O texto base da reforma trabalhista foi rejeitado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, no dia 20/6, por apenas um voto de diferença. Este resultado representa uma vitória da classe trabalhadora empenhada na defesa de seus direitos. No entanto, o cenário ainda é incerto, uma vez que o projeto seguirá para avaliação dos senadores na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), formada por uma maioria governista golpista. O Brasil tem uma população com mais de 200 milhões de habitantes e, destes, mais de 14,2 milhões de pessoas desempregadas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O nosso país vive uma crise política e econômica forjada pela afirmação de um projeto alicerçado pela lógica de privilégios e de favorecimento aos mercados financeiro e internacional. Ao contrário da narrativa do governo ilegítimo de Michel Temer, a Reforma Trabalhista irá precarizar ainda mais as relações de trabalho e aprofundar a rotatividade, o desemprego e os baixos salários.

Especificamente para a engenharia, a prevalência do negociado sobre o legislado poderá, por exemplo, acabar com o Salário Mínimo Profissional da categoria. Isso porque as negociações e acordos coletivos poderão ter força de lei e ignorar toda a legislação vigente. Se um acordo coletivo trouxer como cláusula o pagamento de salários inferiores ao Salário Mínimo Profissional dos engenheiros, a lei 4.950-A/66 poderá ser ignorada. Hoje, os sindicatos e as entidades de classe recorrem à Justiça do Trabalho para garantir o cumprimento do Salário Mínimo Profissional. Com a reforma, uma lei histórica para a nossa categoria de engenheiros será extinta.

Essa Reforma Trabalhista representa um retrocesso no Brasil e em qualquer país do mundo. É nosso dever denunciar o desmonte da legislação trabalhista e mobilizar para a greve geral marcada para o dia 30 de junho. Também é importante pressionar os senadores da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Acesse aqui a lista de e-mails e envie sua mensagem. Nenhum direito a menos! Fora Temer!

Rio de Janeiro, 22 de junho de 2017.
Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

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O Sindicato dos Engenheiros no Estado da Paraíba (Senge-PB) realizou a etapa estadual do 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge). Dividido em três datas, as etapas aconteceram nos dias 17/5 em Patos, 18/5 em Campina Grande e 24/5 em João Pessoa. Na ocasião, foram eleitos os delegados que representarão o sindicato e também foram elaboradas as propostas, que serão encaminhadas para o debate no congresso.
No encontro regional de Patos, o tema foi “Desenvolvimento Sustentável e Segurança Alimentar” e a palestra proferida pelo ex-secretário de agricultura familiar da Paraíba, Lenildo Morais. Abordando o desmonte das políticas públicas que trabalham a segurança alimentar nos últimos 12 anos, os presentes discutiram a necessidade da retomada de medidas para que a formulação dos programas sociais que visem aperfeiçoar a segurança alimentar no estado, voltem a serem implementadas .

“Fizemos questão de enfatizar a participação política da Fisenge e dos sindicatos incorporados, na resistência e lutas em defesa da engenharia e da soberania nacional. Não existe nação sem direitos assegurados para trabalhadores e trabalhadoras”, disse a diretora da Fisenge e presidente do CREA-PB, Giucélia Figueiredo. Para ela, a expectativa é de que se possa criar um forte sentimento de mobilização e resistência contra as reformas do governo Temer. “Essas mudanças tentam, à custa dos trabalhadores e das trabalhadoras, entregar nosso país aos interesses do capital financeiro nacional e internacional”, completou.

Em João Pessoa, o principal debate foi sobre a Reforma Trabalhista, com participação do Procurador Regional do Trabalho da região, Dr. Eduardo Varandas Araruna, que falou sobre a destruição do Ministério do Trabalho com foco na retirada de direitos dos trabalhadores. De acordo com a coordenadora do Coletivo de Mulheres da Paraíba, Alméria Carniato, o recorte de gênero é essencial para analisar a atual conjuntura de retrocessos. “Quando existe uma crise política, as mulheres são as mais afetadas. O movimento de mulheres está na linha de frente de resistência social, pautando o desmonte do Estado e de políticas públicas. As reformas não têm categoria e atingem o conjunto da classe trabalhadora”, afirmou Alméria.

