Em uma atitude desrespeitosa e de falta de decoro, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior chamou os trabalhadores da empresa de "vagabundos" e "safados", em uma reunião com sindicalistas. O presidente fez estas declarações durante a apresentação de um plano de demissão voluntária e de cortes de 40% das chefias das empresas. "São 40% da Eletrobras. 40% de cara que é inútil, não serve para nada", afirmou Wilson. Indicado pelo governo ilegítimo de Michel Temer, o presidente da Eletrobras tenta implantar um programa de "desinvestimento", que tem o objetivo de privatizar a empresa que é patrimônio público de toda a sociedade brasileira.

A gestão de uma empresa pública deveria priorizar e resguardar o princípio de que os trabalhadores e as trabalhadoras são patrimônio da Eletrobras. Valorizar e defender os direitos dos trabalhadores da Eletrobras significa a garantia do fornecimento de energia e geração de serviços públicos com qualidade para a população. Ao desqualificar os trabalhadores da empresa, o presidente Wilson Ferreira desqualifica o conjunto da sociedade e ainda reforça práticas de assédio moral.

Os planos na Eletrobras são de redução do quadro de funcionários e outros cortes de custos, além da venda de imóveis administrativos e de distribuidoras de energia do grupo. Repudiamos as declarações de Wilson Ferreira Junior e também repudiamos a política entreguista e de retirada de direitos dos trabalhadores impregnada na Eletrobras. A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) orienta a sua base a manter a mobilização nas paralisações agendadas para os próximos dias. Nenhum direito a menos.


Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)
Rio de Janeiro, 26 de junho de 2017

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Os trabalhadores da Eletrobras vão parar suas atividades por 24 horas no dia 22 de junho. A decisão foi tomada frente a postura da direção da Holding que repetidamente vem cancelando reuniões, como a que seria realizada no dia 20 de junho. Os sindicatos têm esbarrado na falta de disposção da empresa para o diálogo sobre temas de interesse dos trabalhadores, como: PLR, data do pagamento do ticket extra, aperfeiçoamento do PAE, suspensão do CSC, dentre outros.

A Eletrobras foi informada no dia 19 de junho, por meio de um oficio da FNU, sobre os motivos da paralisação. Agora, cabe a cada trabalhador e a cada trabalhadora participar dessa luta, pois caso não haja uma resposta da Holding sobre a retomada das negociações, o indicativo é pela realização de uma paralisação ampliada por 72 horas nos dias 28,29 e 30 de junho. Portanto, é fundamental também que os companheiros e as companheiras participem das atividades, pois será tirado no dia 22 de junho um calendário de mobilização, caso não haja avanço nas negociações.

Lembre-se: Só conquista quem luta!

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A direção da Eletrobras se reuniu com as lideranças sindicais do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) nesta terça-feira 16, em Brasília, para tratar da PLR e do Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE). Também discutiram questões referentes à periculosidade, horas in itinere, banco de horas e sobreaviso, pacote esse que a empresa se refere como “cortes” e “ajustes”.

Em relação à PLR, desta vez a empresa apresentou os números financeiros, uma vez que os resultados operacionais foram apresentados na reunião do dia 4 passado.

A Eletrobras informou, de forma contraditória, que “poucas empresas distribuíram dividendos este ano”. Mas, estranhamente, a grande maioria das empresas apresentou lucro, ao contrário do que aconteceu no ano passado.

Na reunião, o CNE solicitou a antecipação do pagamento da PLR, que diz respeito à parcela operacional, e aguarda uma posição da empresa até o final de maio. Os detalhes sobre a PLR e adesão ao PAE serão discutidos com a categoria em assembleias de base, que vão ocorrer de 18 a 25 deste mês. Fique atento (a) a convocação da sua entidade sindical.

