mas como enfrentar a crise do capitalismo com políticas não austeras? O capitalismo mundial está em uma crise prolongada desde 2008, provocada pelos rentistas, que se espraiou para o ramo industrial. Se a crise foi provocada por eles, nesses momentos cíclicos inerentes do capital, não é justo que as/os trabalhadoras/es sejam responsabilizados por ela! Ou você acha que os capitalistas estão passando fome, diminuindo seus luxos e cortando gastos? Porque são as/os que trabalham que têm sua aposentadoria cortada ou adiada, que são demitidos, que sofrem com os cortes nos setores públicos, que têm seus salários abaixados pela inflação e pelo aumento das taxas de juros? Uma política econômica séria e social deveria, entre muitas coisas: taxar as grandes fortunas no Brasil (hoje quem paga mais impostos proporcionalmente são as/os mais pobres!); fazer a auditoria, a renegociação e (melhor!) parar de pagar a dívida externa, gerada pela exploração de nosso país pelos países imperialistas; nacionalizar os setores produtivos mais importantes (a Petrobrás é nossa!), garantindo o fomento da industrialização com mudança do modelo agroexportador brasileiro; garantir políticas públicas às mulheres (não à terceirização, licença paternidade igualitária, postura ativa contra o assédio e a violência, educação de gênero nas escolas!); e a realização das reformas populares mais urgentes (política, agrária, tributária, urbana) já!

*Naiara Bittencourt é advogada, mestranda em direito na UFPR e militante da Marcha Mundial das Mulheres e da Consulta Popular

Fonte: Brasil de Fato

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O Senge BA e a Federação Interestadual de Engenheiros realizam, no dia 20/08, às 19h, a palestra Crise Econômica-Política e os Impactos na Engenharia Nacional, ministrada pelo prof. Dr.Valter Pomar.
O evento acontecerá no auditório do Crea BA e as inscrições gratuitas já estão abertas AQUI. As vagas são limitadas e será oferecido certificado.

A iniciativa surge diante dos impactos da crise da Petrobrás que já resultaram em milhares de demissões e de falência de empresas e prestadoras de serviços no setor naval, de construção pesada, transporte, alimentos, consultoria especializada, entre outros setores, provocados pelo cancelamento ou suspensão de contratos em função do envolvimento de grandes empresas de engenharia na Operação Lava-Jato.

” É um risco para os trabalhadores, as empresas e o Brasil, a perda de tecnologia e de capacidade empresarial, em decorrência da falência e fechamento de empresas de engenharia nacional. Apoiamos as investigações e os processos contra empresários que, comprovadamente, participaram de ações criminosas apuradas na ‘Operação Lava-Jato’. Contudo, entendemos que não se pode pré-julgar e confundir empresas com seus donos”, diz manifesto divulgados pelo Senge e Fisenge em defesa do Brasil e da Engenharia Nacional.

O evento contará ainda com uma mesa de debate com importantes nomes: prof. Dr. Joviniano Neto, Diretor da Apub Sindicato, Prof. Dr. Clímaco Dias, professor titular da Universidade Federal da Bahia e Prof. Dr. Marcos Jorge Almeida, professor da Universidade Católica do Salvador.

Esse já é a segunda palestra realizada pelas entidades e ministrada por Valter Pomar. A primeira foi em julho de 2013, com o tema Manifestações de junho de 2013 e as conjunturas nacional e internacional. Historiador, formado pela Universidade de São Paulo – USP, mestre e doutor em História Econômica pela mesma universidade, Valter Pomar esteve à frente da Secretaria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores. Desempenha importante trabalho de interlocução política do PT com as forças de esquerda no mundo todo e, em especial, na América Latina. Atualmente integra a Direção Nacional do PT e leciona Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC.

Valter Pomar ministra palestra sobre crise política-econômica em Salvador

 
Fonte: Senge-BA

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Texto que ironiza a forma como a mídia trata a crise viraliza nas redes sociais

Viralizou nas redes sociais um post no facebook em que o crítico de cinema Pablo Villaça ironiza a forma como a mídia noticia a crise econômica. Você pode ler abaixo.

"Apesar da Crise", Pablo Villaça ironiza

APESAR DA CRISE

Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.

Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?

Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que o de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.

Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos – e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz, etc.

Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.

Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro – porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não?

Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.

“Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.”

“Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise”

“Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas”

“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”

“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre”

“Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015″

“Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015″

“Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.”

“Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,”

“16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;”

“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais”

“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas”

Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.

A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro.

Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população – o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.

Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis – no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos.

E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam.

Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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