Já em Campina Grande, o tema foi “Gestão das Águas da Transposição do Rio São Francisco” e contou com a presença de representantes da Agência Estadual das Águas (AESA), que fizeram uma abordagem acerca de todo o processo de estiagem pelo qual a Paraíba enfrenta e também do processo de construção do eixo leste, que traz as águas do Rio São Francisco para o estado. “Para a Paraíba a transposição das águas coloca-se como um forte instrumento de sobrevivência da população e somente um presidente compromissado com o povo nordestino teria coragem de realizar tão importante e complexa obra de engenharia e o Presidente Lula , teve!”, enfatizou Giucélia.

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O contexto do atual momento pelo qual o Brasil tem passado, marcado pela crise política e por reformas antipopulares, foram destacados pelos componentes da mesa de abertura da 3ª edição do Simpósio SOS Brasil Soberano. O evento teve início nesta manhã desta quinta-feira (08/06) em Belo Horizonte, no auditório do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Por Caroline Diamante (Senge-MG)

O simpósio foi aberto com a fala do diretor do Senge-MG e Subsecretário de Projetos da Secretaria de Transporte e Obras Públicas e organizador do Simpósio em Minas Gerais, Marcos Túlio de Melo. Ele falou sobre a crise no Brasil que, para ele, é decorrente do golpe que tirou do poder a ex-presidente Dilma Rousseff. Marco Túlio explicou que no atual governo houve um retrocesso nos projetos que viabilizaram o crescimento econômico e as políticas sociais nos últimos anos. De acordo com ele, esta terceira etapa do SOS Brasil Soberano tem como proposta debater com a sociedade e os profissionais de engenharia “ações e reformas necessárias para a retomada da perspectiva e do desenvolvimento nacional”.

O presidente do Senge-MG, Raul Otávio da Silva Pereira, destacou que o Simpósio é uma forma de instrumentalizar todos nós para retomarmos o debate dentro de um patamar mais avançado. “Para fazer um contraponto às informações distorcidas que escutamos nos ambientes que frequentamos, como escola, trabalho”, explicou. O presidente do Senge-MG ainda afirmou que temos uma disputa perdida no últimos 12 ou 24 meses que foi a disputa de ideias, que nos levou a ter conflitos na família, no trabalho, na rua, com amigos e parentes. “A disputa de ideias que se travou nos deixou acuados, oprimidos, arredios e momentaneamente sem reação. Esta perda na disputa de ideias não foi por acaso. Foi de forma estruturada e planejada.”

O presidente do Crea-MG, Jobson Andrade constatou que o Brasil é um reflexo de todo um processo que já se arrasta há 2 ou 3 décadas, a de não respeitarmos o contraditório. “Globalizamos o mercado, mas não globalizamos a cultura. Temos dificuldade em aceitar as diferenças.” Para o presidente do Crea-MG, temos que entender e respeitar estas contradições para construirmos uma sociedade mais equilibrada para que as pessoas tenham mais oportunidades

A deputada estadual Marília Campos (PT-MG) reconheceu a importância do Simpósio, que reúne lideranças de entidades do Brasil. Para ela, é uma oportunidade de pensar e repensar o processo de mobilização, importante para o enfretamento neste momento que o Brasil vive. A deputada destacou os retrocessos nas políticas sociais, econômicas e democráticas e a necessidade da fortificação das bandeiras da “Diretas Já” e “Fora Temer” nos movimentos. Ela falou, ainda, que as periferias ainda não entraram no processo de mobilização para garantir a resistência ao golpe.

Segundo a deputada, temos claramente um sistema político que representa o sistema das elites, e não do povo “Há poucas mulheres, negros e pobres neste sistema político. Ele precisa ser reformado para se ter um sistema representativo”, pontuou.

