A historiadora e professora Marlene de Fáveri desenvolve pesquisas na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) sobre gênero e feminismo, categorias que enfrentam atualmente, no país, uma forte campanha de “demonização” por partes de forças conservadores, em alguns casos até fascistas, conforme ela mesma denuncia no artigo abaixo. O tema estará em pauta no próximo dia 14 de julho, em Curitiba, durante o IV Simpósio SOS Brasil Soberano, do qual Marlene participa na mesa de debates com o tema “Política e Estado”.

“Se o Gênero, assim como o Feminismo, tem gerado discussões acaloradas, é porque é político”, escreve. Neste artigo, prévia da sua apresentação no simpósio, a professora explica por que seu feminismo, suas posições políticas, intelectuais e éticas a tornaram ré em processo movido por uma ex-orientanda. A ação gerou uma moção de apoio à professora por parte da Associação Nacional de História (Anpuh) e uma nota assinada por colegas do programa de pós-graduação da Udesc, além de diversos atos de protesto e solidariedade, nas faculdades e nas redes sociais. Confira o texto na íntegra:

Neste momento, vivenciamos no Brasil um movimento conservador de demonização do Feminismo e do Gênero, palavras tidas como `proibidas` e que têm sido brutalizadas em corações e mentes, sendo até excluídas de planos educacionais. Ambas remetem aos direitos das mulheres e à luta por equidade, emancipação, liberdade, erradicação de violências de gênero. Se o Gênero, assim como o Feminismo, tem gerado discussões acaloradas, é porque é político. Aquilo que instiga, gera, produz reflexões é eminentemente político.

Por que o espaço privado foi tão controlado ao longo da história? Porque é um lugar político; então, sendo privado e político, produz disputas. Se o Gênero é um lugar de relações de poder, assim como o Feminismo, por que pessoas se incomodam com o Gênero como categoria para analisar a sociedade? Quem se incomoda, e por quê? Que relações de poder são essas? Construídas na cultura, na educação, nos discursos eivados de preconceitos, espalham-se e são reproduzidas nas tribunas, nos tribunais, no parlamento, em diferentes instituições, religiosas ou não, e fomentam a discórdia.

Meu Feminismo advoga por justica social e direitos humanos, por democracia, por equidade de direitos, salvaguardadas as diferenças, e isto só virá, se as relações de gênero mudarem para a vivência de práticas igualitárias de direitos e liberdade de escolhas. Como categoria analítica, o Gênero nos dá suporte e referências para reflexões e ações acerca das violências, dos estudos sobre a infância, das famílias, das sexualidades, das relações tantas entre homens e homens, mulheres e mulheres, homens e mulheres.

Meu Feminismo reflete sobre as exclusões, denuncia as mazelas das violências, sejam de ordem sexual, doméstica, racial, homofóbica, étnica, geracional, de classe, dentre outras. E isto me fez ré de um processo. Mas eu não sou vítima, não cometi crime; vítima é o país, nessa onda fascista de tentativas de sujeição de seus professores e suas professoras ao silêncio, de amordaçar a fala, de silenciar, de fomentar medo. Então eu luto, e “lutarei em todas as trincheiras até o último minuto”, na frase de Dilma Rousseff.

Profa. Dra. Marlene de Fáveri – Departamento de História e Programa de Pós-Graduação de História (PPGH), do Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Fonte: Sos Brasil Soberano 

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A realidade das mulheres no mercado de trabalho e o histórico da luta por direitos estiveram no centro da conferência realizada em Campo Mourão, região noroeste do Paraná, nesta sexta-feira (24). Organizada pelo Senge e Coletivo de Mulheres e Senge Jovem, o evento reuniu mais de 70 pessoas no auditório do Sindicato de Servidores Municipais (Sindiscam).