Sobre o pacote de maldades da empresa, que atinge a periculosidade, horas in itinere, banco de horas e sobreaviso, as lideranças sindicais questionaram a postura arbitrária de algumas empresas, que isoladamente, decidiram suspender os benefícios de forma autoritária. O CNE lembrou que nenhuma medida que altere “normas internas incorporadas aos contratos individuais de trabalho dos empregados” pode ser feita sem discussão com a categoria, como prevê a cláusula 8ª do ACT.

O CNE aproveitou também para cobrar a imediata implementação da Comissão Paritária para discutir essas e outras questões, como prevê a cláusula 6ª do ACT. O diretor Jurídico, Alexandre Aniz, que vem dizendo que cumprirá o ACT, disse que dará um posicionamento até o dia 20 de junho.

No que se refere ao Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE), que ainda está em processo de negociação, o CNE foi surpreendido com o anúncio do presidente da Eletrobras, Wilson Pinto, que por meio de vídeo conferência, disse ao mercado que o PAE será lançado até o dia 22 de maio. Isso foi divulgado pela imprensa no dia 15, um dia antes da reunião com o CNE.

O CNE estranha esse fato e espera que o processo respeite a dignidade das trabalhadoras e trabalhadores.

Durante o encontro com os dirigentes sindicais, o diretor Jurídico se ausentou da reunião para ir à Sest, e disse que estava indo buscar melhorias no Plano.

 

CALENDÁRIO CNE

18/05 – Resposta da Eletrobras sobre o PAE;

18 a 25/05 – Assembleias;

26/05 – Reunião com Wilson Pinto sobre privatização das distribuidoras, às 10h; reunião sobre o PAE e CSC com Wilson Pinto e Alexandre Aniz, às 14h; e

20/06 – Reunião em Brasília com a Eletrobras sobre periculosidade, in itinere, banco de horas e sobreaviso.

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Cerca de 150 trabalhadores da Eletrobras fizeram um ato, no dia 2/2, para protestar contra a decisão da empresa de suspender o pagamento da primeira parcela do 13º salário no início do ano, como normalmente faz.

O que causou indignação aos trabalhadores foi a atitude desrespeitosa da diretoria da Eletrobras que, após enviar na manhã do dia 01/02 um comunicado interno para os empregados informando que o pagamento seria realizado no dia 03/02, no início da noite do mesmo dia enviou um novo comunicado informando que o pagamento estava suspenso.

Em assembleia realizada durante o ato, os trabalhadores deliberaram e decidiram, por maioria, subir até o andar onde se encontram as salas da presidência e das diretorias da empresa para tentar obter uma justificativa plausível sobre esta atitude da empresa.

Diante da pressão dos trabalhadores, o presidente, o diretor jurídico e de gestão corporativa, o diretor financeiro e o relações sindicais da empresa receberam uma comissão dos trabalhadores formada pelos diretores do SENGE-RJ, Roberto Góes e Eduardo Duarte, pelo diretor do SINAERJ, Dejalmar Pinho, pelo diretor do SINTERGIA, Emanuel Mendes e pelos diretores da AEEL, Eduardo Luiz, José Leduc e Vagner Silva.

Após argumentações de lado a lado, segundo os diretores do SENGE-RJ Eduardo Duarte e Roberto Góes, que são engenheiros da Eletrobras, o presidente pediu desculpas pelo erro da direção da empresa, e solicitou o prazo de uma semana para apresentar uma proposta para resolver a situação.

 

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Com a implantação da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR - nas empresas, abriram-se novas possibilidades de discussão de temas além da questão remuneratória pelo movimento sindical.

*Por Adelson Neves

A PLR possibilita às empresas discutirem questões colocadas pela atual dinâmica da economia, demandando maior qualificação profissional, gestão participativa e maior comprometimento do trabalhador com os objetivos empresariais. Já com relação à classe trabalhadora, é mais uma forma de usufruir de uma maior parte dos ganhos produzidos pela empresa e que não são transferidos aos salários.

Não se pode afirmar que a participação nos lucros é uma forma de resolver a questão social do trabalhador, mas não deixa de ser um procedimento moderno de integração do empregado à empresa, onde a colaboração desta classe participa dos resultados obtidos pelo empregador.

