Segunda, 29 Dezembro 2008 00:00

O massacre de palestinos por Israel continua

Israel bombardeia 40 túneis na fronteira de Gaza e Egito

GAZA - Aviões de guerra israelenses bombardearam túneis ligando a bloqueada Faixa de Gaza ao deserto do Sinai, no Egito, disseram o Hamas e residentes palestinos neste domingo, 28.

Moradores relataram entre 10 e 15 explosões ao longo da faixa onde os túneis eram utilizados para  trazer comida e medicamentos para a população de Gaza, que está bloqueada por Israel há 18 meses. Os alimentos trazidos através do túneis eram a única ligação de Gaza com o mundo exterior.

Médicos disseram que tinham relatos de muitos feridos.  O Exército israelense informou que bombardeou mais de 40 túneis na região.


Número de mortos por ataques de Israel em Gaza sobe para 375

GAZA - O número de palestinos mortos durante ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza subiu para 375, e os feridos já somam cerca de 1.500 pessoas. Os bombardeios tiveram início no sábado, 27, e continuaram neste domingo, informou o responsável do serviço médico de emergências em Gaza, Moawiya Hasanein.

Esta já é considerada a mais sangrenta operação israelense contra palestinos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Dos 900 feridos, aproximadamente 120 se encontram em estado crítico, e o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas, acrescentou Hasanein.

Cerca de 65 palestinos perderam a vida na última leva de ataques da Força Aérea Israelense contra sedes do Hamas, oficinas de metalurgia e mesquitas, segundo o responsável médico.

Nas primeiras horas da noite passada, a aviação militar de Israel destruiu a estrada Saladino, a principal do norte de Gaza. Logo, durante a noite, os F-16 israelenses bombardearam 23 alvos, entre eles o edifício onde se reúne o governo do Hamas em conselho de ministros, um armazém da cidade de Rafah, ao sul, e lançaram foguetes, segundo fontes de segurança da Palestina.

O conselho de segurança da ONU, reunido de urgência nesta madrugada, pediu unanimemente que "cesse de imediato" a violência na zona e que se permita o fornecimento de ajuda humanitária no local. O primeiro ministro israelense, Ehud Olmert, advertiu neste domingo que a ofensiva "pode se prolongar durante muito tempo" e que Israel atuará com "sensatez, paciência e firmeza" até "alcançar os resultados desejados".

Olmert disse ainda que o exército de seu país necessitará de tempo para "completar sua missão" em Gaza, enquanto o titular de Defesa, Ehud Barak, destacou que "há um momento para tréguas e um momento para o combate", e, "agora, é o momento do combate".

O gabinete de Olmert aprovou a convocação de militares da reserva para ajudar nos ataques à Faixa de Gaza, segundo informações da imprensa israelense. Os reservistas devem ajudar em uma possível ofensiva terrestre, mas não há detalhes sobre o número de militares convocados.

Os líderes do Hamas estão escondidos por medo de serem o próximo alvo dos ataques, lançado oito dias após a conclusão da trégua de seis meses combinada em junho por Israel e o movimento islâmico com mediação egípcia. O chefe do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniye, acusou Israel de ter cometido "o mais horrível e feio massacre do povo palestino".

Hamas pede nova Intifada contra Israel após ataques
Khaled Mashaal diz que israelenses terão que beber 'do mesmo copo' que os palestinos estão bebendo agora

DAMASCO - O líder máximo do grupo palestino Hamas, Khaled Mashaal, convocou neste sábado, 27, seus seguidores para uma nova Intifada contra Israel após os ataques em Gaza, que deixaram pelo menos 208 mortos nas últimas horas.
Em sua convocação, que fez em entrevista exibida pela rede de televisão catariana Al Jazeera, Mashaal expressou a necessidade de responder "duramente" aos ataques das últimas horas contra Gaza, e desejou que Israel sinta na carne o sofrimento dos palestinos.

Mashaal, que vive exilado em Damasco, disse que os israelenses terão que beber "do mesmo copo" que os palestinos estão bebendo agora pela série de bombardeios que atingiram a Faixa de Gaza neste sábado.

