Terça, 29 Abril 2008 00:00

Senges alinhados para o 8º Consenge

abril, segunda e terça-feira, no auditório do Senge-RJ, um ciclo de palestras, debates e exposição preparatória das teses para o 8º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge).

 

O evento reuniu representantes dos Sindicatos dos Engenheiros da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Volta Redonda, Espírito Santo, Sergipe, Paraná, Rondônia e Rio de Janeiro, do Sindicato dos Engenheiros Agrônomos (Seagro), além da presença de diretores da Fisenge. Serão eles os responsáveis por difundir idéias e propostas apresentadas nos debates para seus respectivos Estados e, posteriormente, no 8º Consenge.

 

Energia e Meio Ambiente
O primeiro dia de palestras e debates preparatórios para o 8º Consenge teve a exposição da tese de Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ e secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, sobre “Energia e Meio Ambiente – Política de Energia e Mudanças Climáticas: histórico, perspectivas e alternativas”.

 

De início, Pinguelli apresentou os pontos importantes e atuais da política energética nacional, contextualizando com os acontecimentos internacionais, como a alta dos preços do petróleo, o forte crescimento do consumo de energia na China e a dependência norte-americana na importação de petróleo.

 

O palestrante lembrou que o Brasil, após as recentes descobertas de campos potenciais de petróleo em uma área que abrange o litoral do Espírito Santo até Santa Catarina, denominada pré-sal, pode se tornar um dos maiores produtores mundiais do insumo energético e, por isso, deve atentar para questões como a instabilidade geopolítica que atinge a maioria das regiões petrolíferas no mundo e cuidar das questões ambientais, sobretudo no que tange à mudança climática global causada pelo efeito estufa.

 

“O setor de transportes dos países em desenvolvimento aumentou significativamente sua parcela de consumo de petróleo e isso nos deixa mais preocupados em relação a uma política energética que não inclua as questões de preservação do planeta” – argumentou Pinguelli.

 

Em tom de elogio, destacou a atuação do governo brasileiro em retirar os 41 blocos da área do pré-sal do leilão da Agência Nacional do Petróleo e sugeriu mudanças na lei, que sejam capazes de alargar os lucros da exploração petrolífera dos novos campos e alocá-los em fontes alternativas de energia.

 

“Seria interessante que boa parte da renda petroleira do pré-sal seja voltada para a pesquisa e desenvolvimento de fontes alternativas e para a eficiência energética, como forma de aliviar o aquecimento global” - disse.

 

Segundo estatísticas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, de 1970 a 2004, o setor energético foi responsável pelo maior crescimento das emissões de gases que causam o efeito estufa, com 145% de aumento.

 

Por fim, o professor Pinguelli apresentou projetos, alguns deles produzidos pela
COPPE, que representa fontes alternativas para o setor energético, como a geração elétrica com ondas do mar ou com lixo urbano.

Vito Giannotti e a organização sindical
Na manhã de terça-feira, 29 de abril, o responsável pela apresentação de tese foi o escritor Vito Giannotti, fundador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). O tema em questão foi a “Organização Sindical”.

 

Antes de iniciar a sua apresentação, Giannotti lançou uma importante declaração: “quero estimular a discussão saudável e produtiva entre vocês, engenheiros”.

 

Vito Giannotti procurou esmiuçar o sentido da palavra “conjuntura” para compreendermos o sentido das diversas decisões políticas, econômicas ou sociais na esfera interna ou externa, com as quais nos deparamos diariamente ao longo da história.

 

“A conjuntura não é natureza morta, ela se movimenta e interage” – explicou o escritor, para depois apresentar um panorama mundial pós-crise do petróleo, no ano de 1973.

 

Para ele, após a crise de 73, o mundo passou por uma reestruturação produtiva que gerou milhões de desempregados no mundo inteiro. O profissional, com essa mudança, se torna multifuncional no aspecto técnico ao mesmo tempo que observa a desregulamentação da sua profissão, dos salários, etc.

 

Com a queda do Muro de Berlim, a vitória do capitalismo sobre o socialismo permitiu o avanço da cartilha neoliberal pelos países do globo, representando, segundo Giannotti, uma enorme perda para a causa do trabalhador.

 

“Deu-se o fim do Estado de bem-estar social e o fim da proteção aos trabalhadores” – disse.

 

Na década de 80, em todo a Europa, as centrais sindicais entraram em crise, enquanto a década anterior havia sido de enorme efervescência para a classe operária. O Brasil, por sua vez, caminhava na contramão desse movimento.

 

“As greves começam a acontecer no país quando já não existem mais em todo o mundo. Enquanto a maioria dos partidos de esquerda e centrais sindicais fechavam as portas em outros países, foi criado, no Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT)”.

 

Desse contra-senso nasceu, ainda, o “movimento social mais consistente do mundo, o Movimento dos Sem Terra (MST)”, revelou Giannotti.

 

O escritor trouxe à tona, também, a década de 90, marcada pelas privatizações, abertura financeira e comercial e diminuição do serviço público, além do enfraquecimento dos sindicatos.

 

No final, analisou o governo Lula, desde a sua chegada ao poder e a conseqüente ruptura que se deu na esquerda nacional e no campo sindical, até o papel que o Brasil representa atualmente no continente latino-americano.

 

“Ao mesmo tempo em que somos uma superpotência que poderia buscar uma postura imperialista nas decisões continentais, o governo atual privilegia as relações Sul-Sul”.

 

No calor do debate político, uma frase fechou com exatidão a preocupação dos engenheiros presentes.

 

“Temos que pensar qual é a nossa posição frente às questões políticas, sobretudo energéticas, que se desenvolvem no país, tendo como objetivo a redução das disparidades sociais” – encerrou a Diretora Executiva da Fisenge, Alméria Vitória Carniato (Senge-PB).

 

O evento preparatório para o 8º Consenge procurou produzir discussões importantes e atuais para os engenheiros aprofundarem em suas regiões a fim de estimular um debate amplo e participativo no 8º Consenge, em setembro deste ano, em Florianópolis.