Segunda, 11 Fevereiro 2008 00:00

Centrais iniciam campanha pela redução da jornada de trabalho com ato em São Paulo

Por Leonardo Severo, com colaboração de Fernanda Silva (www.cut.org.br)

 

A Campanha Nacional Unificada da CUT e das demais centrais sindicais pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário tomou o centro da capital paulista na manhã desta segunda-feira (11) com a coleta de milhares de assinaturas. Em apoio à medida, centenas de motoqueiros também se somaram à manifestação em frente ao Teatro Municipal.

 

"Com a redução da jornada de 44 para 40 horas poderemos gerar mais de 2,2 milhões de empregos, repartindo com o conjunto da sociedade os imensos ganhos obtidos com o aumento da produtividade", declarou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique.

 

"A produtividade de nossa indústria cresceu 150% nos últimos 15 anos. Os salários médios no Brasil ainda estão abaixo da maioria dos países que mantêm relações comerciais conosco. Esses dois fatores comprovam que há não apenas espaço, mas necessidade da medida", acrescentou Artur, sublinhando o empenho das centrais em coletar milhões de assinaturas pela redução da jornada até o dia 1º de Maio. Na avaliação do dirigente cutista, a entrega do abaixo-assinado servirá como importante elemento de pressão sobre o Congresso Nacional em Brasília.

 

De acordo com a secretária de Política Sindical da CUT, Rosane Silva, "o país vive um momento importante de crescimento da economia, em que a redução da jornada pode potencializar o desenvolvimento, gerando novas vagas para os jovens e mulheres, que são os principais afetados pelo desemprego".

 

Para o presidente da CUT-SP, Edílson de Paula, este foi um dia histórico, "pois todas as centrais se uniram com um único objetivo, que tem garantido importantes vitórias. Acreditamos muito nesta unidade, que deve ser reproduzida agora nos locais de trabalho e nas mobilizações de rua, arregaçando as mangas para colhermos mais de cinco milhões de assinaturas". Segundo Edílson, "além de mais empregos, a redução da jornada significará melhores condições de vida e trabalho, com menos acidentes e mais tempo para a qualificação".

 

O secretário-geral da CUT-SP, Adi dos Santos Lima, que coordenou o ato, lembrou que a unidade das centrais tem se traduzido em avanços concretos para os trabalhadores, como a política de valorização do salário mínimo, o recente reajuste na tabela do Imposto de Renda e o acordo para a ratificação das Convenções 151 (que garante a Negociação Coletiva no setor público) e 158 (que coíbe a demissão imotivada) da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

 

Discursando no ato em nome das mulheres sindicalistas, a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs/CUT), Lucilene Binsfeld (Tudi), alertou sobre a importância da campanha para o bem-estar do trabalhador, valorizando o convívio familiar e o direito ao lazer: "a medida será um grande ato de cidadania, de melhoria da qualidade de vida".

 

O coordenador do Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST) e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (Contac), Siderlei de Oliveira, lembrou a recente pesquisa realizada pela Universidade de Barcelona, que concluiu que uma jornada superior a 40 horas semanais causa danos físicos e emocionais incontáveis, que vão da ansiedade e depressão até problemas cardíacos. No caso brasileiro, frisou, além da extensa jornada, o excesso de horas extras e a intensidade do ritmo de trabalho têm gerado um enorme custo social para os trabalhadores e o país.

 

Apenas em 2007, a Previdência Social desembolsou R$ 10,7 bilhões para benefícios decorrentes de acidentes de trabalho e de atividades insalubres, contra R$ 9,94 bilhões de 2006. Quanto deste recurso poderia ter sido economizado com a redução da jornada?, questionam as centrais.

 

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto), a campanha é uma imposição da realidade: "Não há motivo algum para que a jornada não seja reduzida, pois a produtividade foi ampliada em muito nos últimos anos".

 

Para o membro da executiva da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores da Construção e da Madeira (Conticom/CUT) e secretário-geral do Sindicato de Mogi das Cruzes, Luiz Carlos Queiroz, a redução da jornada possibilitará uma diminuição no elevado número de acidentes do setor, submetidos a um enorme desgaste. "Nosso tempo de locomoção é de duas a três horas para chegar até o local de trabalho, o que provoca um cansaço extremo no operário antes mesmo de que comece efetivamente a jornada. É preciso que isto seja levado em conta, para termos uma valorização desses profissionais", acrescentou.

 

Para o vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, "a diminuição da taxa de juros e o controle da remessa de lucros das multinacionais para suas matrizes devem somar-se à redução da jornada, a fim de fomentarmos o desenvolvimento do mercado interno, gerando mais emprego e renda".

 

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), lembrou que mais de 15 mil metalúrgicos paralisaram as atividades nesta segunda na capital paulista em apoio à redução da jornada e que "as centrais sindicais continuarão caminhando juntas para garantir direitos e ampliar conquistas para a classe trabalhadora".

 

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, salientou que a redução da jornada tem dois vieses importantes: "o do tempo para a qualificação, pois quem trabalha 52 horas por semana não encontra chance de se aperfeiçoar profissionalmente e o da inclusão, abrindo espaço para novas contratações".

 

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, "a Campanha Nacional Unificada pela redução da jornada é fundamental para que o país salde uma dívida histórica com a classe trabalhadora, gerando milhões de empregos e redistribuindo a renda nacional".

 

O reconhecimento das centrais, enfatizou o presidente estadual da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), Luiz Gonçalves, "é um reflexo do peso que a classe trabalhadora, através das suas entidades, começa a ter nos destinos do país a partir do aprofundamento da sua unidade e mobilização".

 

A campanha de coleta de assinaturas segue firme em todo o país até o Dia do Trabalhador. Os materiais (abaixo-assinado, cartaz e panfleto) estão disponíveis no alto da página do Portal do Mundo do Trabalho (www.cut.org.br).