A maior presença de mulheres no mercado de trabalho global seria capaz de injetar mais de US$ 5 trilhões na economia mundial, em oito anos. É o que revela o relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo - Tendências para Mulheres no Mercado de Trabalho em 2017, lançado nesta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No Brasil, por exemplo, se a participação de mulheres no mercado de trabalho aumentasse apenas 3,3%, poderia render um aumento de cerca de R$ 337 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB). Em todo o mundo, os postos de trabalho são ocupados predominantemente por homens. No Brasil, 78,2% da população masculina é economicamente ativa, enquanto entre elas esse número é de 56%.

A economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destaca que a participação das mulheres é ainda menor nas camadas mais pobres da população.

"Dois aspectos se sobressaem em relação a isso. O grau de vulnerabilidade dessas mulheres, a condição socioeconômica, e a faixa etária. Quanto mais pobres as mulheres, menor a taxa de participação no mercado de trabalho. Entre as mulheres extremamente pobres, a taxa de participação cai para 38%. Ou seja 72%, estão fora do mercado de trabalho", afirma a pesquisadora, em entrevista à repórter Michelle Gomes, para o Seu Jornal, da TVT.

Já a secretária de Comunicação da CUT-SP, Adriana Magalhães, cobra o reforço de políticas públicas, principalmente em educação, como forma de garantir a condições de igualdade entre homens e mulheres no mercado.

"É importante se discutir política pública que elimine o déficit que nós temos de vagas em creches. Esse é um elemento também que inibe e dificulta a mulher no mundo do trabalho. Se não tem vaga na creche, não têm trabalho pra fora", afirma Adriana.

Fonte: Rede Brasil Atual 

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A 58ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO 2017, em inglês) estreará uma premiação especial para mulheres, que passará a fazer parte do calendário permanente do evento. Com representantes de 110 países, a olimpíada acontecerá de 17 a 23 de julho, no Rio de Janeiro.

Sugerido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), o Troféu IMPA Meninas Olímpicas vai premiar as cinco estudantes que mais contribuírem com o resultado de suas equipes, com o objetivo de incentivar a presença feminina na competição.

O diretor do IMPA, Marcelo Viana, estima que cerca de 10% dos participantes da olimpíada sejam mulheres, patamar próximo da realizada em 2016, quando 71 dos 602 competidores eram do sexo feminino. Na delegação brasileira de 2017, por exemplo, não há nenhuma mulher, e a última competidora que representou o Brasil na olimpíada foi Maria Clara Mendes Silva, em 2011 e 2012.

Além dela, somente seis mulheres competiram pelo Brasil na IMO: Leda Braga, em 1983; Maria Célia Paiva de Freitas, em 1988; Fátima Luciana da Rocha, em 1992; Daniele Veras de Andrade, em 1998; Larissa Cavalcanti Queiroz de Lima, em 2002 e 2003; e Deborah Barbosa Alves, em 2010 e 2011.

Marcelo Viana disse que é preciso agir para reverter esse cenário de desequilíbrio. "Esse é um processo que certamente vai demorar um tempo para evoluir, mas a gente tem que agir, porque é um círculo vicioso. Se são poucos os exemplos para elas se inspirarem, as garotas acham que aquilo não é para elas", disse.

Para o pesquisador, há pressão cultural contrária à presença de mulheres na matemática, graças a uma ideia equivocada de que elas têm mais inclinação para as ciências humanas. "É uma besteira que se perpetua, então, a gente tem que atuar e acreditar que é um processo de médio e longo prazo".

O número de mulheres na competição ficou estabilizado entre 2011 e 2016, quando oscilou entre 57 e 51 participantes, com altas e baixas. A participação de 71 mulheres em 2016 foi o recorde da competição, que teve no ano passado o maior número de competidores da história. Com esses números, foram 11,8% de atletas mulheres disputando medalhas.

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Dados divulgados pelo coletivo Poligen, grupo de estudos de gênero da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), apresentam uma dura realidade. Em 121 anos de existência, apenas sete mulheres negras se formaram na faculdade de Engenharia da USP. Entre as 19 pioneiras da ciência brasileira homenageadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nenhuma era negra.

Quando o assunto é remuneração, elas também são as mais desfavorecidas. De acordo com dados de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2016, as mulheres negras ganham um salário 40% mais baixo que o de homens brancos. Os números divulgados são da pesquisa Mulheres e Trabalho: Breve Análise do Período 2004-2014, e mostram que, apesar de a situação ter melhorado, essa parte da população ainda é a que recebe menores salários.