A Participação nos Lucros ou Resultados é um tipo de Remuneração Variável que institui parceria entre capital e trabalho estabelecendo condições para o desenvolvimento harmonioso nas relações trabalhistas e permitindo negociações objetivas, onde ambas as partes se comprometem em alcançar objetivos coletivos e empresariais.

No setor elétrico, a PLR tem grande importância na pauta das negociações coletivas de trabalho, onde os sindicatos têm mobilizado as categorias profissionais visando ampliar a participação dos trabalhadores nos resultados financeiros das empresas.
As empresas estatais do Sistema Eletrobrás já adotam a Remuneração Variável na modalidade PLR – Participação nos Lucros ou Resultados. Essa sistemática adotada visa basicamente o critério de Lucro com Metas e Indicadores que variam de empresa para empresa que compõem a holding.

O novo modelo proposto da PLR introduz o Contrato de Metas de Desempenho Empresarial – CMDE, que padroniza as metas e indicadores entre as empresas, buscando assim, o equilíbrio na apuração final dos resultados.

Em consonância com a determinação de sentença conciliatória do Tribunal Superior do Trabalho, TST, e com a proposta apresentada pela Eletrobrás para as PLRs de 2015 e 2016, serão distribuídas duas folhas salariais com base em RESULTADOS – Metas Operacionais (1 folha) e no LUCRO – Lucratividade (1 folha), esta última dividida em Meta EBITDA¹ ou LAJIDA² de cada empresa (1/2 folha) e no lucro da holding (1/2 folha). Este modelo, ainda que necessite de aperfeiçoamento, está em conformidade com as expectativas da classe trabalhadora, porque não se condiciona apenas ao lucro das empresas.

¹ EBTIDA: Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization
² LAJIDA: Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização

 

*Adelson Neves é engenheiro eletricista e membro do Conselho Fiscal do Senge-PE

 

 

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O Coletivo Nacional do Eletricitários (CNE) se reuniu no dia 25 de outubro com o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, para discutir os planos de reestruturação das empresas da holding e cobrar compromissos na relação com os trabalhadores do setor elétrico federal. Gunter Angelkorte, diretor da Fisenge, esteve presente no encontro realizado na sede da Eletrobras, no Rio de Janeiro.

Segundo Gunter, Ferreira Jr. informou que prosseguirá com os planos de privatizar as distribuidoras de energia hoje controladas pela Eletrobras (o processo já está em curso desde o governo Dilma, com a venda da Celg-D, de Goiás, adiada e prevista para ainda este ano), mas também quer vender as participações nas empresas com ações minoritárias. O executivo havia assumido a presidência da Eletrobras em julho com discurso de que não venderia ativos além das distribuidoras de energia (leia aqui). "As chamadas Sociedades de Propósito Específico (SPE) são todas empresas com esta configuração, inclusive por determinação legal, e são criadas em parceria com o setor privado com objetivo único, como a realização de uma obra. Logo, o objetivo da atual gestão é se desfazer de todas as SPEs", critica Gunter. Segundo a Folha de S. Paulo, atualmente a Eletrobras participa de 174 SPEs, e Ferreira Jr. pretende arrecadar R$20 bilhões com a venda desses ativos (leia aqui).

Há um mês, o presidente afirmou à imprensa que a Eletrobras era ineficiente em todas as atividades que operava (leia aqui). Os trabalhadores cobraram do presidente explicações sobre esta declaração, uma vez que, indiretamente, ela atinge todos os empregados do setor elétrico federal. "Ferreira Jr. tentou se justificar dizendo que não se referia aos trabalhadores e que foi mal interpretado, talvez ignorando que a empresa não é uma pessoa, um organismo autônomo. Essa declaração ofende diretamente os trabalhadores que lutam para que a Eletrobras cumpra seu papel social", diz Gunter.

