O governo de Michel Temer, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), anunciou a privatização de usinas hidrelétricas do grupo Eletrobrás. A proposta ainda permite que a Eletrobrás poderá escolher quais usinas que pretende privatizar e até mesmo subsidiárias inteiras como Furnas, Eletronorte, Eletrosul e Chesf. Estas são empresas públicas que, além de gerar empregos, contribuem imensamente com programas sociais e pela universalização do fornecimento de energia elétrica. A Chesf, por exemplo, tem papel estratégico para a defesa do rio São Francisco. A empresa privatizada, por exemplo, poderá realizar gestões de regulação da vazão do rio e do preço da água, de acordo com seus interesses em detrimento do alcance social, podendo vir a prejudicar, inclusive, a transposição. A privatização da Chesf significa a privatização do rio São Francisco, que é um bem de todo Nordeste e estratégico para a construção de políticas públicas para população ribeirinha e de toda sociedade.

Com a privatização, o próprio governo de Michel Temer admitiu o aumento da tarifa nas contas dos consumidores. Por conseguinte, programas sociais como o “Luz para todos” e de eficiência energética poderão ser extintos.

A privatização beneficiará o mercado de investidores que priorizam a lógica do lucro, e não a função social da energia elétrica. O processo é ainda mais perverso, pois em casos de insucessos do setor privado, muitas vezes, o Estado absorve o prejuízo do mercado. Perder o comando de empresas estratégicas para o país representa um atentado à soberania nacional. O papel do Estado é fundamental para a formulação de políticas públicas e de melhoria das condições de vida da população. Nesse sentido, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) repudia a proposta de privatização no setor elétrico e irá encaminhar ofícios e moções aos parlamentares e ao Ministério de Minas e Energia. Também convocamos engenheiros e engenheiras para formularmos e construirmos juntos uma proposta para o modelo de setor elétrico que queremos. Orientamos os sindicatos a realizarem debates e mobilizações com a categoria e também a participarem do seminário do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), que acontecerá nos dias 19 e 20 de julho.

Defendemos a engenharia, o desenvolvimento social e a soberania nacional. Por uma Eletrobrás estatal e verdadeiramente pública com valorização dos trabalhadores. Nenhum direito a menos!

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)
Rio de Janeiro, 07 de julho de 2017.

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O deputado Hermínio Coelho (PDT) presidiu, na manhã desta quinta-feira (30), audiência pública que discutiu a privatização da Eletrobrás distribuição Rondônia. Participaram da discussão o deputado Jesuíno Boabaid (PMN), representantes do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Rondônia (Senge-RO) e do Sindicato dos Urbanitários (Sindur), o diretor de gestão da Eletrobrás, Efrain Cruz.

Hermínio destacou, em seu discurso, a importância de discutir essa questão e o descaso da população quanto à privatização. “Se não fosse por conta dos servidores, nem haveria uma audiência. A população não vai atrás, mas nós faremos todo o necessário para que a informação seja passada aos contribuintes e discutida de forma democrática”, afirmou o parlamentar.

O deputado Jesuíno, além de elogiar Hermínio por sua iniciativa, também ressaltou muitas questões que devem ser esclarecidas sobre o assunto. “Você vê que há em jogo várias coisas, como empregos, a realização de um bom serviço e a quantidade de aumento nas taxas de luz”, adiantou.

Ele também ressaltou que já foram discutidos diversos problemas, como apagões e taxas altas. “Eu vejo que, se ficarmos de braços cruzados, a coisa pode vir e a comunidade não vai nem saber. A Eletrobrás, mesmo com todas as dificuldades, vem atendendo a população e melhorando aos poucos”, afirmou.

De acordo com Cruz, o leilão oficial está programado para ser em dezembro de 2017. “O processo está sendo feito e, sendo aprovado, o leilão oficial será no fim deste ano”, afirmou. Ele também elogiou e agradeceu ao parlamentar pela iniciativa em chamar a audiência para discutir essa questão. “Devemos falar diretamente com a população e com os servidores para que todos se manifestem e saibam o que está acontecendo”, concluiu.