Diante desse quadro, a Olabi, empresa focada em criatividade e tecnologia para a inclusão social, criou o PretaLab. A iniciativa, lançada oficialmente em março deste ano e idealizada por mulheres negras, tem como principal objetivo realizar um levantamento sobre a participação de negras e indígenas nos campos de inovação e tecnologia.

A pesquisa, que coletará histórias de diversas mulheres, criou um formulário em seu site. De acordo com as organizadoras, com tão poucos dados disponíveis sobre a participação de mulheres negras na tecnologia, fica difícil criar ou orientar políticas públicas de inclusão de gênero e racial. Além de engenheiras e profissionais da computação, são convidadas a participar do projeto profissionais de outros campos da informação, como cientistas de dados, youtubers e analistas de mídias sociais.

Em geral, a participação de mulheres em cargos relacionados à tecnologia está longe do ideal. Conforme levantamento feito pelo Ministério da Educação em 2013, apenas 15,53% dos ingressantes em cursos relacionados a computação e tecnologia são mulheres.

Globalmente, o problema é similar: estudo realizado pela revista Harvard Business Review indica que as mulheres compõem 41% dos empregos ligados a tecnologia e ciência nos Estados Unidos. No entanto, 52% delas abandonam a área — o ambiente machista é um dos principais fatores que as levam a desistir de seus empregos.

Fonte: Revista Galileu

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Lugar de engenheira também é no Consenge! Este é o mote da campanha, que tem o objetivo de estimular a participação de mulheres engenheiras nos encontros/congressos estaduais e no Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge). "A engenharia é um dos motores do desenvolvimento e tem sido alvo de ataques do atual governo federal, principalmente, com o desmonte de políticas públicas fundamentais como a política de conteúdo local, venda de ativos da Petrobras e Eletrobras, parque de indústria naval e a destruição das empresas nacionais. Esse cenário desastroso para a engenharia nacional é acompanhado por uma agenda de retrocessos sociais como a extinção do caráter de Ministério da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, as terceirizações, as reformas trabalhista e da previdência e a privatização de empresas públicas sob a justificativa de renegociação das dívidas dos estados e municípios. Diante de uma grave crise econômica e política, as mulheres são as mais atingidas e as primeiras a compor um quadro de vulnerabilidade social diante do desemprego e de relações de trabalho precárias. Nós, mulheres engenheiras, podemos contribuir muito com a formulação de políticas na engenharia que beneficiem todas as mulheres e o conjunto da sociedade", afirmou a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía.

Sobre o Consenge

O 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge) - com o tema central “Resistir! Em defesa da engenharia e da soberania nacional” - tem o objetivo de orientar a atuação da federação nos temas sociais de interesse nacional, promover o intercâmbio de ideias entre engenheiros(as) sobre a profissão, provocando, também, a reflexão sobre as transformações no mundo do trabalho e o atual processo político.

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A realidade das mulheres no mercado de trabalho e o histórico da luta por direitos estiveram no centro da conferência realizada em Campo Mourão, região noroeste do Paraná, nesta sexta-feira (24). Organizada pelo Senge e Coletivo de Mulheres e Senge Jovem, o evento reuniu mais de 70 pessoas no auditório do Sindicato de Servidores Municipais (Sindiscam).

Tayná Silva, integrante do Senge Jovem da regional de Londrina, abriu o encontro lançando o convite para que estudantes e engenheiras já formadas façam parte do Coletivo de Mulheres do sindical, para que assim seja possível avançar em questão ainda presentes no cotidiano, como assédio moral e sexual. “São situações que não devem ser deixados nos bastidores, e sim devem ser trazidas para o debate mais amplo e crítico”.

“Esperamos que esse seja um momento em que nós, mulheres, possamos refletir e se sentir estimuladas a ocupar o nosso espaço. Pois se a gente não ocupar, não vamos avançar”, propôs Losani Perotti, diretora adjunta da regional do Senge-PR em Campo Mourão.

A conferência teve palestra de Rosane Pereira Scapin, engenheira agrônoma e agente de fiscalização do CREA-PR, Simone Baía Pereira Gomes, engenheira química e Diretoria da Mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), e Miria Maria Peres, advogada e professora do curso de direito da Faculdade Integrado de Campo Mourão.