A avaliação coletiva é de que, apesar de sinalizar que irá continuar com as privatizações, Ferreira Jr. não esclareceu de que forma isso será feito nem como os trabalhadores serão tratados nesta reestruturação. "É o filme que já vimos no passado: o 'privatista' não informa o que vai fazer, não discute, não debate. Simplesmente age. É uma prática que não admite diálogo", critica Gunter. "A mensagem que as entidades sindicais têm para os trabalhadores é simples: temos de nos mobilizar para disputar o discurso da privatização, questionando sua legitimidade. Não podemos simplesmente aceitar o discurso privatista, que inclusive é preconceituoso, ao buscar dividir os trabalhadores entre 'velhos' e 'novos', como se os trabalhadores mais antigos tivessem de ir pra casa. A atual gestão pretende unificar diversas áreas administrativas e isso vai gerar desemprego, porque não haverá vagas para todos os trabalhadores", alerta o diretor da Fisenge.

Os dirigentes sindicais informaram que irão entregar documento à presidência da Eletrobras com as posições dos trabalhadores sobre estas questões. Segundo a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), a expectativa é que uma nova reunião seja marcada em novembro, com a retomada da discussão da PLR 2015 (leia aqui).

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Próximo ato será em Recife, em frente à Chesf, no dia primeiro de novembro

Lutar e resistir. Essa tem sido a tônica das entidades sindicais que compõem o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) contra a privatização das empresas do grupo Eletrobras. Na manhã desta quinta-feira (27), em Brasília, a categoria eletricitária realizou ato em frente ao Ministério de Minas e Energia com a participação da deputada Érika Kokay (PT-DF), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Luta Pela Terra (MLT), Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Frente Brasil Popular.

Atos contra os ataques ao setor elétrico já foram realizados no Rio de Janeiro, em frente à sede da Eletrobras, e em Florianópolis, em frente à sede da Eletrosul. O próximo será em Recife, em frente à sede da Chesf, no dia primeiro de novembro.

As manifestações em defesa do setor elétrico e dos direitos e conquistas sociais fazem parte do calendário de lutas do CNE. Os atos visam ainda denunciar os ataques contra os eletricitários pelo governo ilegítimo de Michel Temer, que conseguiu aprovar na Câmara e no Senado a MP 735/16, que entre outras coisas, permite a demissão imediata de 30% dos trabalhadores das empresas que forem privatizadas. Após dois anos, todos os outros empregados poderão ser demitidos.

Esse projeto privatista e de ataque aos direitos trabalhistas e sociais pelo governo Temer visa ainda ampliar a terceirização irrestrita no setor e consolidar aumentos abusivos na conta de luz das famílias. Esse é um dos momentos mais graves por que passa o setor elétrico. As ameaças que estão colocadas fazem parte de retrocessos que jamais foram vistos. Nem durante a ditadura os militares ousaram praticar tantas maldades.

Para que a resistência contra esses ataques seja efetiva, só resta o engajamento e a participação da categoria nos atos, fortalecendo a luta e a mobilização. Não há outra saída. Ou lutamos agora, ou assistiremos inertes o atropelo do governo Temer com demissões em massa e passando por cima de todos os nossos direitos.

Junte-se a nós, participe dos atos contra a privatização e a retirada de direitos. Essas manifestações que estão acontecendo em várias cidades também são prévias para a greve geral que está sendo planejada para novembro. Ajude a construir essa unidade. Só a classe trabalhadora unida conseguirá conter a sanha desse governo ilegítimo, sedento por destruir o patrimônio público e todas as conquistas dos trabalhadores.

Fonte: CNE

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Concessionárias de energia de seis estados do Norte e Nordeste devem ser as primeiras a serem atingidas pela aprovação da MP do setor elétrico
Por Cristiane Sampaio, para o Brasil de Fato

A Medida Provisória (MP) 735/2016, aprovada pelo Senado na última quarta-feira (19), vem preocupando funcionários de empresas do setor elétrico. O dispositivo, que altera regras do segmento, facilita processos de privatização, diminui a burocracia em leilões, reduz custos da União com subsídios a concessionárias e ainda permite a desestatização de distribuidoras estaduais que foram federalizadas, abrindo caminho para a privatização da Eletrobras.

