‘O que algumas empresas perceberam é que a diversidade é boa para a economia e não só para a sociedade’, diz o prefeito Fernando Haddad (PT). Na capital paulista, os negros recebem 2,5 vezes menos que os brancos

Por Sarah Fernandes, para o Rede Brasil Atual

Prefeitura de SP lança site com vagas de emprego exclusivas para população negra

(Foto: Fábio Arantes/Secom)

São Paulo – Profissionais negros de diversas áreas contam a partir de hoje [ontem] (16) com o site São Paulo Diverso, lançado pela prefeitura para divulgar vagas de trabalho exclusivas para essa população. Na capital paulista, os negros recebem, em média, 2,5 vezes menos que os brancos e ocupam apenas 3% dos cargos de liderança, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Os interessados nas vagas de trabalho deverão se cadastrar no endereço eletrônico saopaulodiverso.org.br. O sistema irá direcionar os profissionais para um grupo chamado São Paulo Diverso, presente em redes eletrônicas de busca de emprego, como o Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (CAT), o LinkedIn e a Catho. Pessoas de fora de São Paulo também poderão se candidatar, mas as vagas são somente na capital. No portal, as empresas poderão cadastrar os postos de trabalho disponíveis.

“Todo mundo ganha com a diversidade. Um ambiente que não tem negros e mulheres perde com isso. Está provado que a diversidade favorece a criatividade, a inovação, os olhares particulares em relação a um mesmo problema. Favorece, portanto, as práticas que as empresas mais valorizam, que é um ambiente rico em opiniões”, disse o prefeito Fernando Haddad. “O que algumas empresas perceberam é que a diversidade é boa para a economia e não só para a sociedade. Esta é uma iniciativa inédita na América Latina, apesar de já haver outras parecidas no mundo. Aqueles que quiserem contratar especificamente um trabalhador negro em São Paulo vão poder fazê-lo por meio dessa ferramenta agora.”

Os negros têm menos acesso ao emprego formal do que os brancos, representando 32,3% dos empregados. Mesmo quando apresentam o mesmo nível de escolaridade, os negros homens ganham 31,5% menos do que os brancos para a mesma ocupação. Entre as mulheres, esse percentual chega a 37,5%, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

O objetivo do projeto é criar uma rede de contatos aberta para os afrodescendentes, mas o São Paulo Diverso não impede que qualquer pessoa se candidate. Além da área destinada a vagas de trabalho, o portal, elaborado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Microsoft, traz também dados censitários e demográficos sobre a população negra da cidade.

Em São Paulo, a população negra está concentrada nas periferias das cidades. No bairro de Parelheiros, na zona sul, 57,1% da população é negra, enquanto em regiões nobres como, como em Pinheiros, esse percentual é de apenas 7,3%, de acordo com um levantamento da Secretaria Municipal de Promoção e Igualdade Racial, a partir de dados do Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE).

Em geral, quanto maior a porcentagem de negros, menor é a renda média domiciliar nas residências da cidade. Em Pinheiros, região mais branca da cidade, a renda média é de R$ 17.045,25, enquanto em Parelheiros, que tem o maior percentual de negros, é de R$ 1.973,84.

O portal responde às demandas levantadas pela população negra para combater as diferenças étnicas e de gênero no mercado de trabalho do São Paulo Diverso – Fórum do de Desenvolvimento Econômico Inclusivo, realizado em outubro do ano passado. A segunda edição do evento ocorrerá em 5 de novembro.

“Em um período de recessão, uma iniciativa como essa se faz ainda mais necessária. Num processo de aquecimento econômico, os negros são os últimos a serem incluídos e em um período de recessão são os primeiros a serem demitidos. Nesse contexto, o lançamento do portal faz muito sentido”, diz o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Maurício Pestana.

Fonte: RBA

Publicado em Notícias

No dia dos namorados (12/6), a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) lança uma história em quadrinhos sobre o Estatuto da Família, que tramita no Congresso Nacional. De acordo com a propositura, "define-se entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes". Atenta a esse projeto, a engenheira Eugênia, na história, dialoga com seu colega José sobre a importância da mobilização pelo respeito à diversidade. "Esta tirinha em quadrinhos tem o objetivo de alertar sobre o retrocesso desse projeto, que atinge casais homoafetivos e a diversidade das famílias. Além disso, o PL promove uma perigosa institucionalização do preconceito e da opressão", disse a diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía.  

Número 27/Maio 2015 - Engenheira Eugênia debate sobre o Estatuto da Família

Publicado em Quadrinhos da Eugênia