Mulheres mobilizadas

“Não há registro da presença e da participação das mulheres. A igualdade era defendida, mas não era praticada”, garante Simone Baía Pereira Gomes, engenheira química e Diretoria da Mulher da Fisenge, ao se referir à história do movimento sindical.

Esta invisibilidade, de acordo com a engenheira, é incompatível com a ativa participação feminina nos movimentos, na busca por melhores condições de trabalho, por melhores salários, pela redução da jornada, pela proibição do trabalho infantil, entre outras pautas. “Mas a história do movimento sindical é registrada pelas lideranças dos movimentos, que em geral eram homens. A história e a participação das mulheres foi esquecida, apagada”, lamenta.

A conquista do espaço pelas mulheres nas entidades de classe avançou na década de 1980, mas não sem tensionamentos. “Não foi natural, pois existem as relações de poder. Não existe a cessão de espaço para as mulheres, existe a luta pelo espaço”, afirmou a sindicalista, que é a primeira diretora da Mulher da Fisenge.

O caminho para a criação do Coletivo de Mulheres da Fisenge é exemplo dessa luta pela conquista de espaço. A primeira ação organizada das engenheiras foi em 2005, durante o 7º Consenge, na Bahia. “O que essas mulheres queriam? Um coisa muito simples: um espaço para a discussão da questão da mulher”. Não conseguiram. A conquista veio três anos depois, no Congresso seguinte, quando as engenheiras exigiram a criação da Diretoria da Mulher.

De lá para cá, o Coletivo de Mulheres tomou forma e ganhou força. Somado à defesa dos direitos, Simone frisa a perspectiva humanista do feminismo, que também atua pela superação das demais desigualdades e injustiças intrínsecas da sociedade capitalista e machista. “A gente não trata só das questões de gênero, de maneira segregada. A gente tem que pensar na melhoria da sociedade e do mundo em que vivemos”.

Desigualdade

Para exemplificar a disparidade entre o acesso aos cursos de engenharia por homens e mulheres, Rosane Pereira Scapin, engenheira agrônoma e agente de fiscalização do CREA-PR, resgatou dados de 1950. Naquele ano, o CREA-PR tinha o registro de 512 engenheiros e de apenas 4 mulheres. Já em 2010, o número passou de 24.130 homens e 546 mulheres.

A diferença salarial entre os gênero no mundo da engenharia repete o que ocorre em outras categorias. De acordo com dados do CREA de 2011 a 2016, as engenheiras recebem em média 10% a menos do que os engenheiros.

Neste quesito, há diferenças entre as subcategorias: na engenharia civil, por exemplo, as mulheres recebem 7,5% a menos; na elétrica e na química a diferença fica em 10%; na mecânica chega a 12%; a geologia é a área com menos desigualdade: 3,7%; já na agronomia, a diferença salarial entre homens e mulheres é em média de 19%.

“A gente quer é uma sociedade igualitária, em que a gente ganhe os mesmos salários, que tenhamos as mesmas condições”, defende a engenheira.

“O mesmo cálculo que eu estudei é o que o homem estudou, a mesma física, química, os processos, os fenômenos. Porque eu que tenho diferença salarial se eu aprendi a mesma coisa?”, questiona Simone Baía.

Diante das estatísticas que comprovam a diferença salarial e a menor inserção das mulheres nos cargos de poder, Miria Maria Peres, advogada e professora universitária, reafirmou o predomínio de uma cultura de discriminação com a mulheres: “Nós temos mais anos de estudos que os homens, e assim mesmo recebemos menos. Em 500 empresas grandes no brasil, somente 14% são comandadas por mulheres”.

Como décadas de atuação na advocacia trabalhista, ela relata casos em que as trabalhadoras perderam o emprego ou foram pressionadas por conta da maternidade: “Muitas demissões logo depois que a mulher volta da licença maternidade. Tem empresas que, por debaixo do pano, pergunta para as mulheres se elas têm laqueadura”. Para a advogada, o avanço da terceirização irrestrita afetará de maneira ainda mais cruel as mulheres, que já ocupam trabalhos mais precarizados e com menor remuneração.