Tayná Silva, integrante do Senge Jovem da regional de Londrina, abriu o encontro lançando o convite para que estudantes e engenheiras já formadas façam parte do Coletivo de Mulheres do sindical, para que assim seja possível avançar em questão ainda presentes no cotidiano, como assédio moral e sexual. “São situações que não devem ser deixados nos bastidores, e sim devem ser trazidas para o debate mais amplo e crítico”.

“Esperamos que esse seja um momento em que nós, mulheres, possamos refletir e se sentir estimuladas a ocupar o nosso espaço. Pois se a gente não ocupar, não vamos avançar”, propôs Losani Perotti, diretora adjunta da regional do Senge-PR em Campo Mourão.

A conferência teve palestra de Rosane Pereira Scapin, engenheira agrônoma e agente de fiscalização do CREA-PR, Simone Baía Pereira Gomes, engenheira química e Diretoria da Mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), e Miria Maria Peres, advogada e professora do curso de direito da Faculdade Integrado de Campo Mourão.

Mulheres mobilizadas

“Não há registro da presença e da participação das mulheres. A igualdade era defendida, mas não era praticada”, garante Simone Baía Pereira Gomes, engenheira química e Diretoria da Mulher da Fisenge, ao se referir à história do movimento sindical.

Esta invisibilidade, de acordo com a engenheira, é incompatível com a ativa participação feminina nos movimentos, na busca por melhores condições de trabalho, por melhores salários, pela redução da jornada, pela proibição do trabalho infantil, entre outras pautas. “Mas a história do movimento sindical é registrada pelas lideranças dos movimentos, que em geral eram homens. A história e a participação das mulheres foi esquecida, apagada”, lamenta.

A conquista do espaço pelas mulheres nas entidades de classe avançou na década de 1980, mas não sem tensionamentos. “Não foi natural, pois existem as relações de poder. Não existe a cessão de espaço para as mulheres, existe a luta pelo espaço”, afirmou a sindicalista, que é a primeira diretora da Mulher da Fisenge.

O caminho para a criação do Coletivo de Mulheres da Fisenge é exemplo dessa luta pela conquista de espaço. A primeira ação organizada das engenheiras foi em 2005, durante o 7º Consenge, na Bahia. “O que essas mulheres queriam? Um coisa muito simples: um espaço para a discussão da questão da mulher”. Não conseguiram. A conquista veio três anos depois, no Congresso seguinte, quando as engenheiras exigiram a criação da Diretoria da Mulher.

De lá para cá, o Coletivo de Mulheres tomou forma e ganhou força. Somado à defesa dos direitos, Simone frisa a perspectiva humanista do feminismo, que também atua pela superação das demais desigualdades e injustiças intrínsecas da sociedade capitalista e machista. “A gente não trata só das questões de gênero, de maneira segregada. A gente tem que pensar na melhoria da sociedade e do mundo em que vivemos”.

Desigualdade

Para exemplificar a disparidade entre o acesso aos cursos de engenharia por homens e mulheres, Rosane Pereira Scapin, engenheira agrônoma e agente de fiscalização do CREA-PR, resgatou dados de 1950. Naquele ano, o CREA-PR tinha o registro de 512 engenheiros e de apenas 4 mulheres. Já em 2010, o número passou de 24.130 homens e 546 mulheres.

A diferença salarial entre os gênero no mundo da engenharia repete o que ocorre em outras categorias. De acordo com dados do CREA de 2011 a 2016, as engenheiras recebem em média 10% a menos do que os engenheiros.

Neste quesito, há diferenças entre as subcategorias: na engenharia civil, por exemplo, as mulheres recebem 7,5% a menos; na elétrica e na química a diferença fica em 10%; na mecânica chega a 12%; a geologia é a área com menos desigualdade: 3,7%; já na agronomia, a diferença salarial entre homens e mulheres é em média de 19%.

“A gente quer é uma sociedade igualitária, em que a gente ganhe os mesmos salários, que tenhamos as mesmas condições”, defende a engenheira.

“O mesmo cálculo que eu estudei é o que o homem estudou, a mesma física, química, os processos, os fenômenos. Porque eu que tenho diferença salarial se eu aprendi a mesma coisa?”, questiona Simone Baía.