O Brasil vive uma fase sem precedentes na História, conforme pontuou o engenheiro civil e sanitarista e presidente da FisengeClovis Nascimento. Segundo Nascimento, as instituições estão derretendo e o que está em jogo é a luta de classes.”  Aqueles que não aceitavam o crescimento do país e a inclusão social são os que estão agora no governo impondo aos trabalhadores e ao povo brasileiro um atraso, jogando o país na década de 30. A periferia tem 14 milhões de desempregados e está pensando no que vai comer amanhã. A população não irá aceitar isso de forma passiva. As ruas sempre foram nossas. Esse governo ilegítimo e espúrio jamais poderia dirigir o Brasil. A Fisenge está na luta e nas ruas. Vamos ao bom combate”, conclamou Clovis.

Texto: Caroline Diamante (Senge-MG)

Foto: Alessandro Carvalho

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O Senge-PR registrou junto ao Ministério do Trabalho a convenção coletiva do setor de consultoria para o período de 2017/18. O documento foi protocolado na última quinta-feira (31). A negociação garante aos engenheiros que atuam nas empresas do setor um reajuste mínimo de 4%, percentual acima da inflação registrada para o período, de 3,99% pelo INPC.

O documento com todas as cláusulas de abrangência aos trabalhadores do setor pode ser acessada no site do Senge clicando aqui. A convenção é assinada pelo Senge, Sindaspp, SindArq com o sindicato que representa as empresas do setor de engenharia consultiva.

Dentre as cláusulas da convenção, aprovada pela categoria em assembleia, está a de desconto da taxa de reversão salarial, que é para custeio de gastos com a campanha salarial. De acordo com o aprovado pelos trabalhadores, o desconto é de 2% sobre a folha de pagamento.

No entanto, há possibilidade de oposição ao desconto. Para isso, o engenheiro deve apresentar a oposição pessoalmente na sede do Senge, na Rua Marechal Deodoro, 630, 22 andar, em duas vias e portando documento de identidade. O horário de atendimento é das 8 horas às 12 horas e das 13 horas às 17 horas. A carta de oposição deve ser apresentada até a próxima sexta-feira (10). Mais informações em O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .b

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O Mercado da Engenharia no Brasil foi tema de mesa redonda no II Encontro Pernambucano de Engenharia de Produção, que teve a contribuição do diretor do Senge-PE Roberto Freire e também do engenheiro Marcílio Cunha, e aconteceu na última terça-feira (23), na Universidade Salgado Oliveira, Universo.

O diretor Roberto Freire apresentou, para cerca de 30 alunos, a história do mercado da engenharia, desde a formação das primeiras turmas de engenharia no Brasil até a crise política e econômica da atualidade.

Roberto falou sobre as importantes conquistas do governo de Getúlio Vargas para a categoria, com a limitação da contratação de engenheiros estrangeiros e a valorização de empresas nacionais. Falou também das inúmeras crises da profissão, inclusive na década de 80, quando ficou famosa a história do “engenheiro que virou suco”, se referindo a um engenheiro que largou a engenharia e abriu uma venda de suco na Avenida Paulista, São Paulo.

Para o diretor do Senge-PE e coordenador do Senge Jovem, Mailson Silva, que também esteve presente no evento, não há como falar de empregabilidade dos engenheiros sem discutir sobre políticas públicas. “Fica claro que, quando um governo faz investimentos, a engenharia se fortalece, com projetos como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração de Crescimento, nos governos de Lula e Dilma, o mercado da engenharia teve um salto de crescimento”, enfatiza.

Mailson aproveitou a oportunidade para falar da importância de iniciativas que visem aproximar as entidades sindicais da academia, “o Brasil vive uma situação de crise institucional, depois do golpe dado na presidenta legítima e eleita pelo povo, Dilma Rousseff. Nossas instituições estão fragilizadas, nos aproximarmos dos estudantes, promovendo a interação e apresentando a luta do trabalhador, é uma forma de renovar as esperanças”, finalizou.