>> Para ver o álbum de fotos do evento, acesse: http://migre.me/wksJY

>> Acesse aqui os vídeos com a íntegra das palestras:

PARTE 1 AQUI

PARTE 2 AQUI

Fonte: Senge-PR

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No mês dedicado à luta das mulheres, o Sindicato dos Engenheiros da Bahia promove a palestra “A mulher e o mercado de trabalho frente às reformas trabalhista e da previdência” com a Supervisora técnica regional do DIEESE ( Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), no dia 20 de março, às 19h, na sede do Senge-BA.

As reformas em pauta no Congresso brasileiro atinge a toda classe trabalhadora, mas os setores historicamente discriminados no sistema social – mulheres, negros, população lgbt, do campo, que já são a maioria da população pobre – tendem a ser muito mais afetados nessa conjuntura política e social.

O DIEESE , junto a outras entidades como a Anfip, tem se manifestado publicamente contrário às reformas, dando grande contribuição à luta para barrar a reforma da previdência. Recentemente, as duas entidades lançaram o estudo Previdência: Reformar para Excluir?, organizado por um grupo de quase 50 especialistas sobre a proposta da reforma da previdência e as falácias propagadas pelos defensores da proposta. O estudo contesta, por exemplo, a ideia utilizada pelo Planalto de que a Previdência seria deficitária.

Fonte: Senge Bahia

 

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Durante o encontro, também foi realizada uma homenagem para a engenheira e funcionária do SENGE-RJ Elsa Parreira, que lutou contra a Ditadura Militar.

 

Na noite desta quinta-feira (09), foi realizada no SENGE-RJ uma emocionante homenagem às mulheres que lutaram contra a Ditadura Militar e pela Anistia. Entre elas, estava Elsa Parreira, engenheira e funcionária do Sindicato, que faleceu no dia 21 de janeiro de 2017.

A diretora do SENGE-RJ Virgínia Bradão contou como teve a ideia de realizar esse evento.

"É a nossa maneira de celebrar o Dia Internacional da Mulher e também relembrar a luta histórica das mulheres, entre elas a Elsa. Foi uma maneira de unir as duas coisas", disse Virgínia.

O evento contou com a presença de Ana Müller, advogada de familiares de mortos e desaparecidos e fundadora do Comitê Brasileiro pela Anistia no Rio de Janeiro. Ana contou que Elsa tinha uma "forte capacidade de agregar".

"A Elsa sempre foi uma pessoa absolutamente comprometida com as lutas políticas e as demandas sociais com liberdade com as questões sociais. Não se limitou apenas as nossas reuniões ou atos. Foi além. A igreja no rio era muito atrasada. Buscamos um padre ou bispo que fosse mais aberto para podermos fazer nossas reuniões e um bispo de Nova Iguaçu abriu as portas e a Elsa proferiu palestras nesse centro de direitos humanos em Nova Iguaçu."

O presidente do SENGE-RJ, Olímpio Alves dos Santos, destacou ainda que são as lembranças boas que permanecem.

"Nós não a perdemos temos ela cada dia mais perto em nossas vida, em nossa memória", afirmou.

Para o deputado estadual Eliomar Coelho, que é engenheiro, Elsa fez parte permanente do grupo de engenheiros que lutou pela democracia e tinha uma forte relação com a história do Sindicato dos Engenheiros. Ele afirmou ainda que "Elsa era uma pessoa gueireira, combativa e firme nas suas posições, mas também doce e alegre."

Mulheres corajosas

Ao contar a história de luta pela Anistia, a advogada destacou ainda a coragem dessas mulheres. Segunda ela, muitas já eram senhoras, mães de jovens presos políticos.
"Fizemos um ato no Itamaraty porque não davam passaporte para crianças que nasceram no exílio. Fomos seis pessoas com uma faixa e isso deu repercussão. Não tinha nenhum homem lá e era do lado do ministério do exército", contou Ana. "Todas as mulheres que lutaram, que foram para as prisões, devemos levantar as taças e agradecer a todas elas", afirmou a advogada, emocionada.

A diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, ressaltou que é um grande prazer ver o auditório tomado de mulheres e homens para celebrar a história de resistência das mulheres e falar de uma mulher que foi um exemplo com sua luta.
" A luta das mulheres não é só das mulheres. É de toda a sociedade porque visa um mundo melhor", afirmou Simone.