Diante das estatísticas que comprovam a diferença salarial e a menor inserção das mulheres nos cargos de poder, Miria Maria Peres, advogada e professora universitária, reafirmou o predomínio de uma cultura de discriminação com a mulheres: “Nós temos mais anos de estudos que os homens, e assim mesmo recebemos menos. Em 500 empresas grandes no brasil, somente 14% são comandadas por mulheres”.

Como décadas de atuação na advocacia trabalhista, ela relata casos em que as trabalhadoras perderam o emprego ou foram pressionadas por conta da maternidade: “Muitas demissões logo depois que a mulher volta da licença maternidade. Tem empresas que, por debaixo do pano, pergunta para as mulheres se elas têm laqueadura”. Para a advogada, o avanço da terceirização irrestrita afetará de maneira ainda mais cruel as mulheres, que já ocupam trabalhos mais precarizados e com menor remuneração.

>> Para ver o álbum de fotos do evento, acesse: http://migre.me/wksJY

>> Acesse aqui os vídeos com a íntegra das palestras:

PARTE 1 AQUI

PARTE 2 AQUI

Fonte: Senge-PR

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Durante o encontro, também foi realizada uma homenagem para a engenheira e funcionária do SENGE-RJ Elsa Parreira, que lutou contra a Ditadura Militar.

 

Na noite desta quinta-feira (09), foi realizada no SENGE-RJ uma emocionante homenagem às mulheres que lutaram contra a Ditadura Militar e pela Anistia. Entre elas, estava Elsa Parreira, engenheira e funcionária do Sindicato, que faleceu no dia 21 de janeiro de 2017.

A diretora do SENGE-RJ Virgínia Bradão contou como teve a ideia de realizar esse evento.

"É a nossa maneira de celebrar o Dia Internacional da Mulher e também relembrar a luta histórica das mulheres, entre elas a Elsa. Foi uma maneira de unir as duas coisas", disse Virgínia.

O evento contou com a presença de Ana Müller, advogada de familiares de mortos e desaparecidos e fundadora do Comitê Brasileiro pela Anistia no Rio de Janeiro. Ana contou que Elsa tinha uma "forte capacidade de agregar".

"A Elsa sempre foi uma pessoa absolutamente comprometida com as lutas políticas e as demandas sociais com liberdade com as questões sociais. Não se limitou apenas as nossas reuniões ou atos. Foi além. A igreja no rio era muito atrasada. Buscamos um padre ou bispo que fosse mais aberto para podermos fazer nossas reuniões e um bispo de Nova Iguaçu abriu as portas e a Elsa proferiu palestras nesse centro de direitos humanos em Nova Iguaçu."

O presidente do SENGE-RJ, Olímpio Alves dos Santos, destacou ainda que são as lembranças boas que permanecem.

"Nós não a perdemos temos ela cada dia mais perto em nossas vida, em nossa memória", afirmou.

Para o deputado estadual Eliomar Coelho, que é engenheiro, Elsa fez parte permanente do grupo de engenheiros que lutou pela democracia e tinha uma forte relação com a história do Sindicato dos Engenheiros. Ele afirmou ainda que "Elsa era uma pessoa gueireira, combativa e firme nas suas posições, mas também doce e alegre."

Mulheres corajosas

Ao contar a história de luta pela Anistia, a advogada destacou ainda a coragem dessas mulheres. Segunda ela, muitas já eram senhoras, mães de jovens presos políticos.
"Fizemos um ato no Itamaraty porque não davam passaporte para crianças que nasceram no exílio. Fomos seis pessoas com uma faixa e isso deu repercussão. Não tinha nenhum homem lá e era do lado do ministério do exército", contou Ana. "Todas as mulheres que lutaram, que foram para as prisões, devemos levantar as taças e agradecer a todas elas", afirmou a advogada, emocionada.

A diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, ressaltou que é um grande prazer ver o auditório tomado de mulheres e homens para celebrar a história de resistência das mulheres e falar de uma mulher que foi um exemplo com sua luta.
" A luta das mulheres não é só das mulheres. É de toda a sociedade porque visa um mundo melhor", afirmou Simone.

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Para a vereadora, as mulheres precisam lembrar a todo tempo que estão em condição subalternizada, não só simbolicamente.

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (Psol) teve uma das eleições mais comemoradas dos últimos tempos na cidade. Mulher, negra, nascida, criada no Complexo da Maré, defensora dos direitos humanos e socióloga, ela foi a quinta candidata à Câmara dos Vereadores mais votada em 2016, acumulando 46 mil eleitores. Após a posse, em janeiro deste ano, Marielle já apresenta projetos que visam fortalecer os direitos das mulheres. Um deles é o projeto de lei “Pra fazer valer o Aborto Legal”, que tem por objetivo qualificar profissionais para informar e garantir atendimento de mulheres que tem direito de abortar, em casos de anencefalia, risco de morte e estupro. Na Semana Internacional da Mulher, Marielle conversou com o Brasil de Fato sobre a necessidade de debater feminismo e algumas propostas de seu mandato.

Brasil de Fato: Por que ainda é importante discutir o feminismo hoje?

Marielle: Para garantir que as mulheres não estejam em posições secundárias. Para evitar o status que muitos querem nos colocar de invisibilidade. Para que nós possamos ocupar espaços em que sejamos protagonistas. No dia 08 de março, é importante ir para as ruas, tornar público nosso discurso, porque à medida em que têm mulheres fazendo a fala, o debate sobre feminismo, gênero, racismo está em jogo e faz a diferença.

Recentemente você relatou em sua página do Facebook o caso de racismo que sofreu no aeroporto com uma revista abusiva. Como é ser mulher negra no Brasil?

Ser mulher negra é resistir e sobreviver o tempo todo. As pessoas olham para os nossos corpos nos diminuindo, investigam se debaixo do turbante tem droga ou piolho, negam a nossa existência. Isso que passei no aeroporto foi uma vivência que muitas mulheres negras já passaram. Poderíamos fazer uma pesquisa objetiva perguntando quantos mulheres e homens brancos já tiveram os seus cabelos revistados, a resposta seria nenhum. Estamos expostos e somos violentados todos os dias. Para que a discussão se amplie é fundamental compreender que estamos em um lugar de tratamento diferente. É preciso reconhecer o racismo.

As mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana, segundo pesquisa divulgada essa semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda assim a reforma da Previdência propõe que trabalhem a mesma quantidade de anos para aposentar. Como avalia essa proposta?

Como querem tratar as mulheres de maneira igual para aposentar se já somos tratadas de maneira desigual todos os dias? Nós, mulheres, estamos na base da pirâmide, com os menores salários, trabalhando em jornadas duplas e ainda querem tratar a gente de maneira igual para a aposentadoria. É um discurso de igualdade só quando serve aos interesses deles. Temos que lembrar que estamos em condição subalternizada, não só pelo simbólico. Os dados objetivos das pesquisas estão mostrando isso. Infelizmente as mulheres ainda estão em situação vulnerável.

Na Semana Internacional da Mulher, em que você teve várias atividades de conversa sobre feminismo nas ruas do Rio de Janeiro, como tem sido a receptividade dessas conversas?

Fizemos panfletagens, aula públicas e conversas. Na maioria das vezes tivemos adesão boa, mas sempre tem nível de resistência, infelizmente. Acho que, de modo geral, as pessoas estão muito receosas sobre a política mais ampliada. Então há uma negação aos panfletos pelo partido e posições políticas. Mas, sobre a pauta do feminismo, quando falamos da retirada de direitos sobre a vida das mulheres, há uma identificação. Se pararmos para pensar, quem mais sofre com a reforma da Previdência, por exemplo? São as mulheres mais pobres, que mais estão fazendo trabalhos terceirizados e braçais. Então, quando conversamos sobre isso, são temas que as mulheres param e prestam atenção. Conseguimos dialogar.