O presidente do Senge-RO, Edison Rigoli, destacou a importância do patrimônio da Ceron para Rondônia. “A empresa faz distribuição desde a época em que o estado era apenas um território. Hoje, se houver uma empresa privada comandando a distribuição, aumentará o valor da energia e irá prejudicar tanto o patrimônio, quanto os consumidores e até a agricultura regional”, afirmou Rigoli.

Ele ressaltou também que, caso haja a privatização, muitos moradores que hoje são isentos da taxa de energia terão de pagar os serviços. “Existem hoje muitos bairros afastados que recebem energia de graça, pois a Eletrobrás também faz ações sociais, porém isso não será possível com a privatização”, acrescentou.

Segundo Valdemir Aparecido Pires, secretário de política sindical do Senge-RO, a privatização da Ceron traria diversos prejuízos, como a deterioração do serviço, o aumento das tarifas de luz e maiores dificuldades de implantação dos serviços em zonas rurais e bairros afastados da cidade.

“Esperamos que todo esse patrimônio não seja devolvido a frangalhos ao País, como aconteceu com a Teles, que após 20 anos se atolou em dívidas por conta da ‘competente’ iniciativa privada”, afirmou.

De acordo com o diretor da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), José Ezequiel Ramos, todas as privatizações feitas em estados brasileiros foram um total fracasso e pontuou diversos prejuízos que a população sofreria com essa privatização, como o aumento abusivo da tarifa, as limitações na prestação de serviços, uma maior dificuldade de negociação no pagamento, demora no atendimento, constantes interrupções e um gradativo abandono das áreas rurais, o que causaria prejuízo a Rondônia, que possui como pilar da economia a agropecuária.

“O fornecimento de energia elétrica vai além de um serviço público, é uma dívida social da União com os povos que aqui habitam. A privatização irá afetar duramente os municípios do interior e localidades com maior dificuldade de acesso”, ressaltou Ezequiel.

O representante da Sindur, Inácio Azevedo da Silva, ressaltou que os Poderes Legislativo e Executivo devem se juntar para discutir o assunto e fazer o máximo para impedir essa privatização. “Isso apenas trará prejuízo. O Governo do Estado, a Assembleia e os municípios devem se envolver na discussão desse processo como interessados diretos”, afirmou.

Inácio citou, em seu discurso, exemplos como Pernambuco, onde a privatização foi feita pela Celpe. “Mais de 39% das reclamações estão relacionadas à variação do consumo e outros 17% são relacionadas à tensão de fornecimento, que tem como consequência queima de aparelhos eletrodomésticos, por exemplo”, afirmou.

Ele também falou sobre a CPFL, de São Paulo, na qual 27% das reclamações estão relacionadas a danos elétricos e falhas na entrega das contas. “Uma empresa dessas, que não demonstra zelo, só irá prejudicar o consumidor. Hoje não há um exemplo, dentro do Brasil, em que a privatização das áreas da energia e da água tenha sido de sucesso”, concluiu.

Por fim, os componentes da mesa decidiram por enviar uma carta aberta à bancada federal, externando posição contrária a privatização. Na carta, é exaltado que o processo trará consequências negativas ao Estado no tocante ao serviço público prestado de qualidade ao público em geral. O documento também solicita a intervenção dos parlamentares junto ao presidente do Senado, à Câmara dos Deputados e ao Ministério das Minas e Energia, além da Eletrobrás e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

FONTE: ALE/RO - DECOM - Isabela Gomes

Foto: Ana Célia

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Depois do adesivaço de sábado, o Sindicato dos Engenheiros do Estado de Rondônia (Senge) e o Sindicato dos Urbanitários (Sindur) prosseguem esta semana a campanha Diga não à privatização da Ceron. De acordo com seus dirigentes, ao contrário de outros estados brasileiros, o nome Ceron sofreu uma tentativa de apagão e perda de identidade, e essa troca de nome de Ceron [Centrais Elétricas de Rondônia S/A] para Eletrobras Distribuição Rondônia, “fragilizou a empresa, com objetivo de vendê-la.”