A companhia lidera um sistema de empresas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia pelo país, incluindo empresas como Chesf, Eletronorte e Furnas, por exemplo.

Segundo projetam as articulações governistas, as concessionárias de energia de seis estados das regiões Norte e Nordeste (Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Alagoas e Piauí) devem ser as primeiras a vivenciar o processo de desestatização, o que tende a comprometer um total de 7.500 empregos, segundo dados da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), que congrega sindicatos do setor.

Articulações
Durante as discussões no Senado foram feitas algumas alterações na MP, uma delas proposta pela senadora Vanessa Grazziotion (PCdoB-AM), no intuito de preservar todos os empregos dos funcionários. No entanto, o relator da medida, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), acatou apenas parcialmente a proposta e, após acordos com o governo, o texto incluiu a manutenção de 70% do quadro durante os três primeiros anos de privatização.

Com isso, os funcionários enfrentam um clima de receio e insegurança em relação ao trabalho. "Está muito ruim pra gente. Há um clima de preocupação, tensão e tristeza, porque já temos conhecimento do que acontece quando uma empresa é privatizada", diz Francisco Marques, da direção do Sindicato dos Urbanitários do Piauí (Sintepi), que representa os funcionários da companhia no estado.

Somente no Piauí, por exemplo, a Companhia Energética do Estado (Cepisa) tem 1.600 funcionários concursados."Nós tínhamos uma projeção de aumentar esse contingente pra 2.500 até 2017, por conta de um acordo firmado entre o MPF (Ministério Público Federal) e a empresa, porque a recomendação era a companhia substituir todos os terceirizados que hoje desenvolvem atividade-fim, mas agora tudo isso fica comprometido também", lamenta Marques, acrescentando que há cerca de 1.200 terceirizados nessa situação.

Ele destaca ainda o contexto do Maranhão e do Ceará, onde as concessionárias da Eletrobras foram privatizadas em anos anteriores e o quadro de terceirizados cresceu exponencialmente. "Atualmente, o perfil dos empregados é de 85% de terceirizados na Coelce e 90% na Cemar. É claro que os funcionários da Eletrobras se preocupam com essa nova estrutura de trabalho", completa o dirigente.

A servidora Zenaide Lustosa, que atua na Cepisa há 31 anos, disse que se sente temerosa com a iminência da privatização. "Esse tipo de especulação sempre esteve presente na vida dos trabalhadores da empresa, mas claro que houve um impacto grande agora, porque se criou um clima maior de insegurança. É pior ainda para as pessoas que têm mais tempo na empresa, como eu, que estou dentro do público que deve ser mais atingido. (…) Tenho uma amiga que está até com depressão por causa disso", conta.

Precarização e custo do serviço
Um dos aspectos levantados pelos opositores da medida provisória é o risco de precarização dos serviços de energia após a privatização da Eletrobras. "Estudos feitos pelo Dieese e pela própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que nenhuma das empresas que foram privatizadas melhorou a qualidade de prestação do serviço. Além disso, o custo chegou a subir 300% em algumas companhias, se compararmos com as tarifas das empresas públicas", destaca o sindicalista Francisco Marques.

Ele também aponta a diferença entre os dois segmentos no que se refere às metas colocadas para o serviço. "Existem metas que são determinadas pela Aneel e elas têm sido bem flexíveis pro setor privado, que dificilmente sofre punição por não cumpri-las. Ao contrário, as públicas são bastante penalizadas por não atenderem essas metas, geralmente rigorosas. Então, é claro que o consumidor perde muito com isso", aponta.