Como funciona na prática o projeto de lei proposto por você na Câmara Municipal “Pra fazer valer o Aborto Legal”?

É um programa que traz um tema polêmico, mas não estamos defendendo no âmbito municipal a legalização do aborto, apesar de essa ser uma pauta do Psol nacionalmente. O que estamos propondo aqui é a garantia do serviço públicos de atendimento à mulher. No caso de ser vítima de estupro, correr risco de vida, estar grávida de feto anencéfalo, a mulher tem direito ao aborto por isso deve receber assistência adequada. Queremos fazer com que os profissionais recebam qualificação para que não criminalizem mais as mulheres, independente da opinião individual que tenham. Precisamos romper com essa lógica. O Estado tem que garantir que a mulher receba atendimento adequado, se não ela terá que sentir um duplo sofrimento ao abortar. Já temos mais de 8.300 mil assinaturas apoiando o projeto.

Que outros projetos seu mandato tem voltados para as mulheres?

O espaço coruja, que é creche estendida ao horário noturno. Não é um projeto só para as mulheres é para as famílias, mas sabemos que a responsabilidade com os filhos ainda recai quase exclusivamente sobre a mulher no Brasil. Avançamos também no debate sobre a visibilidade das mulheres trans, ao exigirmos o reconhecimento da identidade social de uma de nossas assessoras parlamentares na Assembleia Legislativa. Estamos fazendo um estudo para identificar as demandas e poder fazer mais pelas mulheres. O mandato está apenas começando.

 

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Digite no Google as palavras “engenheira mulher”. Há as seguintes sugestões de pesquisa: "motivos para namorar uma engenheira"; "engenheira civil feminina", "engenheiras famosas", "engenheira civil como se vestir", "como uma engenheira deve se vestir". Agora, se digitarmos apenas a palavra "engenheiro", iremos verificar as seguintes menções "tipos de engenheiro"; "profissão engenheiro", "engenheiro salário", "engenheiro o que faz". E qual a diferença entre uma pesquisa na internet e a realidade? Nenhuma. Uma mulher engenheira é questionada pela sua aparência e pelo seu gênero, e não por sua competência e capacidade técnica. Pensamento este fruto da sociedade machista que questiona, invisibiliza, objetifica e inferioriza a mulher e o seu trabalho.

Por Simone Baía

A engenharia é uma área predominantemente formada por homens. De acordo com dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), os homens registrados representam pouco mais de 86% e as mulheres cerca de 14% apenas. Na seleção de uma vaga de emprego, é comum que mulheres sejam rejeitadas pelo mercado de trabalho, pois têm a sua competência questionada a todo o momento e, geralmente, a cultura organizacional das empresas é masculina. Uma mulher engenheira chefe, presidente ou coordenadora garante representatividade e também possibilita que outras mulheres avancem. A engenharia pode, concretamente, melhorar a vida das mulheres trabalhadoras, com obras de saneamento, tratamento de água, construção de creches, escolas, produção de alimentos seguros, entre outros.

Nós, engenheiras, queremos ser percebidas por nossa capacidade técnica e competência, e não por nossos corpos. E os homens nessa luta precisam ser nossos aliados. Afinal, quando uma mulher avança nenhum homem retrocede. Em uma reunião de trabalho ou política, quantas mulheres são ouvidas? Vocês percebem quantas mulheres existem no espaço? Quantas mulheres têm seu local de fala respeitado?