“Queremos que a população nos ajude nesta luta. A região Norte tem grandes distâncias e sem a participação do financiamento público, muito dificilmente será possível levar qualidade de vida a quem está na ponta, agricultores e ribeirinhos, por exemplo”, disse o presidente do Senge-RO, Edson Rigoli.

Outros estados, lembrou Rigoli, já privatizaram empresas e uma das primeiras consequências foi o imediato aumento da conta de energia elétrica. Ele alertou a população contra a venda da empresa rondoniense de distribuição de energia: “Pode sobrar até para o estado, com iminente perda do ICMS [Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], em consequência da geração de energia termelétrica, de alto custo.”

No primeiro dia, cerca de 50 veículos deixaram a sede do Senge-RO com a mensagem anti-privatização.

O adesivaço continua, paralelamente à distribuição de painéis e out doors em residências de funcionários da empresa, de parentes, familiares e amigos, e da mobilização em TVs, rádios, blogs, sites e jornais. No corpo a corpo serão distribuídos botons, camisetas, cartilhas e panfletos.

“O governo federal corre num ritmo a toque de caixa nesse processo de privatização, prevendo-se que até o final deste ano tudo esteja sacramentado, e poucos estão a par da real situação e da desfaçatez com que o governo federal trata situação tão delicada, faltando com a clareza e a transparência tão essenciais no mundo atual”, alertou.

Os dois sindicatos rondonienses e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) pretendem questionar a privatização de grandes empresas públicas. Com o mote “resistir e lutar”, conclamaram pessoas interessadas a debater o papel de financistas estrangeiros – chineses e italianos especialmente –, que já compraram empresas noutros estados e chegaram rapidamente à Amazônia.

“Os sindicatos veem a mobilização como única forma encontrada pelas entidades sindicais e outros segmentos, para demonstrar que a conta maior resultará em perdas sucessivas para os bolsos dos trabalhadores rondonienses e brasileiros”, alertou o tecnólogo Valdemir Pires, outro dirigente do Senge.

A QUEM INTERESSA A VENDA DA CERON

“No nosso cotidiano, quando alguém está vendendo alguma coisa em momentos de dificuldades financeiras nos perguntamos: este é mesmo o momento de vender, considerando que ele pode estar perdendo muito dinheiro? É o caso do governo atual, vendendo todos os seus bens em plena crise, a preços de ocasião”, frisou Pires.

“Esse é o caso da venda de uma das empresas distribuidoras do Grupo Eletrobras, a especialíssima Ceron, a maior empresa do Estado de Rondônia, porque o (des)governo, que assumiu ainda interinamente o País recomendou que a assembleia de acionistas da Eletrobras deliberasse pela não prorrogação das concessões das distribuidoras nos Estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima”, lamentou.

“Em consequência, o Ministério de Minas e Energia definiu que as próprias distribuidoras ficariam designadas como prestadoras de Serviço Público de Distribuição de Energia Elétrica até 31/12/17 ou até a finalização do processo de aquisição das mesmas por um novo concessionário.

Segundo ele, a Centrais Elétricas de Goiás (CELG) foi avaliada por duas empresas especializadas no setor, “contratadas a peso de ouro”, resultando meses depois na apresentação dos valores de R$ 2,7 bilhões e R$ 2,8 bilhões. Lembrou Pires “bastou que primeiro leilão se sagrasse deserto”, para que o Governo Federal decretasse um deságio de R$ 1 bilhão, sem nenhuma nova avaliação oficial.

Fonte: Expressão Rondônia

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O uso de energias caras, produzidas sem planejamento, é uma consequências da privatização de empresas públicas na década de 90, segundo o engenheiro mecânico Antônio Gerson Ferreira de Carvalho. Ele lançou, na última quarta-feira (7), o livro “Gás Natural no Brasil: uma história de muitos erros e poucos acertos”, lançado pelo Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro (Senge-RJ).