O II Encontro Pernambuco de Engenharia da Produção, que aconteceu de 22 a 24 deste mês, é organizado por uma comissão de estudantes da Universo e tem como objetivo promover a troca de informações e experiências entre os alunos, os professores e os estudantes, em busca da valorização da engenharia de produção e de aproximar os jovens ao mercado de trabalho.

 

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O Brasil assistiu aos escândalos de corrupção ligados ao presidente ilegítimo Michel Temer, na noite do dia 17/5, divulgados em diversos veículos de comunicação. A gravação mostra Temer dando o aval para a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A operação de desvio de dinheiro envolve mais parlamentares do PMDB e do PSDB, como Aécio Neves (PSDB-MG), Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e Zezé Perrela (PSDB-MG).

Michel Temer não tem condições políticas de governar o país e demonstra que o golpe presidencial instaurado nunca teve o objetivo de combater a corrupção. O golpe ao mandato da primeira mulher democraticamente eleita, Dilma Rousseff, se consolida como um dos atos mais ilegítimos e imorais na História brasileira. Os interesses de Michel Temer seguem a lógica de privilegiar grupos historicamente e economicamente favorecidos, destruindo a soberania nacional e retirando os direitos da classe trabalhadora. A agenda acelerada de Temer pela aprovação das reformas trabalhista e da previdência demonstra esse cenário e tem a finalidade de beneficiar o mercado internacional e financeiro.

Defendemos o afastamento de Michel Temer da Presidência da República e a convocação imediata de eleições diretas livres. A soberania popular deve prevalecer como base democrática em momentos de crise institucional e a decisão pela ocupação da presidência deve retornar à população. Nesse sentido, também exigimos a retirada dos projetos das reformas trabalhista e da previdência, por sua origem de vício moral. Convocamos os sindicatos, engenheiros e engenheiras e toda a população brasileira a ocuparem as ruas numa voz uníssona pelo: FORA TEMER! ELEIÇÕES DIRETAS LIVRES JÁ!

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2017

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

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Por Francis Bogossian

A engenharia nacional está sendo desmontada. A situação do país é extremamente preocupante! Não me lembro de uma época tão atribulada quanto esta.
Não há investimentos e nem perspectivas para o setor de obras públicas, a curto prazo. O déficit dos governos federal, estaduais e municipais é monumental. Há dívidas do setor público para com as entidades privadas.
A crise que assola o Brasil exige que se busque um consenso em torno de soluções, tendo por base o interesse nacional. Não existe nação forte sem empresas nacionais fortes.
Agiria de modo mais consequente o poder público se, antes de adotar medidas de tal forma drásticas, constituísse comissão notável para estudar o problema e propor uma solução emergencial. Comissão esta que reunisse entidades nacionais de engenharia — tais como a Academia Nacional de Engenharia, os clubes e institutos de Engenharia do Brasil — para, em prazo emergencial pré-estabelecido, apresentar alternativas que visem a preservar a engenharia brasileira, setor fundamental ao desenvolvimento científico e tecnológico, ao progresso, à infraestrutura e à subsistência do país.
O combate à corrupção é essencial e deve ser mantido, mas não pode ser usado para provocar a estagnação da economia nacional. Não se pretende deixar de culpar os comprovadamente ilegais. A proposta a ser estudada teria como meta que as punições aconteçam, preservando ao máximo as empresas como um todo, sem levar ao desemprego profissionais probos, competentes e, ainda, a mão de obra dita “não especializada”, que está sem seu pão a cada dia.
Hoje, o setor que mais atua nas empresas de engenharia, ocupando patrões e empregados, é o de Recursos Humanos, para homologar indesejadas e desgraçadas rescisões contratuais. E já está começando a faltar dinheiro até para isso.
Empresas são formadas, majoritariamente, por profissionais, que aplicam seus conhecimentos e habilidades no desenvolvimento de equipes técnicas formadas e treinadas ao longo de décadas. Estas equipes estão sendo desmanteladas. As construtoras brasileiras, por exemplo, também têm o papel de educar. São estas empresas que empregam mão-de-obra não qualificada e analfabeta. Cursos de alfabetização são comuns nos canteiros de obras, assim como o treinamento dos trabalhadores sem qualificação, que são contratados como serventes e se profissionalizam como pedreiros, encanadores, etc. É por eles que precisamos lutar! Colapsar as empresas brasileiras de engenharia é extinguir nossa soberania.
O Brasil tem extraordinários feitos em ciência aplicada e engenharia, tais como as conquistas do setor elétrico nos últimos 60 anos, o Pró Álcool, a recuperação do cerrado, a produção de petróleo em águas profundas e muitos outros que são referências internacionais. Necessitaria então, realmente, se valer de maciça participação de empresas estrangeiras em nossos projetos de engenharia para sua recuperação econômica?
Francis Bogossian é professor, presidente da Academia Nacional de Engenharia, membro das academias Brasileira da Educação e Pan-Americana de Engenharia e ex-presidente do Clube de Engenharia.
* Esse artigo também foi publicado na seção de opinião do jornal O Globo, no dia 12/05/2017.