"Convoco todos (os palestinos) para uma terceira Intifada" contra Israel, afirmou o líder do Hamas, que acrescentou que esses ataques incluirão operações suicidas.

A Primeira Intifada ocorreu entre 1987 e 1993 e a Segunda foi lançada em setembro de 2000.

Na entrevista, Mashaal fez um apelo pela unidade entre os palestinos para colocar fim a "este massacre" que a população de Gaza está sofrendo.

Em Riad, onde se encontrava até esta noite de visita oficial, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou "categoricamente" o ataque sobre Gaza e pediu a Israel para deter as ações "imediatamente", segundo disse à Agência Efe seu porta-voz Nabil Abu Rudaina.

"Mahmoud Abbas condena de forma enfática a agressão israelense e pede a Israel que a detenha imediatamente", acrescentou o porta-voz.

Líderes regionais fizeram apelos para uma reunião urgente dos países árabes a fim de analisar uma resposta perante o ataque israelense contra Gaza.

Ofensiva israelense deve sepultar esforço de paz

JERUSALÉM - O ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza envia o sinal de que a violência em níveis mais altos deve voltar a permear o conflito entre israelenses e o movimento radical Hamas, restrito nos últimos nove meses ao confronto verbal e aos disparos de foguetes por parte dos extremistas palestinos. O processo de paz na região, já em estado terminal nos últimos dias do governo americano de George W. Bush, pode ser definitivamente sepultado com a nova onda de violência. Vários fatores apontam para a deterioração da situação que se segue à expiração do acordo de cessar-fogo, uma semana atrás.

O Ministério da Defesa de Israel assinala que está pronto para empreender ações mais abrangentes contra o Hamas em Gaza, incluindo o assassinato seletivo de líderes do grupo, e tem deixado claro que se prepara para uma campanha potencialmente longa. "Enfrentaremos um período que não será fácil nem curto e exigiremos (das tropas) determinação e perseverança até que conquistemos as mudanças necessárias para controlar a situação no sul", disse o ministro da Defesa, Ehud Barak.

O Hamas, logo depois do início da ofensiva, pediu vingança, exortando "todos os combatentes a responder à agressão sionista". O grupo não especificou quais seriam essas ações, mas um combatente revoltado com a visão dos corpos de seus camaradas pode ganhar incentivo para explodir-se em cafés, restaurantes e ruas de Israel. "Todas as opções da resistência palestina para atacar o inimigo sionista estão abertas", declarou o Hamas.

Os radicais do Hamas dispararam uma salva de foguetes contra o território israelense, matando uma mulher. Nos últimos dois meses, os quase artesanais e pouco precisos foguetes do Hamas vinham causando poucos danos do lado israelense. Mas os extremistas poderiam ter foguetes de mais longo alcance, capazes de atingir a cidade costeira israelense de Ashkelon.

A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, que espera derrotar os falcões da linha dura israelense – como o ex-premiê Binyamin Bibi Netanyahu, do Likud – nas eleições de fevereiro, tem reiterado que o controle da Faixa de Gaza pelo Hamas deve terminar, uma vez que os radicais nunca estarão dispostos à paz.

Os bombardeios israelenses causaram ódio e revolta não só em Gaza, mas em todas as áreas palestinas. Militantes palestinos de Jerusalém Oriental, Ramallah e Hebron (as duas últimas, sob controle da Autoridade Palestina, na Cisjordânia) iniciaram seus protestos no sábado, 27, e o presidente palestino, Mahmud Abbas (do Fatah, facção rival do Hamas), condenou a ofensiva e exigiu "o fim imediato da agressão".

A Faixa de Gaza é a arena mais sangrenta de um conflito militar que pode ir além de suas fronteiras. Alguns analistas militares não descartam a possibilidade do que chamam de "guerra proxy" – um conflito no qual as partes se utilizam de terceiros – na região entre regimes árabes moderados, como o Egito, e Estados de linha dura, como o Irã e a Síria, que apóiam o Hamas.

Como conseqüência de uma longa batalha em Gaza, o Fatah de Abbas pode perder força e tornar-se politicamente marginalizado entre os palestinos.