Esse quadro de machismo é também refletido na conjuntura nacional com o golpe sofrido pela primeira presidenta mulher do Brasil, Dilma Rousseff. Passado o golpe, uma das primeiras medidas foi a ocupação dos espaços de poder majoritariamente por homens e o fim do status de Ministério da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, vinculando ao Ministério da Justiça e da Cidadania. Para agravar ainda mais o cenário, o presidente ilegítimo, Michel Temer anunciou como prioridade as reformas trabalhista e da previdência, que atingem diretamente as mulheres. Um dos pontos iguala a idade de aposentadoria entre homens e mulheres para 65 anos, ignorando a dupla jornada de trabalho da mulher, que pode chegar a 20 e 25 horas semanais a mais com as responsabilidades familiares e domésticas.

Por todos esses motivos, escolhemos o tema “Faça acontecer por todas nós: nem uma mulher a menos!”, para marcar o 8 de março deste ano, dialogando com o movimento internacional de mulheres. A proposta é dar visibilidade ao conceito de sororidade e fortalecer a luta pelo fim da violência contra a mulher. Afinal, o que significa sororidade? Sororidade é o apoio e o exercício de empatia entre mulheres. Não estamos sós e juntas somos mais fortes.

Culturalmente, somos estimuladas a tensionar uma rivalidade entre nós e até mesmo a reproduzir uma política de disputa. Não somos inimigas. Podemos nos apoiar reconhecendo a competência profissional de outras, acolhendo mulheres em situação de violência, indicando mulheres para vagas de emprego, construindo uma rede de apoio para mães, apoiando mulheres na ocupação dos cargos de direção política. Faça acontecer por todas nós significa interseccionar nossas lutas pelo feminismo negro, trans e indígena, e também rejeitar uma lógica simplista de meritocracia. A feminista norte-americana Angela Davis afirmou: "O tipo de feminismo que eu abraço não é um feminismo dividido. É um feminismo que busca a integração".

Precisamos de uma nova forma de fazer política, com espaço de escuta e disputa de ideias. Ouvir e acolher são exercícios necessários, em vez de somente política de reprodução da violência. Desta forma, conseguiremos avançar, reunir mulheres, formar novos quadros e politizar questões de gênero nos espaços. E você? Já perguntou a opinião de uma mulher hoje?

Simone Baía é engenheira química e diretora da mulher da Fisenge

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Brigas em redes sociais, em grupos de famílias e nos lares são comuns envolvendo questões sobre machismo e outras formas de opressão. Na casa da engenheira Eugênia não é diferente. Seu irmão desqualifica a atuação política de mulheres parlamentares. E a primeira a questionar esse comportamento é sua filha pré-adolescente. “O machismo deve ser combatido em todos os espaços e também nos espaços de convivência coletiva em família. Assim, teremos filhas e filhos comprometidos com um mundo melhor orientado pela igualdade e generosidade”, afirmou a diretora da mulher da Fisenge, a engenheira química Simone Baía. 

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Foi lançada, no dia 24/11, uma história em quadrinhos sobre os principais efeitos da PEC 55, que propõe o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos. Esta é uma iniciativa do Coletivo de Mulheres da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros). De acordo com a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, os quadrinhos têm o objetivo de dialogar com o conjunto da categoria e ampliar para a sociedade. “Se aprovada, a PEC irá atingir setores estratégicos para o desenvolvimento econômico e social do país. Ciência e tecnologia que, historicamente, já tinham orçamentos baixos, agora serão áreas ainda mais rebaixadas. Isso significa que vamos depender de outros países para produção de vacinas, alimentos seguros, telecomunicações, entre outros setores”, pontuou. A engenharia será uma das profissões mais afetadas, pois além de promover o fim do ganho real no Salário Mínimo Profissional, também irá impulsionar demissões em massa, diminuição da produção científica e tecnológica e perda de direitos. “Esse é um cenário grave para homens e mulheres. Hoje, o mercado financeiro mantém seus lucros altos e não existe uma política de reforma tributária com taxação de grandes fortunas, por exemplo. O povo brasileiro não pode pagar pela crise”, concluiu Simone. A história faz parte do projeto “Engenheira Eugênia”.