O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) também demonstra preocupação com o que se anuncia no horizonte da MP. "A gente já sabe que todo processo de privatização aumenta a exploração dos trabalhadores do sistema de energia do Brasil e dos consumidores, principalmente as famílias, que vão ter uma elevação nas tarifas. Com isso, aumenta a exploração dos atingidos por barragens, porque essas empresas vão querer ter mais lucro a qualquer custo, violando ainda mais os direitos", projeta Luiz Dalla Costa, da coordenação nacional do Movimento.

A senadora Vanessa Grazziotin destaca a preocupação com o estado do Amazonas, do qual tem a representatividade. Com 1,5 milhão de quilômetros quadrados e mais da metade da população vivendo na capital, há grandes diferenças de lucro entre Manaus e os demais municípios.

"São 2 milhões de habitantes somente na capital. É o maior parque eletroeletrônico da América do Sul, então, obviamente que é um mercado lucrativo, interessante. (…) O problema é que, dentro dessa lógica do lucro, quem vai se preocupar em abastecer municípios como Tapauá, por exemplo? Porque, se a empresa é pública, às vezes você mantém um município pequeno a partir do lucro que vem dos grandes. O poder público faz isso porque o objetivo da empresa não é o lucro, e sim prestar um bom serviço e reverter o lucro no social. A empresa privada vai ter um outro olhar, claro. Então, essa medida é um desastre", considera a senadora.

Trâmite
Após a aprovação e as alterações feitas pelo Senado, a MP 735 foi transformada no Projeto de Lei de Conversão (PLV) 29/2016 e segue agora para sanção presidencial.

Fonte: Brasil de Fato

Edição: Camila Rodrigues da Silva. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Em sequência ao calendário de luta do Coletivo Nacional dos Eletricitários - CNE, os sindicatos da INTERSUL promoveram na manhã do dia 18 de outubro, terça-feira, em frente à Sede da ELETROSUL, em Florianópolis, mais uma manifestação em defesa das empresas do Sistema ELETROBRAS, dos direitos trabalhistas e contra as políticas do atual governo de desmonte das empresas públicas e ataque aos direitos e conquistas sociais. O ato contou com a presença de dirigentes sindicais do CNE vindos de vários locais do país, representantes de quatro Centrais Sindicais, diversas entidades e movimentos sociais como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Núcleo Catarinense da Auditoria Cidadã da Dívida, Movimento dos Sem Terra (MST), União Catarinense de Estudantes (UCE), Cooperativa de Jornalistas Desacato, Instituto de Estudos Latino Americanos (IELA). Alguns representantes da classe política Vereadores e um Deputado Estadual, também registraram presença e prestigiaram o ato em defesa da classe trabalhadora.

O ato teve início com uma análise de conjuntura feita por José Álvaro, Economista do DIEESE, que afirmou que nas últimas três décadas, jamais tinha visto um quadro tão adverso para os trabalhadores. Três elementos atuam interligados no processo: o primeiro é a crise mundial que está se mostrando a pior de todas, inclusive à de 1929; o segundo a crise econômica brasileira, uma das piores já ocorrida (desde 1930 não se tinha quatro anos consecutivos sem crescimento; e terceiro: o golpe de Estado, típico dos dias atuais na América Latina, que acontece sem tanques, apoiado pela mídia, judiciário e legislativo. Ainda, afirmou que esse conjunto de elementos colocam desafios aos trabalhadores com ameaças, que nem a ditadura militar ousou fazer. São ataques contra direitos trabalhistas e contra o país. Esta havendo a retirada de direitos conquistados com a Constituição de 88 como o SUS e até derrubando a CLT da década de 40. Também, estão em andamento ataques à soberania do país, aos recursos naturais, principalmente ao petróleo, mas também à biodiversidade da Amazônia, ao sistema elétrico e a água. Não existe país que disponha de tantos recursos naturais como o Brasil. É impossível entender o golpe sem entender a questão geopolítica. A perda da hegemonia na região da América Latina pelos EUA e o fortalecimento dos BRICS é o que levou a esta equação golpista, onde os setores conservadores e a mídia apregoam o discurso golpista de que o Brasil quebrou por causa do Bolsa Família, dos gastos exagerados com saúde e educação e que é necessário um remédio amargo, como a entrega do petróleo, acabar com a política de reajustes salariais e reduzir benefícios sociais e assim por diante.