 Israel aprova convocação de reservistas para ofensiva em Gaza

JERUSALÉM - O governo de Israel aprovou neste domingo, 28, a convocação de 6.500 reservistas para uma eventual invasão militar de Gaza por terra, com o objetivo de apoiar os bombardeios aéreos que já deixaram 282 mortos. Esta ofensiva já é considerada a mais sangrenta desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. De acordo com a imprensa local, o contingente será preparado para o combate. Uma operação similar ocorreu em junho de 2006, após a captura do soldado israelense Gilad Shalit por três milícias palestinas.
Neste domingo, Olmert afirmou que seu governo vai agir "com sensatez, paciência e firmeza" até "alcançar os resultados desejados" no ataque massivo contra a Faixa de Gaza. Os ataques aéreos começaram no sábado, 27, e deixaram pelo menos 271 mortos e cerca de 900 feridos.

Em seu discurso de abertura no encontro semanal de ministros, Olmert reconheceu que a situação "não é fácil", segundo jornais locais. O premiê israelense também chegou a afirmar que a ofensiva militar na Faixa de Gaza vai durar o tempo "necessário".

Ofensiva terrestre

Além da ofensiva aérea, Israel pode lançar uma operação terrestre na Faixa de Gaza contra o Hamas. A informação partiu do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak. "Estamos prontos para tudo", disse Barak, segundo seu porta-voz. "Se for necessário empregar forças terrestres para defender nossos cidadãos, nós o faremos", declarou.

De acordo com a televisão israelense, o exército começou a concentrar forças terrestres próximo aos pequenos enclaves palestinos. O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu no começo deste domingo um comunicado não impositivo em defesa de um imediato cessar-fogo, exigindo a suspensão dos ataques aéreos de Israel e o fim dos lançamentos de mísseis por parte dos palestinos.

A declaração, apresentada pela Rússia e amplamente apoiada pelo grupo árabe das Nações Unidas, manifesta "séria preocupação com a escalada da situação" em Gaza e pede que Israel "suspenda suas operações militares" na região.

O documento exige também a "cessação imediata dos ataques de mísseis sobre o território israelense a partir de Gaza" e a "abertura imediata da fronteira de Gaza para o acesso irrestrito da ajuda humanitária". Israel impôs um bloqueio à Faixa de Gaza depois que o Hamas assumiu o controle do território, no ano passado.

No mundo islâmico, multidões protestam contra Israel

BEIRUTE - Multidões compostas por milhares foram às ruas das cidades do Oriente Médio neste domingo, 28, para protestar contra o ataque aéreo de Israel a instalações do grupo extremista Hamas da Faixa de Gaza.
Do Líbano ao Irã, os inimigos de Israel usaram a ofensiva para levar multidões às ruas em manifestações ruidosas. E entre os aliados regionais do Ocidente, também houve manifestações de desagrado: o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, referiu-se ao ataque aéreo como um "crime contra a humanidade".

Diversos dos protestos deste domingo degeneraram em violência. Um grupo de manifestantes na cidade iraquiana de Mossul se tornou vítima de um ciclista-bomba.

No Líbano, a polícia usou gás lacrimogêneo para impedir que dezenas de manifestantes chegassem à Embaixada do Egito. Alguns membros da multidão atiraram pedras contra o prédio. Não está claro se alguém se feriu.

O Egito vem sendo criticado por não se esforçar o bastante para levar ajuda humanitária a Gaza, região com a qual mantém fronteira.

Mais cedo, na capital libanesa, um representante do Hamas levantou uma multidão de mil pessoas com bandeiras do Líbano e da Palestina, prometendo vitória e descartando rendição. Seu discurso arrancou gritos de "Morte a Israel" do público.

Na capital da Síria, mais de 5 mil pessoas fizeram passeata até a praça Youssef al-Azmeh, no centro de Damasco, onde queimaram bandeiras de Israel e dos Estados Unidos. na capital da Jordânia, Amã, cerca de 5 mil advogados foram ao Parlamento para exigir a expulsão do embaixador israelense. "Não à paz, sim ao rifle", repetiam.

Fonte: Blog do Virgílio Freire - Por Virgílio Freire

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