Franceses querem mudanças nas escolas de engenharia
Especialista francês fala da importância em discutir a saúde do trabalhador desde a faculdade
O último dia da IV Conferência Mundial das Associações de Engenheiros e Cientistas teve a apresentação do engenheiro francês da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT) e especialista em transportes Laurent Mahieu que falou, principalmente, sobre o ensino de engenharia na França e as condições de saúde dos trabalhadores.
Segundo Laurent, o governo francês estava preocupado com o número de acidentes de trabalho, então fez um estudo sobre as condições de saúde e os reflexos na formação do engenheiro. “A saúde dos profissionais de engenharia, assim como a de toda a sua equipe, precisa ser discutida desde a faculdade”, afirma Laurent. O engenheiro explica que há especialistas que tratam dessa questão como uma especialidade (por exemplo: ergonomia, saúde no trabalho, etc), mas o que eles querem é colocar essa preocupação na formação dos engenheiros.
Laurent também diz que o governo francês pressiona para que aconteçam mudanças no ensino da engenharia, incentivando uma reciclagem dos cursos e alocação de mais verbas. “Em relação à evolução no quadro globalizado, a mudança na escola de engenharia é muito lenta”, explica.
O engenheiro francês fala também que o governo estimula na formação de novos cursos, mas investe muito mais na graduação do engenheiro do que na pós-graduação. Ele diz que, como, na França, a profissão de engenheiro não é regulamentada por um órgão (como o Crea e Confea no Brasil), então existe uma comissão da qual participam os três agentes (governo, empresa e sindicato), que inspeciona as escolas de engenharia, conversa com os diretores, vistoria os currículos e dá um prazo para a escola fornecer o diploma. “Geralmente, essa inspeção é de seis em seis anos, mas, quando a escola está em situação precária, a comissão permite que a mesma dê diplomas durante apenas um ano, até a próxima vistoria”, explica.
Forma de organização sindical e a nova tecnologia européia
Laurent explica também que os engenheiros europeus se organizam em associações de quadros, ou seja, apesar de se formarem engenheiros, se organizam junto com outros profissionais, como administrador, economista, financista e gestor em comércio. Além disso, o engenheiro informa sobre um avanço tecnológico na vida do engenheiro, que será testado entre 2007 e 2008 para avaliar a viabilidade: um cartão magnético, financiado pelo governo europeu, que constará todo o currículo do engenheiro, facilitando a mobilidade do profissional em trabalhar em outros países.
Este artigo foi publicado no website da Fisenge [http://www.fisenge.org.br/] em 15/08/2007 às 11:04 na seção Mercado.