Antônio Gerson é conhecido no setor por ser ex-superintendente de Gás da Secretaria de Estado de Energia, Indústria Naval e Petróleo do RJ e ex-presidente e diretor do Senge-RJ. Além disso, tem pós-graduação em Gás Natural, pela École de Metiers Gaz de France (França) e pós pela escola de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No livro ele mostra como a falta de visão estratégica dos governos da década de 1990 criaram uma crise energética, com desdobramento inclusive nos dias de hoje. “Quando o governo Fernando Henrique Cardoso decidiu privatizar a distribuição de gás natural ele não criou mecanismos que obrigassem as concessionárias a realizar investimentos e expansão da rede. Isso fez com elas se concentrassem no filé mignon e apostando principalmente nos grandes clientes. Isso exige um grau de investimento baixo e alta taxa de lucro”, afirma o engenheiro.

O problema é que essa diretriz cria um desequilíbrio energético. O gás natural, que é uma energia mais barata e menos poluente, acaba sendo subutilizada. “Hoje a maior parte das termoelétricas utilizam grande quantidade de gás natural. Acontece que essas termoelétricas são pouco eficientes, pois foram construídas às pressas em momento de apagão no país. Elas aproveitam apenas 50% do valor energético do gás natural e o restante é descartada”, diz o engenheiro. Isso representa uma falta de eficiência. “Existem maneiras mais nobres de usar o gás natural, como o consumo residencial, por exemplo”, diz Antônio Gerson. Isso porque além de substituir o gás liquefeito (de botijão, caro e perigoso), na cozinha pode ser alternativa ao chuveiro elétrico, um dos vilões no consumo de energia.

Para o engenheiro Antônio Gerson, as termoelétricas poderiam ser desligadas se o Brasil investisse mais em hidroelétrica e destinasse o uso do gás natural, que é um recurso escasso e que exige altos investimentos, para setores que utilizasse esse tipo de energia com mais eficiência.

O resultado final da utilização dos diferentes tipos de energia é o aumento dos custos ao consumidor final. “Todos os brasileiros estão pagando essa conta. Já está provado que as privatizações provocaram grandes danos ao país, porque quem continua investindo nesses setores é o Estado, através do BNDES e incentivos fiscais”, aponta.

Bueiros explosivos

Entre os anos de 2006 e 2008, o Rio de Janeiro viveu um verdadeiro surto de explosões em bueiros, provocando acidentes e mortes. Mas, afinal, por que esses bueiros explodiam? As explicações estão no livro “Gás Natural no Brasil”.

As explosões, que ocorrem até hoje, embora em menor quantidade, teriam sua origem na má gestão da empresa privadas CEG e CEG RIO (empresas da companhia Gás Natural Fenosa), segundo o engenheiro Antônio Gerson.

Até 1983 todo gás usado no Brasil era manufaturado, ou seja, fabricado em uma planta industrial no bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro. Quando foi descoberto o gás natural, que já sai do reservatório de petróleo pronto para o consumo, toda a matriz de distribuição teve que ser adequada. Essa mudança coincidiu com o período do processo de privatização da rede de distribuição de gás.

A partir de 1997, ano da concessão, foram iniciadas as conversões da rede de gás, que precisaram passar por adaptação porque o gás natural tem mais pressão que o gás manufaturado. O poder calórico do manufaturado é de 4.300 kcal, enquanto o natural é de 9.600 kcal. Então, era preciso mudar as tubulações de gás, substituir materiais e ajustar as juntas. “Aí começou o problema. Para economizar, a empresa concessionária contratou equipes sem experiência para fazer essa conversão. O trabalho ficou cheio de falhas, começou a vazar gás e ter explosões nas tubulações”, explica o engenheiro.

Por isso ele avalia que as medidas anunciadas pelo governo de Michel Temer (PMDB), de privatizar setores importantes da Petrobras, assim com a distribuição de água no Rio de Janeiro, é uma saída “terrível”. “Basta ver o que foi prometido na época das privatizações do governo FHC. Os investimentos e expansões não foram cumpridos. Os investimentos continuaram vindo do poder público, muitas vezes através do BNDES. Falar em privatização de novo é sinal de que não aprenderam nada com os erros do passado”, conclui o engenheiro.