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Segundo a Constituição, a prestação dos serviços deve seguir o ideal de justiça social e visar a redução da desigualdade

Está em curso no Congresso Nacional uma série de medidas que modificam os direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores brasileiros. Sob os argumentos da solidez financeira do Estado, do equilíbrio fiscal, da “modernização” da legislação trabalhista e previdenciária, entre outras justificativas, o governo de Michel Temer tem avançado sobre as principais conquistas sociais dos trabalhadores, com medidas como o congelamento de gastos por 20 anos, o caminhar avançado da aprovação da terceirização irrestrita, a prevalência do negociado sobre o legislado e outras tantas pautas que tencionam a relação capital-trabalho, cada vez mais em função do primeiro.

O tema da vez é a Reforma da Previdência, apresentada por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287. Nesse texto, procuraremos apresentar alguns elementos que devem contribuir com o debate, em especial desconstruir os argumentos que sustentam não haver necessidade de diferenciação entre homens e mulheres, presentes na PEC, e apresentar o impacto da reforma sobre algumas categorias específicas, mostrando como a Reforma da Previdência tem impacto diferenciado para homens e mulheres.

A diferença de tratamento para a concessão da aposentadoria entre homens e mulheres se baseia nos princípios de seletividade e distributividade previstos no artigo 194, inciso III da Constituição Federal de 1988. Isso significa que a prestação dos serviços deve ser feita de acordo com as possibilidades econômico-financeiras dos segurados, seguindo o ideal de justiça social e visando à redução da desigualdade social.

As diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, embora tenham se modificado ao longo dos anos, estão longe de chegarem ao nível de igualdade, conforme argumento apresentado na redação da PEC 287, já que as mudanças ocorreram de maneira parcial e seletiva.

Há entendimentos de que os problemas do mercado de trabalho devem ser resolvidos por meio de políticas laborais, e não previdenciárias, supondo que a Previdência não teria uma vinculação direta com a discriminação de gênero. Equívoco. As análises de mercado de trabalho não devem se separar da esfera da família (reprodução), do Estado e do mercado uma vez que estão intimamente entrelaçados e são dependentes.

O caráter contributivo da Previdência impõe uma fonte de renda e, portanto, a dependência do trabalho remunerado. Por tudo isso, a Previdência Social não pode negligenciar o fato de que as mulheres trabalham mais que os homens, embora parte desse tempo não seja remunerado. Segundo dados da PNAD 2014, as mulheres trabalham em média 20 horas semanais nas atividades reprodutivas, além da jornada extra doméstica. A diferenciação na idade de aposentadoria, que hoje é 55 anos para elas e 60 anos para eles, busca amortecer essa desigualdade de gênero que ocorre no trabalho dentro e fora de casa.

As diferenças de gênero no mercado de trabalho brasileiro são estruturais, o que se verifica, entre outros indicadores, pela diferença na taxa de participação no mercado de trabalho. Em conformidade com o argumento apresentado pela PEC 287, a taxa de participação feminina apresentou crescimento nos últimos 55 anos, passando de 16,5% nos anos 1960 para 54,4% em 2015. No entanto, ela desacelerou a partir da década de 1990, sendo acompanhada por altos níveis de desemprego, informalidade e volatilidade, que se aprofundam conforme a região e grupos raciais.

A exemplo disso, na década de 1990, marcada pela abertura econômica, privatizações e reestruturação produtiva, a taxa de desemprego masculina passou de 2,2% para 6,5%, já os índices femininos aumentaram de 2,9% para 8%, e esse é um comportamento regular na economia, demonstrando que o trabalho não capitalista (ou seja, o da esfera doméstica) está armazenado como uma reserva necessária ao sistema capitalista em seus momentos de expansão. A existência dessa reserva parece estratégica para que a exploração do trabalho consiga manter a sua lógica de funcionamento.

Além disso, a maior presença feminina no mercado de trabalho não foi acompanhada por melhores níveis de rendimento, o que determina o caráter subordinado do emprego feminino ao masculino e a baixa autonomia econômica das mulheres.

No mercado de trabalho formal brasileiro, as mulheres recebem em média 18,9% a menos que os homens, com mesma carga horária de trabalho, mesmo sendo, em média, mais escolarizadas. Se incluído o mercado informal, as diferenças se agravam, sendo de 30% a menos e, dependendo da região brasileira, essa diferença chega a 41%, caso do Sul do Brasil.

Registra-se que o retorno do investimento em educação é diferenciado para elas, uma vez que uma mulher com ensino superior ganha 55,8% (RAIS, 2015) a menos que o homem com a mesma escolaridade. Tais diferenças são influenciadas por outros fatores, como a segmentação e a segregação do mercado de trabalho.