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Pouquíssimas mulheres conseguem entrar no mundo profissional dos games. E as que conseguem frequentemente têm de encarar abusos e diferenças salariais em relação aos homens. A BBC conversou com duas importantes jogadoras para esta reportagem, a primeira que publicamos da edição deste ano do 100 Mulheres* (entenda o projeto em quadro abaixo) - elas contaram como lutam contra a discriminação e encorajaram outras mulheres a entrar nesse universo. Na última segunda-feira, um importante prêmio da indústria de competições online foi realizado em Londres. A ideia era homenagear os principais nomes da categoria - mas nenhuma mulher foi indicada. Essas competições, também conhecidas como e-sports, crescem em ritmo acelerado. A previsão de receitas para 2016, segundo a consultoria Deloitte, deve crescer em 25%, chegando a US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 1,6 bilhão).

O número de interessados deve chegar a 150 milhões de pessoas em todo o mundo. Diferentemente dos esportes tradicionais, não há vantagens físicas - ainda que os jogos mais populares sejam dominados pelos homens.

Uma pesquisa recente do instituto Pew mostra que homens e mulheres se dizem igualmente interessados por videogames, mas eles se dizem "jogadores" duas vezes mais que elas.

Quando o assunto é competir, o número de mulheres despenca.
Steph Harvey é uma das jogadoras mais bem-sucedidas do planeta. Ela diz que o número de mulheres nos e-sports gira em torno de 5% e que a principal razão seria o estereótipo ligado às jogadoras.
"Ainda é um 'clube do bolinha', então, como mulher, você é automaticamente julgada por ser diferente", ela diz. Abusos online são frequentes na comunidade de jogadores há anos. Especialmente em 2014 e 2015, o tema ganhou destaque no episódio conhecido como Gamegate, quando mulheres e também homens reclamaram publicamente desse tipo de assédio. Steph diz que sofreu ameaças online de estupro no passado. "A forma com que sofro esses abusos tem a ver com o que eles fariam com o meu corpo de verdade. Eles acham que eu não mereço estar ali porque supostamente eu uso minha sexualidade - é extremamente agressivo."


Ela diz que começou a perder motivação com o trabalho na comunidade de jogos online e afirma que muitas vezes pensa: "Por que eu faço isso se a minha comunidade me odeia?" Mas ela mesma responde: "Porque eu sou feminista. Porque acredito que as mulheres têm um lugar no jogo".

Julia Kiran é a líder do Team Secret, que em outubro se tornou o principal time feminino do mundo. Ela acha que isso reflete uma atitude comum: "Sempre se achou que times femininos não fazem parte da 'cena' profissional. Os jogadores homens nos tratam como se fossemos algo paralelo, que não conta." Uma das soluções encontradas tem sido a criação de times femininos e torneios voltados apenas para mulheres. Esse foi o caminho de Steph: "Eu sou prova de que isso ajuda de verdade, porque vi mulheres competindo e pensei: 'quero ganhar essa copa do mundo'. É muito mais intenso ser inspirado por alguém com quem você se identifica." Mas os torneios femininos também estão cheio de controvérsias. Muitas jogadoras, incluindo Julia, acreditam que eles reforçam divisões entre gêneros. "Seria ótimo ver algo em que homens e mulheres estão trabalhando juntos", diz. Ainda há um abismo enorme entre os rendimentos de homens e mulheres em torneios e patrocínio.


Os ganhos dos principais jogadores homens ultrapassam US$ 2,5 milhões, enquanto as principais jogadoras não alcançam US$ 200 mil. Os times femininos rendem menos, o que faz com que consigam menos patrocínios e uma cobertura inferior na imprensa.
Steph espera que grandes empresas passem a apoiar torneios femininos e jogadoras, "porque no fim das contas você precisa de dinheiro para competir". "Ultimamente, a sensação é que o objetivo é extinguir os torneios femininos, como se não houvesse razão para eles existirem."