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Onde está o engenheiro?". "A engenheira sou eu". Esta é uma das situações pelas quais as mulheres engenheiras passam em seu cotidiano. Com o objetivo de dar visibilidade a esta e a outras situações, as engenheiras da Fisenge contam relatos de luta e resistência vividas ao longo da vida profissional e revelam o machismo velado de cada dia.

Nas redes sociais da Fisenge, outras profissionais da engenharia se identificaram e contaram suas histórias, como: “Perdi uma vaga de estágio com a desculpa de que só teria homens na obra e seria perigoso” e “participei de diversos casos de seleção para entrevistas de trabalho onde os pré- requisitos eram jovens, solteiras, sem filhos e companheiros”.

“A violência contra a mulher, seja simbólica ou institucional, faz com que as mulheres sejam cada vez mais atingidas pelo desemprego e pelas relações precárias de trabalho, além de colaborar para que elas componham um quadro de vulnerabilidade social cada vez maior. É importante que casos como os relatados tanto no vídeo, quanto nos comentários, sejam mostrados para que nós consigamos, cada vez mais, ocupar espaços de poder na engenharia e na sociedade”, afirma a engenheira e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, convidando as engenheiras a participarem dos coletivos de mulheres em seus estados.
Clique aqui para assistir ao vídeo. 

 

 

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A pauta de reivindicações dos engenheiros (as) empregados da Copasa foi protocolada na companhia, no dia 18 de abril, pelo Senge-MG. Junto a ela, o Sindicato de Engenheiros solicitou agendamento de reunião com o diretor de Gestão Corporativa, Francisco Eduardo Queiroz Cançado para que as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) tenham prosseguimento e pediu a garantia da data-base da categoria, que é no dia 1º de maio. A diretoria da Copasa enviou reposta através de ofício, no qual garantiu o respeito à data-base.

Reivindicações

Na pauta de reivindicações dos engenheiros da Copasa consta a recomposição das perdas salariais pela inflação acumulada do período (INPC) de maio de 2016 a abril de 2017. Os empregados da Copasa pedem 3% de reajuste a título de ganho real, mas há uma cláusula na pauta na qual os engenheiros reivindicam reajuste e ganho real de 2% após a implantação do PCCS, em compensação às perdas da GDI incorporada no ano de 2015.

Quanto aos tíquetes de alimentação /refeição, cestas básica e de Natal, os reajustes pedidos também compreendem o INPC e o ganho real solicitados no reajuste salarial.

Aos engenheiros lotados no POOL, é pedido, em virtude do princípio da isonomia, a garantia dos mesmos direitos dos demais engenheiros.

Outra reivindicação dos engenheiros da companhia é a implantação e a garantia da carreira dos engenheiros na Copasa, bem como o pagamento do piso salarial como salário base, conforme a Lei 4.950 A/66, independente da alteração do PCCS.