Além da proposta de equiparar as idades de aposentadoria entre homens e mulheres e trabalhadores rurais e urbanos, ignorando realidades deveras distintas, a PEC 287 incorre ainda em outras mudanças que atingem as mulheres sobremaneira. A primeira delas é a mudança no cálculo para recebimento do valor pecuniário. Atualmente, os trabalhadores, para se aposentarem, precisam de 150 contribuições e esse número passará para 300 contribuições, o que equivale a 25 anos de contribuição. O cálculo do benefício (que hoje é 80% dos maiores salários) se modificará para o equivalente a 51% do salário de contribuição, acrescidos de 1% a cada ano de contribuição.

Esses dois elementos em uma economia de baixos salários com um mercado de trabalho com significativa heterogeneidade estrutural não são triviais. As mulheres atualmente já se aposentam em grande parte por idade, pelas características do trabalho feminino, marcado por informalidade, descontinuidade (maternidade, cuidados de idosos) e maior exposição ao desemprego. Essas mudanças servem para rebaixar o valor das contribuições, uma vez que para se aposentar com a integralidade do benefício o trabalhador teria que começar aos 16 anos e não ter descontinuidades no mercado formal. Apenas 49% dos trabalhadores conseguiram fazer as 12 contribuições mensais ao longo de 2014.

Outras três categorias serão mais fortemente afetadas, e não por coincidência têm grande expressividade feminina. A primeira delas são as trabalhadoras rurais, que começam a labuta desde muito jovens e, não raras vezes, não são reconhecidas como trabalhadoras, por lidarem especialmente com o trabalho reprodutivo e com a horta e animais pequenos.

Essas trabalhadoras terão, se aprovada a PEC, que contribuir como os demais trabalhadores, extinguido a aposentadoria especial do campo. A segunda categoria são os professores da educação básica, que hoje se aposentam com 10 anos a menos de contribuição por entendimento que esse trabalho é extremamente desgastante física e psicologicamente. Esse regime acabará, afetando a categoria que é cerca de 80% feminina. Além disso, note-se a perversidade que impõe a própria regra de transição: para uma professora da educação básica que completaria 25 anos de contribuição em atividades de magistério aos 50 anos, a idade mínima também passa para 65 anos; e, se ela tiver 44 anos na eventual promulgação da emenda (portanto excluída da regra de transição), em vez de trabalhar e contribuir por mais 6 anos, terá que fazê-lo por mais 21 anos.

Por fim, as trabalhadoras domésticas, ocupação que absorve 6 milhões de mulheres e 15% da mão de obra feminina, a qual historicamente padece sob a informalidade, portanto com dificuldades de contribuição previdenciária, e baixos salários. Além disso, a categoria tem em torno de 65% de mulheres negras, que são as que ocupam as vagas mais precárias no mercado de trabalho.

Essa é a face sexuada da Reforma da Previdência, que atinge negativamente o conjunto dos trabalhadores brasileiros, mas que atinge de forma diferenciada e com mais afinco as mulheres, especialmente as negras. Pelos motivos expostos, as mulheres mais uma vez têm se mostrado ponta de lança na resistência às reformas, mostrando sua disposição coletiva de avançar ainda mais rumo à igualdade, e não retroceder, como certamente ocorrerá com a aprovação da PEC.

Temer sai, Previdência fica!

Fonte: Brasil de Fato

 

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Para a vereadora, as mulheres precisam lembrar a todo tempo que estão em condição subalternizada, não só simbolicamente.

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (Psol) teve uma das eleições mais comemoradas dos últimos tempos na cidade. Mulher, negra, nascida, criada no Complexo da Maré, defensora dos direitos humanos e socióloga, ela foi a quinta candidata à Câmara dos Vereadores mais votada em 2016, acumulando 46 mil eleitores. Após a posse, em janeiro deste ano, Marielle já apresenta projetos que visam fortalecer os direitos das mulheres. Um deles é o projeto de lei “Pra fazer valer o Aborto Legal”, que tem por objetivo qualificar profissionais para informar e garantir atendimento de mulheres que tem direito de abortar, em casos de anencefalia, risco de morte e estupro. Na Semana Internacional da Mulher, Marielle conversou com o Brasil de Fato sobre a necessidade de debater feminismo e algumas propostas de seu mandato.