A representatividade do ato mostrou, mais uma vez, a unidade em torno da luta dos trabalhadores, as inúmeras manifestações por parte das entidades presentes, alertaram para o retrocesso social das políticas, projetos e medidas do atual Governo Federal, que trarão grandes perdas para a classe trabalhadora e para toda a sociedade, atingindo direitos e perdas de conquistas históricas, se não lutarmos. Violações do Estado Democrático de Direito, a criminalização dos movimentos sociais, a espetacularização da justiça e as relações de trabalho são algumas das mudanças que já estão sendo sentidas por todos depois do “advento” de Michel Temer.

Há motivos de sobra para a indignação dos(as) trabalhadores(as) nas medidas anunciadas pelo governo golpista - como a reforma da Previdência, a retirada de direitos, a terceirização irrestrita, prevalência do negociado sobre o legislado, flexibilização do contrato de trabalho, a MP 735, que reestrutura o Setor Elétrico e facilita privatização das empresas do Sistema ELETROBRAS, a reforma regressiva do Estado prevista na PEC 241 e no PL 257, além da recente MP da “reforma do Ensino Médio”.

Ocorreram, também, vários depoimentos de trabalhadores aposentados da CELESC e ELETROSUL, que lembraram da época da cisão da ELETROSUL, no início dos anos 90, quando ocorreu a privatização da geração da empresa. Lembraram que também naquela época a mobilização foi difícil com muitos trabalhadores fugindo da luta, acreditando que, pela “meritocracia” (essência do neoliberalismo) não seriam atingidos pelas demissões. Lamentavelmente o que se seguiu demonstrou exatamente o contrário, resultou em um pesadelo que até bem pouco ainda assolava os corredores da empresa. Merece especial destaque a presença dos trabalhadores(as) da ELETROSUL, numa demonstração de
consciência de luta pela preservação da empresa como empresa pública.

CALENDÁRIO DE LUTAS DO CNE
- Dia 25.10 - Reunião com o Presidente da ELETROBRAS, Wilson Júnior, no Rio de Janeiro/RJ;
- Dia 26.10 - Plenária CNE - Ás 14h00 - STIUDF - Brasília/DF;
- Dia 27.10 - Manifestação na ELETRONORTE - Brasília/DF, (Organização FURCEN e SINDINORTE), com a presença de
todo CNE;
- Dia 01.11 - Manifestação na CHESF - Recife/PE, (Organização FRUNE e INTERSINDICAL Nordeste), com a presença de
todo CNE.

SE É PUBLICO, É PARA TODOS!

Fonte: CNE

Imagem: MAB/Desacato.info

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Foi homologado, hoje (21/9), o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Sistema Eletrobras, no Tribunal Superior do Trabalhado (TST), em Brasília. Segundo o diretor da Fisenge e do Senge-RJ, Gunter Angelkorte, o ministro mediou a proposta para garantir a manutenção dos direitos. O reajuste foi dividido em duas parcelas, uma em maio (5%) e, a partir de 15/9, o complemento de 4,28%, totalizando 9,28% referente ao IPCA de maio. O pagamento do segundo talão de tíquete-alimentação de 2017 foi registrado na carta-compromisso assinada pela direção da Eletrobras. “Esta foi uma negociação muito dura para os trabalhadores. Precisamos reafirmar nossos direitos e lutar em defesa do Sistema Eletrobras público e estatal”, disse Gunter. Já sobre os dias de paralisação, o ministro decidiu que o período que ultrapassar cinco dias, 1/3 será abonado e o restante compensado. “Querem transformar o país em colônia com a proposta de flexibilização da jornada de trabalho e do programa de privatizações”, criticou Gunter analisando a atual conjuntura política do país.

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