Por Fania Rodrigues (Brasil de Fato)

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O Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro - SENGE RJ convida para o lançamento do livro: "Gás Natural no Brasil - Uma história de muitos erros e poucos acertos", de autoria de Antonio Gerson Ferreira de Carvalho. A cerimônia será no dia 7 de dezembro, quarta-feira, de 18h30 às 21h no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Haverá ainda a distribuição gratuita de um exemplar do livro para cada convidado.

 

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Será lançado, nos dias 1º e 8/12, no Recife e no Rio de Janeiro, o livro "O setor elétrico brasileiro. Do serviço público a mercadoria. 20 anos de erros (1915 a 2015)", de autoria do engenheiro e professor José Antonio Feijó de Melo. O livro reúne os principais textos produzidos pelo autor ao longo de mais de dez anos de luta em defesa do interesse público relacionado ao setor de energia elétrica brasileiro. A edição desta coletânea de trabalhos escritos em linguagem accessível ao grande público, agora, tem como finalidade principal resgatá-los da dispersão e do esquecimento naturais a que ficaram sujeitos depois de passadas as circunstâncias do momento em que cada um foi elaborado e publicado, de modo a conferir ao conjunto uma nova organicidade absolutamente atual e objetiva, quando nada como uma forma de registro para a posteridade. 

São mais de 80 textos abordando, e geralmente questionando, diferentes aspectos do setor elétrico nacional, iniciando com um trabalho de outubro de 2001. Tendo em vista a diversidade dos temas, os textos são apresentados em quatro Partes e dez Capítulos específicos, nos quais são agrupados de forma cronológica segundo cada tema. As Partes envolvem os seguintes assuntos: I – Aspectos Institucionais; II – A Questão Tarifária; III – A Questão Eletro-energética; e IV – Outros Assuntos. Com esta publicação, o Autor espera estar contribuindo de alguma forma para um debate em busca de solução definitiva para os graves problemas que nos últimos vinte anos vêm afetando este importante e estratégico setor da economia nacional que, como todos devem reconhecer continua sem um rumo definido, sobrevivendo na onda das dificuldades de cada momento, sempre necessitando de medidas de urgência, por vezes desesperadas, mas em geral paliativas. Que sempre está dependendo de hidrologias favoráveis, sob pena de risco de racionamento; no qual as tarifas permanecem muito elevadas, em níveis incompatíveis tanto com as características técnicas do sistema, quanto com as necessidades da economia; e onde a qualidade do serviço prestado permanece bastante sofrível.

No Recife (PE), o lançamento será no dia 1/12, a partir das 19h, na livraria Cultura do Sopping Rio Mar. Já no Rio de Janeiro, o evento de lançamento acontecerá no dia 8/12, às 18h, na livraria Cultura do Cine Vitória, localizada na rua Senador Dantas, 45AB, Cinelândia.

 

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A Celg Distribuição S.A., responsável pela comercialização de energia elétrica em Goiás, está na mira do roteiro de privatizações anunciado nos últimos meses pelo governo não eleito de Michel Temer.

Controlada pela Eletrobras desde o ano passado, a empresa vem seguindo nos últimos tempos os rumos da desestatização e deve ir a leilão no próximo dia 30. O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) é a instituição responsável pelo processo de licitação.

A entrega da companhia ao capital privado tem preocupado os segmentos populares. Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, a privatização da empresa tende a prejudicar a sociedade, em especial grupos que historicamente têm mais dificuldade de acessar os serviços.

“Em primeiro lugar, nós defendemos o emprego público e as empresas públicas, que geralmente prezam mais por um trabalho de qualidade junto à população. A privatização da Celg, pra nós, é uma ameaça ao patrimônio do povo goiano. Nós acreditamos que o acesso à eletricidade, principalmente por parte dos povos que moram no campo, tende a ser ainda mais dificultado porque certamente vão aumentar as taxas, e nós temos dúvidas sobre a qualidade dos serviços que serão oferecidos depois disso”, afirma Gilvan Rodrigues, da coordenação nacional do MST de Goiás (MST/GO).

O dirigente destaca ainda a preocupação com os assentamentos. O estado de Goiás tem mais de 12 mil famílias assentadas e, embora a maioria delas seja assistida em termos de eletricidade, uma parte ainda não tem cobertura do fornecimento de energia.