Brasil de Fato: Por que ainda é importante discutir o feminismo hoje?

Marielle: Para garantir que as mulheres não estejam em posições secundárias. Para evitar o status que muitos querem nos colocar de invisibilidade. Para que nós possamos ocupar espaços em que sejamos protagonistas. No dia 08 de março, é importante ir para as ruas, tornar público nosso discurso, porque à medida em que têm mulheres fazendo a fala, o debate sobre feminismo, gênero, racismo está em jogo e faz a diferença.

Recentemente você relatou em sua página do Facebook o caso de racismo que sofreu no aeroporto com uma revista abusiva. Como é ser mulher negra no Brasil?

Ser mulher negra é resistir e sobreviver o tempo todo. As pessoas olham para os nossos corpos nos diminuindo, investigam se debaixo do turbante tem droga ou piolho, negam a nossa existência. Isso que passei no aeroporto foi uma vivência que muitas mulheres negras já passaram. Poderíamos fazer uma pesquisa objetiva perguntando quantos mulheres e homens brancos já tiveram os seus cabelos revistados, a resposta seria nenhum. Estamos expostos e somos violentados todos os dias. Para que a discussão se amplie é fundamental compreender que estamos em um lugar de tratamento diferente. É preciso reconhecer o racismo.

As mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana, segundo pesquisa divulgada essa semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda assim a reforma da Previdência propõe que trabalhem a mesma quantidade de anos para aposentar. Como avalia essa proposta?

Como querem tratar as mulheres de maneira igual para aposentar se já somos tratadas de maneira desigual todos os dias? Nós, mulheres, estamos na base da pirâmide, com os menores salários, trabalhando em jornadas duplas e ainda querem tratar a gente de maneira igual para a aposentadoria. É um discurso de igualdade só quando serve aos interesses deles. Temos que lembrar que estamos em condição subalternizada, não só pelo simbólico. Os dados objetivos das pesquisas estão mostrando isso. Infelizmente as mulheres ainda estão em situação vulnerável.

Na Semana Internacional da Mulher, em que você teve várias atividades de conversa sobre feminismo nas ruas do Rio de Janeiro, como tem sido a receptividade dessas conversas?

Fizemos panfletagens, aula públicas e conversas. Na maioria das vezes tivemos adesão boa, mas sempre tem nível de resistência, infelizmente. Acho que, de modo geral, as pessoas estão muito receosas sobre a política mais ampliada. Então há uma negação aos panfletos pelo partido e posições políticas. Mas, sobre a pauta do feminismo, quando falamos da retirada de direitos sobre a vida das mulheres, há uma identificação. Se pararmos para pensar, quem mais sofre com a reforma da Previdência, por exemplo? São as mulheres mais pobres, que mais estão fazendo trabalhos terceirizados e braçais. Então, quando conversamos sobre isso, são temas que as mulheres param e prestam atenção. Conseguimos dialogar.

Como funciona na prática o projeto de lei proposto por você na Câmara Municipal “Pra fazer valer o Aborto Legal”?

É um programa que traz um tema polêmico, mas não estamos defendendo no âmbito municipal a legalização do aborto, apesar de essa ser uma pauta do Psol nacionalmente. O que estamos propondo aqui é a garantia do serviço públicos de atendimento à mulher. No caso de ser vítima de estupro, correr risco de vida, estar grávida de feto anencéfalo, a mulher tem direito ao aborto por isso deve receber assistência adequada. Queremos fazer com que os profissionais recebam qualificação para que não criminalizem mais as mulheres, independente da opinião individual que tenham. Precisamos romper com essa lógica. O Estado tem que garantir que a mulher receba atendimento adequado, se não ela terá que sentir um duplo sofrimento ao abortar. Já temos mais de 8.300 mil assinaturas apoiando o projeto.

Que outros projetos seu mandato tem voltados para as mulheres?

O espaço coruja, que é creche estendida ao horário noturno. Não é um projeto só para as mulheres é para as famílias, mas sabemos que a responsabilidade com os filhos ainda recai quase exclusivamente sobre a mulher no Brasil. Avançamos também no debate sobre a visibilidade das mulheres trans, ao exigirmos o reconhecimento da identidade social de uma de nossas assessoras parlamentares na Assembleia Legislativa. Estamos fazendo um estudo para identificar as demandas e poder fazer mais pelas mulheres. O mandato está apenas começando.