Igualdade
A Twitch, uma página de jogos online da Amazon, está trabalhando para atacar abusos no site. Steph também criou sua própria solução: a organização Misscliks, plataforma que promove ícones femininos no mundo dos jogos. A falta de jogadoras entrando para o mundo profissional também está conectada, segundo Steph, à história do desenvolvimento dos jogos, que sempre foi dominada por homens. Mesmo que os e-sports não exijam habilidades físicas, "eles se focam em noções de espaço, reflexos e características que normalmente são mais fortes em homens", ela conta. Steph quer ver mais desenvolvedoras mulheres criando os jogos, o que poderá se refletir em mais mulheres inspirando outras a jogarem. "Assim veremos o universo dos jogadores populares se tornando mais diverso. Se eu puder inspirar uma pessoa, já terá valido a pena."

O que é o 100 Mulheres?
O BBC 100 Mulheres (100 Women) indica 100 mulheres influentes e inspiradoras por todo o mundo anualmente. Nós criamos documentários, reportagens especiais e entrevistas sobre suas vidas, abrindo mais espaço para histórias com mulheres como personagens centrais. Por isso, queremos que VOCÊ se envolva com seus comentários, opiniões e ideias. Você pode interagir e encontrar o conteúdo do 100 Mulheres em plataformas como Facebook, Instagram, Pinterest, Snapchat e YouTube, usando a hashtag #100women.

Fonte BBC

 

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Brasileiras e estrangeiras que se destacaram em diversas mobilizações são lembradas dia a dia

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) foi criado há mais de vinte anos com o intuito de colaborar para a formação dos trabalhadores. Para cumprir esse objetivo, todos os anos a entidade produz um livro-agenda especial, recheado de informações e notícias de lutas variadas que ocorreram no Brasil e no mundo.
Para 2017, o NPC preparou uma edição sobre Mulheres de luta. A cada página, são apresentadas lutadoras que sonharam com a construção de uma sociedade justa e solidária e batalharam por isso nos mais variados espaços: no campo, nas fábricas, nas manifestações de rua, na guerrilha, nos sindicatos, nas salas de aula, na ciência, na produção intelectual e muitas outras formas mobilização.

MEMÓRIA E INSPIRAÇÃO

O rico material foi todo revisto e atualizado até meados de 2016. Além de servir para a recuperação da memória de tantas lutadoras brasileiras e estrangeiras, a agenda deve servir de inspiração para os desafios que se apresentam no tempo presente. Flora Tristan, Frida Kahlo, Mercedes Sosa, Ana Montenegro, Clara Zetkin, Patrícia Galvão (Pagu), Laura Brandão, Dona Penha, Violeta Parra, Clarice Lispector, Letícia Sabatela, Dandara dos Palmares são alguns nomes recuperados. Também são lembradas as tantas mulheres que resistiram à ditadura brasileira, muitas chegando a participar diretamente da guerrilha do Araguaia.

Para a abertura dos meses, foram convidadas escritoras e militantes de diversas áreas para apresentar uma forma de luta específica. Dessa forma, assinam textos a defensora dos direitos humanos Amelinha Teles; a professora de história Virgínia Fontes; a militante do MST Marina dos Santos; as feministas da Marcha Mundial de Mulheres; entre outras. A revolucionária Rosa Luxemburgo, polonesa de nascimento e internacionalista convicta, estampa a capa do material. Os cem anos da Revolução Russa também são lembrados na publicação, pelo marco desse acontecimento na conquista e na defesa dos direitos das mulheres.

O Livro-Agenda do NPC de 2017 permite conhecer operárias, comunistas, escravizadas, camponesas, estudantes, feministas, anarquistas, professoras e tantas outras mulheres de luta. O material custa R$ 25,00. Está à venda na Livraria Antonio Gramsci: Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Cinelândia – perto da Câmara dos Vereadores. Mais informações e encomendas pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Serviço
Livro-agenda NPC 2017 – Mulheres de Luta
R$ 25,00 (cada)
À venda na Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Cinelândia
Informações: (21) 2220-4623 / O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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Reforma Trabalhista