Geração de emprego bate recorde em 2007
No entanto, para a economista Leda Paulani, a alta foi circunstancial e não há política de pleno emprego
Eduardo Sales, Brasil de Fato
Em 2007, o Brasil registrou a maior geração de empregos formais desde 1992, quando o Ministério do Trabalho passou a realizar este tipo de levantamento. Nesta quinta-feira (17), o ministro Carlos Lupi anunciou que foram criados 1,6 milhão de postos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O número é 31% superior ao de 2006 (1,2 milhões de vagas) e mostra que o mercado formal cresceu 5,85% ao longo de 2007 (média de 134 mil empregos por mês). O recorde anterior era 1,5 milhão de novos postos, em 2004.
O desempenho foi comemorado pelo governo, que prometeu novos recordes em 2008. “Vai ser melhor que 2007. Acho que vamos ter um crescimento econômico maior que 6% e a geração de empregos deve ficar em 1,8 milhão, podendo chegar a 2 milhões - um crescimento superior aos 6%”, disse o ministro Carlos Lupi.
Para a economista da USP Leda Paulani, no entanto, o crescimento do emprego é um fator circunstancial, e não um objetivo perseguido pela política econômica do presidente Lula. “O modelo econômico brasileiro não está estruturado para a manutenção de empregos, pois ninguém falou em controlar os contratos de capitais, a taxa de juros, o superávit primário”, avalia. Segundo ela, “eventualmente é possível conjugar o crescimento de empregos e ao modelo econômico atual”.
Paulani atribui o recorde de criação de empregos formais a uma conjuntura externa favorável, cenário que já dura quase seis anos. “O crédito para as empresas foi fundamental”, acrescenta. Para a economista, não há planejamento a longo prazo para uma política de pleno emprego e, por isso, o resultado é frágil. “Fatores como o fim da CPMF e o início de uma alta na inflação podem justificar, por parte do governo federal, uma retração do oferecimento de emprego”, afirma.
Um dado relevante é que, mesmo com o aumento do emprego em todos os setores econômicos, o avanço da massa salarial tem sido inferior ao da renda de capital. Em 1995, mais de 35% do PIB brasileiro correspondia à renda dos assalariados, enquanto as rendas do capital representavam 31%. Dez anos depois, em 2005, as posições se inverteram. A proporção do total de salários no PIB ficou inferior a 31%, enquanto a proporção das rendas do capital estava quase alcançando 36%. Os dados constam de um artigo do economista João Sicsu, diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Distribuição de empregos
De acordo com o Ministério do Trabalho, todos os setores da atividade econômica apresentaram aumento no emprego formal em 2007, com destaque para os desempenhos recordes das áreas de Serviços (587.103 postos) e Comércio (405.091), seguidos pela Indústria de transformação (394.584), que teve o segundo melhor resultado na série histórica (o maior ocorreu em 2004, quando houve geração de 504.610 vagas).
Em termos de porcentagem, a construção civil foi o setor da economia que teve a maior taxa de crescimento. O saldo recorde de 176.755 empregos representou uma expansão de 13,08% no total de empregos com carteira assinada no setor – mais do que o dobro dos índices alcançados pelo comércio (6,5%), indústria de transformação (6,1%) e serviços (5,3%). Os setores que apresentaram as menores taxas de aumento de postos de trabalho criados em 2007 foram o agropecuário, cujas vagas cresceram 1,46% (21,1 mil postos) e o da administração pública, com expansão de 2,36% (15,3 mil).
A concentração de trabalho permanece no Estado de São Paulo. Um em cada três empregos celetistas criados em 2007 foi absorvido pelo estado de São Paulo, cujo saldo recorde de 611.539 postos equivale a 38% do total de vagas formais criadas em todo o país. Em seguida aparecem Minas Gerais (168.398), Rio de Janeiro (144.786 postos, outro recorde). Em termos percentuais, Tocantins teve a maior taxa de crescimento do país: a ampliação de 7.105 postos foi o melhor saldo já alcançado pelo estado e representou uma expansão de 8,14% no setor formal.
Este artigo foi publicado no website da Fisenge [http://www.fisenge.org.br/] em 21/01/2008 às 13:19 na seção Mercado.