 

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Digite no Google as palavras “engenheira mulher”. Há as seguintes sugestões de pesquisa: "motivos para namorar uma engenheira"; "engenheira civil feminina", "engenheiras famosas", "engenheira civil como se vestir", "como uma engenheira deve se vestir". Agora, se digitarmos apenas a palavra "engenheiro", iremos verificar as seguintes menções "tipos de engenheiro"; "profissão engenheiro", "engenheiro salário", "engenheiro o que faz". E qual a diferença entre uma pesquisa na internet e a realidade? Nenhuma. Uma mulher engenheira é questionada pela sua aparência e pelo seu gênero, e não por sua competência e capacidade técnica. Pensamento este fruto da sociedade machista que questiona, invisibiliza, objetifica e inferioriza a mulher e o seu trabalho.

Por Simone Baía

A engenharia é uma área predominantemente formada por homens. De acordo com dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), os homens registrados representam pouco mais de 86% e as mulheres cerca de 14% apenas. Na seleção de uma vaga de emprego, é comum que mulheres sejam rejeitadas pelo mercado de trabalho, pois têm a sua competência questionada a todo o momento e, geralmente, a cultura organizacional das empresas é masculina. Uma mulher engenheira chefe, presidente ou coordenadora garante representatividade e também possibilita que outras mulheres avancem. A engenharia pode, concretamente, melhorar a vida das mulheres trabalhadoras, com obras de saneamento, tratamento de água, construção de creches, escolas, produção de alimentos seguros, entre outros.

Nós, engenheiras, queremos ser percebidas por nossa capacidade técnica e competência, e não por nossos corpos. E os homens nessa luta precisam ser nossos aliados. Afinal, quando uma mulher avança nenhum homem retrocede. Em uma reunião de trabalho ou política, quantas mulheres são ouvidas? Vocês percebem quantas mulheres existem no espaço? Quantas mulheres têm seu local de fala respeitado?

Esse quadro de machismo é também refletido na conjuntura nacional com o golpe sofrido pela primeira presidenta mulher do Brasil, Dilma Rousseff. Passado o golpe, uma das primeiras medidas foi a ocupação dos espaços de poder majoritariamente por homens e o fim do status de Ministério da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, vinculando ao Ministério da Justiça e da Cidadania. Para agravar ainda mais o cenário, o presidente ilegítimo, Michel Temer anunciou como prioridade as reformas trabalhista e da previdência, que atingem diretamente as mulheres. Um dos pontos iguala a idade de aposentadoria entre homens e mulheres para 65 anos, ignorando a dupla jornada de trabalho da mulher, que pode chegar a 20 e 25 horas semanais a mais com as responsabilidades familiares e domésticas.

Por todos esses motivos, escolhemos o tema “Faça acontecer por todas nós: nem uma mulher a menos!”, para marcar o 8 de março deste ano, dialogando com o movimento internacional de mulheres. A proposta é dar visibilidade ao conceito de sororidade e fortalecer a luta pelo fim da violência contra a mulher. Afinal, o que significa sororidade? Sororidade é o apoio e o exercício de empatia entre mulheres. Não estamos sós e juntas somos mais fortes.

Culturalmente, somos estimuladas a tensionar uma rivalidade entre nós e até mesmo a reproduzir uma política de disputa. Não somos inimigas. Podemos nos apoiar reconhecendo a competência profissional de outras, acolhendo mulheres em situação de violência, indicando mulheres para vagas de emprego, construindo uma rede de apoio para mães, apoiando mulheres na ocupação dos cargos de direção política. Faça acontecer por todas nós significa interseccionar nossas lutas pelo feminismo negro, trans e indígena, e também rejeitar uma lógica simplista de meritocracia. A feminista norte-americana Angela Davis afirmou: "O tipo de feminismo que eu abraço não é um feminismo dividido. É um feminismo que busca a integração".

Precisamos de uma nova forma de fazer política, com espaço de escuta e disputa de ideias. Ouvir e acolher são exercícios necessários, em vez de somente política de reprodução da violência. Desta forma, conseguiremos avançar, reunir mulheres, formar novos quadros e politizar questões de gênero nos espaços. E você? Já perguntou a opinião de uma mulher hoje?

Simone Baía é engenheira química e diretora da mulher da Fisenge

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