“Nós entendemos que já é difícil ter acesso à eletricidade no campo contando com uma empresa pública, mesmo tendo iniciativas como o programa ‘Luz para Todos’, por exemplo. Com uma privatização, tudo fica ainda mais difícil porque as empresas privadas objetivam o lucro e todas as suas ações são voltadas pra isso, e não ao atendimento da população”, considera Gilvan.

Luta conjunta
O posicionamento contrário à privatização da Celg vem sendo fortalecido através da união entre segmentos sindicais e populares. O MST, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas no Estado de Goiás (Stiueg) são algumas das entidades que vêm se articulando conjuntamente contra a desestatização da companhia.

“É de grande importância que essa mobilização para denunciar o processo de privatização aconteça em parceria, até porque se trata de um verdadeiro assalto ao povo goiano”, afirmou Gilvan Rodrigues.

Para o sindicalista Heliomar Palhares Pedrosa, que é engenheiro eletricista da Celg há 33 anos, foi a articulação conjunta que deu fôlego ao movimento de oposição à venda da empresa.

“Os movimentos sociais sabem que, se com uma estatal já há prejuízos para a população, uma privatização, então, prejudica ainda mais. A participação dos movimentos é de grande relevância pra gente. Foram eles que nos deram músculos pra fazer uma série de manifestações, inclusive em Brasília”, destaca Pedrosa.

Ele também ressaltou que, entre os funcionários da empresa, o clima tem sido de grande preocupação diante da iminência da privatização. “Na próxima sexta-feira, os interessados em participar do leilão devem entregar os envelopes. Então, nossa data de agonia é esta sexta. (…) Temos receio porque toda a sociedade vai perder se a empresa for entregue à iniciativa privada”, acrescentou.

A empresa
Desde a década de 1990, durante o governo do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso, a Celg vinha ensaiando os primeiros passos rumo à privatização. As articulações para a federalização ganharam corpo em 2014 e, em janeiro de 2015, a companhia passou a ser efetivamente controlada pela Eletrobras, que hoje detém 51% das ações. Os outros 49% ficam a cargo do governo do estado de Goiás.

Responsável pela comercialização de energia elétrica no estado, a Celg chega a 98,7% do território goiano, representando 2,4% do consumo do país. A companhia tem 1.938 empregados próprios e cerca de 4 mil terceirizados.

Celg e governo
O Brasil de Fato procurou a Celg para tratar do processo de privatização, mas a assessoria de imprensa informou que a companhia não se manifesta sobre o assunto, que estaria a cargo da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás.

A reportagem também entrou em contato com a pasta, que apenas confirmou o cronograma dos trâmites de privatização, ratificando que a entrega das propostas ocorre até a próxima sexta-feira (25). A previsão de divulgação do resultado após análise das propostas é dia 29, com efetivação do leilão no dia 30.

Fonte: Cristiane Sampaio/ Brasil de Fato
Edição: Camila Rodrigues da Silva

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Dez anos depois da publicação do último relatório do Greenpeace sobre os prejuízos decorrentes das mudanças climáticas, novo documento da entidade mostra que pouca coisa mudou. “O que tem de mais emblemático é que, dez anos depois, ainda não conseguimos arrumar uma solução para evitar as mudanças climáticas. Continua uma discussão muito grande, as coisas não saem do papel e os efeitos já estão acontecendo”, avalia o coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Márcio Astrini.

“Uma década depois ainda tem acordos sendo discutidos, de quem é a responsabilidade, que tem que ajudar mais com dinheiro. Enquanto isso o clima, na vida real, vai alterando e já prejudicando a vida das pessoas”, completa. Um efeito concreto na rotina das pessoas, segundo Astrini, é a chamada bandeira tarifária, que traz uma variação na cobrança da energia elétrica aos consumidores.

Pelo modelo de bandeiras tarifárias, quando a energia vem das usinas hidrelétricas, a tarifa tem um valor, mas se o governo precisa utilizar as termelétricas – que são mais poluentes e mais caras – o consumidor paga um valor adicional pela eletricidade que chega à sua casa.