Acesse aqui a pauta de reivindicações completa dos engenheiros da Copasa. 

Enviado por: Luiza Nunes

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A ciência brasileira sofre com o acesso a recursos cada vez mais escassos. Em 30 de março, foi anunciado um congelamento de 44% do orçamento inicialmente previsto para o Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações em 2017. Se o corte for confirmado ao longo do ano, será o menor orçamento destinado ao ministério desde 2005. O gráfico abaixo mostra a trajetória dos recursos destinados à pasta. São despesas executadas pelo ministério (com valores corrigidos pela inflação até 2016) e a previsão para 2017, já com o corte recém-anunciado.

O Brasil vive um ajuste fiscal aplicado pelo governo de Michel Temer que significou um corte de R$ 42 bilhões nos gastos previstos do Poder Executivo em 2017. O Ministério da Ciência foi atingido em cheio: dos R$ 5 bilhões previstos na Lei Orçamentária, a pasta terá apenas R$ 2,8 bilhões.

Contabilizando os recursos do Programa de Aceleração de Crescimento, em projetos que são de responsabilidade do Ministério da Ciência, a pasta terá no total R$ 3,275 bilhões para custeio e investimento - o que representa apenas 0,35% dos gastos totais da União em 2017.

O corte anunciado no fim de março vem numa sequência de contingenciamentos de orçamento desde 2014. E, agora,  levanta discussão e reclamações na comunidade científica. Nesse sentido, está marcada para o dia 22 de abril a Marcha pela Ciência no Brasil.

A marcha acontece em todo o mundo, para promover a atividade científica na sociedade e chamar a atenção para importância da produção de ciência. No Brasil, nunca teve muita participação, mas agora, em 2017, com os cortes orçamentários na pauta, promete atrair mais gente. “Utilizaremos tesouras, pequenas e grandes (de papelão), para simbolizar os cortes (organizando um ‘tesouraço’) e, ao final da atividade, as tesouras serão descartadas em um grande recipiente”, disseram ao “Jornal Ciência” os organizadores do protesto, que incluem integrantes de entidades de professores e pesquisadores do Rio de Janeiro.

Os organizadores criaram um grupo no Facebook a fim de mobilizar a comunidade científica para o evento, que está confirmado em ao menos 13 cidades brasileiras.

Um artigo na revista científica “Nature” chama a atenção para como o corte deixou cientistas brasileiros “horrorizados”. O neurocientista Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, disse à revista que “este é um ato de guerra contra o futuro do Brasil. Cientistas vão deixar o país”. Ele refere-se à chamada “fuga de cérebros”: com a falta de dinheiro para fazer pesquisa, as melhores cabeças vão para universidades estrangeiras.

Em um debate organizado pelo jornal “Folha de S.Paulo” no fim de março, pesquisadores também cobraram financiamento e reconhecimento para a ciência feita no Brasil. O físico e presidente da Associação Brasileira de Ciência, Luiz Davidovich, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), disse que há cientistas na universidade que não conseguem fazer pesquisa porque não têm verba para importar insumos. “A maioria não percebe o papel estruturante da ciência e tecnologia na construção do país”, disse o físico no debate organizado pelo jornal.

Para entender o impacto dessas medidas, o Nexo fez duas perguntas às seguintes especialistas: Mayana Zatz, professora titular do Instituto de Biociências da USP Helena Nader, professora titular da Unifesp, e presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

O que a ciência brasileira perde com os cortes no orçamento?

MAYANA ZATZ O Brasil já tinha, antes dos cortes, um orçamento próximo a 1% do PIB,  muito inferior aos países do primeiro mundo para a pesquisa científica e tecnológica. Israel e Coreia do Sul tem mais que 4%, a  União Europeia pretende chegar a 3% do PIB  no ano 2020. Com esse corte e com a enorme burocracia torna-se cada vez mais difícil fazer uma pesquisa competitiva no Brasil. Além de não conseguirmos atrair pesquisadores do exterior, temo que vamos perder muitos jovens cientistas que não verão um futuro no nosso país. Se não pudermos reverter essa situação, esse corte nos afastará cada vez mais da ciência internacional.