“O Brasil produz muita energia de hidrelétrica, que depende do rio corrente para gerar energia. Tem chovido de forma desregular, quer dizer, tem horas que aquele rio está muito cheio e tem horas que está muito seco”, disse Astrini sobre uma das previsões ligadas ao aquecimento global apontadas no relatório, que é a tendência de redução da vazão dos rios. Como 64% da eletricidade do país vêm das hidrelétricas, menos água nos rios significa menos produtividade e risco de energia mais cara.

“Isso impacta diretamente na conta de luz das pessoas. Muita gente está sentindo isso na conta”, acrescenta.

Soluções

Astrini aponta duas soluções que podem evitar o agravamento de prejuízos causados pelas mudanças climáticas: implementar energias renováveis – como solar, eólica e biomassa – e acabar com o desmatamento. As medidas, segundo o ambientalista, não só contribuem para o combate ao aquecimento global, como tornam o Brasil mais resistente a essas mudanças.

“Precisamos bolar outras formas de gerar energia no país e eletricidade para a casa das pessoas. Temos muito sol, temos muito vento, temos uma capacidade de produção de agricultura muito grande, e essas três coisas podem dar pra gente energia solar, eólica e biomassa. O Brasil investe muito pouco nisso”, pondera. Segundo o coordenador do Greenpeace, variar a matriz energética pode dar ao país maior segurança no setor, sem precisar recorrer a opções poluentes como as termelétricas a carvão e a gás.

A segunda ação seria sobre as florestas. “Se o Brasil eliminar o desmatamento – que é a nossa maior fonte de emissões de gás de efeito estufa –, além de diminuir as emissões globais, ele também preserva uma floresta como a Amazônia e o Cerrado”, disse.

Além do benefício direto para a conservação do bioma, Astrini destacou a importância da Amazônia como regulador climático. “Alguns estudos dizem que, devido à existência da Amazônia, é que tem a regularidade da quantidade de chuvas no sul, no sudeste e no centro-oeste do país, que são exatamente os lugares que mais produzem agricultura. Então, se a gente desmata essa floresta, temos um efeito contrário duplo: vamos emitir muito carbono e retirar do país esse regulador climático.”

Edição: Luana Lourenço
Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil
Foto: Divulgação Chesf

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O plenário do Senado aprovou, na última quarta-feira (19), a Medida Provisória (MP) 735/16, que altera regras no setor elétrico. A proposta segue agora para sanção do presidente Michel Temer na forma do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 29/16, visto que teve mudanças durante a tramitação no Congresso.

Entre outras alterações, a medida facilita processos de privatização, reduz a burocracia de leilões, reduz custos da União com subsídios a concessionárias e permite a desestatização de empresas distribuidoras estaduais que foram federalizadas.

A proposta também estabelece a isenção da taxa da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) nas contas de luz dos beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica, que reúne consumidores de baixa renda.

Fonte: DIAP (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

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Foi homologado, hoje (21/9), o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Sistema Eletrobras, no Tribunal Superior do Trabalhado (TST), em Brasília. Segundo o diretor da Fisenge e do Senge-RJ, Gunter Angelkorte, o ministro mediou a proposta para garantir a manutenção dos direitos. O reajuste foi dividido em duas parcelas, uma em maio (5%) e, a partir de 15/9, o complemento de 4,28%, totalizando 9,28% referente ao IPCA de maio. O pagamento do segundo talão de tíquete-alimentação de 2017 foi registrado na carta-compromisso assinada pela direção da Eletrobras. “Esta foi uma negociação muito dura para os trabalhadores. Precisamos reafirmar nossos direitos e lutar em defesa do Sistema Eletrobras público e estatal”, disse Gunter. Já sobre os dias de paralisação, o ministro decidiu que o período que ultrapassar cinco dias, 1/3 será abonado e o restante compensado. “Querem transformar o país em colônia com a proposta de flexibilização da jornada de trabalho e do programa de privatizações”, criticou Gunter analisando a atual conjuntura política do país.

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