HELENA NADER Perde muito, em muitos aspectos. Perde em quantidade. Com o corte havido, certamente muitos projetos de pesquisa hoje em andamento terão de ser paralisados ou evoluir de maneira tímida, e tantos outros projetos ficarão apenas no papel, pois não haverá recursos para financiá-los. Ou seja, vamos produzir menos ciência. Perde em participação na ciência mundial. Nos últimos 20 anos, como resultado dos investimentos crescentes, nossa produção científica se multiplicou por sete, enquanto a produção científica mundial cresceu 2,8 vezes. Com os cortes, não conseguiremos manter esse ritmo. Ou seja, nossa participação na produção científica mundial vai diminuir. A qualidade da nossa ciência medida pelo número de citações, índice h, entre outros, melhorou ao longo dos anos. Com certeza, haverá um efeito também evidente na qualidade da ciência aqui produzida. A internacionalização da ciência brasileira medida pelo número de artigos com participação de autores de outros países, que é ainda pequena comparada à de outras nações, também estacionará ou declinará. Perde em manutenção da infraestrutura instalada. Qualquer equipamento exige manutenção permanente. Em muitos laboratórios há equipamentos sofisticados, que exigem uma manutenção minuciosa. Sem recursos, essa infraestrutura de pesquisa perderá desempenho e valor. Perde em capacidade de apresentar soluções para problemas das pessoas, da sociedade, do país. A ciência cada vez mais tem uma participação maior na solução de questões que afligem a sociedade, nas mais diversas áreas: saúde, alimentos, habitação, transporte, meio ambiente etc. etc. Com a diminuição da produção científica, essas áreas todas ficarão prejudicadas. Perde em capacidade de gerar desenvolvimento tecnológico e inovação. Também cada vez mais, a ciência tem uma interface maior e mais intensa com a economia. A ciência induz a tecnologia, que induz a inovação tecnológica, que possibilita às empresas maior competitividade, que proporciona à economia do país uma melhor performance perante a economia mundial. Ou seja, os cortes na ciência terão um reflexo direto na economia brasileira.

Por quantos anos vamos sentir o impacto dos crescentes cortes recentes?

MAYANA ZATZ É impossível prever. Os prejuízos podem ser irreparáveis. A única maneira de diminuir o impacto desses cortes é atrair mais investimentos da iniciativa privada. Recentemente foi criado o Instituto Serrapilheira, por João e Bianca Moreira Salles, que investiram R$ 350 milhões para financiar a pesquisa científica. Trata-se de uma iniciativa pioneira que sozinha não poderá substituir os aportes públicos. Mas ela pode tornar-se um exemplo e um incentivo para outros financiamentos de instituições privadas que poderiam diminuir o impacto dos cortes das agências de fomento a pesquisa.

HELENA NADER O mundo vive hoje a economia do conhecimento. O Brasil deu um grande passo para trás, ao considerar que ciência, tecnologia e inovação são gastos e não investimentos, e a permitir cortes crescentes na área. A Coreia, que em 1998 também enfrentou uma grave crise econômica, e diferentemente do nosso país, apostou em CT&I tem hoje sua economia ocupando posição de destaque. A China buscando sair da crise econômica recente, decidiu investir ainda mais na área, buscando atingir até 2020, 2,5% do PIB, inclusive com um aumento de 30% nos investimentos em ciência básica. Diante dessa diversidade de aspectos, seguramente é impossível prever por quanto tempo os cortes atuais se refletirão ao longo dos anos. Como em ciência, normalmente, se obtém resultados somente no médio ou no longo prazo, uma coisa é certa: se os cortes não forem revertidos imediatamente, serão necessários muitos anos para retomamos o estágio atual.

Fonte: Nexo Jornal 

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